sábado, maio 29, 2021

Nota à Imprensa

 Salvador, 28 de maio de 2021.

Nota à Imprensa
O jornalista Fabio Costa Pinto, sócio efetivo da Associação Brasileira de Imprensa – ABI, informa à todos os profissionais de imprensa do estado e veículos de comunicação, ter protocolado na tarde do dia 27/05/2021, uma Carta de Reivindicações, nas comissões de Direitos Humanos e Segurança Pública, e a de
Constituiçao e Justiça da Assembleia Legislativa do Estado – Alba.
O documento enviado demonstra a preocupação, e o acompanhamento enérgico na apuração minuciosa sobre as investigações dos
episódios de tortura e morte dos jovens Bruno e Yan Barros, tio e sobrinho, no dia 26 de
abril, entregues por seguranças do mercado Atakarejo, à supostos traficantes. Os corpos foram deixados no porta malas de um carro na localidade da Polêmica, em Brotas, Salvador.
A carta também demonstra indignação e repúdio à todas as agressões,
perseguições, mortes e crimes cibernéticos contra profissionais de Imprensa. Reivindica
liberdade de expressão e respeito aos jornalistas e profissionais da Imprensa, principalmente no exercício de sua função como no caso do insulto sofrido pela Jornalista
Driele Veiga da TV Aratu, chamada de “idiota” pelo Presidente da República, no dia 26 de abril, durante coletiva de imprensa na Bahia.
Solicitamos imediata apuração à violência contra o radialista e jornalista Davi Alves, da
rádio Alvorada FM, no município de Jeremoabo na Bahia, em setembro de 2020. Davi
realizava matéria sobre o uso de material da administração municipal em obra particular
quando foi agredido fisicamente e verbalmente por funcionários e secretário de Infraestrutura, João Batista Andrade, durante gestão do prefeito Derisvaldo dos Santos
(PP). Um ano após o crime, nenhuma resposta foi dada.
Cobramos justiça contra as perseguições, ameaças
de morte e duas fake News anunciando a morte da Jornalista Investigativa Milmara
Nogueira, atuante e estudiosa no combate ao crime organizado no estado, uma delas no
dia do jornalista 7 de abril, o que entendermos como um recado para toda a imprensa.
Fnalizamos manifestando nossa preocupação com a urgência em combater o crescimento acelerado do modelo miliciano carioca, em território baiano desde 2019, logo após a vinda para o estado de milicianos cariocas como Adriano da Nobrega e Rodrigo
Silva Neves, assassino do genro do contraventor Castor de Andrade. Segundo dados de
órgãos no combate ao crime organizado no estado, só em 2021 cerca de vinte policiais foram presos no estado por
associação a grupos paramilitares. Certo de que estamos fazendo o nosso papel de defensores e pleno exercicio da
constitucional, pelo que nus cabe. Cobramos um maior dialogo sobre todos esses temas
relevantes com a sociedade civil e Imprensa nos colocando á disposição para
encontrarmos uma solução conjunta num debate democrático e justo para todos.
Cordial abraço,
Fabio Costa Pinto
Sócio efetivo da Associação Brasileira de Imprensa - ABI.
Jornalista / Repórter Fotografico.
Mtb 33.166/RJ , ABI E-2521, Sinjorba-2524 e FENAJ
E-mail: representacaobahia.abi@gmail.com
Telefones: 55. 21.99054-0114 / 71.99198-4115
(Leia abaixo a carta de Reivindicações enviada às comissões Direitos Humanos e Segurança Pública, e a de Constituiçao e Justiça da ALBA).
Senhores (as) deputados (as),
A Representação na Bahia da Associação Brasileira de Imprensa - ABI, por mim assinado, vem reivindicar de vossas excelências ações enérgicas e acompanhamento minucioso sobre as
investigações nos episódios de tortura e morte dos jovens Bruno e Yan Barros, tio e
sobrinho, entregues a supostos "traficantes" e assassinados no dia 26 de abril, depois de
supostamente terem furtado carne no supermercado Atakarejo, no bairro do Nordeste de
Amaralina, em Salvador, Bahia.
Excelências, como representantes da entidade de Imprensa no Estado da Bahia, lutamos pelos direitos humanos, acreditamos que estas dignas comissões têm plenas capacidades
em não deixar um crime tão desumano e anti-democrático ficar sem as devidas respostas
à sociedade, e principalmente ao povo negro, pobre e desempregado. Por isso, por meio
desta carta, a ABI reitera a cobrança de apurações duras e severas contra os mandantes e
envolvidos nesse crime hediondo. Ato hediondo e com indícios de atuação miliciana,
segundo o secretário de Segurança Pública, Ricardo Mandarino, não pode ficar sem
respostas.
Também, por meio deste documento democrático, alertamos e viemos denunciar sobre a
urgência em combater o crescimento acelerado de grupos milicianos em território baiano,
com ações de fiscalização das atuações das polícias e corregedorias das polícias. Vem
sendo denunciada, por diversos setores da sociedade, em documentos sigilosos, de que já
existe atuação de milicianos na Bahia desde 2003, e esse modelo empresarial de grilagem
de terras, expulsão de moradores de aluguel, domínios de bairros inteiros para exploração
imobiliária, crescimento alarmante de grupos de extorsão e extermínio nos bairros mais
pobres, além de alianças ao crime organizado, foi ampliado logo após a eleição do presidente Jair Bolsonaro, em 2019. Modelo miliciano carioca chegou à Bahia depois da
vinda para o estado de milicianos como Adriano da Nóbrega (morto na Bahia em 2020).
Em novembro do ano passado, numa atuação conjunta das polícias Civil e Militar da
Bahia e Rio de Janeiro, foi preso no sul da Bahia outro miliciano carioca, o policial militar
Rodrigo Silva das Neves, acusado de ser um dos assassinos de Fernando Ignacio de
Miranda, genro do bicheiro Castor de Andrade .
Só este ano foram presos cerca de 20 integrantes das forças de segurança associados com
crimes, fato constatado através
de estatísticas, por órgãos diversos, em contato com jornalistas e pesquisadores da
segurança pública no Estado.
No último dia 5 de maio, a Polícia Militar prendeu três ex-agentes penitenciários,
suspeitos na tentativa de seqüestro a um empresário de Cruz das Almas, cidade da região
do Recôncavo baiano.
No dia 17 de abril, um ex-policial civil foi preso por envolvimento com uma quadrilha de
traficantes da Boca do Rio, em Salvador. Ainda no mês de abril, dois policiais civis foram
presos pelo Gaeco - Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas
e Investigações Criminais por associação com plantadores de maconha na região da
Chapada Diamantina.
Em fevereiro deste ano, sete policiais militares e um policial civil foram presos por
integrar uma milícia que praticava diversos crimes de homicídio e intimidação coletiva
em municípios no sul da Bahia, como Vitória da Conquista, Itabuna, Ilhéus e Itacaré.
Sempre acreditando na Liberdade de Expressão, Democracia e Direitos Humanos,
reafirmamos a nossa preocupação sobre como a imprensa tem sido vítima de toda ordem
de perseguições.
Cerca de vinte dias antes do desembarque do Sr. Presidente Jair Bolsonaro na Bahia, no
mês passado, a jornalista Investigativa Milmara Nogueira, atuante e estudiosa no combate
ao crime organizado e milícias no estado, sofreu duas Fake News anunciando sua morte,
(publicações em anexo). A última delas no dia 7 de abril, dia que se comemora o Dia dos
Jornalistas, o que precisa ser investigado com maior atenção. Consideramos estes fatos
como um recado para toda a nossa classe e exigimos a apuração precisa desses tipos de
crimes cibernéticos contra jornalistas.
A jornalista tem recebido apoio teste jornalista sócio efetivo da Associação Brasileira de Imprensa, pelas perseguições e ameaças de morte que vem passando.
Solicitamos a imediata apuração, à violência contra o radialista e jornalista Davi Alves,
da rádio Alvorada FM, no município de Jeremoabo na Bahia, em setembro de 2020. Davi
realizava matéria sobre o uso de material da administração municipal em obra particular
quando foi agredido fisicamente e verbalmente por funcionários e secretário de
Infraestrutura, João Batista Andrade, durante gestão do prefeito Derisvaldo dos Santos
(PP). Um ano após o crime, nenhuma resposta foi dada.
Como se não bastasse, Bolsonaro finalizou a viagem com mais intimidações à imprensa.
Durante coletiva na Bahia chama de "idiota" a jornalista Driele Veiga, da retransmissora
do SBT na Bahia, depois de ser questionado sobre a postagem da foto com a mensagem
"CPF Cancelado". "Uma mulher em pleno exercício da função ser chamada de idiota por um presidente da República é um fato a se lamentar", desabafou Driele. O caso de Driele,
inclusive, está registrado no boletim de abril da Comissão de Defesa da Liberdade de
Imprensa e dos Direitos Humanos da ABI Brasil, (publicação em anexo).
Diante de tamanhas evidências é que estamos preocupados e vigilantes, por inúmeras
agressões e ameaças aos profissionais de imprensa". É inaceitável e repugnante a agressão
à liberdade de imprensa, que muito mancha a democracia em nosso país. Não há
democracia sem Imprensa livre! Não podemos aceitar agressões de nenhum tipo contra
os profissionais de Imprensa, principalmente no exercício da sua função. Repudiamos as
perseguições, agressões de qualquer natureza à liberdade de expressão, bem como ao
estado democrático de direito.
Reafirmamos, portanto, o nosso apoio a esta luta árdua e democrática, nos colocando à
disposição para buscar soluções. Assim como acreditamos em um Legislativo honrado e
digno da população que o elegeu, também cremos que apenas unidos podemos encontrar
um caminho de justiça, solidariedade e união para todos os baianos.
(Anexo, outros documentos).
Cordialmente,
Salvador, 27 de Maio de 2021.
Fabio Costa Pinto
Sócio efetivo da Associação Brasileira de Imprensa - ABI.
Jornalista / Repórter Fotografico.
Mtb 33.166/RJ , ABI E-2521, Sinjorba-2524 e FENAJ
E-mail: representacaobahia.abi@gmail.com
Telefones: 55. 21.99054-0114 / 71.99198-4115

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E a fama do Tabaris era comprovada: chegou inclusive a ser citada em uma música dos Novos Baianos. “Deus dá o frio e o freio conforme a lona, meus para-choques pra você, caia na estrada e perigas ver, ser como o poeta do Tabaris, que é mais alegre que feliz”, dos compositores Paulinho Boca de Cantor, Luiz Galvão e Pepeu Gomes. Para o professor e escritor Adson Brito, falar do Tabaris é falar de “memória histórica, cultural, musical e falar também de memória etílica”. “É muito importante para a memória da cidade porque ele vai mexer ali com o imiginário coletivo de milhares de anos, milhares de soteropolitanos que estiveram presente nesse momento”, confessa. E a felicidade era resultado de um conjunto de fatores proporcionados pela casa. Afinal, não era só um cabaré. Por lá, encontravam amigos, intelectuais, famosos, balés internacionais e as famosas damas “acompanhantes”, como eram chamadas as profissionais do sexo que ali trabalhavam. Na internet há registros daqueles que um dia frequentaram esse espaço boêmio. Resgatado de um blog pessoal, Luiz Carlos Facó reconta sua primeira vez na propriedade de Sandoval, descrita por ele como “casa feérica”. Imortal da Academia de Letras da Bahia, Aramis Ribeiro Costa chegou a eternizar o local em seu romance, “As Meninas do Coronel”, publicado pela Editora Via Litterarum. No entanto, apesar de ter recriado o espaço, o autor só frequentou a casa uma única vez, justamente na última noite do Tabaris. OS ANOS DE OURO O Tabaris não era a única casa noturna presente na região entre a Praça Castro Alves e a Rua Chile, mas foi capaz de construir sua história por cerca de 35 anos, abrigando apresentações de companhias de teatro de São Paulo, Rio de Janeiro, balés internacionais e sendo também espaço perfeito para intelectuais, jornalistas, políticos, escritores e toda uma gama de pessoas. O professor Adson considera ainda que o Tabaris foi “o mais famosos cabaré, a mais famosa, a mais importante casa de shows da Velha Bahia”. E essa Bahia, a do início da década de 30, quando o empreendimento de Nagib Jospe Salomão surgiu em frente a praça do poeta, era bastante diferente da que se conhece atualmente. “Uma cidade pacata, uma cidade provinciana, onde os hábitos da população de modo geral era muito simples”, explicou Adson. Nessa Salvador em que Tabaris surge, ainda não existia muitas coisas, como por exemplo, a Universidade Federal da Bahia, o Estádio Fonte Nova e nem o famoso bar e restaurante Anjo Azul, que Jean-Paul Sartre e Simone de Beauvoir visitaram. “Quando entravam ali naquele local, as pessoas já se deparavam com um palco. Então, tinha um palco, no fundo, tinha orquestra, tinha banda, tinha o maestro e todas as pessoas que iam tocar ali na banda estavam vestidos de smoking, de paletó e gravata”, descreve Brito. O professor conta ainda que Nagib foi um homem “revolucionário”. “Esse homem visionário, ele coloca no coração da cidade, uma casa de espetáculos que vai envolver companhias de teatro de revista de São Paulo, do Rio de Janeiro, vai envolver cassino, vai envolver uma decoração glamourosa, uma ambientação, bandas ao vivo”, conta. A chegada do Tabaris foi, para o Adson, um “ganho muito grande pra cidade” e motivo de curiosidade para todos - incluindo as mulheres -, pois “o Tabaris também era um local para dançar, também era um local para se divertir, para ouvir uma boa música”. “Esses frequentadores ali no cabaré, eram os frequentadores dos mais diversos. Eram geralmente pessoas que tinham poder aquisitivo grande. Pessoas que tinham que fazer dinheiro para gastar ali naquelas noitadas, com bebidas, comidas, danças e com mulheres também. Agora, também existia pessoas mais humilde, que tinha um sonho de frequentar o Tabaris”, compartilha Adson. Dentre um dos frequentadores estava um jovem Mário Kertérz, que viria a se tornar prefeito de Salvador - nomeado pelo governador ACM - em 1979. Ao Bahia Notícias, Kertérz conta sobre sua experiência no local. “Antes de eu conhecer o Tabaris Night Club, como era chamado, era um cassino ali que tinha jogo de roleta e tudo, que era autorizado pelo Governo. Depois, quando acabou o jogo, o Tabaris passou a ser uma casa de espetáculos, mas também uma casa de prostituição”, explica o radialista. Kertérz frequentou a casa noturna aos 18 anos, como parte do que ele explica ser um hábito da sociedade da época. “A virgindade era fundamental, então a gente namorava, mas não transava. Então, os jovens namoravam, ficavam excitados e iam para os prostíbulos se aliviar, digamos assim… e se divertir, dançar…”, conta. “Se tinha um show, as pessoas dançavam, inclusive com garotas de programa, e foi assim que funcionou os últimos anos. E ela tinha uma característica fundamental, ela só fechava tipo 7 horas da manhã. Então, todo mundo que tava na boemia naquela época, eu inclusive, visitando outros bordéis, íamos terminar a noite lá. Todo mundo ia, inclusive as prostitutas que trabalhavam em outro lugar, os boêmios e aí nós ficavamos lá, curitindo, bebendo, dançando, até o dia clarear e a gente ir embora”, recorda Mario Kertérz. AS DAMAS DO TABARIS Sobre as profissionais do Tabaris, Adson dá mais detalhes: eram chamadas de “acompanhantes” e Nagib possuia uma rígida seleção. “Geralmente eram mulheres bonitas, mulheres que ficavam ali perfumadas, bem vestidas, para poder atender a essa clientela que ali estavam”, esclarece. “Havia prostitutas de nomes americanas, e, por ordem da casa, essas mulheres tinham que se passar como paulistas ou cariocas porque eram mais valorizadas, porquem vinham de fora e também ali eram frequentados por prostitutas francesas, argentinas, paraguaias, peruanas. Tinha toda uma classe que frequentava ali o Tabaris”, acrescenta Adson. SANDOVAL, O ‘REI DA NOITE’ A partir da década de 1960, nos últimos anos de existência do espaço, o Tabaris Night Club mudou de administrador. Nagib sai de cena e abre espaço para um já conhecido profissional da noite: Sandoval Leão de Caldas. O ex-motorista de táxi já possuia outro empreendimento, o Bar Varandá, quando passou a cuidar do Tabaris. Foto: Reprodução Segundo o professor Adson, foi a partir da administração de Sandoval - que faleceu aos 61 anos ao ser atropelado por um pneu - que o Tabaris deixou o título de “elitizado” de lado e passou a ser popular. “Sandoval Caldas foi um ícone da noite baiana. Ele era chamado de Rei da Noite e era uma espécie de símbolo da boemia do Salvador. [...] Esse homem era uma figura folclórica, era um homem sorridente, usava roupas coloridas, roupas de palhaços, escolares. Ele era um homem que ele agregava”, descreveu Brito. Para o professor, Sandoval transformou o Tabaris, abrindo espaço inclusive ao permitir apresentações de atores transformistas que na época eram “perseguidos” e “desvalorizados”. “O que era oferecido aos atores transformistas da época eram espaços alternativos, eram bares de fundo de quintal, eram espaços sem nenhuma visibilidade”, revela. O declínio do Tabaris, no entanto, coincidiu com sua popularização. Em 1968, a casa fechou suas portas após um reinado na noite de Salvador. Entre os fatores que podem ter influenciado neste fechamento estão, para além da popularização, a diminuição de frequentadores, o baixo investimento de Sandoval em novas apresentações, bandas e repertórios e o surgimento da Ditadura Militar, em 1964. “Ali era um centro de resistência, eu digo resistência porque abrigava transformistas e também porque o Tabaris era frequentado pela intelectualidade da época. Vários jornalistas frequentavam aquele espaço e jornalistas geralmente, na sua maioria, eram pessoas de esquerda. Eram pessoas que questionavam o sistema, questionavam o modo que o país estava sendo conduzido pelos militares”, opina o professor.

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