quinta-feira, maio 27, 2021

Brasil poderia ter sido o primeiro país do mundo a vacinar toda a população


Presidente do Instituto Butantan, Dimas Covas, depõe na CPI da Covid, no Senado Foto: Reprodução

Dilmas Covas acusou Bolsonaro e também Pazuello

Sarah Teófilo e Bruna Lima
Correio Braziliense

O diretor do Instituto Butantan, Dimas Covas, atrelou a demora em iniciar a campanha de vacinação contra a covid-19 no Brasil a uma negativa do presidente da República, Jair Bolsonaro, em fechar acordo para a compra de 46 milhões de doses da CoronaVac, em outubro de 2020.

“O Brasil poderia ter sido o primeiro país do mundo a iniciar a vacinação, não fossem os percalços que tivemos que enfrentar”, afirmou, completando, em outro momento de seu depoimento à CPI da Covid, nesta quinta-feira (27/5), que esta era a expectativa do instituto paulista para o país.

DISSE O DIRETOR – Segundo Covas, em 20 de outubro, ele foi convidado pelo então ministro da Saúde Eduardo Pazuello a comparecer a uma reunião onde foi anunciado que “esta seria a vacina do Brasil”. “Havia a presença de vários governadores e parlamentares. Saímos satisfeitos com a evolução e achávamos que, de fato, tínhamos resolvido parte do problema”, contextualizou o diretor.

Porém, no dia seguinte, “houve uma manifestação do presidente da República dizendo que a vacina não seria incorporada”.

Mesmo assim, o desenvolvimento do imunizante não foi interrompido, mas enfrentava barreiras pela falta de investimento. À época, o Butantan chegou a solicitar R$ 80 milhões para subsidiar pesquisas e reformar a fábrica para produzir a CoronaVac.

PRODUÇÃO MENOR – Com o prosseguimento, o instituto paulista tinha, em dezembro, 5,5 milhões de doses prontas, além de outras 4 milhões em processamento.

Caso houvesse incentivo e acordo desde a primeira tratativa, Covas revelou que o objetivo era fornecer 60 milhões de doses até o fim de 2020, chegando a 100 milhões em maio de 2021.

“Como não houve essas definições, o cronograma passou para setembro. Obviamente, naquele momento, a demanda mundial era muito grande e continua até hoje”.

Em destaque

Ministros do STF defendem que Moraes paute redução de pena para soltar Bolsonaro

  Ministros do STF defendem que Moraes paute redução de pena para soltar Bolsonaro Lei da Dosimetria foi aprovada em dezembro por deputados ...

Mais visitadas