segunda-feira, junho 30, 2025

Domínio da Otan por Trump exibe como a Europa está em decadência


Donald Trump e Ursula von der Leyen durante cúpula do G7, no Canadá

Donald Trump e Ursula von der Leyen nesta cúpula do G7

Janio de Freitas
Poder360

Uma das características menos ou nada abordadas da tal pós-modernidade é o emburrecimento europeu. Claro, a palavra é grosseira, mas os seus equivalentes educados não refletem o retorno de brutalidade, de rusticidade mesmo, que também há nessa queda.

O fenômeno europeu pesa mais para os riscos da instabilidade mundial do que o choque entre a ascensão da China e a reação norte-americana. A criatividade política chegou ao seu ápice com a União Europeia, resultado de uma estrutura de soluções sutis que transformou em familiaridades o que eram ressentimentos seculares e competições mal resolvidas.

O TERCEIRO PODER – Com seu uníssono e com o tempo, a União Europeia viria a ser um terceiro poder, mais político e menos belicoso que os dois maiores. Fator de distensão e menos desequilíbrio.

[O período que a alemã Angela Merkel pode personificar, com a lucidez e a altivez das posições que inspirou, foi a entrada da União Europeia naquela fase avançada. Trump fazia o seu primeiro mandato. Quis ser Trump por inteiro com os Estados Unidos a reboque. A União Europeia o conteve.

A decisão dos países da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte), de elevar seus gastos militares a 5% do PIB de cada um deles, é definitiva como falência dos governantes europeus.

ESPANHA REAGE – O único a questionar o dano do aumento para os gastos sociais e investimentos foi o premiê espanhol Pedro Sanchez: “Com 2,1% do PIB, a Espanha cumpre o programado pela Otan e assim seguirá, até porque a decisão correta seriam metas, e não totais financeiros”.

A Espanha foi acompanhada pela Bélgica e por um protesto tcheco. Nenhum dos demais negou o dano dos 5% em suas economias. Os 5% foram exigência pessoal de Trump na reunião da Otan em Haia, na terça-feira passada, dia 24.

Aos desobedientes, responderia com aumento de tarifas alfandegárias, como disse em referência à Espanha. Mas nem todos os 32 países-membros da Otan estão condenados a gastos absurdos.

SÓ IMPORTANDO – De fato, para quase todos não há como aplicar em curto prazo os montantes aumentados em até 150%, a não ser por um modo: gastando com grandes importações. E só a indústria bélica do país de Trump tem material e produção para tamanha demanda.

Trump não tratou de gastos militares, tratou de negócio. Sua especialidade. Tal como fez, há pouco, na venda colossal de armas à Arábia Saudita.

Onde jornalistas norte- americanos constataram que a família Trump multiplicou por três os seus negócios nos países arábicos, entre a posse do chefão, em janeiro, e maio. Algum desses repórteres pode ter a fácil ideia de investigar relações acionárias da família com a indústria bélica.

SONHO DE BIDEN –  A capitulação dos governos da União Europeia iniciou-se por cobranças de Biden, que sonhou com a destruição da Rússia “até não ter mais poder militar”, como disse o seu secretário de Defesa.

 Mas que a pusilanimidade chegasse à indiferença ante o que vários presidentes e premiês europeus reconhecem como genocídio em Gaza, é recuar a Europa ao portal da bestialidade de sua década de 1930.

A degenerescência não é só europeia, o mundo vai mal. Mesmo assim, a capitulação da União Europeia traz ameaças tão grandes quanto as piores já feitas.


Cúpula da Câmara critica discurso de Lula de ricos contra pobres e cita riscos a outras propostas

Foto: Ricardo Stuckert/PR/Divulgação/Arquivo
Hugo Motta, Lula e Alcolumbre30 de junho de 2025 | 18:06

Cúpula da Câmara critica discurso de Lula de ricos contra pobres e cita riscos a outras propostas

brasil

A cúpula da Câmara dos Deputados se incomodou com o discurso do presidente Lula (PT) e de integrantes do governo de classificar o Congresso como defensor dos ricos, enquanto o governo petista estaria a favor dos mais pobres, e passou a cobrar uma pacificação, com o alerta de que o “pacote eleitoral” prometido para 2026 depende do Legislativo.

Lula pretende melhorar sua popularidade e chegar com mais força para a reeleição sustentado por um pacote de ações, como a isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5.000, a ampliação do auxílio-gás e da gratuidade da conta de luz para mais famílias, além do fortalecimento do Susp (Sistema Único de Segurança Pública).

Esses projetos todos estão no Congresso, com maior ou menor grau de dificuldade. Deputados aliados ao presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), dizem que um atrito maior com os parlamentares poderá comprometer o clima para votar essas medidas.

O relatório do projeto de lei do Imposto de Renda, por exemplo, já teve a apresentação adiada pelo relator, deputado Arthur Lira (PP-AL), e agora não tem data definida para divulgação. Há um impasse sobre a forma de bancar a proposta. O governo defende criar um imposto mínimo sobre rendas acima de R$ 50 mil mensais, mas parte do Congresso é contra.

O adiamento ocorreu após a Câmara e o Senado derrubarem na quarta-feira (25) o decreto que aumentou o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) para elevar a arrecadação. O Executivo avalia agora se recorre ao Judiciário para manter o aumento do imposto ou se promove novos cortes em investimentos, verbas dos ministérios e emendas parlamentares.

Mas, paralelamente a isso, Lula adotou a estratégia de acusar o Congresso de estar ao lado dos mais ricos, enquanto o governo busca beneficiar os mais pobres. Nesta segunda (30), em ato no Palácio do Planalto, o presidente citou o pacote de medidas e afirmou que quer “fazer com que esse país se transforme num país justo”.

“Nós vamos continuar fazendo justiça social. Podem gritar, podem falar, mas chegou o momento de fazer justiça pelo Brasil”, apoiou o ministro Fernando Haddad (Fazenda).

As falas ocorreram após Motta gravar um vídeo para rebater as críticas e afirmar que “quem alimenta o nós contra eles acaba governando contra todos”. Ele ainda disse que “a polarização política tem cansado muita gente, agora querem criar a polarização social”.

Nos bastidores, dois aliados de Motta defendem que o confronto com o Congresso deve ser evitado porque o governo também precisará contar com o presidente da Câmara e com sua base para controlar os trabalhos da CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) dos desvios no INSS (Instituto Nacional de Seguridade Social).

Outro assunto que os ataques podem enterrar de vez, segundo esses deputados, é a medida provisória que aumenta impostos sobre bets, fintechs e investimentos hoje isentos. Parte dos aliados de Motta afirma, porém, que essa proposta já enfrenta muita resistência no Congresso e que os ataques mudam pouco o clima de rejeição.

Motta procurou aliados desde o fim de semana para combinar uma estratégia conjunta em defesa do Legislativo e enviar emissários ao governo em busca de desmobilizar a pressão contra o Congresso nas redes sociais.

Líder do União Brasil na Câmara, o deputado Pedro Lucas (MA) afirma que o “diálogo é a melhor forma de solucionar os problemas” e que o embate é ruim para os dois lados. “Não sinto que o presidente Hugo quer esticar a corda. Sinto que ele quer sentar, mas com responsabilidade e com honestidade para discutir o problema das despesas”, diz.

Já governistas dizem que não buscaram o embate e que a resposta do PT e do Executivo é uma reação natural à resistência do Legislativo às pautas.

O PT divulgou na última semana um vídeo sobre pagamento de impostos no qual fala que o governo vai “passar a taxar quem sempre pagou pouco ou quase nada: os super-ricos”.

Um auxiliar de Lula afirma que não há uma cruzada contra o Congresso, muito menos contra Motta, mas que o governo não vai abandonar uma agenda que considera prioritária —e que ela não deve ser encarada como uma agenda contra os parlamentares.

Outro aliado do petista diz que fazer uma disputa política não significa romper com o Congresso. Ele afirma que uma diz que não interessa ao Palácio do Planalto gerar ruídos com os parlamentares.

O líder do governo no Senado, Jaques Wagner (PT-BA), minimizou as críticas de que o governo estaria tensionando a relação com o Congresso ao defender justiça tributária.

“Direito dele [Motta] de responder, a gente também pode se posicionar. Não é subir o tom, é explicar a nossa posição, o governo precisa explicar a posição que tem para as pessoas entenderem. Não é necessariamente subir o tom”, disse a jornalistas nesta segunda, em evento.

Wagner também disse que esse clima de tensionamento “não deveria” comprometer a pauta do governo no Congresso e citou a reunião do dia 8 de junho em que parlamentares, presidentes das duas Casas e ministros discutiram alternativas ao decreto do IOF.

“O que estamos fazendo fora das normas? Nada. É bom lembrar que foi feita uma coisa acordada, vocês foram testemunhas na saída [da reunião] daquele domingo. Ali saiu o texto. A rapidez que resolveram derrubar o texto depois de ter havido… Houve um primeiro texto que foi retirado e feito um segundo mais brando, de acordo com a demanda. Mas eles resolveram ir com o PDL [projeto de decreto legislativo]”, disse Wagner.

Raphael Di Cunto e Victoria Azevedo, Folhapress

Politica Livre 

Trump mudou as regras e estamos assistindo ao fim do “sonho americano”


Investidores já tratam os Estados Unidos como um Mercado Emergente |  Internacionalismo 21

Trump transforma em pesadelo o antigo sonho americano

José Manuel Diogo
Da CNN

A decisão da Suprema Corte dos Estados Unidos que deu razão a Donald Trump e limitou a atuação dos juízes federais em políticas de imigração não é apenas um capítulo jurídico. É um marco de transformação silenciosa do pacto democrático em um regime onde o Executivo passa a ter salvo-conduto para políticas de impacto nacional, sem contrapeso real dos tribunais inferiores.

Mais do que fortalecer um presidente, o tribunal parece ter autorizado o desmonte gradual da capacidade de regulação constitucional do Estado — e quem ganha com isso não é o cidadão.

SEM BLOQUEIO – Na prática, a Corte decidiu que juízes federais não podem mais bloquear amplamente medidas presidenciais com base em alegações de inconstitucionalidade, como vinham fazendo nos últimos anos em temas como deportações, cuidados de saúde para pessoas trans, ou até mesmo medidas sindicais.

Ao contrário do que parece, não se trata apenas de um debate sobre imigração. Trata-se da criação de um novo regime, onde o Executivo — qualquer que seja — poderá legislar por decreto, com blindagem jurídica de 30 dias para executar suas ordens antes de qualquer contestação substancial. E nesse tempo, muito pode ser feito ou desfeito.

A decisão de 6 a 3 da Suprema Corte, com forte divisão ideológica, é uma mensagem clara para o futuro: a política volta a valer mais que a lei. Mais ainda, ela sinaliza para investidores e setores conservadores que agora há menos risco regulatório.

LIMINARES – A instabilidade provocada por liminares judiciais era vista como um obstáculo à implementação rápida de agendas como a desregulamentação ambiental, o corte de benefícios sociais ou a contenção de movimentos migratórios — todos eles sensíveis ao mercado e às urnas. Ao dar mais poder ao Executivo, a Corte também garante maior previsibilidade a grupos econômicos que apostam em Estados com menos travas jurídicas.

O argumento apresentado por Trump — de que a 14º Emenda não garante cidadania automática a qualquer criança nascida em território americano — ainda será testado, mas já encontrou um campo fértil. O precedente aberto pela Suprema Corte poderá ser usado por outros presidentes, de outros matizes, para limitar direitos sob a justificativa de “política de governo”.

E isso não apenas nos Estados Unidos. Em democracias frágeis, essa jurisprudência poderá servir de justificativa para governos que queiram controlar o Judiciário em nome da governabilidade.

NENHUM DIREITO… – A voz da dissidência veio da juíza Sonia Sotomayor, que alertou para o efeito dominó: hoje é a cidadania de filhos de imigrantes. Amanhã, pode ser o direito ao culto, à reunião, à liberdade de imprensa ou ao porte de armas. Ela afirma, com razão, que “nenhum direito está seguro no novo regime legal que a Corte cria”. Mas a advertência parece ter sido abafada pelo aplauso dos que veem na desregulamentação judicial um atalho para a eficiência.

No fundo, essa decisão transforma a Constituição num contrato de adesão: o Executivo decide, e ao cidadão resta aceitar os termos — ou recorrer a uma Justiça cada vez mais contida em sua função de proteger os direitos fundamentais.

E assim, com legitimidade formal, podemos estar assistindo ao fim do sonho americano.

Sinal de alarme no convés da administração pública federal


Charge do JCézar (Arquivo Google)

Pedro do Coutto

A máquina pública federal brasileira está diante de um grave sinal de alerta. Reportagem do jornal O Globo aponta que, se nada for feito de forma urgente, faltará dinheiro já em 2027 para sustentar o funcionamento básico do Estado. E esse quadro não decorre apenas de excesso de gastos, como muitos tentam reduzir a narrativa: a verdade incômoda é que o Brasil sofre de uma falência crônica na arrecadação eficiente e justa, particularmente sobre os setores mais privilegiados da economia.

Os dados são eloquentes. O Projeto de Lei de Diretrizes Orçamentárias (PLDO) de 2025 já reconhece que o espaço para despesas discricionárias (ou seja, aquelas que o governo pode de fato decidir como aplicar) deve cair drasticamente nos próximos dois anos. Em 2026, serão R$ 208 bilhões; em 2027, esse valor despencará para R$ 122 bilhões — e desse montante, boa parte já estará comprometida com emendas parlamentares e o pagamento de precatórios.

CORTES – A margem real de manobra do governo será mínima. O Ministério da Fazenda reconhece que o cenário é crítico, mas ainda insiste em soluções tradicionais: cortes de gastos pontuais, contingenciamentos setoriais e promessas de disciplina fiscal, enquanto mantém intocados os pilares de renúncia que drenam as finanças públicas.

Há uma contradição gritante nessa equação. Fala-se constantemente em despesas obrigatórias — salários, aposentadorias, universidades, Forças Armadas — como se fossem os vilões do orçamento. Mas silencia-se sobre a ausência de receitas obrigatórias com igual peso. Os benefícios fiscais concedidos indiscriminadamente e as isenções tributárias a setores que deveriam contribuir com mais vigor são raramente discutidos com a seriedade que merecem.

Dados do Tesouro Nacional revelam que o Brasil abre mão de mais de R$ 500 bilhões por ano em renúncias fiscais — o equivalente a 4,5% do PIB. É dinheiro que deixa de entrar nos cofres públicos sem qualquer avaliação rigorosa sobre sua efetividade econômica ou social.

INADIMPLÊNCIA – No caso do INSS, o buraco também não é provocado pelos chamados “supersalários”, como muitos insistem em repetir. A estrutura de financiamento da Previdência Social é clara: ela é composta majoritariamente pela contribuição patronal de 20% sobre a folha de pagamento, além da média de 9% paga pelos empregados. Se há rombo, ele está sobretudo na inadimplência das empresas — muitas delas devedoras contumazes — que simplesmente não recolhem o que devem. E, ainda assim, posam de grandes pagadoras de aposentadorias, alimentando um discurso falacioso sobre o peso da Previdência para o país.

A verdade é que há uma erosão silenciosa da capacidade arrecadatória do Estado, fruto de um sistema tributário desigual, altamente regressivo e repleto de brechas. Enquanto os mais pobres pagam proporcionalmente mais impostos, os setores de alta renda encontram mecanismos legais e ilegais para reduzir sua contribuição. O resultado é um orçamento que não fecha, não por excesso de direitos sociais, mas por ausência de justiça fiscal.

Em paralelo, há gastos com baixa transparência e retorno questionável. Apenas em 2024, mais de R$ 7 bilhões foram pagos a integrantes do Judiciário acima do teto constitucional, com base em penduricalhos legais. As emendas parlamentares, por sua vez, consumiram quase R$ 50 bilhões — muitas vezes alocadas sem critérios técnicos claros. É nesse contexto que o governo tenta convencer a sociedade da necessidade de ajustes, mas sem tocar nos verdadeiros pontos de desequilíbrio.

“APAGÃO” – Economistas alertam que, se nenhuma mudança estrutural for feita, o país enfrentará um “apagão institucional”: não por falta de vontade política, mas por inviabilidade financeira. Serviços públicos básicos serão comprometidos, investimentos paralisados e programas sociais esvaziados.

As soluções exigem coragem política: enfrentar os grandes sonegadores, revisar os benefícios fiscais, simplificar o sistema tributário e redistribuir o peso da arrecadação de forma mais justa. Também será inevitável discutir a vinculação automática de despesas ao salário mínimo, já que mais de 70% dos benefícios previdenciários são atrelados a ele, o que pressiona o orçamento em cascata.

O Brasil não tem um problema de tamanho de Estado, mas de eficácia e equidade na sua sustentação. Não é aceitável que, em um orçamento de R$ 5,8 trilhões, falte dinheiro para manter a máquina pública funcionando. A falência não é financeira — é política. A escolha entre apagar as luzes do sistema ou reestruturar suas bases fiscais está sobre a mesa. E, como sempre, o tempo corre contra quem insiste em manter o silêncio sobre o que realmente importa.

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Com os aliados que escolheu, para que Lula precisa de adversários?


Quero ver quem aguenta o meu ritmo, diz Lula

Lula esperneia, pensou que era o máximo, mas se enganou

Eliane Cantanhêde
Estadão

O presidente Lula entrou, ou melhor, atirou-se num redemoinho sem saída e parece afundar a cada dia, a cada pesquisa, a cada votação no Congresso, que se tornou seu maior inimigo e que, ao mirar no governo, atinge em cheio o interesse nacional sem dar bola para os bons indicadores macroeconômicos e para a aprovação ou desaprovação da opinião pública.

A derrota de Lula e Fernando Haddad no pacote do IOF, com requintes de crueldade, confirma que o governo está isolado, sem rumo e sem armas, sendo tragado pelo redemoinho. Câmara e Senado se uniram, Hugo Motta e Davi Alcolumbre despiram a fantasia e assumiram o que realmente são: adversários do governo. Não querem cargos de um governo a um ano e meio do fim, querem emendas e alianças com quem desponta mais forte para 2026.

BASE TRAÍRA – Quem derrotou Lula e Haddad não foi a oposição, mas, sim, os aliados, o que não é do jogo, confirmando que quem tem aliados como o Centrão não precisa de adversários. Motta e Alcolumbre estão por trás das três derrotas da semana passada e da atual, acachapante, por 383 a 98 votos.

Motta avisou pelas redes, tarde da noite, escolheu um relator bolsonarista e negociou com Alcolumbre que a votação no Senado seria automática e simbólica. Com um Congresso vazio, em tempos de festas juninas.

Lula deveria ter pensado melhor ao se lançar em 2022, em vez de usar sua enorme liderança e capacidade de mobilização para patrocinar um nome à Presidência sem cicatrizes como Lava Jato e mensalão e com maior capacidade de jogar água fria na polarização nacional.

OUTRA HISTÓRIA – Se tivesse agido assim, entraria para a História como o grande articulador da derrota bolsonarista, com baita força no governo eleito e sem o ônus de ser o presidente já cansado e em tempos bicudos.

Ao decidir concorrer, Lula argumentou que “só ele” derrotaria Jair Bolsonaro. Esqueceu-se que a onda anti-Bolsonaro já era forte o suficiente para aglutinar uma robusta oposição, que o mundo e o País haviam mudado e que seu risco seria jogar fora os êxitos dos dois primeiros mandatos.

Esqueceu-se, sobretudo, de uma lição fundamental: ganhar eleição é uma coisa, governar é outra. Lula tinha, como teve, votos para ganhar. Mas estava pronto para governar de novo?

PATAMAR ALTO – Repetir 7,5% de crescimento e 80% de popularidade, como em 2010? É fácil sair de um patamar baixo, qualquer avanço é motivo de comparação.

Sair do oposto é muito diferente, bem mais desafiador, ainda mais com um Lula errático e, diante de um Congresso de péssima qualidade e as pressões do PT para o terceiro mandato ser, finalmente, “de esquerda”.

Quanto mais erra, mais o governo leva uma bola nas costas atrás da outra e mais aumenta a dúvida, ou o temor, sobre o que vem aí em 2026. A única certeza é que, ganhe quem ganhar, uma coisa é certa: o Centrão estará com a faca, o queijo, as emendas e o governo na mão. E o País vai continuar refém.

 

Para enfrentar Bolsonaro, Lula manda o PT apoiar a anistia ao 08/01


Charge da Semana - Anistia • atualidade

Charge do Fred Ozanan (Arquivo Google)

Vicente Limongi Netto

Novos ventos, fortes e sombrios, vindos do Congresso. Ameaçando chuvas, trovoadas, relâmpagos e granizo, são esperados em direção ao Palácio do Planalto. Desta feita o perigo é mais grave do que a derrota do IOF. Opositores do PT e Lula pretendem aprovar logo a anistia.

Ampla e irrestrita. Beneficiando, inclusive, o ex-presidente Bolsonaro, que deixaria de ser inelegível. Será a chamada agonia do desespero para petistas. A não ser que ministros do STF ligados ao governo perfilem-se, ajoelhados, mais uma vez, com os interesses do governo de plantão, cortando as asas, em definitivo, de Bolsonaro. O Brasil já teve judiciário melhor, mais isento e mais respeitado.

OUTROS ASSUNTOS -Com profundo nojo e desprezo, estou entre os 58% dos brasileiros envergonhados com os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), de acordo com o Datafolha.

Uma boa notícia o MPF inocentou vereador de Santa Catarina, que em janeiro chamou Lula de ladrão, em solenidade no legislativo. O pedido para condenar o vereador foi do Partido dos Trabalhadores.

A decisão alegra a alma de milhões de brasileiros e cria jurisprudência que, seguramente, incentivará novos elogio e declarações de amor profundo para Lula. O MPF alegou que as liberdade de expressão beneficia o vereador e que o pedido para condenar o acusado deveria ter sido encaminhado ao Ministério da Justiça.

TROFÉU DA BAJULAÇÃO –   O simpático Júnior aniversariando nos Estados Unidos, cobrindo a Copa do Mundo de Clubes. O “maestro” global recebeu fartas e telúricas demonstrações de puxa-saquismo. Declarações piegas foram demoradas. Colossal coral de idolatria.  Ego de Junior, que foi apenas um bom jogador, maestro jamais, está nas alturas. Palmas para o “maestro”.

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