sábado, outubro 11, 2025

PF pede para Zanin aprofundar investigação sobre filha de ministro do STJ e assessores

 Foto: Gustavo Lima/STJ/Arquivo

10 de outubro de 2025 | 18:40

PF pede para Zanin aprofundar investigação sobre filha de ministro do STJ e assessores

brasil

A Polícia Federal solicitou ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Cristiano Zanin autorização para aprofundar a investigação sobre vendas de decisões judiciais no Superior Tribunal de Justiça (STJ). A PF quer apurar o envolvimento de novos personagens e também a atuação da filha de um ministro da Corte. Zanin é relator do caso no inquérito que trata do assunto e tramita no Supremo.

No relatório parcial, a PF afirmou que o núcleo central do esquema criminoso de compra de decisões judiciais é ocupado pela empresa Fource e seus sócios, Haroldo Augusto Filho e Valdoir Slapak. A PF apontou que Haroldo tinha “influência direta” em gabinetes do STJ e citou como exemplo o relacionamento pessoal do empresário com a advogada Catarina Buzzi, filha do ministro do STJ Marco Buzzi.

Em nota, a defesa de Catarina Buzzi classificou de “descabida e maliciosa” a vinculação do seu nome à investigação sobre venda de decisões.

“Catarina Buzzi nunca atuou em qualquer processo da Fource, dos proprietários da empresa ou de Andreson de Oliveira. A advogada apenas alugou três salas da Fource em um prédio na área central de Brasília. Alugar imóvel não constitui crime. A advogada não se responsabiliza por eventual citação do nome dela em conversas de terceiros, ainda mais em conversas sem qualquer relevância jurídica. É importante deixar claro também que Catarina Buzzi não é alvo de investigação oficiada pelo Supremo Tribunal Federal. A investigação, até onde se sabe, diz respeito a casos específicos, que não tiveram qualquer relação com a atuação da advogada”. diz a nota. O gabinete do ministro Buzzi já afirmou anteriormente que não tem conhecimento das relações de sua filha e que não proferiu decisões favoráveis aos interesses do empresário.

A Fource foi procurada na noite de quinta-feira, 9, mas não respondeu. A defesa de Haroldo não se manifestou.

Segundo a PF, além de manter relação com esses gabinetes, Haroldo também contratava para os serviços ilícitos o lobista Andreson de Oliveira Gonçalves e o advogado Roberto Zampieri, que foi assassinado em dezembro de 2023.

O jornal O Estado de São Paulo antecipou, em julho, que a PF apurava vínculos do empresário com familiares de ministros do STJ e que Haroldo tentou organizar um jantar para o ministro Marco Buzzi. O escritório de advocacia de Catarina funcionava em um imóvel pertencente à Fource –ela disse pagar aluguel pelas salas.

“O trânsito direto da Fource, por meio de Haroldo, lhe proporcionava espaço privilegiado para patrocinar eventos jurídicos de grande repercussão, nos quais buscava, notadamente, aproximar-se de autoridades. Inclusive, essa inserção alcançava também relações pessoais, como se observa na interlocução de Haroldo com a filha do ministro Marco Buzzi, a advogada Catarina Buzzi, que, em seguida, chegou a estabelecer contato com Roberto Zampieri”, diz o relatório.

De acordo com o inquérito, essa deve ser uma das novas frentes de apuração do caso.

“Tais elementos, contudo, por envolverem outras unidades jurisdicionais, serão tratados em procedimento próprio, de modo a evitar a dispersão do objeto e garantir a efetividade das investigações. Em síntese, os elementos reunidos indicam que o grupo Fource Consultoria/Participações, sob o comando de Haroldo e Valdoir, estruturou-se como pilar de impulsionamento do esquema criminoso em apuração”, diz o relatório.

De acordo com a PF, os sócios da Fource identificavam processos de interesse econômico da empresa e acionavam os dois contatos: Zampieri e Andreson. “Ao advogado Zampieri competia a função de intermediador, responsável por organizar as demandas, ajustar encaminhamentos e articular contatos externos. Já ao lobista Andreson cabia a atuação em Brasília, com especial foco no Superior Tribunal de Justiça, valendo-se de seu acesso privilegiado a servidores e gabinetes para manejar prazos, minutas e pautas processuais”, apontou a investigação.

PF encontrou novos diálogos

O inquérito da Polícia Federal obteve acesso à extração de dados da nuvem do celular do lobista Andreson de Oliveira Gonçalves. Com base nessas provas, a PF aprofundou as suspeitas envolvendo a compra de decisões judiciais por parte dele.

A PF diz que o lobista montou uma “sofisticada rede de intermediários, operadores e servidores estratégicos” para a comercialização de decisões judiciais do STJ e outros tribunais. Para isso, buscava acesso a servidores públicos ou a intermediários com trânsito nos gabinetes.

“As apurações revelaram a existência de um mercado paralelo de influência, no qual contratos milionários de advocacia ou de consultoria eram firmados com o propósito de assegurar decisões previamente combinadas, em substituição à efetiva atuação técnico-jurídica nos autos”, diz o relatório.

As provas mais robustas obtidas pela investigação envolvem a cooptação, por parte do lobista, dos servidores do STJ Márcio Toledo Pinto, que foi demitido no mês passado por causa das suspeitas do seu envolvimento no esquema.

A PF detectou que um contador ligado ao lobista abriu uma empresa em nome da esposa do servidor do STJ. Essa empresa recebeu transferências de R$ 4 milhões de Andreson, no período em que Márcio repassava ao lobista minutas de decisões do gabinete da ministra Isabel Gallotti. Na nuvem do celular de Andreson, a PF encontrou diálogos entre os dois. Nas conversas, o lobista enviava a Márcio os comprovantes de depósitos para a empresa da sua esposa. As defesas deles não se manifestaram.

O relatório apontou ainda citações nos diálogos aos nomes de outros possíveis servidores do STJ e modificação de minutas por eles. Por causa disso, a PF apontou que a rede de venda de decisões do tribunal pode ser ainda maior e seria necessário prosseguir o aprofundamento dessas informações.

“Nesse contexto, os dados extraídos da nuvem de Andreson, além de confirmarem sua condição de articulador das manipulações judiciais, revelaram novos elementos de relevância probatória. Entre eles, destacam-se os contatos mantidos com servidores, chefes de gabinete e Magistrados, as tratativas financeiras e a concessão de empréstimos de aeronaves para uso particular de autoridades, bem como indícios de influência em indicações de Magistrados para cargos públicos”, afirmou o relatório.

Conclui a Polícia Federal: “Registra-se, por fim, que o presente Relatório Parcial não encerra a investigação, mas estabelece uma base indiciária para o avanço das diligências e para a atribuição individualizada de potenciais responsabilidades penais. Sendo assim, encaminham-se os autos a Vossa Excelência para ciência e deliberação quanto às medidas que entender cabíveis”.

Leia tambémPF diz que vai investigar relação do grupo J&F, dono da JBS, com lobista que vendeu decisões do STJ

Aguirre Talento/Estadão

Cúpula do Judiciário vê Messias à frente em disputa por vaga no STF devido a proximidade com Lula

 Foto: Antônio Cruz / Agência Brasil

Chefe da AGU (Advocacia-Geral da União), Jorge Messias11 de outubro de 2025 | 07:16

Cúpula do Judiciário vê Messias à frente em disputa por vaga no STF devido a proximidade com Lula

brasil

Ministros do STF (Supremo Tribunal Federal) avaliam que o chefe da AGU (Advocacia-Geral da União), Jorge Messias, largou à frente na disputa pela indicação do presidente Lula (PT) para a vaga do tribunal aberta com a aposentadoria de Luís Roberto Barroso.

A avaliação se dá pela proximidade de Messias com o presidente. Nas duas escolhas anteriores de Lula para o Supremo no atual mandato, os ministros Cristiano Zanin e Flávio Dino, o petista priorizou a intimidade e a lealdade para a indicação —o primeiro foi seu advogado, e o segundo, seu ministro da Justiça.

A dúvida no Judiciário reside nos critérios que Lula vai usar para a sua terceira indicação para o Supremo desde sua volta à Presidência da República.

No cenário em que ele opta por um nome de sua confiança para o Supremo, Messias é tido como favorito. Segundo relato de um ministro do STF à Folha de S.Paulo, Lula deu indícios de que o chefe da AGU seria o próximo na fila do STF após Dino tomar posse na corte.

Caso o presidente decida atender às preferências do mundo político, o senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG) passa a ser o principal candidato para a vaga. Seu apoio é majoritário no Senado, e os ministros do STF Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes apoiam a indicação do congressista.

O projeto político de Lula para Pacheco era a candidatura do senador para o governo de Minas Gerais em 2026. O parlamentar, porém, não esconde o desejo de ser ministro do Supremo.

Pacheco construiu nos últimos anos relação de proximidade com boa parte dos integrantes do STF. Ele passou a frequentar a casa de ministros quando se tornou presidente do Senado, barrou pedidos de impeachment de ministros da corte e, mesmo tendo deixado o cargo, permanece com bom trânsito no Judiciário.

Em 24 de setembro, quando Barroso realizou jantar em sua casa para marcar o fim de sua presidência no tribunal, Pacheco foi o único parlamentar presente além dos presidentes da Câmara e do Senado.

Outro movimento de Pacheco lido como um aceno ao Judiciário foi sua liderança na atualização do Código Civil. Uma comissão de juristas se reuniu nos últimos dois anos para apresentar uma minuta de proposta, e o texto agora é analisado por uma comissão temporária do Senado presidida pelo senador mineiro.

Bruno Dantas, ministro do TCU (Tribunal de Contas da União), também tem o nome citado entre os cotados para a vaga de Barroso. Ele tem bom trânsito no Senado e no STF e concorreu à bênção de Lula quando Dino saiu escolhido. Ele não está, no entanto, entre os favoritos.

Há ainda uma pressão para que Lula escolha uma mulher para o cargo. Barroso é um dos defensores da nomeação dessa ideia, com o argumento de que as mulheres perderam espaço no Supremo desde a aposentadoria de Rosa Weber. Atualmente, Cármen Lúcia é a única ministra da corte.

As chances de indicação de uma ministra pelo critério de representatividade gênero, porém, são baixas. Aliados de Lula afirmam que ele já escolheu mulheres para cargos no STJ (Superior Tribunal de Justiça) e STM (Superior Tribunal Militar) nos últimos meses.

A Folha de S.Paulo consultou cinco ministros do STF e do STJ (Superior Tribunal de Justiça) sobre a disputa para a vaga de Barroso. Apesar de a preferência de parte dos magistrados ser por Pacheco, Messias é tido como nome mais provável.

A avaliação é que Lula não deve demorar para indicar o novo ministro, para evitar que a indefinição se converta em pressões de grupos interessados na nomeação. A definição só deve ocorrer após a volta do presidente da Itália, na próxima semana, e uma conversa com Barroso.

Messias é visto por integrantes do Supremo como um ministro com pouca experiência acadêmica e sem destaque nos meios jurídicos. Tem, porém, bom trânsito no Judiciário, além da confiança de Lula e apoio do PT e de advogados próximos do petismo.

Ele concluiu seu doutorado em direito pela UnB (Universidade de Brasília), em 2024, com pesquisa sobre a AGU e as estratégias de desenvolvimento do Brasil na sociedade de risco global.

No mestrado, também pela UnB, estudou compras governamentais como política de incentivo à inovação.

Tanto ele como Pacheco têm buscado discrição no momento em que é definido o nome que vai ocupar a vaga de Barroso no STF. Nenhum dos dois se manifestou publicamente sobre a aposentadoria do ministro. As felicitações ao magistrado foram feitas de forma reservada.

Cézar Feitoza e Ana Pompeu / FolhapressPolitica Livre

Bolsonaristas preferem ministro do TCU, ‘engolem’ Pacheco e temem Messias para STF

 Foto: Wilson Dias / Agência Brasil

Ministro do TCU (Tribunal de Constas da União) Bruno Dantas11 de outubro de 2025 | 07:35

Bolsonaristas preferem ministro do TCU, ‘engolem’ Pacheco e temem Messias para STF

brasil

Parlamentares bolsonaristas dizem preferir o ministro do TCU (Tribunal de Constas da União) Bruno Dantas entre os cotados para assumir a vaga de Luís Roberto Barroso no STF (Supremo Tribunal Federal), aberta com o anúncio da antecipação da aposentadoria do ministro.

Reservadamente, eles afirmam que Dantas tem melhor diálogo com a oposição, ainda que mantenha interlocução boa com o governo. Lembram ainda que ele teve boa relação com Jair Bolsonaro (PL) durante seu governo e tem trânsito com o empresariado.

Apesar disso, consideram que o ministro do TCU tem menos chances de ser indicado, ainda que tenha como padrinho político Renan Calheiros (MDB-AL), do que o ministro da AGU (Advocacia-Geral da União), Jorge Messias, e o senador e ex-presidente da Casa, Rodrigo Pacheco (PSD-MG), também cotados para a vaga de Barroso.

A indicação cabe ao presidente Lula (PT), que enviará o nome do seu escolhido para análise e sabatina dos senadores.

Bolsonaristas consideram a indicação de Messias o pior dos cenários. Ele o veem como alguém essencialmente alinhado ao governo petista e mais ideológico e desconsideram o fato de ele ser evangélico —algo outrora considerado um diferencial relevante, como quando defenderam André Mendonça para a corte.

Já Pacheco, com quem Bolsonaro teve embates durante sua gestão, é visto como palatável ou o menos pior por apoiadores do ex-presidente no Congresso. Apesar de ser próximo a Lula, Pacheco é parlamentar, tem trânsito entre os colegas e não é flagrantemente de esquerda ou ideológico, dizem.

O senador conta com o importante apoio do seu sucessor, Davi Alcolumbre (União-AP), que, como a Folha de S.Paulo mostrou, afirmou a colegas que vai trabalhar para que Pacheco tenha o maior número de votos da história, caso seja indicado para o Supremo.

Ainda assim, o ex-presidente do Senado segue com ampla rejeição no bolsonarismo e deve encontrar resistência entre os representantes mais radicais desse setor na Casa.

Eles dizem que Alcolumbre não está com crédito para pedir votos entre eles, por não ter pautado o projeto de lei que concede anistia aos presos e condenados nos ataques golpistas de 8 de janeiro.

Os senadores de oposição mais moderados consideram que a escolha de Lula se dará, principalmente, entre Pacheco e Messias e que a primeira opção tem maior viabilidade entre os colegas da Casa.

Caso Lula opte por indicar o senador, poderá contratar mais um problema para a eleição ao Governo de Minas Gerais, segundo maior colégio eleitoral do país, onde sobram nomes de direita para disputar o cargo.

O parlamentar nunca escondeu o desejo de ser ministro da corte, mas é o favorito de Lula para disputar o Palácio Tiradentes.

Segundo interlocutores, Pacheco ainda não decidiu se vai se candidatar, mas sabe que não há plano B para a frente ampla de Lula em Minas e que o presidente precisa de palanque no estado para a disputa à reeleição. Recentemente, afirmou que fará o que o petista quiser.

Tanto o nome do ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira (PSD), como o da prefeita Marília Campos (PT), de Contagem (maior cidade administrada pelo PT no país), são considerados inviáveis contra os bolsonaristas Cleitinho (Republicanos) e Mateus Simões (Novo), vice do governador Romeu Zema (Novo).

“Eu tenho certeza que vamos ganhar o estado de Minas Gerais com o Pacheco, ele sabe disso. É só ele se dispor a ser candidato. Se ele for candidato, será o futuro governador de Minas Gerais. Espero que, dentro de poucos dias, a gente tenha essa definição”, declarou Lula à rádio Itatiaia em agosto.

Bolsonaristas veem a questão eleitoral como indiferente, uma vez que não consideram Pacheco um candidato competitivo diante dos demais. Segundo essa avaliação, ele teria capacidade apenas de emprestar palanque ao presidente no estado.

Barroso anunciou sua aposentadoria do tribunal na quinta-feira (9), no final da sessão de julgamentos. Ele deixou o Supremo após 12 anos e 3 meses vestindo a toga. Sua aposentadoria por idade só chegaria em 2033, mas ele decidiu antecipar a saída após concluir o período na presidência do tribunal.

Bolsonaristas consideravam o ministro era considerado um dos mais à esquerda no tribunal. Quando ele anunciou sua saída, eles foram às redes sociais comemorá-la.

“Tchau, mané”, escreveu o deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) nas redes sociais, em referência ao “perdeu, mané, não amola”, que o ministro do STF disse a um apoiador de Bolsonaro que o abordou, em novembro de 2022.

Nas redes, o líder do PL na Câmara, Sóstenes Cavalcente (RJ), ironizou baixa probabilidade de uma mulher ser indicada à vaga de Barroso.

“Vamos aguardar mais uma nomeação do atual descondenado presidente da República ao STF; ele vai indicar uma MULHER? Ou o presidente é misógino? Quando teremos outra mulher no STF? Quando teremos outro evangélico que não seja de esquerda no STF?”

Marianna Holanda / FolhapressPolitica Livre

Aliados veem em Eduardo Bolsonaro o pivô da crise na direita

Publicado em 10 de outubro de 2025 por Tribuna da Internet

Charge do Baggi (Instagram)

Bela Megale
O Globo

A pesquisa Quaest divulgada na úktima quarta-feira foi um banho de água fria para os aliados de Jair Bolsonaro. O levantamento mostra que a aprovação ao governo Lula chegou à casa dos 48%, enquanto a desaprovação está no patamar de 49%. Ambas estão tecnicamente empatadas na margem de erro. Com isso, o presidente voltou ao patamar de popularidade que não tinha desde janeiro.

Parlamentares alinhados a Jair Bolsonaro apontam dois fatores principais para a queda de 16 pontos na diferença entre aprovação e reprovação de Lula em cinco meses: Eduardo Bolsonaro e a divisão da direita.

PREJUÍZO – A leitura de lideranças de partidos como PL e PP, aliados de Bolsonaro, é que a atuação de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos — em busca de sanções contra o Brasil para pressionar pela anistia do pai — só tem prejudicado a direita. A avaliação é que a população vê o deputado federal “trabalhando contra o próprio país”, o que acaba beneficiando Lula.

Eduardo é acusado por congressistas de atuar em um projeto pessoal que “destrói a centro-direita” e embaralha o cenário político. O próprio deputado federal já declarou publicamente que não apoiará um nome de direita alinhado ao que chama de “sistema” e afirma ver o pai como refém do próprio partido, o PL, e de lideranças de centro.

CANDIDATURA – Eduardo já disse que se lançará candidato à Presidência em 2026 mesmo que nomes como os governadores Tarcísio de Freitas (São Paulo), Ratinho Júnior (Paraná) e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro decidam concorrer ao Palácio do Planalto contra Lula.

Além disso, deputados e senadores aliados de Bolsonaro avaliam que a divisão da centro-direita, com embates públicos entre integrantes do grupo, fragiliza o campo eleitoral. Eles citam, por exemplo, as divergências entre o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, e o presidente do PP, Ciro Nogueira, nos últimos dias. Também destacam as críticas de Eduardo Bolsonaro a Tarcísio e ao presidente do PL, Valdemar Costa Neto.


A conta invisível da política: bilhões em campanhas, nenhuma transparência

Publicado em 10 de outubro de 2025 por Tribuna da Internet

Charge do Zé Dassilva (Arquivo do Google)

Dora Kramer
Folha

Um fundo eleitoral de R$ 5 bilhões somado ao quase R$ 1 bilhão da verba reservada aos partidos, acrescido dos recursos das emendas, faz do avanço do Congresso sobre o Orçamento da União um saco sem fundo.

Pela terceira eleição consecutiva, se não houver alguma espécie de freio, a de 2026 receberá valores quatro vezes maiores ao que o Executivo propõe como patamar razoável para o financiamento de campanhas.

JUSTIFICATIVA – O argumento cínico é o de que a democracia custa caro. Isso sem que os congressistas apresentem contas precisas sobre os gastos. A nação não sabe exatamente para onde vai o dinheiro, qual a real necessidade do montante pretendido e de que maneira se dá a distribuição.

Há critérios, em tese, mas na prática prevalece o poder discricionário das direções partidárias, cujas decisões não passam por escrutínio rigoroso da Justiça Eleitoral. Eventuais irregularidades, quando, e se, interditadas, são perdoadas por constantes anistias concedidas no Parlamento pelos interessados.

O poder dado às cúpulas conversa diretamente com a tentativa, na PEC da Blindagem, de conferir foro privilegiado aos presidentes de partidos ao mesmo tempo em que os deixaria fora do alcance da Justiça, devido à exigência de aval do Congresso para abertura de ações no Supremo Tribunal Federal.

REJEIÇÃO POPULAR – A indecência morreu na força da rejeição popular. Única potência capaz de se contrapor à completa falta de cerimônia dos congressistas com o dinheiro daqueles dos quais se dizem representantes.

O caso pede reação à altura. Talvez não para acabar com o financiamento público, ou propor a volta das doações empresariais sob regras e fiscalização rigorosas, mas, ao menos, para exigir justificativas e prestação de contas transparentes e detalhadas.

Se é isso o que se reclama do uso das emendas —que, aliás, funcionam como financiamento público paralelo, pois irrigam as bases de seus autores mesmo fora dos períodos eleitorais— lícito impor também regras de decoro à dinheirama destinada às campanhas.

###
NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Se há alguma coisa que não funciona é a fiscalização das contas dos partidos políticos. Já tive a oportunidade de manusear esse tipo de contas e constatei a impunidade dos dirigentes dos partidos. É raríssimo haver punição e suspensão das cotas, um verdadeiro escândalo. Mas quem se interessa? (C.N.)

Barroso admite protagonismo excessivo do STF, mas defende papel da Corte na democracia


Em destaque

Piso do magistério público tem reajuste de 5,4%, chega a R$ 5.130 em 2026 e pode ter “ganho real” com novo cálculo

  Piso do magistério público tem reajuste de 5,4%, chega a R$ 5.130 em 2026 e pode ter “ganho real” com novo cálculo quarta-feira, 21/01/202...

Mais visitadas