terça-feira, junho 28, 2022

Com ou sem Bolsonaro, Lira continuará presidindo a Câmara e exercendo poder


O presidente da Câmara, Arthur Lira, durante sessão no plenário — Foto: Paulo Sérgio/Câmara dos Deputados

Lira assumiu antecipadamente o semipresidencialismo

Thiago Prado
O Globo

Na manhã da última segunda-feira, 20, o presidente da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), se preparava para a reunião de líderes que debateria medidas para conter os reajustes da Petrobras nos combustíveis quando recebeu a ligação do ministro da Economia, Paulo Guedes.

Em debate, as reclamações do governador do Rio, Cláudio Castro (PL-RJ), ao líder do Centrão sobre a demora do governo federal em aceitar a renovação do regime de recuperação fiscal do Rio. “Paulo, ele é nosso aliado, o que respondo para ele aqui?”, questionou Lira.

ACORDO FECHADO – Cerca de 48 horas depois, o Palácio Guanabara anunciou a formalização do acordo com a União, que vinha se arrastando desde a recusa do Tesouro Nacional às condições apresentadas pelo governo estadual em janeiro.

Acenos do presidente da Câmara a partidos aliados se acumulam nos últimos meses, de olho na reeleição ao próprio cargo na próxima legislatura, disputa que ocorrerá em fevereiro de 2023.

Para o caso de derrota do presidente Jair Bolsonaro (PL) e vitória do ex-presidente Lula (PT), cenário que ganhou força para lideranças do Centrão devido ao aumento da inflação e à prisão do ex-ministro Milton Ribeiro (Educação), Lira também já se move. Ampliou conversas com partidos de oposição e tem se aproximado do presidente do PSD, Gilberto Kassab, que sinaliza nos bastidores que apoiará o petista em um segundo turno contra Bolsonaro.

OPERAÇÃO CASADA – Lira vem amarrando o apoio de Kassab à sua reeleição em uma operação casada com a recondução de Rodrigo Pacheco (PSD-MG) ao comando do Senado.

Os movimentos coincidem com conversas recentes de Kassab para apoiar a candidatura de Tarcísio Freitas (Republicanos) ao governo de São Paulo, podendo até ser suplente do pré-candidato da chapa ao Senado, José Luiz Datena (PSC).

O presidente da Câmara entende que, com o apoio das futuras bancadas de PL, PP, Republicanos e PSD, terá a adesão de cerca de 200 deputados logo no início da disputa.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Com a chave do cofre do orçamento secreto em suas mãos. Arthur Lira não terá o menor problema para ser reeleito à presidência da Câmara e continuar a exercer seus podres poderes semipresidencialistas. O acerto com Kassab não tem a menor necessidade. É até uma redundância(C.N.)

Em destaque

Aliados de Lula defendem que ele não indique novo nome ao STF neste ano

  Aliados de Lula defendem que ele não indique novo nome ao STF neste ano Ala teme que o presidente sofra nova derrota e sugere que cadeira ...

Mais visitadas