segunda-feira, dezembro 14, 2020

Negócios ilegais de Trump aumentam risco de o presidente virar réu quando deixar o poder


Trump enriqueceu mais no governo Obama do que em qualquer outro | VEJA

Os problemas de Donald Trump estão apenas começando

Deu em O Globo
The New York Times

Promotores de Manhattan interrogaram funcionários do principal credor do presidente Donald Trump, o Deutsche Bank, e de sua seguradora, a Aon, nas últimas semanas, segundo fontes com conhecimento do processo, aumentando a amplitude de uma investigação que o mandatário não tem poder de interromper. As entrevistas são o indício mais recente de que, assim que sair da Casa Branca, Trump corre o risco de virar réu de processos criminais.

Promotores nova-iorquinos já entrevistaram ao menos dois funcionários do Deutsche Bank sobre seus procedimentos para conceder empréstimos, segundo uma fonte com conhecimento da investigação. Por mais que o foco dos questionamentos não tenha sido o relacionamento da instituição com Trump, mas procedimentos internos da empresa, acredita-se que novos interrogatórios com perguntas mais específicas sejam iminentes.

AUTOPERDÃO – Quando voltar a ser um cidadão comum, em 20 de janeiro, o presidente perderá sua imunidade — o temor de que isso ocorra seria uma das razões, segundo seus críticos, por trás da fracassada cruzada legal para tentar permanecer no Salão Oval.

Trump argumenta que a Presidência lhe daria o poder de se autoperdoar preventivamente, e há relatos de que pretende fazer o mesmo com seus três filhos mais velhos: Ivanka, Donald Jr. e Eric. O perdão, no entanto, diz respeito apenas à Justiça federal, não se aplicando à investigação realizada em Nova York pela Justiça estadual.

Ainda não está claro se o promotor de Manhattan, Cyrus Vance Jr., apresentará uma denúncia. Desde agosto de 2019, a Promotoria briga na Justiça para obter as declarações de renda do presidente e de suas empresas, que afirma serem centrais para a investigação. Após perder em todas as instâncias, Trump  agora aguarda pela segunda vez uma resposta da Suprema Corte.

JÚRI PRELIMINAR – A investigação, entretanto, caminha aceleradamente, com novos mandados e testemunhas, incluindo algumas perante um júri exploratório, segundo fontes ouvidas pelo New York Times. Em outro passo no mês passado, segundo o NYT, Vance apresentou um mandado à Organização Trump pedindo registros referentes a abatimentos fiscais sobre milhares de dólares pagos em “taxas de consultorias”, algumas das quais teriam sido embolsadas por Ivanka.

O foco de Vance, um democrata, é a conduta do presidente como empresário e se ele ou algum funcionários da Organização Trump cometeram crimes financeiros. Documentos indicam que a Promotoria apura possíveis fraudes fiscais em seguros e referentes a atividades bancárias. Este é o único caso do qual se tem notícia de investigações criminais contra o atual líder dos EUA. Trump, que afirma não ter feito nada errado, diz que é alvo de uma “caça às bruxas”.

APURAÇÃO SECRETA – Em documentos, os promotores citam relatórios públicos e reportagem sobre aspectos questionáveis de transações realizadas pela Organização Trump, incluindo uma matéria de jornal que acusa o presidente de ter mentido sobre seu patrimônio para seguradoras e credores. O mesmo foi dito ao Congresso por Michael Cohen, ex-advogado de Trump que virou seu crítico após ser condenado por evasão fiscal e violação das leis de financiamento de campanha.

— Trump inflava seu patrimônio total quando servia aos seus interesses, como para ser listado entre as pessoas mais ricas pela [revista] Forbes, e os deflacionava para diminuir seus impostos sobre propriedades — disse Cohen à Comissão de Fiscalização da Câmara em 2019.

Funcionários do Deutsche Bank e da Aon, duas megacorporações, podem ser testemunhas-chave. Como duas aliadas antigas do presidente, e algumas das únicas empresas de tamanha magnitude que ainda mantêm negócios corriqueiros com Trump, elas podem ser uma importante fonte de informação sobre a Organização Trump.

BANCO COLABORA – O Deutsche Bank, principal credor do presidente desde os anos 1990, foi alvo de um mandado no ano passado e disse estar colaborando com as investigações. Funcionários e executivos do banco, ao longo dos anos, acreditavam que Trump estaria inflacionando seu patrimônio em até 70%, segundo fontes afirmaram ao NYT. Ainda assim, decidiram emprestar centenas de milhares de dólares à Organização Trump porque seu dono tinha fundos pessoais suficientes para cobri-los.

Um porta-voz da Procuradoria se recusou a comentar o processo, enquanto Alan Garten, do conselho geral da Organização Trump, disse que a empresa nunca descumpriu a lei e que a investigação não passa de uma expedição de busca. A Aon confirmou que recebeu mandados, mas se recusou a comentar as entrevistas.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Agora, Trump podia parodiar o  Luis XV, o Rei Sol, e dizer: “Depois da Presidência, o dilúbio”. (C.N.)


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