quinta-feira, julho 03, 2025

Nos Estados Unidos, os democratas já flertam com guinada à esquerda

Publicado em 3 de julho de 2025 por Tribuna da Internet

Um homem com barba e cabelo escuro, usando um moletom preto. Ele está falando ou expressando uma opinião, com uma expressão facial intensa. O fundo é desfocado, sugerindo que a imagem foi tirada em um ambiente interno.

O socialista Mamdani, candidato a prefeito de Nova Iorque

Hélio Schwartsman
Folha

A estrela do momento é Zohran Mamdani, o democrata que venceu as primárias do partido para disputar a prefeitura de Nova York. Zohran é declaradamente socialista num país que forjou sua identidade no anticomunismo. É muçulmano num país que não esconde suas inclinações islamofóbicas. E faz críticas pesadas a Israel numa cidade em que 12% da população é judia.

Não obstante, são grandes as chances de virar prefeito. Zohran é jovem e domina como poucos a linguagem das redes sociais. Seu sucesso é tamanho que o Partido Democrata já se pergunta se o caminho para sair da crise não é radicalizar o discurso de esquerda.

SETORIALMENTE – Tenho dúvidas. Acho que a guinada à esquerda pode funcionar em Nova York, Boston, Chicago e alguns lugares da Califórnia, mas não creio que baste para vencer uma eleição nacional.

Enquanto os EUA conservarem seu arcaico sistema eleitoral, os pleitos serão decididos pelos chamados estados-pêndulo. E neles a disputa é tão acirrada que acaba triunfando o candidato que atrair a maior parte dos eleitores não comprometidos com nenhum dos dois partidos nacionais.

Até dá para conceber que o independente nova-iorquino penda para Zohran, mas acho difícil que o eleitor moderado da Pensilvânia, de Michigan ou da Geórgia se enamore tanto assim de um discurso de esquerda.

NO REINO UNIDO – Os trabalhistas britânicos já viveram o dilema dos democratas americanos e fizeram a opção preferencial pela esquerda, sob a liderança de James Corbyn. Colheram uma tremenda derrota eleitoral em 2019. Reconquistaram o poder no ano passado, após livrar-se de Corbyn e voltar a abraçar posições mais centristas com Keir Starmer.

Mas o pleito de 2024 é mais bem descrito como uma eleição que os conservadores perderam do que como uma que os trabalhistas venceram.

O populismo baseado em mentiras tende a ser autolimitado. As soluções milagrosas prometidas não se realizam e aí é questão de tempo até a oposição triunfar. Trump, com suas maluquices econômicas, já trabalha para que isso ocorra.


Governo Lula escolhe o enfrentamento, mas pode perder nesmo vencendo

Publicado em 3 de julho de 2025 por Tribuna da Internet

IOF virou disputa entre o Ministério da Fazenda e o Congresso

Pedro do Coutto

O governo federal escolheu o pior campo de batalha para lidar com uma crise que exigia mais tato do que teimosia: recorrer ao Supremo Tribunal Federal (STF) contra a decisão do Congresso Nacional que anulou o decreto presidencial sobre o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras). A escolha revela não apenas uma avaliação jurídica questionável, mas sobretudo um erro político crasso.

O STF é, por natureza, o guardião da Constituição e não um árbitro de disputas políticas mal conduzidas. A expectativa de que o tribunal invalide uma decisão amplamente respaldada pelo Parlamento coloca o Supremo numa situação delicada. Não é razoável esperar que a Corte confronte diretamente o Legislativo em uma questão que, embora tenha implicações técnicas, foi decidida com evidente respaldo político. Na prática, seria uma derrota simbólica do próprio Congresso – algo que, por equilíbrio institucional e leitura do cenário, o STF tenderá a evitar.

PODER DE COMPRA – Ainda que, em um cenário improvável, o governo saia vitorioso juridicamente, o prejuízo político será inevitável. O aumento do IOF recai diretamente sobre as operações de crédito, afetando consumidores e empresas, encarecendo a vida de quem já enfrenta juros altos e perda do poder de compra. O governo, portanto, venceria nos autos, mas perderia nas ruas — e na percepção pública.

A base da política é a negociação, e não a insistência em medidas impopulares sem o respaldo adequado do Congresso. Ao escolher a confrontação, o Planalto passa a imagem de isolamento e inflexibilidade. Para além do direito, há a sensibilidade política, uma qualidade que tem faltado nas recentes tomadas de decisão do Executivo.

É compreensível que a equipe econômica, pressionada por metas fiscais, busque novas fontes de arrecadação. Mas a forma como isso se dá importa — e muito. A ausência de diálogo e a tentativa de impor uma medida impopular por decreto indicam um erro de cálculo, uma leitura equivocada da correlação de forças no Legislativo e no próprio ambiente institucional do país.

REFLEXOS – A derrota no Congresso foi clara. Voltar-se ao STF agora é como tentar apagar o incêndio com gasolina: mesmo que a Corte aceite julgar o mérito, dificilmente o fará sem considerar as consequências políticas e o impacto sobre a harmonia entre os Poderes. Ao provocar um novo embate, o Executivo corre o risco de sair ainda mais fragilizado, com a credibilidade arranhada diante de um Congresso que já demonstrou disposição para se impor.

O momento exigia recuo estratégico, busca de consenso, e talvez uma reformulação mais ampla da política fiscal. O que se vê, no entanto, é uma insistência que beira a obstinação, com alto custo institucional e político. O país precisa de estabilidade e previsibilidade, mas a escolha do governo leva exatamente na direção oposta.

Em política, há vitórias que saem caro demais — e derrotas que ensinam mais que triunfos. Lula e sua equipe precisam, urgentemente, redescobrir o valor do diálogo e da prudência. Porque, no fim, a insistência no erro pode transformar um tropeço em tragédia.


Tarciso,“paladino da segurança”,vetou lei que afastaria estupradores

 em 3 jul, 2025 2:09

Blog Cláudio Nunes: a serviço da verdade e da justiça

  “O jornalismo é o exercício diário da inteligência e a prática cotidiana do caráter.” Cláudio Abramo.

 

O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), vetou um projeto de lei de autoria de um deputado do próprio PL (leia-se, Bolsonaro e agregados)— o partido que vive a brandir a moral como se fosse espada flamígera — que proibia a nomeação para cargos públicos de condenados por estupro.

Sim, você leu certo.

 O governador que se apresenta como paladino da segurança, o inimigo número um da bandidagem, achou por bem manter aberta a porteira da administração pública para estupradores com sentença transitada em julgado. Coerência seletiva, digamos.

A decisão é um desses momentos em que o discurso da moralidade escorrega no próprio salto. Tarcísio, que adora posar de defensor da família e da ordem, parece não ter achado grave o suficiente o fato de alguém ter violentado outra pessoa — geralmente mulheres — para merecer uma interdição vitalícia ao serviço público.

Em tempos de populismo penal, em que se propõe prisão perpétua até para quem atravessa fora da faixa, é curioso ver que, quando o crime é estupro, a régua moral do governador muda de escala. Talvez, no fundo, o problema esteja mesmo no gênero — o das vítimas.

 

Governador anuncia que encaminhará à Alese em agosto reajuste dos servidores do PCCV Em entrevista concedida ao radialista Jailton Santana, o governador Fábio Mitidieri anunciou que deve encaminhar, em agosto, à Assembleia Legislativa o projeto de lei que trata do reajuste dos servidores abrangidos pelo Plano de Cargos, Carreiras e Vencimentos (PCCV). Ao todo, o grupo contempla cerca de 20 mil servidores, entre ativos e inativos.

Categorias contempladas O governador destacou ainda que outras categorias já foram contempladas com reajustes ao longo deste ano, a exemplo do Magistério e das forças de segurança. Nos anos de 2023 e 2024, os servidores vinculados ao PCCV receberam reajustes de 10% em cada período. A medida representa, portanto, mais uma boa notícia para a base do funcionalismo público estadual.

https://infonet.com.br/blogs/claudio-nunes/tarcisopaladino-da-segurancavetou-lei-que-afastaria-estupradores/

Entenda a proposta de acordo do INSS para devolução dos descontos

 Beneficiários lesados serão integralmente ressarcidos

Se for homologado pelo Supremo, os pagamentos serão feitos a cada 15 dias, a partir da data inicial

Advocacia-Geral da União (AGU) apresentou nesta quarta-feira, 2, ao Supremo Tribunal Federal (STF) uma proposta de acordo para iniciar, a partir de 24 de julho, o ressarcimento dos descontos irregulares de mensalidades associativas dos benefícios de aposentados e pensionistas.

De acordo com a proposta, os beneficiários vão ser integralmente ressarcidos pelos descontos não autorizados nos contracheques entre março de 2020 e março de 2025.

Se for homologado pelo Supremo, os pagamentos serão feitos a cada 15 dias, a partir da data inicial. Cada lote deve contar com o ressarcimento de 1,5 milhão de beneficiários. Os valores serão corrigidos pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), indicador da inflação.

Para ter direito a aderir ao acordo, quem foi lesado pelas associações envolvidas no esquema deverá entrar em contato diretamente com o INSS, por meio dos canais de atendimento do órgão. A adesão será voluntária.

Após análise do pedido, o aposentado entrará na lista de pessoas que terão direito ao ressarcimento.

Em contrapartida, quem entrou na Justiça para receber o ressarcimento deverá desistir da ação contra o INSS, que se compromete a pagar 5% de honorários advocatícios nas ações individuais propostas antes de 23 de abril de 2025.

Confira as principais regras do acordo, que ainda depende de validação do STF.

Pedido de devolução

Canais disponíveis:  Aplicativo Meu INSS, central telefônica 135 e agências dos Correios.

Devolução automática

Por estarem em grupos de pessoas vulneráveis, idosos maiores de 80 anos, quilombolas e indígenas serão ressarcidos independentemente de requerimento.

Processo de contestação

O sistema do INSS gera cobrança à entidade associativa quando há contestação;

A entidade tem 15 dias para comprovar a autorização ou devolver valores via GRU (Guia de Recolhimento da União);

Se a entidade não fizer o reembolso ou não provar a regularização do desconto, o INSS devolverá os valores.

Efeitos jurídicos 

Extinção de ações individuais e coletivas com quitação integral ao INSS;

Honorários advocatícios de 5% sobre o valor devolvido administrativamente (ações ajuizadas até 23/4/2025)

Afastamento de danos morais e da aplicação do Código de Defesa do Consumidor (CDC) em relação ao INSS;

Necessária contestação administrativa prévia;

Em caso de não adesão ao acordo, o beneficiário poderá buscar a via judicial.

Objeto do acordo

Ressarcir integralmente beneficiários por descontos não autorizados entre março de 2020 e março de 2025, independente da prévia responsabilização das associações;

Valores devolvidos serão corrigidos pelo IPCA;

O INSS adotará todas as medidas necessárias para promover a responsabilização integral das entidades responsáveis pelos descontos.

Prevenção de novas fraudes

O INSS vai revisar normas e procedimentos para prevenir novas fraudes em descontos associativos.

Conciliação

O acordo enviado para chancela do STF foi fechado entre a AGU, o INSS, o Ministério da Previdência Social, a Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), a Defensoria Pública da União (DPU) e o Ministério Público Federal (MPF).

Todos os órgãos participam de uma conciliação aberta pelo ministro Dias Toffoli.

Segundo a AGU, a homologação é necessária para dar segurança jurídica ao processo de devolução dos valores descontados.

O órgão também aguarda pedido para que Toffoli determine a abertura de crédito extraordinário no orçamento para viabilizar o ressarcimento e a exclusão dos valores do teto de gastos da União para os anos de 2025 e 2026.

Bloqueios

As fraudes são investigadas na Operação Sem Desconto, da Polícia Federal, que apura um esquema nacional de descontos de mensalidades associativas não autorizadas. Estima-se que cerca de R$ 6,3 bilhões foram descontados de aposentados e pensionistas entre 2019 e 2024.

Até o momento, a Justiça Federal já bloqueou R$ 2,8 bilhões em bens de empresas e investigados envolvidos nas fraudes em descontos irregulares nos benefícios.

Fonte: Agência Brasil

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quarta-feira, julho 02, 2025

IOF, emendas, redes sociais, golpe, sucessão e o Supremo que se vire!

Publicado em 2 de julho de 2025 por Tribuna da Internet

Tribuna da Internet | Supremo conseguiu ultrapassar no Brasil todos os  limites do bom senso

Charge do Mariano (Charge Online)

Eliane Cantanhêde
Estadão

Enquanto o governo e o Congresso se engalfinham, o Supremo avança em temas essenciais e espinhosos, tentando se arranhar o menos possível, ou não se arranhar mais ainda. O plenário ampliou a responsabilização das plataformas, o processo das emendas parlamentares está pronto para votação e o julgamento do “núcleo crucial” do golpe entra na reta final. Justamente agora, cai a bomba no STF: a crise do IOF.

E também nesta atribulado momento, Depois de doze suadas sessões e quatro horas de reunião no dia do julgamento, o plenário do STF aprovou uma forma consensual, e de meio termo, para a responsabilização das plataformas por conteúdos publicados nas redes sociais.

LEGISLANDO – A principal reclamação é que esse avanço caberia ao Legislativo, não ao Judiciário, mas um ministro resumiu: “Alguém tem de decidir as coisas”. Ou seja, se o Congresso não faz, o STF entra no vácuo.

O ponto central da discussão foi o artigo 19 do Marco Civil da Internet (MCI), aprovado pelo Congresso em 2014, que exigia ordem judicial para a retirada de posts nas redes. O STF se dividiu em três posições: manter como estava, mudar tudo ou chegar a a uma solução intermediária. Foi o que ocorreu, por 8 a 3.

A ordem judicial, do MCI, não é mais necessária para postagens envolvendo crimes graves, como atos ou condutas antidemocráticas; terrorismo ou preparativo de terrorismo; incitação a crimes sexuais, pornografia infantil ou discriminação por raça, cor, religião, sexualidade ou identidade de gênero. Os provedores têm de retirar essas postagens imediatamente, para evitar divulgação massiva.

OUTRA POSSIBILIDADE – A ordem judicial, porém, continua exigida para crimes de honra − injúria, calúnia e difamação − que são subjetivos, precisam passar por um juiz. Chamar alguém de imbecil é crime? E de nazista?

O Supremo também decidiu que as plataformas não têm responsabilidade por mensagens interpessoais, via e-mail ou WhatsApp, por exemplo, porque não têm, nem devem ter, acesso a esses conteúdos. E, por fim, o chamado “marketplace” (compras pela internet) continua submetido ao Código do Consumidor.

Ao mesmo tempo, a queda de braço do Congresso com o STF por causa das emendas parlamentares completa onze meses, a partir do bloqueio determinado pelo relator Flávio Dino das chamadas “emendas Pix”, em agosto de 2024, exigindo o mínimo que se espera quando se trata de dinheiro público: transparência e rastreabilidade — ou quem, quanto para o que.

AUDIÊNCIA PÚBLICA – A causa entra na reta final após a audiência pública de sexta-feira, com especialistas e representantes da sociedade civil.

Sem serem convidados, o senador Davi Alcolumbre e o deputado Hugo Motta tentaram pular dentro, mas prudentemente voltaram atrás. Chegaram a confirmar presença e o cerimonial do STF até tomou as providências para recebê-los, mas acabaram não indo, evitando um climão que não convém a nenhum dos lados e porque, cá entre nós, o Congresso não tem defesa para a forma, o valor estonteante e a profusão de casos de corrupção envolvendo as emendas. As pesquisas de opinião confirmam que não.

NÚCLEO CRUCIAL – E, enfim, o julgamento dos oito integrantes do “núcleo crucial” do golpe entra na reta final, com expectativa de conclusão em setembro, quando o destino de Jair Bolsonaro, seu almirante e seus generais deve ser decidido.

O Supremo tem inegável apoio popular contra as emendas e não gera comoção ou resistência ao cobrar responsabilidade da internet, mas no caso do golpe a cobra vai fumar. É a polarização política que divide o País ao meio. O resto vem a reboque.

Justamente nesse momento, a crise entre Congresso e Governo cai em cheio no Supremo, chamado a decidir a constitucionalidade ou não da derrubada do pacote do IOF por decreto legislativo, com tudo embolado: IOF, derrotas do governo, a síndrome de abstinência das emendas no Congresso, 2026, a polarização lulismo X bolsonarismo e, como sempre, a internet. Será coincidência a divulgação de prefeitos e deputados federais usando emendas para corrupção? O Congresso fala grosso exigindo emendas, mas as emendas é que podem afinar a voz do Congresso.

CVM aponta armação que em apenas três meses elevou ações em 863%

Publicado em 2 de julho de 2025 por Tribuna da Internet

Empresário mineiro assume controle do Máxima | Finanças | Valor Econômico

Daniel Vorcaro, do Banco Master, é um dos envolvidos

Nicola Pamplona
Folha

Relatório da área técnica da CVM (Comissão de Valores Mobiliários) vê “troca de favores” entre o investidor Nelson Tanure, o empresário Tércio Borlenghi Junior e o banco Master para elevar o preço das ações da empresa de gestão de resíduos Ambipar.

O relatório é parte de um processo que determinou a realização de uma oferta pública de ações para adquirir papéis em mãos de minoritários depois que Borlenghi Junior elevou sua participação na companhia.

SEM COMENTÁRIOS – A assessoria de imprensa do empresário Nelson Tanure disse que ele não comentaria o caso. A reportagem procurou a Ambipar e o Banco Master por meio de suas assessorias de imprensa, mas não obteve resposta até a publicação deste texto.

A oferta deveria ter sido realizada até meados de maio, mas as partes envolvidas recorreram. Em reunião na semana passada, o presidente da CVM, João Pedro Nascimento, e a diretora Marina Copola votaram por não reconhecer o recurso. A decisão, porém, foi adiada por pedido de vista do diretor Otto Lobo.

Segundo relatório, fundos com participação de Tanure e do Banco Master atuaram em conjunto com Borlenghi Junior, que controla a Ambipar, para valorizar as ações, que subiram 863% entre junho e agosto de 2024.

COMPRA DE AÇÕES – A área técnica da CVM identificou compras de ações tanto pelo controlador da Ambipar quanto pelos fundos, em paralelo ao processo de compra da EMAE (Empresa Metropolitana de Águas e Energia) por Tanure, que garantiu o financiamento da operação de R$ 1 bilhão com papéis da empresa Ambipar, de Borlenghi Junior.

Fundos da Trustee DTVM, ligados ao Banco Master e a Tanure, elevaram sua fatia na empresa de 6,6% a 15,03% entre junho e agosto. Já o controlador da Ambipar saiu de 66,7% para 73,48%. A valorização das ações, afirma a área técnica da CVM, também ajudou o banco Master a elevar seu patrimônio.

Segundo o relatório da CVM, foi “um movimento orquestrado pelas partes no intuito de elevar as cotações das ações da Ambipar, favorecendo a constituição da garantia na aquisição da EMAE, em benefício de Nelson Tanure, e alavancando o patrimônio de Tercio (Borlenghi Junior)”.

QUESTIONAMENTO – A CVM diz ter questionado a Ambipar diversas vezes sobre a alta das ações, mas a companhia sempre respondia que não tinha conhecimento de fatos que justificassem o movimento. As compras em conjunto teriam ultrapassado um terço das ações em circulação, o que demandaria a oferta pública de ações.

Em seu relatório, a área técnica da autarquia destacou que o caso é inovador em relação à vinculação entre as partes envolvidas, já que vai além do conceito clássico, de atuação no interesse do controlador, para avaliar a hipótese de atuação em conjunto.

Em recurso à CVM, a Trustee afirmou que não teve acesso completo aos autos do processo, o que violaria “seus direitos constitucionais ao devido processo legal, contraditório e ampla defesa”. Disse ainda que a oferta pública só demandaria “comprovação robusta de atuação conjunta”, o que não teria sido demonstrado pela CVM.

ENVOLVIDOS NEGAM – O controlador da Ambipar também contestou a tese de atuação conjunta e afirmou que o fato de que ele e entidades ligadas ao Grupo Trustee terem realizado um investimento comum na EMAE, usando ações da Ambipar como garantia nessa operação distinta, não é suficiente para caracterizá-los como “pessoas vinculadas”.

Em seu voto contra o recurso, o presidente da CVM afirmou que “a área técnica foi capaz de reunir elementos suficientes para demonstrar a existência de coordenação entre os agentes”, segundo a ata da reunião da semana passada.

“São suficientemente fortes os indícios de que a aquisição das ações da Ambipar entre junho e agosto de 2024 está economicamente relacionada com o leilão de aquisição de ações da EMAE”, afirmou em sua manifestação de voto o presidente da CVM.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Como se vê, o presidente do Banco Master, Daniel Vorcaro, e seus parceiros em investimentos Nelson Tanure e Tércio Borlenghi Junior têm muito a explicar às autoridades, antes de concretizar qualquer nova negociação de vulto. Como se diz no mercado financeiro, se em 30 segundos você não consegue justificar uma transação, é porque jamais terá como explicá-la. (C.N.)


Passagem de chefia do Mercosul de Milei para Lula evidencia as distâncias entre os dois líderes

 Foto: Ricardo Stuckert/PR/Arquivo

O presidente da Argentina, Javier Milei, com o presidente Lula02 de julho de 2025 | 13:01

Passagem de chefia do Mercosul de Milei para Lula evidencia as distâncias entre os dois líderes

mundo

A primeira visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) a Buenos Aires desde o início do governo de Javier Milei, para participar da cúpula de presidentes do Mercosul na quinta-feira (3), marca mais do que a passagem protocolar de comando do bloco econômico. Ela ressalta as diferenças entre os dois líderes.

Durante sua campanha em 2023, Milei fez ataques a Lula, que recebeu em Brasília o então adversário do argentino nas urnas, Sergio Massa. O brasileiro também não foi à posse de Milei.

A expectativa de um encontro desconfortável fez o governo da Argentina, que agora entrega aos brasileiros a presidência rotativa do Mercosul, desenhar um evento breve. Não estão previstos encontros bilaterais entre os líderes —o mais próximo disso foi acertado para a véspera, entre o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e seu par argentino, Luis Caputo.

O evento, que começa nesta quarta-feira (2) com os ministros da Fazenda e presidente de bancos centrais dos países, deve atender aos interesses argentinos de ampliação da lista de exceções à TEC (Tarifa Externa Comum) com mais 50 produtos, medida que o Brasil era contra.

Essa não foi, porém, a única divergência entre os dois principais sócios do bloco. Desde que assumiu a liderança do Mercosul, em dezembro do ano passado, Milei deixou clara a sua insatisfação em fazer parte do grupo (que também inclui Paraguai e Uruguai, tem a Bolívia como sócio em integração e a Venezuela suspensa) e, em diferentes ocasiões, sugeriu ou falou abertamente de uma versão sul-americana do brexit.

Ao assumir a presidência rotativa, em dezembro passado, Milei definiu o Mercosul como “uma prisão que não permite que os países-membros possam aproveitar nem suas vantagens comparativas, nem seu potencial exportador”, sinalizando seu interesse em fechar um acordo comercial com os Estados Unidos, nem que para isso tivesse de sair do bloco.

Em janeiro, reafirmou em Davos, na Suíça, durante o Fórum Econômico Mundial, que estava pronto para sair do Mercosul se isso fosse necessário para conseguir um pacto de livre comércio com Washington. “Se a condição extrema fosse essa, sim”, comentou. Em março, afirmou que o grupo só existe para “enriquecer os industriais brasileiros” às custas dos argentinos.

As queixas de Milei ainda encontravam algum eco do outro lado do rio da Prata, com o então presidente uruguaio Lacalle Pou, que por diversas vezes também reclamou da falta de flexibilidade do bloco. Com a vitória do esquerdista Yamandú Orsi no ano passado, o argentino ficou mais isolado.

Beneficiado pelas trocas comerciais e pelo regime de isenção de impostos que atrai indústrias para o seu lado da fronteira, o Paraguai sempre defendeu uma integração maior entre os sócios.

As divergências entre Lula e Milei se manifestam, por exemplo, na forma de abordagem da questão das mudanças climáticas, que o argentino nega. O Brasil aposta em promover uma vocação verde do Mercosul e fortalecer o Instituto de Direitos Humanos do bloco, enquanto o governo argentino rejeita a iniciativa.

Sobre o conflito do Oriente Médio, Milei adota uma postura alinhada a Donald Trump e a Israel, diferentemente do que faz Lula. As políticas de gênero da agenda 2030 da ONU também são um ponto de conflito entre os dois líderes. O governo argentino minimiza essas divergências, rebatendo que elas foram administradas de forma inteligente durante o seu período de presidência do bloco.

As discordâncias entre Planalto e Casa Rosada também vão além dos temas caros ao Mercosul, já que o presidente brasileiro pode ter um compromisso a alguns quilômetros do Palácio San Martín.

Desde junho, a ex-presidente Cristina Kirchner cumpre prisão domiciliar de seis anos em seu apartamento, no bairro de Constitución, em Buenos Aires, e ela e Lula já conversaram por telefone, segundo o próprio presidente disse em suas redes sociais.

Na terça-feira (1º), a defesa de Cristina pediu permissão à Justiça para que o presidente brasileiro possa visitá-la em algum momento de sua viagem à Argentina. O tribunal que a condenou em primeira instância determinou, entre outras medidas, que ela deve pedir permissão para receber visitas além de seus familiares, médicos ou advogados.

A Justiça aceitou o pedido nesta quarta-feira (2), autorizando o encontro entre Lula e Cristina.

Douglas Gavras/Folhapress

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