terça-feira, março 15, 2011

Sem renovação: jovens são parentes de políticos

Levantamento do Congresso em Foco mostra que dos 40 deputados com idade mais baixa na Câmara, nada menos que 32 são parentes de outros políticos. Ou seja: são herdeiros dos votos de seus pais, avós ou tios, e não de fato novos nomes na política
Diógenis Santos/Câmara
Wilson Filho é filho de Wilson Santiago. Praticamente todos os jovens deputados são parentes de políticos antigos

Edson Sardinha

Alguns deles mal deixaram a adolescência. Outros já circulam pelos corredores do Congresso com a desenvoltura de veteranos apesar da pouca idade. Embora representem quase um quarto da população do país, os brasileiros entre 21 e 34 anos ocupam menos de 8% das cadeiras da Câmara. Mais precisamente, 40 das 513 disponíveis. Uma distorção que encobre outra. Se entrar para o Congresso no auge da juventude é para poucos, conquistar uma vaga sem vir de um berço político é para pouquíssimos entre os mais jovens: um feito para apenas oito desses deputados.

Nada menos que 32 dos parlamentares mais jovens da atual legislatura – que não têm idade para cobiçar uma vaga no Senado – são originários de famílias que usufruem ou já experimentaram do poder político. Entre eles, 26 podem dizer literalmente que o gosto pela política passou de pai para filho: são herdeiros diretos de ex-governadores, ex-ministros, deputados, senadores, prefeitos e vereadores. Onze deles adotam Filho, Júnior ou Neto no nome parlamentar. Os outros seis herdaram o prestígio de tios e primos famosos no meio político. Os dados fazem parte de levantamento exclusivo feito pelo Congresso em Foco.

O peso do berço é tanto maior quanto menor a idade dos deputados. Dos 15 deputados que têm menos de 30 anos, somente dois – Manuela D’Ávila (PCdoB-RS), de 29, e Guilherme Mussi (PV-SP), de 28 – não são de famílias de políticos. Manuela é minoria, ainda, em outros dois quesitos. Além dela, apenas dois deputados com menos de 35 anos declaram ter entrado para a política por meio do movimento estudantil – Miguel Correa (PT-MG) e Luiz Fernando Machado (PSDB-SP). A lista dos 40 mais jovens tem predominância masculina maior que a média da Câmara: a bancada feminina, nesse caso, resume-se à deputada gaúcha e à paulista Bruna Furlan (PSDB), de 27 anos.

O conservadorismo que se vê na repetição dos sobrenomes e na diminuta presença feminina também se reflete na filiação partidária. Ao todo, 30 dos 40 parlamentares mais jovens estão filiados a partidos de centro e centro-direita. O DEM e o PMDB, com seis representantes cada, são as legendas que concentram mais deputados com menos de 35 anos. Tradicionalmente considerados partidos de esquerda e centro-esquerda, PT, PCdoB, PSB e PV somam apenas dez entre os parlamentares mais jovens.

O Congresso em Foco ouviu quatro jovens parlamentares com trajetória política diferente sobre as dificuldades que enfrentaram para conquistar o mandato: Luiz Fernando Machado e Manuela D’Ávila, que trilharam caminhos distintos dentro do movimento estudantil, e Ratinho Júnior (PSC-PR) e Efraim Filho (DEM-PB), que chegaram à política sob as bênçãos de pais com experiência no meio político.

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Veja a lista de todos os jovens deputados e seus parentes políticos

Bons de patrimônio

O poder político quase sempre vem acompanhado do econômico. Juntos, os deputados mais novos têm patrimônio declarado de R$ 30,5 milhões. Ao todo, 12 deles informaram à Justiça eleitoral possuir bens avaliados em mais de R$ 1 milhão. O mais rico entre eles, a julgar pela declaração, é Wilson Filho (PMDB-PB), filho do senador Wilson Santiago (PMDB-PB).

Segundo mais jovem entre todos os 513 deputados, com 21 anos, Wilson informou ter R$ 4,8 milhões em patrimônio. Ele aparece logo à frente do líder do DEM, Antônio Carlos Magalhães Neto (DEM-BA). Neto do ex-senador Antônio Carlos Magalhães (DEM-BA) e filho do ex-senador Antônio Carlos Júnior (DEM-BA), o deputado em terceiro mandato declarou possuir R$ 2,5 milhões em bens móveis e imóveis. O dono do terceiro maior patrimônio, de R$ 2,4 milhões, é o deputado em segundo mandato Felipe Bornier (PHS-RJ), filho do também deputado Nelson Bornier (PMDB-RJ).

Cinco deputados com menos de 35 anos declararam não possuir bens: Bruna Furlan, Áureo (PRTB-RJ), Luiz Carlos (PSDB-AP), Vinícius Gurgel (PRTB-AP) e Davi Alcolumbre (DEM-AP). Em sua terceira legislatura, Alcolumbre é um dos 16 deputados que, apesar de não terem idade para serem senadores, acumulam mais de um mandato na Casa. Ele é sobrinho do suplente de senador Salomão Alcolumbre e primo do deputado estadual Isaac Alcolumbre. Ele, Luiz Carlos e Vinícius Gurgel formam a bancada estadual com mais parlamentares jovens: dos oito amapaenses, três não atingiram a idade mínima para o Senado, que é de 35 anos. Na Câmara, a idade mínima exigida é de 21 anos.

Em números absolutos, o Rio de Janeiro e Minas Gerais são os estados com mais deputados jovens. São seis do Rio e cinco de Minas. A mais numerosa das bancadas estaduais, São Paulo aparece apenas na terceira colocação, com quatro representantes.

A relação dos deputados mais jovens traz ainda outro dado curioso: sete deles foram os mais votados em seus estados. São eles: os novatos Renan Filho (PMDB-AL), filho do senador Renan Calheiros (PMDB-AL); Domingos Neto (PSB-CE), filho do vice-governador cearense, Domingos Filho, e Vinícius Gurgel, filho da deputada estadual Telma Gurgel (PRTB-AP), e os já experientes Manuela D’Ávila, ACM Neto, Valadares Filho (PSB-SE), filho do senador Antônio Carlos Valadares (PSB-SE), e Ratinho Júnior, filho do apresentador de TV e ex-deputado federal Carlos Massa, o Ratinho.

Veja a lista de todos os jovens deputados e seus parentes políticos

Fonte: Congressoemfoco

Equipe econômica comandada por Guido Mantega está cada vez mais especializada em fazer maquiagem nas contas do governo.

Carlos Newton

Pesquisa feita pelo economista Mansueto Almeida, do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (IPEA), que é um órgão do próprio governo, subordinado à Secretaria de Assuntos Estratégicos, mostra que a equipe econômica chefiada pelo ministro Guido Mantega está se especializando em maquiar as contas do Orçamento-Geral da União.

Até então, a mais conhecida investida ocorrera no ano passado, quando a capitalização da Petrobrás acabou gerando, contabilmente, uma receita de R$ 31,9 bilhões para o Tesouro. Agora, a nova maquiagem está sendo feita na rubrica “Restos a Pagar” do Orçamento.

Entre 2006 e 2010 o governo veio acumulando volumes crescentes de restos a pagar, empenhando despesas num exercício e deixando o pagamento para o ano seguinte. Mas nem todo pagamento ocorreu no prazo oficialmente previsto, e os valores em atraso foram empurrados para a frente.

Como o Orçamento cresceu em todos os anos, isso também contribuiu para inflar o total de pagamentos adiados. E resultou na criação de uma espécie de orçamento paralelo, cada vez mais difícil de administrar.

A partir de 2006, o montante cresceu de forma ininterrupta e chegou em 2011 a R$ 128,78 bilhões, total de restos a pagar herdado pela presidente Dilma Rousseff em seu primeiro ano de mandato. Esse valor não aparece no Orçamento e, portanto, não é atingido pelo corte de R$ 50,1 bilhões anunciado pelo governo federal.

Segundo o economista Mansueto Almeida, do IPEA, para ajustar de fato as contas, o governo precisará cortar muito mais que o valor prometido de R$ 50 bilhões. Isso já foi reconhecido no Ministério da Fazenda e o secretário do Tesouro, Arno Augustin, até anunciou a intenção de quitar apenas R$ 41,1 bilhões neste ano, rolando R$ 87,68. Será que conseguirá pagar alguma coisa? Ou no próximo Orçamento aparecerão ainda mais “restos a pagar”?

Essas maquiagens nas contas mostram que, se ainda não há transparência nem mesmo no Orçamento da União, o que pensar das empresas estatais? E o mais curioso nessa depreciativa história é que a denúncia partiu do IPEA, justamente quando o ministro Moreira Franco, a quem o Instituto está subordinado, critica sua direção por considerá-la “pouco crítica” em relação ao governo.

Na verdade, o IPEA oferece ao país uma bela demonstração de independência funcional, dando

um exemplo de como precisa ser independente todo instituto de pesquisas ou qualquer órgão subordinado ao governo, já que seus técnicos não trabalham para corroborar o que pretende o eventual inquilino/a do Planalto, mas para atender os interesses do Estado brasileiro.

Fonte: Tribuna da Imprensa

Nós e o imponderável

Carlos Chagas

Um povo que superou o impacto de duas bombas atômicas é forte o suficiente para enfrentar terremotos, tsunamis e vazamento nuclear em suas usinas. Os japoneses já sofreram o insofrível, precisando render-se aos americanos na Segunda Guerra Mundial.

A gente fica pensando o que seria do Brasil caso vivêssemos tragédias iguais. Os deslizamentos na serra fluminense ou as enchentes em Santa Catarina, antes, demonstraram ânimo suficiente de nossa parte, ainda que nem de perto possam ser comparadas as situações. Deveríamos dar graças a Deus por nossa inclusão privilegiada no planeta, mas seria bom estarmos preparados para o imponderável. Pode constituir-se apenas em questão de tempo vir o país a ser atingido por forças rebeldes da natureza, senão daqui de baixo, quem sabe lá de cima, na forma de um meteoro gigante ou um cometa.�

Não se trata de previsões tresloucadas, mas, apenas, de prevenção. O elemento básico em toda catástrofe ou desgraça de proporções monumentais é o ser humano. A população, que necessita estar preparada. Aqui a coisa emperra, apesar de alguns avanços verificados nos últimos anos através da criação de órgãos de Defesa Civil e congêneres, existentes em todos os municípios. O que os prefeitos estão devendo é empenho. Eles e os governos estaduais e federal.

Adianta pouco decretar Estado de Calamidade depois que uma delas, bissextamente, nos atinge. Necessário se torna treinar o povo para qualquer eventualidade, à maneira dos passageiros de transatlânticos que durante as longas viagens enfrentam pelo menos uma simulação de naufrágio, sabendo para que convés correr e em que barco salva-vidas posicionar-se. Como agir e porque agir torna-se essencial.�

Num país cheio de outras prioridades, não faltará quem rotule como bobagem essas cautelas. Infelizmente, só até o dia em que se tornar imprescindível responder a uma desgraça de proporções imensuráveis, como os japoneses estão fazendo.�

FALTA OXIGÊNIO AO DEM

O senador José Agripino assume hoje a presidência do DEM, partido posto em frangalhos desde o tempo em que se chamava Frente Liberal. Nos idos da sucessão do último governo militar, insurgiu-se o grupo mais respeitável das bancadas situacionistas. Para evitar a vitória de Paulo Maluf no Colégio Eleitoral, formaram a dissidência que apoiou Tancredo Neves.

De Aureliano Chaves a José Sarney, Marco Maciel, Antônio Carlos Magalhães, Edison Lobão, Hugo Napoleão e Jorge Bornhausen, entre outros, tornaram-se credores do regime democrático logo instaurado. Apesar de inspiradores da política neo-liberal adotada por Fernando Collor e por Fernando Henrique, foram lentamente postos à margem, para não falar em defecções.

Hoje, o DEM é um partido posto em frangalhos, trilhando a avenida do desaparecimento. Falta-lhe oxigênio para continuar empolgando sequer os mais empedernidos conservadores.

Fazer o que? Há quem sustente, em sua minoria pensante, que a primeira iniciativa seria desvincular-se dos tucanos. Tentar agir em separado, não mais a reboque do PSDB. Até aproximar-se do governo Dilma, jamais em busca de nomeações, benesses e favores, como outros fazem, mas pelo fato de que a presidente da República desenvolve uma política econômica afinada com o programa do DEM.�

DE VOLTA AO PASSADO

Nesse período de reciclagem dos partidos derrotados no último outubro, os tucanos também sofrem. Obrigam-se a fazer oposição ao governo Dilma quando, no fundo, gostariam de estar aplaudindo sua política econômica. Afinal, julgam-se os pais da compressão do salário mínimo, dos cortes de gastos públicos e da desoneração das folhas de pagamento das empresas. O diabo é que não dá, e não dando, ficam atrás de fantasias e ilusões.

Uma delas poderia ser uma espécie de transfiguração de um de seus maiores líderes, o ex-governador José Serra, aquele que em 1964 presidia a União Nacional dos Estudantes e até discursou no comício do dia 13 de março. Uns poucos passos à esquerda talvez inflassem o partido, apesar do risco de entrarem em estado de choque personalidades como Fernando Henrique Cardoso e Tasso Jereissati. Alguma coisa precisa ser feita para recuperar o PSDB, só que ninguém sabe o quê… �

OBJETIVOS OCULTOS

Geddel Vieira Lima, ex-ministro da Integração Nacional no governo Lula, e José Maranhão, ex-governador da Paraíba, pretendem ser nomeados para vice-presidências da Caixa Econômica Federal. Orlando Pessutti, que por seis meses substituiu Roberto Requião no governo do Paraná, quer uma diretoria do Banco do Brasil. São todos do PMDB, derrotados em outubro e em busca de compensações. A pergunta é que contribuição poderão levar aos dois estabelecimentos financeiros federais. Na verdade, muito pouca. Imaginam, mesmo, formar bases de influência política para retornarem nas próximas eleições.

Fonte: Tribuna da Imprensa

Por que tantas homenagens à Folha de S. Paulo pelos seus 90 anos? Por que tanta hipocrisia a um jornal que abastarda a liberdade de imprensa?

Está em curso (e parece que não vai acabar nunca) um verdadeiro festival de homenagens à Folha de S. Paulo, como se fosse o jornal mais democrático e confiável do país. A presidente Dilma Rousseff compareceu, o presidente do Supremo, Cezar Peluso, também, foi uma festa cívica emocionante a celebração dos 90 anos do jornal.

Ainda não satisfeitos com os rapapés em São Paulo, decidiram expandir o festival para Brasília, onde Câmara e Senado, em sessões separadas, se dedicaram a bajular os dirigentes da cadeia de jornais do grupo Folha. (Por que não uma sessão única do Congresso? Afinal, sairia mais barato.)

Para lembrar aos leitores o que é na realidade o grupo Folha, vamos reproduzir um texto de Helio Fernandes, postado aqui no blog da Tribuna em 30 de novembro de 2009, em resposta à publicação pela Folha de S. Paulo de um artigo violentíssimo contra o então presidente Lula, cujo teor decididamente abastardou a liberdade de imprensa existente no país.

***

A FOLHA ENSANDECEU DE VEZ

A “Folha de S. Paulo”, que comeu o pão que o diabo amassou para sobreviver, crescer e dizer a que veio, tem história bastante controvertida. Vende cerca de 350 mil exemplares diariamente e cerca de 450mil aos domingos e, inexplicavelmente, como um carro desgovernado, abriu um de seus mais nobres espaços para que, num artigo de página inteira, seu colunista César Benjamin, narrasse o passado de militante contra a ditadura e, finalmente, pudesse contar um suposto fato duvidoso da vida do atual presidente.

Segundo ele, durante a campanha presidencial de 1994 (na qual César trabalhou como petista e assessor), Lula, em reunião descontraída, teria afirmado que, quando preso no distante 1980, teria assediado um outro prisioneiro. Sua investida foi infrutífera porque a possível vítima resistiu. A curiosa situação foi negada por todos os participantes do mencionado encontro.

Irresponsavelmente, talvez com intenção ao que parece dolosa (destruir a imagem de outrem), a “Folha de S. Paulo” ofereceu uma página inteira para que o colunista, cuja existência é ignorada por 99,99% dos brasileiros, pudesse ressuscitar uma confidência-brincalhona feita por amigo, em conversa sem compromisso e assim, quem sabe, mostrar ao mundo, que o presidente Lula, que está sendo festejado e bem recebido em muitos países, não merece toda essa reverência, respeito e homenagem. Isso porque teria assediado um companheiro de prisão em momento de descontrole emocional ou de quase delírio há TRINTA ANOS.

Por essa razão, o articulista aproveitou para dizer que não pretendia assistir ao filme “O filho do Brasil”, que tenta reviver a trajetória seguida pelo atual presidente, desde seu nascimento até sua chegada à Presidência da República. Ele assegurou que quando preso, no Rio de Janeiro, não sofreu ameaças por parte de nenhum dos mais famosos e temidos criminosos e com os quais chegou a ter relacionamento cordial. Estaria insinuando que sua sorte poderia ter sido diferente, se tivesse sido preso também em 1980, no DOPS de São Paulo?

Sem dúvida, este foi o MAIS INDECENTE “FURO JORNALÍSTICO” dos últimos tempos, que diminui a imprensa, a grandeza do Estado Democrático de Direito e que, desgraçadamente, põe novamente em discussão os limites do direito de os veículos de imprensa informarem, de destruírem honras alheias, famílias inteiras, atentarem contra a dignidade alheia e a auto-estima de um povo, que se imagina governado por gente honesta, equilibrada.

A desastrada e encomendada matéria, com espaço tão farto e privilegiado, exala um mau cheiro insuportável, forçando a mudança do slogan da “Folha de S. Paulo”, de “UM JORNAL A SERVIÇO DO BRASIL” para “UM JORNAL QUE NÃO RESPEITA O LEITOR”.

Votei no Lula em 2002 e logo depois passei a criticá-lo por discordar de caminhos que adotou, traindo seu passado de lutas e o próprio programa de governo que prometeu e nem chegou a montar. Meu jornal, Tribuna da Imprensa, com 60 anos, foi uma das maiores vítimas dos truculentos governantes revolucionários e por não transigir, foi também “castigado” pelos governantes ditos democratas, inclusive o Lula, que proibiram as estatais de nele anunciar, assim, afastando também os anunciantes privados.

A “Folha de S. Paulo”, diferentemente, foi “um jornal a serviço da ditadura” e que cresceu à sua sombra. Sua covardia e colaboracionismo com os mandantes militares eram tão acentuados que as edições do jornal saíram vários anos sem editorial. O jornal nem tinha opinião.

Economicamente deficitário, sobreviveu, entre meados de 1960 e início de 1980, graças à utilização irregular de um valorizadíssimo espaço público no bairro de Campos Elíseos, em São Paulo, onde montou a sua Rodoviária e para onde todos os ônibus que chegavam a São Paulo tinham que se dirigir. Essa centralização provocou durante décadas prejuízos incomensuráveis à cidade de São Paulo, que tinha seu trânsito totalmente congestionado, e à população, que tinha sua saúde afetada pelo excesso de poluição despejada no entorno da Rodoviária, uma gigantesca armação de ferro empastilhada e de um mau gosto ímpar.

No governo de Abreu Sodré, o coronel Fontenelle, diretor de trânsito de São Paulo, ameaçou deslocar a Rodoviária, descentralizando-a. A “Folha” ameaçou não dar sossego às autoridades de então se isto fosse efetivado. Nada aconteceu a não ser a morte do desautorizado coronel. Isto, sem falar na famosa história das “ASSINATURAS PERPÉTUAS”. (O senhor Otávio Frias exigiu a saída de Fontenelle. Demitido, no mesmo dia quando dava entrevista, morreu em frente às câmeras de televisão).

Como mostram alguns informes inseridos em diversos sites, se os inimigos da combativa “Folha de S. Paulo” dispusessem de uma página inteira para contar pormenores de seu surgimento, crescimento e consolidação como empresa jornalística, certamente, muitos casos inconvenientes poderiam surgir e que não deveriam assim mesmo ser publicados porque nada acrescentam ao dia-a-dia do leitor, como a absurda história, inescrupulosamente, publicada com a assinatura do colunista Benjamin, com o pleno conhecimento dos editores da mesma “Folha”.

Não dá para acreditar que a “Folha de S. Paulo”, que, competentemente, produz artigos e comentários fundamentados sobre os mais variados temas (jornal de maior circulação), tenha permitido que tamanho e tão comprometedor disparate tenha sido inserido em suas páginas.

Somente uma mente doentia e abominável poderia concordar com tal maldade, pois, goste-se ou não de Lula, a criminosa e intempestiva história atinge um cidadão que preside a República Federativa do Brasil há 7 anos e com aprovação de 70% de sua população, sem falar no prestígio que vem desfrutando no Exterior.

A matéria não é jornalística, não se justifica e foi mal montada. Seus escusos objetivos não foram bem dissimulados, o que só agrava a responsabilidade de quem autorizou sua edição e veiculação. Por muito menos, o conceituado jornal “O Estado de S. Paulo” vem sofrendo inaceitável censura prévia. O irresponsável artigo só faz crescer a convicção dos inimigos da liberdade de imprensa e que clamam por censura prévia mais ampla, indistintamente.

O comando editorial da “Folha de S. Paulo” tem a obrigação de, em primeira página, desculpar-se junto aos seus leitores, aos brasileiros em geral e aos eleitores de Lula e aos seus familiares por terem prestado tão sórdido desserviço ao país. Isso não é e nunca foi exercício democrático e nem uso responsável da liberdade de imprensa.

Otávio Frias, o pai de tudo, deve estar decepcionado com a falta de critério e de rumo de seus descendentes no comando do jornal “Folha de S. Paulo”.

A mente que produz e a que acolhe tão medonha “criação” não pode estar à frente de uma empresa de comunicação, que se quer responsável, criteriosa e comprometida com os interesses dos cidadãos brasileiros e do País. Basta. Meu estômago não é de ferro. Nem o dos 300 mil leitores que a própria Folha apregoa.

No mais, é pacífica a responsabilidade civil da empresa jornalística quando o autor da publicação tenha desejado ou assumido o risco de produzir o resultado lesivo, ou ainda, embora não o desejando, TENHA LHE DADO CAUSA POR IMPRUDÊNCIA, NEGLIGÊNCIA OU IMPERÍCIA. O fato de a “Folha” estar amparada pelo direito de liberdade de expressão não a isenta da responsabilidade pela prática de ato ilícito e, no caso, repugnante contra a figura de um Chefe de Estado e de Governo.

Assim, o direito da liberdade de informar não deve ser tolhido, mas exercido com responsabilidade sem lesionar os direitos individuais dos cidadãos. Em síntese, sem tirar nem por, com a extemporânea “revelação”, a “Folha de S. Paulo” abusou de seu direito de liberdade de expressão, o que resultou na violação da honra objetiva do cidadão Luiz Inácio Lula da Silva, presidente da República Federativa do Brasil, em âmbito nacional e internacional.

* * *

PS- Essa Folha de hoje que agride a si mesma e a seus leitores, tentando agredir o presidente da República de forma repugnante, é a mesma que servia de forma subserviente à ditadura. E que usava os carros (kombis) de transporte do jornal, e levava prisioneiros para as sessões amaldiçoadas nos porões da OBAN. (O correspondente ao Doi-Codi no Rio).

Além do mais, não há nem comprovação do fato noticiado e que teria SUPOSTAMENTE ocorrido em 1980, portanto há 29 anos. Lula realmente esteve preso, e nesse período sua mãe morreu, permitiram que ele fosse ao enterro. Era o mínimo que poderiam conceder.

PS2- A Folha nunca se mostrou o melhor exemplo da LIBERDADE DE IMPRENSA. Mas agora, vergonhosa e traumaticamente, o jornal mostra que é capaz de ser sempre e cada vez mais, saudosista da ditadura. E pode ser o jornal-arauto do regime que já identificam em alguns “paísecos” da América Central, (e não apenas aí) como DEMOCRACIA AUTORITÁRIA.

Dirceu quer apurar os crimes dos militares na ditadura e deixar de fora os crimes da luta armada. Assim, é melhor trocar o nome e instituir a

Carlos Newton

Com se sabe, a Comissão da Verdade, projeto de Lula que tramita no Congresso, visa a apurar exclusivamente os crimes (mortes, torturas, desaparecimentos, perseguições etc.) cometidos por militares na repressão à luta armada que tentou derrubar a ditadura de 64.

Seu mais ardoroso defensor chama-se José Dirceu. Em seu blog, dia 10 de março, Dirceu deixou bem clara a posição. “Ao ler a nota elaborada pelo Exército, endossada pela Marinha e a Aeronáutica e entregue ao Ministério da Defesa contra a aprovação pelo Congresso da Comissão da Verdade, sinto que a posição externada pelo conjunto das Forças Armadas no documento é mais grave do que pareceu à primeira vista, até mesmo para os jornais que a publicaram e repercutiram a partir de ontem”, destacou o deputado cassado, acrescentando:

Não dá para aceitar. Querem a reciprocidade, investigar a oposição e a resistência à ditadura? Investigar quem foi preso, torturado, condenado? Quem foi demitido e exilado, perseguido e viu sua família se desintegrar? Quem teve que viver na clandestinidade e no exílio para não ser preso e assassinado? Mas, estes todos já foram julgados. A maioria, apesar de civis, por tribunais militares de exceção e, quando condenados, cumpriram pena. Querem que sejam investigados e julgados duas vezes ou mais?”.

Como se vê, Dirceu só quer investigar o lado de lá, deixando o lado de cá previamente absolvido, mediante uma espécie de “habeas corpus preventivo”, que os isenta de investigação. Isso seria compreensível, se a luta armada tivesse sido organizada por democratas, que sonhavam em derrubar a ditadura e convocar eleições livres e diretas. Mas não era esta a nossa realidade. A gente só queria substituir uma ditadura de direita por uma ditadura de esquerda. E digo “a gente”, porque eu também estava nessa.

Há exatamente um ano, houve uma espécie de minicongresso das esquerdas de 64, no restaurante Lamas, para comemorar os 80 anos do jornalista Milton Coelho da Graça. Eu partilhava a mesma mesa de Marcelo Cerqueira, Edson Khair, Henrique Caban, Gloria Alvarez e Moyses Fuchs, entre outros. A conversa era muito animada, comandada por Alfredo Marques Viana.

Com a tarde já avançando, muitos participantes já tinham saído, nosso pequeno grupo começou a falar sobre a reação à ditadura militar. Até que Marcelo Cerqueira e eu levantamos a tese de que não havia democratas nessa disputa.

João Goulart sonhava ser Getúlio Vargas e ficar no poder indefinidamente. Miguel Arraes também tinha o mesmo objetivo. Prestes, idem, idem. Já Lacerda sonhava com uma revolução de direta, para depois empolgar o poder. Por isso, estava aliado aos militares. Juscelino também se aliou a eles. Era o mais democrata de todos e queria disputar as eleições que nunca viriam, mas acabou apoiando Castelo Branco.

O quadro na época tinha apenas duas correntes: a ditadura militar, que já estava estruturada e tinha apoio incondicional das eleites e de considerável parcela da classe média; e a reação, armada ou não, que lutava para implantar uma ditadura de esquerda, inspirada na revolução cubana, com “paredón” e tudo o mais.

Essa era a realidade daquela época. Fidel e Guevara eram nossos maiores ídolos. Na mesa do velho Lamas, que reunia históricos oponentes à ditadura militar, ninguém discordou dessa tese. Foi unanimidade, porque naquela época, todos reconhecemos, ninguém lutava mesmo por democracia.

Agora, vêm José Dirceu e seus áulicos do PT, que o seguem cegamente, a empurrar o governo de Dilma Rousseff para um despenhadeiro político. Mas por quê? Só Freud explica, e o faz facilmente. Qualquer um pode imaginar o inveja e o ódio que Dirceu devota a Dilma Rousseff. Em seu inflado ego, quem devia estar agora no Planalto era ele, o verdadeiro mentor do governo Lula, e não ela, uma simples substituta. Entao, se a presidente entrar em fria, o problema é dela.

A atual ministra dos Direitos Humanos, Maria do Rosário, que apoia Dirceu e defende ardentemente a Comissão da Verdade, naquela época nem tinha nascido, não sabe nada por vivência. Entrou facilmente no canto do cisne entoado por Dirceu, que se comporta como se a reação à ditadura tivesse sido empreendida por grandes defensores da democracia, e todo o pessoal da luta armada sonhava em convocar eleições livres e diretas. Negativo. Isso não existiu. Éramos todos marxistas, fidelistas e guevaristas, estávamos obcecados pela charmosa revolução cubana. Queríamos pegar em armas, como eles fizeram, e descer vitoriosos a Sierra Maestra, digo, a Serra do Mar. Esta era a realidade, não se pode mudar a História, mas Dirceu insiste.

A esse respeito, merece destaque um comentário enviado ao blog por Welinton Naveira e Sila:

“A questão das torturas, seqüestros, assassinatos e terrorismos, largamente praticados pela ditadura militar, a meu ver, de há muito que tudo deveria ter sido esclarecido, em definitivo. Se isso tivesse acontecido, todo esse grande mal decorrente de nosso recente e trágico passado, ainda não sepultado, já teria sido morto e enterrado. Com certeza. A coragem e hombridade são importantes atributos que nunca podem faltar ao nosso militar. Portanto, passa da hora de começar abrir todos os arquivos e documentações escondidas, pondo tudo em pratos limpos, as vistas de todos os interessados. Vai doer sim, mas logo, o grande tumor estará esgotado e cicatrizado. Além do que, ninguém será punido pelos crimes cometidos. Punidos, continuam sendo os pais e parentes dos desaparecidos. Esses sim, continuam sendo castigados, sem nada ter feito. Depois de anos de tantas buscas e recursos exauridos, extenuados e desiludidos, a essa altura já não sabem mais a quem recorrer para localizarem o paradeiro de seus entes queridos. Também, se algum crime foi cometido pelo pessoal da esquerda, que seja posto bem a luz dos esclarecimentos, sem dúvida alguma. Cometer grandes erros faz parte da miséria humana. Temos que reconhecer essa cruel e dura realidade. Por isso mesmo, estamos aqui neste mundo, espiritualmente, muito atrasado. Acreditem.”

Perfeito o comentário de Naveira e Silva. Se o Congresso aprovar o projeto de Lula e determinar a instalação da Comissão da Verdade, destinada a investigar exclusivamente os crimes (mortes, torturas, desaparecimentos, perseguições etc.) cometidos por militares na repressão à luta armada que tentou derrubar a ditadura de 64, será um erro histórico. Não merece ser chamada de Comissão da Verdade, porque só vai apurar meias verdades. A revolução precisa ser passada a limpo, mas a luta armada também precisa. Ao apontar os crimes dos outros, não podemos esconder nossos crimes. Isso não é democracia.

Por fim, já ia esquecendo. Milton Coelho da Graça, nosso homenageado no Lamas, é uma figura lendária das esquerdas. Foi perseguido, torturado, perdeu os dentes de tanta pancada. Sua carreira foi interrompida, sofreu muito, sem nunca perder a altivez e a dignidade. Recorreu à Comissão de Anistia, pedindo a pensão a que faz jus. Mas seu pleito foi negado, sob alegação de Milton não ter sido prejudicado pela ditadura.

Lula nunca foi torturado e tem pensão, Fernando Henrique, o enganador-mor, nunca nem foi preso e tem pensão da USP. Milhares de enganadores recebem a tal bolsa-ditadura. Mas o lendário Milton Coelho da Graça não tem o mesmo direito. Que país é esse, Francelino? É o país do José Dirceu.

Fonte: Tribuna da Imprensa

Kassab discute criação do PDB em Salvador


Política

Kassab discute criação do PDB em Salvador
Publicada: 15/03/2011 00:22| Atualizada: 14/03/2011 23:21

Fernanda Chagas

Conforme a Tribuna havia antecipado, a vinda do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, à capital baiana, no próximo dia 20, para discutir a aglutinação de forças do novo partido no estado – Partido Democrático Brasileiro (PDB) –, está mais do que confirmada. O encontro, coordenado pelo vice-governador Otto Alencar (PP), tido como nome forte para comandar a sigla na Bahia, está marcado para as 9h, no Hotel Fiesta. O objetivo é costurar o máximo de alianças em torno do projeto, que vem com a promessa de agregar grandes lideranças.

Sem meias palavras, o vice-governador, por exemplo, assegurou que a presença de Kassab está totalmente confirmada e que ele irá trabalhar para ser o presidente da legenda no estado. “É um esforço muito grande, que demanda de muitas articulações e jogo de cintura, afinal quem perde nunca fica satisfeito. Mas, pelo meu tempo de estrada política, posso adiantar que estou preparado”, destacou, confiante, complementando que a nova sigla será um partido da base não apenas da presidente Dilma Rousseff, como também do governador Jaques Wagner.

“O que, consequentemente, irá atrair muitos insatisfeitos com as imposições dos dirigentes das suas atuais moradas”. Vale lembrar que quem se filiar a uma legenda que não existia na eleição anterior estará livre de ser punido pela lei de Fidelidade Partidária temida por todos.

Conforme ele, a expectativa em relação ao primeiro encontro do PDB na Bahia é das melhores. “Trata-se de uma reunião com lideranças políticas que serão os signatários da criação do PDB, a começar por mim. Contaremos também com a presença de deputados estaduais e federais de diversos partidos que têm contestado a inflexibilidade da lei eleitoral e projetam buscar novos ares”.

Nos corredores da Assembleia, por exemplo, corre solto que a oposição, tida hoje como enfraquecida, tende a minguar ainda mais.

Nenhum partido da base contrária - DEM, PMDB, PR e PSDB - estaria isento de sofrer baixas. Na ala do DEM, pelo menos 12 integrantes, somente entre deputados e ex-deputados, estariam de malas prontas.

Ainda conforme Otto, desembarcará em Salvador também cerca de 320 prefeitos que apoiaram o governador nas últimas eleições e integram partidos de oposição. A maioria, diga-se de passagem, tende a migrar para o PDB.

"Muitos prefeitos na Bahia filiados ao DEM, PR e PSDB que apoiaram o governador e que estão sendo intimidados pelos dirigentes das suas atuais legendas. O próprio DEM já disse isso, o PMDB pode fazer como fez com o prefeito João Henrique, e como a legislação atual não permite mudanças, a não ser para um novo partido, o PDB é visto como salvação para esses gestores”, reforçou.

Indio da Costa cogita sair do DEM

Candidato a vice-presidente da República na chapa do tucano José Serra, o ex-deputado Indio da Costa (RJ) é mais um integrante da ala dos insatisfeitos do DEM que pensa em deixar o partido.

Com planos de se candidatar à prefeitura do Rio em 2012, Indio também cogita ingressar no PDB.

Outra hipótese seria se filiar ao PSDB, mas, novato entre os tucanos do Rio, o ex-deputado poderia ter dificuldade de viabilizar a candidatura a prefeito. A disputa presidencial afastou Indio dos principais líderes do DEM no Rio de Janeiro.

“O que vai definir o futuro de todos do DEM é o espaço que cada um terá para crescer regionalmente. Vamos ver se o DEM do Rio vai seguir outro rumo ou se vai continuar sendo um partido cartorial na mão do Cesar Maia e do Rodrigo Maia. Precisamos ver as condições regionais”, afirmou Indio, deixando clara a sua insatisfação.

Fonte: Tribuna da Bahia

Justiça dá benefício sem documentos

Ana Magalhães
do Agora

A Justiça decidiu que os atrasados do INSS (Instituto Nacional do Seguro Social) devem ser pagos desde a data do primeiro pedido do benefício no posto, mesmo se o segurado não entregou todos os documentos exigidos pela Previdência Social.

A decisão da Turma Regional de Uniformização da 4ª Região (que atende os Estados do Sul) foi publicada no "Diário da Justiça Eletrônico" no dia 7 de janeiro. No caso, uma segurada pediu, no INSS, a conversão do tempo especial (dedicado a atividades insalubres) em comum para poder se aposentar por tempo de contribuição. Esse benefício do INSS exige 35 anos de contribuição, para homens, e 30 anos, para mulheres.

Ela fez o pedido no posto apenas com a sua carteira de trabalho. O INSS, na ocasião, negou o benefício, já que faltou ela comprovar os anos dedicados à atividade nociva à saúde por meio do laudo PPP (Perfil Profissiográfico Previdenciário). Na Justiça, ela conquistou o benefício e garantiu também mais grana dos atrasados --correção dos valores não pagos pelo INSS. Isso porque a Justiça entendeu que os atrasados começariam a valer desde a data em que ela fez o pedido no posto.

  • Leia esta reportagem completa na edição impressa do Agora nesta terça,

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segunda-feira, março 14, 2011

Insurreição e intervenção militar na Líbia: EUA-OTAN tentaram golpe de Estado?

Escrito por Michel Chossudovsky

12-Mar-2011

Os EUA e a OTAN estão apoiando uma insurreição armada na Líbia Oriental, tendo em vista justificar uma "intervenção humanitária".

Isto não é um movimento de protesto não violento como no Egito e na Tunísia. As condições na Líbia são fundamentalmente diferentes. A insurreição armada na Líbia Oriental é apoiada diretamente por potências estrangeiras. A insurreição em Benghazi imediatamente arvorou a bandeira vermelha, negra e verde com o quarto crescente e a estrela: a bandeira da monarquia do rei Idris, a qual simbolizava o domínio das antigas potências coloniais. (ver Manlio Dinucci, Libya-When historical memory is erased , Global Research 28/02/2011)

Conselheiros militares e forças especiais dos EUA e OTAN já estão no terreno. A operação foi planejada para coincidir com o movimento de protesto em países árabes vizinhos. A opinião pública foi levada a acreditar que o movimento de protesto havia se espalhado espontaneamente da Tunísia e do Egito para a Líbia.

A administração Obama em consulta com os seus aliados está ajudando a rebelião armada, nomeadamente uma tentativa de golpe de Estado.

"A administração Obama está pronta a oferecer qualquer tipo de assistência a líbios que procurem derrubar Muammar Kadafi", secretária de Estado Hillary Clinton (27 de fevereiro).

"Temos estendido a mão a muito diferentes líbios que tentam organizar-se no leste e para que a revolução mova-se também em direção oeste", disse Clinton. "Penso que é demasiado cedo para dizer como vai terminar, mas temos de estar prontos e preparados para oferecer qualquer espécie de assistência que alguém pretenda ter dos Estados Unidos".

Há esforços encaminhados para formar um governo provisório na parte leste do país, onde a rebelião começou em meados do mês. Os EUA, disse Clinton, ameaçam mais medidas contra o governo de Kadafi, mas não disse o que eram ou quando poderiam ser anunciadas. Os EUA deveriam "reconhecer algum governo provisório que eles estejam tentando por de pé..." (McCain)

Lieberman falou em termos semelhantes, urgindo "apoio tangível, uma zona de interdição de voo, reconhecimento do governo revolucionário, de cidadãos, e apoiá-los com assistência humanitária - e eu lhes forneceria armas". (Clinton: US ready to aid to Libyan opposition - Associated, Press , 27/02/2011)

A invasão planejada

Uma intervenção militar é agora contemplada pelas forças dos EUA e OTAN sob um "mandato humanitário".

"Os Estados Unidos estão movendo forças navais e aéreas na região" para "preparar o conjunto completo de opções" na confrontação com a Líbia: o porta-voz do Pentágono, Cor. Dave Lapan, dos Fuzileiros Navais, fez este anúncio em 1º. de março, dizendo que "foi o presidente Obama que pediu aos militares para prepararem-se para tais opções, porque a situação na Líbia está a ficar pior" (Manlio Dinucci, Preparing for "Operation Libya": The Pentagon is "Repositioning" its Naval and Air Forces... , Global Research, 03/03/2011, sublinhado do autor).

O objetivo real da "Operação Líbia" não é estabelecer democracia, mas sim tomar posse das reservas de petróleo líbias, desestabilizar a National Oil Corporation (NOC) e finalmente privatizar a indústria petrolífera do país, nomeadamente transferir o controle e a propriedade da riqueza petrolífera da Líbia para mãos estrangeiras. A National Oil Corporation (NOC) está classificada entre as 100 principais companhias de petróleo (A Energy Intelligence classifica a NOC no 25º lugar entre as 100 principais companhias do mundo – Libyaonline.com ).

A Líbia está entre as maiores economias petrolíferas do mundo com aproximadamente 3,5% das reservas de petróleo globais, mais do que o dobro daquelas dos EUA.

A planejada invasão da Líbia, já em curso, faz parte do conjunto mais vasto da "Batalha pelo petróleo". Cerca de 80% das reservas petrolíferas da Líbia estão localizadas na bacia do Golfo de Sirte da Líbia Oriental.

As concepções estratégicas por trás da "Operação Líbia" recordam empreendimentos militares anteriores dos EUA-OTAN na Iugoslávia e no Iraque.

Na Iugoslávia, forças dos EUA-OTAN desencadearam uma guerra civil. O objetivo era criar divisões políticas e étnicas, as quais finalmente levaram à fragmentação de todo um país. Este objetivo foi alcançado através do financiamento encoberto e do treino de forças paramilitares armadas, primeiro na Bósnia (Bosnian Muslim Army, 1991-95) e a seguir no Kosovo (Kosovo Liberation Army, KLA, 1998-1999). Tanto no Kosovo como na Bósnia a desinformação da mídia (incluindo mentiras rematadas e falsificações) foram utilizadas para apoiar afirmações dos EUA-União Européia de que o governo de Belgrado havia cometido atrocidades, justificando dessa forma uma intervenção militar com razões humanitárias.

Ironicamente, a "Operação Iugoslávia" agora está nos lábios dos feitores da política externa estadunidense: o senador Lieberman comparou a situação na Líbia aos acontecimentos nos Balcãs na década de 1990 quando, disse ele, os EUA "intervieram para travar um genocídio contra os bósnios. E a primeira coisa que fizemos foi proporcionar-lhes as armas para se defenderem. Isso é o que penso que podemos fazer na Líbia" ( Clinton: US ready to aid to Libyan opposition – Associated Press, 27/02/2011).

O cenário estratégico seria pressionar rumo à formação e reconhecimento de um governo interino da província secessionista, tendo em vista finalmente fragmentar o país. Tal opção já está a caminho. A invasão da Líbia já começou.

"Centenas de conselheiros militares estadunidenses, britânicos e franceses chegaram à Cirenaica, a província separatista do Leste. Os conselheiros, incluindo oficiais de inteligência, foram lançados de navios de guerra e navios de mísseis nas cidades costeiras de Benghazi e Tobruk" ( DEBKAfile, US military advisers in Cyrenaica , 25/02/2011).

Forças especiais dos EUA e aliados estão no terreno na Líbia Oriental, proporcionando apoio encoberto aos rebeldes. Isto foi reconhecido quando comandos britânicos das Forças Especiais SAS foram presos na região de Benghazi. Estavam atuando como conselheiros militares para forças de oposição.

"Oito comandos de forças especiais britânicas, numa missão secreta para colocar diplomatas britânicos em contacto com oponentes destacados de Muammar Kadafi na Líbia acabaram humilhados depois de terem apoiado forças rebeldes na Líbia Oriental", informa o Sunday Times de 7 de fevereiro.

"Os homens - armados, mas à paisana - afirmaram que foram verificar as necessidades da oposição e oferecer ajuda" ( Top UK commandos captured by rebel forces in Libya: Report, Indian Express , 06/03/2011).

As forças SAS foram presas quando escoltavam uma "missão diplomática" britânica, que entrou ilegalmente no país (sem dúvida de um navio de guerra britânico) para discussões com líderes da rebelião. O Ministério dos Negócios Estrangeiros britânico reconheceu que "uma pequena equipe diplomática britânica foi enviada à Líbia Oriental para iniciar contatos com a oposição rebelde" (U.K. diplomatic team leaves Libya - World - CBC News , 06/03/2011).

Ironicamente, as reportagens não só confirmam a intervenção militar ocidental (incluindo várias centenas de forças especiais), como também reconhecem que a rebelião se opunha firmemente à presença ilegal de tropas estrangeiras sobre o solo líbio:

"A intervenção da SAS enraiveceu figuras líbias da oposição as quais ordenaram que os soldados fossem trancados numa base militar. Oponentes de Kadafi temem que ele possa utilizar qualquer evidência de interferência militar ocidental para congregar apoio patriótico para o seu regime" ( Reuters , 06/03/2011).

O "diplomata" britânico capturado com soldados das forças especiais era membro da inteligência britânica, um agente do MI6 numa "missão secreta" ( The Sun , 07/03/2011).

Declarações dos EUA e OTAN confirmam que estão sendo fornecidas armas às forças de oposição. Há indicações, embora não prova clara até agora, de que foram entregues armas aos insurgentes antes do desencadeamento da rebelião. Com toda probabilidade, conselheiros militares e de inteligência dos EUA e OTAN também estavam no terreno antes da insurreição. Este foi o padrão aplicado no Kosovo: forças especiais apoiando e treinando o Kosovo Liberation Army (KLA) nos meses que antecederam a campanha de bombardeio de 1999 e a invasão da Iugoslávia.

Tal como os acontecimentos se desdobram, contudo, forças do governo líbio recuperaram controle sobre posições rebeldes. "A grande ofensiva das forças pró-Kadafi lançadas (4 de março) para arrebatar das mãos dos rebeldes o controle das cidades e centros petrolíferos mais importantes da Líbia resultou (5 de março) na recaptura da cidade chave de Zawiya e da maior parte das cidades petrolíferas em torno do Golfo de Sirte. Em Washington e Londres, a conversa da intervenção militar ao lado da oposição líbia foi emudecida pela percepção de que a inteligência de campo de ambos os lados do conflito líbio era demasiado incompleta para servir de base à tomada de decisões" (Debkafile, Qaddafi pushes rebels back. Obama names Libya intel panel , 05/03/2011).

O movimento da oposição está fortemente dividido quanto à questão da intervenção estrangeira. A divisão é entre o movimento das bases por um lado e os "líderes" apoiados pelos EUA da insurreição armada, que são a favor da intervenção militar estrangeira por "razões humanitárias".

A maioria da população líbia, tanto os apoiadores como os oponentes do regime, é fortemente oposta a qualquer forma de intervenção externa.

Desinformação da mídia

Os vastos objetivos estratégicos subjacentes à invasão não são mencionados pelos meios de comunicação. A seguir a uma campanha enganosa da mídia, em que notícias eram literalmente falsificadas sem relação com o que realmente acontecia no terreno, um amplo setor da opinião pública internacional concedeu seu firme apoio à intervenção estrangeira, por razões humanitárias.

A invasão está na prancheta do Pentágono. Está destinada a ser executada independentemente dos desejos do povo da Líbia, incluindo dos oponentes do regime, os quais têm exprimido sua aversão à intervenção militar estrangeira em desrespeito à soberania da nação.

Posicionamento da força naval e aérea

Caso esta intervenção militar seja executada, resultará numa guerra geral, uma blitzkrieg, implicando o bombardeio tanto de alvos militares como civis.

A este respeito, o general James Mattis, comandante do U.S. Central Command (USCENTCOM), declarou que o estabelecimento de uma "zona de interdição de voo" envolveria de fato uma campanha de bombardeio geral, que alvejasse entre outras coisas o sistema de defesa aérea da Líbia.

"Seria uma operação militar – não seria suficiente dizer às pessoas para não voarem com aviões. Teria de ser removida a capacidade de defesa aérea a fim de estabelecer uma zona de interdição de voo, que não haja ilusões quanto a isto". ( U.S. general warns no-fly zone could lead to all-out war in Libya , Mail Online, 05/03/2011).

Uma força naval dos EUA e de aliados foi posicionada ao longo da costa líbia. O Pentágono está movendo seus vasos de guerra para o Mediterrâneo. O porta-aviões USS Enterprise transitou através do Canal de Suez poucos dias após a insurreição (http://www.enterprise.navy.mil/t_new). Os navios anfíbios dos EUA, USS Ponce e USS Kearsarge, também foram posicionados no Mediterrâneo.

Foram despachados 400 fuzileiros navais dos EUA para a ilha grega de Creta "antes do seu posicionamento em navios de guerra ao largo da Líbia" ( Operation Libya": US Marines on Crete for Libyan deployment , Times of Malta, 03/03/2011).

Enquanto isso, a Alemanha, França, Grã-Bretanha, Canadá e Itália estão no processo de posicionar vasos de guerra ao longo da costa líbia.

A Alemanha posicionou três navios de guerra utilizando o pretexto da assistência na evacuação de refugiados sobre a fronteira Líbia-Tunísia. "A França decidiu enviar o Mistral, o seu porta-helicópteros, os quais, segundo o Ministério da Defesa, contribuirão para a evacuação de milhares de egípcios". ( Towards the Coasts of Libya: US, French and British Warships Enter the Mediterranean , Agenzia Giornalistica Italia, 03/03/2011). O Canadá despachou (2 de março) a fragata HMCS Charlettetown.

Entretanto, o 17º. Comando da Força Aérea Americana, chamado US Air Force Africa, baseada na Ramstein Air Force Base, na Alemanha, está promovendo assistência à evacuação de refugiados. As instalações da força aérea dos EUA-OTAN na Grã-Bretanha, Itália, França e Oriente Médio estão de prontidão.

Michel Chossudowsky é membro do Centro de Pesquisas sobre a Globalização e autor de ‘A globalização da pobreza’.

O original encontra-se em http://www.globalresearch.ca/index.php?context=va&aid=23548

Retirado e traduzido por http://resistir.info/ .

Fonte: Correio da Cidadania

Impactos indiretos de Belo Monte serão muito maiores que os diretos

Escrito por Rodolfo Salm
12-Mar-2011

O professor Luiz Pinguelli Rosa publicou na Folha de S. Paulo, no último dia 12 de fevereiro, um artigo defendendo a construção da hidrelétrica de Belo Monte. Um de seus principais argumentos foi o preço oficial que a sociedade pagaria por sua energia: R$ 68/MWh, em comparação com o das novas termelétricas, de R$ 140/MWh.

Achei curioso o professor acreditar na manutenção dos R$ 68 e por outro lado citar tão genericamente a redução do fluxo no canal principal do rio. "A solução é garantir uma vazão mínima (pelo leito original do rio)", escreve.

De quanto seria essa tal vazão mínima? Ela garantiria a sobrevivência dos peixes e a navegabilidade do rio? É difícil acreditar, principalmente para quem conhece a região e sabe que durante boa parte do ano o Xingu já praticamente não corre. A água para mover as turbinas principais da barragem seria desviada do leito do Xingu por canais gigantescos. Quanto mais água passar pelo leito natural do rio, menos energia será gerada pela água desviada pelos canais. É evidente que o consórcio vai repassar essa conta ao consumidor.

O valor apontado ignora ainda uma série de custos ligados aos serviços ambientais que o rio Xingu preservado presta à sociedade, como a produção de peixes e a preservação da biodiversidade. O professor também observou que a área inundada de Belo Monte (516 km²) praticamente se restringiria àquela ocupada pelo rio em sua variação sazonal, como se isso justificasse o alagamento.

Ele parece desconhecer que estamos tratando de ecossistemas adaptados a um certo nível de alagamento em período curto do ano e que inevitavelmente se degradariam com o alagamento permanente (liberando o nefasto gás metano e fazendo com que as hidrelétricas da Amazônia contribuam tanto ou mais para o efeito estufa do que as termelétricas de potência equivalente, segundo apontam estudos científicos).

De toda forma, os impactos indiretos de Belo Monte seriam muito maiores que os diretos. A imigração prevista de dezenas de milhares de pessoas para a região já começou e já causa desmatamentos em uma escala sem precedentes. Tudo isto tem um custo, não considerado por Pinguelli.

Pensando nacionalmente, sabe-se que as florestas preservadas da bacia do Xingu contribuem em muito para o regime de chuvas do resto do país. É possível estimar economicamente o valor desta chuva, pois a devastação da floresta traria prejuízos financeiros calculáveis para a agricultura e para a indústria, que depende de água para produzir. Sem falar no abastecimento das nossas cidades.

Localmente, podemos enumerar os custos sociais causados pelo aumento da violência resultante do inchaço populacional repentino, pelas doenças causadas pelo enorme volume de água parada em uma região tropical e pela perda do apelo turístico, com o fim das corredeiras e das maravilhosas praias de areia branca.

São custos de Belo Monte que precisam ser considerados, o que não foi feito adequadamente, devido a terríveis pressões políticas, como registraram os próprios técnicos do Ibama, que não aprovaram o projeto. Mas que ainda podem ser evitados se a obra for cancelada. Essa luta está apenas começando.

Rodolfo Salm, PhD em Ciências Ambientais pela Universidade de East Anglia, é professor da UFPA (Universidade Federal do Pará) em Altamira, e faz parte do Painel de Especialistas para a Avaliação Independente dos Estudos de Impacto Ambiental de Belo Monte.

Artigo originalmente enviado para o jornal Folha de S. Paulo, que não se dispôs a publicar essa resposta de um professor atuante na principal instituição de pesquisa da localidade mais afetada pelo empreendimento da barragem de Belo Monte.

Fonte: Correio da Cidadania

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