domingo, agosto 03, 2025

Datafolha: 71% veem Lula candidato à reeleição; Alckmin cresce como plano B

 Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil/Arquivo

Geraldo Alckmin (PSB), vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços03 de agosto de 2025 | 07:13

Datafolha: 71% veem Lula candidato à reeleição; Alckmin cresce como plano B

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A candidatura de Lula à reeleição em 2026 é vista como certa por 71% dos eleitores, embora 54% deles digam que o petista faria melhor se desistisse da empreitada. Como plano B, o vice Geraldo Alckmin (PSB) avançou e ameaça o posto de preferido do ministro Fernando Haddad (PT).

Os achados da mais recente pesquisa do Datafolha ajudam a desenhar um pouco as linhas entre realidade e desejo na cabeça do eleitorado. Desde que a aprovação do governo entrou em plena vazante no começo do ano, Lula assumiu crescentemente o figurino de candidato que sempre foi.

Disse recentemente que, se tiver saúde, disputará sua oitava eleição ao Planalto. A comunicação do governo passou a ser mais popularesca e, se não houve melhorias expressivas na avaliação do trabalho do presidente, a população ficou mais certa de suas intenções.

Em abril, 62% diziam que Lula seria candidato, número que pulou para 66% no mês passado e 71%, agora. Todos os saltos são no limite ou acima da margem de erro de dois pontos para mais ou menos do levantamento.

Ao mesmo tempo, aqueles que não veem Lula buscando a reeleição deslizaram no período, de 34% para 28% e, agora, 23%. Isso não significa apoio à empreitada, ao contrário: 54% acham que o presidente devia pendurar as chuteiras, ante 57% na rodada de junho, enquanto 44% apoiam a ideia, oscilando dos 41% de junho.

Lula não dá sinais de desistir, ao contrário. Se o fizesse, uma novidade surgiu em relação ao levantamento passado: o crescimento do nome de seu vice como nome apontado pelo eleitorado como aquele que deveria ser apoiado pelo petista.

Ele subiu de 18% para 26% de citações do início de junho para os dias 29 e 30 de julho, datas da atual pesquisa. Encosta assim em Haddad, titular da Fazenda, que caiu de 37% para 29%.

Alckmin teve protagonismo recente na disputa do Brasil com Donald Trump, que aplicou um tarifaço às importações brasileiras aos Estados Unidos e o associou a uma punição pelo que chama de perseguição judicial ao ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), seu aliado ideológico.

O vice, que também é ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, já vinha negociando com os americanos desde o começo da gestão Trump. Conseguiu falar com autoridades americanas e não evitou o tarifaço, que veio desidratado para setores em que as taxas prejudicariam mais as empresas do país de Trump.

Seja como for, Alckmin teve a dita boa mídia no episódio. Como Lula não logrou melhorar sua avaliação apesar do percebido sucesso político na crise até aqui, talvez o chamado presente de Trump tenha sido aninhado na mesa do vice —seja no anexo do Planalto ou no ministério que ele frequenta.

Já Haddad lida com crises com o Congresso e com a situação fiscal complexa, e ainda teve no seu colo a crise acerca do aumento do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras).

Mais abaixo ficam a ministra do Planejamento, Simone Tebet (MDB, 13%), e os titulares de pastas no Planalto Rui Costa (PT, 5%) e Gleisi Hoffmann (PT, 3%).

Do outro lado da trincheira da polarização está o grupo de Bolsonaro, inelegível até 2030 por decisão da Justiça Eleitoral e provavelmente futuro condenado pela trama golpista. Segundo o Datafolha, 30% dos eleitores dizem que ele deve manter a candidatura, o que pode fazer mesmo sabendo da inevitável impugnação depois dos registros formais, em agosto do ano que vem.

Já 67% afirmam que ele deveria largar o osso já e passar o trabalho para alguém de seu grupo político. Aí, os nomes mais fortes a serem apoiados citados são o da sua mulher, Michelle (PL), e o do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), com 23% e 21%, respectivamente.

Abaixo vêm empatados os filhos Eduardo (PL-SP, 11%) e Flávio (PL-RJ, 9%), com o governador paranaense, Ratinho Jr. (PSD) entre eles com 10%. Num pelotão final estão outros dois chefes estaduais, Ronaldo Caiado (União Brasil-GO, 6%) e Romeu Zema (Novo-MG, 5%).

Foram ouvidas nesse levantamento 2.004 pessoas com 16 anos ou mais, em 130 municípios brasileiros.

Igor Gielow, Folhapress

Estamos enfrentando o império americano, ataque ao STF e democracia, diz José Dirceu

 Foto: Reprodução/Instagram/Arquivo

O ex-ministro da Casa Civil José Dirceu02 de agosto de 2025 | 20:04

Estamos enfrentando o império americano, ataque ao STF e democracia, diz José Dirceu

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O ex-ministro da Casa Civil José Dirceu disse há pouco que o Brasil está enfrentando o “império” dos Estados Unidos em relação ao tarifaço contra produtos brasileiros.

“Nós estamos enfrentando o império norte-americano, nós estamos enfrentando um ataque ao Supremo Tribunal Federal e à nossa democracia, que visa a dar anistia e inocentar os golpistas”, disse o ministro, no 17º Encontro Nacional do PT, em Brasília.

Por isso, ele defendeu que o partido não poderia firmar posição contra o arcabouço fiscal, criado pelo governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que retomou programas sociais. O PT rejeitou uma emenda contrária à regra.

Dirceu acrescentou que o governo Lula tem três eixos centrais: a reindustrialização, por meio do Nova Indústria Brasil; os investimentos em infraestrutura via PAC; e a transição energética.

Cícero Cotrim, Estadão Conteúdo

Cármen Lúcia afirma que ‘soberania não é discutível’ em palestra na Flip

 Foto: Alejandro Zambrana/Secom/TSE

A ministra Cármen Lúcia, do STF03 de agosto de 2025 | 08:15

Cármen Lúcia afirma que ‘soberania não é discutível’ em palestra na Flip

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A ministra Cármen Lúcia, do STF (Supremo Tribunal Federal), afirmou neste sábado (2) que a soberania do Brasil “não é discutível”.

Durante mesa na Casa Sesc, na programação paralela da Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), Carmen Lúcia foi indagada por uma pessoa da plateia sobre as pressões dos Estados Unidos e das big techs para influenciar decisões judiciais no Brasil —aludindo às sanções do governo dos Estados Unidos a ministros do STF e às tarifas contra o Brasil em retaliação aos processos contra o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).

“A soberania não é discutível, está na Constituição brasileira”, disse a ministra do STF. “Ao STF compete a guarda da Constituição quando ela é atingida por algum cidadão. A nós compete guardar a Constituição”, disse, em referência à ação do STF que investiga a participação de Bolsonaro nas tentativas de reverter o resultado da eleição de 2022 e que deve ir a julgamento ainda neste ano.

Carmen Lúcia participou de mesa sobre inteligência artificial e direitos autorais, com mediação do advogado e ex-deputado-federal Gabriel Chalita.

A ministra do STF, também alvo de sanções do governo americano, foi indagada, em tom de piada, por um integrante da plateia se iria emprestar sua senha da Netflix para o ministro Alexandre de Moraes —mas não respondeu.

Em resposta a questionamento sobre retrocessos na conquista de direitos fundamentais, a ministra do STF afirmou ser necessário resistir. “O direito a viver em democracia é o primeiro dos direitos. Não podemos ter retrocessos que nos façam voltar a momentos de autoritarismo e autocracia que tivemos. Eu vivi isso. Eu sei o que é não poder falar o que se pensa”, disse.

Patrícia Campos Mello, FolhapressPolitica Livre

Tubarão-tigre é encontrado morto em praia de Aracaju

  Há suspeita de que se trate do mesmo tubarão avistado na sexta-feira, 1º, na região da Ilha dos Namorados.

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Um tubarão-tigre (Galeocerdo cuvier) foi encontrado morto na manhã deste sábado, 2, na Praia do Mosqueiro, no litoral sul de Aracaju. A informação foi confirmada pela Fundação Mamíferos Aquáticos (FMA) por meio das redes sociais.

De acordo com a FMA, a carcaça do animal estava em avançado estado de decomposição e apresentava marcas de interação com atividade pesqueira, além de indícios da prática de finning — o corte das barbatanas, muitas vezes realizado de forma cruel e ilegal. No entanto, ainda não é possível determinar se esse procedimento foi feito antes ou depois da morte do animal.

Há suspeita de que se trate do mesmo tubarão avistado na sexta-feira, 1º, na região da Ilha dos Namorados, conforme registrado em vídeo que circulou nas redes sociais, possivelmente levado pela maré até a Praia do Mosqueiro. A equipe técnica da FMA está em deslocamento para o local a fim de realizar o registro e atendimento da ocorrência.

Segundo a FMA, o tubarão-tigre é uma espécie comum na costa nordeste do Brasil e exerce um papel ecológico importante nos ecossistemas marinhos, sendo considerado um predador de topo na cadeia alimentar. A sua presença é um indicativo de equilíbrio ambiental, e sua morte com possíveis sinais de pesca predatória acende um alerta para a necessidade de maior fiscalização e conscientização sobre a preservação da fauna marinha.

A Fundação Mamíferos Aquáticos reforçou que, em casos de avistamento de mamíferos, tartarugas ou aves marinhas vivos debilitados ou mortos, a população pode entrar em contato com o serviço de resgate pelo número 0800 079 3434 (em horário comercial) ou pelo telefone de plantão: (79) 99130-0016.

Outros casos

O caso do tubarão-tigre se soma a outros registros de animais marinhos encontrados nas praias sergipanas nas últimas semanas. No dia 31 de julho, um pinguim-de-magalhães (Spheniscus magellanicus), espécie originária da Patagônia, foi resgatado debilitado no litoral sergipano, mas não resistiu e acabou morrendo, apesar dos cuidados das equipes da FMA. Já no dia 23 de julho, uma carcaça de baleia-jubarte em avançado estado de decomposição foi encontrada na Praia da Caueira, no município de Itaporanga d’Ajuda, também no litoral sul de Sergipe.

Por Verlane Estácio com informações da FMA

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COMO SE MEDE UM HOMEM?



Por Aloisio Lobo, Jornalista


Há uma pergunta antiga que ressurge quando a História exige resposta: como se mede um homem? É pelo que diz? Pelo que promete? Pelos que o seguem, ou pelos que o temem? A resposta, em tempos de provação, é simples e dura: mede-se um homem por suas atitudes diante da justiça, da verdade e da pátria.

Jair Bolsonaro, ex-presidente do Brasil, reaparece no noticiário não como estadista que assume seus erros, mas como operador de manobras – não políticas, mas conspiratórias. Perdeu a faixa, perdeu o foro, perdeu o medo de trair o próprio chão que pisa. Em vez de enfrentar com altivez as acusações que pairam sobre sua cabeça, buscou abrigo no colo de outro homem não afeito às verdades: Donald Trump. Entre uma mentira e outra, sussurram, costuram, contra seus povos, um pacto de sobrevivência mútua. Uma irmandade de autodefesa, contra a democracia.

A História guarda outros exemplos. Homens que, diante da Justiça, não se esconderam atrás de generais ou acordos internacionais. Nelson Mandela enfrentou 27 anos de prisão sem jamais pedir clemência – exigia apenas justiça. Lula, perseguido, julgado e preso, recusou qualquer aceno de anistia. Dizia, com voz firme: “não troco minha dignidade por minha liberdade”. E foi com essa postura que saiu das grades e voltou à Presidência da República. Sem precisar golpear o país. Sem precisar ajoelhar-se a forças estrangeiras.

Bolsonaro, ao contrário, sonha ainda com o 8 de janeiro como ensaio inacabado de um golpe. Seus gestos revelam que não desistiu. Ao recorrer a Trump - um homem que também tentou calar as urnas e insuflar invasões -, Bolsonaro mostra que não quer provar sua inocência: quer apagar os crimes. Quer a anistia como atalho, não a justiça como travessia.

O homem que defendeu e reverenciou torturadores, que incentivou o armamento, que debochou de mortos e contaminados durante uma pandemia, agora deseja que esqueçamos. Que passemos uma borracha na memória nacional em nome da “pacificação”. Mas não há paz sem justiça. Não há reconciliação com quem nega o crime.

Enquanto Lula subiu a rampa com as mãos de quem limpou a própria biografia, Bolsonaro tenta voltar pela porta dos fundos, com as digitais ainda gritando na cena do crime.

Como se mede um homem? Mede-se pelo tamanho do silêncio que ele aceita ouvir, e pelo tipo de verdade que tem coragem de encarar. Mandela provou sua grandeza dentro de uma cela. Lula, nas mãos de seus acusadores. Bolsonaro prefere os porões da diplomacia obscura.

A História é paciente. Mas também é implacável. Ao final, é ela quem mede os homens. E, no caso de Jair Bolsonaro, o milímetro já ultrapassa seu tamanho. E ele, cada vez fica menor. Uma lupa, por favor.

sábado, agosto 02, 2025

Zé Ivaldo, um exemplo de Administrador Público

 

Zé Ivaldo, um exemplo de Administrador Público

Por: Bob Charles DRT BA 3.913
Divulgação

Paulo Afonso fez 67 anos de Emancipação Política, no dia 28 de julho próximo passado. Por que não relembrar o nome do maior prefeito da história da ex-capital da Energia. Mas, para refrescar a memória da geração atual e do futuro, apresso-me em fazer esse breve registro histórico, como uma testemunha presencial da trajetória luminosa do Comandante José Ivaldo de Brito Ferreira. .

Prefeito de Paulo Afonso, entre 01/01/1986 a 31/12/1988, na sua brilhante e histórica gestão, dentre tantas, vou citar apenas duas ações que foram os pilares da sustentabilidade da sua administração; a construção de sessenta casas populares no Bairro Tancredo Neves, e os Royalties, que deram suporte administrativo, para os seus sucessores transformarem Paulo Afonso, como um polo progressista no norte da Bahia. 

Personalidades importantes fizeram parte do grupo liderado pelo jovem prefeito Zé Ivaldo. Dr. Antônio Fernando Dantas Montalvão,  Dra. Ildete Verissimo, José Ivandro, Dimas Roque, Nivaldo Lopes, dra. Francisca Barros Siebert (+), Sebastião Carvalho (Econômico e Loja Tita), Jornalista Wanda Amorim, Jânio Soares, Albany Leite Lopes e Severino Neto.  Pelo estado, a parceria do amigo irmão, deputado estadual Emiliano José  e em nível federal o deputado Fernando Santana (PC do B). 

Zé Ivaldo foi um administrador honesto, que se pautava pelo zelo da coisa pública, como um bem maior da coletividade. Um exemplo a ser seguido pela geração atual.

Sem o apoio  da Chesf, governo do estado e sem governo federal, José Ivaldo será lembrado nas páginas da história como o maior Prefeito da nossa terra, em razão de ter realizado com sucesso, uma administração competente, que implantou a envergadura invejável de transformar esta cidade na estrutura administrativa dos dias atuais. Ainda lembro com muita saudade de um trecho da sua musica de campanha, acho que idealizada pelo também jovem inteligente Manoel Júnior, o Júnior imagem. "As cinco da manhã, quando o sol já vem raiando, Zé Ivaldo Acorda cedo e para o povo já tá trabalhando" 


Nota da Redação deste Blog - Zé Ivaldo: O Legado de um Prefeito que Marcou a História de Paulo Afonso

No recente aniversário de 67 anos de Emancipação Política de Paulo Afonso, comemorado em 28 de julho, é fundamental relembrar o nome do maior prefeito da história da Capital da Energia: José Ivaldo de Brito Ferreira. Como bem pontuado pelo companheiro Bob Charles em seu artigo, refrescar a memória das novas gerações sobre a trajetória luminosa desse líder é um dever histórico.

Em sua gestão, que durou de 1º de janeiro de 1986 a 31 de dezembro de 1988, Zé Ivaldo se destacou por sua honestidade, por uma mentalidade inovadora e por honrar com dignidade cada um dos votos que recebeu. Durante esse período, trabalhando na Agência do INSS de Paulo Afonso, tive o privilégio de participar de sua campanha eleitoral e testemunhar de perto o compromisso de um jovem que queria mudar a política para melhor.

Zé Ivaldo não foi apenas um prefeito; ele foi um marco na administração pública de Paulo Afonso. Seu nome, gravado na história da cidade, é um exemplo de que a honestidade e a seriedade na gestão são as bases para o verdadeiro progresso. Sua administração, embora curta, deixou um legado de dignidade e respeito, servindo de inspiração para as futuras gerações de líderes.

  

Os detratores da soberania brasileira estão nus

 

Por ELISABETH LOPES

Publicado em 02/08/2025 às 10:15

Alterado em 02/08/2025 às 10:45

                              Donad Trump, Eduardo Bolsonaro e Jair Bolsonaro Foto: reprodução



Antes que expirasse o prazo para a entrada em vigor das sanções tarifárias arbitrárias impostas ao Brasil por uma potência em declínio, movida por interesses supremacistas e fundamentada em alegações falaciosas, sustentadas pela ação de figuras lesas-pátrias como Eduardo Bolsonaro e Paulo Renato de Oliveira Figueiredo Filho, o governo Trump decidiu recuar.

Em decisão publicada no decreto da quarta-feira (30/07), os Estados Unidos isentaram da sobretaxa uma série de produtos brasileiros inicialmente incluídos na medida, atenuando significativamente o chamado “tarifaço”. O recuo, ainda que parcial, evidencia o caráter político e oportunista da iniciativa, bem como a eficácia das ações articuladas pelo governo brasileiro diante da ofensiva hostil promovida pela Casa Branca.

Segundo o governo americano, as sanções seriam uma resposta a práticas do governo brasileiro que configurariam uma “ameaça incomum e extraordinária à segurança nacional”. Tal alegação, no entanto, mascara a desfaçatez dos verdadeiros interesses por trás da medida eivada de coerção política, chantagem comercial e ingerência sobre a soberania brasileira.

Outro ataque inaceitável foi a aplicação da Lei Magnitsky ao ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, constituindo uma afronta direta ao Judiciário brasileiro. O secretário do Tesouro, Scott Bessent, acusou Moraes de liderar uma “caça às bruxas” contra cidadãos e empresas dos Estados Unidos e do Brasil, fazendo referência ao julgamento de Bolsonaro. A aplicação dessa lei, criada para punir violações graves a direitos humanos e corrupção, é juridicamente desproporcional e politicamente ultrajante. O processo contra Bolsonaro, conduzido pelo STF, respeita o devido processo legal.

A reação interna não tardou a se manifestar diante dessa ofensiva sem precedentes contra uma autoridade do Judiciário brasileiro. Conforme mostrou a pesquisa da Quaest ao apurar o impacto do episódio nas redes sociais, a maioria das menções criticou a sanção (60%). Por outro lado, várias entidades jurídicas prestaram solidariedade ao ministro, repudiando publicamente a medida.

O presidente Lula, por sua vez, determinou à AGU que atuasse na defesa institucional de Moraes. Sobre essa iniciativa, conforme publicado no G1, o ministro considerou que, por ora, tal defesa não se faz necessária, por se tratar de uma retaliação de cunho meramente político. Ponderou ainda que a reação inicial deve ser efetivada na esfera política pelo governo brasileiro.

É fundamental compreender que essas investidas fazem parte de uma disputa geopolítica maior. O Brasil, potência regional e liderança no Sul Global, detém a segunda maior reserva de “terras raras”, minerais estratégicos para a transição energética. Além disso, os EUA pressionam para frear a regulação das Big Techs e manifestam incômodo com o sucesso do Pix, que desafia os interesses de conglomerados financeiros norte-americanos. Não se trata apenas de salvar Bolsonaro do julgamento, os interesses em jogo são muito mais profundos.

Esse contraste entre a firmeza do governo atual e a postura servil de setores da direita brasileira evidencia a diferença crucial entre liderança e submissão. Enquanto figuras como Ronaldo Caiado (União Brasil-GO), Romeu Zema (Novo-MG), Tarcísio de Freitas (Republicanos-SP), Ratinho Júnior (PSD-PR) candidatos à eleição presidencial em 2026, se alinharam de forma oportunista a interesses externos e ao projeto político do réu Bolsonaro, o presidente Luís Inácio tem enfrentado a crise com altivez e visão estratégica, preservando os interesses nacionais.

Segundo Paul Krugman, Prêmio Nobel de Economia, em palestra proferida no evento Diálogos Capitais, da revista Carta Capital, “O Brasil não é mais vulnerável há muito tempo”. E, de fato, o país já não é governado por um presidente incompetente ou entreguista como aquele que desgovernou o Brasil de 2019 a 2022. Temos hoje a vantagem de contar com um estadista reconhecido mundialmente por sua estatura política habilidosa no trato dos assuntos internos e internacionais.

Em entrevista ao New York Times, o presidente Luís Inácio voltou a referir que a soberania do Executivo e Judiciário é inegociável e reafirmou: “O Estado Democrático de Direito para nós é algo sagrado”. Nessa entrevista o presidente brasileiro foi reconhecido como "indiscutivelmente o estadista latino-americano mais importante deste século”.

Enquanto isso, a vilania sem limites do Partido Liberal (PL) e sua bancada deliberadamente a favor dos ataques de Trump ao Brasil expulsou, um dia após o anúncio da aplicação da Lei Magnitsky ao ministro Alexandre de Moraes, um dos deputados do partido, Antônio Carlos Rodrigues (PL-SP), por ele ter manifestado contrariedade a essa sanção.

Os parlamentares do PL que alardeiam aos quatro ventos a defesa da “liberdade de expressão” demonstram, na prática, profunda intolerância a vozes dissonantes. Em sua maioria, o partido é formado por políticos de baixa qualificação, eleitos na esteira do bolsonarismo miliciano.

Figuras como os membros da família Bolsonaro, Nikolas Ferreira (MG), Júlia Zanatta (SC), Bia Kicis (DF), Carla Zambelli (SP), entre outros, personificam a mediocridade política e o obscurantismo legislativo que envergonham o Congresso Nacional. Paradoxalmente, essas limitações podem, a longo prazo, provocar no eleitorado uma tomada de consciência mais crítica sobre os representantes que escolheu.

Essa conscientização, no entanto, ocorre em um terreno historicamente adverso aos governos progressistas, que enfrentam forte oposição ao defender políticas públicas sustentáveis e voltadas à justiça social. A resistência a esse projeto de país é cotidiana e vem sendo amplificada pelas forças da direita e da extrema direita, muitas vezes com o respaldo tóxico dos principais veículos da mídia hegemônica, que atuam como vetores de desinformação e defensores dos interesses do mercado financeiro concentrador de renda.

É nesse horizonte de pressões e manipulações que a postura da mídia corporativa se torna reveladora. Após uma reação inicial em defesa da soberania, parte dessa mídia voltou a atuar em sincronia com interesses conservadores. Parlamentares fisiológicos e colunistas começaram a pressionar Lula para que ele ligue para Trump ou até vá a Washington, como sugerido pelo jornalista César Tralli em uma entrevista com o vice-presidente Geraldo Alckmin, na quinta-feira (31/07).

Tralli, alinhado à linha editorial da Globo, encarnou o papel de porta-voz informal dos interesses do mercado, ao sugerir que o Brasil se curvasse diante das ameaças, sem a devida cautela e tempo para que os ânimos se alinhem. Sua posição, além de insensata, é cínica. A provocação partiu de Trump, por meio de uma carta com tom de chantagem, divulgada fora dos canais diplomáticos, e para agravar ainda mais a situação aplicou uma sanção indevida a um ministro do judiciário brasileiro. Diante desse cenário inóspito, o presidente Lula tem agido com prudência, aguardando que a poeira baixe para que as tratativas ocorram com a devida serenidade institucional.

Como afirmou a ministra Gleisi Hoffmann, o presidente Lula não se furta ao diálogo, mas respeita os ritos próprios das relações internacionais. Ela ressaltou que, para que uma conversa direta entre chefes de Estado ocorra, é necessário que as etapas diplomáticas sejam cumpridas pelas respectivas chancelarias. Lula jamais descartou a possibilidade de diálogo com Trump, mas ao contrário de seu antecessor compreende que relações entre nações soberanas não se fazem por improviso ou impulso, e sim por meio de canais institucionais sólidos e respeitosos.

A insistência do jornalista Tralli, durante a entrevista com o vice-presidente Alckmin, não se limitou a questionar por que o presidente Luís Inácio ainda não havia telefonado para Trump, mesmo diante da indiferença do presidente norte-americano às tentativas de contato diplomático formal, postura amplamente divulgada na mídia. Em um claro esforço de gerar tensão no programa transmitido ao vivo em tv aberta, Tralli buscou encurralar Alckmin de forma sub-reptícia, adotando um tom típico de confronto, característico da maioria dos jornalistas da mídia corporativa. Chegou ao ponto de solicitar, letra por letra, detalhes dos planos do governo e negociações em planejamento, durante a entrevista de menos de uma hora. Com firmeza e equilíbrio, Alckmin não se intimidou. Demonstrando a serenidade que lhe é peculiar, respondeu ponto a ponto, desmontando com clareza e tranquilidade a tentativa de provocação velada do entrevistador.

Em sintonia com o tom adotado por Tralli, outros jornalistas da mesma emissora e de maneira geral, da mídia corporativa, com raríssimas exceções, costumam distorcer a verdade dos fatos sempre que o assunto envolve o governo Lula. Trata-se de uma cobertura sistematicamente enviesada, em que análises são substituídas por insinuações maliciosas, e reportagens se tornam instrumentos de desgaste político. A cada pronunciamento, medida ou acontecimento relacionado ao governo, esses comentaristas e âncoras se apressam em encontrar argumentos que, direta ou indiretamente, visam colocar em dúvida a legitimidade ou a eficácia das ações do Executivo. O jornalismo, que deveria se pautar pela pluralidade e pelo rigor factual, transforma-se em trincheira ideológica travestida de neutralidade, servindo aos interesses de setores econômicos que não aceitam a ascensão de um projeto de país voltado à inclusão social e à soberania nacional.

Enquanto elogiam acordos firmados entre a União Europeia e os Estados Unidos considerados desvantajosos pela maioria dos estadistas europeus, esses jornalistas omitem deliberadamente que, ao contrário do que ocorre com o Brasil, nenhum desses países viu membros de suas cortes supremas serem alvo de sanções, tampouco foram submetidos a chantagens explícitas para livrar um ex-presidente acusado de crimes graves. A comparação é, portanto, desonesta e revela o viés com que parte da imprensa tenta distorcer os fatos e desinformar o público.

Nesse mesmo contexto de pressão e afronta à soberania nacional, Trump protagonizou mais um gesto errático e unilateral sua marca registrada ao declarar na sexta-feira (01/08) que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva poderia “ligar a qualquer momento” para discutir tarifas e outros temas bilaterais. A declaração, feita sem qualquer respeito aos protocolos diplomáticos, foi naturalmente recebida com cautela pelo governo brasileiro, que tem adotado uma postura institucional diante das investidas agressivas do ex-presidente norte-americano.

Diante das agressões de Trump e a imprevisibilidade de seus ataques, constatados pelo histórico de suas investidas nos diversos países, o modo como o governo brasileiro vem conduzindo o enfrentamento aos impasses tem sido elogiado por diversas lideranças mundiais, notadamente pelo equilíbrio e pela defesa intransigente da soberania e com a devida lisura que sempre marcaram suas relações com os demais países. No plano interno, a equipe de governo tem demonstrado um excelente grau de coesão e alinhamento.

As sanções trumpistas ao país também provocaram mudanças significativas na percepção interna do governo Lula. Segundo a pesquisa Atlas Bloomberg (25 a 28 de julho), a avaliação positiva do presidente subiu de 47% para 51%, enquanto Bolsonaro caiu de 46% para 44%. A tendência é de aprofundamento dessa mudança, especialmente após o decreto que oficializou a tarifa de 50% sobre produtos como carne e café, entre outros, que representam cerca de 36% das exportações brasileiras para os EUA.

Outro levantamento, do Datafolha (divulgado em 31/07), indica que 89% dos entrevistados acreditam que o tarifaço de Trump causará prejuízos à economia brasileira, sinal claro de que a população identifica a origem externa e oportunista das medidas. Esse dado enfraquece ainda mais a narrativa da direita bolsonarista, que tenta transformar o agressor em aliado e culpabilizar o governo brasileiro pela crise.

Além disso, a atuação mais incisiva da militância progressista nas redes sociais, especialmente após o início da campanha pela taxação dos super-ricos e os ataques à soberania nacional, tem contribuído para reverter a percepção pública. Apesar do acúmulo de resultados positivos conquistados pelos esforços do governo, esses ganhos passavam despercebidos, em parte, pelo estilo pouco assertivo da comunicação oficial, que agora tem explorado com mais eficiência o potencial das redes sociais. Temas como a saída do Brasil do Mapa da Fome e o menor índice de desemprego desde 2012, finalmente passam a ter maior visibilidade, permitindo que a população reconheça os avanços concretos do governo.

Essa mobilização digital, aliada à maior clareza na comunicação, tem sido fundamental para desnudar os verdadeiros adversários do interesse nacional, hoje representados pela extrema direita bolsonarista e por uma mídia corporativa vassala, que tenta sabotar sistematicamente qualquer política que confronte privilégios históricos. O recente episódio das sanções impostas pelos Estados Unidos, motivadas por interesses escusos e incentivadas por parlamentares brasileiros como Eduardo Bolsonaro, expôs de forma cristalina a fragilidade moral e a hipocrisia dos que se autoproclamam patriotas, mas se comportam como serviçais de potências estrangeiras em troca de ganhos pessoais.

Diante dessa materialidade, o governo do presidente Luís Inácio tem demonstrado maturidade institucional, firmeza estratégica e compromisso com a democracia. Perante as chantagens e agressões, tem se erguido em defesa do país com racionalidade, sem abrir mão da diplomacia, mas também sem recuar diante de ameaças. A resposta popular tem sido proporcional, e cresce a consciência de que os ataques não visam apenas o presidente, mas o próprio Brasil.

Em tempos em que o autoritarismo americano se alastra pelo mundo e possibilidades de um vil entreguismo se arvoram entre os detratores da democracia, defender a soberania nacional é, mais do que nunca, um dever histórico. O Brasil jamais será quintal de potências estrangeiras, tampouco refém das armações de uma extrema direita estupidamente nociva aos interesses nacionais.

Este artigo foi originalmente publicado no site Brasil 247.

https://www.jb.com.br/brasil/opiniao/artigos/2025/08/1056397-os-detratores-da-soberania-brasileira-estao-nus.html

Apenas dois ministros manifestaram apoio a Moraes; os outros silenciaram

Publicado em 2 de agosto de 2025 por Tribuna da Internet

STF PERDEU A CONFIANÇA DO POVO BRASILEIRO E NECESSITA FAZER UMA AUTOCRÍTICA - Cariri é Isso

Charge do Duke (O Tempo)

Carolina Brígido
Estadão

Mais do que uma sessão de desagravo a Alexandre de Moraes e à própria Corte, o Supremo Tribunal Federal (STF) deixou claro nesta sexta-feira, 1º, que as punições serão rígidas não apenas aos acusados de tramarem um golpe de Estado, mas também a quem tenta coagir o tribunal a enterrar as investigações. Apenas dois dos outros dez ministros discursaram na sessão em apoio ao colega.

Em mensagens duras, Moraes e Gilmar Mendes fizeram referência à atuação do deputado federal Eduardo Bolsonaro e do blogueiro Paulo Figueiredo, que articulam com o governo dos EUA sanções aos ministros do Supremo e barreiras tarifárias ao Brasil. Os dois ministros avisaram que “pseudo-patriotas” terão resposta à altura do Judiciário.

NO MESMO PACOTE – Nos discursos, os ministros colocaram no mesmo pacote a trama golpista e a tentativa de coação ao Supremo no curso no processo. “O modus operandi golpista é o mesmo”, declarou Moraes.

O ministro também verbalizou o que já havia demonstrado na condução das ações penais sobre a tentativa de golpe: a tentativas de intimidação pelos EUA não mudarão o rumo investigações. Segundo ele, todos os acusados serão julgados neste semestre.

Primeiro a discursar, Luís Roberto Barroso fez a defesa institucional do tribunal e enfatizou que os réus serão julgados com base em provas concretas, ”sem qualquer tipo de interferência, venha de onde vier”. Mendes e Barroso elogiaram a atuação de Moraes à frente das investigações.

GONET E MESSIAS – Depois das manifestações dos ministros, entoaram o coro pró-Moraes o procurador-geral da República, Paulo Gonet, e o advogado-geral da União, Jorge Messias. A sessão durou mais de uma hora. Não houve tempo para o plenário julgar os processos previamente pautados.

Apesar do apoio efusivo de Gilmar e Barroso, também ecoou o silêncio da maioria no plenário. O microfone estava aberto a todos os ministros que quisessem se manifestar, mas os outros oito integrantes da Corte não fizeram isso.

Nos dias anteriores à sessão, alguns dos ministros que optaram pelo silêncio chegaram a comentar, em caráter reservado, que gostariam de prestar apoio público a Moraes. Na hora da sessão, desistiram.

JANTAR NA VÉSPERA – Na noite anterior, todos os ministros do STF foram convidados para um jantar no Palácio da Alvorada com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em um sinal de desagravo a Moraes.

Seis compareceram — entre eles, Barroso e Mendes, que se pronunciaram na sessão de hoje, e Flávio Dino, que prestou homenagem ao colega em uma rede social.

Nos bastidores, nem todos os ministros do Supremo estão de acordo com a forma como Moraes conduz as investigações. Ainda assim, apesar de não terem levantado a voz para defender o colega, não o criticam publicamente, em nome da unidade institucional da Corte.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Boa matéria de Carolina Brígido. Muitas vezes, o silêncio é muito mais revelador do que esses discursos de fancaria, como se dizia antigamente(C.N.)

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