Novas regras da Agência Nacional de Saúde Suplementar começam a valer segunda-feira (3/6) e permitem que cliente migre de operadora ou de modalidade sem ter de esperar para usar os serviços
Rafaela Gonçalves/Vera Batista
(foto: Caio Gomez/CB/D.A Press)
A partir de segunda-feira (3/6), todos os beneficiários poderão trocar de plano de saúde sem cumprir novos prazos de carência, porque entrarão em vigor as novas regras de portabilidade da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS). Até 31 de maio, sempre que mudava de operadora, o cidadão passava por uma longa espera. Tinha que aguardar um prazo, entre seis e 24 meses, para usar o plano. Com a atualização nas normas da ANS, a maioria dos consumidores, hoje em planos empresariais, poderá entrar em outras modalidades, como planos individuais. A expectativa da ANS é de que a medida cause uma movimentação significativa de clientes e incentive a concorrência.
Pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI) apontou que, das 47,3 milhões de pessoas com planos privados no país, 80% estão associadas a planos coletivos (empresariais ou por adesão). A norma da ANS, de acordo com especialistas, traz algumas novidades. Uma delas é a permissão para a portabilidade a qualquer momento. Antes, somente poderia ser feita por um período limitado a quatro meses, a cada ano, a partir da data de aniversário do contrato. Retirado esse impedimento, o beneficiário terá liberdade de fazer a portabilidade no momento que lhe for conveniente. Outra peculiaridade é a não exigência de compatibilidade de cobertura (mesma rede de hospitais ou de laboratórios, por exemplo) entre o plano de origem e o plano de destino.
O que vai continuar valendo e tendo predominância na transferência é o preço. Ou seja, para fazer a troca, o beneficiário precisará encontrar outro produto que tenha o mesmo valor da mensalidade. Todas as mudanças serão submetidas à ANA. A Agência preparou uma cartilha para facilitar a consulta dos produtos compatíveis, por meio do Guia ANS de Planos de Saúde , que lista os planos disponíveis no mercado e oferece opções para quem quer aderir a qualquer benefício. Em seguida, a contratação deve ser feita com a operadora.
“Uma pessoa que saía de um plano para outro precisaria cumprir carência de novo. Teria um custo de troca. Um dificultador. A medida que a agência toma e que entra em vigor impede a exigência de carência por parte da operadora em uma série de condições” Leandro Fonseca, diretor-presidente da ANS(foto: Eliria Andrade/Esp. CB/D.A. Press – 23/11/18)
De acordo com a ANS, na portabilidade de carências, é proibido o preenchimento de novo formulário de Declaração de Saúde, salvo nos casos em que o novo plano tenha coberturas não previstas no plano de origem. Leandro Fonseca, diretor-presidente da ANS, garante que o novo normativo “é pró-consumidor”. “Uma pessoa que saía de um plano para outro precisaria cumprir carência de novo. Teria um custo de troca. Um dificultador. A medida que a agência toma e que entra em vigor impede a exigência de carência por parte da operadora em uma série de condições. Vamos ver na prática como vai funcionar. Mas a intenção do regulador é possibilitar uma portabilidade mais fácil”, afirma Fonseca.
Rogério Scarabel: norma permitirá que beneficiários expandam o mercado para outros planos de saúde(foto: Arthur Menescal/Esp.CB/DA.Press – 17/4/19)
Para Rogério Scarabel, diretor de produtos da ANS, a portabilidade trará mobilidade. “O beneficiário pode se manter no plano no qual está. Mas agora tem a possibilidade de expandir o mercado. De sair de planos empresariais e portar as carências para outros empresariais, ou para outros coletivos por adesão, ou para os individuais. A regra é importante para o consumidor e vem trazer dinamismo maior para as operadoras, para o mercado. Tende a aumentar a concorrência e, quem sabe, até incentivar a oferta de planos mais baratos”, espera Scarabel.
Veja que relato interessante sobre a derrocada da Varig, que está circulando na internet e foi escrito por Eduardo Eidt Letti, que durante 20 anos foi piloto da inesquecível companhia aérea brasileira. Lembro que, na época, o economista Carlos Lessa era presidente do BNDES e tentou salvar o Varig, mas o então presidente Lula não deu sinal verde. Aliás, todos recordam que, quando a Varig operava, não havia cobrança extra pelas bagagens dos passageiros e os voos tinham outro padrão.
### LULA E A VARIG: O ESQUEMA QUE LEVOU AO FIM DA EMPRESAEduardo Eidt Letti
Senhoras e senhores, vejam só como a vida dá voltas. Sabem quem é o advogado de Lula? Chama-se Cristiano Zanin Martins e é casado com Valeska Teixeira, filha de Roberto Teixeira. Portanto, Cristiano é genro de Roberto Teixeira, que, para quem não sabe, é dono do escritório Teixeira & Martins Advogados.
Tem mais, Lula é padrinho de casamento de Cristiano e Valeska. Portanto, Lula e Roberto Teixeira são compadres. Lula é “dindo” de Cristiano e Valeska. Está bem, mas o que isso tem a ver com a Varig, mais precisamente com o fim da companhia aérea.
VENDA FRAUDULENTA – Relembrando, Roberto Teixeira foi o responsável por arquitetar juridicamente o golpe que foi a venda fraudulenta e ilegal da Varig em 2006 para o fundo estrangeiro Matlin Patterson, chefiado por um chinês larápio, chamado Lap Chan.
Os fatos: Lap Chan comprou a Varig na bacia das almas por 57 milhões de reais, num leilão realizado dia 20 de Julho de 2006, no hangar da empresa, no aeroporto Santos Dumont.
Um ano depois, Lap Chan vendeu a parte boa da empresa, os chamados ativos, para o Grupo Áurea (leia-se: Gol) de Nenê Constantino por 320 milhões de dólares. O passivo, incluindo as rescisões trabalhistas foi para as “calendas gregas”. E tudo arquitetado nos bastidores com aval do governo corrupto de Lula.
US$ 6 MILHÕES – Estima-se que o escritório de Roberto Teixeira tenha levado 6 milhões de dólares para ajudar a liquidar com a Varig.
Ao mesmo tempo, que matava Varig, o governo Lula emprestava bilhões de reais do BNDES a fundo perdido para Cuba, Venezuela e Moçambique, entre outros países-irmãos.
O tempo passou e de tanto ajudar a fazer falcatruas, Roberto Teixeira é hoje mais um réu na Lava-Jato.
Roberto Teixeira e Cristiano Zanin, além de genro e sogro, são sócios no escritório de advocacia Teixeira & Martins advogados. Entenderam?
JAMAIS ESQUEÇA – Esta turma vem fazendo sacanagem há muito tempo. Prejudicaram muita gente. Como disse John Kennedy: “Perdoe seus inimigos, mas não esqueça seus nomes”.
Então, em nome dos 20 mil funcionários da Varig, vítimas de um crime de lesa-pátria, que foram para o olho da rua em 2006, sem receber um só centavo de rescisão trabalhista, hoje é um dia de celebração.
O império que estes bandidos montaram em cima de corrupção e sacanagem, está ruindo. O poder já lhes foi tirado, a liberdade começa a ser tirada. Falta apenas resgatar o patrimônio amealhado de maneira fraudulenta.
por Daniel Carvalho e Angela Boldrini | Folhapress
Foto: Geraldo Magela / Agência Senado
O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), vem sendo pressionado por seus pares a adotar uma posição mais firme com outros Poderes e a Câmara.
Senadores se revezaram na tribuna nos últimos dias cobrando que Davi não aceitasse que o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), enviasse medidas provisórias com prazo apertado para apreciação pela Casa.
Eles criticam também o que consideram posicionamento governista de Davi e pedem que ele desengavete a CPI da Lava Toga, que tem o propósito de investigar magistrados.
A pressão começou a ficar mais evidente na semana retrasada, depois que o presidente Jair Bolsonado compartilhou mensagem em que dizia que o Brasil era "ingovernável" por causa de conchavos e de afirmar que o grande problema do país é a política.
"Atravesse a rua. Sente na frente deste presidente da República e diga que o que o senhor está presidindo é o Congresso Nacional. Este Congresso precisa de paz para trabalhar", afirmou a senadora Rose de Freitas (PODE-ES) em 21 de maio.
Na terça-feira passada (28), as críticas começaram na reunião de líderes partidários, onde é definida a pauta de votações. Naquele dia, estava marcada a votação da MP 870, medida provisória que define a atual estrutura do governo.
Depois de duas horas de discussões a portas fechadas, não se chegou a um consenso sobre tentar devolver o Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) para o Ministério da Justiça.
Temendo que a MP perdesse a validade, Bolsonaro e seus ministros passaram a defender que os senadores apenas carimbassem a MP do jeito que havia chegado da Câmara. Uma carta com o apelo foi encaminhada ao presidente do Senado para que fosse lida aos integrantes da Casa.
Naquele mesmo dia, Bolsonaro, Davi, Maia e o presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Dias Toffoli, reuniram-se para discutir um pacto com metas e intenções em resposta às reivindicações feitas durante as manifestações de rua do final de semana anterior.
Davi abraçou a causa sob o discurso de que era preciso atender o apelo de Bolsonaro.
"Quando vemos o Judiciário, o Executivo, o Legislativo, ficamos alegres por saber que estão conversando. A gente só precisa ver os resultados desta conversa, e o primeiro não agradou alguns senadores, que foi a gente se quedar diante de uma carta do Executivo", disse o senador Plínio Valério (PSDB-AM).
Na sexta-feira (31), Davi defendeu o diálogo entre Executivo e Legislativo. "Quando o presidente procura o diálogo e entendimento direto com os Poderes, está fazendo um sinal de que quer conversar, quer dialogar, quer fazer política", afirmou.
Mas, ao microfone, durante a sessão da MP 870, senadores protestaram não só contra o pedido do governo, mas também pelo comportamento da Câmara, que mandou a proposta com curto prazo para apreciação e dando sinais de que não avaliaria eventuais alterações feitas pelo Senado.
"Não é mais possível que a Câmara continue a desprestigiar o Senado. Não é mais possível que nós continuemos sendo a Casa carimbadora do que acontece na Câmara. Isso tem que mudar", disse o senador Oriovisto Guimarães (PODE-PR).
Davi e Maia fizeram acordo de a Câmara votar uma PEC (proposta de emenda à Constituição) que altera os prazos de tramitação das medidas provisórias. Pelo texto, ficam 90 dias para a Câmara e 30 dias para o Senado.
A proposta, que já passou pelo Senado, deve ser votada na Câmara nesta semana.
O presidente do Senado diz que é "chance zero" ele ir para um enfrentamento com Maia, mas decidiu fazer um aceno aos seus pares e deixou a MP do Código Florestal caducar, após ter sido votada na Câmara.
Davi fez um acordo com líderes partidários para que sejam votadas outras duas medidas provisórias. Para esta segunda-feira (3), convocou sessão para votar o texto que trata de fraudes previdenciárias e o que amplia prazo de gratificação paga a servidores cedidos à AGU (Advocacia-Geral da União).
Há outros temas que têm levado senadores à tribuna para cobrar Davi Alcolumbre.
Um deles é a criação de uma comissão parlamentar de inquérito para investigar integrantes das cortes superiores, a chamada CPI da Lava Toga.
Tentando evitar atritos com o STF, Davi arquivou o primeiro requerimento de criação da CPI e, em 16 de abril, deixou o segundo pedido em sua gaveta para deliberação "em momento oportuno".
Governo mandou 27 propostas, e só 1 já foi aprovada no Congresso Em cinco meses de governo, o Executivo enviou 27 proposições para análise do Congresso, mas só conseguiu aprovar, até agora, sua primeira medida provisória.
Embora haja movimentos efetivos do Congresso para barrar ou atrasar propostas do governo de Jair Bolsonaro (PSL), os números acima não podem ser usados como indicativo cabal disso.
Projetos de lei e propostas de emenda à Constituição, por exemplo, tradicionalmente levam muito tempo para serem votados --alguns cumprem anos de tramitação.
De acordo com levantamento feito pela reportagem com base nos dados da Câmara, o presidente editou 14 medidas provisórias, oito projetos de lei, uma PEC (a da reforma da Previdência) e mais quatro proposições de outros tipos.
Destes, foi aprovado nas duas Casas, por enquanto, apenas a medida provisória da reforma ministerial, a primeira editada pelo presidente, em 2 de janeiro. No sufoco, o texto recebeu o aval do Legislativo na última semana antes de perder validade.
Outras duas medidas consideradas prioritárias para o governo podem caducar nesta segunda-feira (3), se não houver quórum no Senado.
Outros projetos também caminham com lentidão. A reforma da Previdência demorou mais de dois meses para sair da CCJ (Comissão de Constituição e Justiça) da Câmara e agora aguarda ser votada na comissão especial.
Já o projeto de lei que altera a aposentadoria dos militares teve sua comissão criada apenas na semana passada. Porém, ainda não está nem sequer funcionando para receber emendas.
Para efeito de comparação, a reforma da Previdência do governo Lula, em 2003, levou sete meses para ser aprovada pelo Congresso.
Embora tenha resolvido seus conflitos com o presidente Jair Bolsonaro (PSL) publicamente, o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), ainda é um crítico do governo. Para ele, a equipe no Palácio do Planalto não possui uma agenda para o país, mesmo que o mandato tenha começado há mais de cinco meses.
Dessa forma, o democrata avalia que o país caminha para um status de colapso social. "Para onde a gente está indo não é bom. A gente precisa que cada um, com sua atribuição, colabore, principalmente Executivo e Legislativo, para construir pautas além da Previdência, para que a gente possa cuidar desses brasileiros que estão cada vez mais em uma situação que eu tenho chamado de colapso social. Estamos caminhando de forma muito rápida para esse colapso social", declarou o deputado federal ao jornal O Globo, na noite desse domingo (2).
Questionado sobre a sua posição nesse cenário, Maia disse que mantém uma relação de diálogo com Bolsonaro, mas não descartou a possibilidade de viver um relacionamento de "idas e vindas" com o chefe do Executivo, como questionado pela publicação.
Ele esclarece que o pacto entre os três poderes, que foi anunciado pelo governo federal, na verdade se trata de "uma informação mal colocada". Na última terça (28), Maia e Bolsonaro se reuniram com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP), e o presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Dias Toffoli. Ao fim da reunião, o Palácio do Planalto divulgou que os quatro iriam assinar um pacto a favor de pautas como a reforma da Previdência (saiba mais aqui), mas Maia nega.
"O ministro Toffoli fez uma proposta de um pacto, não me lembro dos termos exatos, mas era mais de princípios, o governo veio com uma contraproposta mais política, mais ideológica, nós vamos estudar porque eu não posso assinar algo que eu não tenha apoio majoritário. Acho que a assinatura de um pacto de princípios entre os três poderes pode ser uma coisa interessante", defende. Ele acrescenta que foi seu correligionário, o ministro da Casa Civil Onyx Lorenzoni (DEM-MS) quem divulgou a informação, sem que antes houve “uma construção política amarrada”. De acordo com Maia, "ele entregou um documento, ninguém leu" e ficou a impressão de que eles assinaram um pacto em cima daquele texto.
No Judiciário, a ideia também não foi bem recebida. A Associação dos Juízes Federais (Ajufe), por exemplo, criticou o envolvimento da Corte. Para a entidade, não cabe ao STF assumir compromissos em prol da reforma da Previdência.
Na marcha dos prefeitos que acontece na manhã desta segunda-feira (3) em Salvador, o presidente da União dos Municípios da Bahia (UPB), Eures Ribeiro (PSD), voltou a defender a unificação das eleições. Para ele, a medida é "salutar para a democracia".
Pela proposta dos parlamentares, os atuais prefeitos e vereadores, que terminariam os mandatos no próximo ano, encerrariam o governo apenas em 2022, quando teria uma eleição geral para todos os cargos.
"Ter em dois em dois anos eleição, com custo altíssimo para os cofres públicos, não é bom para a democracia. Entendo que a unificação, além da economia para o processo eleitoral, vai dar uma dinâmica. Entendo que a unificação é muito salutar para a democracia e até para economicidade dos cofres públicos", argumentou Eures, que é prefeito de Bom Jesus da Lapa e encerra o segundo mandato em 2020.
Nota da redação deste Blog - Realmente, é salutar para o bem estar deles, e o povo que exploda.
Por óbvio, o Parlamento parla e o Executivo executa. O presidente Jair Bolsonaro subverte essa lógica, ao executar pouco e estar se candidatando a ser o presidente mais falante da história da República, mas a principal questão nem é essa, é se Bolsonaro realmente tem um plano de governo para executar no País.
Até agora, lá se vão cinco meses de governo, o presidente aproveitou a oportunidade de ter os microfones e a caneta de presidente – muito mais poderosa do que a de Rodrigo Maia, como bem lembrou – para transformar em políticas de Estado as velhas crenças e convicções com as quais cresceu, educou seus filhos, bate papo com os amigos e vê o mundo.
FALA SEM PARAR – Pode ser que haja pesquisas no Planalto, pode ser que não, mas o fato é que Bolsonaro exercita o prazer de sair por aí pensando alto, falando o que bem entende e repetindo a sua tão bem sucedida campanha presidencial, em que era o centro das atrações e dos aplausos e nunca apresentou um plano de governo real. Um homem comum que veio por desígnios de Deus para mudar o País.
É assim que Bolsonaro estimula manifestações a favor de seu governo e contra o Legislativo e o Judiciário, propõe dois dias depois um pacto aos presidentes dos dois outros Poderes e termina a semana acusando o Supremo de “legislar” na questão da homofobia. Ainda aproveita o ensejo – uma convenção religiosa em Goiânia – para defender (ou anunciar?) um ministro evangélico para a Corte.
ESTADO LAICO – Se há praticantes católicos, espíritas, muçulmanos, judeus ou umbandistas no Supremo, não se sabe ou não é importante saber, até porque o Estado é laico e o critério religião não cabe na nomeação de ministros, que devem ter alto saber jurídico, independência e respeitabilidade. Se as pessoas acham que um ou outro não tem, é outra história.
O presidente do STF, Dias Toffoli, muito hábil, é desses que está bem com todo mundo e tem boa química com Bolsonaro, a ponto de ser convidado para um café do presidente com a bancada feminina aliada. Um peixe fora d’água. Mas Alexandre de Moraes, Marco Aurélio Mello e Celso de Mello reagiram à altura à fala sobre homofobia e “ministro evangélico”.
O PIB recua, o desemprego resiste e a estudantada volta às ruas, mas Bolsonaro atravessou a rua a pé até o plenário da Câmara, mantém os lives de internet sobre temas gerais e já traçou um rango em restaurante de estrada com caminhoneiros, uma das ameaças sobre o governo – e sobre a economia. E lá veio mais falação: “Estou comendo o pão que o diabo amassou”, lamentou-se o presidente, que estimulou os convivas não apenas a ter armas, como a usá-las.
MALAS AÉREAS – Ao longo da semana, ele sinalizou que tende a vetar a proibição de cobrança para despachar malas em aviões, reconhecendo que, se vetar, os passageiros não vão gostar; se não vetar, as empresas é que vão reclamar. Ah, se os diabos perseguissem os presidentes por decisões tão simples…
Na mesma fala, um ato falho. Apesar de tentar corrigir, ele admitiu que pesa na sua decisão o fato de a volta da bagagem gratuita ter sido proposta pelo PT. E saiu-se com essa: “Os caras (do PT) são socialistas, comunistas, estatizantes e gostam de pobre. Quanto mais pobre tiver, melhor”.
FOCO NELE – Pena que a área de Humanas esteja em baixa, porque a declaração merece análise sociológica, filosófica, política, psicológica. Primeiro, porque a declaração é pró-PT. Segundo, porque “gostar de pobre” é um dever de governantes e políticos. Terceiro: pobre anda mesmo de avião?
Assim, as manchetes são ocupadas, de um lado, pela economia patinando e o desemprego assolando e, de outro, pelas falas de Bolsonaro sobre suas crenças, seus desabafos e seus “foras”. Aparentemente, o presidente gosta de todo o foco nele, não no governo e nas soluções para o País.
Chanceler repete as asneiras que ouve, sem conferir a veracidade
Reinaldo José LopesFolha
Para quem se gaba de ter chegado ao poder usando os métodos mais modernos de comunicação direta com o eleitor via redes sociais, os integrantes do atual governo federal andam meio atrasados no quesito meme e conspiração internética. O pessoal está precisando se atualizar. Afinal, que outra explicação teríamos para o fato de que o chanceler Ernesto Araújo encheu a boca para repetir, em pleno Congresso, uma bobagem refutada há quase uma década?
Ocorre que nosso ministro das Relações Exteriores quis lançar dúvidas sobre as estimativas de aumento da temperatura média da Terra —usando um argumento aparentemente sofisticado.
MÉDIA GLOBAL – “Nos Estados Unidos, foi feito um estudo sobre estações meteorológicas, e diz que muitas estações que, nos anos 1930 e 1940, ficavam no meio do mato, hoje ficam no asfalto, na beira do estacionamento. É óbvio que aquela estação vai registrar um aumento extraordinário da temperatura. E isso entra na média global”, pontificou ele.
“Puxa”, dirá um desavisado, “esses climatologistas são todos umas toupeiras, né? Como é que não passou pela cabeça deles tentar levar em conta algo tão óbvio?”
Só para manter o clima de WhatsApp, insira aqui aquele meme com o Pica-Pau dizendo “Fui tapeado!” e dando um murro na própria mão.
VELHO GOLPE – Bom, tapeado só foi quem acreditou no ministro. Essa crítica acerca da qualidade das medições da temperatura mundo afora é um velhíssimo golpe de negacionistas climáticos, pessoal que acha que a humanidade não tem nada a ver com o aquecimento do planeta deste século (e que, em geral, ou recebe uma graninha da indústria dos combustíveis fósseis ou usa toucas de papel-alumínio).
Só que é lógico que isso já foi levado em conta. Em outubro de 2011 (sim, 2011, essa era longínqua na qual o governo Dilma gozava de excelentes índices de aprovação) foram divulgadas as conclusões do monumental estudo Temperatura da Superfície da Terra de Berkeley — como o nome indica, foi coordenado por pesquisadores da Universidade da Califórnia, em Berkeley. Sua intenção era justamente colocar à prova a hipótese de que havia problemas nas estações meteorológicas. Acontece que essa hipótese levou uma sova da realidade.
37 MIL ESTAÇÕES – A base de dados do estudo de Berkeley levava em conta informações de quase 37 mil locais diferentes. Desses, quase 16 mil foram confirmados, por satélite, como sendo rurais. Distantes do asfalto tão querido do nosso ministro.
E, adivinhe só, a tendência de aquecimento é a mesma em todos os conjuntos de dados —a totalidade dos locais, os locais urbanos e os locais rurais. Sim, em algumas estações há até tendência de resfriamento, o que é esperado dada a variabilidade regional do clima, mas em dois terços dos postos de medição o mundo está esquentando (cerca de um 1°C ao longo do último século). De quebra, medições de temperatura também são feitas por satélite (numa escala temporal mais curta, é claro). Sem surpresa alguma, tais medições confirmam o aquecimento, e é óbvio que elas não são influenciadas pela proximidade com o asfalto.
Talvez o ministro não tenha dito o que disse para engambelar os congressistas de caso pensado. Talvez esteja apenas enxergando pelo em ovo por razões ideológicas (ele é contra o “globalismo” dos “aquecimentistas”). Seja como for, isso não se faz, Ernesto.
Reportagem de página inteira de Vinicius Sassine e Bernardo Mello, edição de ontem de O Globo, focaliza as preocupações com o desempenho e rumo do governo e destaca que os generais mantém atenção essencial no uso do Twitter pelo presidente Jair Bolsonaro. E também por sua dubiedade em relação a Olavo de Carvalho, considerado pelos generais como um extravagante ideólogo da direita, que por diversas vezes atacou os militares do governo ofendendo-os com xingamentos.
Os generais ouvidos por Vinicius Sassine e Bernardo Mello concordaram em dar declarações desde que não tivessem seus nomes revelados.
DESCONTENTAMENTO – A reportagem é muito mais importante do que normalmente se possa pensar. A meu ver, constitui forte sinal de um processo de descontentamento, que começa a se tornar visível no convés da nave do poder. A reportagem cristalizou essa certeza.
Um dos generais, inclusive, pediu serenidade ao presidente da República: “Você não precisa dos radicais”. Tal frase só se tornou possível com base em forte amizade, pois, caso contrário poderia ser interpretada como uma ameaça.
As frases e até as palavras, digo eu, possuem entonações que variam de uma situação para a outra. Os generais estão atentos e se preocupam com a responsabilidade em torno dos tropeços do presidente.
NUVEM DE CONFLITO – A reação às interferências de Olavo de Carvalho acentua uma divergência, envolvendo-os numa nuvem de conflito entre o professor da Virgínia e os setores mais próximos do poder. Mas as preocupações não se esgotam nesse patamar, embora bastante críticas. Duas outras questões se colocam. São elas: a liberação de armas de fogo e a troca de cargos no Ministério da Educação.
Um general afirmou: como ficariam as forças armadas se recebessem a pecha de terem contribuído e terem sido responsáveis pela venda de armas de fogo?
O mesmo general acrescentou: os militares torcem para o governo dar certo. Caso contrário, os militares serão criticados a respeito de como os salvadores da Pátria falharam.
ENTREVISTAS – Após a ironia leve as entrevistas se sucederam. O Comandante do Exército Edson Leal Pujol é da mesma turma de Jair Bolsonaro na Academia de Agulhas Negras, como o general Otávio Rego Barros. Também por coincidência os generais Augusto Heleno, Carlos Alberto Santos Cruz e Floriano Peixoto já integraram forças de paz em atuação no exterior.
O general Eduardo José Barbosa, presidente do Clube Militar disse que os tempos agora são outros, o que contribui para o perfil moderado dos oficiais que participam diretamente no governo.
Como expuseram Vinicius Sassine e Bernardo Mello, que realizaram as entrevistas, todas as declarações não foram proferidas de uma só vez.
MUITA PREOCUPAÇÃO – A atmosfera de Brasília não é de calmaria, ao contrário, é de preocupação. Essa preocupação cuja existência já se sentia nas ruas, passou a ter forma e tom. Para atestar tal situação basta ler e reler a redação final da matéria.
Então na releitura surge de forma cristalina a reação negativa principalmente contra Olavo de Carvalho, personagem sombrio do processo democrático. E como os generais o acusam de provocar a dubiedade, tal assertiva se encontra tanto na posição do presidente Bolsonaro quanto nas mensagens do filósofo da Virgínia.
A reportagem de página inteira representa uma análise que traduz e ilumina uma verdade até então oculta no sistema de poder.