
Tarcísio quer ser candidato se tiver apoio da Bolsonaro
Josias de Souza
do UOL
Tarcísio de Freitas cozinha 2026 em dois caldeirões. Num, tenta evitar que o tarifaço de Trump faça desandar a mistura da reeleição em São Paulo. Noutro caldeirão, o sonho de disputar o Planalto derrete junto com a imagem da família Bolsonaro.
Pesquisa Quaest indica que Tarcísio ainda é um portento em São Paulo. Bem avaliado por 60% do eleitorado paulista, abre vantagem de 22 pontos sobre Geraldo Alckmin, o segundo colocado. Na seara nacional, Tarcísio recuou de um empate técnico com Lula, no mês passado, para uma desvantagem de oito pontos.
ROUBOU A CENA – Tarcísio diz que quer ficar em São Paulo. Mas se mexe como se desejasse Brasília. Nos últimos dias, discursou na Igreja Lagoinha de Alphaville, roubou a cena na formalização da federação União Brasil-PP, jantou com influenciadores na casa do cantor Latino e almoçou com banqueiros numa fazenda em Porto Feliz (SP).
As mensagens liberadas pela PF nessa semana indicam que, se Deus intimasse Bolsonaro a optar entre o apoio a um membro da família e ao afilhado, a resposta seria fulminante: “Morra a candidatura presidencial de Tarcísio.” Torpedeado nos diálogos, Tarcísio contemporizou: “É uma conversa privada de pai para filho, só interessa aos dois.” Reiterou que manterá com Bolsonaro uma “relação de lealdade”, pois ele “fez muito pelo Brasil e por mim.”
Não se espera que Tarcísio saia xingando Bolsonaro, como fez o filho Eduardo. Mas se quiser chegar à sucessão como alternativa da direita democrática, talvez precise parar de fingir que nada acontece ao redor de Bolsonaro. A lealdade, quando é cega, corre o risco de virar um outro nome para mediocridade.