domingo, maio 30, 2021

Com rejeição alta, Bolsonaro poderá ser ultrapassado pelo candidato “terceira via”


Charge do João Montanaro (Charges)

Israel Medeiros e João Vitor Tavarez
Correio Braziliense

Ainda falta mais de um ano para as eleições de 2022, mas o que se vê é um clima de campanha entre os principais candidatos à presidência da República. Ambos, Jair Bolsonaro (sem partido) e Lula (PT), têm feito movimentos incessantes com vistas ao pleito. Apesar de encabeçarem a lista de candidatos, tanto Lula quanto Jair possuem elevado índice de rejeição, o que pode apontar para um aumento da polarização até o período eleitoral.

Uma pesquisa do PoderData, realizada entre os últimos dias 22 e 26 de maio mostra que a rejeição ao governo de Jair Bolsonaro subiu a um recorde de 59%. Segundo o levantamento, trata-se do maior nível desde junho de 2020. A pesquisa ouviu 2,5 mil participantes de todo o país e tem margem de erro de dois pontos percentuais.

PESQUISAS CONFIRMAM – O Instituto Datafolha também aponta para um alto nível de rejeição ao presidente Bolsonaro. Em pesquisa com 2 mil participantes, realizada entre 11 e 12 de maio, 54% do eleitorado não votaria no presidente Jair Bolsonaro (sem partido). Entre os que não votariam em Lula, o percentual é de 36%.

Por outro lado, Lula lidera as intenções de voto em 2022: se as eleições fossem hoje, o petista teria votos, em 1º turno, de 41% dos brasileiros com 16 anos ou mais, diz o Datafolha. Bolsonaro aparece na sequência, com 23% das intenções do eleitorado. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos, dentro do nível de confiança de 95%.

Atualmente não há, nem nos resultados das pesquisas, nem na boca de especialistas e políticos, um nome de centro, ou seja, uma “terceira via” que seja capaz de rivalizar com Bolsonaro e Lula. É o que explicou Arthur Lira (PP-AL), em entrevista à Rádio Bandeirantes na última semana.

DISSE LIRA – “Eu não acredito em uma terceira via. Acho que os dois candidatos são fortes, está muito cedo, tem muita votação importante que pode mudar significativamente o quadro do Brasil, então acho que os dois (Bolsonaro e Lula) são os mais fortes, eu não acredito numa terceira via. Mas não é de hoje, desde a redemocratização, sempre teve polarização”, disse, referindo-se ao PT e PSDB, que são partidos considerados de esquerda e centro-esquerda.

Para Márcio Coimbra, mestre em ação política e coordenador de pós-graduação em Relações Institucionais e Governamentais do Mackenzie, existe uma parcela de eleitores que não entra nas intenções de votos entre Lula e Bolsonaro.

“Ela corresponde a cerca de 20 a 25% do eleitorado. Mas, no momento, ainda não existe um nome promissor que represente esse grupo intermediário. Se não houver uma terceira via que se apresente logo, a tendência é que a eleição seja cada vez mais polarizada. Se isso acontecer, é grande a chance do Lula vencer logo em primeiro turno”, avaliou.

ERROS DE BOLSONARO – O especialista acredita que o alto índice de rejeição a Bolsonaro pode ser explicado tanto pela situação econômica ruim do país quanto pela falha na adoção de medidas que pudessem, de fato, conter tanto o avanço da pandemia quanto do desemprego. Isso, acredita Coimbra, aliado à repercussão negativa das informações da CPI da Pandemia, no Senado Federal, pode indicar para uma queda ainda maior de popularidade nos próximos meses.

Adriano Oliveira, cientista político da Universidade Federal de Pernambuco, também vê uma tendência de piora da imagem do governo frente ao eleitorado. “A situação é crítica, tem CPI, possibilidade de racionamento de energia, inflação alta, desemprego. Se a rejeição passar dos 60%, acende a luz vermelha para ele”, pontuou.

A busca por um novo partido, comenta Oliveira, pode ser uma jornada difícil para Bolsonaro, uma vez que ele busca um partido onde possa ter poder de influência. O PP, de Arthur Lira, talvez seja um destino possível, na sua avaliação. Mas quanto mais Bolsonaro demora a escolher uma legenda, “mais difícil fica escolher”.

PODE SER ULTRAPASSADO – Para o cientista político, com a popularidade em baixa, Bolsonaro poderia ser ultrapassado na corrida eleitoral por um nome de centro, caso um nome de peso se juntasse à disputa.

“Se o presidente Bolsonaro continuar perdendo popularidade, um candidato de centro pode ir para o segundo turno com o Lula. Bolsonaro precisa torcer para a pandemia ir embora. Então ele não é um político de construção, sua estratégia sempre foi o enfrentamento”, concluiu.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG 
– O raciocínio dos cientistas políticos é cartesiano. A alta rejeição de Lula e Bolsonaro abre caminho para uma terceira via, sem a menor dúvida. O que parece mais provável, a meu ver, é Lula no segundo turno, enfrentando o candidato de terceira via, que vai carrear os votos dos bolsonarianos e vencer a eleição(C.N.)


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E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

  Uma volta no tempo: Relembre o Tabaris Night Club, símbolo da vida noturna de Salvador há 60 anos sexta-feira, 03/04/2026 - 00h00 Por Laia...

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