domingo, agosto 03, 2025

COMO SE MEDE UM HOMEM?



Por Aloisio Lobo, Jornalista


Há uma pergunta antiga que ressurge quando a História exige resposta: como se mede um homem? É pelo que diz? Pelo que promete? Pelos que o seguem, ou pelos que o temem? A resposta, em tempos de provação, é simples e dura: mede-se um homem por suas atitudes diante da justiça, da verdade e da pátria.

Jair Bolsonaro, ex-presidente do Brasil, reaparece no noticiário não como estadista que assume seus erros, mas como operador de manobras – não políticas, mas conspiratórias. Perdeu a faixa, perdeu o foro, perdeu o medo de trair o próprio chão que pisa. Em vez de enfrentar com altivez as acusações que pairam sobre sua cabeça, buscou abrigo no colo de outro homem não afeito às verdades: Donald Trump. Entre uma mentira e outra, sussurram, costuram, contra seus povos, um pacto de sobrevivência mútua. Uma irmandade de autodefesa, contra a democracia.

A História guarda outros exemplos. Homens que, diante da Justiça, não se esconderam atrás de generais ou acordos internacionais. Nelson Mandela enfrentou 27 anos de prisão sem jamais pedir clemência – exigia apenas justiça. Lula, perseguido, julgado e preso, recusou qualquer aceno de anistia. Dizia, com voz firme: “não troco minha dignidade por minha liberdade”. E foi com essa postura que saiu das grades e voltou à Presidência da República. Sem precisar golpear o país. Sem precisar ajoelhar-se a forças estrangeiras.

Bolsonaro, ao contrário, sonha ainda com o 8 de janeiro como ensaio inacabado de um golpe. Seus gestos revelam que não desistiu. Ao recorrer a Trump - um homem que também tentou calar as urnas e insuflar invasões -, Bolsonaro mostra que não quer provar sua inocência: quer apagar os crimes. Quer a anistia como atalho, não a justiça como travessia.

O homem que defendeu e reverenciou torturadores, que incentivou o armamento, que debochou de mortos e contaminados durante uma pandemia, agora deseja que esqueçamos. Que passemos uma borracha na memória nacional em nome da “pacificação”. Mas não há paz sem justiça. Não há reconciliação com quem nega o crime.

Enquanto Lula subiu a rampa com as mãos de quem limpou a própria biografia, Bolsonaro tenta voltar pela porta dos fundos, com as digitais ainda gritando na cena do crime.

Como se mede um homem? Mede-se pelo tamanho do silêncio que ele aceita ouvir, e pelo tipo de verdade que tem coragem de encarar. Mandela provou sua grandeza dentro de uma cela. Lula, nas mãos de seus acusadores. Bolsonaro prefere os porões da diplomacia obscura.

A História é paciente. Mas também é implacável. Ao final, é ela quem mede os homens. E, no caso de Jair Bolsonaro, o milímetro já ultrapassa seu tamanho. E ele, cada vez fica menor. Uma lupa, por favor.

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