
“Há pouca probabilidade que dê certo”, assinala Meirelles
Valdo Cruz e Camila Bomfim
GloboNews
Ex-presidente do Banco Central nos dois primeiros mandatos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o economista Henrique Meirelles avaliou nesta quarta-feira (8), em entrevista à GloboNews, que Lula está seguindo, no campo de taxa de juros, a política econômica do governo Dilma Rousseff.
“Aparentemente, ele [Lula] está seguindo agora aquilo que foi exatamente o que aconteceu no governo Dilma. Há pouca probabilidade que dê certo”, afirmou o economista, que também foi ministro da Fazenda do governo Temer.
HAVIA COBRANÇAS – Meirelles relatou as cobranças sobre a taxa de juros que Lula fazia a ele quando comandava o Banco Central. “De fato, algumas vezes ele se aborreceu. Queria que eu tomasse alguma medida em relação a taxa de juros e eu explicava que não era possível”, afirmou.
O ex-presidente do Banco Central lembrou que, na época, Lula fazia a mesma reclamação – de que, com juros altos, a economia não iria crescer.
“Ele me dizia: ‘Meirelles, mas se agora você não baixar a taxa de juros, o Brasil não vai crescer’. Ele poderia ter me exonerado, mas não o fez”, acrescentou.
DEU TUDO CERTO – Segundo Meirelles, na prática, aconteceu o contrário do que a ala política do PT previa: a economia cresceu, mesmo com juros altos, e a taxa básica foi caindo conforme o então ministro da Fazenda, Antonio Palocci, promovia um ajuste fiscal.
Quando Lula assumiu o primeiro mandato em 2003, a taxa de juros estava em 25,5%, bem acima dos 13,75% atuais. Depois, logo em fevereiro de 2003, o BC de Meirelles subiu a taxa de juros para 26,5%.
Ao término do segundo mandato de Lula, a economia tinha crescido 7,5% e a taxa de juros tinha caído abaixo dos dois dígitos.
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – O economista Carlos Lessa, ex-BNDES, avisou que o crescimento econômico no governo Lula seria um voo de galinha, logo tombaria. Como Lula sabia que Dilma era descontrolada, propôs que Meirelles fosse ministra da Fazenda, mas ela não aceitou e quebrou a cara. Seus governos estocadores de vento jogaram o Brasil no buraco, de onde ainda não conseguiu sair. Agora Lula está à beira do abismo e insiste em dar um passo à frente. (C.N.)