segunda-feira, dezembro 07, 2020

Delação de Seripieri Júnior, amigo de Lula, vai abrir a caixa-preta dos planos de saúde

 

Serra foi padrinho do casamento do fundador da Qualicorp, que teve a prisão  decretada hoje

Jose Serra foi padrinho do casamento de Seripieri Jr.

Elio Gaspari
O Globo/Folha

Nesta semana, o ministro Luís Roberto Barroso poderá homologar a papelada da colaboração do empresário José Seripieri Júnior, da Qualicorp, feita à Procuradoria-Geral da República (PGR). Há mais de uma semana, a repórter Bela Megale revelou que Júnior, como ele é conhecido, concordou em pagar R$ 200 milhões à Viúva pelas transações em que se meteu, alimentando caixas de políticos. Em julho, ele passou três dias na cadeia, e sua colaboração foi antecedida pela de um sócio.

Chegando a valer cerca de R$ 4 bilhões, a Qualicorp tornou-se uma campeã organizando planos coletivos de saúde. Como uma jabuticaba, ela nunca foi uma operadora, mas Júnior tornou-se um bilionário trabalhando num mercado onde se misturam capilés para políticos que colocam jabutis nas leis e azeitam-se promiscuidades com as agências reguladoras.

O MP ACORDOU – Finalmente, o Ministério Público acercou-se desse mercado. A Lava-Jato chegou perto, mas distraiu-se. Deltan Dallagnol, ex-coordenador da força-tarefa, recebeu pelo menos R$ 580 mil fazendo palestras para plateias da Unimed. Ele explicou que repassava os valores a entidades filantrópicas.

Quando a colaboração de Júnior for conhecida, será possível avaliar a sua profundidade. A operação Lava-Jato começou com muito menos, pois nela o fio da meada foi puxado a partir de um posto de gasolina que lavava dinheiro. A memória da Qualicorp, ou de qualquer grande operadora, guarda muito mais que isso.

Os procuradores de Curitiba puxaram os fios e deu no que deu. A PGR está com o novelo na mão. Sabe-se que negociou uma multa milionária, mas a questão está também em outro lugar: na máquina desse mercado.

MUITOS ENVOLVIDOS – Pode-se dar de barato que a colaboração de Júnior levará para a mesa alguns políticos, provavelmente figurinhas fáceis de outros escândalos, alguns confessos, ou notoriamente mentirosos. Pelo cheiro da brilhantina, cairá na roda um doutor que queria cobrar os serviços do SUS.

O valor da colaboração de Júnior poderá ser avaliada se ela tratar do funcionamento da porta giratória pela qual maganos saem do mercado e vão para as agências reguladoras, ou fazem o caminho inverso, sempre enriquecendo. Noutra vertente, pode-se vir a saber como se enfiou um jabuti numa Medida Provisória de 2015.

Ele reduzia o valor unitário das multas aplicadas pela Agência Nacional de Saúde Suplementar quando o volume passasse de certos limites. Em bom português: quem delinquir muito pagaria menos que quem delinquiu pouco. Dilma Rousseff vetou o jabuti. Trata-se de perguntar, ouvir, anotar o nome do magano e chamá-lo a depor. Se for o caso, remetê-lo à carceragem.

ELE SABE TUDO – Seripieri Júnior fez todo o caminho do mercado, conheceu suas vísceras e no ano passado começou a montar uma empresa fechada. Nela, ao contrário das operadoras que cobrem despesas com centenas de médicos, laboratórios ou hospitais, as operadoras fechadas têm suas listas e, sobretudo, seus hospitais. Graças a isso, controlam seus custos e acabam cobrando menos.

A PGR está diante da oportunidade de abrir a caixa-preta dos planos de saúde. Basta expandir a operação abrindo um capítulo em que se fazem perguntas estranhas ao ritual, porém essenciais para o propósito da investigação. Assim foi com a Lava-Jato e assim foi com a investigação da Receita Federal e do FBI americano, que detonou as roubalheiras da cartolagem internacional do futebol.

O presidente lula e a primeira dama, Dona Marisa, passam as férias em  Fernando de Noronha - Política - Estadão

Lula chegou a passar réveillon com Seripieri em Angra

MULTAS INÚTEIS – A ideia segundo a qual se combate a corrupção com multas milionárias é pobre. Acaba criando uma espécie de pedágio, caro, porém imunizante.

A turma dos planos de saúde, acossada pela perda de clientes e pela reação aos reajustes selvagens, já tentou dois saltos triplos. Num, no escurinho de Brasília, queriam mudar a lei que regula seu mercado. A elas, tudo, aos consumidores, nada. Noutro, querem privatizar serviços do SUS. Isso durante uma pandemia na qual tentaram negar cobertura para os testes de coronavírus.

STF rejeita possibilidade de reeleição de Maia e Alcolumbre no Congresso


Para a maioria dos ministros, a recondução é inconstitucional

Thiago Resende
Folha

O STF (Supremo Tribunal Federal) barrou na noite deste domingo, dia 6, a possibilidade de reeleição dos presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP). O placar ficou em 6 a 5 contra a reeleição de Alcolumbre, e 7 a 4 contra a de Maia.

Para a maioria dos ministros, a recondução é inconstitucional. O voto do presidente do STF, Luiz Fux, não foi divulgado. Mas ele divergiu do voto do relator Gilmar Mendes, que autorizava a reeleição. No final da noite deste domingo foram publicados os votos dos ministros Luís Roberto Barroso e Edson Fachin, que se posicionaram contra a reeleição da cúpula do Congresso e sacramentaram o resultado.

RECONDUÇÃO NO POSTO – A Constituição proíbe os chefes das Casas de tentarem a recondução no posto dentro da mesma legislatura. A legislatura atual começou em fevereiro de 2019 e vai até fevereiro de 2023. Apesar da proibição, a postura de Maia e Alcolumbre nos enfrentamentos do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) com o Supremo, mudanças constitucionais recentes e articulações políticas nos bastidores, porém, vinham alimentando a esperança de ambos de continuarem à frente do Congresso, com o aval de parte dos ministros do Supremo.

Relator do caso, Gilmar Mendes defendeu que o Congresso pudesse alterar a regra internamente por uma mudança regimental, questão de ordem ou “qualquer outro meio de fixação de entendimento próprio à atividade parlamentar”, e não necessariamente pela aprovação de uma PEC (proposta de emenda à Constituição).

Maia está no seu terceiro mandato consecutivo à frente da Câmara. Ele assumiu a cadeira pela primeira vez em setembro de 2016, em um mandado tampão, após a renúncia do mandato do ex-presidente da Casa Eduardo Cunha (MDB-RJ), e não largou mais.

PARECER TÉCNICO – Depois disso, na mesma legislatura, conseguiu parecer técnico favorável a que participasse de nova disputa, em 2017. No início de 2019, em uma nova legislatura, o que é permitido pela Constituição, disputou novamente e venceu. Gilmar foi acompanhado em seu entendimento por Ricardo Lewandowski, Dias Toffoli e Alexandre de Moraes.

No julgamento do Supremo, que ocorreu no plenário virtual, onde o voto é dado por escrito, Kassio Nunes foi o único a sustentar que a regra não deveria valer para quem já foi reeleito, o que impediria Maia de buscar mais um mandato no comando da Câmara. A tese de Kassio, primeiro indicado de Bolsonaro a uma vaga no STF, favorecia as articulações do governo, que tentava derrotar Maia e reeleger Alcolumbre à frente do Senado.

DIVERGÊNCIA – O primeiro ministro a divergir de Gilmar foi Marco Aurélio Mello, seguido de Cármen Lúcia, Rosa Weber, Barroso, Fachin e Fux. Esses seis votos barraram uma eventual candidatura de Alcolumbre. Kassio, com sua tese, se somou a esses colegas, o que levou a sete votos contra uma eventual reeleição de Maia.

A decisão do STF é considerada peça fundamental no xadrez da disputa pela sucessão no Congresso. Estava em julgamento uma ação apresentada pelo PTB, que pede para o Supremo “afastar qualquer interpretação inconstitucional” que permita a reeleição.

VEDAÇÃO – O partido é aliado de Bolsonaro e tentava ajudar o Palácio do Planalto a vetar qualquer chance de Maia de se manter no comando da Câmara. A ação, porém, poderia ter o efeito contrário e dar tração às articulações do presidente da Casa para continuar na função.Segundo Barroso, a vedação à reeleição dentro da mesma legislatura é clara. “Eventual reconhecimento de uma mutação constitucional tem como limite as possibilidades semânticas do texto”, escreveu o ministro no voto.

Para Fachin, se o Congresso quiser permitir a reeleição dentro da mesma legislatura, cabe às Casas, “em debate franco com a sociedade civil, alterar, por meio do processo de emenda constitucional, a regra fixada no texto”.

Antes mesmo de o Supremo formar maioria para barrar a investida de Maia, a candidatura dele já enfrentava resistência na Câmara. No próprio grupo mais ligado a ele, havia divergências e indicava a possibilidade de o plano não se viabilizar politicamente.

CANDIDATURA – “O STF agiu com responsabilidade ao recusar a tese casuística de reeleição no Parlamento”, afirmou o presidente do Republicanos, deputado Marcos Pereira (SP), em uma rede social. Logo depois, ele confirmou que será candidato à presidência da Câmara. O Republicanos e outros partidos, como MDB, buscam um consenso para lançarem um candidato que irá disputar o pleito com a ala governista, cujo principal nome é o do líder do PP na Câmara, Arthur Lira (AL).

Fora da disputa, Maia tem uma lista de aliados para lançar como candidato. Os principais são Baleia Rossi (MDB-SP), Aguinaldo Ribeiro (PP-PB), Luciano Bivar (PSL-PE), além de Pereira.

Essa indefinição gera discordâncias no entorno de Maia. Avançou na semana passada uma articulação para os partidos formarem um bloco na Câmara antes do recesso parlamentar. Por ora, o acordo entre esses nomes é o de que será o candidato aquele que aglutinar a maior parte dos apoios da esquerda e de outros partidos.

APOIO – Apesar de Pereira já se apresentar como candidato, siglas da esquerda têm preferência por Ribeiro. O grupo de Maia depende da oposição a Bolsonaro para vencer a eleição à presidência da Câmara. Já no Senado, Alcolumbre foi eleito em fevereiro do ano passado e tinha apoio da base governista e até de parte da oposição no Senado para ser reconduzido.

Segundo articuladores de Bolsonaro no Congresso, sem Alcolumbre na disputa, senadores alinhados com o Palácio do Planalto defendem apoio a uma pré-candidatura do líder do governo no Congresso, Eduardo Gomes (MDB-TO).

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COMO VOTOU CADA MINISTRO

A favor da reeleição de Maia e Alcolumbre

Gilmar Mendes
Dias Toffoli
Ricardo Lewandowski
Alexandre de Moraes

A favor da reeleição apenas de Alcolumbre

Kassio Nunes

Contra a reeleição de ambos

Marco Aurélio
Cármen Lúcia
Rosa Weber
Luís Roberto Barroso
Edson Fachin
Luiz Fux

O QUE A CONSTITUIÇÃO DIZ SOBRE O CASO

Veto à recondução 

O artigo 57, no parágrafo 4º da Carta Magna, afirma: “Cada uma das Casas reunir-se-á em sessões preparatórias, a partir de 1º de fevereiro, no primeiro ano da legislatura, para a posse de seus membros e eleição das respectivas Mesas, para mandato de 2 (dois) anos, vedada a recondução para o mesmo cargo na eleição imediatamente subsequente”.

A atual legislatura começou em fevereiro de 2019 e se estenderá até fevereiro de 2023.

Visão do Planalto 

A decisão do Supremo também foi acompanhado de perto pelo Planalto.

O governo simpatiza com a manutenção de Alcolumbre à frente do Senado, mas trabalha para eleger Arthur Lira (PP-AL), réu no Supremo sob acusação de corrupção passiva, e derrotar Maia ou o candidato apoiado por ele para presidir a Câmara dos Deputados.

Posição da PGR e da AGU  

Em parecer de setembro enviado ao Supremo, a Procuradoria-Geral da República, comandada por Augusto Aras, alinhado a Bolsonaro, defendeu que a reeleição dos presidentes da Câmara e do Senado é um assunto a ser tratado pelo próprio Legislativo.

A Advocacia-Geral da União, ligada ao governo Bolsonaro, tem o mesmo posicionamento, expresso em documento também de setembro deste ano.

A leitura política é a de que, com isso, o governo federal acenou positivamente à recondução de Alcolumbre ao comando do Senado.

domingo, dezembro 06, 2020

Bahia mantém aumento em nº de novos casos da Covid-19 com 4.080 registros neste domingo


Bahia mantém aumento em nº de novos casos da Covid-19 com 4.080 registros neste domingo
Foto: Paula Fróes/GOVBA

Nas últimas 24h a Bahia registrou a soma de 4,080 novos caos da Covid-19 no estado. A confirmação é do boletim epidemiológico divulgado pela Secretaria Estadual de Saúde (Sesab) no final da tarde deste domingo (6). Com os novos casos, o total geral contabilizado vai a 423.124. O total de casos ativos é de 11.736. A taxa de crescimento da doença é 1%, conforme o boletim. 

 

Os casos confirmados ocorreram em 417 municípios baianos, com maior proporção em Salvador (24,08%). Os municípios com os maiores coeficientes de incidência por 100.000 habitantes foram Ibirataia (9.476,23), Aiquara (7.040,04), Itabuna (7.018,00), Madre de Deus (6.888,54), Almadina (6.881,41).

 

No mesmo período diário, 30 mortes foram contabilizadas. O total de vítimas da doença pandêmica no estado vai a 8.418. 

 

A ocupação de leitos de UTI exclusivos ao tratamento da doença atinge a margem de 74%. No caso da UTIs pediátricas, a taxa de ocupação está em 60%.

Bahia Notícias

Delegado preso produzia maconha em ‘escala industrial’, diz polícia

 

Delegado preso produzia maconha em ‘escala industrial’, diz polícia
Foto: Divulgação/PCDF

O delegado Marcelo Marinho de Noronha, preso nesta sexta-feira (4) por tráfico de drogas, produzia maconha "em escala industrial", segundo relato da Polícia Civil à Justiça do Distrito Federal. A declaração consta na ata da audiência de custódia que determinou a prisão preventiva do servidor, de acordo com o G1.

 

Em uma chácara da família do policial, em São Sebastião, a Corregedoria-Geral da corporação apreendeu 128 pés de maconha. A mulher de Marcelo e os dois filhos do casal também foram detidos. Eles vão responder por tráfico de drogas e associação para o tráfico. 

 

A prisão resultou de uma investigação que se estendeu por dois meses, após uma denúncia anônima. No imóvel, na região de Nova Betânia, os agentes encontraram estufas, sementes da espécie cannabis sativa e iluminação artificial, que seria usada para potencializar o crescimento das plantas.

 

Na decisão que determinou a prisão por tempo indeterminado do delegado, o juiz Evandro Moreira da Silva cita o "método sofisticado de produção dos entorpecentes". Segundo o documento da Justiça, a família possuía "um arsenal de equipamentos que possibilitariam o plantio em larga escala".

 

"A grande quantidade de plantas encontradas no local está a indicar, ao menos neste momento indiciário, a configuração do delito de tráfico, e não apenas a de produção para uso próprio da substância”, diz a decisão. 
Já a Corregedoria-Geral fala em "infraestrutura tecnológica bem avançada para transformação da planta em droga". Ao todo, foram apreendidos R$ 3,5 mil em espécie na casa da família.

 

Desde maio, o delegado Marcelo de Noronha atua na Comissão Permanente de Disciplina (CPD) da Polícia Civil. Ele já foi diretor da Penitenciária do Distrito Federal II (PDF II) e delegado-chefe da 10ª delegacia de polícia, no Lago Sul.

Bahia Notícias

Rosa Weber vota contra e o placar agora é de 5 a 3 a favor da reeleição no Congresso


Rosa Weber é eleita presidente do TSE e fala em "disputa acirrada"

Rosa Weber defendeu a “lealdade” à Constituição

Deu em A Tarde
Portal UOL

A ministra Rosa Weber tornou-se o terceiro magistrado do STF (Supremo Tribunal Federal)  a votar contra a proposta de reeleição de  Rodrigo Maia (DEM-RJ) e Davi Alcolumbre (DEM-AP) para a presidência da Câmara e Senado, respectivamente. Dos 11 ministros, oito já votaram. O placar agora é de cinco votos para liberar a reeleição e três contra.

“Este Supremo Tribunal Federal, no exercício de sua missão institucional de garantir a intangibilidade da Constituição, enquanto seu guardião por força de expresso texto constitucional (CF, art.102), não pode legitimar comportamentos transgressores da própria integridade do ordenamento constitucional, rompendo indevidamente os limites semânticos que regem os procedimentos hermenêuticos para vislumbrar indevidamente, em cláusula de vedação, uma cláusula autorizadora”, escreveu Rosa Weber.

DESLEALDADE AO TEXTO – Segundo a ministra, “a deslealdade ao texto constitucional caracteriza preocupante ofensa ao pacto da sociedade brasileira em torno do propósito de conferir força ativa aos compromissos assumidos no plano constitucional”.

Os ministros Gilmar Mendes, Dias Toffoli, Ricardo Lewandowski e Alexandre de Moraes votaram a favor da reeleição dos dois. Kassio Nunes defendeu a possibilidade de recondução apenas de Alcolumbre. Do outro lado, Rosa Weber, Marco Aurélio e Cármen Lúcia são os magistrados que votaram contra a proposta.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Faltam os votos de Edson Fachin, Luís Roberto Barroso e Luiz Fux, e as indicações são de um final apertado, de 6 a 5, espera-se que contra a reeleição, em respeito ao dispositivo constitucional. Politicamente, porém, esse resultado pode ser uma tragédia, porque o rachadista Artur Lira deve vencer na Câmara, e isso significa que será restabelecido o pacto entre os três poderes e Bolsonaro estaria blindado de sofrer impeachment, uma hipótese que estaria afastada se Rodrigo Maia pudesse se reeleger.  (C.N.)  

Após denúncia de “esquema milionário de rachadinha”, Bolsonaro deverá ter mais cautela em apoio a Arthur Lira

 

Bolsonaro nunca escondeu a preferência por Lira para suceder Maia

Jussara Soares e Camila Turtelli
Estadão

Interlocutores do Palácio do Planalto avaliam que o presidente Jair Bolsonaro não deve se manifestar sobre a revelação de que o deputado Arthur Lira (Progressistas-AL) esteve à frente de um esquema de “rachadinha” na Assembleia Legislativa de Alagoas, como aponta denúncia da Procuradoria-Geral da República revelada nesta quinta-feira, dia 3, pelo Estadão.

Embora deputado tenha sido absolvido em primeira instância nesta quinta-feira, pelo juiz Carlos Henrique Pita Duarte, o Ministério Público vai recorrer e esses assessores ponderam que o chefe do Executivo deve ser mais cauteloso em dar o apoio explícito à candidatura de Lira à Presidência da Câmara, porque o líder do Centrão, no entanto, já foi condenado em duas instância pelo mesmo caso das “rachadinhas” na esfera cível, por improbidade administrativa.

PREFERÊNCIA – Em conversas reservadas, Bolsonaro nunca escondeu a preferência por Lira para suceder Rodrigo Maia (DEM-RJ) no comando da Câmara.  Nos bastidores, agiu para incentivar a candidatura do parlamentar alagoano em contraponto ao atual chefe da Câmara. Maia tem afirmado que não disputará a reeleição mesmo que o Supremo Tribunal Federal dê o aval. Ele tentará emplacar um sucessor, mas ainda não definiu um nome dentro do seu grupo político.

Aliados do governo afirmam que o presidente nunca demonstrou interesse em se engajar publicamente na campanha na Câmara. Contudo, com a proximidade da eleição, que ocorrerá em fevereiro, havia  a expectativa do grupo pró-Lira de que Bolsonaro se posicionasse no jogo. Com a revelação sobre a “rachadinha” em Alagoas, porém, volta a ganhar força o argumento de que o chefe do Executivo deve se manter neutro na disputa do Legislativo.

MESMO ESQUEMA – Outro motivo para Bolsonaro silenciar é o fato de Lira ser denunciado por um esquema de rachadinha, o mesmo pelo qual o seu filho, o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), é acusado. Flávio foi denunciado no dia 4 de novembro pelo Ministério Público por peculato, lavagem de dinheiro e organização criminosa.

Além de Flávio, também foram denunciados o ex-assessor Fabrício Queiroz e outras 15 pessoas acusadas de participarem do esquema que desviou R$ 6.100.091,52 dos cofres da Assembleia Legislativa do Rio, mediante desvio de pagamentos em favor de doze “funcionários fantasmas”. O senador nega as acusações do MP.

Como revelou o Estadão nesta quinta-feira, 3, documentos da denúncias até então sigilosos obtidos pela reportagem indicam desvio, entre 2001 e 2007, de R$ 254 milhões dos cofres públicos. Somente o líder do Centrão movimentou R$ 9,5 milhões em sua conta. Apenas três servidores da Assembleia Legislativa depositaram mais de R$ 1 milhão diretamente para o deputado estadual.

“PREFEITO” –  As investigações apontam que a “rachadinha” na Assembleia de Alagoas ocorreu, em parte, quando Lira ocupava um cargo no comando do Legislativo estadual. De 2003 a 2006, ele foi primeiro-secretário, uma espécie de “prefeito” que administra os recursos do órgão, razão pela qual seu papel era central, uma vez que cabia a ele liberar o dinheiro. O esquema envolveu pelo menos 12 deputados estaduais.

As informações estão em uma ação penal que Lira ainda responde na Justiça estadual. O caso de “rachadinha” na Assembleia Legislativa de Alagoas levou o deputado a ser condenado em segunda instância na área cível por improbidade administrativa. Esta decisão, de 2016, o impediria de disputar a eleição de deputado federal, em 2018, mas uma liminar do então vice-presidente do Tribunal de Justiça de Alagoas, Celyrio Adamastor, suspendeu os efeitos da sentença e o liberou a concorrer. Foi eleito com 143.858 votos, numa aliança que reuniu PSDB, PSB, DEM, Republicanos, PTC, entre outros.

INDICAÇÃO – Lira foi indicado na terça-feira, dia 1º, pelo seu partido para disputar a sucessão de Maia (DEM-RJ), em fevereiro do ano que vem. A presidência da Câmara é um cargo estratégico. O ocupante dessa cadeira define os projetos que serão votados e é o segundo na linha sucessória da Presidência da República. Na ausência do presidente e do vice, é ele quem assume o comando do País.

Em nota enviada por sua assessoria, Lira disse confiar que será absolvido pela Justiça alagoana. “O deputado Arthur Lira já apresentou sua defesa com todas as explicações necessárias, esclarecendo qualquer dúvida sobre a lisura de suas ações quando deputado estadual em Alagoas. Lira confia na Justiça e tem certeza de sua total e plena absolvição. Não há condenação contra o deputado”, diz a nota. Ele já foi condenado na segunda instância pelo caso na esfera cível, por improbidade administrativa.

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NOTA DA REDAÇAO DO BLOG – O presidente está pouco ligando para o fato de Arthur Lira ser rachadista. Aliás, foi cometendo esse crime que a família Bolsonaro enriqueceu prodigiosamente. O deputado Artur Lira terá apoio descarado do Planalto, para restabelecer o pacto entre os Poderes e blindar Bolsonaro de impeachment. (C.N.)

Bolsonaro diz ter Plano B para Câmara, mas é conversa fiada, ele quer mesmo Arthur Lira

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FÁBIO FARIA VIRA OPÇÃO DE BOLSONARO PARA DISPUTAR A PRESIDÊNCIA DA CÂMARA DOS DEPUTADOS – Hilneth Correia

Lira será candidato, mas Faria e Cristina já recusaram

Julia Chaib e Gustavo Uribe
Folha

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) começou a discutir um plano B diante das dificuldades de o líder do PP, Arthur Lira (AL), se viabilizar para o comando da Câmara dos Deputados. A tentativa do mandatário é encontrar uma alternativa para derrotar o grupo do atual presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ), sem a necessidade de fazer concessões no primeiro escalão da Esplanada dos Ministérios.

O principal receio de Bolsonaro é que Maia decida disputar a reeleição, caso o STF (Supremo Tribunal Federal) permita a sua candidatura. Mais do que eleger seu candidato, o objetivo do presidente é impedir que o deputado seja reconduzido. ​

PLACAR DE 5 A 3 – O julgamento está 5 a 3 pela reeleição, com a ressalva de Kassio Nunes ter defendido a possibilidade de recondução só de Alcolumbre.

Em conversas na semana passada com assessores palacianos, o Bolsonaro avaliou nomes, inclusive da equipe ministerial, que poderiam agregar mais apoios na disputa legislativa na Câmara. Segundo relatos feitos à Folha, foram defendidos ao presidente os nomes dos ministros Fábio Faria (Comunicações) e Tereza Cristina (Agricultura). Os dois têm mandato parlamentar e estão licenciados: o primeiro pelo PSD e a segunda, pelo DEM.

Além deles, auxiliares palacianos citam um eventual apoio ao presidente nacional do MDB, deputado federal Baleia Rossi (SP) —hoje no grupo de Maia. O parlamentar tem uma boa relação com o ministro Luiz Eduardo Ramos (Secretaria de Governo).

HÁ CONTROVÉRSIA – A execução de um plano B, no entanto, enfrenta dificuldades. Faria já avisou a Bolsonaro que não tem interesse neste momento em disputar a presidência da Câmara. Entusiastas do nome do ministro, porém, disseram acreditar que ele ainda pode mudar de ideia caso seu nome se mostre viável.

A discussão de uma alternativa para o embate legislativo, marcado para fevereiro, teve início após Bolsonaro ter manifestado incômodo com a postura de Lira. Segundo relatos de integrantes do Executivo e do Legislativo, o deputado tem cobrado maior empenho do presidente à sua candidatura.

Em conversa recente, relatada à Folha, Lira sugeriu que, se o governo não entrasse de cabeça em sua candidatura, ele teria de buscar votos junto a partidos de oposição. E, em busca de alianças, incluir pontos defendidos por legendas de esquerda em sua campanha.

TROCA DE MINISTROS – Caso o cenário sem Maia se concretize, o que é avaliado como o mais provável, ministros consideram que não será necessário entregar dedos e anéis para eleger o candidato do governo. Assim, para evitar pressão do centrão, Bolsonaro pode antecipar a reforma ministerial.

Inicialmente, o presidente cogitava fazer uma troca de cadeiras após a eleição na Câmara, como forma de acomodar o grupo que sair vencedor da disputa. Irritado com as cobranças por espaço, porém, considera realizá-la agora em janeiro, podendo fazer nova mudança após a eleição.

As trocas devem envolver inclusive pastas da chamada cozinha do Planalto, ou seja, que despacham na sede administrativa do Executivo. Uma mudança avaliada como bastante provável é no comando da Secretaria de Governo.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG –
 Julia Chaib e Gustavo Uribe, excelentes jornalistas, deixaram claro que não acreditam nessas informações. A todo momento fazem a ressalva de que foram passadas por assessores do Planalto – e “em off”, como se diz. Na realidade, Bolsonaro joga todas as fichas no rachadista Arthur Lira. O resta é matéria plantada pelo Planalto.

Tanto Fábio Faria quanto Teresa Cristina são políticos bem-sucedidas e de currriculo limpo, Bolsonaro jamais conseguirá mandar neles e manipulá-los, como irá fazer com Arthur Lira, que será seu serviçal, exatamente como Davi Alcolumbre procede. O que Bolsonaro busca é mandar nos três Poderes, escapar do impeachment e garantir a impunidade da família. Apenas isso, o país que se exploda, como dizia Justo Veríssimo, o genial personagem de Chico Anysio. (C.N.)

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