quinta-feira, junho 23, 2022

Informação aos ministros da Defesa e da Justiça: acompanhar votos, só com base no sistema do TSE

Publicado em 23 de junho de 2022 por Tribuna da Internet

Charge do Zé Dassilva (nsctotal.com.br)

Pedro do Coutto

Os ministros da Defesa, Paulo Sérgio Nogueira, e da Justiça, Anderson Torres, estão empenhados em levantar sombras e dúvidas sobre o sistema eleitoral do país e, principalmente, abalar a credibilidade das urnas eletrônicas.

Nogueira ainda não marcou o encontro que ele mesmo propôs ao presidente do Tribunal Superior Eleitoral, ministro Edson Fachin, e, agora, como acentua a reportagem de Cézar Feitosa e Fabio Serapião, Folha de S. Paulo desta quarta-feira, o ministro Anderson Torres apresentou a Polícia Federal como capaz de acompanhar a computação dos votos.

TEMOR – As duas investidas na realidade partem do Palácio do Planalto, uma vez que o presidente Jair Bolsonaro foi o primeiro a revelar temores quanto a possíveis fraudes nas urnas eletrônicas. Sobre o acompanhamento e a auditoria da votação vale destacar que o Brasil tem 5.600 municípios. Se, em média, tivermos cem seções eleitorais por município, só aí teremos 560 mil urnas de recepção dos votos e computação dos resultados. Mas existem estados com um grande número de municípios. Assim o país durante as eleições registra milhares de urnas em seu território.

Cada uma possui um software de registros próprio, e não está conectada em rede com as demais. A fraude é impossível, pois para isso seria necessário usar um software compatível com o código fonte de cada urna. Em matéria de fraudar eleições, só existe a possibilidade de preenchimento de votos brancos, como foi o caso da Proconsult, no Rio de Janeiro, em 1982.

SISTEMAS PARALELOS – No sistema atual, já reafirmado várias vezes pelo ministro Edson Fachin, é impossível fraudar o voto; não tem como, pois não há possibilidade de se sobrepor o voto falso dirigido a um candidato ao voto do eleitor na cabine. Nem o Exército e nem o Ministério da Justiça podem instalar sistemas paralelos em uma dimensão que abrange milhares de urnas eletrônicas nas quais os votos são registrados.

As investidas dos dois ministros tornam-se impróprias e impossíveis. Sobre as Forças Armadas, a sua missão é garantir as instituições, a segurança nacional e o respeito à vontade popular. Afinal, estamos numa democracia.

FAKE NEWS – Reportagem de Mariana Muniz, O Globo, edição de ontem, revela que o presidente do TSE, ministro Edson Fachin, anunciou a entrada em operação de um sistema que combate as fake news e, assim, a desinformação sobre as eleições. A ferramenta permitirá a qualquer pessoa dirigir-se ao Tribunal sobre circulação de notícias falsas.

O TSE, então, as desmentirá. A medida do Tribunal é uma consequência da parceria estabelecida com as várias plataformas digitais. O sistema permitirá a responsabilização dos autores de fake news. Na minha impressão, as notícias falsas não têm influência direta sobre os votos dos eleitores e eleitoras. Pois se tivesse, o volume divulgado pelas redes sociais não se chocaria com os resultados das pesquisas eleitorais do Datafolha e do Ipec.

Como as intenções de voto não são nem de longe iguais ao volume das fake news, chega-se à conclusão inicial de que as fake news não funcionam eleitoralmente. Podem  conter calúnias e difamações, mas não mudam o voto do eleitorado.

LEI DAS ESTATAIS –  Por uma iniciativa do deputado Arthur Lira, presidente da Câmara Federal, o governo resolveu partir para uma ofensiva no Congresso para mudar a lei das estatais, em vigor desde 2016, que assegurou uma blindagem das empresas, entre as quais a Petrobras.

O projeto de Arthur Lira, que ele próprio tenta com que Bolsonaro coloque em prática por meio de Medida Provisória, abre caminho para facilitar nomeações e substituições e também para que o governo interfira na política de preços, especialmente da Petrobras.

INTERVENÇÃO – Acrescento que o governo, em matéria de preço, sob o raciocínio de Lira, terá que intervir na decisão da Aneel que determinou aumento a partir de julho nas tarifas de energia elétrica, chocando-se com o compromisso do governo de que a privatização da Eletrobras acarretaria uma redução das tarifas.

A situação econômica do país, principalmente atingindo os segmentos de menor renda, está atingindo pontos bastante críticos. O governo resolveu destinar um abono de R$ 400 por mês aos caminhoneiros assalariados de empresas. Está cogitando o aumento do auxílio-gás, pois o valor atual de R$ 53 só cobre a metade  do preço do botijão no varejo. A política de Paulo Guedes, adotada pelo governo, é de estatizar encargos sociais e liberar os preços, e portanto, os lucros, da iniciativa privada.

PODCAST – Numa entrevista ao podcast do portal G1, a senadora Simone Tebet afirmou que não pertence à ala do MDB ligada aos escândalos de corrupção que ficaram flagrantes nos casos do ex-presidente da Câmara Eduardo Cunha e do ex-ministro Geddel Vieira Lima. Ela revelou que sua escola política é de Ulysses Guimarães e de Pedro Simon.

Sobre militares do governo, disse não ser contra, mas quando nomeados para cargos civis deveriam passar imediatamente para a reserva. Tebet na entrevista – reportagem de Guilherme Caetano, O Globo – criticou ainda a pressão do governo através do Ministério da Defesa contra o TSE a pretexto de aperfeiçoar o sistema de votação há menos de quatro meses das eleições de outubro.


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