sexta-feira, setembro 03, 2021

Aliados precisam entender que Bolsonaro realmente tem desequilíbrios emocionais

Publicado em 3 de setembro de 2021 por Tribuna da Internet

Aroeira dá ideia a Bolsonaro - Notícias - UOL Notícias

Charge do Aroeira (Portal O Dia)

Vicente Limongi Netto

O líder do governo, senador Fernando Bezerra (MDB-PE) criticou o relator da CPI da Pandemia, Renan Calheiros, por chamar Bolsonaro de “maluco”. Ora, diante da quadra de sandices, torpezas, leviandades, infâmias e declarações negacionistas do chefe da nação, não é hora de florear as palavras. Por mais que doam, palavras duras precisam ser ditas e reiteradas.

O senador alagoano não exagera, ao se dirigir nesses termos ao mito de barro. A meu ver, é doido alucinado quem debocha da ciência, do uso da máscara e quem, por diversas vezes, afirmou que quem tomar a vacina “vira jacaré”, “fica com a voz fina”, e as “mulheres ganham pelo”.

LUNÁTICO E PARANOICO – Não existe outro definição, a não ser lunático e paranoico, para quem manda a população comprar fuzil, ao mesmo tempo que chama de “idiota”, quem clama por feijão. No mínimo, é doido e   sem compostura o presidente da República que insulta e ameaça membros da CPI da Pandemia.

É irrecuperável grosseiro, desmiolado e covarde quem ofende jornalistas. Precisa, urgente, de camisa de força e focinheira, desatinado que manda o ministro da Saúde acabar com o uso obrigatório da máscara e demorou dramáticos meses para admitir a compra de vacinas. Que poderiam, aquela altura, ter evitado milhares de mortes.  Psiquiatras não me deixam mentir.

Vexatória, deplorável, injustificável, estapafúrdia, patética, leviana, ridícula e grosseira, na CPI da Pandemia, a reiterada comparação da senadora Simone Tebet(MDB-MS), segundo a qual o caso do motoboy da empresa VTCLog é semelhante ao motorista acusado de pagar as contas do gabinete do então presidente Fernando Collor.,

Naqueles tempos do indecoroso e covarde impeachment, um carro Fiat Elba, que servia à cozinha da Casa da Dinda,  foi a única torpe e canalha peça que serviu de justificativa para os ordinários apearem Collor do cargo. 

UM TIRO NO PÉ – Simone Tebet extrapolou o bom senso. Atirou no próprio pé. Imenso papelão da loquaz senadora. Como esperado, a infeliz baboseira da senadora não foi levada a sério por ninguém. Tebet navega na maionese. Ficou deslumbrada. Tornou-se mariposa fácil dos focos de luz. Fala pelos cotovelos. 

Sonha em ser candidata do MDB à presidência da República. Usa a CPI da Pandemia como palanque do seu rosário de cansativas e surradas abobrinhas. Para merecer migalhas do Jornal Nacional, Simone faz de tudo. Interrompe senadores sem pedir licença. Esmerou-se em discursos paralelos.

O mundo para de girar ao ouvir os rompantes da rainha da CPI. Tebet meteu na cabeça que é mais sabida parlamentar do colegiado. Não tem para ninguém. O MDB é partido de profissionais calejados. Não entra em disputas políticas para perder. Caso insista em lançá-la candidata, amargará fragorosa e humilhante derrota.


Elites dirigentes da economia e o Centrão já discutem como se livrar de Bolsonaro


Bolsonaro como 'boneco' do Centrão

Charge do João Bosco (O Liberal)

William Waack
Estadão

Diante dos olhos das principais elites da economia brasileira Jair Bolsonaro repete uma conhecida trajetória. De mal menor, está virando aos olhos dessas elites o pior dos males. O mesmo aconteceu com Fernando Collor e Dilma Rousseff.

Há importantes diferenças no comportamento dessas elites que, em parte, espelham a perda de coesão institucional e o esgarçamento do tecido social brasileiro, além da forte regionalização da nossa política. Refletem também a alteração dos “pesos relativos” no PIB e na política entre indústria, agroindústria, setor financeiro e varejo. E diferentes mentalidades, que impedem o surgimento de lideranças e ações comuns. Ninguém mais fala pelo “todo” das elites econômicas.

ABERTOS E FECHADOS – Quando se examinam as posturas políticas desses grupos de dirigentes, essas diferenças separam a grosso modo os segmentos que são mais “abertos” daqueles “mais fechados” em relação ao mundo lá fora. Os mais dependentes ou integrados nas grandes cadeias produtivas globais, de capital intensivo, orientados para inovação tecnológica e atrelados ao comércio exterior e aos grandes fluxos de investimento, foram, por exemplo, os que abateram os ministros bolsonaristas das Relações Exteriores e Meio Ambiente.

É importante notar que nesses grupos a oposição ao governo não se deu simplesmente por ser considerado “ruim para os negócios” (caso claro do moderno setor do agro). A forte rejeição a Jair Bolsonaro facilmente detectável nesses segmentos vem de uma visão de mundo – portanto, ideológica – para a qual o presidente simboliza o contrário dos princípios fundamentais de uma sociedade aberta, tolerante e liberal no sentido europeu da palavra. Foi nessas áreas que mais rápido Bolsonaro trafegou da condição de personagem político “tolerável” à de “insuportável”.

METER-SE EM POLÍTICA – Ele foi salvo até aqui de um destino parecido ao de seus ministros defenestrados por uma característica comum ao empresariado (desculpem a generalização, sempre perigosa): o profundo temor de se meter em política.

Quando isso acontece (meter-se em política) a causa costuma ser a defesa dos próprios interesses setoriais e negócios, e só em casos excepcionais é o resultado de uma ação coletiva em torno de princípios gerais ou projetos nacionais. “Política” é vista, não sem motivos, como coisa suja por definição.

O perigo para Bolsonaro é quando a excepcionalidade da ação por motivação “ideológica” se junta à noção no empresariado de que está tudo muito ruim para os negócios, as perspectivas não parecem que vão melhorar, os problemas aumentam, diminuem esperanças de dias melhores a curto prazo, vão subir inflação, juros e os impostos, fora os custos e as despesas.

PROBLEMAS GRAVÍSSIMOS – No caso, a imprevisibilidade do triste ambiente de insegurança jurídica se agrava com pandemia, crise hídrica e, para culminar, instabilidade política trazida pela incessante crise institucional.

O “tipping point” (ou palha que quebra o lombo do burro) é o momento em que o receio da severa turbulência causada por um processo de impeachment é menor do que a certeza de que com Bolsonaro vai tudo só ficar pior, e que não dá para aguentar até as distantes eleições do ano que vem, pois a velocidade e profundidade da crise encurtaram drasticamente os horizontes de tempo. É o momento no qual a crise brasileira se encontra.

As forças do centrão já dão demonstrações de que consideram Bolsonaro intragável, prejudicial aos próprios interesses (políticos e econômicos) o que não significa abraçar-se ao “outro lado”, ou seja, Lula.

CONFABULAÇÕES  – É um volátil processo político no qual os caciques do centrão confabulam com setores dirigentes da economia e vice-versa.

Não surgiu ainda dessas conversas, que estão se intensificando, se o melhor caminho para sanar a maluquice que emana do Planalto é acelerar um impeachment ou articular uma terceira via – à qual a turma do dinheiro está, sim, se dedicando.

Com o 7 de setembro Bolsonaro está se esforçando para ver quanto o burro aguenta.


Bolsonaro explora a ameaça de golpe para manter mobilizada sua forte militância


Bolsonaristas perseguem o sonho impossível do presidente

Bruno Boghossian
Folha

Jair Bolsonaro usou mais um evento oficial para fazer um chamado para os protestos golpistas de 7 de setembro. No interior de Minas Gerais, ele subiu no palanque e disse que a data será uma “oportunidade para o povo brasileiro”. O presidente exagerou no marketing: o único objetivo dos atos é intimidar outros Poderes e proteger seu grupo político.

A máquina de propaganda bolsonarista quer mascarar os protestos como um movimento em defesa do que chama de liberdade, como se houvesse um espírito nobre na defesa de sujeitos que falam em “botar fogo no Tribunal Superior Eleitoral”. O próprio presidente já deixou claro, no entanto, que a liberdade que o preocupa é a dele mesmo.

CRISE FABRICADA – Na crise política fabricada pelo Palácio do Planalto, Bolsonaro já disse ver três alternativas para o futuro: “estar preso, ser morto ou a vitória”. Dias depois, explicou que, ao fazer aquela declaração, ele se referia a um ambiente de muita pressão. “Quando falamos em voto impresso, passou a ser crime. Quando falamos em tratamento precoce, passou a ser crime”, afirmou.

Bolsonaro inventou falsas suspeitas de fraude nas urnas eletrônicas e lançou ameaças à realização de eleições no próximo ano. Também adiou negociações para a compra de vacinas contra a Covid enquanto o governo distribuía medicamentos que não funcionam para combater a doença.

Como se vê, os potenciais crimes que ele aponta foram praticados dentro do gabinete presidencial.

CAMINHO DO GOLPE – A ameaça de um autogolpe é o caminho que Bolsonaro escolheu por entender que só vai se livrar da prisão enquanto permanecer no poder. Na segunda-feira (30), ele disse acreditar que o STF poderia aplicar uma punição, “quem sabe, quando eu deixar o governo, lá na frente”.

Ao que parece, Bolsonaro espera ficar impune até deixar a cadeira de presidente – derrotado nas urnas ou afastado pelo Congresso. Para adiar esse dia, ele deve manter suas ameaças de desrespeitar decisões judiciais, melar as eleições e continuar no Palácio do Planalto à força.


Ministra rejeita salvo-conduto para militares participarem de manifestações no dia 7 de setembro

 


Posted: 02 Sep 2021 05:23 AM PDT

Manifestantes bolsonaristas carregam bandeiras de nazistas ucranianos em protesto contra a democracia. Foto: Reprodução 


Os pedidos de habeas corpus preventivo foram formulados contra os governadores do Distrito Federal, Paraná, São Paulo, Minas Gerais e Goiás. Na petição inicial, os interessados afirmaram ser "público e notório" que os governadores pretendem inviabilizar a livre manifestação de "pessoas de bem" e que isso colocaria a Polícia Militar contra as Forças Armadas.


A ministra do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Laurita Vaz considerou manifestamente incabíveis e mandou arquivar dois pedidos de salvo-conduto formulados nesta quarta-feira (1º) para que um policial militar e um militar reformado pudessem participar de manifestações no dia 7 de setembro, sem correrem o risco de prisão ou qualquer outro tipo de restrição.

Ao indeferir ambos os pedidos, a ministra destacou que os impetrantes não esclareceram quais atos normativos impediriam sua circulação e eventual participação nas manifestações.

Segundo ela, os requerentes impugnaram a mera hipótese de constrangimento, sem apontar "elementos categóricos" capazes de demonstrar que a suposta ameaça ao seu direito de locomoção poderia se materializar.

Os pedidos de habeas corpus preventivo foram formulados contra os governadores do Distrito Federal, Paraná, São Paulo, Minas Gerais e Goiás. Na petição inicial, os interessados afirmaram ser "público e notório" que os governadores pretendem inviabilizar a livre manifestação de "pessoas de bem" e que isso colocaria a Polícia Militar contra as Forças Armadas.

Eles solicitaram a expedição de salvo-conduto para que pudessem se locomover livremente dentro do país, com o objetivo de participar das manifestações.
Atos inexistentes não justif​icam habeas c​​​orpus

Segundo a ministra Laurita Vaz, não foram apontados quaisquer atos assinados pelos governadores que pudessem causar, direta ou indiretamente, perigo ou restrição à liberdade locomotora.

Ela explicou que esse fato, por si só, inviabiliza a impetração de habeas corpus para a obtenção de salvo-conduto, e acrescentou que não foram indicadas ameaças concretas aos impetrantes.

"Entenda-se: a ameaça de constrangimento ao jus libertatis a que se refere a garantia prevista no rol dos direitos fundamentais (artigo 5º, inciso LXVIII, da Cons​tituição) há de se constituir objetivamente, de forma iminente e plausível, e não hipoteticamente", ressaltou Laurita Vaz.

A ministra afirmou ainda que, mesmo se houvesse a indicação de atos normativos baixados pelos governadores, o habeas corpus não seria a via processual adequada para impugnar atos em tese. "Os impetrantes, nesses feitos, não têm legitimidade para requerer o controle abstrato de validade de normas", declarou a magistrada, com base na jurisprudência do tribunal.​​

Esta notícia refere-se ao(s) processo(s):HC 691106HC 690879

Alegando precariedade na segurança pública, moradores do Recife colocam "boneca do mal" para proteger a rua

Posted: 02 Sep 2021 02:42 AM PDT

(foto: Reprodução / TV Jornal)


Moradores relatam que a boneca está fazendo a vigilância da rua, já que a segurança feita por policiais no bairro de Afogados, Zona Oeste do Recife, é precária. 

Uma boneca colocada sentada em uma cadeira "fazendo a segurança" na Rua Albatroz, em Afogados, na Zona Oeste do Recife, tem assustado quem passa pelo local. A 'boneca do mal' viralizou nas redes sociais. Em entrevista à TV Jornal, nesta terça-feira (31), os moradores contaram que a boneca está fazendo a vigilância da rua, já que o bairro tem sido alvo de constante insegurança.

Os responsáveis pela brincadeira foram Janssen Alves, que é gerente de uma pet shop, e a mulher dele, a empresária Bárbara Regina, de 33 anos. "A boneca surgiu no último domingo (29), a partir da 00h. Como a gente tem pouca segurança no bairro, então surgiu essa ideia de fazer alguma coisa para assustar os que estão rondando a comunidade. E tá dando certo. Teve uns meliantes que passaram e ao olharem para a boneca, deram meia volta", falou Bárbara.

"Tá dando certo e está expandindo em todo o local. O pessoal tá com medo da boneca e já estão pedindo para levarmos ela para outros bairros também. Coloquei a boneca para espantar bandidos, fofoqueiros, gente feia, gente mentirosa, disse Janssen em tom de risada. No bairro, os moradores relatam que, raramente, passam viaturas policiais para a segurança da população.

Boneca do mal ficou famosa

Por causa da repercussão, Janssen e Bárbara já levaram a boneca para vários lugares, como a Feira Livre de Afogados, no bairro de mesmo nome, e o Marco Zero, no bairro do Recife. "A boneca ficou famosa. O pessoal pede para levar ela para tirar foto, mas tem muita gente que se assusta", disse.

(O Povo)

Blog da Noelia Brito

quinta-feira, setembro 02, 2021

Aranhas, teias e golpes que nos cercam desde os tempos de Machado de Assis

Publicado em 2 de setembro de 2021 por Tribuna da Internet

Nenhuma descrição de foto disponível.Roberto DaMatta
O Globo

As aranhas urdidoras de fraudes eleitorais do conto de Machado de Assis “A Sereníssima República”, publicado em 1882, uma época marcada pela transição do Império à República e da escravidão ao trabalho livre, é uma genial ficção etnológica e uma extraordinária reflexão sobre a adoção de novos regimes políticos.

Um assunto em que o Brasil é um caso exemplar e Machado de Assis um privilegiado observador, pois, devido à plenitude de uma aristocracia e de um patriarcado hegemônico, com o reforço da fuga da Corte portuguesa, proclamamos uma atiradíssima República sem republicanos e uma democracia sem igualdade.

Hoje, vítimas das teias que tecemos, lidamos com o que parece ser uma maluquice eleitoral, tal como aconteceu com as aranhas.

AS ARANHAS E NÓS – A fábula relata uma excepcionalidade, um processo de mudança cultural. As aranhas têm uma língua e, tanto quanto o Brasil, aceitam o republicanismo para descobrir que as demandas da República têm em seu sistema eleitoral uma degradável impessoalidade. Uma imparcialidade que nos torna anônimos e iguais perante a lei.

Aranhas e nós, porém, temos reservas quanto a esse princípio contrário a práticas sociais hierarquicamente orientadas, mas enterradas em nosso inconsciente, exceto quando colocamos alguém no seu devido lugar com o “você sabe com quem está falando?”.

A igualdade como valor destoa da reciprocidade revelada por Marcel Mauss, que obriga a fazer e a devolver o favor que, ao lado do jeitinho (caseiro ou legalmente supremo), coloca as ideias nos seus lugares. Esses são os costumes não convidados que trazem de volta a “velha política”. O sistema em que Bolsonaro foi eleito para liquidar. E que hoje o leva a pensar no golpe que destampa a teia de uma aristocracia estatizada.

PÁTRIA DAS ARANHAS – A comunidade das aranhas também sofre de um claro antietnocentrismo. Inventada por seus onipotentes intelectuais, a pátria das aranhas não percebe as gradações, privilégios e castas de sua ordem social. A incongruência entre o regime político e os costumes promove um rodriguiano complexo de vira-lata — esse sintoma de uma inferioridade estrutural diante de estrangeiros “adiantados” e “civilizados”.

Por isso as aranhas mais sensíveis pedem ao Cônego Vargas — aquele humano a elas simpático que, como um etnólogo, aprendeu sua língua e admirou suas teias — um regime político. Visto como um demiurgo, algo comum nos encontros entre povos com grandes diferenças de poder, esses contatos que conduzem à escravidão e ao colonialismo, o honesto Cônego não hesitou em sugerir o sistema da Sereníssima República de Veneza, o menos sujeito às imobilidades das heranças e casas aristocráticas, o que contém um mecanismo de mudança e aprimoramento.

MÃES DA REPÚBLICA – Adotando o regime republicano, logo as melhores moças da coletividade teceram os sacos de onde sairia o nome de um dos eventuais candidatos. Elas foram chamadas de “mães da república”, informação reveladora de que a “política”, como a religião, o ensino, o jogo, o esporte ou o trânsito, não entram em espaços vazios porque não há nenhuma sociedade com espaços sem significado.

O resultado, depois de algumas eleições, foi decepcionante. Sem serem capazes de enxergar as implicações e o protagonismo social de seus próprios costumes, as aranhas logo descobriram seus malandros e seus golpistas.

A disputa eleitoral, ao lado do negacionismo do poder de seus estilos estabelecidos de prestígio de poder, fez com que as aranhas de Machado de Assis até hoje urdam e desmanchem suas sacolas eleitorais e, como Penélope, aguardem seu Ulisses — uma enorme paciência e ao lado de uma velha sabedoria.

LIMITE DA ESTUPIDEZ – O preço do autodesconhecimento é a repetição que conduz à ausência de história e de mudança. Pensar que se podem controlar costumes ou, mais ingênuo que isso, ignorar que, depois de Dom João VI, tivemos um Pedro Zero Um e Pedro Zero Dois e alguns mandachuvas é — no limite da estupidez — desejar não mudar. É voltar ao autoritarismo aristocrático disfarçado de “estados novos” podres de velhos, mostrando a saudade das dita-duras.

A miragem nacional denunciada por Machado de Assis é que o republicanismo não é um mecanismo formalista isolado, pois todo regime é contaminado pelo conjunto dos costumes da sociedade de que faz parte.

Impossível mudar? Claro que não. O ponto é ter consciência de que todo processo de mudança tem miragens e exige paciência com o velho e energia para implementar o novo.

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PS: Todo golpe troca teias por grades. Faz parte dos golpes o patético “botar os tanques na rua”, essas armas do puro poder, poluidoras da vida dos que apenas desejam viver em paz sem abdicar de seu direito de construir suas teias. Esse valor que a maluquice de um presidente aliado da morte não pode abolir. (R.D.)

Bolsonaro não é louco e seu propósito é criar uma ditadura familiar, de pai para filhos

Publicado em 2 de setembro de 2021 por Tribuna da Internet

Bolsonaro diz em Chapecó que 'temos uma CPI de 7 pilantras' – É ASSIM

Rotular Bolsonaro de “louco” é simplificar demais a questão

José Nêumanne
Estadão                        

“Tem que todo mundo comprar fuzil, pô. Povo armado jamais será escravizado. Eu sei que custa caro. Aí tem um idiota: ‘Ah, tem que comprar é feijão’. Cara, se você não quer comprar fuzil, não enche o saco de quem quer comprar”, disse o presidente da República, em 27 de agosto, para fãs que se reúnem diariamente à espera da ocasião propícia para bajulá-lo.

É comum atribuir suas patacoadas sem nexo a impulsos de insanidade. Muita gente boa e lúcida propõe convocar uma junta de psiquiatras para decretar a interdição de Jair Bolsonaro. Isso condiz a lógica, porque, ao longo de sua vida de mau militar e parlamentar em ócio permanente, ele nada produziu de útil.

ACUSADO DE TERRORISMO – De farda, resumiu sua passagem pela caserna a reclamar de baixo soldo. Sob acusação de terrorismo por ter planejado atentados à bomba em quartéis e numa adutora do Guandu, como expôs o repórter Luiz Maklouf Carvalho no primoroso livro “O Cadete e o Capitão”, foi convidado a cair fora da vida militar, que resumiu numa frase dita em Porto Alegre em 2017: “Minha especialidade é matar, não é curar ninguém”.

Em 30 anos de política, como vereador no Rio e deputado federal, sua improdutividade parlamentar facilitou a narrativa com a qual venceu a disputa pela Presidência em 2018: a de nunca ter sido um político de verdade.

De sua passagem pelBolsonaro não é louco e seu propósito é criar
uma ditadura familiar, de pai para filhosa Câmara deixou duas obras: uma é o projeto da “pílula do câncer”, em parceria com o médico e sindicalista do PT Arlindo Chinaglia, sancionada pela petista Dilma Rousseff, outra personagem do folclore do absurdo infeliz. A segunda, o voto pelo impeachment da ex-guerrilheira, em que saudou como herói o torturador e assassino Brilhante Ustra, acusado de tê-la torturado. Em ambos os casos, elegeu a covardia e uma aparente contradição.

ENRIQUECIMENTO ILÍCITO – Neste caso, será útil lembrar que cumpriu o que sempre quis na vida pública: amealhar patrimônio pessoal, garantir a própria impunidade e deixar uma polpuda herança para o pagador de impostos sustentar a prole do capitão.

Os “rolos” imobiliários do filho senador e do adolescente festeiro, de um descaramento atroz para pagadores das contas da famiglia, são evidências que talvez Nelson Rodrigues preferisse definir como “atordoantes”, em vez de “ululantes”.

A provocação à la Maria Antonieta do “não tem feijão, compre fuzil” é a versão armada da dicotomia que engendrou no início da pandemia de covid-19, ao opor à mortandade pelo novo coronavírus o primado da economia sobre a vida.

MORTE E VIDA – Em março de 2020, expondo-se sem máscara na periferia de Brasília, ele disparava sua artilharia contra a ciência: “Vamos enfrentar o vírus com a realidade. É a vida. Tomos nós iremos morrer um dia”. Em fevereiro de 2021, previu o que mais parecia um desejo oculto de quem cultua a morte:

“Vamos conviver com o vírus a vida toda”. Sobre mais de meio milhão de cadáveres empilhados à espera de sepultamento,  saiu-se com algo ainda mais desumano: “Não sou coveiro”. E era.

Por mais severa que a realidade seja, ao superar sua retórica fúnebre, Sua Insolência a tem enfrentado com a coerência do “contra os fatos há meus argumentos”.

OESTE SEM LEI – Sua fidelidade aos caçadores, garimpeiros ilegais, desmatadores de biomas e outros aliados não cede à transformação da pitoresca hinterland brasileira numa encenação real de um longínquo Oeste sem lei, como no começo da semana em Araçatuba, num assalto a mãos armadíssimas com três vítimas de morte. Ou à apreensão de dez fuzis escondidos no painel, no banco traseiro e nos pneus de estepe de um carro na Via Dutra, em Guarulhos.

A realidade é apenas uma “idiotice” a mais na coerência de quem já foi contra o voto impresso fraudado. Em 1993, o então deputado federal de primeiro mandato Jair Bolsonaro (à época no PPR-RJ) participou de um evento no Clube Militar, no Rio de Janeiro, para definir estratégias para a “salvação do Brasil”.

Na ocasião, o capitão da reserva defendeu a informatização da apuração dos votos. O oposto do que prega agora.

SUA BASE É FIEL – No texto “O projeto de Bolsonaro é um projeto de família”, no Globo, Carlos Góes citou Filipe Campante, professor da Universidade Johns Hopkins, ao explicar, com realismo, as contradições entre os desejos do eleitor e as plataformas do chefão de nossa direita populista estupefaciente.

“Tanto no caso do distanciamento social quanto no caso do longo atraso na compra das vacinas, o presidente teve posturas que se afastaram do desejo da maioria da população. Essas posturas eram, contudo, populares na sua base de apoiadores mais radicais.

Embora reduza seu prestígio e sua própria probabilidade de reeleição, essas sinalizações tornam sua base mais fiel e podem garantir extração de renda futura para seus próprios filhos. Não no topo da pirâmide política, mas no baixo clero – espaço que a família ocupou por muito tempo. Mais do que um projeto de poder ou um projeto de país, o objetivo racionalizável parece ser usar o poder e o país para um projeto de família: uma nepocracia.”

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P.S. 
– Oscar Wilde constatou que “a coerência é a virtude dos imbecis”. Talvez mais do que louco, Bolsonaro seja coerente com seus planos. Portanto, basta! Xô! Fora! (J.N.)

Ex-empregado dos Bolsonaro revela supostos crimes cometidos pela família

Ex-empregado dos Bolsonaro revela supostos crimes cometidos pela família
Foto: Arquivo Pessoal / Reprodução / Metrópoles

Um homem que trabalhou durante 14 anos para a família Bolsonaro afirmou ter testemunhado uma série de crimes que teriam sido cometidos pela advogada Ana Cristina Valle, ex-mulher do presidente da República, e por seus filhos, Flávio e Carlos Bolsonaro.

 

Marcelo Luiz Nogueira dos Santos, que se demitiu recentemente por não receber o salário pedido, reconstituiu em cada detalhe todos os anos em que serviu à família. Primeiro, trabalhou na campanha de 2002 de Flávio para deputado estadual. Entre 2003 e 2007, foi lotado no gabinete do mesmo filho de Bolsonaro na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj).

 

O ex-empregado dos Bolsonaro confessa ter devolvido 80% de tudo que recebeu no gabinete de Flávio nos quase quatro anos em que foi seu servidor da Alerj: um total de cerca de R$ 340 mil.

 

De acordo com Marcelo, era Ana Cristina quem comandava o esquema de rachadinhas da família até a separação de Jair, em 2007, quando o atual senador Flávio Bolsonaro e o vereador do Rio, Carlos Bolsonaro, assumiram a responsabilidade, recolhendo os parte dos salários dos funcionários de seus gabinetes.

 

As declarações de Marcelo foram realizadas à coluna de Guilherme Amado, no portal Metrópoles, parceiro do Bahia Notícias.

Bahia Notícias

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