quarta-feira, julho 02, 2025

Bolsonaro sai de cena com alerta médico e freia a corrida contra o tempo diante de STF e eleição

 Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil/Arquivo

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) em ato na Avenida Paulista, no último domingo (29)02 de julho de 2025 | 14:15

Bolsonaro sai de cena com alerta médico e freia a corrida contra o tempo diante de STF e eleição

brasil

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) cancelou todas as agendas públicas e ficará em “repouso absoluto” durante o mês de julho, segundo comunicado divulgado nesta terça-feira (1º).

A decisão foi tomada após consulta médica de urgência. Bolsonaro, 70, apresenta crises constantes de soluços e vômitos, que o impedem inclusive de falar, conforme nota assinada pelo próprio ex-presidente.

O freio ocorre no momento em que ele, segundo aliados, mantinha uma busca por manter consigo o capital político em meio à crescente pressão para indicar um sucessor do seu espólio eleitoral –sendo hoje o nome mais forte do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos).

Além da proximidade ao calendário eleitoral, também pesa contra o ex-presidente o julgamento que enfrenta no STF (Supremo Tribunal Federal).

Nota assinada pelos médicos Claudio Birolini e Leandro Echenique afirma que o objetivo da interrupção das agendas por um mês é “garantir a completa recuperação de sua saúde após a cirurgia extensa e internação prolongada, episódio de pneumonia e crises recorrentes de soluços”.

“Durante esse período, ele ficará afastado de suas atividades habituais, incluindo agendas públicas e atividade político-partidária, retornando tão logo esteja plenamente restabelecido.”

Inelegível, Bolsonaro é réu no caso da trama golpista, e o julgamento é esperado por assessores de ministros e advogados envolvidos no processo para acontecer em setembro. Caso seja condenado, a pena pode passar de 40 anos de prisão.

Suas falas mais recentes, como na manifestação na avenida Paulista no último domingo (29), foram interpretadas por essa perspectiva. Além disso, o fato de o ato ter sido esvaziado ampliou a tensão entre bolsonaristas, que têm buscado fazer desses momentos uma demonstração de força.

Na véspera do ato, Bolsonaro relatou mal-estar e teve episódios de vômitos. Segundo aliados, ele tem enfrentado dificuldades para dormir e reclamado de bastante cansaço. Hospedado no Palácio dos Bandeirantes, sede do governo paulista, ele optou por não receber ninguém no sábado (28) e se manteve mais recluso até o momento de seguir para a manifestação.

Na Paulista, Bolsonaro disse que não estava em “carro para comício” e indicou que não pretende, por ora, falar de uma eventual passagem de bastão. No entanto, admitiu que não seria necessário ser presidente para comandar o país: “Se vocês me derem, na ocasião das eleições do ano que vem, 50% da Câmara e 50% do Senado, eu mudo o destino do Brasil”, declarou.

Enquanto o presidente discursava, ao seu lado estavam dois governadores cotados como presidenciáveis para 2026: Tarcísio e Romeu Zema (Novo-MG). Outros dois chefes do Executivo estaduais também são vistos como possíveis nomes na disputa pela direita e centro-direita no próximo ano: Ratinho Jr. (PSD-PR) e Ronaldo Caiado (União Brasil-GO).

“Se vocês me derem isso [maioria de deputados e senadores], não interessa onde eu esteja, aqui ou no além, quem assumir a liderança vai mandar mais do que o presidente da República”, acrescentou Bolsonaro na Paulista.

Interlocutores do ex-presidente dizem que, nas últimas duas ou três semanas, sobretudo depois das oitivas do STF, aumentou a pressão para que ele passe por fim o bastão para alguém. Algo que é visto como improvável, senão impossível, por quem convive com Bolsonaro. Afinal, conseguir reunir apoiadores e se colocar como um importante player político é um dos seus poucos trunfos frente ao Supremo hoje.

Além disso, há uma avaliação frequente de que ele precisa do seu capital político para se defender juridicamente. Então, ainda que queiram logo a indicação de um sucessor, seus aliados sabem que é importante para sua defesa insistir numa candidatura.

Um interlocutor de Caiado diz ter visto na fala do ex-presidente um sinal de que possa estar sentindo uma perda de poder, por isso essa reação.

O governador de Goiás é pré-candidato pelo União Brasil e já prometeu indulto ao ex-presidente, assim como os outros três governadores que são cotados para a sucessão de Bolsonaro.

O indulto, inclusive, foi colocado como pré-requisito pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), filho mais velho do ex-presidente, para eventual apoio a uma candidatura à Presidência no próximo ano.

O discurso de Bolsonaro agora admite a possibilidade de que ele, inelegível, não seja candidato ao Planalto, mas que ele manterá sua influência e poder no Legislativo, que seria “mais importante que o próprio presidente”.

A pressão vem inclusive de setores do empresariado, assim como líderes de partidos da direita e centro-direita, que conversam com aliados do governador de São Paulo, na torcida para que Tarcísio seja indicado à sua sucessão.

Ainda que quase ninguém fale abertamente com Bolsonaro sobre a possibilidade de ele não ser candidato, ele se irrita com esses movimentos exteriores e deixa isso chegar aos seus aliados.

Um aliado de Tarcísio, contudo, diz que essa insistência para que ele passe o bastão neste momento é negativa tanto para o governador quanto para o ex-presidente. Há um temor grande de que qualquer sinal dele seja interpretado como uma deslealdade junto ao seu padrinho político.

O governador de São Paulo nega publicamente qualquer pretensão eleitoral que não a de disputar a reeleição no próximo ano. Para alguns de seus aliados, a postura é uma forma de Tarcísio reforçar sua fidelidade a Bolsonaro.

Um dos aliados de Tarcísio disse à reportagem que o desejo de Bolsonaro de contar com a maioria do Congresso Nacional é uma utopia. Para ele, o ex-presidente, quando muito, teria ingerência apenas sobre os parlamentares do PL, algo notado pelo entorno bolsonarista.

No ato da Paulista, o pastor Silas Malafaia declarou: “Sabe por que um cara desse [o ministro Alexandre de Moraes, do STF] não toma um impeachment? Porque nós temos uma direita prostituta, vagabunda, que se vende”, declarou.

O esvaziamento do último ato faz com que integrantes do PL optem também por diminuir a quantidade de manifestações. A avaliação é de que isso pode eventualmente cansar a militância. O próximo ato ocorrerá em 7 de setembro, e os organizadores esperam um público muito superior, até pelo peso simbólico que o feriado tem para o bolsonarismo.

Juliana Arreguy/Marianna Holanda/Folhapress

Com presença de Lula, esquerda reforça unidade política no 2 de Julho

 Foto: Ricardo Stuckert/PR

O presidente Lula (PT) participou nesta terça-feira do desfile do 2 de Julho em Salvador02 de julho de 2025 | 15:33

Com presença de Lula, esquerda reforça unidade política no 2 de Julho

exclusivas

Com a presença do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), parlamentares e lideranças de várias siglas que compõem a esquerda no Brasil participaram nesta quarta-feira do tradicional desfile de 2 de julho que marca a participação da Bahia na Independência do Brasil.

Representada por vereadores, deputados estaduais e federais, secretários de governo e integrantes de diferentes siglas partidárias, a esquerda defendeu, durante o cortejo, a unidade política do grupo liderado por Jerônimo Rodrigues na Bahia e pelo presidente Lula no plano nacional, reforçando o compromisso com a reeleição de ambos em 2026.

Também marcaram presença diversas centrais sindicais e representantes de movimentos sociais, que ocuparam desde cedo as ruas da Lapinha e da Soledade. Durante o cortejo, a APLB-Sindicato (entidade que representa os trabalhadores em educação da Bahia) cobrou a retomada das negociações com a Prefeitura de Salvador para pôr fim à greve dos profissionais da Educação da capital, que já se estende há 58 dias.

Reinaldo Oliveira/Política Livre

Jair Bolsonaro entra em tratamento rigoroso durante um mês inteiro

Publicado em 2 de julho de 2025 por Tribuna da Internet

Bolsonaro é diagnosticado com pneumonia viral depois de passar mal em Goiás - Jornal Opção

Desta vez, Bolsonaro não poderá se descuidar do tratamento

Manoela Carlucci e Leticia Martins
da CNN

O ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) precisou realizar, nesta quarta-feira (2), uma endoscopia digestiva que revelou a presença de “intensa esofagite com processo inflamatório, erosões da mucosa esofágica e gastrite moderada”, de acordo com boletim médico publicado pelo próprio ex-presidente em rede social.

Segundo os médicos, Bolsonaro precisará intensificar o tratamento medicamentoso que já vinha realizando há alguns dias.

“Seguem as orientações para moderação da fala, dieta regrada e repouso domiciliar”, diz o documento.

REPOUSO DOMICILIAR – Bolsonaro passa por exame e precisará intensificar tratamento medicamentoso

Endoscopia identificou uma “intensa esofagite com processo inflamatório”, recomendação médica é de que o ex-presidente fique em repouso domiciliar.

Mais cedo, Bolsonaro e a ex-primeira Michelle já haviam publicado a orientação de que o ex-presidente deveria permanecer em repouso doméstico durante o todo o mês de julho. No comunicado, Michelle afirmou que ele permanecerá em “repouso domiciliar para recuperação completa” depois de “cirurgia extensa e internação prolongada, episódio de pneumonia e crises recorrentes de soluços, que dificultam sua fala”.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Talvez agora Bolsonaro caia na real e diminua seu ritmo de vida, para conseguir viver mais e melhor. Precisa evitar ao máximo qualquer exercício ou atividade que force o abdômen, como andar a cavalo, de moto, bicicleta ou jet-ski. Até mesmo as atividades sexuais do “imbrochável” precisam ser regradas e em posições de menor esforço possível. Requebrar os quadris, por exemplo, nem pensar. O pior mesmo a ser evitado é subir nos ombros dos seguranças e dos admiradores, nos eventos políticos. Se souber se cuidar, Bolsonaro terá uns bons anos pela frente. Se continuar com a porralouquice, não demora a prestar as contas num dos nove círculos do sofrimento imaginados por Dante Alighieri. (C.N.)

Lulistas inundam redes sociais com mote ‘ricos versus pobres’, e Congresso é um dos alvos

 Foto: Edilson Rodrigues/Arquivo/Agência Senado

O senador Jaques Wagner02 de julho de 2025 | 06:39

Lulistas inundam redes sociais com mote ‘ricos versus pobres’, e Congresso é um dos alvos

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Em sintonia com os discursos de Lula e do ministro Fernando Haddad (Fazenda), governistas têm inundado suas redes sociais com a retórica da luta entre pobres e ricos, cenário em que o presidente da República estaria entrando em choque contra poderosos interesses do status quo empresarial e financeiro.

No discurso capitaneado pelo PT, estimulado pelo Palácio do Planalto e disseminado por perfis alinhados, a campanha é formada em boa parte por vídeos produzidos por inteligência artificial e tem como mote a defesa da “taxação BBB”, em referência a “bilionários, bets e bancos” —grupo que formaria um poderoso lobby em parceria com o centrão e a direita no Legislativo.

O Congresso é um dos principais alvos, em especial no varejo da rede social, onde o Legislativo aparece claramente identificado como “inimigo do povo”.

O direcionamento político das redes segue o discurso e a ação de Lula, que nesta terça-feira (1º) disse enfrentar uma “rebelião” toda vez que tenta cobrar mais impostos de ricos.

A declaração foi dada pouco depois de a AGU (Advocacia-Geral da União) ingressar no STF (Supremo Tribunal Federal) para tentar resgatar o decreto presidencial que elevou alíquotas do IOF —derrubado pelo Congresso com 383 votos na Câmara, incluindo a maior parte das bancadas dos centro-esquerdistas PDT e PSB.

“Não é briga política, partidária. É a elite, junto com a direita e o centrão se unindo contra o povo brasileiro”, disse em um dos vídeos postados por governistas o deputado Guilherme Boulos (PSOL-SP), cotado a ocupar a Secretaria-Geral de Lula.

Boulos e o PSOL são os que, da linha de frente lulista, mais apontam o dedo contra o Congresso. Em uma das postagens do deputado, é convocado um protesto para o dia 10 no Masp, em São Paulo, sob o mote “centrão inimigo do povo”.

O PT produziu e jogou em suas redes sociais recentemente vídeos que exploram essa retórica e que foram reproduzidos nos perfis de vários políticos governistas.

Nessas peças, feitas com IA, afirma-se que Lula busca equilibrar a balança de pagamento de impostos apesar das resistências das elites econômicas.

Um dos vídeos que viralizaram é o do “boteco do Brasa”, em que personagens engravatados aparecem em uma mesa ao lado de pessoas comuns querendo pagar menos na conta apesar de terem consumido champagne, caviar e lagosta. A peça já tem mais de 2 milhões de visualizações no Instagram.

Secretário de Comunicação do PT, o deputado Jilmar Tatto (SP) afirma que, semanalmente, o partido leva ao ar dois novos vídeos. Nesta quarta-feira (2), apoiadores do governo participarão de uma live com ênfase no discurso em favor da justiça tributária no Brasil.

“Finalmente, conseguimos uma coesão no governo, no PT e nos setores progressistas sobre a linha política para diálogo com a sociedade, que é fazer o andar de cima pagar impostos”, disse Tatto.

Segundo um integrante do governo, essa ação mais enfática nas redes nasceu a partir de uma cobrança da ministra Gleisi Hoffmann (PT), chefe da articulação política de Lula, e conta com o apoio do ministro Sidônio Palmeira (Secom).

Já em contas alinhadas, o ataque ao centrão e ao Congresso é mais explícito. Um vídeo do perfil “brasilsatiradopoder” que circulou entre governistas, por exemplo, apresenta vídeo de IA parodiando o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB).

Na peça, ele se apresenta como “Hugo nem se importa” em um jantar de luxo, fazendo piada com gastos exorbitantes e terminando bebendo uma garrafa de uísque no bico. A paródia explora o ocorrido em uma festa de São João na Paraíba, quando o presidente da Câmara aderiu a um desafio de tomar um gole de uísque direto na garrafa.

A retórica que busca colar no Legislativo o rótulo de defensor de privilégios de ricos foi um dos motivos da rebelião em que o governo foi derrotado no caso do IOF.

Na ocasião, já havia insatisfação na cúpula de Câmara e Senado com campanhas em perfis de esquerda que apontavam o Congresso como “inimigo do povo”, em especial pela derrubada de vetos de Lula que devem beneficiar empresários do setor elétrico e aumentar a conta de luz.

Na segunda (30), Hugo Motta também foi às redes criticar o governo, afirmando que “quem alimenta o nós contra eles acaba governando contra todos”.

O governo percebeu em junho o potencial da discussão sobre mais impostos para ricos. Naquele mês, Haddad teve um enfrentamento público com deputados bolsonaristas em torno do tema e ganhou engajamento nas redes sociais.

Nas semanas seguintes, como mostrou a Folha, Lula instruiu aliados a fazer mais contrapontos públicos ao centrão e à oposição a partir do tema dos impostos.

A propagação de posts governistas sobre taxar ricos nos últimos dias deu resultados nas plataformas abertas, como X (o antigo Twitter), Instagram e Facebook.

Levantamento da Bites, consultoria especializada em dados de ambientes digitais, mostra que ao menos os governistas da Câmara têm conseguido disputar as redes abertas com opositores de Lula.

Houve 1.120 postagens envolvendo políticos da Câmara sobre o tema desde 25 de junho, quando o Congresso derrubou o decreto do IOF. Esses posts geraram 2,3 milhões de interações –ações como compartilhamentos e curtidas.

O volume pode não ter se repetido nos grupos de mensagens. Luis Fakhouri, colunista da Folha e diretor de estratégias da Palver, empresa que também monitora redes sociais, disse que os indícios são de que o debate promovido pelo governo não está, por ora, chegando em conversas cotidianas.

A Palver analisa grupos de WhatsApp e Telegram. “Não teve uma importância muito grande a entrada do governo [na discussão] e continuou a narrativa que predominava”, disse Fakhouri, se referindo a críticas de que a gestão Lula cobra impostos demais.

Ranier Bragon, Catia Seabra e Caio Spechoto/Folhapress

Ação no Supremo pelo IOF acirra crise de Lula com Congresso, e acordo é incerto

Foto: Marcelo Camargo/Arquivo/Agência Brasil
O presidente Lula02 de julho de 2025 | 07:14

Ação no Supremo pelo IOF acirra crise de Lula com Congresso, e acordo é incerto

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A decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de recorrer nesta terça-feira (1º) ao STF (Supremo Tribunal Federal) contra a derrubada pelo Congresso do decreto que aumentou o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) acirrou o clima de tensão do governo com a cúpula da Câmara dos Deputados e do Senado, que viu na ação um gesto de confronto.

O protocolo da ação no STF foi precedido de conversas com os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), mas a repactuação ainda é incerta, segundo interlocutores dos dois grupos. No Congresso, embora o discurso seja de insatisfação, ainda não há uma retaliação à vista.

O novo capítulo da crise do IOF acentuou o conflito, que no fim de semana já tinha escalado com a estratégia do governo e do PT de culpar o Congresso pelo corte de programas sociais. O discurso, de que o Legislativo estaria ao lado dos ricos, enquanto Lula defenderia os brasileiros mais pobres, foi planejado para preparar o terreno para a eleição de 2026.

Os parlamentares de centro e de direita começaram a ensaiar um discurso para rebater as acusações de que o Congresso está em defesa dos mais ricos. Frentes parlamentares ligadas a empresários também divulgaram manifesto com críticas à iniciativa do governo de recorrer ao STF e à “narrativa segregacionista do ‘nós contra eles’ que divide a sociedade”.

“O aumento deste imposto encarece o crédito, pressiona a inflação e reduz o consumo, sobretudo entre os mais vulneráveis, afetando a mobilidade social. A mudança também afetaria famílias de baixa renda, já que incluiria a elevação da alíquota para empréstimos de curto prazo para 3,5%, até então isentos”, dizem as frentes no documento.

Além disso, as confederações nacionais da Indústria (CNI), do Comércio (CNC) e dos Transportes (CNT) pediram ao STF para entrar como parte no processo, contra a demanda do governo, e defenderam que o aumento impactará mais severamente as menores empresas. “Micro e pequenos empresários terão mais dificuldade para captar crédito no mercado, que se tornará mais caro a partir do aumento do IOF”, afirmam.

Líder do PDT na Câmara, o deputado Mário Heringer (MG) disse que a ação no Supremo foi um erro. “O governo está cada vez mais atolando o pé. Tem que sentar para conversar e pacificar, não continuar esticando a corda. Isso vai ser ruim para os dois lados”, opinou.

O alerta contra a judicialização do decreto do IOF já tinha sido dado pelo presidente do partido de Motta, Marcos Pereira (Republicanos). Logo após a derrubada do decreto, ele afirmou nas redes sociais que o governo não aceitar a derrota e recorrer ao Supremo era um “movimento perigoso que desrespeita a democracia e esvazia o papel do Legislativo”.

Os governistas, por sua vez, rebatem que, assim como o Legislativo entendeu que deveria derrubar um decreto do presidente da República, o Executivo saiu em defesa da sua prerrogativa de decidir qual a alíquota do IOF que incide sobre as operações. Caberá, na visão desses parlamentares, ao STF arbitrar quem está correto neste embate.

Para evitar atritos maiores, representantes do governo procuraram Motta e Alcolumbre para avisar previamente que Lula tinha decidido entrar com a ação no Supremo. Parlamentares aliados ao governo e a Motta também tentam acabar com o conflito, com o argumento de que agravar os ataques prejudicará a ambos e ao país.

O líder do governo na Câmara, deputado José Guimarães (PT-CE), disse nesta terça-feira (1) que quer conversar com Motta para “baixar a temperatura” e retomar o diálogo assim que o presidente da Câmara voltar de viagem a Lisboa. “Mesmo quando a gente briga, temos que ser transparentes e ter lealdade”, afirmou, ao ressaltar que avisou sobre a ação no STF.

Guimarães disse também que a decisão tomada por Motta, de colocar em pauta o projeto para sustar os decretos do governo, ficou no passado e é “questão superada”.

Segundo ele, o governo trabalhará agora no que chamou de “concertação” para viabilizar a votação de outros projetos de interesse, como a isenção do Imposto de Renda para quem renda de até R$ 5.000 e a medida provisória que cria tributação para papéis de renda fixa hoje isentos. “Vida que segue. Agora vamos tratar da pauta prioritária do país.”

O risco de rejeição a projetos importantes para o governo entrou no radar após a cúpula da Câmara demonstrar irritação com o discurso de “ricos contra pobres”. Aliados de Motta passaram a citar que o “pacote eleitoral do Lula” depende do apoio do Legislativo, como a isenção do Imposto de Renda, o fortalecimento do Susp (Sistema Único de Segurança Pública) e ampliação do auxílio-gás e da gratuidade da conta de luz para mais famílias.

Além disso, outro ponto de atenção para o governo é a CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) que investiga irregularidades em descontos associativos pelo INSS (Instituto Nacional de Seguridade Social). Lula dependerá do apoio dos partidos da base aliada para direcionar as investigações contra o governo Bolsonaro. A oposição tenta usar a crise do IOF para convencer Motta a nomear um relator que seja próximo do grupo.

Raphael Di Cunto, Marianna Holanda e Fernanda Brigatti/Folhapress 

Governo tem que aprender a perder, diz líder da base sobre IOF

 Foto: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados/Arquivo

Líder de um dos partidos da base do presidente Lula na Câmara, o deputado Mário Heringer (PDT-MG)01 de julho de 2025 | 21:00

Governo tem que aprender a perder, diz líder da base sobre IOF

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Líder de um dos partidos da base do presidente Lula na Câmara, o deputado Mário Heringer (PDT-MG) afirma que o governo precisa aprender a perder e que deixou escapar uma oportunidade de melhorar as relações com o Congresso ao recorrer ao STF (Supremo Tribunal Federal) para tentar reverter a derrubada do aumento do IOF (Imposto Sobre Operações Financeiras).

“O governo está tensionando na hora em que precisava dar uma distensionada. Tem que aprender a perder. Perdeu, não apela, não. Muda o disco. Porque isso só vai piorar as relações com o Congresso e não vai parar, vai ter retaliação aqui, retaliação ali. Isso é muito ruim”, afirma.

Ele também contesta a argumentação usada pela AGU (Advocacia-Geral da União) de que a derrubada dos decretos que elevaram o IOF foi “interferência indevida” do Congresso sobre as prerrogativas do presidente. “O governo tem a prerrogativa de editar o decreto? Tem. O Congresso tem a prerrogativa de fazer um projeto de decreto legislativo anulando o decreto? Tem. Qual é o problema? Não tem invasão de competência”, complementa.

Deputado do PSB, que também integra a base de Lula na Câmara, Duarte Jr. (MA) também critica a decisão do governo de recorrer ao STF. “Enquanto a população enfrenta juros altos e endividamento recorde, o governo insiste em judicializar o que o Congresso, de forma soberana e majoritária, decidiu: aliviar o bolso do consumidor”, afirma.

“Como advogado, sempre priorizo o diálogo. Acionar o Judiciário deve ser a última alternativa, e não a primeira”, complementa. “Quando ainda há espaço para conversar, é preciso insistir. Judicializar pode representar um caminho sem volta — com custos, desgastes e decisões que fogem ao controle das partes. O melhor acordo é aquele construído com diálogo, verdade, respeito e bom senso.”

Sob reserva, um deputado do PSD também avaliou que a ação do governo tem o potencial de escalar de forma irreversível a tensão entre os Poderes e prejudicar o andamento do país.

Somados, PDT, PSB e PSD têm seis ministérios no governo Lula.

Apesar disso, integrantes da base saíram em defesa da gestão petista e avaliaram como acertada a decisão. Para a senadora Eliziane Gama (PSD-MA), o governo, ao acionar o STF, tenta restabelecer sua competência para editar atos relacionados à política tributária.

“Não há nenhuma surpresa nesse sentido. Na nossa avaliação, não houve exorbitância do governo federal ao editar os decretos do IOF. É muito importante que haja o deferimento desse pedido feito por meio da AGU porque restabelece uma medida que significa uma tributação mais justa para o país”, diz.

O deputado Aliel Machado (PV-PR) vai na mesma linha e afirmou que a discussão principal versa sobre a competência do governo de editar decretos. “É uma questão de legalidade. Porque, se você abre uma margem para que todas as ações que são de competência do governo serem sustadas por um PDL, isso retira autonomia e governabilidade, o que é muito grave”.

Líder do PSOL, Talíria Petrone (RJ) diz que o aumento do IOF busca garantir “que os ricos paguem a conta” da redução da desigualdade no Brasil.

“É a afirmação da constitucionalidade de um decreto do governo, que não poderia ser derrubado por uma suposta inconstitucionalidade. O Congresso Nacional precisa ter maturidade suficiente para compreender que é o governo defendendo aquilo que é a competência de ele fazer”, diz.

Antes da AGU, seu partido entrou com uma ação no STF com o mesmo objetivo. “Ter as duas fortalece ainda mais a iniciativa de reverter essa decisão inconstitucional do Congresso”, afirma Guilherme Boulos (PSOL-SP).

Danielle Brant/João Gabriel/Folhapress

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