Publicado em 18 de agosto de 2026 por Tribuna da Internet
Flávio vai usar imagem do pai ‘no limite da lei’
Luísa Marzullo
O Globo
O candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro, afirmou nesta terça-feira que “ameaças de altas autoridades em Brasília” afastaram partidos do Centrão de aderirem à sua candidatura ao Palácio do Planalto. O presidenciável não citou nomes ou episódios concretos.
“Seria importante ter o tempo de TV e rádio, mas hoje todos estão vendo as razões. Eles (dirigentes de partidos do Centrão) receberam ameaças de altas autoridades em Brasília para não se juntar à minha candidatura”, afirmou Flávio em entrevista à Rádio Itatiaia.
ASSOCIADO A BOLSONARO – O presidenciável do PL disse ainda que pretende explorar a imagem do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, em sua campanha presidencial até o limite permitido pela legislação. A declaração ocorre num momento em que a campanha tenta encontrar formas de manter o ex-presidente associado à candidatura mesmo sem sua presença nos palanques, já que Bolsonaro cumpre prisão domiciliar.
Flávio também fez um aceno a Michelle Bolsonaro, depois de uma pré-campanha marcada por atritos com a ex-primeira-dama, e destacou que ela já entrou em campo para pedir votos ao cunhado. “O jurídico ainda vai me dar o limite. Vou usar o limite do que a legislação permitir “, afirmou Flávio ao ser questionado sobre a presença do pai na campanha.
A ausência física de Bolsonaro obrigou a campanha a buscar alternativas para preservar aquele que continua sendo o principal cabo eleitoral do filho. Uma das primeiras tentativas acabou abrindo uma discussão no Tribunal Superior Eleitoral (TSE): na convenção que oficializou Flávio como candidato, o PL exibiu um vídeo produzido com inteligência artificial em que uma reprodução da imagem e da voz do ex-presidente declarava apoio ao filho.
LIMITES DO RECURSO – Nesta terça, ministros da Corte têm uma reunião prevista para discutir os limites desse tipo de recurso e as punições aplicáveis em caso de descumprimento das regras eleitorais.
A defesa de Flávio já pediu ao TSE uma interpretação que dê maior margem às campanhas. Os advogados sustentam que o uso de inteligência artificial não depende da autorização da pessoa retratada e argumentam que a irregularidade deve estar vinculada ao caráter falso ou enganoso do conteúdo. O caso envolvendo Bolsonaro servirá justamente para a Corte estabelecer parâmetros que poderão balizar o restante da campanha.
Flávio aproveitou a entrevista para acenar a Michelle. A relação entre os dois passou por turbulências durante a pré-campanha, sobretudo após Michelle gravar um vídeo se dizendo “humilhada” pelo enteado. O senador fez um pedido público de desculpas e a ex-primeira-dama voltou a fazer gestos de apoio ao cunhado, chegando a gravar para o seu programa eleitoral.
“GRANDE PAPEL” – “Ela está fazendo um grande papel, está em Brasília fazendo campanha para o Senado. Ela já exerceu um papel importante no governo do presidente Bolsonaro. Ela já pediu voto anteontem. Estamos todos conscientes de que o Brasil precisa vencer”, afirmou.
No último domingo, ao participar de ato em Ceilândia, Michelle pediu votos ao enteado. Como noticiou O Globo a fala animou o entorno de Flávio, que quer expandir a presença da ex-primeira-dama na campanha presidencial. O principal entrave, contudo, é a rotina do ex-presidente. Michelle tem dito que não irá viajar por conta dos cuidados com o marido, que cumpre prisão domiciliar.