segunda-feira, agosto 04, 2025

Advogado dá um exemplo prático de como age a Lei Magnitsky atinge o punido

Publicado em 4 de agosto de 2025 por Tribuna da Internet

Alexandre de Moraes e a Lei Magnitsky: dificuldades para reverter sanções

Moraes aguarda os efeitos da Lei Magnitsky, na prática

Letícia Casado
do UOL

Em 2023, um antigo cliente paraguaio do advogado criminalista Edward Carvalho foi punido pelos Estados Unidos com a Lei Magnitsky e ficou sem acesso a contas bancárias e sem poder sair do país. A sanção é a mesma que o deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) articulou nos EUA contra o ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal), e cuja movimentação foi revelada pela coluna em março.

A situação de Moraes é diferente da do paraguaio. O dólar é moeda corrente no Paraguai, o que já afetava os contratos das empresas do cliente de Carvalho. O advogado diz entender que as contas de Moraes podem não ser afetadas por apenas serem transacionadas em real.

TESOURO DECIDE – O problema, segundo o advogado, é que a extensão da Magnitsky fica à mercê das avaliações políticas do Departamento do Tesouro dos EUA.

“Eles podem ir para cima do banco via Estados Unidos sob a justificativa de que operam em dólar. Mas é especulação. Também podem entender que é suficiente manter a conta e não transacionar em dólar.”

É justamente este alcance da decisão que está gerando confusão no Brasil. Bancos, governo federal e integrantes do STF estão desde anteontem debruçados sobre as questões jurídicas envolvendo a Magnitsky para entender quais os limites dessa sanção e como é possível blindar o ministro.

MORTE FINANCEIRA – Apelidada de “morte financeira”, a lei Magnitsky visa proibir qualquer relacionamento bancário com a pessoa que for alvo, sob pena de multa. O objetivo é vetar qualquer movimentação econômica de quem é apontado como grande criminoso. Ou seja, não se trata de um simples congelamento de contas nos EUA.

Carvalho relata os problemas financeiros e empresariais na vida de seu antigo cliente após a sanção, sob a condição de que o nome dele não fosse publicado.

O sancionado é uma pessoa com peso político e econômico no país em que vive e foi apontado como corrupto pelos EUA. A coluna checou as informações no site do Departamento do Tesouro americano.

CONTAS E CARTÕES – “Todos os bancos cancelaram todas as contas bancárias dele, o que o retirou do sistema financeiro. Todos os cartões de crédito, como consequência, foram cancelados”, afirma Carvalho.

“Se o banco mantiver relação com alguém que mantenha relação com alguém na lista, pode entrar na sanção.”

Em maio, o secretário de Estado dos EUA, Marco Rubio, disse que o governo estava considerando aplicar a Magnitsky contra Moraes por entender que o ministro viola direitos humanos ao promover censura no Brasil. Em julho, Rubio anunciou a revogação de vistos de ministros do STF —resultado da ofensiva de Eduardo e planejada desde o início do ano— e afirmou que novas sanções estavam por vir.

TAMBÉM EMPRESAS – Os problemas do antigo cliente de Carvalho se estenderam para as empresas em que ele era sócio. Ele precisou deixar as companhias. A medida ainda alcançou alguns familiares.

“Todas as empresas em que ele tinha participação tiveram que passar por reestruturação societária, inclusive abrangendo parentes dele”, afirma. Seus jatinhos tampouco podiam sair do país “sob pena de serem bloqueados”.

Carvalho conta que os documentos justificando a teoria sobre seu antigo cliente ser um grande corrupto nunca foram divulgados.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Moraes recusa-se a aceitar defesa da AGU. Acha que nada pode lhe acontecer. Quando acordar, já pode ser tarde demais. (C.N.)

Do processo à saia-justa diplomática, Carla Zambelli agita o verão romano


Entenda a situação de Carla Zambelli após prisão na Itália - Tribuna do  Norte

Extradição é complicada e deverá demorar a ser aceita

Wálter Maierovitch
Colunista do UOL

Detida em Roma, a parlamentar Carla Zambelli (PL-SP)tenta utilizar sua dupla cidadania para evitar a extradição ao Brasil. No entanto, para a sociedade italiana, sua condição de cidadã italiana não basta para blindá-la da Justiça.

Na Cidade Eterna, Zambelli é cada vez mais associada a outro personagem da política brasileira: Eduardo Cunha, ex-presidente da Câmara. Também detentor de dupla cidadania, Cunha teve seus escândalos fartamente divulgados pela imprensa italiana.

Pelo lado materno, Cunha carrega o italianíssimo nome Consentino e, com passaporte europeu, é oficialmente Eduardo Consentino da Cunha. A semelhança de ambos os casos é um lembrete incômodo do uso do direito de sangue como suposto salvo-conduto judicial.

TRÊS PILARES – Zambelli articula agora sua defesa com base em três pilares: prisão domiciliar, alegando problemas de saúde e risco de estresse; liberdade provisória, escorada em sua condição de deputada federal eleita com quase 1 milhão de votos; e asilo humanitário, como possível trunfo futuro para evitar a extradição.

Ela participa dou da audiência de custódia nesta sexta, às 6h da manhã no horário de Brasília.

A deputada já protocolou pedidos de audiência com duas figuras-chave do governo italiano: a premiê Giorgia Meloni e o vice-primeiro-ministro Matteo Salvini, líder do partido Lega Nord.

SÃO APOIADORES – Ambos fazem parte da coalizão governista de direita, e Salvini, conhecido por seu perfil neofascista, mantém vínculos com Jair Bolsonaro por meio do empresário Luiz Roberto de San Martino Lorenzato da Ivrea, ex-deputado ítalo-brasileiro eleito com votos majoritários em Ribeirão Preto.

Salvini, que acompanhou Bolsonaro na sua única visita à Itália, anunciou que pretende visitar Zambelli no presídio de Rebbibia, onde ela está custodiada.

A prisão de Zambelli ocorreu no bairro Aurélia, região histórica próxima ao centro de Roma e ladeada pela Muralha Aureliana —estrutura erguida por papas na Antiguidade para proteger a cidade de invasões bárbaras.

VALE DO INFERNO – O local, conhecido entre os romanos como Valle dell’Inferno (Vale do Inferno), acabou se tornando o inusitado refúgio da parlamentar brasileira.

A suspeita da polícia italiana é que Zambelli tenha alugado um apartamento no bairro estratégico, onde foi localizada e presa.

O deputado italiano Angelo Bonelli, ouvido pela imprensa, revelou que foi ele próprio quem indicou o paradeiro da brasileira às autoridades, após suspeitar da lentidão da polícia em efetuar a prisão.

FANTASMA POLÍTICO – O escândalo da prisão de Zambelli esbarra em outro episódio recente da política italiana: o caso Almasri.

O chefe de polícia da Líbia, com prisão internacional decretada por crimes contra a humanidade, foi liberado na Itália e enviado de volta a Trípoli em avião oficial. A premiê Meloni alegou “falha administrativa” e desconhecimento da ordem judicial.

Agora, setores da imprensa e da oposição querem evitar um “outro caso Almasri”. O jornal La Repubblica destacou a urgência de que o governo italiano atue com firmeza no caso Zambelli: “A política pró-Bolsonaro, condenada por hackeamento, é cidadã italiana, mas deveria ser extraditada. Aviso: Não a outro caso Almasri”.

SITUAÇÃO DELICADA – A repercussão do episódio colocou a polícia italiana em situação delicada, especialmente após o atraso na detenção, mesmo com informações concretas sobre o paradeiro da brasileira.

Na tentativa de se apresentar como vítima de perseguição política, Zambelli enfrenta descrença generalizada em solo italiano. Os romanos, baseando-se no noticiário internacional, a veem como uma criminosa comum.

A cena em que a deputada aparece com revólver em punho, perseguindo um civil no dia da eleição presidencial, circulou em vídeo e foi amplamente comentada como “louca” (pazzesca) pela imprensa italiana.

MANDADO DE PRISÃO – Mais espanto ainda causou a revelação de uma suposta falsificação de mandado de prisão contra o ministro Alexandre de Moraes, com assinatura forjada do próprio magistrado — outro episódio envolvido nas investigações contra Zambelli e aliados.

Com o verão europeu a todo vapor, o caso Zambelli domina também as conversas nas praias dos arredores de Roma. O deputado ítalo-brasileiro Fábio Porta, do Partido Democrático, já se manifestou nas redes sociais, garantindo que a extradição será rápida.

A torcida informal entre os italianos é que a deputada não tenha tempo de atirar uma moedinha na famosa Fontana di Trevi. Afinal, reza a lenda que quem faz isso, inevitavelmente voltará.

 

Sanção a Alexandre de Moraes repercute em bancos

 Lei Magnitsky obriga bancos que têm vínculo com sistema financeiro de EUA cumprir bloqueio de bens do ministro

Por ECONOMIA JB com Agência Estado
redacao@jb.com.br

Publicado em 04/08/2025 às 07:35

Alterado em 04/08/2025 às 07:36

                                     Ministro Alexandre de Moraes Agência Brasil

Por Lavínia Kaucz e Carolina Maingué Pires -


 A repercussão das sanções anunciadas pelos Estados Unidos contra o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), pode respingar em instituições financeiras e gerar um impasse para as empresas, segundo juristas ouvidos pela Broadcast. De um lado, a Lei Magnitsky obriga os bancos que têm vínculos com o sistema financeiro americano a cumprirem o bloqueio de bens do ministro, inclusive em território brasileiro. De outro, Moraes poderia recorrer ao Judiciário brasileiro para questionar tais bloqueios sob o argumento de que esses bancos estão subordinados à legislação doméstica.

Os EUA anunciaram a inclusão de Moraes na lista de sancionados pela Lei Magnitsky, aplicada contra graves violadores de direitos humanos. A lei prevê sanções como bloqueio de contas bancárias e de bens em solo norte-americano, além de cancelamento de vistos e proibição de entrar no país. O Broadcast Político mostrou que Moraes disse a interlocutores que não tem bens e investimentos no território americano.

De forma indireta, a determinação de bloqueio também pode abranger bens e contas localizadas no Brasil. Isso porque bancos brasileiros e empresas que operam em dólar ou têm vínculos com o sistema financeiro americano “tendem a seguir as sanções por receio de penalidades secundárias”, explica o advogado Daniel Toledo, especialista em Direito Constitucional e em Direito Internacional do escritório Toledo e Advogados Associados. Dessa forma, prossegue, “um brasileiro sancionado pode ter contas congeladas em outros países – inclusive no Brasil – caso instituições financeiras locais optem por cooperar com os EUA”.

Isolamento do sistema
Ricardo Rocha Neto, sócio do Abe Advogados, avalia que “embora, tecnicamente, as instituições brasileiras não estejam legalmente obrigadas a cumprir ordens diretas do governo dos EUA, na prática, costumam seguir as determinações para evitar o isolamento no sistema financeiro global – cuja infraestrutura é fortemente influenciada pelos Estados Unidos”.

De acordo com os juristas ouvidos pela reportagem, as instituições financeiras com operações nos EUA que mantiverem relações com Moraes podem enfrentar consequências como o bloqueio de transações em dólar, restrições de acesso ao sistema financeiro americano e congelamento de ativos em jurisdições sob controle dos EUA.

Juliana Daniel, sócia do Berardo Advogados, explica que, a rigor, o Escritório de Controle de Ativos Estrangeiros (OFAC, na sigla em inglês) prioriza violações que sejam sistemáticas, de valor elevado ou recorrentes, com falha grave de diligência. Mas, devido à “imprevisibilidade do governo americano”, ela avalia que não necessariamente esses critérios serão seguidos à risca. “A rigor, não se poderia sequer usar uma lei que prevê sanções por violações a direitos humanos nesse caso – mas é o que estão fazendo”, diz.

O presidente do Bradesco, Marcelo Noronha, falou em coletiva de imprensa que o banco aguarda pareceres de escritórios de advocacia do exterior para entender a abrangência da lei Magnitsky aqui. Mas, segundo ele, “a lei tem de ser cumprida, somos uma organização que tem negócios nos EUA”.

Problemas com o judiciário brasileiro

Por outro lado, se seguirem as sanções americanas, essas empresas podem ter problemas com a Justiça no Brasil. “Se Moraes for prejudicado por um banco que opera no Brasil por força desta lei, ele pode recorrer ao Judiciário brasileiro porque esses bancos estão subordinados à lei brasileira. Isso vai dar um processo judicial de altíssima complexidade, e isso também não é bom para esses bancos”, avalia o especialista em Direito Internacional Evandro Carvalho, professor da FGV Direito-Rio.

O advogado Daniel Bialski, sócio do Bialski Advogados Associados, pontua que, no Brasil, se o ministro achar que de alguma forma ele está sendo prejudicado, ele pode entrar com uma ação de reparação de dano. “Então, se você for pensar bem, isso se torna uma bola de neve”, diz.

Cartões de crédito e big techs

O dilema também atinge bandeiras de cartão de crédito como Visa e Mastercard e as plataformas digitais sediadas nos EUA, como Instagram, X, Google e Microsoft. Segundo Bialski, as empresas americanas “estão sujeitas à lei americana e, de fato, têm que obedecer às imposições que foram determinadas”.

“As empresas que atuam no Brasil se submetem às leis brasileiras, mas se elas são empresas multinacionais americanas e com sede nos Estados Unidos, elas obrigatoriamente têm que respeitar também as leis americanas”, comenta o advogado.

Um exemplo de repercussão nas plataformas digitais, de acordo com os advogados ouvidos pela reportagem, foi o bloqueio exercido em maio pela Microsoft de uma conta de e-mail do inglês Karim Khan, procurador-chefe do Tribunal Penal Internacional (TPI). O bloqueio ocorreu após Trump impor sanções a Khan por ele ter emitido um mandado de prisão contra o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu.

Rocha, do Abe Advogados, vê um alcance menor no caso da Visa e Mastercard. “Se o cartão de crédito foi emitido aqui, a princípio não está sujeito a restrições, mas um cartão emitido por um banco americano, como Morgan Stanley e Citibank, pode ser cancelado”.

Procurada, a Federação Brasileira de Bancos (Febraban) não quis se manifestar.

A Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs) disse que, até a publicação da reportagem, ainda estava avaliando a extensão da lei e que, por enquanto, não iria se

pronunciar.

https://www.jb.com.br/economia/2025/08/1056394-sancao-a-alexandre-de-moraes-repercute-em-bancos.html

Moraes manda Marcos Do Val usar tornozeleira eletrônica

Foto: Geraldo Magela/Arquivo/Agência Senado
Marcos do Val04 de agosto de 2025 | 07:45

Moraes manda Marcos Do Val usar tornozeleira eletrônica

brasil

O senador Marcos do Val (Podemos-ES) foi recebido pela Polícia Federal ao desembarcar em Brasília nesta segunda-feira (4) e terá que usar tornozeleira eletrônica por ordem do ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal).

O parlamentar viajou aos EUA contrariando uma decisão expedida pelo ministro. Moraes havia determinado a apreensão do passaporte de Marcos do Val, mas o senador viajou com o passaporte diplomático, que continuava com ele.

Marcos do Val é investigado por ter feito campanha nas redes sociais contra os policiais federais que atuavam na investigação da trama golpista. Foi por conta dessa investigação que houve decisão para apreensão do passaporte dele em agosto de 2024, quando passou a ser investigado e teve as redes sociais bloqueadas.

Do Val foi levado ao Centro Integrado de Monitoração Eletrônica, órgão da Secretaria de Administração Penitenciária do Distrito Federal responsável pela instalação de tornozeleiras. Ele está acompanhado do advogado Igor Dantas.

Em março deste ano, Moraes havia rejeitado um novo recurso do senador contra decisão que havia determinado a apreensão do seu passaporte.

Em nota divulgada por sua assessoria, o parlamentar negou que “teria driblado a Justiça para viajar, durante o recesso parlamentar, aos Estados Unidos”.

“Meu passaporte diplomático, emitido pelo Ministério das Relações Exteriores, está válido até julho de 2027 e sem restrições. Além disso, meu visto oficial de entrada nos Estados Unidos foi recentemente renovado, com validade até 2035”, diz o texto.

O senador iniciou uma transmissão ao vivo no YouTube, falando dos Estados Unidos. Ele relatou que foi tietado no voo, negou ter fugido do país e diz ter comunicado a viagem à Polícia Federal, STF e Senado.

“Eu vim passar férias, minha filha está de ferias e estamos com recesso parlamentar”, disse ele na live, relatando que tem uma filha nascida nos Estados Unidos.

Cézar Feitoza/Folhapress 

USP diz que Trump quer ‘ferir a autonomia de um dos mais destacados juízes brasileiros’ ao sancionar Moraes

 Foto: Reprodução/Instagram/Arquivo

Donald Trump04 de agosto de 2025 | 10:22

USP diz que Trump quer ‘ferir a autonomia de um dos mais destacados juízes brasileiros’ ao sancionar Moraes

economia

A USP divulgou nesta segunda (4) uma nota pública em solidariedade ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes que foi alvo de sanções do governo de Donald Trump.

“Essas ações visam a criar constrangimento e ferir a autonomia de um dos mais destacados juízes brasileiros”, afirma a universidade.

O texto afirma também que a aplicação da Lei Magnitsky contra o ministro “não têm sustentação jurídica nem amparo na razão, assim como não encontram guarida na tradição das relações históricas entre Brasil e Estados Unidos”.

“A Lei Magnitsky, de 2016, utilizada como fundamento jurídico para a medida, não é aplicável ao caso. Estamos, portanto, diante de episódio típico de desvio de finalidade”, prossegue o texto.

O governo americano anunciou na quarta-feira (30) sanções financeiras ao ministro por meio da chamada Lei Magnitsky.

A instituição brasileira diz ainda que Moraes sofre perseguição por cumprir seu deve legal no processo da trama golpista de 2022, que apura crimes diversos, sendo conduzido com respeito ao devido processo legal.

A USP salienta na nota que o processo “assegura amplo e total direito de defesa aos acusados e que será analisado de forma colegiada pelo STF.”

O governo americano anunciou na quarta-feira (30) sanções financeiras ao ministro por meio da chamada Lei Magnitsky.

Por meio dessa decisão, o governo Trump determina o congelamento de qualquer bem ou ativo que Moraes tenha nos Estados Unidos, e também pode proibir entidades financeiras americanas de fazerem operações em dólares com uma pessoa sancionada. Isso inclui as bandeiras de cartões de crédito Mastercard e Visa, por exemplo.

“Em face dessa agressão despropositada, a USP expressa publicamente sua integral solidariedade ao ministro, com o qual tem orgulho de contar como professor titular de sua Faculdade de Direito, no Largo de São Francisco. A medida, que visa a intimidar nosso professor, ofende nossa instituição”, diz o texto.

Mônica Bergamo/Folhapress

Bolsonaristas veem militância ativa e Moraes fragilizado apesar de desfalques em atos

 Foto: Gustavo Moreno/Arquivo/Divulgação

Alexandre de Moraes04 de agosto de 2025 | 09:02

Bolsonaristas veem militância ativa e Moraes fragilizado apesar de desfalques em atos

brasil

Aliados de Jair Bolsonaro (PL) comemoraram os atos de domingo (3) convocados contra o ministro Alexandre de Moraes, do STF (Supremo Tribunal Federal) e em defesa do ex-presidente, em que viram militância ativa.

Havia temor de que as manifestações, que ocorreram por todo o país, pudessem estar esvaziadas, seguindo a tônica das anteriores, e talvez pior, por causa do recente tarifaço de Donald Trump a produtos brasileiros.

Mas a avaliação é de que o comparecimento foi melhor do que esperado —e o presidente americano, inclusive, foi exaltado por apoiadores nos atos.

Isso ocorre, na avaliação desses aliados, ao momento de fragilidade pelo qual Moraes está passando. De acordo com eles, antes havia um temor maior de ir a atos para criticar o magistrado.

Agora, o bolsonarismo se sente mais empoderado após as sanções financeiras impostas ao ministro por Trump por meio da Lei Magnitsky. Este foi um dos principais motivadores para a militância ir para a rua, segundo interlocutores do ex-presidente.

Moraes foi o principal alvo dos atos. O deputado Nikolas Ferreira (PL-MG) disse, na avenida Paulista, que estão lutando para que, um dia, o magistrado “esteja atrás das grades”.

No Rio de Janeiro, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) chegou a chamar Moraes de “vagabundo”.

“[Bolsonaro é] Um homem honesto, um homem honrado, um homem patriota e um homem invejado por esse vagabundo do Alexandre de Moraes”, disse no carro de som, pouco antes de fazer uma ligação com seu pai ao vivo.

No telefonema, Bolsonaro se limitou a dizer: “Obrigado a todos. É pela nossa liberdade, nosso futuro, nosso Brasil. Sempre estaremos juntos”. O áudio foi transmitido para o público pelo microfone.

A ausência de Bolsonaro na manifestação se deve às medidas cautelares impostas a ele por Moraes. O magistrado apontou risco de fuga, em meio à atuação do deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) junto a autoridades dos Estados Unidos.

Proibido de usar redes sociais, o ex-presidente acompanhou de sua casa, em Brasília, as manifestações por telefone, com alguns poucos auxiliares.

Interlocutores do ex-presidente temiam ainda que sua ausência pudesse levar a um desfalque ainda maior nos atos, como mostrou a Folha. Mas, para eles, a avaliação é de que as medidas cautelares fortaleceram o discurso de injustiçado entre seus apoiadores, que se viram motivados a participar dos atos.

Por outro lado, se em atos anteriores ficou demonstrada uma espécie de frente ampla da direita, com participação de políticos do centrão e governadores de direita, nesta ocorreu o contrário. Estiveram nos carros de som apenas parlamentares do PL e do Novo.

Nenhum dos governadores de direita tidos como presidenciáveis compareceu, mesmo que em suas capitais houvesse manifestações. O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), de São Paulo, marcou um procedimento de saúde para o domingo.

Já Ronaldo Caiado (União Brasil), de Goiás, disse em evento do jornal O Globo que já tinha reunião marcada, e que discorda com o momento da manifestação. Seu argumento é de que é preciso negociar para evitar ou reduzir o tarifaço de Trump.

As ausências foram cobradas pelo pastor Silas Malafaia, aliado do ex-presidente, que organizou o ato em São Paulo.

Sem citar nomes, ele questionou a ausência de políticos cotados para substituir Bolsonaro na eleição de 2026 e afirmou que eles não estiveram presentes por “medo” do STF.

“Cadê aqueles que dizem ser a opção no lugar de Bolsonaro? Era para estarem aqui, minha gente. Sabe o que fica provado? Que até aqui Bolsonaro é insubstituível”, disse Malafaia.

O pastor também afirmou que presidenciáveis teriam “arrumado desculpas” para não comparecer. “Vão enganar trouxa. Eu não sou trouxa. Estão com medo do STF? Por isso não chegaram até aqui? Arrumaram desculpa. Por isso, minha gente, que 2026 é Bolsonaro”, completou

No palco, ao lado de Malafaia, estavam Nikolas, o prefeito Ricardo Nunes (MDB), o vice-prefeito Coronel Mello Araújo (PL), o presidente do PL, Valdemar Costa Neto, o deputado federal Sóstenes Cavalcante (PL), a vereadora Zoé Martinez (PL) e o deputado estadual Lucas Bove (PL).

Sóstenes cobrou os partidos de centrão e centro-direita, que, apesar de criticarem o governo Lula (PT), também fazem parte dele. Inclusive, cujos dirigentes estiveram presentes em atos passados de bolsonaristas.

“PP, União Brasil, PSD, Podemos. Sei que nesses partidos têm muitos patriotas. Está na hora de largar a canoa furada do desgoverno e vir para a oposição de vez. A esses partidos, eu digo, não adianta largar em março do ano que vem, é agora, em agosto”, disse.

Entre integrantes do governo federal, as manifestações passaram despercebidas —alguns ministros de Lula sequer lembravam dos atos marcados para esse domingo.

À Folha, o líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias (RJ), lembrou do tarifaço e disse que a principal batalha política será de resgatar “a defesa do Brasil”.

“Vergonha defenderem Trump num momento como esse, de ataque ao povo brasileiro, às empresas brasileiras. O Lula de manhã falou abertamente em resgatar a bandeira do Brasil, esse é o centro da nossa disputa política. A defesa do Brasil contra os traidores da pátria”, disse.

Marianna Holanda/Folhapress

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