terça-feira, fevereiro 01, 2022

Olavo de Carvalho ficou no lado burro da cultura ocidental e desconfiava da democracia

Publicado em 1 de fevereiro de 2022 por Tribuna da Internet

Diário do Centro do Mundo - A crise entre Olavo de Carvalho e os militares. Charge de Zé Dassilva (@ze_dassilva). . . . . . . . . . . . . . . . #DCM #diariodocentrodomundo #militares #olavodecarvalho #bolsonaro #governobolsonaro | Facebook

Charge de Zé Dassilva (NSC Total)

Celso Rocha de Barros
Folha

Em um dado momento da vida, Olavo de Carvalho resolveu ir morar no lado burro da cultura ocidental. Tornou-se politicamente influente quando o Brasil se tornou seu vizinho. Se Olavo de Carvalho tivesse morrido, digamos, em 2001, talvez tivesse entrado para a história como um agitador cultural de certo interesse.

Já tinha defeitos seríssimos, mas formou alguns alunos bons, que depois abandonaram seu grupo. Divulgava autores conservadores que podem ter sido importantes para os jovens conservadores dos anos 90. Escrevia bem.

CONSPIRACIONISMO – No começo dos anos 2000, Lula foi eleito presidente e Olavo foi morar nos Estados Unidos, em circunstâncias estranhíssimas. A partir daí, sua inserção no debate brasileiro muda. Conforme o PT se fortalece, aumenta a demanda por ideias que descrevessem o PT como um participante ilegítimo da democracia brasileira (um braço do Foro de São Paulo, por exemplo). E Olavo adquire o repertório do conspiracionismo reacionário americano, que exacerba seus piores defeitos.

Como divulgador dos influencers da extrema direita americana, conquistou uma audiência razoável na internet brasileira. Se tivesse ficado só nisso, já teria causado algum dano ao nosso debate público. Mas, sejamos honestos, os alunos do “Curso Online de Filosofia” já eram burros antes da matrícula.

Olavo só veio para a primeira divisão em 2018, quando o Brasil caiu para a última. O bolsonarismo adotou o olavismo como ideologia oficial do movimento. Era importante ter uma ideologia oficial, fosse qual fosse. Bolsonaro queria ter um movimento seu, pessoal, que o ajudasse a não ser controlado pelos militares que o cercavam.

BOLHA SECTÁRIA – O sectarismo de Olavo foi instrumental para isolar os bolsonaristas em uma bolha relativamente isolada da discussão (e das denúncias) da grande mídia.

No meio bolsonarista, Olavo floresceu: nunca houve a menor possibilidade de alguém no bolsonarismo saber que ele estava errado sobre Kant, Marx ou Rorty. O atual ministro da Cultura estava na novela “Mutantes”, da TV Record. Se Olavo lhe dissesse que Heidegger era uma das Paquitas, o ministro acreditaria.

E foi assim que um sujeito em franca decadência intelectual, que achava Isaac Newton burro e não sabia se a terra era plana ou esférica, indicou, não um, mas dois ministros da Educação brasileiros, além do pior chanceler do mundo.

NEGACIONISMO – As ideias dos extremistas americanos que Olavo trouxe para o Brasil tiveram evidente influência na atitude negacionista do bolsonarismo diante da pandemia. Olavo defendia um golpe militar abertamente desde o impeachment de Dilma.

E agora morreu Olavo, depois de anos ensinando a direita brasileira a desconfiar da democracia e da ciência. O que devemos nos perguntar é: como o Brasil decaiu a ponto de Olavo ter se tornado mais influente à medida que se deixava degenerar intelectual e moralmente? Por que não houve uma resposta de direita racional à crise do petismo? A direita brasileira é poderosa demais para ter que se preocupar com bons argumentos?

Havia defeitos nas ideias de esquerda que facilitaram a proliferação de respostas tão ruins? Em que momento nos tornamos incapazes de falar sobre nossos problemas e começamos a delirar? E, sobretudo: como se sai desse sonambulismo?


Federação das esquerdas avança na teoria burocrática, mas não existe na prática

Publicado em 1 de fevereiro de 2022 por Tribuna da Internet

Cláusula é alento, mas quadro só fica positivo em 2030 - Focus.jor | O que importa primeiro

Charge do Genildo (Arquivo Google)

Julia Chaib e Danielle Brant
Folha

Na noite desta segunda-feira (dia 31), os presidentes de PT, PSB, PCdoB e PV tiveram uma reunião para discutir, mais uma vez, a formação de uma federação partidária neste ano. Em nota conjunta, Carlos Siqueira (PSB), Gleisi Hoffmann (PT), José Luiz Pena (PV) e Luciana Santos (PCdoB) afirmaram  que “dirigentes e assessores jurídicos dos quatro partidos prosseguiram o debate dos aspectos jurídicos e estatutários do projeto, que havia sido iniciado na última quarta-feira”.

“Nova reunião será realizada no próximo dia 9, em Brasília, após a realização de consultas e debates internos em cada partido”, informa a nota oficial.

Os partidos deliberaram que as decisões a serem tomadas pela federação terão de ser decididas por dois terços dos membros que vão compor a assembleia. Os partidos vão levar o assunto para as respectivas executivas e semana que vem haverá nova reunião das cúpulas partidárias.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – 
Em tradução simultânea, a federação dos partidos de esquerda está encruada, como se dizia antigamente. Os presidentes das legendas discutem apenas as medidas burocráticas internas, mas o acordo político ainda está longe de ser alcançado. Sem a conciliação dos interesses de cada partido nas eleições estaduais, as federações podem até existir na teoria, mas na prática, nada feito. Ou seja, o ministro Luís Roberto Barroso, presidente do TSE, precisa cumprir a lei e permitir que as coligações sejam fechadas até 5 de agosto, conforme foi aprovado no Congresso e sancionado pelo Presidente da República. (C.N.)

Comandante da FAB diz que militares prestarão continência a Lula ou a quem se eleger presidente em outubro

Publicado em 1 de fevereiro de 2022 por Tribuna da Internet

“A política não entrará nos quartéis”, diz comandante da FAB

Pedro do Coutto

Numa longa entrevista a Igor Gielow, manchete principal da edição de ontem da Folha de S. Paulo, o brigadeiro Carlos de Almeida Baptista Junior, comandante da FAB, afirmou que os militares vão prestar continência a Lula ou a qualquer outro candidato que for vitorioso nas urnas de outubro deste ano.

“Prestaremos continência a qualquer comandante supremo das Forças Armadas, sempre”, frisou.”Como comandante da FAB, sempre coloquei a posição apartidária da Força. Uma coisa é falar de política. Outra, de política partidária”, acrescentou. A declaração é uma das mais importantes, sobretudo porque ele assinala que “cada um de nós faz um juramento voltado para a defesa da pátria, defesa da honra, integridade e fidelidade, à Constituição e às instituições democráticas”.

APARTIDÁRIO – Perguntado pelo repórter por qual motivo era considerado o mais bolsonarista dos comandantes militares, afirmou que não sabia de onde tiraram essas conclusões. “Como comandante da FAB, sempre ratifiquei o caráter apartidário da Força que é uma instituição de Estado. Não entrarei nessa avaliação”, disse.

O comandante acentuou que não se colocou contrariamente à CPI do Senado, presidida por Omar Aziz, mas apenas assinou o documento com os outros dois comandantes militares, do Exército e da Marinha, contestando a generalização de críticas feitas ao segmento militar, uma vez que estava colocada a integridade das instituições.

O pronunciamento do brigadeiro Baptista Junior, sem dúvida alguma, vai repercutir intensamente, inclusive porque, na minha opinião, a candidatura de Lula é citada expressamente, enquanto a continência a ser prestada ao presidente da República focaliza a questão de forma genérica. Tenho a impressão que o brigadeiro Baptista Júnior inspirou-se no resultado das pesquisas mais recentes do Datafolha e do Ipec.

DIREITO DO JORNALISMO –  O brigadeiro sustentou que quando alguém ataca a mídia, cria uma situação muito ruim. Da mesma forma, atacar um repórter que pode errar. Acentuou indiretamente que a atmosfera que envolve o Jornalismo e os jornalistas é muito diferente da que serve para as atividades militares.

A crítica aos que se voltam contra a imprensa, sem dúvida, tem uma direção certa de qualquer forma: o presidente Jair Bolsonaro e o Palácio do Planalto. Condenou também ameaças feitas por quem tem a posse de armas. “Homem armado não faz ameaça”, afirmou.

Relativamente à posição de militares do governo, Baptista Junior lembra que Fernando Henrique Cardoso convocou pessoas das universidades, enquanto o ex-presidente Lula da Silva convocou sindicalistas. “Assim, o presidente Bolsonaro trouxe para o governo pessoas de sua confiança”, destacou.

POLARIZAÇÃO – “Receio que a nossa sociedade esteja muito dividida e polarizada, isso é ruim para o futuro já que estamos chegando a um nível de incapacidade de compreender uma visão diferente e isso se reflete na disputa política. A FAB e as Forças Armadas, tenho certeza, se manterão dentro de sua destinação constitucional e não tomarão partido, pois a política não entrará em nossos quartéis. Não há qualquer indicação por parte do comando da Força Aérea”, acrescentou.

A entrevista foi dividida em blocos formada por perguntas e respostas. O comandante da FAB acrescentou que mantém a tropa informada de forma aberta. “Inclusive, no ano eleitoral, essa preocupação tem de ser enfatizada,  pois nós militares somos cidadãos brasileiros”, disse.

PRESSÃO – Fernanda Brigatti, em reportagem também na edição de ontem da Folha de S. Paulo, destaca que diversas empresas sediadas em São Paulo, como é o caso de confecções, têm pressionado trabalhadores, mesmo atingidos de forma branda pela Covid, a não se afastarem do emprego. É um absurdo, acentua a repórter, sobretudo porque a presença  de pessoas atingidas pela Covid eleva o processo de contaminação. Da mesma forma, por exemplo, do que ocorreria com o Carnaval e o desfile das Escolas de Samba.

O procurador Geral do Trabalho, José de Lima Ramos Ferreira, condenou a ação desses empregadores afirmando que a principal tarefa que tem é cumprir a lei. Em matéria de descumprimento da lei, acentuo, temos o exemplo divulgado no Fantástico de domingo, TV Globo, sobre a existência de trabalho escravo em fazendas no interior de São Paulo. Se no interior de São Paulo ocorre resistência à escravidão abolida há 134 anos, imaginem no interior de Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais e outros estados. O problema social vem assumindo uma escala de extrema gravidade.

Gonçalo Junior, o Estado de S. Paulo de ontem, revela que os moradores de rua na cidade de São Paulo, de 2021 em relação a 2020, cresceram 8%. São agora 28% do grupo urbano envolto na condição de pobreza extrema.

Supremo abre o ano com julgamentos cruciais para a eleição, incluindo o impasse sobre Bolsonaro

Publicado em 1 de fevereiro de 2022 por Tribuna da Internet

TRIBUNA DA INTERNET | Supremo, mas nem tanto, está curvado aos “coronéis”  da política

Charge do Bessinha (Conversa Afiada)

Mariana Muniz
O Globo

O Supremo Tribunal Federal (STF) retoma as atividades e sessões de julgamentos nesta terça-feira em meio aos preparativos para o ano eleitoral e envolto em embates com o presidente Jair Bolsonaro (PL), que na última sexta-feira descumpriu ordem judicial dada pelo ministro Alexandre de Moraes ao se recusar a prestar depoimento à Polícia Federal.

Na pauta estão assuntos cruciais para o meio político, como federações partidárias e fundo eleitoral, além de assuntos polêmicos, como rachadinhas e operações policiais em favelas do Rio durante a pandemia.

SESSÃO VIRTUAL – Na sessão que marca a abertura do ano Judiciário, o presidente da Corte, ministro Luiz Fux, deverá fazer um discurso pedindo prudência no ano eleitoral — um reflexo da expectativa de acirramento de ânimos com a proximidade da campanha.

A solenidade será feita por videoconferência em razão das novas medidas de restrição adotadas pelo STF diante do aumento de casos de Covid-19, e deve contar com a presença de Bolsonaro e dos presidentes do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), e da Câmara, Arthur Lira (PP-AL).

Na última sexta-feira, a Advocacia Geral da União (AGU) pediu para o plenário do STF examinar o despacho do ministro Moraes que determinava o interrogatório de Bolsonaro no inquérito que apura o vazamento de documentos sigilosos de investigação sobre um ataque hacker ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Moraes rejeitou o pedido e manteve a obrigação do depoimento.

QUESTÕES ESSENCIAIS – Além do impasse jurídico com Bolsonaro, que aumenta as tensões entre o STF e o presidente, o tribunal estará no centro das atenções do mundo político ao julgar questões essenciais para a disputa eleitoral deste ano.

Na próxima quinta-feira, por exemplo, está marcado o julgamento da ação proposta pelo PTB que questiona a constitucionalidade das federações partidárias.

O Globo apurou que os ministros devem manter, na linha do que foi definido pelo ministro Luís Roberto Barroso em uma liminar de dezembro, a validade da união das legendas que, pelo mecanismo, precisam permanecer juntas por pelo menos quatro anos.

PT PEDE PRAZO – O instrumento das federações é vital principalmente para os partidos menores, que correm o risco de não ultrapassar a cláusula de barreira e, assim ficar sem acesso a recursos públicos e a tempo de propaganda na TV.

O PT, que negocia uma federação com o PSB, pediu a Barroso mais prazo para a formação das federações. Ele determinou que esse tipo de união deve ser constituída até seis meses antes das eleições, ou seja, abril.

Pela lei aprovada no Congresso, o prazo era até dois meses antes do pleito. Além de PT e PSB, estão empacadas as conversas entre PSDB e Cidadania, assim como os diálogos de PDT, Avante e Rede, e PCdoB, PV, PSOL.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Esta petição do PT terá de ser atendida. A lei é clara e permite federações até 5 de agosto. Mas Barroso decidiu descumprir a lei e reduziu o prazo para 2 de abril, mostrando a bagunça jurídica que reina no país. (C.N.)

Jeremoabo continua na contramão de tudo

 


Só queria entender qual o motivo de muitas cidades circunvizinhas que sabem o valor de uma professor já haver pago o reajuste de direito dos professores; porém Jeremoabo com mais condições do que muitos desses municípios, sonega a pagar o que é de direito, ou seja. não é favor nem bondade, é obrigação.

Quando o prefeito não cumpre a lei só existem dois caminhos para resolver, a Câmara de Vereadores e a Justiça; como a Câmara já vem demonstrando omissão, só resta mesmo a Justiça.

Algumas cidade da região que respeitam a Lei e cumprem com sua obrigação:

Antas - o Prefeito de Nível Superior - implantou o reajuste

Canudos - Prefeito Nível Superior    -   Idem

Adustina -  Desconheço Formação    -   Idem

Fátima     -         "                 "             -   Idem

Cícero Dantas - Nivel Superior          -   Idem

Prefeito de Jeremoabo - Sem Formação -  Sem implantar o reajuste. 


Prefeitos desmoralizam CNM e pagam reajuste

31/01/2022

Cresce bastante o número de gestores que já começou a pagar a atualização salarial obrigatória dos professores em 2022. Em algumas localidades, percentual tem sido acima de 33,23%.


Pagamento é possível porque recursos do Fundeb têm crescido bastante e 70% devem ser aplicados de forma direta nos salários dos profissionais da Educação. Imagem: aplicativo Canva.
Pagamento é possível porque recursos do Fundeb têm crescido bastante e 70% devem ser aplicados de forma direta nos salários dos profissionais da Educação. Imagem: aplicativo Canva.

Educação | Para desespero de Paulo Ziulkoski, chefão radical da CNM, cresceu bastante o número de prefeitos que decidiu cumprir a lei e pagar o reajuste obrigatório de 33,23% aos professores. Em algumas localidades, percentual tem sido acima do estipulado e chega a até 35%. 

Leia também: 


Lista cada vez aumenta mais

Temos recebido informações de todo o Brasil sobre prefeitos que decidiram cumprir o reajuste de 33,23%. Lista só cresce e traz até surpresas, como é o caso dos gestores que vão acima do estipulado pela lei do piso. Em Capitão de Campos e Amarante, por exemplo, índices foram de 34% e 35%, respectivamente. Dois municípios são do interior do Piauí.

Outro prefeito no Piauí paga também acima do estipulado

Notícia no site oficial da cidade de Oeiras-PI (27) informa que o prefeito Zé Raimundo anuncia também reajuste acima do piso nacional. Segundo a matéria, o valor do piso dos professores efetivos em 2022 será R$ 3.864,24 — superior ao piso nacional, que é de R$ 3.845,63.

Não iniciar ano letivo

Muitos docentes defendem não iniciar o ano letivo nos estados e municípios onde o reajuste de pelo menos 33,23% não for pago. Corretíssimo, em nossa opinião.

https://www.deverdeclasse.org/

 


Bolsonaro e seus acólitos estúpidos destroem saúde pública impunemente

 




A Justiça precisa punir os criminosos que atentam contra a saúde pública. Se continuar de braços cruzados, tem que explicar para a sociedade por que razão não o faz.

Por Drauzio Varella (foto)

No último fim de semana fui convidado a participar de um abaixo-assinado redigido por professores da USP, em repúdio a um documento do Ministério da Saúde que teve o descaramento de insistir na farsa da eficácia da hidroxicloroquina, característica que faltaria às vacinas, segundo eles.

Assinei, claro, como o fizeram 45 mil colegas nas primeiras 24 horas.

Apesar da adesão em massa, estou certo de que será mais uma ação incapaz de alterar o rumo das políticas adotadas por um ministério desmoralizado, comandado por um lambe-botas incompetente, com credibilidade abaixo de zero, que envergonha a nossa profissão sob o olhar subserviente do Conselho Federal de Medicina.

Há um ano, jornalistas, médicos e cientistas aparecem nos meios de comunicação de massa para repetir à exaustão que as vacinas são seguras e protegem contra as formas graves da doença, afirmações defendidas por todas as sociedades médicas. Não conheço um único médico com um mínimo de formação científica que conteste a necessidade de vacinarmos a população; os que atacam as vacinas na internet ou no governo são ignorantes, curtos de inteligência ou mal intencionados, não há quarta alternativa.

Em contraposição, o ministro e seus auxiliares encarregados do trabalho sujo fazem o possível para desacreditar a vacinação e semear dúvidas sobre a segurança das preparações aprovadas pela Anvisa, uma das agências mais respeitadas do mundo.

O empenho em confundir o povo é tão grande que o ministro da Saúde, acompanhado da ministra que teve o privilégio de receber Jesus no alto de uma goiabeira, viajaram para Lençóis Paulista decididos a explorar o caso de uma menina que teve parada cardíaca horas depois de receber a vacina.

A ministra se apressou a divulgar a “suspeita” pelo Twitter, sem mencionar que o laudo médico já havia concluído que o episódio não guardava relação com a vacina. Na mesma plataforma, o ministro curtiu a mensagem da colega.

Para completar o show de horrores e de oportunismo rasteiro, o próprio presidente da República se deu ao trabalho de telefonar para os familiares da criança, em contraste com o desprezo às 623 mil famílias brasileiras que perderam entes queridos na pandemia.

Enquanto na Inglaterra o primeiro-ministro pode cair por causa de uma festinha que contrariou as recomendações oficiais de isolamento social, no Brasil, o presidente, o ministro da Saúde e seus acólitos escolhidos a dedo nas catacumbas da estupidez humana conspiram contra a saúde pública sem que nada lhes aconteça.

Essa pandemia é mais prolongada do que esperávamos. A variante ômicron se dissemina numa velocidade impressionante. Em mais de 50 anos de medicina nunca vi virose tão contagiosa. Os mais velhos diziam que a varíola era assim, mas não cheguei a ver porque a vacinação varreu o vírus da face da Terra.

Não podemos nos iludir, essa variante não vai nos imunizar coletivamente. Tenho vários pacientes que tiveram Covid, receberam as três doses da vacina e adoeceram outra vez nas últimas semanas, embora com sintomatologia discreta.

Se a doença provocada pelas variantes anteriores não produziu níveis de anticorpos suficientes para evitar a infecção pela ômicron, que certeza pode haver de que não emergirá uma nova cepa capaz de driblar a imunidade induzida por ela? O SARS-CoV-2 permanecerá entre nós.

Quanto mais contagiosa for a variante e mais pessoas não vacinadas disseminarem o vírus, mais tempo ele terá para sofrer novas mutações.

Enfrentar epidemia de tal complexidade exige especialistas competentes, coordenação centralizada, serviços de saúde organizados e políticos conscientes de suas responsabilidades, para convencer a população de que todos devem se vacinar e tomar os demais cuidados para reduzir ao máximo a transmissão.

Admitir que autoridades inescrupulosas se dediquem a fazer exatamente o oposto, pondo em risco a saúde e a vida de todos impunemente, é um péssimo exemplo para lidar com esta e com as futuras epidemias. A Justiça não tem o direito de se omitir, precisa deixar claro para as próximas gerações que crimes contra a saúde pública devem ser punidos com rigor em nosso país.

Folha de São Paulo

Em destaque

TJ-BA institui Sistema de Integridade para reforçar ética, transparência e controle interno

  TJ-BA institui Sistema de Integridade para reforçar ética, transparência e controle interno Por  Política Livre 29/01/2026 às 10:18 Foto: ...

Mais visitadas