segunda-feira, maio 31, 2021

Nesta semana, 17 generais decidem se o Brasil permanece como um pais democrático


Charge do Cícero (Correio Braziliense)

Carlos Newton

Na semana passada, em artigo escrito aqui na Tribuna da Internet, chamamos atenção para a dificuldade de acompanhar a evolução do caso do general Eduardo Pazuello, porque não existe possibilidade de vazamento de informações no Alto Comando do Exército. A dificuldade é grande para os jornalistas.

O fato concreto é que o presidente Jair Bolsonaro habilmente está aproveitando o problema do general Eduardo Pazuello, seu velho companheiro de Escola de Paraquedismo, para testar o comando do Exército e saber se pode contar com as Forças Armadas no apoio ao golpe militar que sonha em desfechar e que agora se tornou uma necessidade premente, porque Lula da Silva se livrou daquela chatice das condenações judiciais e está novamente de ficha limpa, como se não tivesse comandado o maior esquema de corrupção do mundo, não é pouca coisa, não.

PT SAUDACOES – Até agora, as Forças Armadas (leia-se: o Alto Comando do Exército, o que realmente conta) tem deixado claro que não se envolverá em novo golpe de estado, e PT SAUDACOES, como se encerravam os telegramas, nos tempos de outrora.

Como o então ministro Fernando de Azevedo e Silva e os três comandantes militares (leia-se: o general Eduardo Pujol, do Exército, o que realmente conta) não aceitaram a ditadura almejada por Bolsonaro, ele deu um jeito de exonerar o ministro, que ao sair deixou claro o sinistro motivo do presidente: “Nesse período, preservei as Forças Armadas como instituições de Estado”, afirmou o general.

E os três comandantes também saíram, porque Bolsonaro, na sua ignorância, achava que, trocando os comandantes, faria os militares abandonarem suas vocações e missões democráticas.

Por isso, nomeou para a Defesa seu atual amigo mais íntimo, o general Braga Netto, que deixou o Planalto, mas faz visitas ao presidente com frequência no Palácio da Alvorada.

CASO PAZUELLO – Agora, Bolsonaro usa o caso Pazuello para testar os comandantes militares (leia-se: o general Paulo Sérgio Nogueira, o que realmente conta). Como diria o genial cineasta Mario Monicelli, o comandante do Exército ainda é um mero desconhecido. Mas agora os destinos desta nação dependem diretamente dele e de sua liderança sobre o Alto Comando do Exército.

Na quinta-feira passada, durante a festa militar em São Gabriel da Cachoeira, o presidente, na condição de comandante-em-chefe das Forças Armadas, colocou um cocar de cacique indígena e pediu ao general Nogueira que Pazuello não seja punido.

A resposta do comandante foi enigmática. Disse apenas que iria analisar a defesa de Pazuello e depois consultar o Alto Comando, devido à importância da decisão.

FAÇAM SUAS APOSTAS – Ninguém sabe o que vai acontecer. A única coisa que se pode dizer é que a democracia brasileira depende do comandante Paulo Sérgio de Oliveira, que está completando apenas dois meses no cargo, e dos outros 16 generais que compõem o Alto Comando do Exército.

São eles que decidirão esta semana – ou no mais tardar, na outra – se Pazuello será punido. Ou seja, se o Brasil se mantém como democracia ou se transformará numa Venezuela de direita, comandada por um Maduro sem bigode.

Mas há uma terceira opção. O general Pazuello é discretamente convencido a ir para a reserva, recebe simples uma advertência e a punição maior recai sobre o presidente Bolsonaro, que fica condenado a tentar vencer Lula na urnas, se o Brasil não tomar vergonha na cara e eleger uma terceira via, livrando-se desses dois trapalhões.

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P.S. – Enquanto isso, la nave va, cada vez mais fellinianamente. (C.N.)

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