Charge do Latuff (Arquivo Globo)
Joana Cunha
Folha
Com a votação da MP da Eletrobras pautada para o Senado, a Fiesp resolveu se posicionar sobre o texto que entrará em discussão. A entidade dos industriais paulistas diz que o custo de capitalização da estatal pode levar prejuízos de R$ 400 bilhões aos brasileiros.
Desse total, cerca de R$ 300 bilhões seriam provenientes de altas na conta de luz, segundo a Fiesp. “É um mercado monopolista. Os brasileiros não podem trocar de companhia em busca de uma melhor oferta”, diz a entidade.
MAIS PREJUÍZOS – Ainda segundo a projeção da Fiesp, a proposta de contratação das térmicas chamadas de inflexíveis, que geram energia sem parar, pode elevar em R$ 50 bilhões os custos nas tarifas no período de 20 anos.
Na esteira das críticas ao texto da MP dos setores da indústria e energia, a federação argumenta que haverá gastos adicionais de R$ 30 bilhões em duas décadas com reserva de mercado para pequenas centrais hidrelétricas.
A Fiesp também soma em seus cálculos, nesse período, mais R$ 20 bilhões referentes à renovação de contratos “antigos e caros” de geradoras pelo Proinfa, o Programa de Incentivo às Fontes Alternativas de Energia Elétrica. (com Mariana Grazini e Andressa Motter)
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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – A que ponto o Brasil chegou, com o governo dos generais privatizando a geração de energia, que continua estatal em países como Canadá e Estados Unidos… E eu lembro um amigo de infância, o engenheiro Félix Bulhões, que durante décadas presidiu uma das maiores multinacionais do país, a White Martins, mas não deixou de ser nacionalista. Diz ele, “pior do que um monopólio estatal, somente um monopólio privado. E a privatização ocorre quando o estratégico Ministério de Minas e Energia é comandando por um almirante, chamado Bento Albuquerque, ficará marcado para sempre por esse crime de lesa-Pátria. (C.N.)