domingo, novembro 09, 2025

STF tem maioria para tornar ex-assessor de Moraes réu sob acusação de vazamento de mensagens

 

STF tem maioria para tornar ex-assessor de Moraes réu sob acusação de vazamento de mensagens

A denúncia leva em conta o vazamento de mensagens de integrantes do gabinete de Moraes ao longo de 2022

Por Folhapress

09/11/2025 às 16:20

Foto: Reprodução

Imagem de STF tem maioria para tornar ex-assessor de Moraes réu sob acusação de vazamento de mensagens

 O STF (Supremo Tribunal Federal) formou maioria neste domingo (9) para abrir ação penal contra Eduardo Tagliaferro, ex-assessor do ministro Alexandre de Moraes no TSE (Tribunal Superior Eleitoral).
Relator do caso, Moraes votou pelo recebimento da denúncia da PGR (Procuradoria-Geral da República) e foi seguido pelos ministros Cristiano Zanin e Flávio Dino.

Tagliaferro foi acusado pela Procuradoria de vazar mensagens de integrantes do gabinete de Moraes para obstruir investigações sobre a trama golpista.

Os ministros da Primeira Turma do Supremo têm até o dia 14 de novembro para depositar seus votos. Também participa do julgamento a ministra Cármen Lúcia. Luiz Fux decidiu deixar a turma e não tem direito a voto.

Nessa fase, os ministros do Supremo analisam se a denúncia traz indícios mínimos de autoria e materialidade que justificam a abertura de um processo penal contra o denunciado.

Moraes argumenta que as provas apresentadas pela PGR na denúncia são suficientes para a abertura de uma ação penal contra seu ex-assessor. Ele destaca que Tagliaferro manifestou publicamente seu interesse de divulgar dados sigilosos para coagir o Supremo contra o avanço de processos sobre a trama golpista.

"A grave ameaça materializou-se pela promessa pública de divulgar dados sigilosos, acompanhada de campanha de arrecadação financeira intitulada 'Ajude o Tagliaferro a ir aos USA na Timeline expor as provas', demonstrando intenção deliberada de viabilizar a execução da ameaça", disse.

Moraes também afirmou que a atuação de Tagliaferro no exterior tinha como objetivo buscar favorecimento próprio. "Investigado nos presentes autos, [o ex-assessor] buscou criar ambiente de intimidação sobre as autoridades responsáveis pelas investigações, visando constranger o exercício legítimo da função jurisdicional", completou.

Se o recebimento da denúncia for confirmado, Tagliaferro se torna réu no Supremo. Abre-se uma ação penal para analisar, mais detalhadamente, se os indícios mostrados na denúncia se confirmam em provas durante a instrução processual.

A PGR, comandada por Paulo Gonet, acusou Tagliaferro de cometer os crimes de violação do sigilo funcional, coação no curso do processo, obstrução de investigação e tentativa de abolição do Estado democrático de Direito.

A denúncia leva em conta o vazamento de mensagens de integrantes do gabinete de Moraes ao longo de 2022. Como a Folha de S.Paulo revelou, as conversas mostram que o ministro usou o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) fora do rito tradicional para produção de relatórios e abertura de investigações contra bolsonaristas.

Tagliaferro está na Itália e, nos últimos meses, participou de lives com apoiadores do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), prometeu fazer novas revelações sobre Moraes e elaborou um dossiê para acusar o ministro do Supremo no Parlamento europeu.

Segundo o procurador Paulo Gonet, Tagliaferro "revelou informações confidenciais que obteve em razão do cargo ocupado, com o fim de obstruir investigações e favorecer interesse próprio e alheio".

A PGR ainda diz que a saída do Brasil demonstra o alinhamento do ex-assessor do TSE com a organização criminosa responsável pelos atos antidemocráticos.

"O anúncio público recente (30.07.2025), em Estado estrangeiro, da intenção de revelar novas informações funcionais sigilosas, lançando, inclusive, campanha de arrecadação de recursos para financiar o seu intento criminoso, atende ao propósito da organização criminosa de tentar impedir e restringir o livre exercício do Poder Judiciário", consta na denúncia.

"Está clara a adesão ao objetivo de incitar novos atos antidemocráticos e provocar disseminação de notícias falsas contra a Suprema Corte", acrescenta.

A defesa de Tagliaferro diz que a denúncia é inepta por não descrever qual organização criminosa o ex-assessor teria integrado. "Para o crime de coação no curso do processo, não se narra uma conduta concreta que se amolde ao conceito jurídico de grave ameaça, elementar do tipo penal atribuído ao defendente", afirma.

O que significa o STF condenar Bolsonaro e generais pelo ataque à democracia

Publicado em 9 de novembro de 2025 por Tribuna da Internet

STF mantém condenação de Bolsonaro e seis réus

Pedro do Coutto

A decisão unânime da Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal, que rejeitou os recursos do ex-presidente Jair Bolsonaro e de ex-ministros e generais envolvidos na tentativa de golpe de Estado, marca um divisor de águas na história política recente do Brasil.

O placar de 4 a 0 não sela apenas um processo jurídico, mas consolida um marco institucional, que reafirma os limites constitucionais diante de um projeto de ruptura articulado a partir do próprio Estado.

RESULTADO DAS URNAS – Desde os ataques de 8 de janeiro de 2023, o STF vinha ampliando sua atuação para reconstruir o que ocorreu: não se tratou de ato isolado ou tumulto espontâneo, mas de uma tentativa coordenada de subverter o resultado eleitoral e impor um novo regime político, apoiado no discurso de que as Forças Armadas poderiam intervir para “corrigir” o processo democrático.

A condenação alcança nomes de altíssimo escalão, como Braga Netto, Augusto Heleno, Paulo Sérgio Nogueira, Anderson Torres, Almir Garnier Santos e Alexandre Ramagem. A mensagem institucional é inequívoca: não haverá relativização histórica ou eufemismo jurídico quando o pacto constitucional é atacado diretamente.

Democracias, como já analisado por organismos como a Comissão Interamericana de Direitos Humanos, sobrevivem apenas quando têm capacidade de responder com clareza a tentativas de ruptura — especialmente quando essas tentativas vêm de dentro de suas próprias estruturas de poder.

PONTO SENSÍVEL – Com os recursos praticamente esgotados, o centro de gravidade do processo se desloca para um ponto sensível: o cumprimento das penas. A presença de generais e ex-ministros em unidades militares poderia criar um ambiente de tensão interna, enquanto manter prisões domiciliares para todos seria interpretado como privilégio indevido. A possibilidade de envio de parte dos condenados para a Penitenciária da Papuda, entretanto, abre um dilema mais profundo: como as Forças Armadas irão elaborar publicamente o fato de que quadros de sua cúpula violaram o juramento constitucional?

O impacto simbólico dessa etapa pode ser maior do que o próprio julgamento, porque obriga a instituição a decidir entre a autopreservação corporativa e o compromisso democrático que afirma defender.

Entre os condenados, o caso de Mauro Cid é particularmente revelador. Condenado a pena menor, ele abriu uma trilha documental e testemunhal que detalhou a engrenagem do golpe no nível operacional. Seu papel demonstra algo essencial: a democracia não se defende apenas com posicionamentos políticos, mas com investigação rigorosa, provas verificáveis e devido processo legal. Não foi narrativa contra narrativa — foi fato contra intento de fraude histórica.

BASE MOBILIZADA – A condenação, porém, não encerra a disputa política. O bolsonarismo ainda possui base mobilizada, discurso afetivo e canais de comunicação que mantêm viva a hipótese de deslegitimação das instituições. A democracia brasileira, nesse sentido, segue em teste contínuo. Mas o julgamento estabeleceu um limite: a ruptura não será normalizada.

O próximo passo será decisivo. Se o país conseguir atravessar a fase de cumprimento das penas sem humilhações institucionais, sem bravatas de revanche e sem concessões que reescrevam o passado, poderá finalmente consolidar algo que lhe faltou desde 1988: a certeza de que a Constituição não é apenas uma referência moral, mas uma fronteira inegociável. O julgamento foi o momento da sentença. Agora começa o período mais difícil — o da maturidade democrática.

Sociólogo aponta erro estrutural: sem urbanização, o Estado nunca retomará as favelas


MPE denuncia Pablo Marçal por difamar Datena durante campanha em SP

Publicado em 9 de novembro de 2025 por Tribuna da Internet

Marçal divulgou informações falsas sobre o Datena

Zeca Ferreira
Estadão

O Ministério Público Eleitoral (MPE) apresentou denúncia contra o influenciador Pablo Marçal (PRTB) por divulgar informações falsas e ofensivas sobre o jornalista José Luiz Datena (PSDB) durante a campanha à Prefeitura de São Paulo em 2024.

Segundo o promotor de Justiça Eleitoral Cleber Rogério Masson, da 1.ª Zona Eleitoral de São Paulo, Marçal cometeu dois crimes de difamação e um de injúria na propaganda eleitoral. Como as ofensas foram direcionadas a um candidato, as penas podem ser aumentadas em um terço. A soma máxima das punições pode chegar a cinco anos e quatro meses de prisão, além de multa e eventual indenização.

“AGRESSOR SEXUAL” – Um dos episódios citados na denúncia ocorreu em 16 de setembro de 2024, numa live transmitida do Hospital Sírio-Libanês, logo após um debate eleitoral no qual Datena agrediu Marçal com uma cadeira. Durante a transmissão, o influenciador chamou o adversário de “agressor sexual” e afirmou que “o dinheiro dele comprou o silêncio da menina”, em referência a um suposto caso de assédio. No dia anterior, Marçal já havia acusado Datena de ter abusado de uma jornalista. O apresentador nega todas as acusações.

Segundo o MPE, a frase sobre a suposta compra de silêncio caracteriza difamação por atribuir fato ofensivo à reputação de Datena. Já a injúria teria ocorrido nas declarações em que Marçal chamou o jornalista de “agressor de mulheres”, “assediador sexual”, “desregulado”, “comedor de açúcar daquele tamanho”, “mais lento que um bicho-preguiça” e “cara que tem problema com droga também”.

A Promotoria afirma ainda que a difamação foi reiterada quando Marçal disse que Datena “acabou fazendo um contorcionismo jurídico e saiu de um assédio sexual comprovadamente contra uma jornalista”. Para o Ministério Público, as três ofensas à honra do jornalista tiveram o objetivo de influenciar o eleitorado durante a disputa eleitoral.

“Era indisfarçável, portanto, a intenção do acusado de ser beneficiado pelos votos que poderiam ser destinados à vítima, ou mesmo a outros candidatos, com base na crença de que seu perfil ‘corajoso’ poderia agradar a uma parcela do eleitorado paulistano”, diz a denúncia.


Sarrubbo diz que megaoperação não retomou áreas e condena exploração eleitoral

Publicado em 9 de novembro de 2025 por Tribuna da Internet

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