sábado, abril 02, 2022

A lei também vale para o presidente - Editorial




Ao indeferir o pedido de arquivamento da PGR, ministra reitera aspecto fundamental do regime republicano: o presidente tem o dever de zelar pelo respeito à lei

Na terça-feira, a ministra Rosa Weber, do Supremo Tribunal Federal (STF), indeferiu o pedido do procurador-geral da República, Augusto Aras, para arquivar o Inquérito 4875, que investiga o suposto crime de prevaricação por parte de Jair Bolsonaro no caso da negociação na compra da vacina indiana Covaxin. A decisão da ministra Weber não envolve nenhum juízo sobre o comportamento de Bolsonaro, que ainda precisará ser apurado. O indeferimento do arquivamento refere-se aos deveres do cargo de presidente da República, com o reconhecimento de que eventual inércia do chefe do Executivo federal perante a notícia da ocorrência de crimes pode configurar crime de prevaricação.

No pedido, Augusto Aras defendeu que a conduta atribuída a Jair Bolsonaro – a suposta omissão perante a denúncia feita pelos irmãos Miranda –, mesmo se fosse comprovada, não configuraria crime de prevaricação, uma vez que esse dever não está previsto nas atribuições constitucionais do presidente da República. Segundo a Procuradoria-Geral da República (PGR), o ato de ofício mencionado no tipo penal do art. 319 do Código Penal – “retardar ou deixar de praticar, indevidamente, ato de ofício, ou praticá-lo contra disposição expressa de lei, para satisfazer interesse ou sentimento pessoal” – precisaria estar previsto expressamente. Nessa lógica, no caso, não haveria um ato de ofício a ser exigido do presidente da República para que se possa cogitar em prevaricação.

Na decisão, Rosa Weber discorda veementemente da posição da PGR. Mesmo não constando das atribuições do art. 84 da Constituição, “é perfeitamente possível extrair, do próprio ordenamento jurídico-constitucional, competência administrativa vinculada a ser exercida pelo chefe de governo”, diz a decisão. A interpretação de Rosa Weber não amplia o enquadramento do art. 319 do Código Penal, o que afrontaria o princípio da legalidade.

A decisão reitera um princípio fundamental do Estado de Direito: ninguém está acima da lei. “O presidente da República também é súdito das leis e, situando-se no vértice da hierarquia administrativa, não pode se furtar ao dever tanto de extirpar do sistema jurídico aqueles atos infralegais que se põem em antítese com as leis da República quanto de repreender, no plano disciplinar, os agentes do executivo transgressores do ordenamento jurídico”, lê-se na decisão.

Não é comum um juiz indeferir pedido de arquivamento do Ministério Público, que é o titular da ação penal. Afinal, não faz sentido dar prosseguimento a uma investigação em que, desde o início, a promotoria está convencida da impossibilidade da ocorrência de crime naquelas circunstâncias.

No caso, Rosa Weber fundamentou o indeferimento do pedido na jurisprudência do STF, que admite a apreciação do mérito do pedido de arquivamento em duas situações: “quando fundado na atipicidade penal da conduta ou lastreado na extinção da punibilidade do agente, hipóteses nas quais se operam os efeitos da coisa julgada material”. São casos em que há um juízo sobre o mérito da controvérsia criminal – e isso cabe ao magistrado decidir.

Ao analisar o mérito do pedido (no caso, indeferindo o arquivamento), a ministra Weber joga luzes sobre outro importante aspecto do Estado Democrático de Direito: toda função pública está sujeita a controle, também as atividades do Ministério Público. O procurador-geral da República não é “o único juiz de suas próprias postulações”, o que, se assim o fosse, significaria “nítida inversão, desautorizada pela Carta da República, do arquétipo constitucional de divisão funcional do Poder”.

Ao apresentar, com rigor técnico, as exigências relativas ao exercício do poder no regime republicano, Rosa Weber desvela também a incompreensível submissão das teses jurídicas de Augusto Aras aos interesses do Palácio do Planalto. A Constituição pode e deve ser mais efetiva do que postula o procurador-geral da República. O chefe do Executivo federal não está autorizado à inércia perante a comunicação de crimes no seu governo.

O Estado de São Paulo

Tudo muda e tudo fica como está




O vai não vai de Doria foi uma lufada de esperança para a terceira via, mas durou pouco

Por Eliane Cantanhêde (foto)

O Brasil estava como o diabo gosta nesta quinta-feira, 31 de março de 2022, com o presidente Jair Bolsonaro enaltecendo a ditadura militar, despejando um palavrão contra o Supremo e acolhendo na primeira fila de convidados da cerimônia de troca de ministros o deputado Daniel Silveira, que ataca e desacata a Justiça brasileira.

São pratos e mais pratos cheios para a oposição, mas elas estão muito ocupadas, se defendendo de eternas acusações, como o PT, remoendo divisões internas, como o MDB, se estraçalhando, como o PSDB, ou insistindo no “eu sozinho”, como o PDT. Com a distância entre Bolsonaro e o petista Lula afunilando no primeiro e no segundo turno, como evitar uma debandada do centro para o bolsonarismo?

João Doria abriu o dia com um artigo se despedindo do governo de São Paulo, “para iniciar nossa caminhada rumo à Presidência da República”. Seguiu anunciando a desistência da candidatura e do PSDB. No meio da tarde, desistiu da desistência e fez um longo discurso de candidato, obviamente escrito de véspera. Ganhou força ou sobrevida?

E Eduardo Leite? A terceira via? A hora da verdade no PSDB resulta num toque de reunir do “centro”: PSDB, MDB, União Brasil e Cidadania. Mas o vai não vai de Doria foi uma lufada de esperança para uma união geral e durou pouco, o suficiente para alastrar as candidaturas de Leite e Simone Tebet (MDB). Sem Doria, o caminho estava aberto. Com o retorno de Doria, voltou a se fechar.

Já Sérgio Moro disse que não abriria mão para “candidato de 1%”, mas abriu mão do Podemos, filiou-se ao União Brasil e foi recebido com desconfiança pelos caciques. Ainda sonha com a Presidência, mas só lhe resta disputar uma vaga de deputado por São Paulo. Protagonista no Podemos, vira coadjuvante no UB e tenta garantir foro privilegiado, para “eventualidades”.

Gilberto Kassab está “fora de moda”, após quatro presidenciáveis baterem a porta na cara dele, e quem está “entrando na moda” é Luciano Bivar, que entregou o PSL para Bolsonaro em 2018, anulou o DEM ao fundir as duas siglas e faz qualquer coisa para ser vice. Não é descartado nem por Ciro Gomes, já que o UB tem Fundo Partidário, tempo de TV, ramificação nacional – um partidão, nesse inferno eleitoral.

Resultado: a quinta-feira foi mesmo como o diabo gosta, mas, soma daqui, diminui dali, as únicas novidades são que Moro está em busca de “novos caminhos” e que a redução da distância entre Bolsonaro e Lula gera uma sensação de urgência. O centro, ou terceira via, depende do PSDB, mas o que é o PSDB, quem representa o PSDB e qual será o candidato do PSDB? Ninguém sabe. 

O Estado de São Paulo

Guerra na Ucrânia: evidências apontam para crimes de guerra em estrada perto de Kiev




Há corpos e carros incendiados espalhados por este trecho da rodovia E-40 na Ucrânia

Imagens das tropas russas atirando em um homem com as mãos para cima em uma estrada nos arredores de Kiev, no início de março, foram compartilhadas no mundo todo.

Agora, os russos foram expulsos desta região, e Jeremy Bowen, da BBC, foi conferir as consequências tenebrosas de sua breve ocupação.

Atenção: Esta reportagem tem relatos que podem ser considerados perturbadores

Contamos 13 corpos em um trecho atemorizante de estrada com pouco mais de 180 metros de comprimento, entre Mria e Myla, vilarejos cujos nomes ucranianos podem ser traduzidos como "Sonho" e "Querido".

Dois dos mortos foram confirmados como sendo civis ucranianos que foram assassinados pelos russos.

Os demais ainda não foram identificados — jazem onde foram mortos —, mas apenas dois estão vestindo uniformes militares ucranianos tradicionais.

Nossa equipe da BBC conseguiu chegar ao local, na rodovia E-40, nas proximidades de Kiev, porque as forças ucranianas haviam tomado esta área apenas 10 horas antes.

As marcas dos combates e do bombardeio pesado estavam por toda parte. Postos de gasolina e um hotel conhecido por seu spa e restaurante estavam em ruínas. Buracos de projéteis e crateras cobriam ambas as vias.

Tropas ucranianas trocando um pneu nas ruínas de uma oficina à beira da estrada disseram que os russos estavam a cerca de 4 km de distância e que haviam retirado seus homens e veículos blindados após um combate árduo, que durou vários dias, nas primeiras horas da manhã.

Deixados para trás em meio ao cenário de desolação, estavam os corpos, e uma série de perguntas e preocupações sobre quem eram e como morreram.

'A BBC viu vários corpos ao longo deste trecho da rodovia, horas depois que as forças russas foram expulsas da área'

Algumas respostas já existem, no caso de um casal que foi morto pelos russos e cujos corpos foram deixados a decompor em 7 de março. Seu carro oxidado e repleto de estilhaços está na estrada ao lado de um dos postos de gasolina, reduzido a uma carcaça pelo fogo.

Ao lado dele, estão os restos mortais queimados e retorcidos de um corpo que só pode ser reconhecido como sendo de um homem. Uma aliança de casamento ainda está no dedo do cadáver. Estendido dentro da carcaça do carro, está o que resta do corpo incinerado de uma mulher, com a boca aberta no que parece ser um grito.

A morte deles foi filmada por um drone ucraniano em 7 de março, operado pela unidade Bugatti de Defesa Territorial. A unidade divulgou o vídeo, que foi republicado por veículos de notícias de todo o mundo. Causava indignação porque mostrava o assassinato a sangue frio de um homem que havia levantado os braços para mostrar que era inofensivo, fazendo o clássico gesto de rendição.

Os corpos, conforme a BBC descobriu em uma investigação, são de Maksim Iowenko e de sua esposa, Ksjena. Eles faziam parte de um comboio de 10 veículos civis que tentavam escapar dos russos e chegar a Kiev.

Enquanto dirigiam pela estrada, eles avistaram um tanque russo a postos, entrincheirado no acostamento. O vídeo do drone mostra que estava claramente marcado com a letra V, um dos elementos de identificação usados ​​pelas forças armadas russas. Os outros carros fizeram rapidamente um retorno em U e foram embora em alta velocidade. Mas o carro de Maksim parou, provavelmente porque foi atingido.

Assim que o carro parou, Maksim saltou e ergueu as mãos. Em questão de segundos, ele foi morto a tiros. Sua esposa foi morta dentro do carro. Também estavam no carro o filho de seis anos do casal e a mãe idosa de um dos amigos de Maksim. Ambos sobreviveram e acabaram sendo liberados pelos soldados russos.

Eles foram encontrados andando de volta pela estrada, e a mulher contou à família que Maksim estava gritando que havia uma criança no carro quando foi morto. Ambos os sobreviventes, de acordo com a Unidade Bugatti de drones, estão seguros agora, mas profundamente traumatizados.

O carro agora está queimado, mas não estava em chamas após o ataque. Uma hipótese é de que os corpos e o carro tenham sido incendiados pelos russos para destruir as evidências do que haviam feito. A Unidade Bugatti enviou o vídeo feito por drone às autoridades ucranianas e à Polícia Metropolitana de Londres.

Mais carros queimados e corpos podem ser avistados na estrada pelas próximas centenas de metros. Nenhum vídeo apareceu para mostrar o que aconteceu. Uma hipótese plausível para qualquer investigação deve ser de que as outras pessoas mortas foram assassinadas pelos membros do tanque ou por outros soldados russos.

'Algumas das evidências que a BBC reuniu são perturbadoras demais para serem mostradas por completo'.

Tentativas foram feitas para destruir os outros corpos. Alguns foram deixados para apodrecer onde foram mortos. Mas outros cadáveres foram empilhados e cercados por pneus. Roupas carbonizadas indicam que foram feitas tentativas de atear fogo ao redor deles. Os pneus são inflamáveis ​​e devem ter sido colocados lá como catalisador.

'Acampamento caótico'

O local onde o tanque estava entrincheirado tem um claro arco de fogo em toda a área em que os 13 corpos estão. O tanque foi embora, mas detritos foram deixados por seus homens, incluindo pacotes de ração do exército russo. Na floresta próxima, há pelo menos um outro tanque, que foi queimado após ser atingido por um míssil antitanque.

Um soldado ucraniano mostrou uma carteira que havia encontrado no tanque. Nela, havia documentos de identidade russos, notas de rublo e moedas de cobre de Belarus. A principal ofensiva a noroeste de Kiev veio de invasores que cruzaram a fronteira de Belarus, aliado de Moscou.

Perto do tanque destruído, estão os vestígios de um acampamento caótico, com trincheiras, cadeiras e uma longa mesa repleta de restos de comida e bebida. Está tudo cercado por enormes pilhas de lixo, comida estragada e garrafas vazias de bebida alcoólica. Os soldados ucranianos disseram que as lojas dos postos de gasolina foram saqueadas.

'Os soldados russos teriam saqueado postos de gasolina'

Ao lado da mesa, está um enorme par de alicates para cortar correntes. Pilhas de lixo não enterrado espalhadas em uma posição avançada geralmente são um sinal de soldados indisciplinados.

Decidimos dirigir mais dois ou três quilômetros pela estrada, depois que soldados ucranianos disseram que mais blindados russos haviam sido destruídos.

Em um pequeno vilarejo, havia um tanque russo e dois veículos blindados para transporte de pessoal avariados e queimados. Alguns dos destroços ainda fumegavam. A força da arma que destruiu o tanque explodiu sua torre e canhão principal, que estavam de cabeça para baixo e semienterrados em uma cratera a cerca de 14 metros de distância.

Nas florestas de ambos os lados da estrada, soldados ucranianos escavavam trincheiras e tocas de raposa com pás. Outros faziam patrulha. Era muito cedo para dizer se os russos tinham ido embora para sempre ou se voltariam.

O que está claro, porém, é que as forças russas, sob pressão contínua de soldados ucranianos, foram forçadas a ceder território estratégico em torno de Kiev. Cada vez que eles retrocedem, a capital ucraniana e seu povo ficam um pouco mais seguros.

À medida que os russos forem embora, é provável que apareçam mais evidências de que civis foram assassinados — respaldando as diversas histórias de incidentes do tipo.

As cenas assustadoras na estrada foram mais do que simplesmente as mortes terríveis de seres humanos que se tornaram vítimas da decisão do presidente russo, Vladimir Putin, de invadir a Ucrânia. É também uma cena de crime, com evidências que devem ser coletadas e preservadas para uma investigação assim que esta guerra terminar.

Sob as leis da guerra, os civis devem ser protegidos e, quando são mortos em desrespeito a estas leis, suas mortes equivalem a crimes de guerra.

BBC Brasil

Moscou acusa Kiev de atacar depósito em território russo




Ataque teria incendiado ao menos oito tanques de combustível da Rosneft na cidade de Belgorod, a cerca de 40 quilômetros da fronteira com a Ucrânia. Kremlin diz que ação pode afetar negociações de paz.

Moscou acusou Kiev nesta sexta-feira (01/04) de atacar solo russo – pela primeira vez desde o início da guerra contra a Ucrânia–, insinuando que a investida afetará as negociações para um acordo de paz.

De acordo com Moscou, dois helicópteros atacaram instalações de armazenamento de combustível da Rosneft na cidade de Belgorod, a cerca de 40 quilômetros da fronteira com a Ucrânia.

"Houve um incêndio no depósito de petróleo por causa de um ataque aéreo realizado por dois helicópteros do Exército ucraniano, que entraram em território russo a baixa altitude", escreveu o governador da região de Belgorod, Viacheslav Gladkov, no aplicativo de mensagens Telegram. Ele informou que não houve vítimas.

De acordo com os serviços de emergência, o incêndio se alastrou por até oito tanques de combustível, cada um deles com uma capacidade para 2 mil metros cúbicos. Uma fonte citada pela agência oficial russa Tass, afirma que o depósito de petróleo abriga um total de 27 tanques.

Negociações de paz

O Kremlin insinuou que o ataque afetará as negociações de paz. "É claro que isso não pode ser percebido como algo que crie condições confortáveis para a continuação das negociações", disse o porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov.

Novas rodadas de negociações de paz entre autoridades ucranianas e russas foram retomadas por vídeo nesta sexta-feira.

Após mais de um mês de campanha militar que reduziu partes da Ucrânia a escombros e após mais uma rodada de negociações de paz no início desta semana, Moscou afirmou que reduziria os ataques à capital Kiev e à cidade de Tchernihiv.

"Ataques poderosos"

Mas o presidente da Ucrânia, Volodimir Zelenski, afirmou em vídeo divulgado na madrugada de quinta para sexta-feira que a Rússia está consolidando e preparando "ataques poderosos" no leste e no sul do país, juntando-se a uma série de avaliações das potências ocidentais de que as tropas de Moscou estão se reagrupando.

"Isso faz parte de suas táticas", disse Zelenski. "Sabemos que eles estão se afastando das áreas onde os derrotamos para se concentrar em outras que são muito importantes, onde pode ser difícil para nós", disse, acrescentando que a situação no sul e leste do país é "muito difícil".

"Em Donbass e Mariupol, na direção de Kharkiv, o Exército russo está acumulando o potencial de ataques, ataques poderosos", alertou Zelenski.

Washington avalia a situação de maneira semelhante. Um alto funcionário da Defesa dos EUA disse que o foco da Rússia em Donbass pode ser o prenúncio de "conflito mais longo e prolongado".

Deutsche Welle

A enorme reserva de petróleo em cavernas nos EUA que será liberada em quantidade inédita




O petróleo bruto da Reserva Estratégica de Petróleo dos EUA é armazenado em um sistema de cavernas esculpidas em rocha salina

Em momentos de problemas relacionados ao petróleo, como o que surgiu com a invasão russa da Ucrânia, o governo dos Estados Unidos recorre a algumas cavernas localizadas na Louisiana e no Texas, na região sul do país.

Agora, o mercado está muito volátil devido ao conflito na Europa: os preços do barril de petróleo estão atualmente acima de US$ 139, um valor 70% mais caro do que o registrado há um ano.

Diante disso, os EUA anunciaram na quinta-feira (31/3) que vão retirar 180 milhões de barris de suas reservas, a maior quantidade da história, na tentativa de conter a alta dos preços. O uso do produto emergencial nessa escala é inédito na história da reserva norte-americana, criada em 1974.

O presidente dos EUA, Joe Biden, indicou que o petróleo bruto que será liberado ficará disponível no mercado por um período de seis meses, até que os EUA consigam aumentar a produção interna.

No início de março, o governo dos EUA e outros países da Agência Internacional de Energia indicaram que iriam extrair mais 60 milhões de barris de reservas próprias. Destes, 30 milhões virão diretamente do país norte-americano.

A Reserva Estratégica de Petróleo (conhecida como SPR na sigla em inglês) é um depósito subterrâneo tão abundante que permitiu aos Estados Unidos sustentar o consumo de combustível em tempos difíceis e contribuir com o mercado em situações como a atual.

Entenda a seguir como e por que essa reserva foi criada.

Sal e petróleo

O petróleo bruto da SPR é armazenado em um sistema de 60 cavernas subterrâneas, perfuradas em rochas salgadas que se estendem entre as cidades de Baton Rouge, na Louisiana, e Freeport, no Texas.

O sal encontrado nesses ambientes é útil para proteger o petróleo bruto, já que essas substâncias não se misturam. Esses depósitos são considerados perfeitos para o armazenamento desse material.

A reserva americana tem capacidade para armazenar mais de 700 milhões de barris de petróleo bruto. Em 25 de fevereiro, havia 580 milhões de barris estocados lá, segundo o Departamento de Energia dos EUA.

Na superfície desses reservatórios não há muito para se ver, apenas algumas saídas de poços e tubulações.

Os oleodutos se estendem por milhares de metros no subsolo. Eles também contam com quantidades de água de alta pressão, que pode ser empurrada para extrair o óleo através de um processo simples de deslocamento.

As cavernas de sal não são completamente estáveis. Às vezes, as paredes e o teto delas podem desmoronar, causando danos às máquinas, que precisam ser cuidadosamente substituídas.

A manutenção dessa estrutura, portanto, tem um custo significativo: 200 milhões de dólares por ano.

Mas, em troca, os Estados Unidos saíram vitoriosos em vários incidentes que envolveram interrupções na importação de petróleo.

O país poderia, inclusive, passar vários meses sem outras fontes de petróleo caso isso se mostre necessário.

'Em 1974, o embargo do petróleo causou escassez de gasolina nos Estados Unidos'

Como foi criado?

O depósito foi construído na década de 1970 após a crise econômica causada pelo embargo de petróleo que os países árabes impuseram aos governos das nações que apoiaram Israel durante a Guerra do Yom Kippur, em 1973.

Como consequência dessa interrupção no fornecimento, os preços do petróleo bruto quadruplicaram em 1974 e houve problemas de escassez de combustível nos Estados Unidos.

As pessoas tinham que ficar em longas filas para reabastecer os carros. Alguns temiam que a gasolina que tinham fosse roubada e começaram a se proteger portando armas de fogo.

E parte da infraestrutura industrial dos EUA — projetada para funcionar com combustível barato — foi levada à beira da obsolescência.

Foi assim que a ideia dessa reserva estratégica surgiu em 1975. O objetivo era proteger os Estados Unidos dos altos e baixos do mercado mundial de petróleo.

A SPR cumpriu essa função durante a Guerra do Golfo em 1991 e após o furacão Katrina em 2005, que, ao afetar parte da infraestrutura energética norte-americana, fez com que o petróleo da reserva estratégica fosse utilizado para suprir as necessidades nas regiões mais afetadas.

BBC Brasil

"Tchernihiv já vive um desastre humanitário"




Desde o início da guerra da Rússia contra a Ucrânia, a cidade de Tchernihiv tem sido constantemente bombardeada. Moradores contam como sobrevivem em meio aos ataques e à falta de água, alimentos, e eletricidade.

Por Anastasia Shepeleva

Bombardeios 24 horas por dia, falta de alimentos e água, sem comunicação e esperança de evacuação − este é cotidiano da população de Tchernihiv, no norte da Ucrânia. A cidade está ameaçada de enfrentar o mesmo destino da Mariupol sitiada. Os residentes de Tchernihiv pedem ao mundo que não esqueça deles e que noticie sobre o que o Exército russo está fazendo a uma das cidades mais antigas da Ucrânia.

A DW entrevistou três moradores de Tchernihiv, cujos nomes foram alterados por razões de segurança. Eles descrevem o que estão vivenciando:

Olena: "Era como se aviões voassem diretamente sobre minha cabeça"

"Em 24 de fevereiro, o dia do ataque russo, eu estava em Kiev com meu namorado, mas voltei para Tchernihiv porque toda a minha família está lá. Esta é minha casa, minha cidade, que eu amo. Percebi que eu estava dirigindo diretamente em direção aos tanques russos. Eu chorei quase o tempo todo.

Quando cheguei e saí do carro, ouvi o bombardeio, que ficava cada vez mais alto. Logo na primeira noite tivemos de nos refugiar no porão do nosso prédio, as janelas tremiam.

Por não conseguir tomar a cidade, as tropas russas aterrorizavam Tchernihiv. Projéteis caíam constantemente perto de nossa casa. Eu só conseguia dormir de três a quatro horas. Mais tarde, nos mudamos completamente para o porão, porque não era mais possível ficar no apartamento. Por causa da tensão, eu ficava o tempo todo tremendo, mesmo nos poucos momentos de silêncio.

Em 1º de março, as tropas chegaram bem mais perto da cidade e os bombardeios se tornaram ainda mais intensos. Tínhamos medo de ir para fora. Apenas uma vez, mesmo sob os bombardeios, fui a uma loja e à farmácia.

Comemos os suprimentos que tínhamos. Levantávamos às 4 da manhã, porque nesse horário ainda estava tudo relativamente calmo. Cozinhávamos rapidamente: trigo sarraceno ou macarrão. Geralmente comíamos no porão por causa do alarme aéreo.

Nos últimos dias que passamos na cidade, dormimos no apartamento. O porão não podia mais ser trancado, e havia rumores de que os sabotadores russos poderiam usar civis como escudos. Eu dormia com uma faca de cozinha e uma lanterna no bolso. Já havia relatos de casos de estupro de mulheres em Kherson.

Mas também era insuportável ficar no apartamento. Os aviões de combate russos voavam muito baixo sobre nosso bairro. Ficamos no corredor, com almofadas na cabeça, mas mesmo assim o barulho era tão alto, como se os aviões voassem diretamente sobre minha cabeça. Esse sentimento de desamparo e pânico é terrível.

Nosso prédio fica na periferia da cidade, e eu sabia que estaríamos sob fogo se as tropas russas avançassem um pouco mais. O fornecimento de eletricidade e água foi interrompido. Então, felizmente, um amigo que está na Defesa Territorial conseguiu convencer minha mãe a fugir comigo.

Em 5 de março, logo após o toque de recolher, deixamos Tchernihiv, apesar de uma proibição por parte das autoridades locais e apesar de um alerta aéreo. Tive contato com voluntários que conheciam rotas de fuga mais ou menos seguras. Logo no dia seguinte, não teríamos mais podido seguir esse caminho.

Mesmo depois de muitos dias em um lugar mais ou menos seguro, o barulho dos aviões ainda está nos ouvidos de minha mãe. Nós duas reagimos a cada som. A primeira vez que ouvi uma sirene após a fuga, eu quis me esconder debaixo da cama. Entretanto, fiquei mais calma, mas a situação na Ucrânia e em Tchernihiv, onde ainda temos parentes que não querem partir, ainda nos preocupa.

Meu irmão e minha avó estão doentes porque estão sem aquecimento e a casa deles está muito fria. Eles economizam a bateria de seus telefones celulares e só os ligam por alguns minutos para entrar em contato conosco. A sensação de abandono e de não ter informações é muito deprimente para eles. Nós lhes contamos as notícias. Tento convencê-los a sair enquanto podem, porque Tchernihiv pode se tornar uma segunda Mariupol. Mas eles não querem ir embora. Dizem que as pessoas de alguma forma sobreviveram à Segunda Guerra Mundial, e que também sobreviverão a esta guerra."

Dmytro: "Suspeito que já tenhamos mortes por fome"

No início da guerra, Dmytro estava em uma vila perto de Tchernihiv, onde os combates eclodiram rapidamente. Após dois dias escondido no porão, ele conseguiu fugir com a família para a cidade, que em tempos de paz tinha 285 mil habitantes. Ali, junto com amigos, Dmytro fundou uma iniciativa voluntária que fornece alimentos e remédios.

"A cada dia que passa, a situação na cidade fica mais difícil. As tropas russas destruíram metade da cidade − instalações esportivas, bibliotecas, escolas, monumentos e edifícios civis. Os aviões bombardeiam constantemente, como se tivessem um cronograma.

Cerca de 100 mil civis ainda estão na cidade, em sua maioria aposentados. Eles podem ser vistos nas ruas, embora seja perigoso caminhar pela cidade. Quem se adaptou à situação, leva cães para passear ou lê livros ao ar livre. Mas também há pessoas que não conseguem sair dos porões. Muitos têm problemas psicológicos, mas não há ajuda. Há também muitas pessoas acamadas.

A eletricidade e o aquecimento há muito tempo estão desligados e há muito pouca água. As pessoas coletam a água da chuva ou esvaziam radiadores do aquecimento. Há também grandes problemas com alimentos e comunicação, já que os celulares não podem ser carregados.

Na verdade, um desastre humanitário já começou há muito tempo em Tchernihiv. A cidade está completamente sitiada desde que as pontes foram explodidas. Algumas lojas estão abertas, mas as prateleiras estão vazias e os preços estão altos. No início, as pessoas ainda podiam comprar leite, carne, ovos, mas agora só anseiam por um pedaço de pão e um copo de água. Também recebemos muitos pedidos para ir a certos endereços para ver se os parentes ainda estão vivos.

Minha equipe compra tudo das lojas para que tenhamos algo em estoque. Há muitos relatos de pessoas que passam fome. Fico com lágrimas nos olhos quando leio esses pedidos de ajuda. Suspeito que já tenhamos mortes por fome. Felizmente, recentemente chegamos a um acordo com uma padaria que nos fornecerá mil pães por muito dinheiro. Penso que isso também será possível no futuro. Algumas farmácias ainda estão abertas, mas há grandes problemas com medicamentos.

Também recebemos solicitações para ajudar a cavar sepulturas. O cemitério está funcionando, e é possível enterrar as pessoas de forma civilizada. A extensão das baixas civis é difícil de estimar. Muitos mortos ainda estão sob os escombros.

Tchernihiv tem sorte com médicos. Apesar das condições difíceis, eles trabalham duro e realizam até mesmo cirurgias complicadas. Muitas pessoas que ainda estão na cidade entram em contato conosco para se informar como fugir. Mas a evacuação é impossível no momento.

Oleksandr: "A guerra é algo muito terrível"

"Em 24 de fevereiro, às 4h30 da manhã, soou uma sirene, ouvi duas explosões estrondosas e senti tremores. Pessoas com crianças e animais entraram em seus carros e saíram com poucos pertences. Mas nosso carro foi danificado pela onda de choque de uma explosão.

'A Biblioteca Científica Universal Regional foi danificada por um bombardeio em Tchernihiv no dia 30 de março'

Centenas de carros faziam fila nos postos de combustíveis. Em geral, houve pânico na cidade durante os primeiros dias da guerra. Havia filas para alimentos, produtos de limpeza e todos os tipos de necessidades básicas como lanternas, telefones, carregadores portáteis para celulares.

No 34º dia da guerra, a maioria das pessoas havia deixado Tchernihiv. Não houve um corredor de fuga oficial. Todas as estradas arteriais estão sitiadas. Nenhuma ajuda humanitária está chegando. As conservas de alimentos e vegetais são agora a salvação.

Só há água potável em algumas partes da cidade. Ela é trazida e distribuída em caminhões-pipa, mas também há poços. Não há eletricidade, apenas através de geradores, mas estes são alimentados por combustível, que é escasso. O gás ainda está disponível, mas não em todos os lugares. As pessoas preparam seus alimentos nos quintais em lareiras. Por causa da falta de água, são cavados buracos para serem usados como banheiros.

As sirenes não funcionam na cidade há duas semanas, provavelmente por causa da falta de eletricidade. A periferia da cidade tem estado sob fogo constante de artilharia há duas semanas. Não consigo me lembrar de um dia em que não tenha havido uma explosão em Tchernihiv.

Quando o pânico inicial diminuiu, entrou-se em um modo de sobrevivência. Devido a uma deficiência, sou inapto para o serviço militar, por isso me tornei voluntário. Distribuo bens de primeira necessidade às pessoas. Com a ocupação, os dias passam mais rápido. Isso ajuda a manter a cabeça fria e evita a depressão.

A guerra é algo muito terrível. Esta frase pode soar banal, mas quem não sente a guerra na própria pele não sabe realmente como essa frase é verdadeira."

Deutsche Welle

No 37º dia da guerra, ataque a depósito de combustível russo




Moscou disse que helicópteros ucranianos realizaram ataque, negado por Kiev. Presidente da Ucrânia vê recuo "lento mas perceptível" de tropas russas no norte do país. Tentativa de evacuação em Mariupol fracassa.

A guerra na Ucrânia nesta sexta-feira (01/04), 37º dia desde o início do conflito militar, foi marcada pelo ataque a um depósito de combustível da estatal russa Rosneft. O local fica no território da Rússia, na cidade de Belgorod, a cerca de 40 quilômetros da fronteira com a Ucrânia, e serve de centro logístico para as forças russas.

Moscou acusou Kiev de ter conduzido o ataque, realizado por dois helicópteros, e indicou que a investida afetaria as negociações par um acordo de paz. A Ucrânia negou ter responsabilidade pelo incidente.

Um relatório de inteligência do Ministério da Defesa do Reino Unido afirmou que o ataque provavelmente teria repercussões negativas para a logística de guerra russa, em especial o suprimento de combustível para tropas que cercam a cidade ucraniana de Kharkhiv.

Tentativa de evacuação em Mariupol fracassa

Novos esforços para enviar comboios humanitários à cidade de Mariupol, no sudeste ucraniano, falharam nesta sexta-feira, segundo a Cruz Vermelha da Ucrânia. Olena Stokoz, diretora da organização, afirmou à DW que seus veículos foram impedidos de prosseguir por soldados russos quando estavam na cidade de Berdyansk, a cerca de uma hora de Mariupol.

Porém, a Cruz Vermelha conseguiu evacuar moradores de Mariupol que, por conta própria, já tinham conseguido chegar a Berdyansk. Stokoz disse ainda que a Cruz Vermelha não tinha notícias de alguns de seus integrantes e voluntários em Mariupol e não tinha certeza se eles estavam vivos.

"Infelizmente, a situação em Mariupol está piorando a cada dia. Não temos nenhuma notícia de nosso pessoal em Mariupol há mais de uma semana", afirmou.

O plano inicial era que os veículos da Cruz Vermelha fariam a escolta de dezenas de carros e ônibus que tirariam milhares de civis da cidade. Representantes da Rússia e da Ucrânia já chegaram a um acordo sobre o corredor humanitário, mas não está claro se a mensagem foi recebida pelas tropas na área.

Russos recuam no norte, mas atacam leste e Odessa

O presidente ucraniano, Vladimir Zelenski, afirmou que os militares russos estavam recuando no norte do país, de forma "lenta mas perceptível". Porém, ele disse que a situação no leste ainda estava "extremamente difícil", e afirmou que a Rússia estava preparando novos ataques nas regiões de Donbass e Kharkiv.

No início da semana, a Rússia havia dito que iria reduzir parte de suas operações militares na Ucrânia, nas áreas de Tchernihiv e Kiev, o que foi recebido com ceticismo por Kiev e países do Ocidente.

Uma autoridade ucraniana também relatou à agência de notícias Associated Press que pelo menos três mísseis balísticos russos atingiram a cidade de Odessa nesta sexta-feira, onde fica o maior porto da Ucrânia e a sede de sua Marinha. Segundo o relato, os mísseis foram disparados a partir da Península da Crimeia, que a Rússia controla desde 2014, e houve vítimas.

Presidente do Parlamento da UE em Kiev

A presidente do Parlamento da União Europeia (UE), Roberta Metsola, chegou a Kiev nesta sexta-feira. Ela é a primeira autoridade do primeiro escalão do bloco a ir à Ucrânia desde a invasão russa.

Ao chegar à capital ucraniana, Mestola tuitou uma foto abraçando o presidente do Parlamento da Ucrânia, Ruslan Stefanchuk, e escreveu: "Estou em Kiev para dar uma mensagem de esperança".

Em um pronunciamento, Mestola fez três promessas. "Primeiro, a invasão criminosa de [Vladimir] Putin na Ucrânia coloca a Rússia em confronto direto com a Europa, a comunidade internacional e a ordem mundial baseada em leis. Isso não é algo que deixaremos que ele faça sem ser confrontado", disse.

"Segundo, a União Europeia reconhece as suas ambições europeias e sua aspiração de ser um país candidato [para aderir ao bloco]. E vocês podem contar com o apoio total do Parlamento da UE para alcançar esse objetivo."

"Terceiro, nós vamos ajudá-los a reconstruir suas cidades e vilas quando esta guerra ilegal, não provocada e desnecessária tiver acabado. Já fornecemos assistência financeira, militar e humanitária. Isso irá continuar e aumentar", afirmou.

Cúpula UE-China trata da Ucrânia

Os principais líderes da União Europeia reuniram-se nesta sexta-feira por videoconferência com líderes da China para discutir assuntos urgentes, incluindo a guerra na Ucrânia.

Participaram da cúpula o presidente chinês, Xi Jinping, o primeiro-ministro do Conselho de Estado da China, Li Keqiang, a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, o presidente do Conselho Europeu, Charles Michel, e o chefe da diplomacia da UE, Josep Borrell.

Em sua fala, Xi apelou para que a UE e a China "evitem repercussões da crise". Li disse que Pequim "se opõe à divisão em blocos e a tomar um lado", relatou um diplomata chinês à agência de notícias alemã DPA. Segundo a emissora estatal chinesa CCTV, ele também afirmou que a China está fazendo esforços pela paz "à sua própria maneira".

Von der Leyen afirmou: "Deixamos muito claro que a China deveria, senão apoiar, pelo menos não interferir nas nossas sanções [contra a Rússia]". Ela também disse a Pequim que o apoio à invasão russa "causaria grandes danos à reputação" da China na Europa. A chefe da Comissão Europeia afirmou ainda que a UE não tinha recebido nenhuma garantia explícita da China sobre esse assunto.

A China tem oferecido apoio político a Moscou e à narrativa de que os Estados Unidos, países europeus e a Otan seriam os responsáveis pela guerra que a Rússia está promovendo na Ucrânia. A UE discorda frontalmente dessa avaliação e espera usar sua influência e poder econômico para influenciar a China a mudar de rumo.

Daniela Schwarzer, diretora executiva da Open Society Foundations na Europa e Eurásia, disse à DW que esse conflito poderia reverberar de muitas maneiras. "Se a China se envolver nesta guerra, haverá um debate totalmente novo sobre sancionar a China, o que sairia muito caro para a Europa", afirmou. "A UE precisa da China de várias maneiras".

Os investimentos e o comércio compõem o aspecto econômico. Mas desafios globais maiores, como as mudanças climáticas, exigem a cooperação dos Estados Unidos e da China, apontou.

Deutsche Welle

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