quinta-feira, novembro 06, 2025

Do PCC aos EUA


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17:56 (há 1 hora)
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Nós seguimos o dinheiro que financia a violência no Rio de Janeiro — e ele nos levou a um grande empresário do interior de São Paulo e aos EUA.


Eduardo Bazzana, presidente do Clube Americanense de Tiro, foi preso, acusado de fornecer armamentos pesados à maior facção criminosa do Rio.


Durante a operação, a polícia encontrou 200 armas, 40 mil munições e carros de luxo. Mas nosso jornalismo investigativo foi além do que mostram os inquéritos oficiais: descobrimos que a família Bazzana mantém empresa ativa e patrimônio na Flórida, invisíveis aos olhos do Ministério Público.


Um elo internacional que movimentou mais de R$ 1,6 milhão em dois meses — e que ajuda a explicar por que o arsenal do crime nunca seca.


As armas do Comando Vermelho não nascem nos morros. Elas saem de clubes de tiro legalizados, cruzam fronteiras e se escondem atrás de contratos, empresas e lucros exportados para a terra de Donald Trump.


As conexões também são políticas.


Eduardo Bazzana doou para um candidato do PSL (partido pelo qual Jair Bolsonaro foi eleito presidente em 2018), foi recebido por um vereador do PL e usou as redes de sua empresa para promover o aplicativo Reduto, criado para unir militantes pró-armas e atacar o governo Lula.


Essa investigação mostra a real face da chamada “guerra ao crime”: os verdadeiros fornecedores da violência estão protegidos pelo poder. Enquanto não forem expostos, as chacinas seguirão fazendo vítimas nas periferias — e servindo de propaganda política para a extrema direita enxugadora de gelo.


O Intercept está de olho onde o poder público não fiscaliza — seguindo o dinheiro, expondo os responsáveis e fazendo o trabalho que a grande mídia se recusa a fazer.


Para a Globo, a Folha de S.Paulo e afins, é mais interessante amplificar o discurso do governador Cláudio Castro (PL-RJ), que anunciou a chacina que matou 117 pessoas na periferia como um sucesso. Isso não passa de palanque eleitoreiro. A grande mídia sabe disso — e bate palmas.


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Proposta de enquadrar facções na Lei Antiterrorismo divide especialistas

 

Proposta de enquadrar facções na Lei Antiterrorismo divide especialistas

Por Redação

06/11/2025 às 09:28

Foto: Fernando Frazão/Arquivo/Agência Brasil

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Mulher chora sobre corpos no Rio

A proposta em discussão no Congresso Nacional de enquadrar facções criminosas na Lei Antiterrorismo tem gerado forte debate entre especialistas e autoridades. O projeto, impulsionado após a megaoperação policial que resultou em 121 mortes nos complexos do Alemão e da Penha, prevê incluir na definição de terrorismo os grupos que exercem domínio territorial, como o Comando Vermelho e o PCC. Para estudiosos, essa mudança pode provocar um “efeito dominó”, com riscos de afastar investimentos, prejudicar empresas e até punir pessoas que vivem sob coerção das facções.

Empresas multinacionais e instituições financeiras tendem a adotar restrições mais severas em regiões classificadas como de presença terrorista. Caso a proposta seja aprovada, cidades como Rio e São Paulo poderiam sofrer impacto econômico, já que a classificação afetaria desde apólices de seguros até a atração de capital estrangeiro. Além disso, o pagamento de “taxas de proteção” a criminosos poderia ser enquadrado como financiamento ao terrorismo, expondo cidadãos e empresários a sanções internacionais, como já ocorreu com companhias estrangeiras em zonas de conflito. 

Especialistas também alertam para o risco político e diplomático da medida. A equiparação pode abrir brechas para intervenções de países estrangeiros e reforçar a imagem do Brasil como um território sob domínio de grupos terroristas. Governadores como Tarcísio de Freitas (SP) e Cláudio Castro (RJ) apoiam a mudança, argumentando que as facções atuam pelo terror, enquanto o governo federal teme os efeitos colaterais da proposta. A principal divergência, apontam analistas, é que o terrorismo tem motivação política e ideológica — diferente da lógica financeira que move o crime organizado no país.

Politica Livre

Reforma do Imposto de Renda dará isenção maior para o 13º; entenda o cálculo


Por Gabriela Cecchin/Folhapress

06/11/2025 às 08:09

Foto: Marcelo Camargo/ArquivoAgência Brasil

Imagem de Reforma do Imposto de Renda dará isenção maior para o 13º; entenda o cálculo

A primeira faixa da tabela do IR foi reajustada em 7,51% no dia 1º de maio

A proposta de reforma do IR (Imposto de Renda) aprovada pelo Congresso vai aumentar o valor final do 13º salário de quem ganha até R$ 7.350. O projeto amplia a faixa de isenção mensal para R$ 5.000. Hoje, essa faixa é de até R$ 2.428,80 mensais, mas a Receita Federal aplica automaticamente um desconto simplificado de R$ 607,20 que zera o IR de quem ganha até dois salários mínimos (R$ 3.036 em 2025).

Como o 13º salário tem tributação exclusiva na fonte (não é somado a outros ganhos do trabalhador), o impacto aparece de forma direta no valor líquido pago em dezembro. Mas esse impacto só será sentido pelo trabalhador no 13º do ano que vem, já que a reforma do IR estabelece que as mudanças valerão apenas a partir de 1º de janeiro de 2026.

Como é feito o cálculo do IR sobre o 13º?
O 13º salário é tributado separadamente do rendimento mensal. Isso quer dizer que o desconto do IR é feito apenas sobre o valor do 13º, sem somar com os salários recebidos no mês ou no ano.

"No salário regular, desconta plano de saúde, plano odontológico, vale transporte e vale alimentação, que não tem no 13º. Então geralmente, no salário do mês, você recebe um valor menor, porque tem todos esses descontos", diz Welinton Mota, diretor tributário da Confirp.

O benefício anual é dividido em duas parcelas, uma paga de fevereiro a novembro e a outra até dia 20 de dezembro, segundo o MTE (Ministério do Trabalho e Emprego).

"Na primeira parcela do 13º não há desconto de imposto, pois ela representa apenas um adiantamento. A segunda parte desconta o IR, as contribuições ao INSS e eventuais deduções legais, como pensão alimentícia e dependentes", explica Márcia Ribeiro, advogada especialista em direito trabalhista e previdenciário.

O que vai mudar no 13º com a reforma?
Com o aumento da isenção, não haverá mais retenção do IR sobre o 13º de quem ganha até R$ 5.000, e haverá desconto parcial para rendas intermediárias, de até R$ 7.350. Acima desse valor, o desconto permanece igual ao atual.

Na prática, isso significa que trabalhadores com salário de R$ 3.036,01 até R$ 5.000 deixarão de ter qualquer retenção sobre o 13º.

Muitas famílias contam com o 13º para pagar despesas de início de ano —como matrícula e material escolar, IPTU (Imposto sobre a Propriedade Predial e Territorial Urbana) e IPVA (Imposto sobre a Propriedade de Veículos Automotores).

"Ter o 13º sem desconto de imposto permite que o trabalhador use o valor integral para organizar o orçamento e começar o ano com menos aperto", afirma Andressa Gomes, especialista em gestão tributária da Fipecafi (Fundação Instituto de Pesquisas Contábeis, Atuariais e Financeiras).
Entenda a proposta de reforma do Imposto de Renda

O texto aprovado pela Câmara dos Deputados no dia 1º de outubro e no Senado nesta quarta-feira (5) zera o imposto na fonte para todos os trabalhadores que ganham até R$ 5.000, e estabelece que, para rendas de R$ 5.000,01 a R$ 7.350, será aplicada uma fórmula para amenizar o desconto, aos poucos: quanto maior a renda, menor será a vantagem trazida pela reforma. Quem ganha mais do que R$ 7.350 não terá redução de imposto.

O IR é calculado sobre a base tributável do trabalhador, ou seja, o salário bruto menos o desconto da contribuição previdenciária ou o desconto simplificado padrão, o que for mais vantajoso.

A especialista Andressa Gomes ressalta que a isenção é restrita ao salário mensal fixo, e não vale para rendas adicionais. "Se o trabalhador tiver outras fontes de renda, como um segundo emprego ou serviços prestados como autônomo, o valor total será somado e tributado normalmente", explica.

Para Andressa, a proposta representa uma correção histórica de distorções na cobrança do imposto sobre a renda. "Essa discussão é muito antiga. A faixa de isenção do Imposto de Renda ficou congelada por anos, e o que tivemos recentemente foi apenas uma correção, não uma isenção de verdade. Agora, sim, estamos falando de uma medida que pode corrigir parte da regressividade tributária", afirma.

Ela diz que a regressividade —quando os mais pobres pagam proporcionalmente mais impostos que os mais ricos— sempre foi uma das principais críticas ao modelo brasileiro. Segundo a professora, a nova faixa de isenção "é muito bem-vinda" porque alivia o peso tributário sobre quem tem renda mais comprometida com o consumo.

"Hoje, uma pessoa que ganha R$ 5.000 tem cerca de 70% a 80% da renda absorvida por despesas básicas. A isenção dá um fôlego e aumenta a capacidade de consumo, especialmente das famílias de média e baixa renda", diz.

Para compensar a perda com a arrecadação, a reforma do IR cria um imposto mínimo de 10% sobre a alta renda. O alvo são 141,4 mil contribuintes pessoas físicas que recolhem, em média, uma alíquota efetiva de 2,5% sobre seus rendimentos totais, incluindo distribuição de lucros e dividendos.

O imposto mínimo será cobrado progressivamente de quem ganha a partir de R$ 50 mil mensais (cerca de R$ 600 mil anuais), sempre que o contribuinte estiver pagando menos do que o piso estabelecido. O mínimo de 10% vale para rendas a partir de R$ 1,2 milhão ao ano, e a cobrança será feita pela diferença: se o contribuinte já recolheu 2,5%, o imposto devido será equivalente aos outros 7,5%.

Como a nova lei terá efeitos a partir de 1º de janeiro de 2026, mesmo após a aprovação final no Congresso a tabela do Imposto de Renda de 2025 não mudará e os descontos aplicados na fonte sobre aposentadorias e salários seguirão os mesmos até dezembro deste ano.

A primeira faixa da tabela do IR foi reajustada em 7,51% no dia 1º de maio. O limite de isenção anterior, que foi válido até o final de abril, era de R$ 2.259,20.

Além do limite de isenção, de R$ 2.428,80, há ainda o desconto simplificado mensal de R$ 607,20 para isentar quem ganha até dois mínimos.

Declaração de Lula sobre “matança” expõe fragilidade no debate da segurança

Publicado em 5 de novembro de 2025 por Tribuna da Internet

Aliados temem desgastes e veem munição para direita

Andréia Sadi
G1

A fala do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) chamando a megaoperação no RJ de “matança'” pegou muitos aliados do governo de surpresa. Na última terça (4), o presidente, que está em Belém para participar de uma série de compromissos oficiais que antecedem a COP30 – que começa no próximo dia 11 de novembro – falou novamente sobre o caso que aconteceu no último dia 28, dessa vez durante uma entrevista à agências internacionais de notícias.

“Vamos ver se a gente consegue fazer essa investigação. Porque a decisão do juiz era uma ordem de prisão, não tinha uma ordem de matança, e houve matança”, disse o chefe do Executivo.

ACENO – Aliados de Lula disseram que entendem o movimento como um aceno ao campo progressista, que estava cobrando do presidente um posicionamento sobre a ação que terminou com 121 mortos. Ao mesmo tempo, eles classificam tal atitude como frágil, pois não há planejamento e tampouco debate contínuo sobre o problema.

Ao mesmo tempo, esses aliados de Lula também viram a declaração como um movimento arriscado, porque segurança pública é um tema onde tradicionalmente a esquerda patina mais do que a direita e diferente de outros assuntos polêmicos, a questão da segurança pública é algo que não vai embora.

CONSENSO – Há uma compreensão que já é vista como consenso, tanto na direita quanto na esquerda, de que esse é um tema que vai pautar as eleições de 2026. Por isso a atual preocupação de setores da esquerda de que o governo não fuja do debate, que encare ele de frente e traga novas soluções para esse problema.

Aliados do presidente têm reclamado que o governo não faz um planejamento para debater o tema da segurança pública e não enfrenta a questão. Trata dele somente na base do improviso e colhe desgastes sempre que o tema está em foco. Uma das queixas da ala do PT, por exemplo, é a ausência de um ministério da segurança pública.

PLANEJAMENTO – Ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) também avaliam que precisa haver um planejamento não somente para invadir áreas ocupadas por facções, mas para ocupar esses espaços e que o governo não faz esse planejamento.

Enquanto isso, os governistas veem a direita atenta, aproveitando o que eles entendem como um erro de Lula e aproveitando a oportunidade para ter munição para explorar do ponto de vista eleitoral.

Derrite deixa Segurança em SP para relatar projeto que equipara facções ao terrorismo

Publicado em 5 de novembro de 2025 por Tribuna da Internet

Derrite quer barrar uso de armas de guerra por parte de criminosos

Sérgio Quintella
Samuel Lima
O Globo

O secretário da Segurança Pública de São Paulo, Guilherme Derrite, deve se licenciar nesta quarta-feira (5) de seu cargo no governo estadual para reassumir o mandato de deputado federal em Brasília. O prazo de afastamento é de quinze dias. Em seu lugar na pasta ficará o secretário-adjunto, Osvaldo Nico Gonçalves.

De volta à Câmara, Derrite deve ser o relator do Projeto de Lei (PL) que equipara facções criminosas a grupos terroristas. Ele justifica a medida como forma de inibir práticas adotadas por esses grupos, como uso de armamento de guerra e de veículos blindados para assaltos e controle de áreas, além da execução de barreiras humanas.

DOMÍNIO E EXPLORAÇÃO – “O que está acontecendo em alguns locais do país, como no Rio de Janeiro, onde há um domínio de território e exploração de outras atividades que não deveriam ser exploradas pelo crime, como distribuição de energia, internet, água, gás e mototáxi, é uma questão que extrapola a segurança pública e que já entra na questão da soberania”, afirmou Derrite na segunda-feira durante um evento em Itu (SP).

No mesmo local, o agora deputado federal disse desconhecer o teor do projeto antimáfia, de autoria do governo Lula, cujos principais pontos envolvem a definição de facção criminosa como uma organização criminosa qualificada na legislação penal.

APOIO –  Outro ponto é o estabelecimento de penas maiores para crimes cometidos nessas circunstâncias, como homicídio, que passa a ser tratado como hediondo. O secretário paulista adiantou, porém, que “qualquer iniciativa que venha a encarecer o custo do crime vai ter o nosso apoio”.

Também na segunda-feira, Tarcísio abordou o tema, ao ser perguntado sobre as ações em tramitação no Congresso. “A gente tem o PL do Danilo Fortes (União-CE) que deve ser relatado pelo Derrite. Isso foi combinado com o próprio presidente da Câmara. A ideia é que a gente possa pensar em um projeto e a partir dali fazer um melhor texto, um texto que nos dê a segurança para o que a gente quer”, disse Tarcísio, em evento em Guarulhos.

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