quinta-feira, fevereiro 02, 2023

Estátua de Hércules em tamanho real é encontrada em Roma, Itália

 




Durante trabalhos de escavação de uma empresa que reparava um canal de esgoto, foi encontrada uma estátua de mármore em tamanho real na área de Parco Scott, na Appia Antica, de uma figura com pele de leão cobrindo a cabeça, considerada um disfarce de Hércules.

Por Marcio Gomes

O Parque Arqueológico Appia Antica, em Roma, informa que "a área, valiosa do ponto de vista naturalista, é também uma área de interesse arqueológico, de fato, estamos perto do Sepulcro de Priscilla na segunda milha da Vila Appia Antica, e as obras de terraplenagem, que chegaram a atingir 20 metros de profundidade, têm sido constantemente monitoradas por um arqueólogo, coordenado por funcionários do Parque".

"Transferimos o achado para uma de nossas instalações de armazenamento e estamos analisando diferentes hipóteses para reconstruir sua proveniência e datação", explicou a arqueóloga Francesca Romana Paolillo ao Corriere della Sera.

[Arqueólogos em Roma, Itália, têm novamente motivos para se orgulhar de uma nova descoberta. Desta vez, durante as escavações em Parco Scott, parte dos cientistas do Parque Arqueológico Appia Antica desenterraram uma antiga estátua em mármore de Hércules em tamanho natural.]

A estátua se encontra em bom estado de conservação e a base também foi encontrada.

"As fotos não dão ideia de seu tamanho real: quando eu vi, fiquei espantada", comentou a diretora do Parque, Simone Quilici, ao Corriere.

"Ela provavelmente representa uma personalidade importante da época. Em Roma não é incomum encontrar artefatos antigos, mas neste caso a sensação é que este é um achado particularmente importante", acrescentou a diretora. 

Sputnik News / Jornal do Brasil

Comentarista da Jovem Pan critica Pacheco reeleito: 'Lula jogou pesado'




Comentarista da Jovem Pan, José Maria Trindade, critica reeleição de Pacheco e cita Lula

Parlamentar por Minas Gerais foi reeleito presidente do Senado Federal nesta quarta-feira (1/2) e recebeu apoio do presidente da República

O comentarista José Maria Trindade, da Jovem Pan, criticou a reeleição do senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), nesta quarta-feira (1/2). Segundo ele, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que demonstrou apoio à continuidade do parlamentar mineiro no comando da Casa, “jogou muito pesado”. 

Pacheco derrotou Rogério Marinho (PL-RN) por 49 votos a 32 e permanecerá no comando da casa no biênio 2023-2024. De acordo com o comentarista, estava prevista essa margem de votação. “A surpresa foi a estratégia de levar esse debate importante para fora do Congresso Nacional. Todos participaram e houve, inclusive, mudança de votos diante dessa estratégia. Criou-se uma onda necessária para uma candidatura”, afirmou.

Trindade afirmou que o resultado era esperado e aproveitou para criticar o presidente da República: “Lula jogou muito pesado. Os senadores receberam ligações de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), e Rodrigo Pacheco, que tem a caneta na mão, sabe exatamente o que quer cada cidadão que despacha na Praça dos Três Poderes”.

O comentarista disse ainda que, apesar da vitória, é um resultado preocupante para o petista e ele terá que fazer negociações. “Lula postou porque não poderia ficar longe da política do Senado Federal, mas esse resultado indica que o presidente terá dificuldades no Senado Federal e vai negociar. Com base na planilha de quem votou por um lado ou outro, fica muito fácil”, ressaltou.

AFP / Estado de Minas

Imoralidade no Ministério Público - Editorial


Procurador geral Augusto Aras


A institucionalização de mais um inconstitucional penduricalho – agora, por acúmulo de processos – explicita a disfuncionalidade do atual Conselho Nacional do MP

Não é possível assistir passivamente a tamanho acinte com o dinheiro público, com a moralidade e com a Constituição de 1988. Em portaria publicada no dia 27 de janeiro, o Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP) institucionalizou a tal da “gratificação por acúmulo de processos”, que aumenta o salário dos procuradores da República em até 33%, ou cerca de R$ 11 mil.

A manobra vinha sendo costurada desde o ano passado, quando o CNMP criou uma primeira norma sobre o benefício. Na ocasião, como forma de minimizar o escândalo, o conselho disse que era apenas “uma orientação”. De toda forma, sendo obrigatória ou não a regra, o fato é que procuradores da República vinham, desde o ano passado, recebendo um acréscimo no contracheque em razão do acúmulo de processos sob sua responsabilidade.

A recomendação de 2022 incluía também os integrantes dos Ministérios Públicos estaduais, que, segundo o CNMP, também precisavam ganhar mais em razão do acúmulo de processos. No ano passado, ao menos dois Estados – Paraná e Santa Catarina – já tinham regras similares prevendo a benesse aos membros dos respectivos Ministérios Públicos.

Ressalta-se o absurdo do benefício. Não é prêmio por produtividade, e sim convite à ineficiência. Os membros do Ministério Público são agraciados por “acúmulo de processos”. Quanto mais represar seu trabalho, um procurador terá mais chances de ter seu salário aumentado. No Paraná, por exemplo, um promotor com 200 processos sob sua responsabilidade tinha direito a aumento de 11% no contracheque.

Vigorando desde o ano passado, o penduricalho recebeu agora um novo patamar de institucionalização pelo CNMP. Explicitando que seu caráter não tem nada de orientativo – e sim obrigatório –, a nova sistemática fixa prazo de 90 dias para que o conselho de cada um dos quatro Ministérios Públicos vinculados ao Ministério Público da União – o Federal, o do Trabalho, o Militar e o do Distrito Federal e Territórios – defina a quantidade de processos por procurador que dará direito ao benefício.

A agravar o acinte, o CNMP reitera, como havia feito em 2022, que o penduricalho por “acúmulo de acervo processual, procedimental ou administrativo” não deve estar submetido à norma constitucional que fixa um teto máximo para a remuneração dos servidores públicos. Segundo o conselho, a benesse é uma “gratificação”, não se sujeitando ao chamado abate-teto.

Trata-se de interpretação contrária ao texto constitucional. A norma da Constituição é cristalina. A remuneração dos ocupantes de cargos públicos – “incluídas as vantagens pessoais ou de qualquer outra natureza” – não pode exceder o subsídio mensal dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). No entanto, o CNMP prefere ignorar essa limitação.

O mais estranho nessa história é que o CNMP foi criado na reforma do Judiciário (Emenda Constitucional 45/2004) precisamente para exercer “o controle da atuação administrativa e financeira do Ministério Público e do cumprimento dos deveres funcionais de seus membros”. Ou seja, a criação do órgão vinha atender a um objetivo essencialmente republicano: num Estado Democrático de Direito, não pode haver órgão ou instituição sem controle. No entanto, é o CNMP que agora cria benefícios inconstitucionais para a categoria.

Nem se diga, como justificativa para a manobra, que o novo penduricalho foi inspirado num benefício similar concedido aos juízes (que está submetido ao teto constitucional). Tudo isso é tremendamente constrangedor, seja pela afronta ao texto constitucional, seja pela imoralidade de premiar a ineficiência, seja pela indiferença de aumentar, em tempos de fome e de profunda crise social no País, a remuneração de quem já tem os maiores salários do funcionalismo público.

É mais que hora de o Congresso revisar as regras relativas ao CNMP. Com a maioria proveniente do Ministério Público, a atual composição do conselho não apenas é incapaz de realizar sua missão constitucional, como tem servido para autorizar escandalosos benefícios corporativistas.

O Estado de São Paulo

O povo não se reconhece na Casa do Povo




O povo, para a Horda Canarinha que invadiu o DF, é uma categoria excludente, na qual só cabem direitistas e conservadores – e mesmo essas categorias são empregadas de forma muito estreita. 

Por Jerônimo Teixeira (foto)

“Acabamos de tomar o poder. Estamos dentro do Congresso. Todo povo está aqui em cima. Isso vai ficar para a história, a história dos meus netos, dos meus bisnetos.”

“Povo toma a Esplanada dos Ministérios nesse domingo! Tomada de poder pelo povo brasileiro insatisfeito com o governo vermelho.”

A frases acima foram divulgadas no Instagram por parlamentares que, na quarta-feira, 1º, tomam posse na Câmara. Dizem respeito – o leitor já terá adivinhado – ao ataque da Horda Canarinha aos três poderes. A primeira citação vem de um vídeo publicado por Clarissa Tércio, do PP de Pernambuco. A segunda é a legenda criada por Sílvia Waiãpi, do PL do Amapá, para acompanhar vídeos da festa bolsonarista em Brasília. Deputadas federais em primeiro mandato, as duas entram gloriosamente no Congresso carregando uma distinção que alguns veteranos da casa demoraram a alcançar: um inquérito no STF. A pedido da Procuradoria-Geral da República, Alexandre de Moraes mandou investigá-las por possível incitação à quebradeira do 8 de janeiro, entre outros crimes.

As postagens potencialmente criminosas não se encontram mais no Instagram das deputadas. Copiei os textos tal como constam nos inquéritos abertos por Alexandre de Moraes, que por sua vez reproduziu os relatórios da PGR. Há um ponto a ser esclarecido na publicação de Clarisse Tércio: a primeira pessoa do plural (“acabamos de tomar o poder”) indica que estamos diante de uma fala produzida in loco por uma participante da invasão do Congresso. O Estadão informa que a frase foi dita por uma voz feminina narrando os eventos enquanto filmava a balbúrdia. A PGR afirma que a frase foi dita pela própria Clarisse. Ela nega: diz que não estava em Brasília no domingo do putsch mambembe. Aliás, as duas suspeitas divulgaram declarações protocolares condenando a violência e o vandalismo. Sílvia Waiãpi ainda lançou na mesa a carta identitária, sugerindo que está sendo perseguida por ser uma mulher indígena.

Meu interesse não é o enrosco jurídico das deputadas novatas. O que me chamou a atenção é um ponto em comum nas publicações das duas: a ideia de que o caos promovido pela malta bolsonarista representava a tomada de poder pelo povo (A propósito: a palavra “povo” nem sequer consta no inquérito aberto por Moraes contra um terceiro deputado federal bolsonarista, André Fernandes, e é por isso que não falo dele neste texto. Espero que a gentil leitora não tenha pensado que era por machismo…)

Dizem que o Congresso é a Casa do Povo (há quem restrinja o epíteto à Câmara apenas, mas isso não muda o que quero dizer aqui). Os fanáticos de verde e amarelo que barbarizaram os prédios da praça dos Três Poderes rejeitam esse lugar comum. O povo, para eles, é uma categoria excludente, na qual só cabem direitistas e conservadores – e mesmo essas categorias são empregadas de forma muito estreita.

Ao tempo em que Rodrigo Maia era o presidente da Câmara, o ódio bolsonarista concentrava-se sobre o prédio das duas cúpulas. Nos “protestos a favor do governo” – uma invenção petista que o bolsonarismo copiou –, um boneco inflável de Maia carregando um saco de dinheiro aparecia ao lado do Pixuleco, o bonecão representando Lula em uniforme de presidiário. O sucessor de Maia na presidência da Câmara nunca recebeu essas homenagens. Arthur Lira, arquiteto genial do orçamento secreto, acertou-se bem com Bolsonaro. Os vilões do bolsonarismo passaram a ser ministros do STF, com especial destaque para Alexandre de Moraes.

Sob essas oscilações circunstanciais das antipatias bolsonaristas, porém, persistiu um desprezo generalizado pelo Congresso – e, por extensão, pela democracia representativa. Se o povo precisa tomar o poder invadindo o Congresso, só pode ser porque o poder exercido no Congresso não emana do povo. A julgar pelas postagens que lhes trouxeram problemas com a Justiça, Sílvia Waiãpi e Clarissa Tércio concordam com essa noção. Seria de se perguntar por que elas desejam ter assento em uma instituição que consideram espúria, mas elas não são as primeiras a escorregar nessa aparente contradição. À esquerda, também há aqueles que aceitam fazer parte dos rituais da “democracia burguesa” apenas porque é o único caminho que encontram aberto para a atividade política.

Pelo menos desde os tempos em que Lula deu o mote para uma canção dos Paralamas do Sucesso (o leitor jovem que perdeu essa alusão deve buscar 300 Picaretas no Spotify), o PT vem desmoralizando as instituições democráticas, inclusive o Congresso. Na versão caricata da história política brasileira repisada pelo partido e por seu líder, o país passou 500 anos nas mãos de uma elite que nunca olhou para o povo, o esse povo – todo de esquerda, ao contrário daquele outro povo imaginado pelos bolsonaristas – só ganhou lugar na sociedade e no avião quando Lula afinal chegou à presidência. Democracia só é democracia puro malte quando o PT está no poder.

A versão (ou perversão) da história patrocinada pela direita bolsonarista não é tão distinta dessa. O sinal ideológico é inverso, mas os dois campos compartilham pelo menos um inimigo: a imprensa, que uma lado chama de comunista e o outro de golpista. Em vários aspectos, o bolsonarismo exacerbou as piores práticas petistas: a retórica do “nós contra eles” tornou-se mais sectária e agressiva, o ataque à imprensa subiu vários tons na grosseria, e a oposição a um abstrato sistema político tradicional reconfigurou-se como ataque a um objeto bem palpável (mas não auditável, segundo os bolsonaristas): a urna eletrônica.

E assim foi indo até que a exacerbação exacerbou-se a seu ponto mais exacerbado: a desastrada e desastrosa tentativa de golpe em Brasília. Presos ao dualismo da guerra cultural, os bolsonaristas – a começar pelo próprio Bolsonaro, em seu tuíte no dia da destruição – tentam relativizar os eventos de 8 de janeiro lembrando episódios anteriores de invasão e depredação promovidos pela esquerda em prédios públicos da capital. É um esforço fátuo: não há paralelo em extensão e gravidade para a barbárie que testemunhamos neste ano. A Horda Canarinha deu de presente a seu inimigo a oportunidade de armar a pose de defensor da democracia. Lula só não é um ator convincente para esse papel. Já anda fazendo manifestações de “carinho” às ditaduras de Venezuela e Cuba.

Há quem acredite que a democracia possa ser defendida com pacotes legislativos exigindo que Musk e Zuckerberg policiem o tiozão que usa as redes para extravasar sua nostalgia do Médici, ou que seja possível dispersar os inimigos da democracia só com ameaças de cana dura expressas em retórica digna de um delegado da Baixada Fluminense. Bem, estes tempos tão bicudos talvez peçam renovações da lei penal, e é claro que os envolvidos na farra golpista em Brasília precisam ser punidos nos termos da lei, sejam eles executores, financiadores ou inspiradores dos crimes. Mas nada disso basta para conciliar uma sociedade dividida ou para restaurar a confiança em uma democracia débil. A “crise da democracia representativa” de que falam tantos analistas mundo afora é uma realidade. O povo, seja lá de que lado esteja no cisma ideológico, não se reconhece na Casa do Povo. Na percepção de muitos cidadãos desprovidos de qualquer ímpeto golpista, o Congresso é só um balcão de negócios, e a atividade política resume-se a um jogo viciado para manter privilégios particulares. Essa talvez seja uma visão redutora e simplista – mas não é completamente desprovida de fundamento.

As forças políticas que hoje disputam o mando do país não criaram a desilusão com a democracia que aflige tantos brasileiros, mas insuflam e manipulam esse sentimento. Correm riscos ao mexer assim com as emoções mais inflamáveis da massa, pois o feitiço pode muito bem se virar contra o feiticeiro. Para aqueles que ainda acreditam na democracia, o perigo maior é que o feitiço funcione exatamente como o feiticeiro deseja.

Revista Crusoé

Lula e Putin




Quase um ano após o início da guerra Lula recebeu o Chanceler alemão Scholz. Na conferência de imprensa falaram da guerra na Ucrânia e Lula usou os mesmos argumentos que Bolsonaro e, em Portugal, o PCP. 

Por João Marques de Almeida 

No caso de Lula, poderíamos dizer que nunca demora muito tempo a apanhar um radical. O facto de Bolsonaro fazer Lula parecer um moderado, não significa que Lula o seja. Apenas mostra que Bolsonaro ainda é mais radical do que Lula. O radicalismo de ambos é claro quando falam da guerra na Ucrânia. Aí, Lula e Bolsonaro estão completamente de acordo. Lembram-se quando Bolsonaro visitou Putin uns dias antes da Rússia atacar a Ucrânia para mostrar a “amizade entre o Brasil e a Rússia”?

Ontem, quase um ano depois do início da guerra, Lula recebeu o Chanceler alemão Scholz. Na conferência de imprensa, falaram da guerra na Ucrânia, e Lula usou os mesmos argumentos que Bolsonaro e, em Portugal, o PCP. Insinuou que a NATO, a União Europeia e a própria Ucrânia também tinham responsabilidades pela guerra. Lula acrescentou ainda uma frase extraordinária: “só há guerra quando as duas partes querem combater.” Nunca ninguém ensinou o Presidente brasileiro que as potências invasoras nunca querem uma guerra, apenas pretendem invadir e conquistar em paz. Hitler também nunca quis a segunda guerra mundial, apenas quis invadir e conquistar a Polónia, a França e até a União Soviética. Se usarmos a lógica de Lula, só houve guerra porque os países atacados e os seus aliados resolveram defenderem-se.

As afirmações de Lula foram de tal modo inaceitáveis que Scholz, habitualmente, um politico controlado e frio, se viu obrigado a responder de um modo pouco diplomático (convém recordar que Scholz é um político de centro esquerda, não é um populista de direita). Afirmou que “a agressão da Rússia não é apenas uma questão europeia mas constitui uma violação do direito internacional.” Scholz foi ainda mais longe e, dirigindo-se directamente a Lula, disse que “a história do Brasil teria sido menos pacífica se alguns dos seus vizinhos quisessem alterar as fronteiras pela força.”

Mas a guerra na Ucrânia não é apenas uma invasão militar da Rússia, também é um conflito entre uma ditadura e um país democrático. Lula passou os últimos meses a afirmar que lutava pela democracia brasileira contra Bolsonaro e a extrema direita. Acusou o seu antecessor de ter provocado uma tentativa de golpe de estado em Brasília. Como é que Lula percebe o que é uma ameaça à democracia no Brasil e não entende que Putin é um ditador? Se Lula não entende o óbvio da política – qual é o lado certo numa guerra entre uma ditadura e uma democracia – o futuro do Brasil continua a ser muito preocupante.

Observador (PT)

ABI e Sinjorba apresentam plano de combate à violência contra a imprensa durante audiência com autoridades

Por Redação

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Foto: Divulgação / ABI-BA

“Eu fui agredida enquanto fazia uma reportagem. Estava prestando um serviço, sem cometer nenhum excesso”. A fala indignada da jornalista Tarsilla Alvarindo, durante audiência pública na sede da Associação Bahiana de Imprensa (ABI), traduz o sentimento dos profissionais da imprensa vitimados diariamente pela violência. A sessão promovida pela Associação e pelo Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado da Bahia (Sinjorba) apresentou, na manhã desta terça-feira (31), uma proposta de protocolo para proteger os trabalhadores do segmento.

 

Além de jornalistas, advogados e diretores das duas entidades proponentes, a sessão contou com o titular da Secretaria de Justiça, Direitos Humanos e Desenvolvimento Social do Governo da Bahia (SJDHDS), Felipe Freitas; o promotor Fabrício Rabelo Patury, assessor especial da PGJ, representou a procuradora-geral do Ministério Público do Estado da Bahia (MP-BA), Norma Cavalcanti; o comandante-geral da Polícia Militar da Bahia, Paulo Coutinho, enviou o coronel PM Valter Menezes; o defensor-geral do Estado da Bahia, Rafson Ximenes, foi representado pelo coordenador das especialidades criminais, Pedro Bahia; a delegada-geral da Polícia Militar da Bahia, Heloísa Campos de Brito, teve como representante o delegado Ricardo Mendes Barros; já o secretário da Segurança Pública do Estado da Bahia, Marcelo Werner, foi representado pelo assessor de imprensa da SSP, o jornalista Alberto Maraux.

 

O jornalista Ernesto Marques, presidente da ABI, falou dos riscos aos quais, principalmente, os profissionais da imagem estão expostos nas coberturas jornalísticas. “Muitas vezes, constrangidos, coagidos, agredidos, têm seus equipamentos tomados ou danificados, são obrigados a apagar registros que são propriedade intelectual desses profissionais”, lembrou.

 

Marques agradeceu a adesão das autoridades à pauta e ressaltou a necessidade de medidas eficazes para enfrentar o clima de hostilidade contra o setor. “Todos nós temos o mesmo objetivo: trabalhar pelo aperfeiçoamento da sociedade. Nossa sociedade dá, neste momento, evidentes sintomas de uma doença grave. E eu não me refiro à pandemia. Me refiro a uma doença ética, que estimula e banaliza a difusão de informações falsas, que tenta descredibilizar o trabalho do jornalismo profissional, essa mesma onda que procura respostas violentas pela incapacidade de conviver com a divergência”, afirmou.

 

O dirigente apresentou a proposta da “Rede de Combate à Violência contra Jornalistas”, cujo plano de ação prevê como princípios: a) o compromisso público com um protocolo comum; b) uma ação conjunta dos órgãos integrantes desta rede; c) aumentar a eficiência e a coerência do sistema como um todo; e d) um ambiente livre e seguro. O documento lista sugestões de atribuições para as polícias Militar e Civil, a Defensoria Pública, o Ministério Público e a Secretaria de Justiça e Direitos Humanos. As medidas abrangem desde a garantia da proteção aos jornalistas até o estabelecimento de protocolos na busca judicial da responsabilização.

 

“Nosso trabalho na Secretaria de Justiça e Direitos Humanos só terá chance de dar certo na medida em que a gente constitua com a sociedade uma agenda. E a imprensa é uma peça fundamental”, destacou o secretário da SJDHDS, Felipe Freitas. “Nós temos um compromisso com a imprensa baiana. Vamos atuar na articulação de uma agenda governamental com foco na defesa dos direitos dos jornalistas.”

 

ABI e Sinjorba se comprometeram a fazer a relatoria da audiência, incorporar modificações ao plano de ação, para remeter às instituições participantes já na manhã desta quarta (1º). Está programado para o mês de março o lançamento oficial da Rede de Combate à Violência contra Jornalistas.

 

Moacy Neves, presidente do Sinjorba, apresentou o relatório “Violência contra jornalistas e liberdade de imprensa”, divulgado pela Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj). O documento revela que 2022 registrou 54 casos a menos que os 430 apurados em 2021, ano recorde, desde o início da série histórica dos levantamentos feitos pela Federação. Neves, no entanto, foi categórico ao destacar que “a redução da estatística esconde uma realidade perigosa”. Ele destaca que, no cenário baiano, o número de casos de violações dobrou, passando para 14 em 2022. 

 

Já neste início de 2023, dois registros em Salvador chamaram a atenção de entidades representativas dos profissionais da imprensa. No dia 11 de janeiro, uma equipe da TV Aratu foi hostilizada durante cobertura de manifestações de extrema direita, na Barra. A jornalista Priscilla Pires e o cinegrafista Davi Melo foram abordados por um homem, que passou a ameaçá-los. Menos de uma semana depois, no dia 16, a jornalista Tarsilla Alvarindo, o cinegrafista George Luiz e o auxiliar Marcos Oliveira, da RecordTV Itapoan, cobriam um acidente de trânsito, na Avenida Orlando Gomes, quando foram atacados e impedidos de continuar a reportagem.

 

Durante a audiência, a jornalista Tarsilla Alvarindo comentou o clima de ódio disseminado contra profissionais de mídia, materializado em ameaças e agressões. E chegou a revelar que não teve suporte da Polícia Militar no momento da violência, o que causou forte indignação na equipe. “Eu apareço na televisão, mas não sou artista. Eu estou prestando um serviço. Não aceito ser tratada com violência”, completou.

 

Atento ao depoimento da repórter, o coronel Valter Menezes fez uma retratação. “Somos uma instituição que vai fazer 200 anos. Temos uma parceria muito boa com a imprensa. Venho pedir desculpas pela omissão. Perdoe a nossa corporação por essa ação. Esse fato será levado ao nosso comandante geral, coronel Coutinho”, assegurou. Menezes, que atuou como diretor de Comunicação da PM, elencou ações da instituição no sentido de melhorar a relação com a imprensa. “Não existe democracia sem imprensa. Assim nós pensamos”, concluiu. 

Bahia Notícias

Renan Calheiros celebra eleição de Rodrigo Pacheco e atribui vitória a um "somatório de esforços"

Quarta-Feira, 01/02/2023 - 20h37

Por Fernando Duarte, de Brasília

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Foto: Fernando Duarte / Bahia Notícias

O senador Renan Calheiros (MDB) comemorou de maneira comedida a reeleição de Rodrigo Pacheco (PSD) para a presidência do Senado Federal. Na visão dele, que conversou com o Bahia Notícias na tarde desta quarta-feira (1º), o "resultado era esperado" e se deve a um "somatório de esforços".

 

Um desses esforços elencados pelo político seria o posicionamento do chefe do Congresso durante o agravamento dos ataques golpistas, que atingiu o ápice durante o último dia 8 de janeiro, com as invasões às sedes dos três poderes da República por extremistas bolsonaristas.

 

Segundo o alagoano, no pleito vitorioso, "foi premiado, sobretudo, o posicionamento do Rodrigo Pacheco, inflexível na defesa da democracia, do Estado Democrático de Direito, da separação dos poderes". "Acho que é um grande dia para o Senado", acrescentou Calheiros.

 

Ele ainda comentou sobre o discurso do reeleito, que fez pontuações sobre o acirramento dos ânimos e teceu considerações sobre qual será sua postura daqui para frente: "Acho que foi [o tom ideal]. Ele fez uma grande intervenção, depois a maioria da Casa o apoiou, esses 49 votos são indiscutíveis". 

 

"Enfim, foi uma grande vitória. A partir de agora é exercer a coalisão, botar o governo para funcionar, estabelecer internamente uma pauta do Legislativo em comum acordo com os partidos. Acho que tudo vai fluir bem", finalizou Renan.

INFONET

Baianos e turistas participam dos 100 anos da Festa de Iemanjá, em Salvador

 

Baianos e turistas participam dos 100 anos da Festa de Iemanjá, em Salvador

Por Francis Juliano / Bruno Leite

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Foto: Francis Juliano / Bahia Notícias

Povos de santo, católicos, turistas e soteropolitanos se reúnem nos arredores da Colônia de Pescadores do Rio Vermelho, em Salvador, desde as primeiras horas da madrugada desta quarta-feira (1º) para acompanhar de perto a celebração da Festa de Iemanjá, que alcança a marca de 100 anos nesta quinta-feira (2).

 

No perímetro, casas de eventos e bares realizam festas particulares com música ao vivo, DJs e outras atrações que sintetizam o "sagrado e o profano" cultuado nas chamadas festas de largo pela Bahia afora.

 


Foto: Francis Juliano / BN

 

A tradição centenária do bairro soteropolitano foi iniciada em 1923 por homens e mulheres que viviam da pesca e pediam para ayabá fartura de peixes. De lá para cá, todos os anos, milhares de pessoas vão até o local para homenagear a Rainha das Águas com flores, perfumes e outros adereços.

 


Foto: Francis Juliano / BN

 

Um presente principal relembra o marco fundante do festejo. Colocado na Casa do Peso para que devotos possam colaborar com os balaios, que em determinada altura da celebração são levados até o mar por barqueiros para que possam ser despachados - sob o estouro de fogos de artifício - nas águas profundas da costa da capital baiana.

 


Foto: Francis Juliano / BN

 


Foto: Francis Juliano / BN


Bahia Notícias

Devota cumpre promessa vestida de Iemanjá e se emociona: "É quem me ilumina e me guia"

 

Devota cumpre promessa vestida de Iemanjá e se emociona: "É quem me ilumina e me guia"

Por Francis Juliano / Gabriel Lopes

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Foto: Francis Juliano / Bahia Notícias

Marcando presença na festa de Iemanjá desde a infância, Carolina Xavier cumpre sua promessa à Rainha do Mar em 2023. Dois anos suspensa em decorrência da pandemia, a festa volta a acontecer nesta quinta-feira (2), no bairro do Rio Vermelho em Salvador.

 

Ao Bahia Notícias, a estudante de jornalismo explicou como surgiu a devoção a Iemanjá e a importância que tem em sua vida. "Desde que minha mãe me trazia [para a festa] quando eu era pequena, e aí eu vim seguindo a tradição, adoro a festa de Iemanjá, muito linda. Em 2019 resolvi fazer uma promessa muito especial e a minha mãe realizou o que eu pedi e eu falei: se eu conseguir eu vou me vestir minha mãe te representando. E assim foi, eu consegui", conta.

 

"Em 2020 me vesti representando ela, Iemanjá representa muito para mim, é a minha mãe, é quem me ilumina, é quem guia meus passos e me protege. Abaixo de Deus é minha mãe Iemanjá. É aqui que eu sento para pedir proteção e agradeço. Estar aqui no dia 2 de fevereiro não é obrigação, é um querer, desejo de estar aqui com as pessoas. É muita gratidão que não cabe no peito, então eu preciso me vestir para representar ela", completou Caroline ao se emocionar.

 

Foto: Francis Juliano / Bahia Notícias

 

Foto: Francis Juliano / Bahia Notícias

Morre a jornalista Glória Maria

Quinta-Feira, 02/02/2023 - 08h57

Por Redação

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Foto: Divulgação

A jornalista Glória Maria morreu no Rio de Janeiro nesta quinta-feira (2), aos 73 anos de idade. A causa da morte não foi informada. A informação foi divulgada pelo G1. 

 

 

Glória estava afastada do "Globo Repórter" há mais de três meses, tratando um câncer. O último programa apresentado por ela foi a edição. 

 

Glória foi pioneira inúmeras vezes. Foi a primeira a entrar ao vivo no Jornal Nacional e inaugurou a era da alta definição da televisão brasileira. Mostrou mais de 100 países em suas reportagens e protagonizou momentos históricos.

 

“Eu sou uma pessoa movida pela curiosidade e pelo susto. Se eu parar pra pensar racionalmente, não faço nada. Tenho que perder a racionalidade pra ir, deixar a curiosidade e o medo me levarem, que aí eu faço qualquer coisa.”

 

Glória deixa duas filhas, Maria e Laura.

Bahia Notícias

Ex-deputado bolsonarista Daniel Silveira é preso pela Polícia Federal


Por Redação

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Foto: Cleia Viana/Câmara dos Deputados

O ex-deputado bolsonarista Daniel Silveira foi preso na manhã desta quinta (2) pela Polícia Federal, em Petrópolis, no Rio de Janeiro.

 

De acordo com a GloboNews, a prisão foi ordenada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) após o ex-deputado descumprir medidas cautelares impostas pelo ministro Alexandre de Moraes.

 

Fontes da Polícia Federal afirmam que havia "muito dinheiro na casa" do ex-parlamentar no momento da detenção.

 

Daniel Silveira se candidatou ao Senado pelo Rio de Janeiro, em outubro, e recebeu 1,5 milhão de votos, mas não se elegeu. Com isso, ficou sem mandato e perdeu o foro privilegiado nesta quarta (1º), quando os novos parlamentares tomaram posse.

Bahia Notícias

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