domingo, dezembro 06, 2020

Bolsonaro diz ter Plano B para Câmara, mas é conversa fiada, ele quer mesmo Arthur Lira

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FÁBIO FARIA VIRA OPÇÃO DE BOLSONARO PARA DISPUTAR A PRESIDÊNCIA DA CÂMARA DOS DEPUTADOS – Hilneth Correia

Lira será candidato, mas Faria e Cristina já recusaram

Julia Chaib e Gustavo Uribe
Folha

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) começou a discutir um plano B diante das dificuldades de o líder do PP, Arthur Lira (AL), se viabilizar para o comando da Câmara dos Deputados. A tentativa do mandatário é encontrar uma alternativa para derrotar o grupo do atual presidente da Casa, Rodrigo Maia (DEM-RJ), sem a necessidade de fazer concessões no primeiro escalão da Esplanada dos Ministérios.

O principal receio de Bolsonaro é que Maia decida disputar a reeleição, caso o STF (Supremo Tribunal Federal) permita a sua candidatura. Mais do que eleger seu candidato, o objetivo do presidente é impedir que o deputado seja reconduzido. ​

PLACAR DE 5 A 3 – O julgamento está 5 a 3 pela reeleição, com a ressalva de Kassio Nunes ter defendido a possibilidade de recondução só de Alcolumbre.

Em conversas na semana passada com assessores palacianos, o Bolsonaro avaliou nomes, inclusive da equipe ministerial, que poderiam agregar mais apoios na disputa legislativa na Câmara. Segundo relatos feitos à Folha, foram defendidos ao presidente os nomes dos ministros Fábio Faria (Comunicações) e Tereza Cristina (Agricultura). Os dois têm mandato parlamentar e estão licenciados: o primeiro pelo PSD e a segunda, pelo DEM.

Além deles, auxiliares palacianos citam um eventual apoio ao presidente nacional do MDB, deputado federal Baleia Rossi (SP) —hoje no grupo de Maia. O parlamentar tem uma boa relação com o ministro Luiz Eduardo Ramos (Secretaria de Governo).

HÁ CONTROVÉRSIA – A execução de um plano B, no entanto, enfrenta dificuldades. Faria já avisou a Bolsonaro que não tem interesse neste momento em disputar a presidência da Câmara. Entusiastas do nome do ministro, porém, disseram acreditar que ele ainda pode mudar de ideia caso seu nome se mostre viável.

A discussão de uma alternativa para o embate legislativo, marcado para fevereiro, teve início após Bolsonaro ter manifestado incômodo com a postura de Lira. Segundo relatos de integrantes do Executivo e do Legislativo, o deputado tem cobrado maior empenho do presidente à sua candidatura.

Em conversa recente, relatada à Folha, Lira sugeriu que, se o governo não entrasse de cabeça em sua candidatura, ele teria de buscar votos junto a partidos de oposição. E, em busca de alianças, incluir pontos defendidos por legendas de esquerda em sua campanha.

TROCA DE MINISTROS – Caso o cenário sem Maia se concretize, o que é avaliado como o mais provável, ministros consideram que não será necessário entregar dedos e anéis para eleger o candidato do governo. Assim, para evitar pressão do centrão, Bolsonaro pode antecipar a reforma ministerial.

Inicialmente, o presidente cogitava fazer uma troca de cadeiras após a eleição na Câmara, como forma de acomodar o grupo que sair vencedor da disputa. Irritado com as cobranças por espaço, porém, considera realizá-la agora em janeiro, podendo fazer nova mudança após a eleição.

As trocas devem envolver inclusive pastas da chamada cozinha do Planalto, ou seja, que despacham na sede administrativa do Executivo. Uma mudança avaliada como bastante provável é no comando da Secretaria de Governo.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG –
 Julia Chaib e Gustavo Uribe, excelentes jornalistas, deixaram claro que não acreditam nessas informações. A todo momento fazem a ressalva de que foram passadas por assessores do Planalto – e “em off”, como se diz. Na realidade, Bolsonaro joga todas as fichas no rachadista Arthur Lira. O resta é matéria plantada pelo Planalto.

Tanto Fábio Faria quanto Teresa Cristina são políticos bem-sucedidas e de currriculo limpo, Bolsonaro jamais conseguirá mandar neles e manipulá-los, como irá fazer com Arthur Lira, que será seu serviçal, exatamente como Davi Alcolumbre procede. O que Bolsonaro busca é mandar nos três Poderes, escapar do impeachment e garantir a impunidade da família. Apenas isso, o país que se exploda, como dizia Justo Veríssimo, o genial personagem de Chico Anysio. (C.N.)

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