sábado, agosto 30, 2025

Impune, Lula usa e abusa do descumprimento das leis eleitorais


Reunião com os ministros: Lula usa boné 'anti-Trump'

Ministros de Lula usam o boné da campanha antecipada

Dora Kramer
Folha

Se o uso que o presidente Luiz Inácio da Silva (PT) faz do cargo para alimentar a campanha à reeleição não é abuso de poder, adiante ficará difícil a Justiça Eleitoral dizer o que é.

Com precisão, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) tornou Jair Bolsonaro (PL) inelegível por entender como abusiva reunião do então presidente com embaixadores estrangeiros, nas dependências do Palácio do Planalto, para desqualificar o sistema eletrônico de votação.

TUDO NA MESMA – Pois Lula se expõe a interpretações semelhantes quando chama de reunião ministerial um comício, no mesmo Palácio, em que ele e seus ministros vestem bonés com slogan de indisfarçável caráter eleitoral para tratar de assuntos que nada tem a ver com decisões de natureza governamental.

O presidente tem agido assim diariamente. Não há evento oficial em que não faça referência à sua condição de candidato na próxima eleição, em 2026.

Desanca adversários, posiciona-se como invencível e espreme até o caroço o lema da soberania nacional que lhe deu o tarifaço do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

APENAS POLÍTICA – No encontro de terça-feira (26), em torno da mesa oval onde se espera que sejam discutidas ações de interesse do país, o presidente ignorou questões administrativas em prol de abordagens exclusivamente políticas.

Esse tipo de reunião ministerial nunca serviu de muita coisa, a não ser para dar asas à exaltação de realizações de governo pelas lentes cor-de-rosa do oficialismo.

Mas, desta vez, Lula foi além e limitou-se a fazer tudo pelo eleitoral.

NOVO SLOGAN – Preencheu o tempo com a repetição de ataques, convocação ao engajamento de ministros num projeto partidário e o lançamento do novo slogan “do lado dos brasileiros”, quando o correto seria dizer “ao lado”. De todos e não apenas junto aos que têm um lado, como pressupõe o dístico.

O presidente se sente livre para voar no campo do palanque porque benevolente vem sendo a ótica sob a qual é visto: um político esperto que aproveita oportunidades.

Quando o candidato se alia ao presidente, isso flerta de modo flagrante com a transgressão.


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