segunda-feira, dezembro 08, 2025

O risco de o país legitimar a aliança entre Estado, dinheiro e crime organizado


Dono da Refit, vive em Miami e influencia diferentes órgãos

Pedro do Coutto

As recentes revelações sobre o Grupo Refit — e, em particular, sobre seu proprietário, Ricardo Magro — expõem de modo estarrecedor como o entrelaçamento entre poder econômico, corrupção e possível envolvimento com redes criminosas ameaça corroer a integridade das instituições e o interesse público. Não é apenas mais um escândalo: é um alerta sobre os perigos de um capitalismo de laços em que o trânsito entre negócios, política e ilegalidade se torna quase invisível — até explodir em prejuízo da sociedade inteira.

A “Operação Poço de Lobato”, deflagrada em 27 de novembro de 2025, tornou público o que há muito vinha sendo investigado: o Grupo Refit seria responsável por um gigantesco esquema de sonegação fiscal, fraude tributária e lavagem de dinheiro. O conglomerado é apontado como o maior devedor de ICMS do estado de São Paulo, com débitos que, somados aos passivos de outros estados, ultrapassam a marca de R$ 26 bilhões.

REDE DE EMPRESAS – As autoridades identificaram uma extensa rede de empresas — algumas em outros países — usadas como veículos para ocultar patrimônio, disfarçar lucros ilícitos e blindar bens. Apenas entre 2024 e 2025, segundo a investigação, o grupo movimentou cifras impressionantes: empresas próprias, fintechs, fundos de investimento e offshores foram parte de uma estrutura projetada para driblar a fiscalização e manter níveis de riqueza e poder incompatíveis com a atividade declarada de uma refinaria.

Mas a gravidade do caso não está apenas na fraude tributária. Ricardo Magro não construiu sua fortuna apenas com operações empresariais. Ele tem histórico de articulação política: chegou a ser advogado do ex-deputado federal Eduardo Cunha, figura que carrega um pesado histórico de desvios e corrupção. Essa proximidade indica que o patrimônio e a influência do empresário sempre estiveram inseridos no tabuleiro da política nacional — o que torna mais grave sua ascensão financeira e a eventual reprodução de mecanismos de poder indevido.

Quando um empresário com débitos bilionários, suspeita de lavagem de dinheiro e redes de offshores mantém ligações com figuras influentes e conta com blindagem institucional, abre-se um precedente perigosíssimo: legitima-se a infiltração do dinheiro sujo nas estruturas do Estado, transformando a democracia em fachada para interesses privados e ilícitos.

SONEGAÇÃO – E o cenário se agrava ainda mais quando há suspeitas — já ventiladas em investigações recentes — de que a Refit não só sonegava impostos, mas poderia estar envolvida com o abastecimento de esquemas ligados ao crime organizado, especialmente após o desmonte da cadeia anterior de distribuição de combustíveis apontada em outra operação.

Se confirmada essa conexão, trata-se de algo ainda mais grave: não apenas um crime econômico, mas uma ponte concreta entre o poder econômico formal, o coração do Estado e redes criminosas, com potencial para corroer o tecido institucional e degradar a governança.

É como se um mesmo personagem — o empresário — transitasse simultaneamente por três mundos: o dos negócios, o da política e o do crime. E cada um desses mundos, sozinho, já demanda vigilância intensa; juntos, formam uma bomba combinada para a democracia brasileira.

BENEFICIADOS – Em nome de quem, afinal, foi construída essa fortuna? Quem se beneficiou com a cumplicidade política e com a blindagem institucional? Quantos cofres públicos foram saqueados — enquanto se mantinha a aparência de legalidade? E, acima de tudo: quantos direitos sociais deixaram de ser garantidos, que poderiam ser assegurados com o dinheiro furtado à sociedade?

Cobrar a resposta dessas perguntas não é mero ativismo: é um ato de cidadania. Permitir que continuem sem resposta é abrir caminho para o avanço da impunidade. A justiça e a democracia não podem conviver com privilégios construídos em cigarros apagados, empresas-fantasma e lavagem de dinheiro.

A operação contra a Refit não é apenas mais uma investigação: é um teste para a capacidade do Estado de proteger o interesse público, de garantir transparência e impedir que o crime — financeiro ou organizado — transforme o Brasil num terreno fértil para a corrupção institucionalizada.

domingo, dezembro 07, 2025

Da prisão, Bolsonaro impôs apoio de Michelle e do PL à candidatura de Flávio à Presidência



O nó político de 2026 e a reconfiguração abrupta do tabuleiro

Publicado em 7 de dezembro de 2025 por Tribuna da Internet

Centrão rejeita escolha de Flávio e expõe fraqueza do bolsonarismo para 2026


Câmara prepara resposta ao STF no caso Zambelli após decisão de Gilmar

Publicado em 7 de dezembro de 2025 por Tribuna da Internet

Ala da Câmara defende manutenção do mandato da deputada

Deu na CNN

A decisão do decano do STF (Supremo Tribunal Federal), Gilmar Mendes, de impedir que o Senado abra processos de impeachment contra ministros da Corte poderá ter efeito também sobre movimentos sensíveis na Câmara dos Deputados, como a votação sobre a cassação do mandato da deputada Carla Zambelli (PL-SP), condenada pelo Supremo e atualmente presa na Itália.

Antes, deputados avaliavam a rejeição do parecer do deputado Diego Garcia (Republicanos-PR) pela absolvição da deputada na CCJ (Comissão de Constituição e Justiça). O parlamentar é relator do processo de Zambelli no colegiado e se manifestou pela manutenção da deputada bolsonarista.

RECADO – Agora, porém, diante da decisão de Gilmar, líderes consultados pela CNN entendem que a Câmara pode usar o caso Zambelli como recado ao Supremo. Após um pedido de vista, o caso da parlamentar voltará a ser analisado na CCJ na próxima semana, sem previsão ainda de ser pautado no plenário da Câmara.

Por se tratar de uma condenação criminal, a Casa Legislativa entende que não cabe acatar sumariamente a decisão de Alexandre de Moraes, do STF, mas que os parlamentares têm respaldo para decidir sobre a perda do mandato.

RAMAGEM – A Mesa Diretora da Câmara dos Deputados também deve remeter à CCJ da Casa a ordem do STF para a perda de mandato do deputado Alexandre Ramagem (PL-RJ), que atualmente está nos Estados Unidos, mas foi condenado por tentativa de golpe de Estado.

Na avaliação de deputados, Ramagem terá mais facilidade de garantir o mandato do que Zambelli. Anteriormente, a Câmara já havia votado para trancar a ação contra Ramagem pela trama golpista, mas teve a decisão revertida pelo Supremo em seguida.

 

Por um voto, TRE-SP barra Marçal por oito anos e reacende debate sobre redes sociais


Defesa afirma que vai recorrer da decisão

Pedro Augusto Figueiredo
Estadão

O Tribunal Regional Eleitoral de São Paulo (TRE-SP) manteve na última quinta-feira, 4, a inelegibilidade de Pablo Marçal (PRTB) por oito anos. Por 4 votos a 3, o tribunal entendeu que ele fez uso indevido dos meios de comunicação ao promover concurso de cortes de vídeos nas redes sociais com falas dele na campanha eleitoral para a Prefeitura de São Paulo no ano passado. Os vencedores recebiam dinheiro e brindes.

O TRE-SP manteve o pagamento da multa de R$ 420 mil por descumprimento de ordem judicial, mas acatou parcialmente recurso da defesa de Marçal e o absolveu das condenações de abuso de poder econômico e captação e gastos ilícitos de recursos. Procurado por meio da assessoria de imprensa, Marçal disse que vai recorrer da decisão ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

CONSENSO – “Um placar de 4 a 3 deixa claro que nem o tribunal chegou a um consenso sobre essa sentença. Em uma decisão por um único voto de diferença fica claro que há mais dúvida do que certeza. No TSE deve prevalecer a lógica jurídica e essa situação será revertida”, declarou ele.

O autor da ação foi o PSB, que teve a deputada federal Tábata Amaral (PSB) como candidata a prefeita. “Ao confirmar a inelegibilidade de Marçal, o TRE/SP resguarda a lisura do processo eleitoral, coibindo práticas que possam desequilibrar a disputa e influenciar de forma imprópria a escolha do eleitor. O resultado reforça que a competição deve ocorrer em condições equânimes, preservando a confiança pública”, disseram Rafael Carneiro e Felipe Corrêa, advogados do partido.

No mês passado, o mesmo TRE-SP reverteu outra condenação que tornava Marçal inelegível. O autointitulado coach havia sido condenado na primeira instância por abuso de poder político e econômico por prometer gravação de vídeos em apoio a candidatos a vereador em troca de doações para sua campanha.


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