sexta-feira, junho 06, 2008

Marcelo Nilo acusado de nepotismo

O presidente da Assembléia Legislativa, deputado Marcelo Nilo (PSDB), foi acusado ontem pelo apresentador Mário Kertész, da rádio Metrópole, de praticar nepotismo ao manter os namorados das suas duas filhas trabalhando no Legislativo estadual. Apesar de o caso não ser legalmente enquadrado como nepotismo, já que Rômulo Almeida e Marcos Athaíde não são oficialmente casados com as herdeiras do tucano, o assunto incomodou bastante o presidente. Rômulo é chefe da Secretaria Geral das Comissões da Casa. Já Athaíde trabalha na Procuradoria Jurídica da Assembléia.
Questionado se as contratações se enquadrariam em prática de nepotismo – já que os parlamentares votaram no ano passado uma lei do deputado Euclides Fernandes (PDT) que proíbe a prática até terceiro grau –, Marcelo Nilo rechaçou. Ele afirmou que não interferiu na indicação dos quase genros e disse que tudo era “apenas coincidência”. “A indicação não foi minha, foi do superintendente parlamentar Geraldo Mascarenhas, fruto de uns currículos que ele recebeu. Eu nomeei e não poderia vetar uma pessoa por ter um vínculo pessoal com um familiar meu. Isso é um ato de perseguição e não seria justo, já que eles estão no cargo pelos méritos deles”.
Marcos Athaíde trabalha na Assembléia e foi contratado recentemente para atuar na Procuradoria Jurídica da Casa, “cargo que deveria ser ocupado por um funcionário concursado, já que possui salário de R$15 mil e não por um profissional recém- formado”, como ironizou Kertész. O outro quase genro de Nilo é o responsável pela Secretaria Geral das Comissões. Rômulo Almeida trabalha no Legislativo desde a posse do tucano
O radialista fez questão de lembrar ontem que Nilo, que também emprega correligionários e parentes de aliados na Assembléia, a exemplo de uma filha do ex-prefeito Antonio Imbassahy (PSDB), foi o mesmo a nomear Luís Henrique, filho do prefeito João Henrique (PMDB), em 2005, para um cargo de confiança em seu gabinete, “apesar de o herdeiro do prefeito não ter formação acadêmica suficiente para ocupar o posto”. (Da redação)
Fonte: Correio da Bahia

Opinião - Relatório do atestado de óbito

Villas-Bôas Corrêa
O ilustre desconhecido deputado Luiz Sérgio (PT-RJ) decidiu arrombar a porta da notoriedade na sua estréia como parlamentar. Brindado pela criteriosa escolha dos líderes da bancada governista, para relator da CPI dos Cartões, o representante da população do Estado do Rio de Janeiro, cumpriu as ordens recebidas não apenas ao pé da letra, mas com os adornos da sua ansiosa vontade de agradar ao governo, paparicar os líderes das legendas que aprovaram a sua escolha.
Marcou o seu gol com a bola murcha. E a peça abrilhantará os anais da Câmara como alentado documento deste negro transe de decadência moral do Legislativo. Um apressado não teria gastado mais do uma lauda para dar o seu recado e cobrar a gratidão. Não o relator descoberto pelo faro de quem o pinçou nas águas turvas do anonimato. O deputado Luiz Sérgio logrou a proeza de encher 936 páginas do calhamaço, sendo 666 para esmiuçar com a lupa de grossas lentes os saques milionários com os cartões corporativos que caracterizam os crimes e delitos cometidos por cinco ex-ministros do governo do presidente Fernando Henrique Cardoso.
Para o conhecimento da opinião pública e improváveis cautelas em futuras transações com os denunciados, segue-se à lista dos que se locupletaram com o dinheiro público nos últimos meses do segundo mandato do antecessor do ilibado presidente Lula: Paulo Renato de Souza, da Educação; Pimenta da Veiga, das Comunicações; Francisco Welfort, da Cultura e Raul Jungmann, do Desenvolvimento Agrário.
Cuidadoso e detalhista, o relator catou no volumoso papelório da CPI, os muitos exemplos de roubalheira da quadrilha do governo do adversário. Desde notas fiscais em série suspeita para o pagamento de serviço de transporte; gastos de ricaço em viagens em fins de semana, com notas de refeições de sibarita, como a de R$ 686 paga pelo ex-ministro Martus Tavares no restaurante Massimo, qualificado como um dos mais caros de São Paulo.
No reverso da medalha, com o contraste da diferença de educação, compostura, moralidade entre o governo da esbórnia de FHC e a severidade de convento dos dois mandatos do presidente Lula, o relator capricha em desmontar denúncias de miúdas irregularidades apuradas contra os atuais detentores do poder.
Para cadenciar as marteladas no cravo e na ferradura, o relator ignorou o badalado dossiê sobre gastos do ex-presidente. Bastou-lhe a sova nos ex-ministros do governo tucano.
E na mesma toada do coração doce como o favo de mel, passou como gato sobre brasa sobre "simples erros ou enganos" nos gastos com o cartão corporativo da distraída ex-ministra Matilde Ribeiro, da Igualdade Racial, pilhada pagando uma insignificante despesa de R$ 416 num free shop. Ou o pitoresco descuido do ministro Orlando Silva, do Esporte, que pagou com o cartão R$ 8,30 por uma tapioca.
Claro que a oposição não pode engolir em seco o relatório do fecundo deputado Luiz Sérgio. Anuncia que reagirá com as armas da minoria: o voto em separado tentará desmontar a arapuca do relator. E o pedido de indiciamento da ministra-candidata Dilma Rousseff e de todos os envolvidos com o dossiê.
Novos escândalos e denúncias rolam a pedra do esquecimento morro abaixo. A ministra-candidata Dilma Rousseff ocupa-se com a denúncia do dia da ex-diretora da Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) do seu envolvimento na negociação da Varig e da VarigLog, suspeita de fraude e tráfico de influência.
Até quando o governo e o Congresso suportarão a enxurrada de escândalos que parece não ter fim?
Fonte: JB Online

O lixo de dona Condoleezza

Por: Carlos Chagas

BRASÍLIA - Imagine qual seria o impacto, em Washington, caso o ministro de Relações Exteriores do Brasil, Celso Amorim, assinasse e divulgasse um documento oficial denunciando a exploração sexual de crianças no Harlen, em Nova York, o trabalho escravo de mexicanos nas plantações de algodão da Geórgia e, de quebra, a prática de torturas a prisioneiros árabes na base militar de Guantanamo, em Cuba.
No mínimo o embaixador americano em Brasília seria chamado para consultas, enquanto o embaixador brasileiro nos Estados Unidos receberia imediata reprimenda no Departamento de Estado. Para não falar na mobilização de toda a imprensa para monumental campanha contra o Brasil, a devastação da Amazônia, o massacre dos índios e a violência policial nas favelas. É possível que, senão de prontidão, a Quarta Frota da Marinha dos EUA, encarregada de patrulhar o Atlântico Sul, se aproximasse um pouco mais do nosso litoral.
Pois é. A secretária de Estado, Condoleezza Rice, acaba de endossar e liberar um texto com o timbre do Departamento de Estado, sob o título "Relatório sobre o tráfico de pessoas", onde se lê que o rápido crescimento de países como o Brasil, Índia e China vem sendo conseguido à custa da exploração do trabalho escravo. No caso brasileiro, acrescenta o documento, os trabalhadores escravos são utilizados em usinas de produção de etanol.
Outras bobagens fazem parte desse lixo divulgado quarta-feira na capital americana, mas o que chama a atenção, ao menos por enquanto, é a inércia do governo brasileiro, começando pelo Itamaraty e chegando ao Palácio do Planalto. Afinal, dona Condoleezza é ministra das Relações Exteriores. Não tem o direito de afirmar que o desenvolvimento brasileiro é fruto de trabalho escravo.
Muito menos de aproveitar para mais um ato de sabotagem contra o etanol tirado da cana-de-açúcar, já que o deles, saído do milho custa muito mais caro. Felizmente o governo George W. Bush vai chegando ao fim, mas tudo pode acontecer até novembro. É bom tomar cuidado.
Mesmo assim...
Na última semana de maio o governo liberou 98 milhões de reais para emendas ao orçamento propostas por deputados. Naquele mês, foram 236 milhões, e este ano, 500 milhões. Não se cometerá a injustiça de supor que toda essa riqueza vá para o bolso de Suas Excelências, ainda que algum percentual sempre possa seguir nesse rumo. As emendas, de modo geral, servem para a construção de escolas, a ampliação de hospitais, o asfaltamento de estradas e a implantação de pontes, nos municípios de influência política de seus autores.
Aqui e ali alguma ONG fajuta se vê beneficiada, mas a maioria das liberações de verbas contribui para a melhoria de diversas regiões. É claro que os deputados lucram politicamente, ganham votos para as próximas eleições, conseqüência do sistema democrático que vivemos.
O que faz aumentar a curiosidade geral, porém, é saber o porquê dessa súbita caridade praticada pelo governo com dinheiro público. E a resposta surge clara: para garantir o voto favorável dos deputados ao projeto que cria o novo imposto sobre o cheque. Mais uma rodada da Oração de São Francisco, aquela do "é dando que se recebe". Toda vez que assinar um cheque ou realizar uma operação financeira estará sendo descontado o cidadão que atravessar a ponte recém-inaugurada, transitar pela rodovia asfaltada, recorrer ao hospital remodelado ou mandar os filhos para a nova escola.
Salta aos olhos, porém, o governo flagrado em delito de opinião. Ou o presidente Lula não declarou, mais de uma vez, que não tinha nada a ver com o novo imposto, que a questão era dos líderes e do Congresso, e que sua administração não se intrometeria? Por que, então, essa nova cascata de emendas autorizadas?
Ajuda atrasada
Uma azeitona na empada da mais nova denúncia de escândalo no governo, agora envolvendo suposta ajuda da chefe da Casa Civil na operação de venda da Varig-Log a um grupo americano: por que demoraram tanto? Se era para salvar a empresa, um dos símbolos do progresso brasileiro até os anos noventa, deveriam ter agido antes. Cruzaram os braços vendo a Varig em frangalhos, sob a alegação de tratar-se de uma companhia privada mal administrada, e só depois tentaram ressuscitar o seu cadáver?
Se era para não deixar morrer a empresa, levando ao desemprego milhares de funcionários, assim como entregando a sorte dos passageiros a duas alternativas sofríveis, que pelo menos se antecipassem.
Cabe à ministra Dilma Rousseff defender-se, aliás, como já vem fazendo, mas uma evidência sobrepõe-se às demais: a lei não permite a entrega do controle de empresas aeronáuticas nacionais a estrangeiros...
Fonte: Tribuna da Imprensa

Oposição pede ação contra quatro ministros

BRASÍLIA - Cinco horas depois de encerrada a CPI Mista dos Cartões Corporativos, três partidos de oposição - PSDB, DEM e PPS - protocolaram ontem ação na Procuradoria Geral da República (PGR) pedindo a abertura de inquérito policial contra quatro ministros e funcionários do Palácio do Planalto, supostamente envolvidos com a montagem de dossiê com gastos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. "Estamos pedindo o indiciamento dessas pessoas e explicando ao Ministério Público como foi a participação de cada uma na confecção do dossiê", disse o deputado Carlos Sampaio (PSDB-SP).
Na representação, a oposição solicita a investigação e eventual indiciamento de quatro ministros: Dilma Rousseff (Casa Civil), Jorge Hage (Controladoria Geral da União), Tarso Genro (Justiça), e Paulo Bernardo (Planejamento). Os oposicionistas também pedem a investigação de cinco funcionários do Palácio do Planalto e da ex-ministra Matilde Ribeiro (Igualdade Racial), que deixou o governo após a divulgação de que ela fez gastos irregulares com cartão corporativo.
A oposição quer a apuração da participação na montagem do dossiê de quatro funcionários da Casa Civil: a secretária-executiva, Erenice Guerra, braço direito da ministra Dilma; o secretário de Administração, Norberto Temóteo Queiroz; a diretora de Recursos Logísticos, Maria de la Soledad Bajo Castillo; e o assessor da diretoria de Orçamento e Finanças, Gilton Saback Maltez.
Na semana passada, a oposição apresentou seu sub-relatório onde não pedia o indiciamento de ninguém e responsabilizava apenas o ex-secretário de Controle Interno da Casa Civil da Presidência da República José Aparecido Nunes Pires pela confecção e vazamento do conteúdo do dossiê sobre gastos do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.
Ontem, porém, na representação protocolada na Procuradoria, a oposição defendeu investigações mais detalhadas sobre o ex-secretário de Controle Interno da Casa Civil. Foi José Aparecido, único indiciado pela Polícia Federal (PF) até agora, que enviou o dossiê contra FHC para André Fernandes, assessor do senador Álvaro Dias (PSDB-PR).
Na ação, a oposição avaliou que o ministro Jorge Hage "demonstrou ter conhecimento do conteúdo do dossiê" contra FHC quando, em depoimento à CPI Mista dos Cartões Corporativos, em 19 de março, referiu-se a despesas do governo passado. Para a oposição, o ministro Tarso Genro "prevaricou" quando não determinou à Polícia Federal a instalação imediata de inquérito para apurar a confecção do dossiê contra FHC.
Fonte: Tribuna da Imprensa

Deputado José Pimentel é novo ministro da Previdência

BRASÍLIA - O Palácio do Planalto confirmou ontem que o deputado José Pimentel (PT-CE) deve assumir na próxima semana o Ministério da Previdência. Ele substitui Luiz Marinho, que pediu exoneração do cargo para disputar a prefeitura de São Bernardo.
De acordo com a assessoria de imprensa do Planalto, Lula conversou com Luiz Pimentel no início da tarde de ontem e impôs uma condição para que o deputado possa assumir o Ministério da Previdência: que fique no cargo até o final do mandato, o que significa que ele não deverá sair do governo para disputar as próximas eleições proporcionais.
Ainda não há definição, no entanto, para o substituto de Marta Suplicy no Ministério do Turismo. Ela deixou o cargo na terça-feira para disputar a prefeitura de São Paulo. O secretário-executivo do Ministério do Turismo, Luiz Eduardo Barreto, vem respondendo pelo Ministério interinamente. De acordo com o Palácio do Planalto, ainda não há uma definição sobre o titular para o cargo. Também neste caso, a orientação do presidente Lula é de que o novo ministro terá que permanecer no cargo até o final do mandato.
Fonte: Tribuna da Imprensa

STF abre ação penal contra Russomanno

BRASÍLIA - O Supremo Tribunal Federal (STF) abriu ontem uma ação penal contra o deputado Celso Russomanno (PP-SP), denunciado pelo Ministério Público por falsidade ideológica e crime eleitoral. Já havia no STF um inquérito contra o deputado. Durante a investigação, o MP encontrou provas suficientes para oferecer denúncia contra o parlamentar e pedir que ele se tornasse réu de uma ação penal.
Por unanimidade, os ministros aceitaram a denúncia. A irregularidade data de 1999, quando o deputado teria apresentado à Justiça Eleitoral declaração falsa de pedido de transferência do domicílio eleitoral. Celso Russomanno queria disputar a eleição para a prefeitura de Santo André (SP) e para cumprir as exigências eleitorais, como provar que morava na cidade, alugou um apartamento.
O problema é que o deputado não chegou a ocupar o imóvel. A Justiça Eleitoral comprovou a fraude ao analisar as contas de energia do apartamento. Por dois meses, não houve qualquer consumo de energia no imóvel, o que comprovaria que Celso Russomanno não morava na cidade. A pena, de acordo com os ministros, pode chegar a 5 anos de prisão e multa.
Fonte: TRibuna da Imprensa

Ministros com rédeas curtas

Lula, preocupado em evitar rachas na base, quer controlar ação de assessores nas eleições
BRASÍLIA - O comportamento dos ministros nas próximas eleições, com objetivo de evitar ações na Justiça por conta de violações às leis eleitorais e impedir novos rachas na base aliada, por causa das disputas locais, será um dos principais temas da segunda reunião ministerial do ano, na manhã de segunda-feira, com o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.Lula já avisou que não subirá no palanque de candidatos, no primeiro turno das eleições, em cidades nas quais a base aliada estiver dividida, já que o presidente quer se manter o mais afastado possível das disputais municipais, para que elas não afetem as relações federais.
Com a popularidade em alta, no entanto, o presidente tem recebido insistentes pedidos para rever sua posição. "O presidente Lula quer combinar com os ministros a forma de atuar nas eleições, já que a base aliada tem 14 partidos", afirmou o ministro das Relações Institucionais, José Múcio Monteiro.
Questionado se o Planalto está preocupado em evitar rachas na base, Múcio disse que é preciso ter cautela "para não atrapalhar parceiros" que ajudam a governar o País. Ao ser lembrado de que este é o primeiro teste para a sucessão presidencial de 2010, o ministro desconversou: "o problema não está em 2010. O problema está em outubro de 2008".
Além de mandar recado para os ministros para sejam acertadas as regras de comportamento durante as eleições a fim de que se evitem atitudes que representem violação às leis eleitorais, Lula vai pedir moderação nos discursos na defesa dos seus respectivos candidatos, quando os ministros subirem nos palanques dos seus correligionários.
O presidente quer evitar que nas cidades onde a base aliada tiver mais de um candidato, que a disputa local se transforme em nacional, atingindo o governo federal, levando problemas para o Planalto ou o Congresso. Lula pretende, ainda, discutir com os ministros, medidas que poderão ser adotadas pelo governo para aumentar a produção de alimentos, com objetivo de aumentar a oferta e, com isso, ajudar na redução da inflação.
Nesta reunião pelo menos três novos ministros estarão estreando em suas áreas: Carlos Minc, no Meio Ambiente, que substituiu Marina Silva, e os sucessores de Marta Suplicy, no Turismo, e Luiz Marinho, no Trabalho. Marta e Marinho são os únicos ministros que estão deixando suas pastas para concorrerem às eleições municipais em São Paulo e São Bernardo, respectivamente.
Fonte: Tribuna da Imprensa

País ganha três novas reservas

Pressões das Minas e Energia e desentendimentos com a Bahia impedem o anúncio de cinco previstas
BRASÍLIA - A pressão do Ministério de Minas e Energia e o desentendimento legal com o governo da Bahia levaram o presidente Luiz Inácio Lula da Silva a criar apenas três novas unidades de conservação no País - duas no Amazonas e uma no Pará -, e não as cinco que deveriam ser anunciadas no Dia do Meio Ambiente.
A área que integraria a Reserva Extrativista Renascer, na margem esquerda do Baixo Amazonas, no Pará, é rica em bauxita, a matéria-prima do alumínio. O Ministério de Minas e Energia argumentou que antes de transformá-la em unidade de conservação, o governo federal deve observar questões legais que, no futuro, possam permitir a extração do minério. A área de Cuçurubá, no sul da Bahia, também não foi transformada em reserva porque não houve consenso se sua administração deve ser da União ou do Estado da Bahia.
As outras três reservas somam cerca de 2,6 milhões de hectares de zonas ambientais protegidas. São elas a Reserva Extrativista do Médio Xingu, no Pará, com 303,8 mil hectares; a de Ituxi, no Amazonas, com 776,9 mil hectares, e o Parque Nacional de Mapinguari, também no Amazonas, com 1,6 milhão de hectares, de forma a fazer um "paredão verde" nas proximidades de Lábrea, para impedir o avanço do desmate.
Na mesma cerimônia, o presidente Lula anunciou o envio ao Congresso de projeto de lei sobre mudanças climáticas. Ele afirmou ainda que apóia a criação de uma Guarda Nacional Ambiental, que deverá cuidar das florestas, e pediu "compreensão" ao Congresso para que aprove o projeto. A proposta terá de criar novos cargos no governo federal, com previsão de fonte de recursos para a manutenção da guarda. Ela deverá se inspirar na Força Nacional de Segurança, do Ministério da Justiça, já em atividade.
Fonte: Tribuna da Imprensa

Estudo prevê que favelas devem acabar até o ano de 2030

O Brasil poderá, em 22 anos, acabar com as favelas e o déficit habitacional de 7,9 milhões de moradias caso mantenha os índices atuais de investimentos no setor. Estudo realizado pela Fundação Getúlio Vargas (FGV) e pela consultoria Ernest & Young projeta investimentos de R$ 446,7 bilhões na área até 2030.
Para zerar o déficit, composto por moradias inadequadas e coabitação (mais de uma família na mesma casa) e atender a demanda que surgirá com o aumento da população, o estudo projeta a construção de 37 milhões de novas residências. O crédito para financiamentos chegará a R$ 290,4 bilhões no período.
"O déficit por inadequação de moradia seria extinto e restariam algumas coabitações, mas por opção", diz Ana Maria Castelo, consultora da FGV. Segundo ela, as projeções do estudo levam em conta o crescimento anual de mais de 4% do Produto Interno Bruto (PIB), a queda dos juros para financiamentos e o crescimento populacional, entre outras variáveis. A maior parte das moradias será destinada a famílias com renda mensal de R$ 2 mil a R$ 4 mil.
Ana Maria ressalta que a renda dos trabalhadores também deve aumentar nos próximos anos, por isso haverá menor necessidade de habitações para faixas salariais de até R$ 1 mil. O Sindicato da Indústria da Construção Civil do Estado de São Paulo (Sinduscon-SP) e diversas outras entidades ligadas à questão habitacional não confiam nessas projeções. Acreditam que apenas com subsídios governamentais será possível reduzir o déficit de moradias.No dia 18, o grupo apresentará ao Congresso Nacional proposta de emenda constitucional para garantir recursos ao financiamento de casas populares, para famílias com renda entre um e quatro salários mínimos (R$ 415 a R$ 1.660). "Mais da metade do déficit habitacional está nessa faixa e o boom de construções verificado atualmente não engloba essas famílias", diz Miguel Sastre, membro do Núcleo de Habitação Popular do Sinduscon.
O grupo, formado por movimentos pró moradia, associações de empresas do setor e centrais sindicais, entre outros, propõe que sejam destinados ao subsídio da compra da casa própria 2% de toda a arrecadação da União e 1% das arrecadações do Estados e municípios. As famílias beneficiadas também entrariam com uma parte do financiamento.
Fonte: Tribuna da Imprensa

quinta-feira, junho 05, 2008

Um quarto do Congresso sob investigação

Camisinha natural evita contaminação por HIV

Creme de estrogênio aplicado no pênis preveniria o vírus da Aids
Cecilia Minner
Pesquisadores australianos estão desenvolvendo um processo para a produção de uma "camisinha natural", que poderá evitar que o vírus da Aids se espalhe. Por meio da aplicação do hormônio feminino estrogênio no pênis uma vez por mês, acreditam que o homem possa reduzir os riscos de contrair o vírus HIV.
O professor Roger Short, da Universidade de Melbourne, disse que o uso do creme de estrogênio pode quadruplicar a camada fina de queratina da pele e, através disso, fornecer uma camada de proteção natural.
– Você cria o que podemos chamar de camisinha natural, uma membrana biológica em que o vírus não pode passar – diz Short.
O professor Short afirmou, porém, que ainda não terminou os testes que comprovariam a defesa do vírus feita pelo creme. Mas adianta que o método, que não protege contra outras doenças sexualmente transmissíveis ou gravidez, pode ser uma forma barata e simples de se defender contra o HIV.
Já o especialista em litotripsia extracorpórea, Carlos Marcos Conceição, do Hospital Memorial, no Rio de Janeiro, levantou uma série de fatores que podem comprometer a eficácia da pomada. Ele ressalta que esta nova forma de proteção ainda não possui nenhuma credibilidade.
– Essa pomada pode realmente proteger contra o vírus HIV, uma vez que o estrogênio deixa a mucosa mais grossa, diminuindo, assim, o risco de feridas, o que dificulta a entrada do vírus. Mas e as outras doenças sexualmente transmissíveis, como a hepatite B, que mata mais rápido que a Aids?
Além da proteção não ser eficaz, uma vez ela só protege do vírus HIV, Carlos adverte para uma série de efeitos colaterais que o produto pode gerar para o homem:
– O uso do estrogênio, em grande quantidade e a longo prazo, pode causar feminilização do corpo: diminuição do pênis, aumento dos peitos, queda dos peles pubianos.
Até hoje, nada é mais seguro que a camisinha. Não se deve abrir mão dela em hipótese alguma.
Fonte: JB Online

Exército prende sargento gay e vai processá-lo por deserção

Militares cercaram emissora de TV para fazer a operação na madrugada
Raphael Bruno
Brasília
O sargento do Exército Laci Marinho de Araújo foi preso, ontem, de madrugada após conceder entrevista ao vivo para o programa SuperPop, da Rede TV!, assumindo ser homossexual e manter uma relação amorosa há mais de dez anos com outro sargento do Exército, Fernando de Alcântara Figueiredo. O comando militar acusa Araújo de deserção e nega que agiu motivado por preconceito.
Os sargentos já haviam sido objeto de matéria de capa da revista Época e estavam juntos na noite de terça-feira no programa da apresentadora Luciana Gimenez. Na entrevista, falavam sobre a relação entre os dois quando, por volta das 23h30m, a Polícia do Exército cercou os arredores da emissora. A cena foi mostrada ao vivo pelo programa.
Araújo, visivelmente amendrontado, revelou temer pela sua segurança.
– Eu vim em rede nacional para resguardar minha vida, porque a televisão atinge mais pessoas do que a revista – disse o sargento ainda diante das câmeras. – Se eu for preso eu vou morrer, será queima de arquivo.
A apresentadora tentou se esquivar e disse que nada podia fazer, tendo em vista que os sargentos haviam comparecido ao programa por livre e espontânea vontade.
Negociações
Com o final do SuperPop, um longo período de negociações se iniciou até que por volta das 4h Araújo finalmente deixou o local, preso, sob a acusação de deserção. Fernando não foi detido, mas acompanhou o parceiro até o Hospital Geral do Exército. A presença de Figueiredo e a ida ao centro hospitalar ao invés de uma prisão comum do Exército haviam sido condições de Araújo para se entregar. Antes de seguir para o hospital, o sargento passou por exame de corpo e delito no Instituto-Médico Legal.
Segundo informações do Exército, um mandado de prisão em nome de Araújo havia sido emitido desde maio do ano passado. A prisão foi determinada pela Justiça Militar de Brasília. O sargento afirma que se afastou da corporação devido a problemas de saúde. O Exército contesta essa informação e garante que o sargento nunca apresentou laudos médicos que comprovassem condições físicas inadequadas para o serviço militar.
A prisão gerou polvorosa. A Ordem dos Advogados do Brasil enxergou excessos na ação do Exército e prometeu pedir a Defensoria Pública da União que assumisse a defesa de Araújo. Membros da Comissão de Direitos Humanos da entidade estiverem ontem a tarde no Hospital visitando o militar.
Transferência
O Exército pretende transferir Araújo para presídio em Brasília. A equipe médica do hospital deu parecer favorável à transferência, mas os representantes da OAB prometeram solicitar ao Conselho Federal de Medicina perícia independente. Araújo faz tratamento psiquiátrico com medicação controlada.
- Achamos que não é o caso de prisão porque ele está em tratamento. Está deprimido pela situação. Não tem condições de ser transferido - explicou o advogado Francisco Lúcio França.
O Exército confirmou que Figueiredo estava autorizado a acompanhar Araújo na viagem. A pena prevista para deserção é de seis meses a dois anos. Pelo Código Penal Militar, é considerada deserção toda ausência não-justificada do militar por mais de oito dias, sem licença, da unidade em que serve ou da localidade para a qual foi designado. A Rede TV! não quis comentar o caso.
Fonte: JB Online

Coisas da Política - Barack Obama e oretorno à realidade

Mauro Santayana
As instituições políticas envelhecem: as sociedades, para o bem e para o mal, são dinâmicas. Ao se alterarem as relações econômicas e os costumes, sob o impulso da tecnologia, a realidade exige o ajustamento das leis e dos instrumentos de governo, a fim de que as comunidades não se desagreguem. No processo dialético da história política, a permanência das nações depende desse reajustamento. Em certas épocas, não bastam as ações pontuais dos legisladores: reclamam-se revoluções, que podem ser ou não pacíficas. Victor Hugo tem uma frase emblemática em Les miserables: a revolução é o retorno do fictício ao real. Isso ocorre quando as leis passam a ser peças de ficção, intenções teleológicas, desligadas da vida cotidiana. A vida real, em seu dinamismo, aposenta-as, e aposenta as instituições, reclamando as revoluções de que fala o escritor francês. O real é a ditadura da circumstantia, que constringe e limita a vontade, submetendo-a à força do necessário. Tudo o que foge à necessidade, em termos políticos, é ato inútil. Até mesmo a esperança é uma resposta àquilo que consideramos necessário.
É assim que pode ser explicada a irrupção na política americana do outsider Barack Obama. Desde Kennedy, os Estados Unidos têm sofrido continuada crise de liderança. Os donos do poder – o famoso complexo industrial militar denunciado por Eisenhower – caíram na armadilha do confronto externo com a União Soviética. Não perceberam, talvez, que o grande inimigo era o seu próprio way of life. Seus legisladores não conseguiram dar prosseguimento ao ideal dos peregrinos do Mayflower. O american dream da sociedade jeffersoniana não contemplava os pobres sem terra, a não ser à distância das casas senhoriais da Nova Inglaterra. Assim, com o tempo, o american dream deixou o campo da liberdade com dignidade, pretendida por William Bradford, o líder dos passageiros do Mayflower e dos primeiros colonos de Plymouth, para o do dinheiro e do poder. Essa corrida exacerbada em busca da supremacia individual e nacional, perdeu o ímpeto com a implosão do sistema socialista. Não podendo justificar-se sem inimigos, o cambaleante império buscou, no islã, outro inimigo instrumental.
A provável eleição de Obama (é sempre bom ter cautela com as probabilidades) ocorrerá em momento difícil do mundo. O modelo de desenvolvimento econômico, fundado no uso desmesurado de energia, a partir de combustíveis fósseis, foi seguido pelo mundo inteiro, porque o american dream passou a ser o sonho de todos, mesmo daqueles que nunca poderiam emigrar. Se não podiam buscar o sonho, não lhes era difícil importá-lo – com as multinacionais, as patentes, a gasolina e o querosene da Esso. Em conseqüência, temos hoje a explosão de consumo de energia na China e na Índia, e o susto da ONU: quem não comeu o que lhe pedia a vida, está chegando à mesa. Não para apanhar as migalhas que caiam, mas, sim, para sentar-se e servir-se como convivas do repasto comum.
Há mais de 40 anos, os ricos quiseram congelar o desenvolvimento econômico, com o Clube de Roma. Como pretendiam deixar as coisas como estavam então – e isso contrariava também os interesses do capitalismo – a proposta não foi adiante. O discurso retorna agora, em nome da preservação do ambiente (o nosso, do Hemisfério Sul, é claro). Não há como fazê-lo. Aqueles que só agora começam a comer, não irão voltar para a sua fome. Se os ricos querem que o mundo consuma menos, terão, eles mesmos, de apertar os cintos. A História, como já sabiam os antigos, é astuta. Servidora da transcendência, ela dá rasteiras naqueles que a querem subjugar. Os Estados Unidos e a Europa dominaram os outros povos mediante a conquista bélica, os ardis econômicos e a difusão da cultura. Entre outras coisas, divulgaram os prazeres do conforto, que têm sido a cenoura do capitalismo. Agora são chamados a iniciar o caminho do retorno, da ficção à realidade.
Obama não será o salvador do mundo, nem mesmo dos Estados Unidos. A aceitação de sua candidatura pelo establishment já é nítido sinal de que o mundo se encontra maduro para retornar ao real, ou seja, às dimensões impostas pela natureza e exigidas para o singelo e milagroso ato de viver em relativa paz.
Fonte; JB Online

Reciclagem de lixo requer boa vontade dos cidadãos

Maiza de Andrade, do A TARDE
Leia também:>> Confira os endereços das cooperativas de catadores de recicláveis>> Confira a programação para o Dia do Meio AmbienteContribuir para a reciclagem de lixo é tão simples quanto trocar de roupa, basta começar separando os recicláveis dos não-recicláveis. Não é preciso ter um vasilhame para cada tipo de resíduo. Todos os recicláveis podem ficar juntos, desde que limpos, no caso de embalagens de alimentos e bebidas.
A situação só começa a se complicar na hora de descartar os resíduos. Isso porque, em Salvador, o sistema de limpeza pública não faz coleta seletiva, e, para dar a destinação certa ao material, o cidadão tem que estar suficientemente motivado para levá-lo até uma lixeira adequada, que nem sempre fica perto.
A prefeitura instalou os chamados pontos de entrega voluntária (PEVs) em locais aleatórios e que não atendem a todos os bairros. Nem todos os supermercados têm postos de coleta. As cooperativas de recicláveis somente coletam em locais conveniados de acordo com a quantidade de resíduos, por causa dos custos na hora de transportar o material. A saída para quem mora em edifícios seria o envolvimento de todos os moradores para que a quantidade atraísse as cooperativas.
Além de impor dificuldades para a prática de uma “boa ação” ambiental, a falta de estrutura para a destinação dos recicláveis faz com que mais dinheiro, desembolsado pelo cidadão em impostos, seja gasto para pagar os serviços de coleta, transporte e aterro, que têm custo diretamente proporcional à quantidade de lixo. Ou seja, quanto mais resíduos vão para o aterro, mais será pago pela prefeitura. Hoje, o custo é de cerca de R$ 70 por tonelada para uma produção diária de 2,5 mil toneladas.
Além dos recursos gastos a mais, que poderiam ser investidos em outras necessidades públicas, gasta-se também mais recursos naturais para a produção de mais embalagens. Assim, os aterros sanitários durarão menos tempo, gerando mais custos ambientais e financeiros para a implantação de novos espaços para o destino do lixo.
Lentidão – A sanitarista e professora do Departamento de Engenharia Sanitária e Ambiental da Universidade Federal da Bahia Maria de Fátima Nunes Maia, doutora em resíduos sólidos, desabafa sua decepção com o ritmo das mudanças que espera há mais de 20 anos. “As coisas caminham lento demais. Falamos as mesmas coisas há mais de 20 anos. Os orgânicos são desperdiçados, não há apelo para as pessoas se engajarem na idéia da reciclagem. Falta a prefeitura se comprometer mais e o cidadão ter mais responsabilidade com o consumo”, desabafa.
Maria de Fátima completa: “podíamos ter avançado muito, com tantos estudos já realizados, tantas experiências de ONGs. A gente espera mais atitudes”. A seis meses do final de mais uma gestão municipal, ainda se discutem os rumos da coleta seletiva na cidade. Até então, as medidas mais visíveis da prefeitura, os chamados PEVs provaram ser de pouca produtividade. A coordenadora técnica da Empresa de Limpeza Urbana de Salvador (Limpurb), Fátima Sampaio, reconhece o problema e diz que os PEVs estão sendo reavaliados.
Ela conta que a política do município é a de potencializar a coleta seletiva através das cooperativas. “Só que as cooperativas não têm estrutura, nem a população está estimulada”, diz. Ela conta que já iniciou as discussões com os grupos sobre como ampliar esta ação.
Na cozinha – A estudante Maria José Villares Barral Villas Boas, 23 anos, começou a dar os primeiros passos para a reciclagem do lixo de casa há dois anos. Hoje, exibe, com orgulho, as duas lixeiras da cozinha, uma para plásticos, outra para papel. “No começo, foi difícil, mas, agora, todos já estão participando”, conta. Se antes, somente ela se encarregava de levar os recicláveis para os coletores, que ficam a pelo menos um quilômetro de distância, agora os pais também colaboram, conta Maria.
O próximo passo dela será o de convencer os outros moradores do edifício, localizado no Corredor da Vitória, a fazerem o mesmo. Cautelosa, ela optou por, primeiro, se fazer ouvir na comissão do condomínio, candidatando-se e elegendo-se membro do conselho fiscal.
Única jovem entre os integrantes do condomínio, ela conta que está “tomando coragem para fazer a proposta”. É que, como se trata de um prédio de mais de 40 anos, predominam moradores mais velhos e que, segundo ela, podem estranhar a idéia. “Se a gente se juntar, vai ficar mais fácil trazer uma cooperativa para pegar os recicláveis”, acredita.
Fonte: A TARDE

ACM Neto dá nova cara à sucessão de Salvador

O comunicador Raimundo Varela não é mais candidato à prefeitura de Salvador e apoiará ACM Neto na disputa pelo Palácio Thomé de Souza. A notícia explodiu como uma bomba na política baiana, especialmente pelo impacto que ela causará no processo sucessório. Depois de uma semana de reuniões, ontem pela manhã finalmente o martelo foi batido no Fiesta Hotel, no Itaigara. No pacote de adesões anunciado, além do apoio de Varela e do seu PRB, Neto recebeu o apoio também do PR do senador Cézar Borges, que indicou o Bispo Márcio Marinho para compor a chapa como vice-prefeito. Com o auditório do Fiesta Hotel completamente lotado, o deputado federal ACM Neto fez um discurso cauteloso, e logo tratou de agradecer os apoios recebidos, especialmente o de Varela. “Recolho o seu apoio, Varela, e tenho certeza que a política lhe aguarda de braços abertos e que você vai brilhar na política da Bahia”, disse, deixando margem para imaginações de que Varela vai continuar na vida pública, assumindo um papel importante agora e em 2010. Também em tom de agradecimento, Neto se dirigiu ao senador Cezar Borges. “Fico feliz, Cézar, com a sua decisão de nos apoiar. Você se fortaleceu ainda mais neste processo”, elogiou. Além de criticar com sutileza o atual momento vivido pela administração municipal, Neto também apontou caminhos para a cidade, anunciando algumas prioridades de um possível governo seu. “Vamos procurar o governador e o presidente da República, e buscaremos os dois partidos da base que estão nos apoiando (PR e PRB) para reforçar este diálogo”, disse. “Aqui está o novo, vamos buscar soluções novas para Salvador”, projetou. “Nós não estamos fazendo uma aliança para chegar ao poder. Estamos fazendo uma aliança para fazer uma transformação de Salvador”, prometeu. Neto disse ainda que vai fazer uma oposição “sem ódio e sem rancor. O que é bom para o país, nós apoiamos”, disse o democrata, num claro recado de como deverá conduzir a sua campanha. O ex-governador Paulo Souto, um dos artífices da aliança, mostrou-se contento com o desfecho das conversas, admitindo que ela poderá ter desdobramentos para 2010. “Houve apenas uma consolidação de uma aliança, mas é evidente que traz desdobramentos lá na frente”, admitiu. “Buscar a vitória numa eleição é uma contingência de todo mundo que vai para a luta política. Mas é pensar pequeno quando admitimos que queremos derrotar quem quer que seja. O que queremos é fazer uma boa campanha, consolidar o processo de aliança, e fazer uma boa administração”, completou Souto. Sobre a aliança anunciada, o ex-governador disse que “Varela tem sido um verdadeiro estuário das demandas das populações mais carentes, por isso ele encarna muito bem os problemas desta população”, explicou. “Em 1990 e 1996 o governo do estado foi chamado para recuperar a prefeitura e isso foi feito”, declarou Souto, referindo-se às ações feitas em parceria com os prefeitos de Salvador nestes períodos. Políticos de vários partidos se fizeram presentes ontem no Fiesta Hotel, no Itaigara, para prestigiar o ato de adesão do PR e do PRB à pré-candidatura do deputado federal ACM Neto. Alem do senador ACM Júnior (DEM) e Cézar Borges (PR), do ex-governador Paulo Souto, dos deputados federais Paulo Magalhães, José Carlos Aleluia, Jorge Koure e Luiz Carreira (DEM), e de José Rocha e Mauricio Trindade (PR), dos estaduais Paulo Azi, Rogério Andrade, Gildásio Penedo (DEM), e Sandro Régis e Eliedson Ferreira (PR), vários vereadores e lideranças também se fizeram presentes. (Por Evandro Matos)
Aliança muda quadro pré-eleitoral
A aliança do Democratas com o PR e o PRB muda o panorama pré-eleitoral de Salvador. Além de já contar com o apoio dos partidos pequenos como o PTC, PTN, PTdoB e PSDC, e do ex-governador Paulo Souto, o deputado ACM Neto passa a contar agora também com os votos da Igreja Universal e do comunicador Raimundo Varela. O arco de aliança formado ontem praticamente garante uma vaga no segundo turno para o democrata. Considerado como o principal trunfo de ACM Neto nas adesões de ontem, Raimundo Varela admitiu que “se for preciso eu vou para o palanque”. Líder de várias pesquisas eleitorais realizadas até aqui, o comunicador pode trazer um novo cabedal político ao pré-candidato democrata. Não só da Igreja Universal, como do Subúrbio e periferia da cidade, onde está a maior parcela do eleitoral do comunicador. “Vou votar agora em Neto porque ele tem as mesmas propostas de Varela. Foi uma decisão ótima para o povo de Salvador”, disse Silvana Silva, moradora do Subúrbio. Almiro Cristóvão, pré-candidato a vereador pelo PR, também do Subúrbio, foi outro que disse que iria votar em Varela “mas agora é Neto”. Estes e outros exemplos foram observados ontem durante o ato de adesão, mostrando a capacidade de Varela transferir o seu voto. Sobre o seu futuro político, Varela disse que “Deus é quem sabe”. Ele alegou falta de estrutura partidária para disputar a eleição e disse que tinha um papel importante a desempenhar também na comunicação. “Nós temos um papel muito grande na comunicação e a maior parte do povo queria que eu continuasse. O nosso grande líder (o vice-presidente José Alencar, do PRB) entendeu que o Márcio Marinho veio para nos representar”, justificou. O senador César Borges, presidente estadual do PR, muito procurado por vários partidos para fechar apoio para a sucessão municipal, disse que a sua decisão “foi muito pensada e refletida”, e passou por muitas horas de conversas. “Se fosse uma decisão baseada no coração, eu já estaria aqui no meio de vocês, porque é aqui onde estão os meus amigos. Mas a minha decisão é pela razão. Salvador vive momentos difíceis, com crises em todos os sentidos, e ACM Neto tem a capacidade e a visão de futuro, por isso tomamos esta decisão”, justificou. Borges falou também da sua passagem pelo governo e disse que “em nenhum momento vou sentir vergonha”. Ele citou a vinda da Ford como uma das grandes conquistas para a Bahia, que aconteceu durante o seu governo, “e que teve a participação decisiva do presidente do Senado, o querido e saudoso senador Antonio Carlos Magalhães”, disse. “Quebramos um paradigma no Norte/Nordeste e conseguimos trazer uma fábrica de automóveis da Ford”, lembrou. (Por Evandro Matos)
Bispo Marinho: “Estamos juntos e misturados”
Escolhido com muito critério para compor a chapa de vice com o deputado ACM Neto, o Bispo Marcio Marinho disse que a sua decisão foi muito pensada. “Sou um homem de fé e reconheço que não cai uma folha de uma árvore se não for da vontade de Deus. Entendi que a cidade precisa de jovens visionistas, com vontade de levantar a sua auto-estima”, disse, justificando a sua decisão. O Bispo Marinho, porém, fez questão de atrelar a sua decisão à vontade de Varela. “Jamais tomaria uma decisão que não fosse da sua vontade, porque somos amigos e você sabe que pode contar comigo”, jurou. Marinho voltou a pronunciar uma frase citada na semana passada, quando disse numa entrevista a uma emissora de rádio que a sua posição sobre a sucessão municipal seria a mesma de Varela. “Estamos juntos e misturados”, disse, espantando qualquer especulação sobre uma posição diferente dos dois. Com esta definição, o deputado ACM Neto anunciou ontem mesmo a escolha do nome do deputado federal Luiz Carreira para coordenar a sua campanha, o que abre uma vaga para o Bispo Marcio Marinho assumir na Câmara Federal, já que ele é o primeiro suplente da coligação que lhe deu sustentação na última eleição. O Bispo Marinho justificou ainda o seu apoio a ACM Neto ao dizer que ele tinha semelhança com Varela. “Salvador precisa de uma pessoa com estilo combativo como você tem, e por isso escolheu o Neto”, disse. “Salvador não tem ninguém que grite por ela, como você faz”, completou, referindo-se a Varela. Marinho alertou que todos precisam ir à luta “porque aqui é tudo bonito, mas lá fora existe uma guerra. Eles têm a máquina do estado, mas nós temos os guerreiros”, argumentou. E num tom religioso, ele citou passagens bíblicas para ilustrar a luta que vem pela frente. “Um homem de Saul valia por cem, mas um homem de Davi valia por mil. E os homens de Davi estão aqui”, profetizou. “Vamos trabalhar, mas Deus já entregou a vitória em nossas mãos”, completou. (Por Evandro Matos)
Pinheiro rebate críticas por alianças perdidas para a prefeitura da cidade
As críticas dirigidas ao PT por ter deixado de fazer alianças em Salvador com diversas legendas que acabaram procurando outros caminhos não têm maior significado para o candidato do partido a prefeito da capital, o deputado federal Walter Pinheiro. O caso mais recente, do PR, que indicou o vice na chapa de ACM Neto (DEM), foi classificado por Pinheiro como “uma volta às origens do senador César Borges, reconstruindo o mesmo desenho de 2004, um projeto que a cidade rejeitou”. O deputado, que ontem almoçou na Assembléia Legislativa com a bancada estadual do PT, encarou a aliança PR-DEM como uma manobra definida pelo “ideário” de seus protagonistas, “um movimento que era natural que se processasse”, diante das “afinidades ideológicas e afetivas” entre o senador e o herdeiro genético do carlismo. Para ele, somente se tivessem chegado a bom termo os entendimentos para apoio do PR ao governo Wagner na Assembléia é que poderia se pensar em estender esse entendimento ao plano municipal. Com relação ao PTB e ao PPS, aliados respectivamente ao PMDB e PSDB, Pinheiro disse apenas que “fizeram suas opções”, sendo importante, para ele, é que “se consolidou a frente de esquerda, com a participação de PT, PSB, PCdoB, PV e PHS”. As próximas etapas, completou, “serão a ampliação da frente, a discussão da formação da chapa, a construção de uma unidade programática e o diálogo com a cidade, em sintonia com a realidade nacional, que se destaca pela nova linha de gestão e de investimento implementada pelo governo do presidente Lula”. Com os últimos movimentos na sucessão municipal, incluindo a desistência do radialista Raimundo Varela (PRB) de candidatar-se, Walter Pinheiro entende que “quatro papéis se cristalizaram”. Ele vê semelhanças entre as candidaturas de ACM Neto e de Antonio Imbassahy (PSDB), considerando que o neotucano representa apenas uma “reformulação” do antigo carlismo, “pois foi prefeito oito anos nesse sistema”. Quanto ao prefeito João Henrique (PMDB), que tenta a reeleição, “animou a cidade, mas no exercício do cargo não deu uma resposta substancial”. O almoço com os parlamentares petistas na Assembléia, segundo Pinheiro, teve o objetivo de “socializar os passos dados até aqui e construir a caminhada”. Ele disse que o PT tem “primazia” na condução da candidatura, mas que “a bancada tem a vantagem de expressar a publicização das teses partidárias, capacidade de diálogo e potencial de referência pública”, sendo, por isso, uma instância indispensável. Por outro lado, é de seu interesse ouvir o que pensam os deputados, pois “vários deles atuam na capital e podem traduzir o sentimento das ruas e das bases”. Darão também sua contribuição na construção de um programa de governo e na ação eleitoral efetiva, já que a frente está definida e, qualquer que seja a chapa, há o compromisso de que não haverá defecções. Participaram do almoço os deputados Paulo Rangel, líder na Assembléia, Yulo Oiticica, J. Carlos, Neusa Cadore, Bira Coroa, Zé Neto, Waldenor Pereira e Isaac Cunha. Os deputados Zé das Virgens e Fátima Nunes se encontravam no interior, acompanhando viagem do governador. (Por Luis Augusto Gomes)
Fonte: Tribuna da Bahia

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