quinta-feira, fevereiro 02, 2023

Emendas do ministro das Comunicações bancam empreiteiras alvos da PF e TCU


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) aparece em foto ao lado do ministro das Comunicações, Juscelino Filho (União Brasil), em evento no CCBB

Assim como Lula, o ministro é especialista em empreiteiras

Mateus Vargas
Folha

Ao menos R$ 42 milhões indicados pelo ministro das Comunicações, Juscelino Filho (União Brasil-MA), irrigaram contratos com empreiteiras que estão no centro de suspeitas de irregularidades em obras da estatal federal Codevasf (Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba).

A principal beneficiada foi a Engefort, que recebeu empenhos de cerca de R$ 22,8 milhões. O TCU (Tribunal de Contas da União) aponta a construtora como a principal beneficiada de um suposto esquema de cartel. Como revelou a Folha, a empresa dominou licitações da Codevasf em 2021 e em parte delas usou uma empresa de fechada.

SÓCIO OCULTO – Outra beneficiada é a Construservice, que teve R$ 19,3 milhões empenhados a partir de verbas direcionadas por Juscelino para obras em diversos municípios do Maranhão. A empreiteira tem como sócio oculto o empresário conhecido como Eduardo DP, que chegou a ser preso em operação da Polícia Federal em 2022 por suposta fraude em licitações e desvios de verbas federais na Codevasf.

A estatal federal nega irregularidades nas contratações e afirma que as empresas disputaram concorrências conforme manda a legislação. As investigações, porém, mostram indícios de irregularidades em algumas das concorrências que envolvem as empreiteiras.

No governo Jair Bolsonaro (PL), Juscelino foi beneficiado por negociações entre Congresso e o Executivo para liberação de verbas, quando exercia o mandato de deputado federal pelo Maranhão.

EMENDAS DE RELATOR – Registros em notas de empenho do governo federal, além de documentos do Ministério do Desenvolvimento Regional, mostram que ele apadrinhou pelo menos R$ 77 milhões de 2019 a 2021.

A maior parte do recurso é de emendas do relator. Há ainda “destaque orçamentário”, recurso que era liberado pelo governo antes de 2020, quando ainda não havia sido criada a emenda que se tornaria uma das principais moedas de troca na relação entre o governo de Bolsonaro e o Congresso. Esse recurso foi usado principalmente pela Codevasf em obras de pavimentação no Maranhão.

Em 2022, quando o Congresso passou a divulgar as indicações dos parlamentares, Juscelino sugeriu repasses de R$ 16,5 milhões por meio desse tipo de emenda, principalmente para reforçar fundos municipais de saúde no Maranhão.

MINISTRO SE CALA – Não há uma base de dados que aponte o total de indicações de Juscelino que foram empenhadas e pagas. Procurado, o ministro não informou qual a cifra que indicou nos últimos anos.

Uma parte dos recursos foi distribuída a prefeituras em convênios com a Codevasf. Em um dos casos, revelado pelo jornal O Estado de S. Paulo, o município de Vitorino Freire (MA) firmou contrato de R$ 7 milhões com a Construservice, sendo que a principal obra é para pavimentação de via que leva a uma fazenda do ministro.

A cidade é governada por Luanna (União Brasil), irmã de Juscelino. A Construservice participou sozinha da licitação aberta pela prefeitura de Vitorino Freire.

MAIS SUSPEITAS – Outras três obras indicadas por Juscelino —de R$ 10 milhões— e executadas pela Engefort no mesmo município tornaram-se alvo da CGU (Controladoria-Geral da União). Em relatório de 2022, o órgão afirmou que houve “uma série de serviços desnecessários”, como a remoção de árvores e raízes em vias em ambiente urbano.

Em nota enviada à Folha no ano passado, Juscelino disse que a Codevasf “já prestou esclarecimentos” à CGU sobre as obras feitas na cidade de sua irmã.

“Em relação às obras realizadas com recursos de emendas de minha autoria, é importante dizer que os trabalhos foram devidamente executados e concluídos, beneficiando e melhorando a vida de dezenas de famílias vitorinenses”, disse ainda o então parlamentar.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – O novo ministro é um político-padrão, digamos assim, muito generoso com as verbas públicas que destina à prefeitura da irmã. O fato concreto é que a corrupção campeia no país, incentivada pela impunidade que o Supremo Tribunal Federal garante à classe política, com o empenho que todos conhecem. É hora de perguntar, pela enésima vez: “Que país é esse?”(C.N.)

Redução de juros depende também da ação do próprio governo federal

Publicado em 2 de fevereiro de 2023 por Tribuna da Internet

Charge do Sinfornio (Arquivo do Google)

Pedro do Coutto

Ao participar de um evento na terça-feira na Federação Brasileira de Bancos, o ministro Fernando Haddad afirmou que o projeto de governo que ele pretende implantar com urgência é o que estabelece um sistema de juros menores para o crédito no mercado, especialmente o voltado para as pequenas e médias empresas. Reportagem de João Sorima Neto, O Globo de ontem, focaliza a questão.

Mas o fato é que a redução dos juros no mercado financeiro depende não apenas da vontade do governo ou de um novo posicionamento dos banqueiros do país, mas também da política adotada pelo governo para remuneração dos títulos que lastreiam a dívida interna do país da ordem de R$ 7 trilhões como focalizamos na edição de ontem. Enquanto que para uma inflação que o IBGE calculou ano passado em 7,5%, o Banco Central mantiver a taxa Selic em 13,75% ao ano, não há como pensar na redução dos juros no mercado financeiro.

LUCRO – É só observar a diferença entre a taxa inflacionária oficial e o índice de correção dos títulos do Tesouro. Uma diferença de praticamente 8 pontos, o que faz com que os títulos do Tesouro sejam procurados pelos grandes investidores do mercado financeiro diante da expectativa de lucro que faz com que os investimentos financeiros superem por larga margem as aplicações nos setores produtivos da economia. Não há risco nos papéis do Tesouro regidos pela taxa Selic estabelecida pelo BC.

Os juros brasileiros são os mais altos do mundo, sobretudo se comparados à inflação. São enormemente maiores que os americanos e os cobrados no Reino Unido, na França  e na China para ficarmos apenas nesses exemplos. É só colocar em confronto as taxas inflacionárias desses países com as taxas de juros cobradas pelos respectivos mercados.

Por isso, para uma meta de inflação para este ano calculada em torno de 4%, como assinala Carolina Nalin, em reportagem também no O Globo, perspectiva evidentemente impossível, o índice da correção dos papéis que sustentam a dívida interna permanecem fixados em 13,75%.  Tal política do governo Lula, contra a vontade do próprio presidente da República, repete a traçada pelo ministro Paulo Guedes e adotada pela (des) administração de Jair Bolsonaro.

VITÓRIA DE PACHECO –  Jeniffer Gularte e Lauriberto Pompeo publicaram reportagem na edição de ontem de O Globo, destacando os esforços do governo Lula para assegurar a vitória de Rodrigo Pacheco na disputa pelo Senado. Não creio que tal esforço fosse indispensável, tão claro é o confronto entre Pacheco e Rogério Marinho, candidato do bolsonarismo, apoiado por Michelle Bolsonaro, esposa do ex-presidente.

Mas existem sempre aqueles que desejam valorizar o seu apoio, tornando-o necessário ou até imprescindível para o projeto do próprio governo Lula da Silva. Pessoalmente não posso acreditar que a maioria do Senado que assumiu o seu mandato pudesse votar num candidato como Rogério Marinho que demonstrou não ter a firmeza indispensável para condenar frontalmente, como a imensa maioria da população brasileira condena, a invasão do próprio Congresso Nacional e as depredações selvagens por adeptos fanáticos da extrema-direita.   

AMERICANAS –  Reportagem de Bruno Rosa, O Globo, destaca que a Loja Americanas começou a demitir os empregados terceirizados, evidentemente para reduzir as despesas, sem considerar, como sempre ocorre nesses casos, a importância da mão-de-obra,  que no fundo significa a preocupação com o trabalho humano. Mas essa é outra questão.

No caso concreto, é a oportunidade de o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, conferir se a Americanas depositou o INSS e o FGTS e se os cálculos da demissão sem justa causa – 40% sobre o FGTS – estão corretos. Isso porque é importante saber se o passivo trabalhista está ou não incluído na dívida de R$ 43 bilhões.

Alguém poderá dizer que a terceirização se refere à contratação de empresas que prestam tais serviços. É verdade. Mas a questão essencial é que mesmo nos casos de terceirização, se as obrigações trabalhistas não forem cumpridas pelas empresas de locação de mão-de-obra, a empresa contratante, no caso a Americanas, torna-se responsável pelo não cumprimento das normas legais.

PF prende Silveira por ordem de Moraes, em nova medida arbitrária do ministro

Publicado em 2 de fevereiro de 2023 por Tribuna da Internet

TRIBUNA DA INTERNET | Piada do Ano! Moraes multa Silveira de novo e o total já chega a R$ 4,3 milhões

Charge do Genildo Ronchi (Arquivo Google)

Fabio Serapião
Folha

O ex-deputado bolsonarista Daniel Silveira foi preso na manhã desta quinta (2) pela Polícia Federal. A prisão foi ordenada pelo STF (Supremo Tribunal Federal) após o ex-parlamentar descumprir medidas cautelares impostas pelo ministro Alexandre de Moraes.

Além da prisão, Moraes ordenou a realização de busca e apreensão na residência de Silveira e a suspensão pela PF e pelo Exército dos registros de armas em nome do ex-parlamentar.

MAIS RESTRIÇÕES – Outra medida imposta foi o cancelamento dos passaportes de Silveira. De acordo com a decisão de Moraes, Silveira também está proibido de receber visitas, além dos familiares e advogados, e de conceder entrevistas sem autorização prévia do STF.

Silveira foi detido na cidade de Petrópolis (RJ), e agentes federais encontram um total de R$ 270 mil em espécie na residência. Procurado, o advogado de Daniel Silveira, André Rios, afirmou que soube pela imprensa da prisão.

“Ainda estou me inteirando dos fatos que soube há pouco pela imprensa. Cabe salientar que o Daniel Silveira obteve a graça constitucional. O que torna qualquer medida dessa natureza, mais um triste capítulo no Estado democrático de Direito. Entrando para o rol das arbitrariedades cometidas. Mais uma aberração jurídica que o Brasil ainda vai sentir os efeitos desse triste capítulo da história.”

PRIMEIRA INSTÂNCIA – Nesta quarta (1º), em razão do término do mandato e da perda de foro especial, a vice-procuradora-geral da República, Lindôra Araújo, pediu ao ministro Alexandre de Moraes o envio de um inquérito contra Silveira para a primeira instância.

A apuração foi instaurada em razão de descumprimento anterior de medida cautelar de prisão domiciliar com monitoramento eletrônico. A violação, segundo os autos, ocorreu por 30 vezes entre os meses de março e maio de 2021, segundo relatórios de monitoramento.

“As condutas do réu, que insiste em desrespeitar as medidas cautelares impostas nestes autos e referendadas pelo Plenário do Supremo Tribunal Federal, revelam o seu completo desprezo pelo Poder Judiciário, comportamento verificado em diversas ocasiões durante o trâmite desta ação penal”, afirma Moraes na decisão que ordenou a prisão.

CONDENAÇÃO – Silveira foi condenado pelo STF a 8 anos e 9 meses de prisão por ofender e ameaçar ministros da corte. Foram 10 votos a 1. Além da imposição de pena, também votaram para cassar o mandato, suspender os direitos políticos e determinar o pagamento de multa de cerca de R$ 192 mil.

O presidente Jair Bolsonaro (PL), em seguida, concedeu o benefício da graça ao deputado, livrando-o do cumprimento da sentença. O caso do deputado acumula ao longo de mais de dois anos controvérsias jurídicas e políticas em temas sensíveis à democracia.

Considerando apenas um dos episódios recentes, o perdão concedido pelo então presidente Bolsonaro, provocou uma discussão inédita sobre o alcance do instituto do indulto, que agora extrapola o meio jurídico.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Moraes “interpreta” a lei a seu modo. Diz que a graça presidencial concedida a Moraes não está valendo enquanto o plenário do Supremo não a confirmar. Na forma da lei, seria ao contrário: o indulto (ou graça) estaria valendo enquanto não fosse revogado pelo Supremo. Assim, a prisão é totalmente arbitrária, porque Moraes nem é mais relator do processo, que obrigatoriamente tem de ser decidido na primeira instância, devido ao fim do foro privilegiado. Dessa forma, Moraes transforma em “vítima” um político é se comporta como verdadeiro troglodita, e se equipara a ele. Moraes está fazendo com que o ex-deputado cumpra pena antecipada, antes de ser julgado.  Mas quem se interessa?  
(C.N.)

Denúncia de Marcos do Val abre crise no PL, e Costa Neto depõe nesta quinta


PF pede ao STF para ouvir Valdemar Costa Neto por minuta golpista - JOTA

Costa Neto vai depor e negar tudo, como é do seu feitio

Valdo Cruz
g1 Brasília

A denúncia do senador Marcos do Val (Podemos-ES) abriu uma crise dentro do PL – partido do ex-presidente Bolsonaro e que estava negociando a filiação do parlamentar capixaba. A informação, que atinge em cheio o ex-presidente Jair Bolsonaro, foi divulgada no mesmo dia em que o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, tem depoimento agendado na Polícia Federal.

Marcos do Val disse que o deputado bolsonarista Daniel Silveira (PL-RJ) e o ex-presidente Jair Bolsonaro tentaram convencê-lo a gravar uma conversa com o ministro Alexandre de Moraes – e conduzir o diálogo para que o presidente do Tribunal Superior Eleitoral viesse a admitir que estaria rompendo limites constitucionais em suas decisões.

DIZ O PARLAMENTAR – Segundo o senador – que também anunciou que se afastará do mandato –, a proposta de gravação teria sido feita pelo ex-deputado Daniel Silveira, preso nesta quinta-feira (2) por determinação do STF.

Em mensagens trocadas com Marcos Do Val, Daniel Silveira estimulava o senador a cumprir a missão e dizia que ele iria virar um “herói da pátria”. O senador não só recusou, como diz ter relatado o episódio para o próprio ministro do STF Alexandre de Moraes.

Foi Moraes quem determinou a prisão de Daniel Silveira nesta quinta-feira, mas por outro motivo: desrespeito a decisões de medidas cautelares durante o ano passado. Silveira não foi reeleito e, por isso, está sem foro privilegiado.

BOMBA NO PL – As declarações de Marcos do Val caíram como uma bomba dentro do PL. Alguns líderes defendem afastar a cúpula do partido da influência do ex-presidente Bolsonaro, devolvendo a legenda para o campo de centro e evitando a extrema-direita.

Uma reunião de emergência foi convocada para a manhã desta quinta-feira no Senado.

A denúncia de Marcos do Val vem a público também depois da derrota do bolsonarista Rogério Marinho (PL-RN) na disputa pelo comando do Senado, quando Rodrigo Pacheco foi reeleito para presidir a Casa.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – A acusação ainda está meio confusa. O senador (ou ex) Marcos do Val não deixa claro se tem provas disso. Quanto a Daniel Silveira, é um alienado mental que parece ser capaz das maiores imbecilidades. Mesmo assim, tem direito de defesa, que precisa ser respeitado, mas não está sendo, conforme já assinalamos aqui na Tribuna. Do jeito que as coisas estão indo, Silveira terá de recorrer à memória de Sobral Pinto e pedir apoio à Sociedade Protetora dos Animais. (C.N.)

Senador Marcos do Val diz que Bolsonaro tentou coagi-lo a dar golpe e anuncia renúncia ao mandato

 


O senador Marcos do Val (Podemos-ES) afirmou na madrugada desta quinta-feira que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) tentou coagi-lo para dar um golpe de estado. A investida, segundo o parlamentar, foi recusada e prontamente denunciada. O senador também anunciou que vai renunciar ao mandato.

A declaração do senador foi dada durante uma live nas redes sociais.

— Eu ficava puto quando me chamavam de bolsonarista. Vocês me esperem que vou soltar uma bomba. Sexta-feira vai sair na Veja a tentativa de Bolsonaro de me coagir para que eu pudesse dar um golpe de estado junto com ele, só para vocês terem ideia. E é logico que eu denunciei — afirmou do Val.

Após a transmissão, Marcos do Val usou sua conta no Instagram para reforçar o que havia declarado anteriormente. O parlamentar capixaba comunicou sua "saída definitivamente da política".

"Perdi a convivência com a minha família em especial com minha filha. Não adianta ser transparente, honesto e lutar por um Brasil melhor, sem os ataques e as ofensas que seguem da mesma forma. Nos próximos dias, darei entrada no pedido de afastamento do senado e voltarei para a minha carreira nos EUA", escreveu o senador.

Marcos do Val também alegou ter perdido a "paixão" por sua atividade parlamentar, lembrou que teve um problema de saúde, "chegando a sofrer um princípio de infarto", e que vem sofrendo ofensas pesadas e que afetam até mesmo sua família.

"Desculpem, mas meu tempo, a minha saude até a minha paciência já não estão mais em mim! Por mais que doa, o adeus é a melhor solução para acalmar o meu coração", finalizou.

Yahoo

Em reunião com Bolsonaro, Daniel Silveira pediu a Marcos do Val gravar conversa com Alexandre de Moraes, diz revista

 



O senador Marcos do Val (Podemos-ES) afirmou à revista Veja que o ex-deputado Daniel Silveira, preso nesta quinta-feira, lhe pediu para gravar uma conversa com o presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Alexandre de Moraes, que seria usada para anular o resultado das eleições. O plano articulado por Silveira na presença do ex-presidente Jair Bolsonaro previa captar um diálogo comprometedor com o magistrado que serviria para prendê-lo e impedir a posse de Luiz Inácio Lula da Silva.

Bolsonarista: Daniel Silveira é preso pela PF em Petrópolis

Leia também: Senador Marcos do Val diz que Bolsonaro tentou convencê-lo a dar golpe e anuncia renúncia

Segundo Do Val, o plano para anular as eleições veio à tona em uma reunião com Silveira e Bolsonaro no dia 9 de dezembro. O encontro durou 40 minutos e foi recheado de cuidados, como se referir à reunião por códigos, para impedir qualquer registro da conversa. De dentro do Palácio do Alvorada, o deputado bolsonarista apresentou ao senador a ideia de gravar Moraes para depois incriminá-lo. Disse que Do Val seria um "herói nacional" se embarcasse no plano.

O parlamentar relata que Bolsonaro afirmou na reunião que já havia acertado o suporte técnico à operação com o Gabinete de Segurança Institucional (GSI). Seriam utilizadas escutas de operações especiais. O presidente da República disse a Do Val que a armadilha "iria salvar o Brasil".

A escolha pelo nome do senador se deu pela sua relação de mais de uma década com o ministro do STF e do TSE. Do Val não respondeu prontamente e pediu a Bolsonaro e Silveira para pensar sobre o pedido.

Vídeo a favor do AI-5, ameaças ao STF e violação a tornozeleira: os crimes de Daniel Silveira

O senador conta que recebeu várias mensagens de Silveira insistindo para que ele aceitasse participar do plano. O agora ex-deputado garantiu a ausência de riscos na operação e disse que apenas três pessoas sabiam da ideia. As outras duas seriam informadas após a gravação e seriam pessoas “cinco estrelas” — dando a entender que tratavam-se de militares. Nem Flávio Bolsonaro, filho do presidente, estava ciente, segundo o deputado.

Silveira ainda ressaltou que o conteúdo do áudio seria descartado se nada fosse extraído de Moraes e que “pessoas muito importantes e relevantes” estavam envolvidas na operação e depositavam em Do Val “uma esperança sem precedentes”, relata a revista Veja, que teve acesso às mensagens. O parlamentar ainda acrescentou que o conteúdo da conversa com Moraes seria usado para pautar a “ação” que já estaria “desenhada e pronta" para ser implementada.

Três dias depois da reunião, em 12 de dezembro, Marcos do Val enviou uma mensagem a Moraes pedindo uma conversa presencial com o ministro. Escreveu que precisava falar com o magistrado sobre uma conversa que teve com Bolsonaro e Garcia. De acordo com a Veja, o senador afirmou na mensagem que os dois haviam lhe convidado para “uma ação esdrúxula, imoral e até criminal”.

O encontro com o ministro ocorreu após dois dias. Em poucos minutos, o senador contou detalhes sobre a "missão" que recebeu do presidente. "Não acredito", reagiu Moraes. No mesmo dia, à noite, o senador comunicou a Silveira que iria declinar da operação. O ex-deputado respondeu de forma sucinta: "Entendo, obrigado".

Na madrugada desta quinta, Do Val falou pela primeira vez sobre a tentativa de ser coagido para dar um golpe de estado. O senador também anunciou que vai renunciar ao mandato.

Yahoo

Tudo em família - Editorial


Renan Filho e esposa


Ministros afrontam espírito republicano ao indicarem esposas para cargos em TCEs

Três ministros do governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que até há pouco eram governadores, instalaram, ou estão tentando instalar, suas mulheres em vagas de conselheiro do tribunal de contas de suas unidades federativas.

O "esposismo", como se pode chamar esse modo de nepotismo, tem razão de ser. O cargo de conselheiro —ao qual se chega por indicação, após sabatina e aprovação pela Assembleia Legislativa— é vitalício e oferece rendimentos próximos aos do teto do funcionalismo estadual, fora outras regalias.

Os três ministros são Renan Filho (MDB), dos Transportes, que colocou sua mulher, Renata Calheiros, no Tribunal de Contas do Estado de Alagoas; Wellington Dias (PT), do Desenvolvimento Social, que pôs Rejane Dias no TCE do Piauí; e Rui Costa (PT), da Casa Civil, que está empenhado em levar a esposa, Aline Peixoto, ao TCE da Bahia.

Embora legais, essas nomeações são condenáveis em vários sentidos. Em primeiro lugar, constituem gesto explícito de autofavorecimento. Os ex-governadores utilizam seu prestígio para aumentar a própria renda doméstica. Políticos pautados pelo espírito republicano deveriam ter vergonha de até tentar algo semelhante.

Em segundo lugar, esse tipo de indicação priva os tribunais de recrutar como conselheiros quadros com melhor capacitação técnica. Ao que consta, nenhuma das três esposas tem grande experiência no controle de contas públicas. Calheiros e Dias são formadas em administração, e Peixoto é enfermeira.

O fato é que os postos de conselheiro são atrativos demais. Mesmo quando políticos não tentam entregá-los a parentes, oferecem a colegas que ficaram sem mandato ou enfrentam dificuldades para a reeleição.

São necessárias, portanto, mudanças nas regras de condução dos tribunais de contas —da União, de estados e de municípios.

Uma possibilidade seria vetar a indicação de parentes de políticos no poder ou dele recém-saídos. Nem sempre funciona, como no nepotismo cruzado (quando um juiz ou político dá emprego ao parente do colega em troca de igual tratamento para o seu).

Parece mais lógico aprofundar a tendência esboçada na Constituição de 1988: exigir qualificação técnica dos candidatos a conselheiros. No limite, cobrar não apenas formação em área afim, mas também alguns anos de experiência em função correlata —similar ao disposto na Lei das Estatais.

No regime republicano, é inaceitável que vagas de conselheiros sejam usadas para dar emprego e renda a parentes de políticos.

Folha de São Paulo

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