quinta-feira, julho 03, 2025

Crises permanentes de governabilidade são uma tendência, diz Dino no ‘Gilmarpalooza’

 Foto: Rosinei Coutinho/Arquivo/STF

Flávio Dino03 de julho de 2025 | 11:02

Crises permanentes de governabilidade são uma tendência, diz Dino no ‘Gilmarpalooza’

brasil

A tensão política atual no Brasil com as divergências sobre a impositividade de emendas parlamentares tem gerado uma tendência de “crises de governabilidade permanentes”, segundo o ministro Flávio Dino, do STF (Supremo Tribunal Federal).

Em coletiva de imprensa nesta quarta-feira (3), após participação no painel sobre governança orçamentária no ‘Gilmarpalooza’, evento em Lisboa que tem o ministro Gilmar Mendes como principal anfitrião, Dino afirmou que, “no momento em que as emendas impositivas nasceram, nós tivemos essas dificuldades de governabilidade com vários presidentes da República, diferentes de diferentes partidos Isso mostra que há uma necessidade de revisão do modelo”.

Relator das ações que questionam a constitucionalidade das emendas impositivas, Dino adiantou que “o Supremo não vai fazer isso sozinho”, reforçando que a tarefa neste momento é garantir “transparência, rastreabilidade, para que haja o cumprimento das normas, das leis, da Constituição, da Lei Complementar 210”.

O ministro do STF destacou que “está muito difícil para várias posições políticas” e sociedade em geral “achar uma forma em que nós não vivamos crises de governabilidade permanentes, como parece ser uma tendência”.

Nesta quinta-feira, em resposta a uma pergunta da Folha, o ministro disse que a crise política no Brasil “é algo que vem crescendo” nos últimos dez anos por vários motivos, mas que “a questão orçamentária sempre está no centro dessas dificuldades de diálogo entre os Poderes”.

Com três ações a tramitar por causa dos decretos do governo para o aumento do IOF, o ministro afirmou que “o Supremo teve que assumir um papel que, a princípio, não caberia, porque é um tema eminentemente político”.

Sobre isso, ele destaca que “não se trata apenas da temática de um único imposto ou da responsabilidade fiscal como valor isolado”. “É preciso entender que ou você equaciona a receita e a despesa dividido de modo justo a conta, ou a gente vai viver de impasse em impasse”.

Dino deixou claro, no entendo, que o Supremo tem um papel que irá cumprir, em qualquer questão, quando os atores políticos não conseguirem criar espaços para diálogo.

“Não haverá outro jeito a não ser o Supremo arbitrar. Não é algo que o Supremo deseje, mas, por outro lado, o Supremo não pode prevaricar, não pode ser condescendente, não pode ser omisso e irresponsável com os seus deveres”, afirmou.

“Esperamos, não há dúvida, que para esse conjunto de questões políticas que nós estamos aqui tratando, o Congresso e o Poder Executivo encontrem saídas. Se não houver, o Supremo vai julgar.”

Caroline Ribeiro/Folhapress

Câmara se distancia do governo Lula e Hugo Motta busca protagonismo com agenda própria

 Foto: Kayo Magalhães/Arquivo/Câmra

Hugo Motta, presidente da Câmara dos Deputados03 de julho de 2025 | 09:45

Câmara se distancia do governo Lula e Hugo Motta busca protagonismo com agenda própria

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O presidente da Câmara, Hugo Motta, tem sinalizado insatisfação com o governo Lula, que, segundo ele e seus aliados, prioriza apenas propostas do PT e ignora sugestões dos partidos do centro que integram a base aliada. O episódio mais recente dessa tensão foi a derrubada, pelo Congresso, do decreto que aumentava o IOF, medida pautada por Motta sem aviso prévio ao Executivo. A decisão surpreendeu o governo, que agora tenta reverter a derrota no Supremo Tribunal Federal (STF), acirrando o clima de conflito. A reportagem do jornal “O Globo”.

Deputados da base, como Isnaldo Bulhões (MDB) e Pedro Lupion (PP), criticam a falta de diálogo do governo com o Congresso e apontam que a articulação política é fraca. Para eles, Lula precisa abrir espaço para ideias fora do PT, incluindo medidas como a redução do tamanho do Estado. Apesar das críticas, parlamentares negam que haja ruptura, mas reconhecem que o Congresso começa a trilhar uma agenda própria, mais autônoma em relação ao Executivo.

Hugo Motta, por sua vez, busca marcar sua gestão com pautas estruturantes, como a reforma administrativa, considerada essencial para modernizar a máquina pública e reduzir custos. O tema, no entanto, enfrenta resistência do governo e de categorias organizadas, como os servidores públicos. Além da reforma, Motta também pretende avançar em projetos sobre segurança pública e regulamentação da Inteligência Artificial, reforçando o protagonismo da Câmara em debates estratégicos.

Maioria da Câmara vê chance baixa de aprovação de pautas do governo, aponta Quaest

 Foto: Kayo Magalhães/Arquivo/Câmra

Plenário da Câmara dos Deputados03 de julho de 2025 | 10:41

Maioria da Câmara vê chance baixa de aprovação de pautas do governo, aponta Quaest

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Pelo menos 57% dos deputados federais avaliam que são baixas as chances de o governo Lula (PT) aprovar sua agenda no Congresso, segundo pesquisa Genial/Quaest divulgada nesta quarta-feira (2).
A maioria dos deputados vê dificuldade para aprovar pautas do governo. Outros 36% dizem que as chances de a agenda de Lula ser aprovada são altas, e 7% não sabem ou não responderam.

A Quaest entrevistou 203 deputados (40% da Câmara) entre os dias 7 de maio e 30 de junho. A margem de erro é de 4,5 pontos percentuais.

A pesquisa também questionou os parlamentares sobre a razão de o Congresso ter feito poucas votações importantes em 2024. Para 45% dos entrevistados, a falta de articulação política do governo é o principal motivo.

QUAIS AS CHANCES DE LULA APROVAR SUA AGENDA?
Baixas: 57% (eram 47% em maio de 2024)
Altas: 36% (eram 47%)
Não sabem ou não responderam: 7% (eram 6%)
RAZÃO DAS POUCAS VOTAÇÕES IMPORTANTES NO CONGRESSO
Desarticulação política: 45%
Impasse sobre a anistia: 33%
Não liberação de emendas: 15%
Falta de funcionamento das comissões internas: 6%
Não sabe: 1%

Segundo o levantamento, 46% dos deputados avaliam negativamente o governo. Além disso, metade diz que a relação com o Congresso é negativa.
A avaliação caiu em meio à crise do IOF. O Executivo foi surpreendido com a decisão do presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), de pautar o projeto para derrubar o decreto do IOF, que foi aprovado com ampla maioria na Câmara e no Senado. Hoje o governo foi ao STF para tentar manter as medidas, acirrando ainda mais a guerra com o Legislativo.

QUAL É A AVALIAÇÃO DELES DO GOVERNO LULA
Negativa: 46% (era 42%)
Positiva: 27% (eram 32%)
Regular: 24% (eram 26%)
Não sabem ou não responderam: 3% (era 1%)
QUAL É A AVALIAÇÃO DA RELAÇÃO DO GOVERNO COM O CONGRESSO
Negativa: 51% (eram 43%)
Positiva: 18% acham positiva (eram 22%)
Regular: 30% regular (eram 33%)
Não sabe ou não respondeu: 1% (eram 3%)

METODOLOGIA
Em conjunto com o banco de investimentos Genial, a Quaest entrevistou 203 dos 513 deputados (40%) proporcionalmente à representação por região e por partido. Ou seja, como 21% dos deputados são do Centro-Oeste, por exemplo, essa região compõe 21% da amostra. O mesmo aconteceu em relação ao partido do deputado: como 18% da Câmara é de cadeiras do PL, deputados da legenda são 18% da amostra.

Victoria Bechara/Uol/FolhapressPolitica livre

Lula rejeita sancionar aumento de deputados e avalia manter ônus com Congresso ou vetar proposta

 Foto: Marcelo Camargo/Arquivo/Agência Brasil

O presidente Lula03 de julho de 2025 | 06:35

Lula rejeita sancionar aumento de deputados e avalia manter ônus com Congresso ou vetar proposta

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O presidente Lula (PT) deverá evitar sancionar o projeto de lei que aumenta o número de deputados federais, aprovado pelo Congresso na semana passada, segundo integrantes do governo e parlamentares governistas.

Lula tem até o dia 16 para sancionar o texto, mas aliados dizem que hoje essa possibilidade está descartada. De acordo com os relatos, são discutidos dois cenários: ele não se pronunciar a respeito da proposta, e o Congresso promulgar o texto; ou o veto presidencial à medida.

Lula não descarta vetar a proposta, segundo auxiliares, o que ocorreria em meio à queda de braço com o Legislativo após a derrubada do decreto do IOF (Imposto sobre Operações Financeiras). Apesar disso, há um movimento no entorno do petista para que nenhuma decisão seja tomada no calor dos eventos recentes.

Aliados ressaltam a impopularidade do projeto que aumentou o número de deputados e dizem que, por ser iniciativa dos parlamentares, não haveria motivos para que o governo se envolva com o tema —sob o risco de, ao sancionar o texto, ser alvo de críticas pela opinião pública num momento de baixa popularidade.

Pesquisa Datafolha divulgada no último dia 17 mostrou que 76% dos brasileiros são contra o aumento de deputados e apenas 20% são a favor.

O cenário mais provável neste momento é que Lula não sancione nem vete a proposta. Assim, o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), terá de promulgar o texto.

Apesar de recomendações pelo veto, há um grupo de auxiliares do presidente que desaconselham esse movimento por causa do risco de acirramento ainda maior na tensão entre Palácio do Planalto e Congresso.

Um auxiliar de Lula disse à reportagem que, ao não se manifestar sobre o projeto, o governo evita ser acusado de interferir numa questão interna da Câmara.

Aliados reconhecem, no entanto, que vetos são prerrogativa do presidente da República, assim como o Legislativo pode derrubá-los. Assim, a avaliação do cenário nos próximos dias pode ser decisiva, ainda segundo esses interlocutores.

O projeto de lei complementar aumenta o número de deputados de 513 para 531, com impacto anual estimado por deputados de cerca de R$ 65 milhões com os custos da criação das novas vagas, incluindo salários, benefícios e estrutura para novos congressistas.

A proposta sofreu críticas até mesmo de parlamentares e foi aprovada por senadores num placar apertado. O texto voltou à Câmara e no mesmo dia foi aprovado a jato por deputados, seguindo para a sanção presidencial.

Aliados de Lula lembram que o governo poderá ser cobrado por sancionar a proposta num momento em que é discutida a revisão de gastos e em que integrantes do Planalto e parlamentares aliados têm reforçado a retórica da luta entre pobres e ricos.

Quem defende que o petista não sancione a proposta afirma que a atitude poderia ser uma sinalização da insatisfação do Planalto com os parlamentares após a derrubada do decreto do IOF e uma demonstração de que o Executivo não ficará inerte nesse embate com os congressistas —mas sem gerar grande crise com o Legislativo.

Um vice-líder do governo, por sua vez, diz que o melhor cenário seria se Lula sancionasse a medida, numa sinalização ao presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), que foi um dos principais articuladores do projeto. Na avaliação desse deputado, o presidente mostraria que atendeu a um pedido caro de Motta.

A tensão com o Congresso aumentou após o Legislativo derrubar do decreto do IOF e o governo entrar com ação no STF (Supremo Tribunal Federal) para tentar reverter a medida. Nesta quarta (2), na Bahia, Lula defendeu a iniciativa e classificou como “absurda” a decisão de Motta colocar o tema em votação, alegando que houve descumprimento de acordo.

“O erro, na minha opinião, foi o descumprimento de um acordo, que tinha sido feito no domingo [8 de junho] à meia-noite na casa do presidente Hugo Motta. Lá estavam vários ministros, deputados, o ministro [Fernando] Haddad com sua equipe e, quando chega na terça-feira, o presidente da Câmara tomou uma decisão que eu considerei absurda”, acrescentou o petista.

O projeto que aumenta o número de cadeiras na Câmara foi articulado pela Casa em reação a uma determinação do STF para que o número de deputados, que varia de estado para estado, fosse proporcional ao número de habitantes medido pelo Censo de 2022.

Em vez de redistribuir as 513 cadeiras entre os estados e o Distrito Federal, o que levaria parte das unidades federativas a perder representantes, a Câmara decidiu criar mais 18, contemplando aqueles que tiveram aumento populacional. Com isso, evitou-se que a bancada da Paraíba, estado de Motta, diminuísse de tamanho, por exemplo.

Com a mudança aprovada no Congresso, devem ganhar mais vagas na Câmara em 2027 os estados de Pará e Santa Catarina (quatro cada um), Amazonas, Mato Grosso e Rio Grande do Norte (duas cada), Goiás, Ceará, Paraná e Minas Gerais (uma cada).

Victoria Azevedo e Catia Seabra/FolhapressPolitica livre

Três Poderes só deixam intacto o que realmente interessa a cada um deles

Publicado em 2 de julho de 2025 por Tribuna da Internet

Tribuna da Internet | Maior desafio do governo em 2024 é o desequilíbrio  entre os Três Poderes

Charge do Duke (Dom Total)

Dora Kramer
Folha

Nessa série de atitudes passivo-agressivas entre os três Poderes — vide corte de gastos do Executivo, supersalários do Judiciário e aumento de cadeiras no Legislativo—, há uma evidência em forma de pacto não escrito: nenhum deles interfere nos interesses corporativos e/ou ideológicos do outro.

O Parlamento eleva despesas, o governo propõe, mas não trabalha efetivamente pelo fim dos privilégios de magistrados, e o Supremo Tribunal Federal faz de conta que não é com ele, aludindo, quando convém, ao princípio da não interferência.

EMENDAS E IOF – Há um paralelo nítido a ser traçado entre a reunião de agosto de 2024, quando representantes dessas instâncias anunciaram um entendimento para regularizar o uso das emendas, e o encontro de junho de 2025, em que se proclamou um acordo “histórico” para o encaminhamento do decreto ao aumento do IOF.

Nenhum desses acertos progrediu e os signatários fizeram-se de desentendidos a respeito do fracasso das tratativas.

Assim, o STF sentiu-se traído pela insistência do Congresso em não atender à transparência no manejo dos recursos do Orçamento, mantendo-se indiferente ao cumprimento da Constituição.

O CASO IOF – Adiante, na derrubada do decreto sobre operações financeiras, o ministro da Fazenda seguiu dizendo que não compreendia o que se passou para Hugo Motta (Republicanos) e Davi Alcolumbre (União Brasil) terem mudado de ideia e liderado a imposição de derrotas ao Planalto.

A razão é simples: em ambos os casos, nas emendas e no IOF, sobrou precipitação, um quê de soberba —para não dizer ingenuidade— para levar em conta a ausência de concordância dos colegiados aos quais os presidentes da Câmara e do Senado devem satisfação.

Haddad e o presidente Lula (PT) estão grandinhos o suficiente para saber que não há acordos possíveis sem o aval dos deputados e senadores que por quase unanimidade colocaram os chefes nos cargos que os fazem poderosos, com um exército de quase 400 contra menos de 100 soldados na luta pelo poder.


PT inunda redes sociais com ‘ricos versus pobres’, e Congresso é o alvo

Publicado em 3 de julho de 2025 por Tribuna da Internet

Charge do Baldinger (Arquivo Google)

Ranier Bragon, Catia Seabra e Caio Spechoto
Folha

Em sintonia com os discursos de Lula e do ministro Fernando Haddad (Fazenda), governistas têm inundado suas redes sociais com a retórica da luta entre pobres e ricos, cenário em que o presidente da República estaria entrando em choque contra poderosos interesses do status quo empresarial e financeiro.

No discurso capitaneado pelo PT, estimulado pelo Palácio do Planalto e disseminado por perfis alinhados, a campanha é formada em boa parte por vídeos produzidos por inteligência artificial e tem como mote a defesa da “taxação BBB”, em referência a “bilionários, bets e bancos” —grupo que formaria um poderoso lobby em parceria com o centrão e a direita no Legislativo.

INIMIGO DO POVO – O Congresso é um dos principais alvos, em especial no varejo da rede social, onde o Legislativo aparece claramente identificado como “inimigo do povo”.

A imagem é uma colagem que contém três partes. À esquerda, um homem com cabelo ondulado e camisa clara fala para a câmera, com legendas em português que dizem: “não paga nada e é rico”.

 No centro, há uma imagem de um homem mais velho com cabelo grisalho, acompanhado de um texto que menciona responsabilidade fiscal e a necessidade de dignidade. À direita, um homem com cabelo curto e terno fala para a câmera, com um texto em destaque que diz: “ELÉTRICA MAIS CARA PRA TODOS OS”. No canto superior direito, há um selo que diz “URGENTE”. A colagem parece abordar temas de política e economia.

REBELIÃO DE LULA – O direcionamento político das redes segue o discurso e a ação de Lula, que nesta terça-feira (1º) disse enfrentar uma “rebelião” toda vez que tenta cobrar mais impostos de ricos.

A declaração foi dada pouco depois de a AGU (Advocacia-Geral da União) ingressar no STF para tentar resgatar o decreto presidencial que elevou alíquotas do IOF —Imposto sobre Operações Financeiras derrubado pelo Congresso com 383 votos na Câmara, incluindo a maior parte das bancadas dos centro-esquerdistas PDT e PSB.

“Não é briga política, partidária. É a elite, junto com a direita e o centrão, se unindo contra o povo brasileiro”, disse em um dos vídeos postados por governistas o deputado Guilherme Boulos (PSOL-SP), cotado a ocupar a Secretaria-Geral da Presidência do governo Lula.

PROTESTO NO MASP – Boulos e o PSOL são os que, da linha de frente lulista, mais apontam o dedo contra o Congresso. Em uma das postagens do deputado, é convocado um protesto para o dia 10 no Masp, em São Paulo, sob o mote “centrão inimigo do povo”.

O PT produziu e jogou em suas redes sociais recentemente vídeos que exploram essa retórica e que foram reproduzidos nos perfis de vários políticos governistas.

Nessas peças, feitas com IA, afirma-se que Lula busca equilibrar a balança de pagamento de impostos apesar das resistências das elites econômicas.

BOTECO DO BRASA – Um dos vídeos que viralizaram é o do “boteco do Brasa”, em que personagens engravatados aparecem em uma mesa ao lado de pessoas comuns querendo pagar menos na conta apesar de terem consumido champagne, caviar e lagosta. A peça já tem mais de 2 milhões de visualizações no Instagram

Secretário de Comunicação do PT, o deputado Jilmar Tatto (SP) afirma que, semanalmente, o partido leva ao ar dois novos vídeos. Nesta quarta-feira (2), apoiadores do governo participarão de uma live com ênfase no discurso em favor da justiça tributária no Brasil.

“Finalmente, conseguimos uma coesão no governo, no PT e nos setores progressistas sobre a linha política para diálogo com a sociedade, que é fazer o andar de cima pagar impostos”, disse Tatto.

IDEIA DE GLEISI – Segundo um integrante do governo, essa ação mais enfática nas redes nasceu a partir de uma cobrança da ministra Gleisi Hoffmann (PT), chefe da articulação política de Lula, e conta com o apoio do ministro Sidônio Palmeira (Secom).

Já em contas alinhadas, o ataque ao centrão e ao Congresso é mais explícito. Um vídeo do perfil “brasilsatiradopoder” que circulou entre governistas, por exemplo, apresenta vídeo de IA parodiando o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB).

Na peça, ele se apresenta como “Hugo nem se importa” em um jantar de luxo, fazendo piada com gastos exorbitantes e terminando bebendo uma garrafa de uísque no bico. A paródia explora o ocorrido em uma festa de São João na Paraíba, quando o presidente da Câmara aderiu a um desafio de tomar um gole de uísque direto na garrafa.

DERROTA DO IOF – A retórica que busca colar no Legislativo o rótulo de defensor de privilégios de ricos foi um dos motivos da rebelião em que o governo foi derrotado no caso do IOF.

Na ocasião, já havia insatisfação na cúpula de Câmara e Senado com campanhas em perfis de esquerda que apontavam o Congresso como “inimigo do povo”, em especial pela derrubada de vetos de Lula que devem beneficiar empresários do setor elétrico e aumentar a conta de luz.

Na segunda (30), Hugo Motta também foi às redes criticar o governo, afirmando que “quem alimenta o nós contra eles acaba governando contra todos”.

IMPOSTOS PARA RICOS – O governo percebeu em junho o potencial da discussão sobre mais impostos para ricos. Naquele mês, Haddad teve um enfrentamento público com deputados bolsonaristas em torno do tema e ganhou engajamento nas redes sociais.

Nas semanas seguintes, como mostrou a Folha, Lula instruiu aliados a fazer mais contrapontos públicos ao centrão e à oposição a partir do tema dos impostos.

Levantamento da Bites, consultoria especializada em dados de ambientes digitais, mostra que ao menos os governistas da Câmara têm conseguido disputar as redes abertas com opositores de Lula.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG –
 Pobres contra ricos? O que se pode dizer é que essa bagaça não vai dar certo(C.N.)

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