senadora Kátia Abreu, que se opõe, como relatora, à prorrogação da CPMF, identificou, em entrevista publicada ontem, o partido majoritário no Congresso. É o partido dos ruralistas - composto de 120 parlamentares - que está impedindo a aprovação de lei que desapropria glebas que usam trabalho escravo. Disse a senadora, proprietária rural, que a bancada a que pertence (e, como se vê, representa no Senado) está unida nesse objetivo. Isso desmente a tese do egrégio TSE, de que o mandato pertence ao partido a que esteja filiado o eleito. O mandato da senadora não pertence ao Tocantins, que a elegeu majoritariamente, nem ao velho PFL (antes Arena e hoje DEM), a que está filiada - e que, pelo que se lê em seu programa, não defende o trabalho escravo. Seu mandato, assim como o dos e o dos 119 outros, são do agronegócio, porque sua fidelidade é aos interesses dessa atividade econômica.
Ninguém pode legislar contra a realidade, disse grande filósofo alemão. As estatísticas mostram que centenas de cortadores de cana morrem no eito ou, mais tarde, em conseqüência das brutais condições a que são submetidos nas plantações de São Paulo e de várias outras regiões do Brasil.
Talvez fosse melhor que o TSE passasse a reconhecer o corporativismo como base do Estado. Assim a bancada dos ruralistas seria oficializada como um partido, a dos banqueiros (que delegam essa tarefa a seus prepostos) como outro, e, da mesma forma, a dos industriais e a dos bingos.
'Capitães da favela'Diz o velho ditado que o hábito faz o monge. De tanto vestir (indevidamente) o uniforme de general-de-exército, o ministro Nelson Jobim está se tornando um combatente. Disse sua excelência que as Forças Armadas devem ser empregadas nos morros cariocas, da mesma forma que os expedicionários brasileiros atuam hoje nas favelas de Porto Príncipe, e que não aceita debater sobre teses acadêmicas. "O que me interessa - afirmou - é saber como o Exército pode servir melhor o país". O que interessa ao povo é que o Exército construa estradas e cuide das fronteiras, entre outras tarefas. O ministro Jobim fala em seu próprio nome, como se fosse o comandante-geral das Forças Armadas, missão constitucional do presidente da República.
O Brasil é um país dividido entre pobres e ricos. Mas, sobre ricos e pobres, procurando administrar os conflitos, deve arbitrar o Estado. O Estado - e voltamos a lembrar as palavras de Andrew Jackson - não podendo impor a igualdade absoluta entre os homens, deve agir com isenção, dando o mesmo tratamento a ricos e pobres.
Se o ministro Jobim convencer o país de que os comandos militares devem combater o crime organizado nas favelas, terá que convoca-las também para que, com os mesmos petrechos militares, combatam o crime organizado pelas grandes corporações empresariais e pelos ladrões de colarinho branco. Do contrário, além de uma justiça de classe (que invariavelmente condena os pobres e deixa os ricos impunes) teremos também um exército de classe.
Em Meditaciones del Quijote, entre textos que tratam de crítica literária, Ortega y Gasset conta a história do explorador William Parry, que encontrou, no século 19, a passagem do Noroeste no Círculo Ártico. Ele viajara um dia inteiro rumo ao Norte. À tarde, ao medir a latitude, estava muito mais ao Sul de onde partira pela madrugada. Viajara todo o dia sobre uma plataforma de gelo que se deslocava no sentido inverso a seu esforço. O ministro Jobim está viajando para trás. Quando a escravidão era explícita, oficiais do Exército, convocados para buscar escravos fugitivos, negaram-se a ser capitães do mato. É difícil acreditar que se prestarão hoje a ser capitães da favela.
Fonte: JB Online
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