terça-feira, setembro 14, 2010

Presidente do PT rebate críticas de Geddel

Llílian Machado

A proximidade das eleições tem intensificado cada vez mais o embate entre petistas e peemedebistas baianos. A “análise negativa” sobre o governo do PT na Bahia feita pelo candidato do PMDB ao Governo da Bahia, Geddel Vieira Lima, em entrevista concedida à Tribuna da Bahia ontem, gerou duras respostas dos representantes do Partido dos Trabalhadores.

As palavras do ex-ministro da Integração Nacional, que não poupou críticas ao modo de gerir do governo atual, comandado pelo seu principal adversário, o governador Jaques Wagner (PT), reacenderam as divergências entre os postulantes ao Palácio de Ondina.

O líder peemedebista acusou o governo do PT de “incapacidade gerencial” e de “criação de factóides” ao anunciar obras que estão somente no papel.

“Basta você ver a atual administração que você vai ver uma série de projetos que se coloca como se tivesse iniciado, mas não passa do papel. O Porto Sul não tem licença; a Ferrovia Oeste-Leste não avançou; o aeroporto de Conquista, nada; segunda pista de Salvador, absolutamente nada; reforma e investimento dos portos da Bahia, em quatro anos, quase nada”, citou.

Na conversa, Geddel também estabeleceu um comparativo entre ele e o atual governador e afirmou que ambos possuem estilos diferentes, “tanto de gerir como de encarar a política”. Ex-integrante do governo estadual e peça-chave na vitória do PT em 2006, o postulante ao governo disse que, do ponto de vista político, “o maior erro do governador foi não ter visto o PMDB como o seu parceiro principal”.

Em tom de ironia, o presidente estadual do PT, Jonas Paulo, rebateu as críticas do ex-ministro, ressaltando que foi o peemedebista quem errou ao não seguir a aliança nacional entre o PT e o PMDB. “Não há como comentar palavras de quem errou na política, errou na estratégia e se contrapôs à articulação nacional e, além do mais, está empacado em terceiro lugar nas pesquisas”, disparou.

O dirigente petista lembrou obras recentes, como “a inauguração do Hospital do Subúrbio, da Criança em Feira de Santana, a Via Expressa e a recuperação de 60% da malha viária” para responder as críticas relacionadas por Geddel.

“Será que isso tudo é factóide”, questionou. Segundo Jonas, o importante é que “o governo Wagner foi o segundo melhor bem avaliado do país e que a chapa continua trabalhando rumo à vitória em 3 de outubro”. Jonas disse ter ignorado as palavras de Geddel e que prefere respeitar e considerar apenas a avaliação da população baiana que tem colocado o candidato à reeleição Jaques Wagner em primeiro lugar nas pesquisas eleitorais.

“Não importa o que ele diz, e sim o que o povo baiano tem demonstrado nas ruas e nas pesquisas. O povo já entendeu a identidade do projeto de Wagner com o presidente Lula e estamos confiantes de que continuaremos a buscar melhorias para a Bahia. Não há como considerar a avaliação de quem está amargando nas pesquisas”, alfinetou.

Ele disse ainda que as palavras do adversário peemedebista representam apenas o “desespero de quem errou e não tem como reverter o jogo”.

Fonte: Tribuna da Imprensa

Dirceu aposta em vitória esmagadora

Romulo Faro

Em almoço ontem, na casa do prefeito de Camaçari, Luiz Caetano (PT), em Arembepe, que contou com a presença de Josias Gomes, candidato a deputado federal pelo PT, o ex-ministro da Casa Civil, José Dirceu, além debater o desempenho do PT na disputa estadual, enalteceu a candidatura da ex-ministra Dilma Rousseff à Presidência da República.

Segundo ele, os grandes veículos de comunicação tentam dificultar o “avanço do governo do PT”, mas que o povo está alerta.

“O povo brasileiro sabe que a vida melhorou e vai dar uma vitória esmagadora para Dilma. Vamos gerar 25 milhões de empregos em 12 anos, isso é uma revolução social, jamais vista em nenhum país do mundo”, disse. De acordo com Caetano, os resultados do encontro foram proveitosos.

“Dirceu está muito contente e quer que o PT baiano eleja dois senadores e uma boa bancada federal”, disse. Ele ressaltou, porém, que o encontro não teve nenhuma ligação com a campanha de candidatos da chapa majoritária.

“Não foi necessário discutir a campanha do governador Jaques Wagner porque estamos indo bem. Há um processo organizado desde o início e estamos seguindo isso”, afirmou. Josias Gomes, por sua vez, confirmou a empolgação de Caetano.

Questionado se sofria algum tipo de rejeição por conta do seu envolvimento com o “Mensalão”, Gomes foi taxativo: “Isso é página virada. Tenho feito pesquisas internas e meu desempenho está sendo bom”, garantiu.

Fonte: Tribuna da Bahia

O surpreendente Fidel Castro, chegou ao Poder em 1959, sem ser comunista. Em 1961, os EUA batiam de frente com ele por causa de uma refinaria. Teve que se aliar à União Soviética, depois de romper com Che Guevara. Agora, condena o comunismo, exalta o capitalismo

No último dia de 1958, primeiro de 1959, (foi exatamente na passagem do ano) Cuba se transformou em notícia de repercussão mundial. As tropas revoltosas, que o “marechalíssimo” Batista dizia que não tinham a menor importância, desciam das montanhas, chegavam ao centro de Havana, tomavam o Poder sem a menor resistência.

OS Estados Unidos, que desde 1898 tinham ligações com Cuba, não tiveram a menor ideia do que estava acontecendo. Completamente desinformados, ficaram felizes. Acreditavam que tudo continuaria como vinha acontecendo nos últimos 60 anos (De 1898 a esse estranho 1958).

Mas não era apenas os EUA que vibravam com a chegada de Fidel Castro e suas tropas. O Papa fazia questão de manter as melhores relações com Fidel e seu regime, que era total incógnita. Mas que ninguém, mas ninguém mesmo tinha a percepção de saber como se desenrolaria ou o que aconteceria.

Fidel Castro não era comunista, o único da família comunista ferrenho, seu irmão Raul. O editor chefe do “The New York Times” tinha casa na ilha, passava os fins de semana lá, era apenas uma escapada. Amicíssimos, não se imaginava que houvesse a reviravolta que aconteceu. E que custou a acontecer.

Em março de 1960 (praticamente um ano depois), Jânio Quadros, candidato a presidente, diante do prestígio internacional de Fidel, resolveu visitá-lo. Fretou um avião, 30 convidados. Éramos 28 jornalistas e 2 políticos. Um deputado que esperava ser Ministro da Justiça e não foi, Adauto Cardoso, e outro deputado que esperava ser Ministro do Exterior e foi, Afonso Arinos de Mello Franco. Ficamos lá 9 dias e depois mais 3 na Venezuela.

Como éramos jornalistas, políticos e um candidato que já estava eleito, mas queria ganhar na notícia, andávamos com Fidel e Che Guevara o tempo todo. Nas ruas ou então na casa do embaixador do Brasil, o conservadoríssimo (excelente figura, depois chanceler) Vasco Leitão da Cunha. Mas nunca, de longe ou uma vez sequer estivemos com Raul Castro, o irmão comunista. Não aparecia nunca, ficou sempre distante.

Duas vezes fomos colocar flores no túmulo de José Marti, o grande herói da Independência de Cuba, assaltada por tropas da Espanha, na já citada data de 1898. Os EUA, que pela vontade dos Fundadores, eram isolacionistas, entraram na guerra contra a Espanha, mais pela “vizinhança” do que por outra coisa.

A Espanha foi derrotada, os EUA garantiram Cuba, ganharam o direito de anexar Porto Rico, e pela primeira vez tiveram acesso à Ásia, ganharam as Filipinas. Para combater a Espanha, precisaram construir a base de Guantánamo, quem diria, teria destino completamente diferente.

Em 1960, Cuba já não era mais a que Fidel assumira na madrugada de 1959. Aqueles belíssimos cassinos, abertos, mas era como se estivessem fechados. As mesas de jogo, como se esperassem os jogadores, só existiam fantasmas. As ruas, desertas, os restaurantes luxuosos, mas sem ninguém para freqüentar, as mesas sem uma só pessoa. Seria o fim ou o início de alguma coisa? Só se saberia depois, mas não precisaríamos esperar muito.

O rompimento logo depois, em 1961, consequência da burrísima política externa dos americanos. Cuba precisava de uma refinaria, os EUA PROIBIRAM (a palavra exata é essa) a construção. As relações eram aparentemente ótimas, por que Cuba não poderia ter a sua refinaria? Em que isso atingia a potência EUA?

Houve o rompimento, a União Soviética, que acompanhava todo o processo de “comunização” de Cuba, (veladamente através de Raul, mas muito discretamente), negociou abertamente com Cuba. Como o país era grande produtor de açúcar que a União Soviética precisava, foi colocada a troca: açúcar pelo material para a refinaria.

Rapidamente foi feito o acordo, o açúcar chegou à União Soviética, o material para a refinaria desembarcou em Cuba. E junto com esse material, peças montáveis e desmontáveis de MISSÉIS NUCLEARES.

Cuba montava apressadamente esses MÍSSEIS NUCLEARES, os EUA não sabiam de nada. Em 1962, por acaso, aviões americanos fotografaram áreas de Cuba. Quando foram analisar as fotos, acharam alguma coisa diferente. Voltaram a fotografar as costas da ilha, descobriram os MÍSSEIS NUCLEARES, já montados.

Aí se travou a grande batalha de bastidores. Os generais russos e os generais americanos insensatos, queriam a guerra. John Kennedy e Kruschev , com medo de ficarem prisioneiros deles e mergulhares numa guerra destruidora, se entenderam nos bastidores, através de interlocutores, que palavra. Mas mantiveram o jogo de cena, iludindo os generais, os jornalistas e emocionando a opinião pública. MAS NUNCA O MUNDO ESTEVE PERTO DE UMA GUERRA NUCLEAR NESSE 1962.

E não estará jamais, todos se lembram da advertência de Einstein: “Se houver a Terceira Guerra, nuclear, a QUARTA será com paus e pedras, é o que sobrará”.

Fidel assumiu com 33 anos, dos 34 aos 84 (que acabou de completar) foram 50 anos de ditadura. Não tinha saída. Repudiado pelos americanos, precisava se aliar à União Soviética. O fato de que não houve perigo de Guerra Nuclear em 1962, era o Tratado de divisão do mundo entre as duas potências.

Uma não podia interferir no território dominado pela outra. Faziam apenas jogo de cena, quando vinha o ultimatum final, acabava tudo. Em 1957, a União Soviética massacrou a Tchecoslováquia, no que ficou conhecido na História, como “A Primavera de Praga”. Crime hediondo praticado com os americanos apenas assistindo.

1962, além do medo dos generais dos dois lados, a prioridade do interesse americano. Kennedy chegou a dar entrevista que teve a maior audiência do mundo inteiro, alertando para o PERIGO DE UMA GUERRA NUCLEAR. Assustou o mundo, sabia que isso era indispensável ou necessário.

Como não existe ditadura BOAZINHA, ou como chamam alguns que serviram a ela, de DITABRANDA, Fidel teve que cumprir as regras, não importa que exagerasse na crueldade, na selvageria, na tortura, nas prisões indiscriminadas. E o povão de Cuba não recebeu a contrapartida da perda da liberdade, isso jamais existe ou acontece.

A partir da doença e do Poder passado para o irmão, Fidel Castro começou a ver o mundo de forma diferente. Digamos que teve mais ou menos 5 anos para refletir sobre o passado, se atualizar no presente, situar-se no futuro, principalmente diante da História. A longevidade é cansativa e cara, mas permite essas mudanças.

Compreendendo que a hora é agora, depois dos 84 anos não se sabe a disponibilidade do tempo e da vida, Fidel resolveu agir. Fez contato com um jornalista importante, Geofrey Goldberg, de uma revista nem tanto, “Atlantic”. Fidel sabia que o que iria dizer teria repercussão onde fosse publicado, acertou em cheio. Só que mais uma vez na vida EXAGEROU. Pode ter sido deliberado, FALAVA PARA A HISTÓRIA.

***

ps – Só que Fidel não está credenciado a falar sobre COMUNISMO e CAPITALISMO, medir a duração de um sistema ou do outro, vaticinar qual sistema é eterno ou menos duradouro. Mesmo porque não existe COMUNISMO como possibilidade de substituição do CAPITALISMO.

PS2 – Ninguém na História falava em COMUNISMO, essa palavra só era (e é) citada por amadores. Marx é que em 1848 lançou o Manifesto do Partido Comunista.

PS3 – Quando Lênin e Trotski tomaram o Poder no fim da guerra civil de 1917, resolveram qual o nome que deveriam dar ao novo regime (e país), optaram por SOCIALISMO e SOVIÉTICO, nem imaginaram a palavra COMUNISMO. Fidel vai entrar na História, mas não precisava dizer tanta bobagem.

PS4 – O CAPITALISMO é eterno, irá sofrer modificações nos próximos tempos, (muitas, imprevisíveis) fará concessões, mas não desaparecerá por causa das considerações tolas de Fidel. O capitalismo é QUASE PERFEITO, não precisa de líderes. Funciona sem “homens-chaves”.

PS5 – Pode trocar Bush por Obama. O competente Mitterrand pelo burríssimo Sarkosy, fazer a mesma coisa no mundo todo. Já os ISMOS, precisam de NOMES, quando esses morrem, os ISMOS também morrem.

PS6 – O NAZISMO desapareceu com Hitler, o FASCISMO com a morte de Mussolini, o regime soviético com o fim de Stalin. No CAPITALISMO, morra quem morrer, viva quem viver, NADA SE PERDE, TUDO SE TRANSFORMA.

Ps7 – Genial mesmo foi Marx. Além de “O Capital”, do MANIFESTO e das consequências, viu longe. E escreveu: “O sistema SOCIALISTA não sobreviverá se existir apenas num país”. Foi o que aconteceu.

PS8 – Em 1942, Stalin eliminou o Comintern (internacional), criou o Cominform (nacional), a República Soviética terminou ali. O resto foi sobrevida, FINANCIADA PELA CIA E PELA GUERRA FRIA.

PS9 – Vou escrevendo, lembrando. Há mais ou menos 30 anos, o jornalista Jean-Jacques Servan-Schreiber, editor e proprietário da importante revista semanal da França, “Le Express”, escreveu: “Eu estava na Arábia Saudita, no gabinete do Sheik, chegou Chê Guevara, perguntei rotineiramente: “Como estão as coisas?” E ele: “Não estão boas, estou indo embora”.

Schreiber diz que aceitou com resposta normal, nada importante. Meses depois, quando Fidel e Chê Guevara romperam, ele deixou o cargo de presidente do Banco Central e saiu de Cuba, Schreiber voltou a escrever, só que aí amargurado e ressentido com ele mesmo.

PS10 – Schreiber: “Compreendi que o ESTOU INDO EMBORA de Chê, era um recado para mim, não percebi nada, perdi um furo internacional. Tentei falar com Fidel, não consegui, ele recebeu a saída de Chê com a mesma frieza com que recebeu seu assassinato, anos depois”.

Agora, depois de 50 anos de prisões, torturas e assassinatos, Fidel reaparece tentando entrar na História, como analista de regimes e ideologias, doutrinando sobre CAPITALISMO (que jamais praticou), e COMUNISMO (que sempre confundiu com irrealismo), acreditava que fosse a SALVAÇÃO DO MUNDO.

PS11 – Na verdade, o Fidel de 84 anos, procura se reconciliar com o jovem Fidel de 25, quando começou a luta, e o Fidel de 33 que tomou o Poder. E procura R-E-C-O-N-C-I-L-I-A-R seu irmão comunista como CAPITALISMO DOS EUA. Conclusão: pretende salvar Cuba, reintroduzindo-a no sistema que considera ETERNO, mas não se conforma apenas como a entrada na História, isso está garantido.

PS12 – Quer garantir a permanência no Poder, prorrogar o tempo do irmão, e satisfazer, quem sabe, a sua ânsia e vontade de ir aos EUA, sem sacrifício ou proibição. E quem sabe, ser recebido por Obama, já que os empresários americanos não querem outra coisa a não ser glorificar a Doutrina Monroe de 1800, antes dele ser presidente: “A América para os americanos”. Cuba, logicamente, incluída.

Helio Fernandes/Tribuna da Imprensa

Um sofrível programa de calouros

Carlos Chagas

Tivessem um pouquinho de coragem e os quatro principais candidatos presidenciais teriam feito reunir seus representantes, ontem, para dar um basta à humilhação a que se submetem nos debates promovidos pelas redes de televisão. Um grito de independência para prevenir novos vexames marcados para seus próximos encontros.

Não dá para assistir outra vez, sem protestar, esse engessamento absurdo dos candidatos às tais “regras dos debates”. É verdade que quando a campanha começou concordaram todos com a submissão aos limites de tempo para suas respostas e, mais ainda, com a momentânea ditadura dos mediadores, responsável pela grosseria dos cortes de áudio e vídeo daqueles que se encontram terminando seus raciocínios e são interrompidos por conta da truculência das normas antes acordadas. Para o bom andamento dos debates, seria necessário aplicar o verbo “flexibilizar”, tão a gosto dos neoliberais. Se um candidato encontra-se em meio ou no final de uma exposição, mandariam o bom senso e a educação que pudesse terminá-la. Depois, é claro, a extensão de tempo seria oferecida aos demais, a título de compensação.

O que fica ridículo é assistir possíveis futuros presidentes da República no papel de meninos de curso primário submetidos à palmatória do mestre-escola. Alguns mediadores, diga-se, até constrangidos pela obrigação de cortar quem tem a palavra, como ainda domingo na Rede-TV. Outros, nem tanto, porque prevalecem, em maioria, os arrogantes, aqueles que andam atrás de alguns minutos de glória indevida, abusando do rótulo tornado pejorativo quando chamam os convidados de “CANDIDAAAATO”.

Como todos os postulantes ao palácio do Planalto submetem-se às determinações das redes, ávidas de faturar o prestígio alheio, fica difícil que nos próximos debates venham a impor a lógica de suas prerrogativas. Continuarão sendo cortados ou, pior ainda, levados a reduzir respostas pela metade, sempre de olho nos implacáveis reloginhos que prejudicam e até distorcem suas mensagens.

Guardadas as proporções, os debates transformaram-se num programa de calouros onde não faltam, sequer, os intervalos faturados a peso de ouro, onde os candidatos transformam-se em propagandistas de sabonetes, supermercados ou veículos a preço de ocasião. Será um dos exageros do modelo econômico que nos assola e diante do qual todos baixam a cabeça?

Mais um engodo

Ontem, mais uma vez, a enganação. O presidente Lula embarcou cedo para Santa Catarina, visitando obras e comparecendo a eventos em diversas cidades. À noite, terminou o périplo em Joinville, onde sua agenda referia-se a “compromisso privado”. Por coincidência, na mesma praça onde Dilma Rousseff realizava mais um de seus comícios. Coincidência não foi, muito pelo contrário. Por que, então, não ser anunciada a presença do primeiro-companheiro no palanque de sua pupila? “Compromisso privado” uma ova: participação clara, aberta e até constitucional de um cidadão, presidente da República ou não, no processo eleitoral de seus país. Só não se justifica a enganação…

Oportunidade perdida

Pelo jeito, a recente reforma no palácio do Planalto revolucionou as bases da arquitetura universal. O quarto andar, onde funciona a Casa Civil, está completamente isolado do terceiro, gabinete do presidente da República. Não há escadas, muito menos elevadores, interligando os dois pisos. Sequer telefones ou, mesmo, moleques de recado capazes de levar mensagens de um patamar para outro. O quarto andar constitui-se numa galáxia à parte, sem comunicação com o terceiro.

Nem o presidente Lula nem Erenice Guerra trocaram uma palavra a respeito das denúncias sobre tráfico de influência que atingiram a chefe da Casa Civil e seu filho. Mentirosas ou verdadeiras, as acusações parecem não ter existido, na sede do Executivo. Fica tudo como está, sob o pretexto de que quanto mais mexer, mais o episódio fede.

É claro que seria desgastante para o governo, o presidente e até sua candidata a dispensa da ministra encarregada da coordenação administrativa. Só que sua permanência fica pior, sem uma simples recomendação para que vá comprovar sua inocência desvinculada de laços com o poder. Vale repetir o que escrevemos ontem: que saudades do Itamar…

Ainda espera

Engana-se quem supõe José Serra entregando os pontos. Como Ulysses Guimarães em 1989, o candidato ainda espera que os votos venham a jorrar em cascata. O velho patriarca da democracia aguardou até o fim a virada do jogo, parecendo-lhe inconcebível que o eleitorado desconhecesse seu papel na queda da ditadura. Abateu-se ao verificar que ficou atrás do Dr. Enéas, não encontrando explicação para a vitória de Fernando Collor.

Serra adota o mesmo raciocínio. Imagina que até o dia 3 mudanças profundas acontecerão. Joga seus cacifes na realização do segundo turno, quando tudo poderia ser diferente. O diabo é que não se anima a mudar o eixo da campanha, trocando as veementes críticas ao governo Lula e à adversária por propostas concretas e efetivas de realizações para o futuro.

Fonte: Tribuna da Imprensa

segunda-feira, setembro 13, 2010

As consequências da Operação Mãos Limpas

Novo governador, acusados conduzidos para Brasília, tristeza e revolta marcam fim de governo




GALERIA DE FOTOS
Policiais federais escoltam ex-secretario de educação Adalton Bitencourt, Pedro Paulo Dias e Zeca do Espirito Santo
População indignada lotou as dependências do Aeroporto de Macapá para acompanhar o embarque dos envolvidos na Operação Mãos Limpas. O vôo saiu as 18hs30 rumo a Brasília

Ex- primeira dada do Estado, Marília Góes deixa Aeroporto de Macapá, acompanhada da assessora técnica da Sesa, Livia Gato


Ex-governador Waldez Góes (PDT) chega escoltado por policiais federais em Brasília. Ao lado, atual governador do Estado, Pedro Paulo Dias de Carvalho saindo do jato da Polícia Federal
O Inquérito 681, autuado no dia 12 de abril de 2010, sob o número de registro 2010/0056559-2, tendo como relator o ministro João Otávio de Noronha, do Tribunal Superior de Justiça (STJ), que corre em segredo de justiça, teve uma de suas fases deflagrada no dia 10 de setembro de 2010, no Amapá, no Para, na Paraíba e em São Paulo, através da Operação Mãos Limpas da Polícia Federal, para executar 199 mandados, sendo: 18 de prisão temporária, 87 de condução coercitiva e 94 de busca e apreensão.O objetivo foi prender agentes públicos, servidores púbicos e empresários que estariam praticando desvio de recursos públicos do Estado do Amapá e da União.

As investigações pretéritas contaram com a participação da Receita Federal do Brasil, da Controladoria Geral da União e do Banco Central e forma iniciadas em agosto de 2009 e estão sob a presidência do Superior tribuna de Justiça (STJ). Segundo os informes da própria Polícia Federal, são fortes os indícios de um esquema de desvio de recursos que foram repassados à Secretaria de Estado da Educação do Governo do Estado do Amapá, proveniente do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento da Educação Básica e de Valorização dos Profissionais da Educação – FUNDEB, e do Fundo de Manutenção e Desenvolvimento do Ensino Fundamental e de Valorização do Magistério – FUNDEF.

Durante as investigações também foram constatados que o mesmo esquema seria aplicado em outros órgãos púbicos, como: Tribuna de Contas do Estado do Amapá, na Assembléia Legislativa do Estado, na Prefeitura de Macapá, na Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública, de Saúde, de Inclusão e Mobilização Social, de Desporto e Lazer e no Instituto de Administração Penitenciária.

Todos os mandados foram cumpridos sendo os de maior destaque os que tiraram a liberdade do governador Pedro Paulo (PP), do presidente do Tribunal de Contas do Estado Júlio Miranda e do ex-governador do Amapá Waldez Góes (PDT). Os outros 15 mandados foram para ex-secretários, secretários, outros agentes púbicos e empresários do setor serviço.

Durante o cumprimento dos mandados de busca e apreensão forma apreendidas significativas quantidades em dinheiro, carros de luxo e armas. Contra os que foram surpreendidos com as armas foram aberto inquéritos específicos, pois os mesmos não tinham o respectivo porte.Os que tinham contra si o mandato de condução coercitiva, depois de apresentados à autoridade policial e prestarem os esclarecimentos, eram liberados. Entre os que tiveram que cumprir o mandado de condução coercitiva estava o presidente da Assembléia Legislativa, Jorge Amanajás, que concorre ao governo do Estado, ele que pertence ao PSDB.

Os que tinham contra si o mandado de prisão temporária, forma conduzidos para Brasília onde prestarão depoimento perante o presidente do inquérito, o ministro João Otávio de Noronha, do STJ. Por terem foro privilegiado, o governador Pedro Paulo e o presidente Júlio Miranda ficarão na carceragem da Polícia Federal, enquanto que os outros 16 presos, inclusive o ex-governador Waldez Góes, ficarão no Complexo Penitenciário da Papuda, nos arredores da Capital Federal.
O novo governador. Com o impedimento do governador Pedro Paulo, que está com a liberdade cerceada, e do presidente da Assembléia, Jorge Amanajás, que se desincompatibilizou para disputar as eleições de 2010, o presidente do Tribunal de Justiça do Amapá, desembargador Dôglas Evangelista Ramos, assume constitucionalmente o Governo do Amapá.

Se o governador for libertado até o dia quarta-feira, dia 15 de setembro, ele volta ao cargo imediatamente, se quiser. Se tiver a prisão temporária renovada ou transformada em preventiva, ou se renunciar, o presidente do Tribunal de Justiça do Amapá segue no comando do Estado.

Posição dos deputados estaduais. Também está sendo aguardado para segunda-feira uma posição oficial da Assembléia Legislativa do Estado do Amapá, através dos seus deputados, que deverão analisar a situação do governador Pedro Paulo, podendo, inclusive, cassá-lo do cargo.Entre os que tiveram mandado de condução coercitiva, estavam alguns membros da Mesa Diretora da Assembléia Legislativa. Essa situação, no mínimo, implicará em uma abertura de sindicância ou de comissão de parlamentar de inquérito, visando apurar as responsabilidades.
O próprio presidente Jorge Amanajás teve mandado de condução coercitiva impetrado contra ele e, por isso, deverá dar explicações aos deputados para informar o que lhe foi perguntado e o que respondeu na ocasião da sua oitiva na Polícia Federal.

O mesmo procedimento pode ser feito com aqueles deputados que não pertencem à Mesa Diretora e que também tiveram a sua condução coercitiva decretada pela presidência do inquérito 681.
O que pesa contra os acusados. Segundo a Polícia Federal os envolvidos estão sendo investigados pelas práticas de: crime de corrupção ativa e passiva, peculato, advocacia administrativa, ocultação de bens e valores, lavagem de dinheiro, fraude em licitações, tráfico de influência, formação e quadrilha e crimes conexos.
Na operação foram mobilizados 600 policias federais, 60 servidores da Receita Federal do Brasil e 30 servidores da Controladoria Geral da União. Os 60 servidores da Receita e os 30 da CGU estão, desde ontem, analisando os documentos apreendidos, tanto em papel, como em computadores, para elaborar um relatório que fará parte do inquérito.Depois de pronto, esse inquérito será encaminhado para o Ministério Público que é o dono da ação penal e da ação de improbidade administrativa.
Sendo consideradas consistentes as acusações contra os indiciados ou investigados, o MP elaborará a respectiva ação e dará entrada no Judiciário quando os acusados terão direito às previsões constitucionais do contraditório e da ampla defesa.


Por Rodolfo Juarez da reportagem

Fonte: Jornal do Dia

os jornais: Filho de ex-braço direito de Dilma trabalhou no governo

O Globo

Filho de ex-braço direito de Dilma trabalhou no governo

Antes de atuar como lobista da empresa de carga aérea Master Top Airlines, Israel Guerra, o filho da ministra da Casa Civil, Erenice Guerra, exerceu cargo público na Agência Nacional de Aviação Civil (Anac). Ele ocupou função comissionada como gerente técnico no órgão regulador da aviação civil, entre junho de 2006 e agosto de 2007, conforme portarias publicadas no Diário Oficial da União (DOU).

Israel Guerra ingressou na Anac 13 dias depois que seu amigo Vinícius Castro também foi nomeado para cargo de gerente na agência. Castro trabalhou lá entre maio de 2006 e novembro de 2008. Hoje, Vinícius é assessor direto da ministra na Casa Civil, onde tem cargo de confiança DAS-4, lotado na Secretaria-executiva da pasta. Segundo reportagem da "Veja" publicada domingo, Vinícius e Israel são os verdadeiros donos da empresa Capital Assessoria e Consultoria, que intermediou negócios da MTA no governo, que estariam em nome de laranjas.

Israel Guerra e Vinícius Castro foram nomeados para cargos comissionados na Anac na gestão do então presidente do órgão Milton Zuanazzi - indicado pela Casa Civil. O filho não é o único parente da ministra com relações na Anac. Além do filho, um irmão de Erenice Guerra, o advogado Antonio Eudacy Alves Carvalho, também tinha contrato especial com a Infraero em Brasília e Salvador, entre 2003 e 2007.

Ministro: denúncia ultrapassa os Correios

O ministro das Comunicações, José Artur Filardi, afirmou que as denúncias sobre a existência de lobby no governo ultrapassam a competência dos Correios e da própria pasta, à qual a estatal está vinculada. Por isso, do ponto de vista administrativo, não vê necessidade de substituir o diretor de Operações da empresa, coronel Eduardo Artur Rodrigues Silva — que confirmou a ligação de Israel Guerra com a intermediação de interesses de empresas privadas no governo:

— O que está sendo levantado é outra coisa: a existência de lobby dentro do governo, de relações pessoais. Não atinge os Correios e nem o Ministério.

Ele afirmou que não procedem as denúncias de que o coronel Artur é dono da Master Top Airlines, empresa de carga aérea que tem contrato emergencial com os Correios. Mas disse que aconselhou o diretor a rescindir contrato da Martel Consultoria e Assessoria Aeronáutica — que estava recentemente sob a responsabilidade da sua filha — com a MTA. O que teria ocorrido na semana passada, segundo o ministro:

— O coronel pode pedir afastamento até que se apure os fatos e depois voltar. Mas, esta será uma decisão dele.

Via Net nega contrato com lobbista

A Via Net Express Transportes, citada pela reportagem da revista "Veja" como uma das empresas que contrataram os serviços da Capital Assessoria — escritório de lobby de Israel Guerra, filho da ministra da Casa Civil, Erenice Guerra —, divulgou nota ontem negando todo e qualquer relacionamento com o caso e a veracidade dos documentos apresentados na reportagem. Segundo a nota, a Via Net sequer possuiu contratos com os Correios. "A Via Net Express não conhece o contrato apresentado na reportagem, não assinou esse suposto contrato, não conhece a Capital Assessoria, não conhece seus sócios, nunca manteve qualquer contato e qualquer tipo de relação comercial com a mesma", afirma a nota.

A empresa acrescentou que Fabio Baracat, que aparece na revista como representante da companhia junto à Capital, nunca atuou em nome da Via Net. No sábado, o próprio Baracat havia divulgado uma nota negando relação com a empresa, embora admita que conhece seus proprietários. De acordo com a nota, a empresa não se relaciona com a MTA — que teria sido a beneficiária do negócio entre Baracat e Israel Guerra, que teria gerado uma "comissão" de 6% sobre o contrato de R$ 84 milhões, o que, para a revista, seria propina — nem com nenhuma outra companhia aérea que presta serviços aos Correios.

Governo blinda Dilma; oposição vai ao MP

A oposição decidiu acionar o Ministério Público para investigar o caso de suposto tráfico de influência envolvendo Israel Guerra, filho da ministra da Casa Civil, Erenice Guerra — braço direito da ex-ministra e candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff. Já o Palácio do Planalto e o PT montaram uma "operação blindagem" em torno de Dilma, tentando separar a campanha da candidata do governo. A estratégia é desvincular Dilma de Erenice. E tentar colar o discurso de que não houve ilícito na conduta da atual ministra da Casa Civil.

O tom foi acertado em troca de telefonemas entre a candidata, a cúpula do PT e integrantes do Planalto desde sábado. Segundo interlocutores do governo, o ministro de Comunicação de Governo, Franklin Martins, foi acionado para a elaboração da nota divulgada no sábado por Erenice, que estava em São Paulo. A ministra, segundo esses interlocutores, estava muito aborrecida com as acusações. O presidente passou o fim de semana em Brasília, sem compromissos, mas foi informado o tempo todo. A própria Erenice apresentou explicações a colegas de governo e disse que seu sigilo e dos familiares estavam à disposição.

Mas a oposição vai insistir que há tráfico de influência envolvendo Erenice e seu filho, e até com responsabilidade de Dilma, que esteve à frente da Casa Civil quando Israel Guerra fez assessoria para empresas interessadas em contratos com o governo. Para Paulo Bornhausen, líder do DEM, o presidente Lula está devendo explicações e deveria, pelo menos, afastar a ministra Erenice Guerra até o final das investigações.

Apesar de seu filho Israel atuar como lobista de uma empresa e ter como sócia a mãe de um assessor da Casa Civil, os petistas dizem que Erenice não cometeu qualquer irregularidade ética ou administrativa. Para o líder do governo na Câmara, deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP), a denúncia é vazia, com desmentidos dos envolvidos.

Caso Erenice - Aos cuidados da Comissão de Ética

A Comissão de Ética Pública da Presidência da República faz reunião ordinária nesta segunda-feira e deve analisar a acusação de tráfico de influência contra Israel Guerra , filho da ministra-chefe da Casa Civil, Erenice Guerra. O presidente da comissão, Sepúlveda Pertence, disse domingo que está confirmada a reunião desta segunda-feira, prevista no cronograma anual da comissão, mas evitou fazer comentários sobre as denúncias. Segundo ele, a comissão abordará o tema se for provocada.

Normalmente, nas reuniões da comissão, além da pauta previamente agendada, os conselheiros fazem uma análise do noticiário envolvendo autoridades e servidores abrangidos pelo Código de Ética Pública no período entre as reuniões. A denúncia envolvendo o filho da ministra foi publicada pela "Veja" desta semana. A revista acusa Israel Guerra de comandar um esquema de lobby para atrair empresários interessados em contratos com o governo Federal, com o apoio de Erenice. Segundo a revisa, ele cobraria uma taxa de propina de 6%.

Irmã de ministra da Casa Civil contratou sem licitação

Também irmã da ministra Erenice Guerra, a advogada Maria Euriza de Carvalho, que era advogada e consultora da Empresa de Pesquisa Energética, uma empresa pública, contratou no ano passado, sem licitação, o escritório de advocacia Trajano e Silva, que tinha como um dos sócios seu irmão Antonio Eudacy Carvalho.

O trabalho do escritório, que ainda tem como sócio Marcio Silva, o advogado eleitoral do PT e da campanha da Dilma Rousseff, custaria R$ 80 mil à EPE para tentar impedir a participação de uma determinada empresa num leilão do setor de energia.

Marcio Silva explicou ontem que o escritório foi contratado sem licitação porque "a situação era emergencial" e a EPE não tinha estrutura jurídica adequada em Brasília. Além disso, afirmou, o leilão em questão ocorreria no dia seguinte à contratação, 27 de agosto de 2009.


Escândalos marcam debate

A quebra de sigilos de tucanos na Receita e a denúncia de tráfico de influência na Casa Civil marcaram o debate entre os principais candidatos à Presidência, ontem, especialmente nos ataques entre Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB). A petista minimizou o caso que envolve a ministra da Casa Civil, Erenice Guerra: "Não vou aceitar que se julgue a minha pessoa baseado no que aconteceu com um filho de uma ex-assessora.

No rastro das fraudes em licitações do IME

As investigações sobre um esquema fraudulento em licitações do Instituto Militar de Engenharia (IME) estão se aproximando cada vez mais do andar de cima. Um coronel lotado no centro de ensino de excelência do Exército na época em que ocorreram irregularidades — denunciadas pelo GLOBO em 9 de maio — comprou um imóvel na Urca com o cheque de um suspeito de dirigir algumas das 12 empresas que sempre venciam concorrências de cartas marcadas. Todas pertencem a parentes de militares e ex-militares. A denúncia faz parte de um dossiê anônimo que deu origem a um inquérito.

O coronel em questão é Paulo Roberto Dias Morales, já indiciado. Também foi anunciado o indiciamento do major Washington Luiz de Paula, de seu concunhado, Edson Lousa Filho, e do empresário Marcelo Cavalheiro, que teria assinado o cheque. A venda do apartamento, confirmada pelo Ministério Público Militar, foi registrada em 20 de julho de 2006 no 15 Ofício de Notas. No documento, um decorador transfere o imóvel para a mulher do coronel, Cátia Grossi Morales. O negócio foi fechado por R$ 490 mil. Mas, ao contrário do que normalmente consta nas escrituras de compra e venda, não é informada a forma de pagamento: o ex-proprietário alega ter recebido o dinheiro antecipadamente.


O Estado de S. Paulo

Irmã de ministra deu aval a contrato sem licitação com governo

Consultora jurídica da Empresa de Pesquisa Energética, Maria Euriza Alves Carvalho, irmã da ministra da Casa Civil, Erenice Guerra, autorizou a contratação sem licitação, em setembro de 2009, do escritório Trajano e Silva Advogados. Entre os advogados do escritório está Antônio Alves Carvalho, irmão da ministra. No centro do contrato está a pasta de Minas e Energia, setor que tem influência de Erenice e Dilma Rousseff. Reportagem da revista Veja informa que o escritório é usado por Israel Guerra, filho de Erenice, para fazer lobby com empresários que buscam negócios com o governo.

Debate marcado por troca de acusações

O debate Rede TV!/Folha apresentou o mais forte embate entre os dois principais candidatos à Presidência da República. Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB) trocaram acusações sobre denúncias de corrupção e aparelhamento do Estado durante as duas horas do encontro.

“O meu adversário quer ganhar no tapetão, virar a mesa da democracia. Vou manter o alto nível da eleição e não vou passar para a história como uma caluniadora”, disse a petista.

O tucano respondeu que “as pessoas do Brasil sabem que eu não sou nem caluniador nem evasivo. No seu caso, realmente, não dá para dizer. Dilma bateu no mesmo tom: “Acho que as pessoas não podem ser pretensiosas. Lamento profundamente as tentativas do meu adversário de me desqualificar. Não subestime ninguém, candidato. O senhor não é melhor que ninguém”.

Caderno Especial: Desafios do novo presidente: Democracia à brasileira

No quarto caderno da série, especialistas discutem os rumos da democracia no Brasil: o ciclo de atendimento a necessidades básicas sobrepondo-se à legitimidade ética e à legalidade. O risco de um eleitorado politicamente dependente e de uma imprensa sob controle. O sumiço do "centro" no espectro político brasileiro.

Sobrepreço no Amapá chega a 2.763%

Em um único contrato da Secretaria de Educação do Amapá, a Operação Mãos Limpas detectou superfaturamento de 2.763%. Segundo a Polícia Federal, o presidente da comissão de licitação era também gerente da empresa vencedora. Na sexta, 18 autoridades foram presas.

BCs fecham acordo para blindar bancos

Em reunião na sede do Banco de Compensações Internacionais (BIS), na Suíça, autoridades monetárias de 26 países, mais a União Europeia, fecharam acordo ontem para a criação de normas que visam a fortalecer o sistema financeiro mundial. Batizado de Basileia 3, o acordo prevê medidas que possam enfrentar turbulências de mercado e crises de liquidez das instituições, começando pela elevação de 2% para 7% do capital mínimo exigido dos bancos. A adaptação às novas regras começa em janeiro de 2013.

Israel libera obras em assentamentos

O premiê de Israel, Binyamin Netanyahu, ignorou apelo dos EUA e disse que a expansão dos assentamentos judaicos na Cisjordânia não será congelada. Palestinos consideram congelamento fundamental para negociações de paz.


Folha de S. Paulo

Acusações de corrupção provocam maior duelo da campanha entre Dilma e Serra

Tendo acusações de corrupção como pano de fundo, Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB) protagonizaram ontem o maior confronto da campanha eleitoral no debate Folha/RedeTV!, que reuniu os quatro principais candidatos a presidente. Mais segura do que nos debates anteriores, Dilma acusou Serra de ser "caluniador" ao responder à acusação do tucano de que a campanha petista é responsável pela quebra do sigilo fiscal de sua filha -ataque que rendeu um direito de resposta ao candidato do PSDB. Mas a petista tentou se desvincular de sua sucessora na Casa Civil, Erenice Guerra, cujo filho é acusado de cobrar comissão para intermediar negociações de empresas com o governo.

Dilma não respondeu se colocaria sua mão no fogo por Erenice, sua principal assessora na Casa Civil e no Ministério das Minas e Energia. "O que eu quero deixar claro é que eu não concordo, não vou aceitar que se julgue a minha pessoa baseado no que aconteceu com o filho de uma ex-assessora", disse. Também disse não poder garantir que novos vazamentos não voltarão ocorrer. "É fato que no Brasil já houve grandes vazamentos. Esse não foi o primeiro e queria que fosse o último. Não tenho certeza."

Candidatos "esquecem" suas propostas

Concentrados nas trocas de acusações e insultos, Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB) protagonizaram um debate pobre em termos de propostas de governo. A segurança pública, por exemplo, que sempre figura nas pesquisas de opinião entre os temas que mais preocupam os eleitores, foi ignorada pelos candidatos no debate Folha/RedeTV!.No último bloco, Serra só pronunciou a palavra "segurança", sem expor projetos.

Dilma citou pelo menos 20 números, entre investimentos financeiros e populações beneficiadas. Quase todos, entretanto, referiam-se a programas executados pelo presidente Lula, não a projetos que ela pretende implementar caso seja eleita.
Educação e saúde, outros temas que inquietam os eleitores, foram abordados superficialmente.

Serra evita questionar Dilma sobre sigilo e lobby

O candidato José Serra (PSDB) buscou evitar a imagem de "debatedor de picuinha" ao deixar de abordar, em duas perguntas dirigidas diretamente à adversária Dilma Rousseff (PT), os casos das quebras de sigilos fiscais e do suposto lobby com envolvimento da ex-assessora de Dilma, Erenice Guerra. Serra teve duas oportunidades de questionar Dilma. Na primeira, abordou a relação do governo com o Irã e, na segunda, já no último bloco, perguntou sobre política de saneamento básico.

Segundo a equipe de comunicação do candidato, como os jornalistas abordaram o tema, não valia a pena voltar a eles posteriormente. Segundo os estrategistas tucanos, era necessário mesclar ataques e propostas. As pesquisas em tempo real contratadas pela campanha de Dilma foram no mesmo caminho e mostraram que o tucano passava uma imagem agressiva quando fazia ataques à petista. O melhor momento dela teria sido quando afirmou a Serra que "não é dono da verdade nem melhor que ninguém", no terceiro bloco.

Parentes de Erenice tiveram cargos federais

Desde 2005 na cúpula da Casa Civil, a ministra Erenice Guerra teve quatro parentes em cargos comissionados no governo. A lista inclui o filho, Israel Guerra, apontado como intermediador de contratos entre uma empresa privada e o governo. Antes disso, três irmãos de Erenice, sucessora da candidata à Presidência Dilma Rousseff (PT) na Casa Civil, passaram pelo Executivo. Com a proibição no nepotismo pelo Supremo Tribunal Federal em 2008, os quatro parentes da ministra deixaram os cargos de confiança.

Procurada pela Folha por meio da assessoria, Erenice disse que não assinou nenhuma das nomeações. Antes de atuar como "consultor", Israel trabalhou na Anac (Agência Nacional de Aviação Civil) de agosto de 2006 ao mesmo mês de 2007. No ano passado, já fora do governo, a consultoria Capital, à qual Israel foi ligado, atuou na Anac para apressar a renovação da concessão de uma empresa -a MTA Linhas Aéreas. Após a renovação, a MTA fechou neste ano contrato de R$ 19,6 milhões com os Correios, sem licitação.

Servidora do Serpro diz que só acessava dados por "amizade"

"Somos gente humilde, não somos bandidos. Não acessamos os arquivos [da Receita] de má-fé, por pagamento nem por qualquer outra atitude que nos desabone. Tudo foi por amizade, favores", disse ontem à Folha Ana Maria Caroto Cano, servidora do Serpro cedida à Receita até a semana passada. Sob efeito de remédios e alegando inapetência, ela se negou a conceder entrevista, mas esclareceu alguns fatos. Disse que na sexta não esteve presa com seu marido, José Carlos Larios. Ambos, afirma, foram conduzidos pela Polícia Civil para "prestar esclarecimentos" sobre 23 declarações que prepararam para justificar os acessos considerados imotivados pela Receita em sua máquina.

Partidos bancam "puxadores" de votos

Na hora de distribuir dinheiro para as campanhas de seus candidatos a deputado, os partidos dão prioridade aos "puxadores" de votos das legendas e aos próprios dirigentes partidários. Ricardo Berzoini (ex-presidente nacional do PT), Valdemar Costa Neto (ex-presidente nacional do PR), Paulo Pereira da Silva (presidente estadual do PDT) e José Luiz Penna (presidente nacional do PV) são exemplos de dirigentes políticos que recebem dinheiro de seus partidos para fazer campanha.
Tiririca (PR), Mara Gabrilli (PSDB) e Protógenes Queiroz (PC do B) fazem parte da lista de potenciais puxadores de votos que são bancados por suas legendas. O "puxador" de votos, no jargão político, é o candidato com potencial para obter uma grande votação e ajudar a eleger outros candidatos do mesmo partido ou coligação.

Horário eleitoral de Dilma na TV esconde referências ao PT

Ancorada na imagem de um presidente cuja popularidade ronda os 80% de aprovação, Dilma Rousseff abriu mão da imagem do PT e do reforço de figurões petistas. Nos 22 programas de TV exibidos até a última quinta-feira, petistas só conseguiram aparições-relâmpago, sendo que a estrela vermelha do partido se limita ao minúsculo pingo no "i" do nome da candidata. As quase quatro horas de propaganda televisiva -haverá mais 16 programas até o dia 30- se concentram na apresentação da candidata, com repetição de dados de sua biografia, em promessas genéricas e na exploração das realizações e da imagem do presidente Lula.


Corrupção é o crime mais combatido por PF, diz estudo

O escândalo da Receita Federal revela o descontrole do Estado sobre os balcões de serviços e mostra como a corrupção está espalhada na franja do sistema, afirma Rogério Arantes, professor de ciência política da USP. Autor do estudo "Corrupção e Instituições Políticas", apresentado no 7º Encontro da Associação Brasileira de Ciência Política, em agosto, Arantes diz que as notícias sobre venda de dados fiscais sigilosos de contribuintes não o surpreendem.

"Estamos habituados a pensar a corrupção no interior da classe política e olhamos pouco para o crime que se apropria do "balcão de serviço", justamente na ponta mais próxima do cidadão. O meu estudo chama a atenção para essa corrupção mais periférica, descentralizada." Arantes analisou 600 operações da Polícia Federal realizadas de 2003 a 2008. Seu trabalho mostra que a prática criminosa mais combatida é a corrupção pública (22,7%). A recente operação Mãos Limpas, que levou à prisão o governador do Amapá e outras 17 pessoas, é um dos frequentes exemplos.

Acusado enriquece com contratos no AP

Um dos pivôs dos suposto esquema de desvios de recursos públicos no Amapá, o empresário Alexandre Gomes de Albuquerque usou ganhos de sua empresa de vigilância -que mantém contratos com diversos órgãos do Estado- para prosperar como empresário, construir um parque aquático, comprar imóveis e carros de luxo. Assim como o governador Pedro Paulo Dias (PP) e o ex-governador Waldez Góes (PDT), ele foi preso pela Polícia Federal na última sexta na Operação Mãos Limpas.

A empresa dele, a Amapá Vip, foi contratada irregularmente pela Secretaria da Educação por R$ 2,6 milhões mensais, segundo o Ministério Público Estadual, que viu superfaturamento. Em troca, disse a Promotoria com base em depoimentos de um servidor, parte desse dinheiro voltava na forma de um "mensalinho" de até R$ 100 mil para o ex-titular da pasta Adauto Bitencourt, ex-coordenador de campanha de Góes e também preso. De acordo com a PF, esses desvios de recursos para Educação foram o "modelo" que os investigados usaram para implantar o suposto esquema em outros órgãos.


Correio Braziliense

Salário até 50% maior

A falta de profissionais qualificados e a recuperação da economia proporcionaram valorização generalizada de salários entre os cargos mais demandados de média e alta gerência no país. Os destaques ficam por conta dos profissionais da área financeira e de contabilidade — que tiveram ganhos de até 50% nos últimos dois anos —, além dos desenvolvedores de novos produtos, segmento incluído no rol de especialidades da engenharia. A maior demanda é por trabalhadores em níveis médios, com mais de cinco anos de experiência que, além de serem difíceis de encontrar, são igualmente difíceis de serem mantidos dentro das empresas, devido às propostas da concorrência.

A pesquisa Guia Salarial, da Robert Half — empresa especializada em recrutamento —, aponta que os profissionais de finanças e contabilidade com inglês fluente foram os que apresentaram maior valorização salarial em relação ao ano passado, especialmente entre os executivos com experiência entre três e nove anos. O salário de um gerente nessa faixa de experiência, no ano passado, variava entre R$ 7 mil e R$ 12 mil nas empresas de portes pequeno e médio. Hoje, chega a até R$ 16 mil. Nas empresas de grande porte, o aumento foi menor, mas também significativo — de um teto de R$ 21 mil, os salários máximos subiram para R$ 23 mil.

A “sinceridade” dos políticos camaleões

Joaquim Roriz já foi fundador do PT de Goiás, na década de 1980. Renan Calheiros, em 1989, braço direito de Fernando Collor de Mello, arquitetava uma forma de derrotar Luiz Inácio Lula da Silva na primeira eleição direta pós-ditadura militar. José Sarney, então presidente da República, chegou a comparecer ao horário eleitoral gratuito para se defender dos ataques que recebeu de Collor, a quem chamava nos bastidores de “desequilibrado”, e do próprio Lula. E, quem tiver curiosidade de buscar mais longe no tempo, descobrirá que, quando Collor foi prefeito de Maceió, Renan, então um deputado estadual do MDB de esquerda, aguerrido e ligado aos comunistas, chamava-o de “príncipe herdeiro da corrupção”.

Quem vê esses personagens nesta campanha eleitoral de 2010 terá a certeza de que o velho ditado “o tempo supera tudo” é regra de ouro na política. Os eleitores, às vezes, ficam confusos ao ver o mesmo Lula que chamou Fernando Collor de Mello de “caçador de maracujás” agradecer o ex-adversário que chegou a expor sua vida íntima no horário eleitoral gratuito de 1989. Hoje, “é Lula apoiando Collor, e Collor apoiando Dilma”, repetem os carros de som pelas ruas do interior e da capital de Alagoas, onde o ex-presidente desfila feliz desde que José Serra o exibiu ao lado de Lula no horário eleitoral gratuito. Os próprios colloridos dizem em conversas reservadas que estavam com dificuldades em convencer o eleitor alagoano de que Lula e Collor estão juntos. Serra deu um empurrãozinho.

As duas Marinas Silva

A mais espiritualizada entre os candidatos à Presidência da República, a três semanas das eleições, já não tem a mesma liberdade para se expressar. Precisou “engolir o amor próprio”, como admitiu a interlocutores, aprendeu bem o que é o poder e sabe mensurar a distância entre a utopia e o exercício da função pública.

É mais conservadora, tem um comportamento recatado e tímido, encontra dificuldades para relacionar fé e política. Quem enxerga Marina Silva (PV) assim, mais de dois meses depois do início oficial da campanha presidencial, é o “pai espiritual” da ex-seringueira nas décadas de 1970 e de 1980, o atual arcebispo de Porto Velho (RO), dom Moacyr Grecchi, 74 anos.

Dilma joga caso para o governo

A acusação contra a ministra-chefe da Casa Civil, Erenice Guerra, de que teria viabilizado negócios do filho na estatal Correios e Telégrafos, contaminou a corrida pelo Palácio do Planalto. José Serra (PSDB) buscou capitalizar a denúncia, Dilma Rousseff (PT) tentou tirar do seu colo o escândalo e Marina Silva (PT) disse que a sucessão de casos de corrupção apequenou o debate político.

Os três mantiveram compromissos em São Paulo. Em visita a uma associação de moradores e de comerciantes de um bairro paulistano, Dilma jogou para o governo a responsabilidade de responder sobre Erenice. “Eu não tenho de provar nada da minha pessoa. Eu não estou sendo acusada de nada. Eu não vou me manifestar sobre esse assunto. É um assunto do governo. Essa é uma questão que não está no âmbito da minha campanha. O governo responderá por ela”, sustentou Dilma.

Confronto ao vivo

Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB) partiram para o confronto direto no debate entre os presidenciáveis na Rede TV!, na noite de ontem. Os dois candidatos se confrontaram pela primeira vez depois do escândalo do vazamento dos sigilos fiscais de tucanos e de parentes de Serra. Desde a primeira fala do presidenciável do PSDB, ele deixou clara a disposição para acusar a campanha de Dilma de estar por trás do vazamento dos dados da Receita Federal. O embate, entretanto, só ocorreu no terceiro bloco do debate, após um pedido de resposta solicitado pela petista. Plínio de Arruda Sampaio (Psol) e Marina Silva (PV) foram coadjuvantes
Fonte: Congressoemfoco

Quebra de sigilo: matérias desmontam versão de Serra

Dez por cento dos deputados candidatos são réus

Sinal amarelo na hora de votar: dos 481 deputados federais que concorrem às eleições deste ano, 45 respondem a ações penais que tramitam no Supremo Tribunal Federal. Eles são acusados de 73 diferentes processos

Cinco processos: Jader é um dos 45 deputados candidatos que respondem a ações penais no STF

Edson Sardinha e Thomaz Pires

Um em cada dez deputados federais que disputam as eleições deste ano é réu no Supremo Tribunal Federal (STF), órgão responsável pelo julgamento de parlamentares e outras autoridades federais. Dos 481 deputados que buscam um novo mandato nas urnas em outubro, 45 respondem a ações penais. Também estão nessa situação quatro senadores. Esses 49 parlamentares são acusados, ao todo, em 73 processos por crimes como formação de quadrilha, corrupção, lavagem de dinheiro, apropriação indébita e contra a Lei de Licitações.

O levantamento do Congresso em Foco diz respeito apenas às ações penais, que são desdobramentos dos inquéritos (investigações preliminares) e que preocupam mais os congressistas, pois são elas que podem levar os réus à condenação. Nesses casos, o Supremo aceitou as denúncias feitas pelo Ministério Público Federal por entender que há elementos da participação dos deputados e senadores em práticas criminosas. A inocência ou culpa de cada um deles só será definida após o julgamento de cada processo.

Veja a relação dos deputados e senadores candidatos réus

Desses 49 parlamentares réus, oito estão ameaçados pela Lei Complementar 135/10, a chamada Lei da Ficha Limpa, que veda a candidatura de políticos com condenação em órgão colegiado ou que renunciaram ao mandato para escapar do processo de cassação. São eles os deputados Pedro Henry (PP-MT), Paulo Maluf (PP-SP), Valdemar Costa Neto (PR-SP), Tatico (PTB-GO) e Natan Donadon (PMDB-RO), candidatos à reeleição; Ernandes Amorim (PTB-RO), que disputa vaga de deputado estadual; e Jader Barbalho (PMDB-PA) e Paulo Rocha (PT-PA), que concorrem ao Senado.

Maluf, Henry, Tatico, Ernandes e Donadon foram considerados culpados, em decisões tomadas em conjunto por magistrados, em outros processos e esferas da Justiça. Já Valdemar, Jader e Paulo Rocha correm o risco de ficar fora da disputa eleitoral por terem renunciado ao mandato às vésperas de se tornarem alvo de processo de cassação por quebra de decoro. Paulo Rocha, Valdemar e Pedro Henry são réus do processo do mensalão. Além deles, também concorrem nestas eleições outros dois deputados que respondem à Ação Penal 470: João Paulo Cunha (PT-SP) e José Genoino (PT-SP).

O crime mais comum atribuído aos parlamentares candidatos que são réus é o de peculato: são 16 acusações de apropriação ou desvio de valores, bens móveis por funcionário público em razão do cargo que exerce. A pena prevista para esse tipo de crime é de dois a 12 anos de reclusão. Os crimes de responsabilidade (cometidos no exercício de outros cargos), com 11 ações penais, e contra a Lei de Licitações, com nove, vêm em seguida. Há ainda oito processos por lavagem de dinheiro e seis por falsidade ideológica e formação de quadrilha entre as denúncias mais comuns. Também há cinco processos por crime contra o sistema financeiro, três por apropriação indébita e corrupção eleitoral, dois por prevaricação e estelionato. Aparecem ainda, com uma ocorrência cada, denúncias por lesão corporal, falsificação de documento público e crime
contra o patrimônio.

Cinco cada um

De todos os candidatos réus no STF, Jader Barbalho, Lira Maia (DEM-PA) e Jackson Barreto (PTB-SE) são os que acumulam mais ações penais: cada um tem cinco. Emprego irregular de verba pública, peculato, crime contra o sistema financeiro nacional, falsidade ideológica, formação de quadrilha, estelionato, crime de lavagem e contra a administração em geral são as denúncias que recaem sobre Jader. Crimes de responsabilidade e contra a Lei de Licitações são as acusações contra Lira Maia, candidato à reeleição. Jackson Barreto, candidato a vice-governador em Sergipe, responde por peculato e crime contra a administração em geral.

A relação dos parlamentares réus representa 22 estados e 11 partidos políticos. São Paulo, com nove nomes, Pará, com cinco, Paraná e Minas Gerais, com quatro, são as unidades federativas com mais representantes na lista. O PMDB, com dez nomes, o PP, com sete, o PR e o DEM, com seis, e o PTB e o PT, com cinco, são as legendas com mais congressistas candidatos na mira do Supremo.

“Se lixando”

A maioria dos parlamentares réus candidatos trabalha para continuar no Congresso. Estão nessa situação 43 dos 49 processados. Entre eles, está o deputado Sérgio Moraes (PTB-RS), réu de duas ações penais, que se tornou célebre nesta legislatura por duas frases.

Ao assumir a presidência do Conselho de Ética, em maio de 2008, o gaúcho desdenhou dos processos a que responde na Justiça. “Serei absolvido em todos. Lá na minha terra, tem um ditado que diz que cão que não tem pulga, ou teve ou vai ter, mesmo que seja pequena”, afirmou Moraes. “Sou ético, sou firme, não me dobro e tenho sete mandatos.”

Meses depois, voltou a causar polêmica ao defender o arquivamento de uma denúncia no Conselho contra o deputado Edmar Moreira (PR-MG), acusado de usar a verba indenizatória com suas empresas de segurança. “Estou me lixando para a opinião pública", afirmou Moraes aos jornalistas. "Até porque parte da opinião pública não acredita no que vocês escrevem. Vocês batem, mas a gente se reelege."

Sérgio Moraes é acusado de ter cometido crimes de responsabilidade no período em que foi prefeito de Santa Cruz do Sul. Numa das ações, o parecer da Procuradoria-Geral da República é pela condenação.

Prerrogativa de foro

A exemplo do que ocorre em outros países, deputados e senadores brasileiros têm prerrogativa de foro: eles só podem ser julgados pela mais alta corte do país. Caso não consigam se reeleger, seus processos voltaram à Justiça em seus respectivos estados.

Além dos que buscam voto pela reeleição, há quatro que pretendem mudar de Casa legislativa: o senador Eduardo Azeredo (PSDB-MG), réu no chamado “mensalão tucano mineiro”, tenta ser deputado; já Paulo Rocha, Jader Barbalho e Celso Russomanno (PP-SP) se articulam para o Senado. Estão de olho em outros cargos o senador Fernando Collor (PTB-AL), candidato a governador em Alagoas, e os deputados Rômulo Gouveia (PSDB-PB), Francisco Rodrigues (DEM-RR) e Jackson Barreto (PMDB-SE), candidatos a vice. Ernandes Amorim e Leandro Sampaio (PPS-RJ) são candidatos a deputado estadual. Caso perca a eleição, Collor ainda tem mais quatro anos de mandato.

A demora do Supremo em julgar ações contra parlamentares muitas vezes acaba beneficiando os réus. Há dez dias, o ministro Joaquim Barbosa reconheceu a extinção da punibilidade do deputado Paulo Maluf. O ex-prefeito e ex-governador de São Paulo era acusado dos crimes de falsidade ideológica e de responsabilidade por fatos ocorridos em 1996, durante uma de suas passagens pela prefeitura paulistana. A decisão foi proferida no dia em que Maluf completou 79 anos. Como o Código Penal reduz à metade o prazo prescricional no caso de réus com mais de 70 anos, o relator constatou que o Estado perdeu o prazo para punir o acusado.

Maluf ainda responde a outras duas ações penais: uma por crimes contra o sistema financeiro e outra por formação de quadrilha, crime contra o sistema financeiro nacional, e lavagem ou ocultação de bens, direitos ou valores. A candidatura à reeleição do deputado está ameaçada pela Ficha Limpa. No último dia 23, o Tribunal de Justiça de São Paulo considerou que ele estava inelegível por causa de uma recente condenação por superfaturamento na compra de frangos quando era prefeito.

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As baixas de Neudo

A relação dos parlamentares processados candidatos sofreu uma baixa no final de agosto, quando o deputado Neudo Campos (PP-RR), campeão em número de ações penais em tramitação no Supremo, renunciou ao mandato. Com isso, as 21 investigações em curso contra ele foram remetidas à Justiça em Roraima.

O ex-governador tenta voltar ao comando do estado. A primeira passagem dele pelo governo estadual lhe rendeu as denúncias por peculato e formação de quadrilha, crimes de responsabilidade, contra a Lei de Licitações e eleitorais.

Em novembro de 2003, menos de um ano após deixar o governo, Neudo foi preso, juntamente com outras 40 pessoas, acusado de comandar um esquema de fraude na folha de pagamento do estado. O grupo, desarticulado pela Operação Praga do Egito (também conhecida como Gafanhoto), da Polícia Federal (PF), desviou mais de R$ 230 milhões dos cofres públicos, de acordo com denúncia do Ministério Público Federal (MPF).

O ex-deputado não retornou os contatos feitos pela reportagem. Mas, em entrevista concedida ao site há dois anos, Neudo rebateu as 17 investigações que estavam em curso, naquela época, contra ele. De lá pra cá, virou alvo de outras três. O ex-governador disse que os processos foram desdobrados apenas para prejudicá-lo e que nunca soube de desvios de recursos em sua administração.

“O mundo se voltou contra mim. Minha esperança é o Supremo. Tenho certeza de que serei absolvido. Meu advogado diz que, à luz do que se encontra, é impossível me condenarem”, declarou, na ocasião. Neudo disse que, quando voltar ao governo de Roraima, fará tudo diferente: “Não vou assinar um convênio. Vou fazer uma auditoria rigorosa”, garantiu.

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Fonte: Congressoemfoco

Nas revistas: Saída de Quércia pode embolar disputa no Senado

ISTOÉ

Campanhas na UTI

Em vez de se concentrar na análise da biografia e na plataforma política dos aspirantes ao Senado, os eleitores paulistas passaram a debater a saúde dos candidatos. Na segunda-feira 6, o ex-governador Orestes Quércia (PMDB) renunciou à disputa porque está com câncer. O peemedebista vem sendo tratado no Sírio-Libanês, na região central de São Paulo, mesmo hospital em que o senador Romeu Tuma (PTB) foi internado na UTI para cuidar de uma afonia. Os correligionários de Tuma, no entanto, garantem que ele não desistirá da campanha. Ainda que o petebista tenha forças para continuar no páreo, apenas o espólio de Quércia – 23% das intenções de voto, de acordo com o Ibope – é grande o suficiente para fazer os adversários se engalfinharem.

O cantor e vereador Netinho de Paula (PCdoB) ameaçou entrar com recurso na Justiça para que o tempo de tevê e rádio de Quércia não seja repassado integralmente a Aloysio Nunes (PSDB), como deseja o PMDB. Analistas ouvidos por ISTOÉ dizem que a ausência de Quércia pode embolar a disputa ao Senado. Nesse caso, Netinho sairia prejudicado. Uma pesquisa feita pelo Ibope, no início de setembro, mostra Marta Suplicy (PT) em primeiro lugar, com 36% das intenções de voto. Netinho aparece atrás da petista, com 26%, tecnicamente empatado com Quércia. “O perfil dos eleitores do Quércia é parecido com o dos eleitores do Tuma e do Aloysio. São pessoas mais velhas e mais conservadoras”, afirma Mauro Paulino, diretor-geral do Instituto de Pesquisas Datafolha. “Se ficar claro que Quércia apoia o Aloysio, é provável que muitos votos migrem para ele.” Na sondagem feita pelo Ibope, Tuma e Aloysio seguem colados – com 13% e 12%, respectivamente.

Ataque inútil

No comando da campanha de José Serra (PSDB) houve uma discreta comemoração na terça-feira 7, quando o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ocupou o horário eleitoral reservado ao PT para fazer uma espécie de manifesto em defesa da ex-ministra Dilma Rousseff sobre os vazamentos de dados sigilosos da Receita Federal. Os tucanos chegaram a avaliar que os ataques promovidos nas últimas semanas, responsabilizando o PT e a candidata Dilma pela quebra dos sigilos fiscais de familiares de Serra e de líderes do PSDB, estavam surtindo algum efeito eleitoral. “Se eles colocaram o presidente para defender a candidata, é porque o ataque está funcionando”, disse um deputado do PSDB, que trabalha no comando da campanha tucana. A animação durou pouco. No dia seguinte, os serristas receberam o resultado de pesquisas internas mostrando que Dilma continuava a crescer. Perdia alguns poucos votos apenas em São Paulo.

No QG de Dilma, desde o início da semana, a análise era bem outra. A entrada de Lula no programa eleitoral era encarada como uma tentativa de avançar ainda mais em busca da vitória no primeiro turno. Os levantamentos eleitorais que se seguiram confirmaram que aquela que seria a bala de prata da campanha tucana, capaz de ferir de morte a candidatura de Dilma, não passou de um tiro de festim. No embalo do crescimento econômico e beneficiada pelo alto grau de satisfação popular com o governo, Dilma não só mantém folgada dianteira nas pesquisas de opinião como ainda é apontada como favorita para liquidar a fatura no primeiro turno. As pesquisas revelam que a maioria da população já decidiu como e por que vai votar. No dia 3 de outubro, não estará decidindo sobre responsabilidades de quebra de sigilo. O que está em jogo para o eleitor é o governo que ele vai levar ao poder. E aí a opção pela continuação da administração atual vem sendo acachapante.

Um manual para os eleitos

O Brasil tem motivos para comemorar. Um retrato do País recém-divulgado reflete uma coleção de avanços socioeconômicos, a começar pelo pouco impacto da turbulência econômica internacional no cotidiano brasileiro. “Apesar da crise no mundo, a renda per capita do brasileiro cresceu 2,04%”, diz o economista Marcelo Neri, chefe do Centro de Políticas Sociais da Fundação Getulio Vargas. “Mais do que isso, a renda dos 40% mais pobres aumentou 3,15%, contra 1,09% dos 10% mais ricos.” A façanha diz respeito ao desempenho da economia nacional entre setembro de 2008 e o mesmo mês do ano seguinte, objeto da mais recente Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (PNAD). Enquanto o mundo enfrentava instabilidades de todos os gêneros, o Brasil conseguiu manter a trajetória favorável de seus principais indicadores. Nesse percurso, conviveu, porém, com ritmos distintos. O Brasil que depende do setor privado avança de forma mais rápida do que aquele vinculado exclusivamente à máquina do Estado. Realizada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a pesquisa aponta resultados tão contundentes que deveria servir como referencial para aqueles que saírem das próximas eleições com a missão de administrar os Estados e o País.

Na sequência da queda da desigualdade social e do aumento da renda, houve uma explosão do consumo e do acesso a serviços. O setor privado cumpriu a sua parte. Não faltou produto no mercado. Mais de dois milhões de domicílios passaram a ter telefone – móvel ou fixo – em 2009. Numa edição que incorpora entre as novidades a investigação do uso de celular e internet, a PNAD revelou ainda que o uso da telefonia móvel aumentou quatro vezes em cinco anos. No mesmo período, o acesso à internet quase dobrou. Entre os mais de 20 milhões de residências brasileiras com computador, 16 milhões usam a rede mundial. Além de mais equipadas em termos de informática, as casas brasileiras ficaram mais confortáveis, por causa do aumento do consumo de geladeiras, máquinas de lavar, televisões e aparelhos de DVD. A posse de carros e motos também aumentou em todo o País.

Sem conexão

Inspirada na campanha do presidente americano, Barack Obama, a candidata Marina Silva, do PV, apostava em levantar muito dinheiro pela internet. Obama recebeu doações de mais de três milhões de eleitores, com uma arrecadação que atingiu US$ 500 milhões. Primeira candidata da história da política brasileira a tentar arrecadar dinheiro no mundo virtual, Marina não conseguiu convencer as pessoas físicas que acessam seu site. No último balanço da campanha, entregue ao Tribunal Superior Eleitoral na sexta-feira 3, o PV informou ter arrecadado R$ 74 mil. Longe de atingir as metas traçadas inicialmente, Marina empacou em um dígito nas pesquisas de opinião e enfrenta dificuldades para financiar os candidatos do PV nos Estados com as doações de pessoas físicas. “Nos Estados Unidos há uma cultura de contribuição individual e isso pegou na internet. Mas no Brasil não existe essa cultura, por isso ocorreu esse fiasco na campanha da Marina”, diz Antônio Queiroz, do Diap. Nem mesmo a candidata líder nas pesquisas teve bom desempenho nessa seara. Dilma Rousseff chegou a montar quiosques em seus comícios, mas foram poucos eleitores que entraram no site da petista. Na segunda-feira 6, Dilma arrecadou apenas R$ 500 nos computadores instalados em Valparaíso (DF), onde fazia comício.

Indecisão carioca

As eleições para o Senado no Rio de Janeiro sempre foram disputadas palmo a palmo. Em 2006, por exemplo, Francisco Dornelles (PP) ultrapassou Jandira Feghali (PCdoB) na última semana de campanha. Esse quadro está se repetindo agora. O carioca, pelo visto, já tem sua preferida para a Presidência da República, que é Dilma Rousseff (PT) e já escolheu seu candidato para governar o Estado: o atual governador Sérgio Cabral (PMDB). Mas ainda não se definiu na eleição para o Senado. Nos últimos dias, foi registrado o forte avanço do ex-prefeito de Nova Iguaçu Lindberg Farias (PT) e do deputado estadual Jorge Picciani (PMDB). A última pesquisa Ibope mostrou um crescimento de 4 pontos percentuais de Lindberg, que ostenta agora 28% de apoio, emparelhando com o ex-prefeito do Rio Cesar Maia (DEM), com 30%, e o senador Marcelo Crivella (PRB), com 34%. Picciani, por sua vez, chegou a 22%, o dobro do início da campanha. “Mantidas as condições atuais, podemos ter os quatro candidatos tecnicamente empatados”, diz o presidente do Instituto Brasileiro de Pesquisas Sociais, Geraldo Tadeu Monteiro.

ÉPOCA

Outro governador preso

Na sexta-feira, a Polícia Federal prendeu 18 suspeitos de desviar aproximadamente R$ 300 milhões de programas federais para a melhoria da educação. A operação, desencadeada em quatro Estados, foi batizada como Operação Mãos Limpas. Na lista de políticos, empresários e servidores públicos presos estão algumas das principais autoridades do Amapá: o governador Pedro Paulo Dias (PP), candidato à reeleição, o ex-governador Waldez Góes (PDT), que disputa uma vaga no Senado, o secretário de Segurança Pública, delegado federal Aldo Alves Ferreira, e o presidente do Tribunal de Contas do Estado, conselheiro José Júlio Miranda. Dias é o segundo governador no exercício do cargo preso por corrupção no Brasil. O primeiro foi José Roberto Arruda (ex-DEM), do Distrito Federal, que em fevereiro trocou a residência oficial por uma cela especial na superintendência da Polícia Federal em Brasília, a mesma cela reservada sexta-feira para o governador Dias.

De acordo com a Polícia Federal, as licitações eram fraudadas para que vencessem empresas escolhidas pelos acusados. A Secretaria de Educação do Amapá, por exemplo, firmou contrato emergencial com uma firma de vigilância por três anos, com pagamentos mensais superiores a R$ 2,5 milhões. Segundo a PF, há evidências de que parte do dinheiro era repassada, como propina, para as autoridades envolvidas no esquema.

Mudança na reta final

O ex-governador Orestes Quércia, em campanha no bairro da Liberdade, na capital, em agosto. A partir de agora, só tratamento. A desistência do ex-governador de São Paulo Orestes Quércia (PMDB) da eleição para o Senado criou aquilo que, no jargão da política, costuma ser chamado de “fato novo”: algo imprevisível, capaz de mudar o curso natural da disputa.

Quércia, de acordo com as pesquisas, estava na terceira posição, tecnicamente empatado com Netinho de Paula (PCdoB), o segundo colocado. Como há duas vagas, suas chances eram grandes, principalmente por causa do apoio do tucano Geraldo Alckmin, o líder na disputa pelo governo. No dia 6, porém, Quércia, de 72 anos, anunciou ser vítima de um câncer de próstata e preferiu se dedicar apenas ao tratamento da doença, que já teria atingido outros órgãos. Numa estratégia arrojada, ele não indicou um substituto, mas declarou apoio ao tucano Aloysio Nunes Ferreira. Em São Paulo, diferentemente do que ocorre em âmbito nacional, peemedebistas estão com os tucanos, contra o PT.

ÉPOCA Debate: Como o Estado deve atuar na economia?

Equipamento de perfuração da Petrobras no Rio de Janeiro. O governo criou outra estatal para atuar no setor, a Pré-Sal. Todo dia, esteja em casa, no trabalho ou se divertindo, o brasileiro anda aos esbarrões com um sócio grandalhão. O cidadão tem com o sócio um contrato: entrega a ele parte substancial do dinheiro que ganha e, em troca, espera que seja limpo o caminho para buscar a prosperidade. O sócio deveria garantir muita facilidade para o cidadão comprar, vender, poupar, planejar, investir, empreender, negociar, contratar. Atualmente, porém, em diversas situações o brasileiro não pode contar com a ajuda desse sócio – o Estado, uma organização formada por cerca de 540 mil funcionários, divididos por uma infinidade de repartições, departamentos, secretarias e autarquias, cujo dirigente máximo é o presidente da República.

O relacionamento entre o cidadão e seu sócio indesejado é conflituoso. Interessa a todo governante que o Estado seja o mais poderoso possível e que sofra um mínimo de cobranças; ao cidadão interessa o oposto: que o Estado seja tão frugal quanto possa, ao cobrar impostos, e extremamente eficiente, ao retirar os entraves do caminho para a prosperidade individual. Por isso, uma das difíceis opiniões que todo eleitor precisa formar é sobre o papel e o peso do Estado no desenvolvimento econômico. Esse será o tema do quinto encontro da série ÉPOCA Debate, na segunda-feira (13/9), na sede da Editora Globo (que publica ÉPOCA).

O pedigree petista do contador

O contador Antonio Carlos Atella Ferreira gosta de dizer, em tom de galhofa, que se filiou ao Partido dos Trabalhadores graças a uma combinação de bebida e paquera. De acordo com seus relatos, em 2003, ele participava de uma festa de petistas de Mauá, na Grande São Paulo, quando se encantou por uma moça que tinha a incumbência de engrossar as fileiras do partido. Na tentativa de conquistar a militante, Atella diz que assinou sua ficha de filiação e, de tão embriagado, teria errado até a grafia do próprio sobrenome: escreveu Atelka, em vez de Atella.

A versão descompromissada do contador que usou procurações falsas para acessar dados fiscais sigilosos da filha e do genro do candidato tucano à Presidência, José Serra, coincide com a versão do PT paulista. De acordo com o Diretório Estadual do partido, a filiação de Atella não fora aceita justamente por esse erro de grafia. Tal versão, porém, não durou dois dias. O Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo reafirmou que Atella se filiou ao PT em 20 de outubro de 2003 e, desde então, nunca pediu desfiliação.

A peneira da Receita

De um computador colocado sobre uma mesa de canto, numa sala no piso superior da agência em Mauá, São Paulo, saiu uma das maiores crises da história da Receita Federal. A máquina era usada pela auxiliar de informática Adeildda Ferreira Leão dos Santos. Há quase três meses, Adeildda é uma das investigadas pela sindicância interna que apura o vazamento de dados sigilosos de personalidades ligadas ao PSDB. Documentos da sindicância examinados na semana passada revelam que no computador dela foram feitos 2.949 acessos a dados de contribuintes entre agosto e dezembro do ano passado. Sozinha, Adeildda teria sido responsável por 24,3% de todos os acessos da agência.
Foi de lá que brotaram os dados fiscais sigilosos de seis personagens ligados ao PSDB e ao candidato à Presidência José Serra. Só no dia 8 de outubro, foram cinco: Veronica Serra, filha de Serra, Eduardo Jorge Caldas Pereira, o vice-presidente do PSDB, Ricardo Sérgio de Oliveira, ex-arrecadador de Serra, Gregório Marin Preciado, empresário aparentado de Serra, e Luiz Carlos Mendonça de Barros, ex-ministro. Na semana passada, surgiu mais um. Os dados fiscais do empresário Alexandre Bourgeois, casado com Veronica, também foram devassados pela máquina de A-deildda. A consulta foi entre 10h43 e 10h46 do dia 16 de outubro de 2009.

Afinal, quem vai governar?

A escolha pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva do nome de Dilma Rousseff como candidata do governo ao Palácio do Planalto despertou dúvidas desde que foi revelada, há pouco mais de dois anos. Desconhecida do público e sem intimidade com o mundo político, Dilma entrou na corrida eleitoral guiada por Lula, dono de uma popularidade próxima a 80%. Lula traçou a estratégia de alianças federais e estaduais, indicou os principais integrantes do comando de campanha e desafiou a legislação eleitoral para tornar sua pupila conhecida. A evidente ascendência de Lula sobre Dilma produziu a suspeita de que, se eleita, ela continuaria dependente da atuação política do ex-chefe. Os movimentos feitos nas últimas semanas reforçaram a impressão de que, mesmo fora do Planalto, Lula exercerá forte influência em um eventual governo Dilma.

Na terça-feira, feriado de 7 de setembro, o programa de Dilma no rádio e na TV exibiu um veemente depoimento de Lula, bem no estilo peça de campanha. Em dois minutos e 15 segundos de aparição, Lula acusou o candidato do PSDB, José Serra, de “baixaria” na disputa e de pertencer à “turma do contra”. “Tentar atingir com mentiras e calúnias uma mulher da qualidade de Dilma é praticar um crime contra o Brasil e, em especial, contra a mulher brasileira”, afirmou Lula em horário nobre para milhões de eleitores. Sua presença ostensiva no programa eleitoral foi uma resposta às denúncias de violação do sigilo fiscal de personalidades próximas a Serra.


VEJA

Exclusivo: o polvo no poder

Propina dentro do Palácio do Planalto
Sob legenda: "Corrupção – Erenice: filho lobista"

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Fonte: Congressoemfoco

“Rouba um pouquinho, mas divide com nós”

Empregada doméstica moradora do Paranoá, no DF, Cleunice diz que só existe uma diferença entre os políticos: há que os roubam e não fazem, e os que roubam mas fazem

Edson Sardinha

Cleunice Pereira é uma legítima trabalhadora brasileira. Empregada doméstica, 48 anos, moradora do Paranoá, cidade do Distrito Federal localizada a 28 quilômetros de Brasília, vive as mesmas dificuldades que todo cidadão de baixa renda deste país. Com o dinheiro ganhado honestamente, supera sacrifícios para manter a educação dos filhos de 17 e 18 anos. Talvez por essa identificação, Cleunice compartilha da mesma incredulidade que a maioria da população tem em relação aos políticos brasileiros. Ela é um exemplo concreto de que o tipo de político corrupto mas fazedor de obras infelizmente continua fazendo sucesso entre o eleitorado brasileiro.

Na visão dela, só há uma coisa que distingue um representante do povo do outro: é que uns roubam e não fazem; e outros roubam, mas fazem. Para ela, os políticos podem continuar roubando, mas desde que dividam com a população. Mas não é de dinheiro que a empregada doméstica fala: é de recursos para infraestrutura, saúde e educação.

Cleunice Pereira foi uma das nove pessoas que aceitaram o desafio da TV Congresso em Foco de fazer uma pergunta aos presidenciáveis. Não se limitou a perguntar, nem fugiu dos questionamentos feitos pela reportagem, como este: “Mas a senhora aceita que candidato roube? A senhora acha isso perdoável?”

“Isso aí eu não vou perdoar, porque todos eles roubam. Não posso fazer nada, né? Todos eles roubam. Então, rouba um pouquinho pra você, mas divide com a gente. Divide com a saúde pública, com tudo, amigo, contribui com a universidade, com esses meninos que estão aí começando a vida agora”.

“Nós tivemos candidatos bons aqui dentro de Brasília, bons, tipo Roriz [Joaquim Roriz, ex-governador]. Se ele pegou, é porque dividiu com os pobres. Esses candidatos que estão entrando aqui dentro eles não dividem com nós nem um pouquinho. Não quero que divide [sic] com nós assim dinheiro, dinheiro, não. Quero que divide com nós estrutura, creche, saúde, que nós não temos. Faça alguma coisa por nós. O tanto que eles roubam ali, mas divide. Façam alguma coisa.”


O que preocupa o brasileiro - Cleonice Pereira


Distância enorme

A distância que separa o Paranoá do Plano Piloto é mais que geográfica. A renda média per capita na região administrativa é de 1,2 salário mínimo; um quinto da registrada em Brasília, que é de 6,8 mínimos. Para se ter uma ideia do fosso, na região mais nobre da capital federal, o Lago Sul, essa renda per capita chega a 10,8 salários mínimos, segundo a Pesquisa Distrital por Amostra de Domicílios, de 2004.

É nesse cenário de abismo social que Cleunice explicita sua total descrença em relação às instituições e aos políticos brasileiros. O lugar onde ela vive há mais de 30 anos aparecia com o segundo pior Índice de Desenvolvimento Humano (IDH), no quesito renda, entre as 19 regiões administrativas que existiam no Distrito Federal na época, segundo a pesquisa mais recente e completa sobre as condições de vida no Distrito Federal. Com um índice de 0,612, o Paranoá só ficava à frente, na época, do Recanto das Emas. O IDH-renda no Plano Piloto, naquele ano, era de 0,948.

De lá pra cá, o Paranoá deixou de abrigar o Itapoã, a maior favela de Brasília, com 50 mil habitantes. Em 2005, durante o último governo Joaquim Roriz (PSC), destacado por Cleunice, o Itapoã virou um
Fonte: Congressoemfoco

Governador em exercício do Amapá suspende pagamentos

Renata Camargo

O governador em exercício do Amapá, Dôglas Evangelista Ramos, anunciou neste sábado (11) que irá suspender o pagamento de todos os fornecedores do estado. Segundo Ramos, a decisão foi tomada por “cautela”. “A primeira providência foi essa. A partir de terça-feira só vamos pagar o que for necessário”, disse Ramos, segundo o G1.

Presidente do Tribunal de Justiça do Amapá, Ramos assumiu o governo do estado após a prisão do governador, Pedro Paulo Dias (PP), preso na operação Mãos Limpas, da Polícia Federal, deflagrada ontem (10). Dias é acusado de desviar verbas públicas. Na operação foram presas 18 pessoas, entre elas estão também o ex-governador Waldez Góes (PDT) e o presidente do Tribunal de Contas do estado, José Júlio de Miranda Coelho.

PF prende atual e ex-governador do Amapá

Ramos anunciou que deve ficar no cargo por apenas cinco dias, que é o prazo da prisão temporária do governador. A orientação do Superior Tribunal de Justiça (STJ), segundo ele, é colocar pessoas de sua confiança na área financeira do governo. Na coletiva à imprensa na manhã de hoje, Ramos enfatizou que pretende trazer tranqüilidade para a população do estado.

O governador em exercício disse ainda que, ao menos por enquanto, não fará mudanças profundas na estrutura do governo. Ele afirmou que não irá destituir secretários dos cargos, mesmo aqueles que foram chamados a depor na polícia. “Se eu afastá-los hoje, daqui a pouco o governador volta e põe de volta”, declarou.

Em Macapá, capital do Amapá, manifestantes participam nesta manhã de um ato política em defesa do governador preso do Amapá e do ex-governador Waldez Góes. O protesto ocorre em frente à residência oficial do governador, no centro da cidade. Os manifestantes gritam palavras a favor dos acusados e protestam com bandeiras e carro de som.
Fonte: Congressoemfoco

Vox Populi: Dilma abre 30 pontos de vantagem

A presidenciável do PT, Dilma Rousseff, foi a única candidata que cresceu na medição do tracking Vox Populi/Band/iG deste domingo (12). A candidata tinha 52% da preferência do eleitorado e atingiu 53% das intenções de voto.

O candidato José Serra (PSDB), se manteve no patamar de 23% constatado na medição de sábado (11). A candidata do PV, Marina Silva, também se manteve com 9% da preferência.

Com o resultado da medição de hoje (12), Dilma abriu 30 pontos percentuais de diferença em relação ao tucano José Serra. Com esse patamar, a candidata do PT venceria as eleições ainda no primeiro turno.

NA ESPONTÂNEA, DILMA 44%

Na pesquisa espontânea, quando não são apresentados os nomes dos candidatos ao eleitor, Dilma também subiu de 43% para 44%, enquanto Serra e Marina se mantiveram com 18% e 7%, respectivamente.

A cada dia, o instituto realiza 500 novas entrevistas. A amostra consolidada com 2000 entrevistas, portanto, só é totalmente renovada após quatro dias. O levantamento foi registrado junto ao TSE sob o nº 27.428/10. (Fonte: portal iG).
# posted by Oldack Miranda/Bahia de Fato

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