terça-feira, janeiro 13, 2026

Hello, Toffoli! Só Jesus na causa!

 

Arte: Marcelo Chello

E o Master segue dono da pauta. Agora tem umas complicações societárias com um resort dos irmãos do supremo Toffoli que pode ser que tenha a ver com o Master. É um rolo bem enrolado mesmo, darling. Já o Jesus, aquele ministro do Tribunal de Contas da União, que é filho do Mecias (juro que é isso e juro que é Mecias com “c”), que foi para cima do Banco Central por ter feito uma liquidação do Master muito “apressada”, agora foi pego com emendas na mão. Só Jesus na causa, BRASEW. Porque o Mecias não resolve mais.

O Banco Master é aquele rolo absoluto que envolve o Centrão, que levou o supremo Toffoli a decretar sigilo absoluto, que revelou o contrato milionário da esposa do Xandão, que levou um ministro do Tribunal de Contas a fazer coisas nunca antes imaginadas, que envolveu até pagamento de influencers. Enfim, aquela confusão que vira e mexe contamos aqui para vocês.

Pois bem, os jornais vieram neste finde com novidades. A Folha publicou a reportagem do resort dos irmãos do Toffoli.

Um tal de fundo Arleen teve participação em empresas ligadas à família de Dias Toffoli no Paraná e aparece conectado ao caso Master por meio de uma cadeia de fundos. O Arleen não é investigado, mas foi cotista de um fundo que recebeu dinheiro de estruturas apontadas pelo Banco Central como parte da teia ligada ao banco do Daniel Vorcaro. O tal fundo era administrado pela REAG, que está sendo investigada na operação Carbono Oculto (aquela do PCC na Faria Lima).

O povo defensor dos ministros supremos, não importa de quem tenha que falar mal, já correu nas redes para dizer que é tudo coisa da Folha forçando a barra. O supremo Toffoli entrou no radar quando decretou sigilo mega ultra secreto do processo do Master, depois de viajar num jatinho particular com um advogado de um dos acusados no caso. Tudo pega mal nessa história, BRASEW.

Mas eis que o tal Jesus agora se complicou por conta de uma história de emendas. O Jhonatan de Jesus é ministro do TCU e saiu bem louco querendo que o Banco Central explicasse por que liquidou tão rapidamente o Banco Master (não foi assim tão rapidamente, tá, BRASEW? Até demorou, na verdade, porque os casos de denúncias de fraudes já se multiplicavam).

Agora o Estadão publica uma reportagem dando conta de que Jhonatan, quando era deputado, e seu pai, o senador Mecias de Jesus, destinaram R$ 13 milhões em emendas para construir 300 casas populares em Iracema, lá em Roraima. Só que, mais de um ano depois, apenas uma casa foi erguida. Taí, gente, vai ver foi por isso que o Jhonatan achou que o BC foi rápido demais. A prefeitura diz que o dinheiro foi usado apenas na elaboração de projetos, sem cronograma para execuções. 13 milhões?

Os dois abençoados dizem que não têm nada a ver com isso. Aliás, o Estadão diz que o Jhonatan indicou, no total, uns 42 milhões em emendas de obras inacabadas. O ministro do TCU diz que ele indicou o dinheiro, mas não tem responsabilidade pela execução.

E depois que o Jhonatan resolveu fazer esse auê na liquidação do BC, o presidente do TCU, Vital do Rêgo, entrou na turma do “deixa disso”. Mas hoje, ele disse que o BC aceitou uma inspeção do tribunal no caso da liquidação do Master como um selo de qualidade. Senhor, e pensar que o Trump também vai pra cima do Banco Central americano (contamos mais tarde).

Xandão Bonzinho

Xandão estava hoje todo trabalhado na empatia e bondade. Ele mandou o hacker de Araraquara para o regime semiaberto e o general Mário Fernandes foi autorizado a trabalhar para o Exército. Olha ele!!!!

O Hacker de Araraquara é aquele hacker da Vaza Jato que depois foi contratado pela Carla Carabina Zambelli para hackear o Conselho Nacional de Justiça e inserir no sistema uma ordem de prisão contra o Xandão. Foi preso e condenado. Sim, darling, é o mesmo hacker da Vaza Jato.

E o Mário Fernandes é o general que fez o plano do Punhal Verde-Amarelo, aquele que planejava fazer uma limpa nas instâncias superiores. Esse era aquele plano de liquidar o Xandão, envenenar o Lula e arquivar o Alckmin.

Huguito passeando

Hugo Motta, o atual dono da Câmara frigorífica (pero no mucho), anda lá por João Pessoa e dando declarações. Hoje ele disse que espera gestos concretos de Lula antes de decidir quem vai apoiar na eleição. “A política se constrói com reciprocidade. Nós temos que, nessa construção política, entender o que vamos ter de apoios e de gestos para decidir quem vamos apoiar. É isso que temos que construir de maneira muito tranquila e respeitosa para com a população do nosso estado”. E janeiro segue.

Rubio fugindo

Flavitcho Bolsonaro, o filho 01 que disse que foi o ungido do pai para ser candidato a presidente e que vai botar seu irmão Dudu como chefe das relações internacionais, foi fazer um rolezinho nos Estados Unidos e ficou #chateado porque o Marco Rubio, secretário de Estado americano, não teve tempo de recebê-lo. Que dó.

Zema caindo fora

O Romeu Zema garantiu que não vai ser vice de Flavitcho coisa nenhuma. Vai para as cabeças e pronto. Zema disse isso depois que Ciro Nogueira, o chefão do PP, falou que Flávio não podia errar como fez Bolsonaro e tem que botar alguém de vice que agregue. Zema conseguiria levar votos do Sudeste, segundo Ciro.

Depois não reclama

E o Lindt, deputado, líder do PT na Câmara, moço que foi presidente da UNE, atende pelo nome de Lindbergh Farias, é namorado da Gleisi Narizinho, foi lá e compartilhou uma foto do Lula todo meio musculoso na praia. Uma imagem manipulada por IA. Depois não quero ninguém chorando e reclamando de IA nas eleições, hein?

E o Maranhão que lute

Nada mais, nada menos do que dez promotores do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate às Organizações Criminosas) do Ministério Público do Maranhão entregaram um pedido de exoneração coletiva dos seus cargos depois que a Procuradoria-Geral do Estado se manifestou favorável à soltura de todo mundo que é investigado na operação que prendeu políticos de Turilândia (inclusive o prefeito). Isso sim é treta. Todos são investigados por corrupção em um esquema de 56 milhões de reais.

Trumpices

E o Trump que republicou uma página fake da Wikipédia dizendo que ele é presidente interino da Venezuela? Trump fanfarrão. E vocês estão vendo o que ele está fazendo com o Jerome Powell, o presidente do Banco Central de lá? (E vocês achando que o Lula é que exagerava em criticar o Gostosão Geral da República, o Roberto Campos Neto, darling, o ex-BC).

Basicamente, o Jerome disse, neste domingo, que o Trump está interferindo na política do Fed e ficou sabendo que está sendo investigado pelo Departamento de Justiça. Tudo por pressão para baixar juros.

E lá vem nova ameaça de tarifas. Desta vez, para quem faz negócios com o Irã, que está lá acabando com a internet de todo mundo e gerando maior revolta. Pois bem, adivinha quem tem negócios com o Irã? Sim, o Brasew.

Olha, gente, o negócio é sambar na cara da sociedade como fez ontem o Wagner Moura e pronto, BRASEW.

A degradação (de Lima Barreto ao Master) expõe também o TCU


TCU abre a caixa preta do Banco Central e a reação foi imediata. A  investigação sobre a liquidação do Banco Master expôs decisões bilionárias  tomadas sem explicações claras, mesmo com propostas de

Reprodução do Instagram

Marcus André Melo
Folha

O vale tudo pós-Lava Jato explica muita coisa, mas não se trata apenas da velha promiscuidade entre Estado e grandes interesses privados

Em “O Triste Fim de Policarpo Quaresma”, o personagem Genelício é o arquétipo do barnabé indolente, inepto, e diligente apenas na arte de parecer ocupado. Finge trabalhar enquanto se ocupa obsessivamente de regras obsoletas e protocolos irrelevantes.

Dizia dedicar-se à redação de um monumental volume intitulado “Os Tribunais de Contas nos Países Asiáticos” —iniciativa tão inútil quanto o aprendizado do javanês em outro texto cáustico de Lima Barreto.

CORRUPÇÃO ETERNA – O autor escrevia em 1911. Mais de um século depois, porém, o tema outrora exótico e quase irrelevante dos tribunais de contas converteu-se em questão central da agenda pública na atual conjuntura.

Ruy Barbosa, em seu parecer sobre a criação do Tribunal de Contas da União, já advertia para o risco de que a instituição se transformasse em um “ornato aparatoso e inútil”, um verdadeiro “Tribunal de Faz-de-Conta”.

O célebre jurista não poderia imaginar que o perigo seria ainda maior: o de os tribunais de contas se tornarem engrenagens auxiliares de uma trama protetiva de esquemas ilícitos de grande envergadura.

TERRA ARRASADA – A sensação contemporânea é a de terra arrasada. Até a Polícia Federal, que ainda figurava como baluarte de credibilidade, começa a ser atingida. Praticamente todos os atores institucionais encontram-se sob suspeita.

O affair Master abalou profundamente a reputação do Supremo —e não apenas a de dois de seus ministros. A CPI do INSS e os esquemas de blindagem por ela revelados agravaram ainda mais o desgaste do governo e do Legislativo como um todo.

O presidente do Senado enfrenta denúncias, o vice-líder do governo foi alvo de busca e apreensão, e as investigações alcançam o círculo familiar do presidente da República. A exposição de milícias digitais em processos envolvendo corrupção tampouco é novidade absoluta —basta lembrar o episódio dos “blogs sujos”—, embora antes sua atuação estivesse mais circunscrita ao terreno político-partidário.

PÓS-LAVA JATO – Como chegamos até aqui? A estrutura de incentivos mudou com o vale tudo pós-Lava Jato. Mas nada disso seria exatamente inédito se estivéssemos falando apenas da velha promiscuidade entre Estado e grandes interesses privados.

A maior empreiteira do país mantinha um departamento inteiro de “operações estruturadas”, dedicado exclusivamente ao pagamento sistemático de propinas a milhares de agentes públicos.

A J&F, em escala semelhante, distribuiu cerca de R$ 500 milhões a quase 2.000 atores políticos. O manual é conhecido, o roteiro é repetido, os personagens apenas trocam de figurino.

HÁ NOVIDADES – O que é efetivamente novo são dois elementos. Primeiro, as denúncias envolvendo membros das instituições superiores da República, como o STF e os tribunais de contas.

Segundo, a crescente conexão desses esquemas com o crime organizado —fenômeno já conhecido no plano subnacional, notadamente no Rio de Janeiro, mas que agora alcança o centro do sistema. Não por acaso, um conselheiro de Tribunal de Contas daquele estado encontra-se hoje atrás das grades.

A sociedade e a imprensa estão fortemente polarizadas, o que cria limitações importantes para o exercício de alguma forma de accountability social. A única reação a este estado de coisas veio da imprensa. Ou mais propriamente de jornalistas individuais. Lima Barreto vive.

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Ministros do TCU querem distância do caso Master após novas revelações

 


Avaliação é que o TCU entrou de forma equivocada no tema

Valdo Cruz
G1

Depois das últimas revelações sobre supostas fraudes e ações coordenadas para atacar o Banco Central, ministros do Tribunal de Contas da União (TCU) querem distância do caso Master. A avaliação deles é que o TCU entrou de forma equivocada no tema e passou a imagem de que está mais preocupado em investigar a liquidação, deixando de lado as fraudes que podem atingir um banco público e aposentados e pensionistas de fundo de pensão.

Segundo alguns ministros do tribunal, o plenário do TCU não deve aprovar uma inspeção técnica para avaliar a liquidação do banco Master, ainda mais num caso envolto em polêmicas políticas e que ainda pode trazer muitas novidades negativas com a investigação em curso pela Polícia Federal.

CONTRATAÇÕES – As novas revelações de influenciadores contratados para atacar o Banco Central reforçam a tese de que houve uma grande operação para proteger o Master e descredibilizar a liquidação do Master, o que se configura, segundo investigadores, numa operação criminosa para beneficiar quem está sendo acusado de praticar fraudes bancárias.

O que começou com dois casos se mostrou uma operação coordenada de ataques nas redes sociais à Febraban (Federação Brasileiras de Bancos) e ao Banco Central, assustando ainda mais ministros do TCU. Segundo eles, o tribunal deveria manter distância não só regulamentar, mas a perder de vista do caso Master porque ele está se mostrando explosivo.

Críticas à ação do TCU de pedir inspeção sobre liquidação do banco Master levaram a um recuo do tribunal e à marcação da reunião desta segunda-feira (12) entre o presidente do tribunal, Vital do Rêgo, e o do Banco Central, Gabriel Galípolo.

CRÍTICAS – A decisão do ministro Jonathan de Jesus gerou muitas críticas fora e dentro do tribunal e questionamentos sobre o poder do TCU de interferir numa liquidação.

Entre investigadores, há uma reclamação de o TCU ter iniciado seus questionamentos sobre quem liquidou o banco e não sobre as operações irregulares do Master, que podem provocar um rombo de R$ 4 bilhões ao banco público BRB e a clientes da instituição liquidada. Segundo técnicos, o tribunal estava passando a mensagem de estar mais preocupado com o dono do banco do que com seus clientes e as fraudes bancárias.


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