quinta-feira, setembro 02, 2021

A solução para as terras indígenas foi dada pela Constituinte, cabe ao Supremo aplicá-la

Publicado em 2 de setembro de 2021 por Tribuna da Internet

Aculturadas, tribos indígenas vivem hoje uma outra realidade

Deu no Estadão

Em tempos de debate acirrado sobre o papel e os limites do Supremo Tribunal Federal (STF), a Corte retoma nesta semana um julgamento que tem despertado especial atenção. Trata-se do Recurso Extraordinário (RE) 1.017.365 que, sob o pretexto de discutir a reintegração de posse de uma área em Santa Catarina, tenta reabrir a questão da demarcação das terras indígenas. O tema exige especial prudência, seja por respeito à Constituição, seja por suas muitas implicações sociais, políticas e econômicas.

Chama a atenção, em primeiro lugar, o tratamento desvirtuado que alguns têm dado ao caso, como se fosse uma manobra de produtores rurais para que o Supremo negue ou restrinja um direito previsto na Constituição. Nada mais distante disso.

ÁREA AMBIENTAL – O recurso foi apresentado pela Fundação Nacional do Índio (Funai) e envolve uma área de proteção ambiental cuja posse foi atribuída ao Instituto do Meio Ambiente de Santa Catarina. É essa a área que a Comunidade Indígena Xokleng pleiteia.

Resistindo à pretensão de alguns para transformar a disputa numa questão política, cabe ao STF aplicar a Constituição. “São reconhecidos aos índios (…) os direitos originários sobre as terras que tradicionalmente ocupam, competindo à União demarcá-las, proteger e fazer respeitar todos os seus bens”, diz o art. 231.

Os índios não têm direito sobre qualquer terra que eventualmente venham a ocupar, e sim “as terras que tradicionalmente ocupam”.

DIZ A CONSTITUIÇÃO – Além disso, para pacificar discussões que poderiam surgir, a própria Assembleia Constituinte definiu que “são terras tradicionalmente ocupadas pelos índios as por eles habitadas em caráter permanente, as utilizadas para suas atividades produtivas, as imprescindíveis à preservação dos recursos ambientais necessários a seu bem-estar e as necessárias a sua reprodução física e cultural, segundo seus usos, costumes e tradições”.

Em 2009, o Supremo tratou longamente da questão, no julgamento sobre a Reserva Raposa Serra do Sol. O acórdão não apenas pacificou uma disputa que vinha desde os anos de 1970, mas definiu as diretrizes a serem seguidas em todos os processos de demarcação de terras indígenas em curso. Por sua relevância, foi chamado de “estatuto das reservas indígenas”.

Em seu voto, o relator daquela ação, ministro Ayres Britto, lembrou “que a nossa Lei Maior trabalhou com data certa: a data da promulgação dela própria (5 de outubro de 1988) como insubstituível referencial para o reconhecimento, aos índios, ‘dos direitos sobre as terras que tradicionalmente ocupam’.

MARCO OBJETIVO -Terras que tradicionalmente ocupam, atente-se, e não aquelas que venham a ocupar. Tampouco as terras já ocupadas em outras épocas, mas sem continuidade suficiente para alcançar o marco objetivo do dia 5 de outubro de 1988. Marco objetivo que reflete o decidido propósito constitucional de colocar uma pá de cal nas intermináveis discussões sobre qualquer outra referência temporal de ocupação de área indígena”.

A Constituição de 1988 não veio estimular indefinidamente a criação de novas reservas ou favorecer a proliferação de novos conflitos sobre o tema. O Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, em seu art. 67, indica precisamente que “a União concluirá a demarcação das terras indígenas no prazo de cinco anos a partir da promulgação da Constituição”. O texto constitucional tem, assim, um nítido sentido de pacificação, com precisa limitação temporal.

BARULHO POR NADA – Por mais que agora determinados movimentos sociais façam barulho – tem gente alardeando que não aceitará decisão do Supremo contrária a seus interesses –, a revogação do chamado marco temporal não é uma medida que esteja à disposição do Supremo, como se coubesse à Corte redigir os direitos indígenas.

A solução para a questão das terras indígenas foi dada pela Assembleia Constituinte, dentro do expresso objetivo de pacificar os conflitos. Cabe ao Supremo aplicá-la, sem ter a pretensão de inventar um novo ajuste. Além de extrapolar suas competências, uma medida à margem da Constituição suscitaria novas e infindáveis disputas.

Mais uma denúncia do Vereador Zé Miúdo que se tornou o protetor dos abandonados pela prefeitura



Por um a questão de humanidade o vereador Zé Miúdo está exercendo a função voluntária de  assistente social, isso porque a prefeitura deixa os doentes que se deslocam até Salvador para tratamento fora de domicílio no abandono  a ver navios.
Antes o abandono era quando chegava em Salvador onde não dispunha de abrigo nem tão pouco de um simples cafezinho; agora para variar, o abandono também é quando retorna, principalmente quem reside na zona rural.
Prestem bem atenção o ato de perversidade, muita maldade, um humilde e pacato ser humano se deslocar até Salvador para submeter-se a um tratamento  especializado, quando retorna à Jeremoabo altas horas da noite se não tiver algum vereador com seu veículo particular para transportar aos destino de origem suas casas, dormirão no meio da rua, sujeitando-se a chuvas, violências, roubos ou mais outra perversidades qualquer.
Pergunta-se: cadê os veículos da prefeitura?
Cadê a Casa de Repouso de Jeremoabo, que no final do mês aparecem as Notas Fiscais?
Cadê os milhões que chegam para saúde?
Essa insensatez amanhã poderá acontecer com você, com seus pais, filho, esposa ou amigos.


Coronel é único senador baiano a votar a favor de MP da minirreforma trabalhista

Coronel é único senador baiano a votar a favor de MP da minirreforma trabalhista
Foto: Jefferson Peixoto / Ag. Haack / Bahia Notícias

Angelo Coronel (PSD) foi o único entre os senadores baianos a votar a favor da proposta que criava três novos programas, com regras trabalhistas mais flexíveis, para tentar estimular a contratação de jovens. A MP foi derrotada nesta quarta-feira (1º), em votação no Senado (leia mais aqui).

 

Enquanto Coronel foi a favor, Otto Alencar (PSD) e Jaques Wagner (PT) votaram de maneira contrária à proposta.

 

Segundo o G1, os programas voltados ao primeiro emprego e à qualificação profissional tinham inseridos pela Câmara em uma medida provisória, enviada pelo governo em abril, que tratava somente de uma nova rodada do programa de redução de jornada e salário ou suspensão de contrato de trabalho durante a pandemia.

 

O texto fazia parte das iniciativas do governo para tentar evitar demissões durante o período da crise sanitária provocada pelo novo coronavírus. O programa de redução de jornada e salário já foi concluído e, por isso, não deve ser afetado pelo arquivamento da MP.
 
Senadores contrários aos programas dizem que as iniciativas inseridas na Câmara retiravam direitos trabalhistas com a alegação de que isso poderia gerar mais empregos. Uma medida provisória tem validade a partir do momento em que é publicada no "Diário Oficial da União" e precisa ser aprovada, em até 120 dias, pelos plenários da Câmara e do Senado para se tornar uma lei permanente. Inicialmente, a medida provisória editada pelo governo federal tinha apenas 25 artigos e tratava somente do Novo Programa Emergencial de Manutenção do Emprego e da Renda, com regras semelhantes ao programa de redução de jornada e salário criado em 2020.
 
No Congresso, contudo, a proposta foi ampliada com o apoio do Ministério da Economia, chegou a 94 artigos e passou a ser chamada por parlamentares da oposição de "minirreforma trabalhista". De acordo com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a taxa de desemprego no segundo trimestre de 2021 ficou em 14,1% e atinge 14,4 milhões de brasileiros.

Bahia Notícias

Tristeza, insônia, irritação e crise de choro são sintomas da pandemia, aponta estudo

Tristeza, insônia, irritação e crise de choro são sintomas da pandemia, aponta estudo
Foto: Pixabay / happypixel19

Uma pesquisa inédita do Ipec (Inteligência em Pesquisa e Consultoria), a pedido da Pfizer Brasil, apontou que os brasileiros têm recorrentemente sofrido sintomas negativos diante da pandemia da Covid-19. Tristeza (42%), insônia (38%), irritação (38%), angústia e/ou medo (36%), além de crises de choro (21%) foram os cinco mais citados pelos entrevistados.

 

Os jovens foram os mais afetados. Metade dos respondentes entre 18 e 24 anos classificaram sua saúde mental durante a pandemia como ruim (39%) ou muito ruim (11%). Esse percentual ficou acima da média geral, de 5% e 25%, respectivamente.

 

O levantamento, chamado de “Saúde Mental na Pandemia”, foi realizado em agosto deste ano, entrevistando de forma virtual 2 mil homens e mulheres com 18 anos ou mais, na cidade de São Paulo e nas regiões metropolitanas de Rio de Janeiro, Belo Horizonte, Salvador e Curitiba.

 

“Este é um cenário que vem sendo apontado desde março de 2020 e, por isso, merece acompanhamento diário de todos nós, já que continuamos no enfrentamento da pandemia. Obtivemos muitos avanços com o desenvolvimento e com a aplicação da vacina, mas sabemos que precisamos olhar para o corpo e para a mente já que a Covid-19 causou e causa marcas em todos nós”, explicou Márjori Dulcine, diretora médica da Pfizer Brasil.

 

Dos entrevistados, 21% chegaram a procurar ajuda profissional no período, sendo que 11% estão em acompanhamento especializado. Ansiedade (16%) e depressão (8%), transtornos costumeiramente relacionados ao suicídio, lideram a relação das condições diagnosticadas de forma mais recorrente, em que também aparecem doenças como a síndrome do pânico (3%) e a fobia social (2%).

 

Além do relato dos próprios respondentes, questionados se conheciam alguém que foi diagnosticado com algum problema relacionado à saúde mental durante a pandemia, 46% disseram que sim; as cidades de São Paulo e Belo Horizonte registraram o mesmo percentual, de 49%, seguidos de 47% em Salvador, 44% no Rio de Janeiro e 37% em Curitiba.

 

"Esses dados, infelizmente, representam a escalada assustadora dos agravos à saúde mental que vêm ocorrendo nas últimas décadas em nosso país, e que foi alavancada pela pandemia da Covid-19. Nesse sentido, esses índices colocam as estratégias para ampliação dos cuidados em saúde mental como prioridade inegável”, disse Michel Haddad, psiquiatra do HSPE/IAMSPE e pesquisador do departamento de Psiquiatria da UNIFESP.

 

“Devemos concentrar esforços para oferecer diagnósticos mais precoces e tratamentos adequados. Mais do que isso, devemos desenvolver e implementar ações efetivas de prevenção. Essas ações são de responsabilidade não só do poder público e das entidades dos profissionais ligados à saúde mental, mas também de toda a comunidade, começando pela diminuição do estigma relacionado aos transtornos mentais", completou Haddad.

 

Dos entrevistados que foram diagnosticados ou fizeram algum tratamento desde o início da pandemia causada pelo novo coronavírus, 31% têm seguido tratamento com profissional de forma presencial e 17% por consultas online, além disso, 29% afirmam estar com medicação prescrita.

 

FINANÇAS

A situação financeira difícil ou o acúmulo de dívidas preocupou a maioria (23%) das pessoas ouvidas durante a pesquisa. Esse receio é equilibrado entre as cinco regiões pesquisadas. Curitiba teve o índice de 26%, seguida por São Paulo e Rio de Janeiro com 23%, Salvador com 22% e Belo Horizonte com 21%.

 

Porém, é possível observar que, novamente, essa preocupação foi maior entre os mais jovens, sendo citado por 26% daqueles que têm de 18 a 24 anos, 24% entre os de 25 e 44 anos, por 22% na faixa de 45 a 54, chegando a 19% entre os respondentes com 55 anos ou mais.

 

Na sequência, aparecem o medo de pegar Covid-19 (18%) e a morte de alguém próximo (12%). Assim como a apreensão com a situação financeira, esses últimos também foram relatados majoritariamente pelas mulheres.

Bahia Notícias

Faroeste: STJ mantém afastamento do desembargador Gesivaldo Brito do TJ-BA

Faroeste: STJ mantém afastamento do desembargador Gesivaldo Brito do TJ-BA
Foto: Jefferson Peixoto /Ag. Haack / Bahia Notícias

Por unanimidade, a Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça (STJ) confirmou a prorrogação do afastamento do desembargador Gesivaldo Nascimento Brito do exercício das funções de desembargador no Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA). O magistrado é réu na Ação Penal 940, originada na Operação Faroeste e foi proposta pelo Ministério Público Federal (MPF).

 

A operação já afastou oito desembargadores do TJ-BA, magistrados e servidores por formação de organização criminosa com advogados e empresários. A investigação aponta que o grupo atuava por meio da comercialização de decisões judiciais com o propósito de permitir a grilagem de terras no oeste baiano.

 

Nesta quarta-feira (1º), a Corte Especial referendou decisão monocrática do relator do caso, ministro Og Fernandes, que havia indeferido o pedido da defesa de anular a dilação do prazo do afastamento. “A pretensão recursal encontra óbice no fato de que o escoamento do prazo do afastamento, sem a apreciação da Corte Especial, ensejaria o retorno do investigado ao exercício do cargo de desembargador, o que poderia gerar instabilidade e desassossego nas decisões e na jurisprudência do Tribunal de Justiça da Bahia”, sustentou Og Fernandes.

Bahia Notícias

Faroeste: STJ autoriza Maria do Socorro a manter contato com Amanda Santiago

por Cláudia Cardozo

Faroeste: STJ autoriza Maria do Socorro a manter contato com Amanda Santiago
Foto: Reprodução / Instagram

O ministro Og Fernandes, do Superior Tribunal de Justiça (STJ), autorizou a desembargadora Maria do Socorro, do Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA), a manter contato com a filha, Amanda Santiago. A desembargadora, afastada na Operação Faroeste por ser investigada em um esquema de venda de sentenças, estava impedida de manter contato com a filha.

 

O ministro já havia autorizado Socorro de manter contato com uma das filhas, com uma irmã e com uma servidora do TJ-BA, mas ainda não havia liberado Socorro de manter contato com a filha cantora. Amanda Santiago também é investigada na Operação Faroeste (veja aqui). 

 

Na decisão, Og Fernandes observa que Amanda Santiago não é acusada na ação penal 940, originada na primeira fase da Operação Faroeste, nem é servidora ou terceirizada do TJ-BA. “Diante disso, autorizo a peticionante a manter contato com filha Amanda Santiago”. 

 

Em outra decisão datada desta quinta-feira (2), o ministro autoriza o servidor investigado Antônio Roque do Nascimento Neves a transitar entre Lauro de Freitas e Salvador. No pedido, Roque justifica que reside em Vilas do Atlântico, e que familiares residem em Salvador e estão localizados os profissionais de sua confiança. O Ministério Público Federal (MPF) deu parecer para concessão do pedido. “Nesta hipótese, o princípio da proporcionalidade indica que deferir o pedido é providência que atinge a finalidade pretendida pela medida cautelar com a menor onerosidade ao investigado”, disse o ministro na decisão.

 

Og Fernandes também acatou o pedido da corregedora nacional de Justiça, ministra Maria Thereza de Assis Moura, do Conselho Nacional de Justiça, para ter acesso às provas da Faroeste, relacionadas aos processos que tramitam no Conselho Nacional de Justiça (CNJ) sobre as terras do oeste baiano. Og autorizou o compartilhamento das provas mediante a proteção de dados acobertados pelo sigilo legal.

Bahia Notícia

Operação é deflagrada contra suspeitos de crimes como homicídios em toda Bahia

Operação é deflagrada contra suspeitos de crimes como homicídios em toda Bahia
Foto: Divulgação / Polícia Civil

Uma operação da Polícia Civil deflagrada na manhã desta quinta-feira (2) cumpre mandados de prisão e de busca e apreensão em toda a Bahia.

 

Segundo a polícia, os alvos são suspeitos em crimes como os contra o patrimônio, tráfico de drogas, homicídios, feminicídios, além dos têm como vítimas crianças e adolescentes. Denominada de Unum Corpus [Um só corpo], a operação conta com mais de 450 policiais de todas as 26 Coorpins do estado.

 

“A Unum Corpus é uma operação simultânea em todas as cidades cobertas pelas nossas Coorpins. Seguiremos com essa estratégia: para além de prisões, coletarmos elementos que possam subsidiar o aprofundamento de investigações das diversas modalidades de crimes e consequentemente as prisões dos autores”, detalhou a diretora do Depin, delegada Rogéria Araújo, a ação será contínua.

 

Com vetos, Bolsonaro sanciona projeto que revoga Lei de Segurança Nacional

Com vetos, Bolsonaro sanciona projeto que revoga Lei de Segurança Nacional
Foto: Max Haack / Ag Haack / Bahia Notícias

Apesar da pressão de aliados, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) sancionou, nesta quinta-feira (2), o projeto que revoga a Lei de Segurança Nacional, que foi criada em 1983, durante o regime militar.

 

O projeto foi sancionado com alguns vetos, entre eles o que criminalizaria a promoção e financiamento de campanha de disseminação de informações falsas. Bolsonaro é investigado no Supremo Tribunal Federal (STF) no chamado inquérito das fake news. O presidente também vetou um artigo que previa punição a quem impedisse "o livre e pacífico exercício de manifestação".

 

Os vetos serão analisados pelo Congresso Nacional no prazo de 30 dias e podem ser derrubados em caso de maioria absoluta na Câmara dos Deputados e no Senado. O texto aprovado pelo presidente entra em vigor em 90 dias.

Bahia Notícias

Faroeste: STJ define que juiz pode ser instrutor em ação contra desembargadores do TJ-BA

Faroeste: STJ define que juiz pode ser instrutor em ação contra desembargadores do TJ-BA
Foto: Divulgação

A Corte Especial do Superior Tribunal de Justiça (STJ) definiu que não há ilegalidade na convocação de juiz de 1º Grau para atuar em ação penal 940 contra desembargador do Tribunal de Justiça da Bahia (TJ-BA), investigado na Operação Faroeste.  A análise foi feita nesta quarta-feira (1º), quando a Corte rejeitou uma série de recursos interpostos pelos investigados  de um suposto esquema de venda de decisões judiciais para permitir a grilagem de terra no oeste baiano. Na mesma sessão, a Corte manteve o afastamento de Gesivaldo Brito (veja aqui).

 

Dois desembargadores alegaram que o juiz instrutor convocado pelo ministro relator, Og Fernandes, não teria competência para a prática de atos no local onde foram marcados os atos de instrução. Além disso, alegaram que juízes de primeiro grau não poderiam conduzir investigação no âmbito de ação penal contra magistrados de segundo grau. 

 

Segundo o relator, o artigo 3º, inciso III, da Lei 8.038/1990 e o artigo 21-A do Regimento Interno do STJ autorizam a convocação de juízes vitalícios de varas criminais da Justiça estadual e da Justiça Federal para a realização do interrogatório e de outros atos de instrução, na sede do tribunal ou no local onde o ato será produzido.

 

Nesse sentido, o relator destacou que o juiz instrutor, nas ações penais, funciona como um longa manus do ministro - que continua responsável pela condução e supervisão do processo -, de forma que a delegação não envolve a prática de atos decisórios pelo magistrado instrutor. "Não há a necessidade de convocação de magistrado de instância igual ou superior àquela dos denunciados", comentou o relator ao lembrar que o Supremo Tribunal Federal (STF) também utiliza os juízes convocados para a prática de atos de instrução.

 

Na mesma decisão, o colegiado negou o pedido para interrogar o colaborador da Faroeste, Júlio Cavalcanti, antes da oitiva das testemunhas de defesa. Og asseverou que o STF já reconheceu o direito de os réus delatados se manifestarem, por alegações finais, apenas após os réus colaboradores, considerando todos os acusados como integrantes do polo passivo do processo penal. Mas ele pontua que o STF não firmou compreensão de que os colaboradores abandonam sua posição processual de réus para atuarem como assistentes de acusação. O relator ainda asseverou que o colaborador ainda continua sujeito a condenação criminal, apesar de ter firmado delação premiada. "Ele não renuncia o seu direito de defesa, mas apenas ao seu direito ao silêncio, submetendo-se ao compromisso legal de dizer a verdade, nos termos da Lei 12.850/2013, artigo 4º, parágrafo 14", apontou o ministro.

Bahia Notícias

EUA veem com preocupação a democracia brasileira, mas não acreditam em golpe

Publicado em 2 de setembro de 2021 por Tribuna da Internet

A Huawei e o 5G no Brasil teriam vida fácil no governo Biden, certo? Errado  - Canaltech

Jack Sullivan, assessor de Biden, ficou surpreso com Bolsonaro

Mariana Sanches
BBC News Brasil

Quando o Conselheiro de Segurança Nacional dos Estados Unidos, Jake Sullivan, e o Assessor Especial do presidente americano Joe Biden, Juan González, entraram no gabinete de Jair Bolsonaro, no Palácio do Planalto, no último dia 5, não esperavam uma conversa de melhores amigos. Mas o que encontraram foi descrito à BBC News Brasil como “nonsense” e “tenso” por oficiais americanos.

Do encontro sobraram não só uma foto de um aperto de mão de Sullivan, de máscara, e Bolsonaro, sem máscara e oficialmente não vacinado, mas também uma preocupação dos americanos com a saúde da democracia brasileira, diante das alegações sem provas do presidente brasileiro de fraude eleitoral nas urnas eletrônicas.

OUTROS RUMOS – Originalmente, a agenda dos enviados de Biden ao Brasil não teria a democracia brasileira como destaque principal. A pauta deles incluía oferecer ao país o status de parceiro global da Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte), condição que dará acesso ao Brasil à compra de equipamentos de guerra de última linha, além de sessões de treinamento militares com os americanos em bases nos EUA.

Por outro lado, a missão americana pretendia pressionar o Brasil a estabelecer — e cumprir — metas de redução de desmatamento ambiciosas e dissuadir o Brasil de usar equipamentos da gigante chinesa de telecomunicações Huawei em sua rede 5G — um dos argumentos dos americanos foi, inclusive, o de que a empresa poderia não entregar os materiais contratados pelo governo Bolsonaro por crise de matérias-primas.

A conversa, no entanto, saiu do script normal com insinuações de Bolsonaro de que o pleito americano de 2020 havia sido roubado — o que faria de Joe Biden um presidente ilegítimo.

FOI UMA SURPRESA – A administração Biden sempre esteve ciente de que Bolsonaro defendia publicamente as falsas alegações de Trump sobre as eleições. O republicano fazia múltiplas acusações ao sistema eleitoral dos EUA, questionando tanto aos votos de papel quanto àqueles depositados em urna eletrônica, mesmo antes do dia da votação. Bolsonaro foi o último líder do G-20 a reconhecer a vitória de Biden.

O que os americanos não esperavam é que Bolsonaro dissesse tais coisas diante de Sullivan e Gonzalez, ambos altos representantes do governo a serviços dos democratas há anos.

Segundo autoridades com conhecimento dos fatos, ambos ouviram o suficiente para deixar o encontro preocupados com a democracia no Brasil.

FIGURA ERRÁTICA – Em Washington, a percepção é de que a imagem de Bolsonaro sofreu um abalo significativo como um possível interlocutor após a visita.

“Acho que o governo Biden, especialmente depois dessa reunião em Brasília, vê Bolsonaro como uma figura errática, ou pelo menos como alguém que age de uma forma muito excêntrica e difícil de prever. Ele diz coisas que parecem ir contra seu próprio interesse nacional. Por que ele iria querer brigar com o novo governo dos EUA dizendo que a eleição (americana) foi fraudada?”, afirma Melvyn Levitsky, ex-secretário executivo do Departamento de Estado e embaixador no Brasil entre 1994-1998. “Dá pra entender por que Trump faz isso, já que ele quer disputar a presidência de novo e fazer disso um tema, mas para um líder estrangeiro dizer esse tipo de coisa é, no mínimo, muito estranho”.

O final do mandato de Jair Bolsonaro está em perigo, por causa do rolo das vacinas

Publicado em 2 de setembro de 2021 por Tribuna da Internet

Veja as contradições no depoimento de Roberto Dias, preso na CPI

Ex-diretor Roberto Dias, um dos chefões da corrupção na Saúde

Elio Gaspari
Folha/O Globo

As pedaladas que custaram o mandato a Dilma Rousseff tinham um algo de malandragem contábil, só. O rolo das vacinas tem muito mais que isso. Ainda faltam-lhe, contudo, as digitais de Jair Bolsonaro. Os irmãos Miranda denunciaram a picaretagem indiana durante uma conversa, e ele não fez nada. É forte, mas pode ser pouco.

Negacionismo só produz misérias. A “gripezinha” abalou a credibilidade do governo em tudo que tem a ver com uma pandemia que já matou mais de 500 mil brasileiros. O mandato de Jair Bolsonaro está em perigo. Na melhor das hipóteses (para ele) a reeleição torna-se um sonho perdido que milicianos não conseguirão reativar.

NADA MAIS ADIANTA – A Bolsonaro de nada adianta mobilizar pelotões contra a CPI, maltratar repórteres, ou falar para convertidos nas redes sociais. A compra de vacinas pelo governo brasileiro expôs um redemoinho de picaretagens. Um cabo da PM mineira diz que recebeu um pedido de pixuleco de US$ 1 para cada uma dos 400 milhões de doses da AstraZeneca.

Capilé de US$ 400 milhões num golpe semelhante é coisa que não existe, mas outras libélulas giravam em torno da AstraZeneca. A vacina do cabo custaria US$ 4,50 (com o pixuleco incluído). Na mesma época, um misterioso operador oferecia-se para privatizar imunizações, oferecendo a mesma vacina a um grupo de empresários por US$ 23,79 a unidade. A proposta foi detonada pelos bilionários que seriam mordidos. Isso com a AstraZeneca.

Já com a Covaxin indiana o ministro Benjamin Zymler, do Tribunal de Contas, pergunta ao governo por que a unidade, negociada a US$ 10 em novembro do ano passado, foi contratada por US$ 15 em fevereiro.

CORRENTE DA CORRUPÇÃO – Todos os laboratórios reiteram que nada tiveram a ver com essas ofertas. Tudo não passaria de conversa de atravessadores, mas em todos os casos (salvo no da oferta ao consórcio de empresários), na outra ponta havia servidores públicos habilitados a negociar.

A única vacina que não foi rondada pela turma do pixuleco foi a Coronavac. Aquela que, segundo ele, NÃO SERÁ COMPRADA (maiúsculas de Bolsonaro).

O capitão pode persistir no caminho do vitupério. Nele, a Covid era uma” gripezinha” e as vacinas poderiam transformar cidadãos em jacarés. Esse negacionismo já levou o país à ruína dos 500 mil mortos e mandou o governo às cordas. Recorrer aos militares nem pensar, pois eles já carregam o desastre do general Pazuello e dos coronéis que levou para o Ministério da Saúde.

QUESTÃO DE LIMPEZA – O tamanho do problema sugere que seria conveniente nomear uma pessoa ou uma comissão independente para tratar dessa cavalariça, limpando-a. Nada a ver com notáveis terrivelmente seja lá o que for. Para fulanizar, apenas mostrando um perfil dessa pessoa, poderia entregar o caso ao ministro Marco Aurélio Mello, que acaba de deixar o Supremo Tribunal Federal.

Essa pessoa, ou comissão independente, investigaria o que acontece no Ministério da Saúde e no seu entorno, restringindo-se à questão do preço das vacinas. Terminado o serviço, entregaria a Bolsonaro uma bandeja com as cabeças dos envolvidos, bem como uma avaliação de seu papel nos episódios. Esse procedimento não tiraria das costas do capitão os 500 mil mortos da Covid nem os 14 milhões desempregados. No mínimo, aliviaria o país de um aspecto de sua conduta irracional.


Supremo teve de se unir para enfrentar o surto ditatorial que hoje atinge o Executivo


TRIBUNA DA INTERNET | Afinal, o que o Supremo tem a ver com a nomeação dos  reitores de universidades públicas?

Charge do Mariano (Charge Online)

Marcus André Melo
Folha

Escrevi, logo após a posse de Bolsonaro, que o STF não atuaria como “onze ilhas” mas “um continente”. A conjetura mostrou-se acertada. A sintonia na corte tem sido expressiva: “O que nos une é a defesa da democracia”, afirmou o ministro Luís Roberto Barroso, em painel recente, no que foi secundado por Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes.

Sim, tem sido notável o deslocamento do ativismo processual no controle da corrupção para a contenção do Executivo. A intensa disputa interna no STF era o foco de analistas de sua atuação como corte criminal. O suposto hiperprotagonismo era sobretudo reação ao mensalão e à Lava Jato. A agenda deslocou-se, sob Bolsonaro, da responsabilização criminal para a defesa das instituições.

VIRTUAL UNANIMIDADE – Minha conjetura, em fevereiro de 2019, era que a pauta iliberal do governo encontraria uma virtual unanimidade antagônica no STF: “A era das dissensões parecerá a um observador do futuro ter ficado no passado: a corte atuará coesa pelo menos até a nomeação dos substitutos de Celso de Mello e Marco Aurélio”.

A arbitragem constitucional atual é inédita. Em 1958, Afonso Arinos observava: “Nunca o Supremo Tribunal Federal pôde exercer a sua missão específica de árbitro da legalidade, contendo os excessos do Executivo”.

Seu juízo era implacável: “A instituição, em seu conjunto, naufragou historicamente, na fraqueza, na omissão e no conformismo”.

INSTÂNCIA DE ARBITRAGEM – Exatos 30 anos depois, Sérgio Abranches apontou o que chamou de dilema institucional do presidencialismo de coalizão: a inexistência de uma instância de arbitragem dos conflitos entre os Poderes:

“Nos EUA, a Suprema Corte tem poderes que lhe permitem intervir nos conflitos constitucionais entre Executivo e Legislativo. No Brasil da República de 1946 e no Brasil pré-constituinte da Nova República, precisamente os casos mais claros de presidencialismo de coalizão, este mecanismo inexiste”.

Mas há no atual padrão de atuação algo inteiramente novo: não se trata apenas de arbitragem entre Legislativo e Executivo. O Judiciário enquanto instituição está sob ataque. E isto implica em padrão de atuação mais que reativo. Agora sim, o STF está se tornando hiperprotagonista. Sua defesa da democracia tem sido robusta; a cacofonia resultante expressa esta fortaleza.

DILEMA ATUAL – A omissão atual do procurador-geral da República alimenta o hiperprotagonismo do Supremo, porque o Ministério Público Federal detém poder de “gatekeeping” (controla a iniciativa).

O atual dilema para a corte é que o perfil de agente passivo de arbitragem não dá mais conta face às investidas virulentas e inéditas do Executivo. Mas a resposta hiperbólica resultante tem custos elevados para o STF, em um crescendo.

Eis o nosso dilema institucional atual.

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