Cristine Gerk
Um germe resistente aos remédios se espalha pelos Estados Unidos e poderá causar mais mortes que a Aids. Estima-se que a bactéria cause a cada ano mais de 94 mil infecções graves e 19 mil mortes. Na maioria dos casos, são infecções na corrente sangüínea.
O alerta está num estudo dos Centros de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), nos EUA, publicado no Journal of the Medical Association. A cepa do Staphylococcus aureus é resistente aos antibióticos e transmitida por simples contato. Pode gerar infecções cutâneas e há casos de necrose, com eliminação do tecido devido à morte celular.
A infecção pode ser resolvida com antibióticos. Mas, em alguns casos, o micróbio entra nos pulmões e provoca pneumonia ou se estende aos ossos, órgãos vitais e ao sangue, ameaçando a vida do paciente.
O total de mais de 94 mil casos foi calculado com base numa extrapolação de dados de 2005 em nove regiões urbanas consideradas representativas. Houve 5.287 casos de infecções invasivas, que se traduziriam num total estimado de 94.360 casos em todo o país, segundo os pesquisadores. Os cientistas disseram que se todas as infecções estiverem vinculadas ao Staphylococcus aureus, o total superaria as mortes provocadas pelo vírus da Aids, que em 2005 matou 17.011 pessoas.
Juvêncio Furtado, integrante da Sociedade Brasileira de Infectologia, conta que a resistência ocorre quando as bactérias são expostas a muitos tipos de antibióticos.
- Isso acontece muito em ambiente hospitalar. Nosso arsenal terapêutico para estas infecções de Staphylococcus é pequeno. Temos algumas drogas que ainda têm ação contra os sensíveis, mas já existem cepas resistentes - explica o médico.
As bactérias sofrem mutações e a resistência é transmitida de um Staphylococcus para outro, e até para outras bactérias. Furtado diz que no Brasil, há cepas tolerantes, embora não totalmente resistentes.
- Ainda não temos conhecimento deste germe multiresistente dos EUA no Brasil, mas nada impede que venha para cá. Isto certamente levará muitas pessoas ao óbito, dependendo da gravidade da doença - alerta o médico.
Segundo Furtado, a bactéria só mata quem é acometido por uma doença grave, como pneumonia ou meningite. Se for algo mais simples, como problema de pele, mesmo lidando com a resistência, o próprio organismo resolve. O risco maior é para pacientes em emergências, com aparelhos respiratórios, ou para pessoas com próteses, como as cardíacas.
- Por isso, a recomendação mais importante é o uso adequado dos antibióticos, na dosagem e hora certas - conclui.
Fonte: JB Online
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