domingo, maio 30, 2021

De olho em 2022, Bolsonaro viaja mais para regiões onde sofre maior rejeição

Publicado em 30 de maio de 2021 por Tribuna da Internet

diante de aglomeração Foto: Alan Santos / PR

Sem máscara, Bolsonaro faz selfie para um apoiador

Dimitrius Dantas
O Globo

De olho na reeleição, o presidente Jair Bolsonaro tem privilegiado nas viagens ao redor do país regiões em que sua rejeição aumentou, de acordo com as últimas pesquisas de intenção de voto. Levantamento feito pelo GLOBO com base em agendas oficiais desde agosto do ano passado indica que Bolsonaro elegeu como destino locais onde tem maior reprovação de sua gestão.

Desde o início da pandemia, Bolsonaro tem mantido uma média de seis viagens por mês. Em março, com os números de casos e óbitos por Covid-19 em alta, Bolsonaro só deixou Brasília uma vez.

RITMO DE CAMPANHA – Em abril, mês mais letal desde o início da pandemia, o presidente voltou a viajar com frequência: foram seis viagens no mês. Em maio, o ritmo se intensificou ainda mais: até o final do mês, serão dez viagens, inclusive uma para o exterior.

A região que mais entrou no itinerário do presidente foi o Nordeste. Nos últimos cinco meses de 2020, 23% das viagens de Bolsonaro tiveram como destino a região. Nos primeiros cinco meses de 2021, a proporção aumentou para 36%.

Em paralelo ao aumento de viagens, o Nordeste também foi a região em que a rejeição mais cresceu desde agosto do ano passado: 51% dos eleitores ouvidos pelo Datafolha em maio dizem que o governo é ruim ou péssimo. Em agosto, 35% dos eleitores reprovavam a gestão.

FIXAÇÃO EM LULA – Em suas visitas, Bolsonaro tem tratado cada vez mais de assuntos eleitorais. Um dos alvos preferenciais é o ex-presidente Lula. Em viagem ao Alagoas, por exemplo, acompanhado do presidente da Câmara, Arthur Lira, e do ex-presidente Fernando Collor, Bolsonaro chamou o petista de “ladrão de nove dedos”.

Como o GLOBO mostrou na última semana, Bolsonaro não apenas aumentou suas viagens, mas também as agendas com tom de campanha, como os passeios como motociclistas que realizou tanto em Brasília como no Rio de Janeiro. No último dia 15, o presidente também convocou uma manifestação com produtores rurais na Esplanada dos Ministérios.

Internamente, o presidente já começou a montar sua equipe de campanha e encarregar alguns de seus auxiliares mais próximos de coordenar sua campanha em cada região. No Nordeste, por exemplo, o ministro do Turismo Gilson Machado deverá liderar a campanha do presidente.

REJEIÇÃO EM ALTA – A crise do coronavírus levou a rejeição do presidente a aumentar em todo o país desde agosto, mas em ritmos diferentes. Em agosto, por exemplo, o Sudeste era a região em que mais eleitores consideravam o governo ruim ou péssimo, com 39%. Mas, se no Nordeste a rejeição cresceu 16 pontos percentuais, o índice subiu 8 pontos percentuais no Sudeste, indo a 47%.

A diferença se refletiu na quantidade de viagens feitas ao Sudeste. De agosto a dezembro, quase metade das 39 viagens de Bolsonaro foram para a região. Nos cinco meses seguintes, a cada 4 viagens do presidente, apenas uma foi para o Sudeste.

O presidente também aumentou sua frequência de viagens para o Norte e o Centro-Oeste. Em suas pesquisas, o Datafolha trata as duas regiões como apenas uma. A proporção de viagens de Bolsonaro ao Norte ou ao Centro-Oeste foi de 17% nos últimos cinco meses de 2020 para 28% entre janeiro e maio deste ano.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG 
– A presença de Lula na campanha leva à loucura a troupe de Bolsonaro. Será um desastre se qualquer um dos dois for eleito. É melhor a gente se mudar para um país mais sério, como o Paraguai(C.N.)

Em destaque

E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

Mais visitadas