terça-feira, junho 22, 2021

Por falta de perspectiva, os jovens autores do amanhã querem deixar o país

Publicado em 22 de junho de 2021 por Tribuna da Internet

Charge do Genildo (Arquivo do Google)

Pedro do Coutto

Reportagem de Fernando Canzian, Folha de São Paulo de segunda-feira, focaliza um problema de enorme dimensão que está atingindo metade da juventude brasileira. Jovens querem deixar o país achando que entre nós há uma falta de perspectiva para o acesso a um panorama favorável ao desenvolvimento e, por isso, para a construção do futuro em condições de proporcionar um avanço social indispensável.

Os jovens, digo eu, são os autores do amanhã, os construtores do futuro e por esse motivo são fundamentais para as próximas décadas. Uma pesquisa que deu base à matéria foi feita pelo Atlas das Juventudes e também através  de estudos da Fundação Getúlio Vargas Social. Nada menos que 50 mil jovens encontram-se mergulhados no pessimismo e, assim, sentem-se numa fila que não caminha para frente.

MERCADO DE TRABALHO –  O número de desencantados vem crescendo e a esperança é que ele decaia em 2050, portanto daqui a 29 anos. Isso se a política global sofrer uma alteração bastante profunda. Não há motivo para otimismo. O mercado de trabalho encontra-se retraído e não se consegue perceber um caminho para que o avanço capaz de entusiasmar gerações possa retornar ao cenário nacional.

Essa realidade é focalizada também em reportagem de Carolina Nalin e Alex Braga, O Globo, decorrente de uma análise do pesquisador Daniel Duque, do Instituto Brasileiro de Economia da FGV, incluindo dados comparativos fornecidos pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico OCDE.

A matéria e o seu conteúdo confirmam e acrescentam um aspecto que tem raiz na existência de uma sensação de mal-estar que acomete todos aqueles que alimentam a esperança de chegar a um novo horizonte capaz de compatibilizar a liberdade política com o progresso econômico, como ocorreu nos anos dourados  de JK, do início de 1956 a janeiro de 1961, quando o presidente eleito em 1955 transmitiu o cargo a Jânio Quadros.

TEMPO PERDIDO –  A partir daí, os fatos se complicaram no Brasil e agora estão se aprofundando ainda mais em consequência do governo Jair Bolsonaro. O ambiente não é favorável a qualquer sonho e também à confiança nas décadas futuras, pois o estrago feito hoje no país, a partir da pandemia principalmente, exigirá muito tempo para ser modificado para melhor. O país tem que partir em busca do tempo perdido para que possa retornar à alegria de viver, trabalhando para chegar a um patamar compatível com a esperança.

É difícil, mas temos que continuar enfrentando as dificuldades presentes que atrasam a chegada de um novo panorama que devolva a perspectiva aos brasileiros e brasileiras. É preciso não esquecer que a juventude será eternamente uma usina de pensamentos e disposição capaz de mudar a realidade sombria dos dias de hoje.

CONTAS PÚBLICAS – Em um artigo assinado na Folha de São Paulo, Henrique Meirelles e Nelson Barbosa apontam como uma etapa inicial da maratona  o saneamento das contas públicas. Mas como atingir esse patamar?

As contas públicas dependem do poder de consumo da população, uma vez que todo sistema tributário, direta ou indiretamente, repousa sobre o nível de consumo. Este é o grande impasse brasileiro de hoje que está freando o impulso para frente, pois esse parte de motivos concretos e não de teorias que tanto o papel quanto as telas dos computadores aceitam acionados por cérebros que não levam em conta o poder da emoção.


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