quarta-feira, julho 02, 2025

Lulistas inundam redes sociais com mote ‘ricos versus pobres’, e Congresso é um dos alvos

 Foto: Edilson Rodrigues/Arquivo/Agência Senado

O senador Jaques Wagner02 de julho de 2025 | 06:39

Lulistas inundam redes sociais com mote ‘ricos versus pobres’, e Congresso é um dos alvos

brasil

Em sintonia com os discursos de Lula e do ministro Fernando Haddad (Fazenda), governistas têm inundado suas redes sociais com a retórica da luta entre pobres e ricos, cenário em que o presidente da República estaria entrando em choque contra poderosos interesses do status quo empresarial e financeiro.

No discurso capitaneado pelo PT, estimulado pelo Palácio do Planalto e disseminado por perfis alinhados, a campanha é formada em boa parte por vídeos produzidos por inteligência artificial e tem como mote a defesa da “taxação BBB”, em referência a “bilionários, bets e bancos” —grupo que formaria um poderoso lobby em parceria com o centrão e a direita no Legislativo.

O Congresso é um dos principais alvos, em especial no varejo da rede social, onde o Legislativo aparece claramente identificado como “inimigo do povo”.

O direcionamento político das redes segue o discurso e a ação de Lula, que nesta terça-feira (1º) disse enfrentar uma “rebelião” toda vez que tenta cobrar mais impostos de ricos.

A declaração foi dada pouco depois de a AGU (Advocacia-Geral da União) ingressar no STF (Supremo Tribunal Federal) para tentar resgatar o decreto presidencial que elevou alíquotas do IOF —derrubado pelo Congresso com 383 votos na Câmara, incluindo a maior parte das bancadas dos centro-esquerdistas PDT e PSB.

“Não é briga política, partidária. É a elite, junto com a direita e o centrão se unindo contra o povo brasileiro”, disse em um dos vídeos postados por governistas o deputado Guilherme Boulos (PSOL-SP), cotado a ocupar a Secretaria-Geral de Lula.

Boulos e o PSOL são os que, da linha de frente lulista, mais apontam o dedo contra o Congresso. Em uma das postagens do deputado, é convocado um protesto para o dia 10 no Masp, em São Paulo, sob o mote “centrão inimigo do povo”.

O PT produziu e jogou em suas redes sociais recentemente vídeos que exploram essa retórica e que foram reproduzidos nos perfis de vários políticos governistas.

Nessas peças, feitas com IA, afirma-se que Lula busca equilibrar a balança de pagamento de impostos apesar das resistências das elites econômicas.

Um dos vídeos que viralizaram é o do “boteco do Brasa”, em que personagens engravatados aparecem em uma mesa ao lado de pessoas comuns querendo pagar menos na conta apesar de terem consumido champagne, caviar e lagosta. A peça já tem mais de 2 milhões de visualizações no Instagram.

Secretário de Comunicação do PT, o deputado Jilmar Tatto (SP) afirma que, semanalmente, o partido leva ao ar dois novos vídeos. Nesta quarta-feira (2), apoiadores do governo participarão de uma live com ênfase no discurso em favor da justiça tributária no Brasil.

“Finalmente, conseguimos uma coesão no governo, no PT e nos setores progressistas sobre a linha política para diálogo com a sociedade, que é fazer o andar de cima pagar impostos”, disse Tatto.

Segundo um integrante do governo, essa ação mais enfática nas redes nasceu a partir de uma cobrança da ministra Gleisi Hoffmann (PT), chefe da articulação política de Lula, e conta com o apoio do ministro Sidônio Palmeira (Secom).

Já em contas alinhadas, o ataque ao centrão e ao Congresso é mais explícito. Um vídeo do perfil “brasilsatiradopoder” que circulou entre governistas, por exemplo, apresenta vídeo de IA parodiando o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB).

Na peça, ele se apresenta como “Hugo nem se importa” em um jantar de luxo, fazendo piada com gastos exorbitantes e terminando bebendo uma garrafa de uísque no bico. A paródia explora o ocorrido em uma festa de São João na Paraíba, quando o presidente da Câmara aderiu a um desafio de tomar um gole de uísque direto na garrafa.

A retórica que busca colar no Legislativo o rótulo de defensor de privilégios de ricos foi um dos motivos da rebelião em que o governo foi derrotado no caso do IOF.

Na ocasião, já havia insatisfação na cúpula de Câmara e Senado com campanhas em perfis de esquerda que apontavam o Congresso como “inimigo do povo”, em especial pela derrubada de vetos de Lula que devem beneficiar empresários do setor elétrico e aumentar a conta de luz.

Na segunda (30), Hugo Motta também foi às redes criticar o governo, afirmando que “quem alimenta o nós contra eles acaba governando contra todos”.

O governo percebeu em junho o potencial da discussão sobre mais impostos para ricos. Naquele mês, Haddad teve um enfrentamento público com deputados bolsonaristas em torno do tema e ganhou engajamento nas redes sociais.

Nas semanas seguintes, como mostrou a Folha, Lula instruiu aliados a fazer mais contrapontos públicos ao centrão e à oposição a partir do tema dos impostos.

A propagação de posts governistas sobre taxar ricos nos últimos dias deu resultados nas plataformas abertas, como X (o antigo Twitter), Instagram e Facebook.

Levantamento da Bites, consultoria especializada em dados de ambientes digitais, mostra que ao menos os governistas da Câmara têm conseguido disputar as redes abertas com opositores de Lula.

Houve 1.120 postagens envolvendo políticos da Câmara sobre o tema desde 25 de junho, quando o Congresso derrubou o decreto do IOF. Esses posts geraram 2,3 milhões de interações –ações como compartilhamentos e curtidas.

O volume pode não ter se repetido nos grupos de mensagens. Luis Fakhouri, colunista da Folha e diretor de estratégias da Palver, empresa que também monitora redes sociais, disse que os indícios são de que o debate promovido pelo governo não está, por ora, chegando em conversas cotidianas.

A Palver analisa grupos de WhatsApp e Telegram. “Não teve uma importância muito grande a entrada do governo [na discussão] e continuou a narrativa que predominava”, disse Fakhouri, se referindo a críticas de que a gestão Lula cobra impostos demais.

Ranier Bragon, Catia Seabra e Caio Spechoto/Folhapress

Ação no Supremo pelo IOF acirra crise de Lula com Congresso, e acordo é incerto

Foto: Marcelo Camargo/Arquivo/Agência Brasil
O presidente Lula02 de julho de 2025 | 07:14

Ação no Supremo pelo IOF acirra crise de Lula com Congresso, e acordo é incerto

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A decisão do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) de recorrer nesta terça-feira (1º) ao STF (Supremo Tribunal Federal) contra a derrubada pelo Congresso do decreto que aumentou o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) acirrou o clima de tensão do governo com a cúpula da Câmara dos Deputados e do Senado, que viu na ação um gesto de confronto.

O protocolo da ação no STF foi precedido de conversas com os presidentes da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), e do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), mas a repactuação ainda é incerta, segundo interlocutores dos dois grupos. No Congresso, embora o discurso seja de insatisfação, ainda não há uma retaliação à vista.

O novo capítulo da crise do IOF acentuou o conflito, que no fim de semana já tinha escalado com a estratégia do governo e do PT de culpar o Congresso pelo corte de programas sociais. O discurso, de que o Legislativo estaria ao lado dos ricos, enquanto Lula defenderia os brasileiros mais pobres, foi planejado para preparar o terreno para a eleição de 2026.

Os parlamentares de centro e de direita começaram a ensaiar um discurso para rebater as acusações de que o Congresso está em defesa dos mais ricos. Frentes parlamentares ligadas a empresários também divulgaram manifesto com críticas à iniciativa do governo de recorrer ao STF e à “narrativa segregacionista do ‘nós contra eles’ que divide a sociedade”.

“O aumento deste imposto encarece o crédito, pressiona a inflação e reduz o consumo, sobretudo entre os mais vulneráveis, afetando a mobilidade social. A mudança também afetaria famílias de baixa renda, já que incluiria a elevação da alíquota para empréstimos de curto prazo para 3,5%, até então isentos”, dizem as frentes no documento.

Além disso, as confederações nacionais da Indústria (CNI), do Comércio (CNC) e dos Transportes (CNT) pediram ao STF para entrar como parte no processo, contra a demanda do governo, e defenderam que o aumento impactará mais severamente as menores empresas. “Micro e pequenos empresários terão mais dificuldade para captar crédito no mercado, que se tornará mais caro a partir do aumento do IOF”, afirmam.

Líder do PDT na Câmara, o deputado Mário Heringer (MG) disse que a ação no Supremo foi um erro. “O governo está cada vez mais atolando o pé. Tem que sentar para conversar e pacificar, não continuar esticando a corda. Isso vai ser ruim para os dois lados”, opinou.

O alerta contra a judicialização do decreto do IOF já tinha sido dado pelo presidente do partido de Motta, Marcos Pereira (Republicanos). Logo após a derrubada do decreto, ele afirmou nas redes sociais que o governo não aceitar a derrota e recorrer ao Supremo era um “movimento perigoso que desrespeita a democracia e esvazia o papel do Legislativo”.

Os governistas, por sua vez, rebatem que, assim como o Legislativo entendeu que deveria derrubar um decreto do presidente da República, o Executivo saiu em defesa da sua prerrogativa de decidir qual a alíquota do IOF que incide sobre as operações. Caberá, na visão desses parlamentares, ao STF arbitrar quem está correto neste embate.

Para evitar atritos maiores, representantes do governo procuraram Motta e Alcolumbre para avisar previamente que Lula tinha decidido entrar com a ação no Supremo. Parlamentares aliados ao governo e a Motta também tentam acabar com o conflito, com o argumento de que agravar os ataques prejudicará a ambos e ao país.

O líder do governo na Câmara, deputado José Guimarães (PT-CE), disse nesta terça-feira (1) que quer conversar com Motta para “baixar a temperatura” e retomar o diálogo assim que o presidente da Câmara voltar de viagem a Lisboa. “Mesmo quando a gente briga, temos que ser transparentes e ter lealdade”, afirmou, ao ressaltar que avisou sobre a ação no STF.

Guimarães disse também que a decisão tomada por Motta, de colocar em pauta o projeto para sustar os decretos do governo, ficou no passado e é “questão superada”.

Segundo ele, o governo trabalhará agora no que chamou de “concertação” para viabilizar a votação de outros projetos de interesse, como a isenção do Imposto de Renda para quem renda de até R$ 5.000 e a medida provisória que cria tributação para papéis de renda fixa hoje isentos. “Vida que segue. Agora vamos tratar da pauta prioritária do país.”

O risco de rejeição a projetos importantes para o governo entrou no radar após a cúpula da Câmara demonstrar irritação com o discurso de “ricos contra pobres”. Aliados de Motta passaram a citar que o “pacote eleitoral do Lula” depende do apoio do Legislativo, como a isenção do Imposto de Renda, o fortalecimento do Susp (Sistema Único de Segurança Pública) e ampliação do auxílio-gás e da gratuidade da conta de luz para mais famílias.

Além disso, outro ponto de atenção para o governo é a CPMI (Comissão Parlamentar Mista de Inquérito) que investiga irregularidades em descontos associativos pelo INSS (Instituto Nacional de Seguridade Social). Lula dependerá do apoio dos partidos da base aliada para direcionar as investigações contra o governo Bolsonaro. A oposição tenta usar a crise do IOF para convencer Motta a nomear um relator que seja próximo do grupo.

Raphael Di Cunto, Marianna Holanda e Fernanda Brigatti/Folhapress 

Governo tem que aprender a perder, diz líder da base sobre IOF

 Foto: Kayo Magalhães/Câmara dos Deputados/Arquivo

Líder de um dos partidos da base do presidente Lula na Câmara, o deputado Mário Heringer (PDT-MG)01 de julho de 2025 | 21:00

Governo tem que aprender a perder, diz líder da base sobre IOF

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Líder de um dos partidos da base do presidente Lula na Câmara, o deputado Mário Heringer (PDT-MG) afirma que o governo precisa aprender a perder e que deixou escapar uma oportunidade de melhorar as relações com o Congresso ao recorrer ao STF (Supremo Tribunal Federal) para tentar reverter a derrubada do aumento do IOF (Imposto Sobre Operações Financeiras).

“O governo está tensionando na hora em que precisava dar uma distensionada. Tem que aprender a perder. Perdeu, não apela, não. Muda o disco. Porque isso só vai piorar as relações com o Congresso e não vai parar, vai ter retaliação aqui, retaliação ali. Isso é muito ruim”, afirma.

Ele também contesta a argumentação usada pela AGU (Advocacia-Geral da União) de que a derrubada dos decretos que elevaram o IOF foi “interferência indevida” do Congresso sobre as prerrogativas do presidente. “O governo tem a prerrogativa de editar o decreto? Tem. O Congresso tem a prerrogativa de fazer um projeto de decreto legislativo anulando o decreto? Tem. Qual é o problema? Não tem invasão de competência”, complementa.

Deputado do PSB, que também integra a base de Lula na Câmara, Duarte Jr. (MA) também critica a decisão do governo de recorrer ao STF. “Enquanto a população enfrenta juros altos e endividamento recorde, o governo insiste em judicializar o que o Congresso, de forma soberana e majoritária, decidiu: aliviar o bolso do consumidor”, afirma.

“Como advogado, sempre priorizo o diálogo. Acionar o Judiciário deve ser a última alternativa, e não a primeira”, complementa. “Quando ainda há espaço para conversar, é preciso insistir. Judicializar pode representar um caminho sem volta — com custos, desgastes e decisões que fogem ao controle das partes. O melhor acordo é aquele construído com diálogo, verdade, respeito e bom senso.”

Sob reserva, um deputado do PSD também avaliou que a ação do governo tem o potencial de escalar de forma irreversível a tensão entre os Poderes e prejudicar o andamento do país.

Somados, PDT, PSB e PSD têm seis ministérios no governo Lula.

Apesar disso, integrantes da base saíram em defesa da gestão petista e avaliaram como acertada a decisão. Para a senadora Eliziane Gama (PSD-MA), o governo, ao acionar o STF, tenta restabelecer sua competência para editar atos relacionados à política tributária.

“Não há nenhuma surpresa nesse sentido. Na nossa avaliação, não houve exorbitância do governo federal ao editar os decretos do IOF. É muito importante que haja o deferimento desse pedido feito por meio da AGU porque restabelece uma medida que significa uma tributação mais justa para o país”, diz.

O deputado Aliel Machado (PV-PR) vai na mesma linha e afirmou que a discussão principal versa sobre a competência do governo de editar decretos. “É uma questão de legalidade. Porque, se você abre uma margem para que todas as ações que são de competência do governo serem sustadas por um PDL, isso retira autonomia e governabilidade, o que é muito grave”.

Líder do PSOL, Talíria Petrone (RJ) diz que o aumento do IOF busca garantir “que os ricos paguem a conta” da redução da desigualdade no Brasil.

“É a afirmação da constitucionalidade de um decreto do governo, que não poderia ser derrubado por uma suposta inconstitucionalidade. O Congresso Nacional precisa ter maturidade suficiente para compreender que é o governo defendendo aquilo que é a competência de ele fazer”, diz.

Antes da AGU, seu partido entrou com uma ação no STF com o mesmo objetivo. “Ter as duas fortalece ainda mais a iniciativa de reverter essa decisão inconstitucional do Congresso”, afirma Guilherme Boulos (PSOL-SP).

Danielle Brant/João Gabriel/Folhapress

Se o pecado da esquerda é a vaidade moral, o da direita é truculência


Charge do Jefferson (Arquivo Google)

Luiz Felipe Pondé
Folha

A direita é contra a cultura? Não responda a essa pergunta com pressa. O que Donald Trump vem fazendo com algumas universidades americanas é um exemplo de crassa estupidez, além de ferir, de fato, a autonomia de cátedra da universidade.

Autonomia de cátedra —ou liberdade de cátedra— é um princípio regulador e institucional antigo que prevê a liberdade plena de um professor ensinar, pensar, escrever e estudar o que ele julgar condizente com a missão da universidade —gerar ideias, formação profissional, liberdade de pensamento, aprofundar o conhecimento científico e conceitualmente consistente. Um governo não pode interferir no cotidiano de uma universidade. Isso é um claro ato de vocação totalitária.

EXISTE AUTONOMIA? – A pergunta que devemos fazer é: a autonomia de cátedra hoje, seja nos Estados Unidos, seja no Brasil, seja na Europa, seja na América Latina, como um todo, existe? Ou a gestão interna da universidade já a aboliu por meio dos jogos corporativos, das ideologias hegemônicas — hoje de esquerda descaradamente—, dos truques das reitorias, das instâncias colegiadas e dos conselhos universitários internos?

Ou será que a burocracia que emana das instâncias reguladoras, no Brasil a Capes, já não destruiu a criatividade dos professores, que correm em busca de métricas que os ajudem a ganhar financiamentos?

Lembrando que essas instâncias tendem a ser colonizadas pela mesma ideologia que domina a universidade.

PECADORES E HEREGES – Uma das formas maiores de violência interna às instituições é a exclusão de pessoas da sociabilidade entre os colegas. Um pouco como se fazia com pecadores e hereges noutras épocas.

Harvard ou Columbia não escapam dessas mazelas. A rede de destruição da liberdade de cátedra em favor de consórcios ideológicos e políticos é internacional. E o trânsito internacional vale ouro para as agências de aferição de produtividade.

É comum ver nas universidades hoje carreiras sendo destruídas, objetos de pesquisa para mestrado e doutorado sendo recusados, colegas ou alunos serem alvos de assédio moral, simplesmente porque não fariam parte do consórcio ideológico ou porque seus interesses de pesquisa não se alinham aos objetivos carreiristas de muitos professores. A verdade é que as universidades não têm mais liberdade de cátedra.

PECADO CAPITAL – A expressão virou letra morta. Se o pecado capital da esquerda é a vaidade moral, o da direita é a truculência. Essa truculência torna a direita burra na sua relação com as universidades, principalmente na área de humanas.

Seus agentes pensam que nelas só existem maconheiros, vagabundos e preguiçosos —senão teriam feito engenharia ou medicina. Para a direita só vale a técnica e a gestão. Pensa que é científica, enquanto a esquerda seria considerada das humanas.

Mas, evidentemente, essa opinião é fruto da ignorância que grassa entre a maioria da direita. Aliando-se via redes sociais ao “povo”, a direita multiplica sua ignorância repetindo a do senso comum. A esperança deles é acabar com a “universidade de esquerda”, como dizem, e com isso assumir o poder pleno da produção de conhecimento no país.

SURTO DO FILHO – É comum ouvir membros da elite econômica dizer que o surto do filho de fazer documentários de esquerda e votar no PSOL passará logo. Mas o fato é que numa das áreas de maior impacto na sociedade essa ideia não funciona. Na área do direito, do Ministério Público e da magistratura.

Enquanto todos olhavam para os partidos políticos populistas de esquerda, a revolução está vindo do poder Judiciário. Brasil, Estados Unidos, França e Israel são apenas alguns exemplos. A ideia de que a magistratura e o Ministério Público têm missão civilizadora é apenas um dos modos do sintoma.

Outra área menosprezada pela direita —que, assim, como as universidades, só se lembra dela para xingar —é a formação dos profissionais da imprensa, um reduto, na sua imensa maioria, nas garras da esquerda.

“AGÊNCIAS LULISTAS” –  Esse fato enviesa quase totalmente seus conteúdos, no caso do Brasil hoje, criando “agências” envergonhadas do governo Lula. Vale salientar que o viés à direita, que existe em alguns veículos, faz um contraponto, mas o risco de virar um reduto do fundamentalismo bolsonarista é muito grande.

As fundações culturais também são objeto de desprezo e maus-tratos por parte de governos de direita. Eles parecem crer que basta matá-las de fome para que o “problema” seja sanado, em vez de buscarem quadros competentes na área que não sirva ao populismo de esquerda em voga no momento.

Afora o fato de que essas áreas são um salve-se quem puder. Enfim, se alguém capaz acordar dessa estupidez, será tarde: a cultura já será um lixo.


Por que o discurso de Tarcísio irritou bolsonaristas e até membros da família

Publicado em 1 de julho de 2025 por Tribuna da Internet

 em ato  pró-Bolsonaro

A gente está aqui para pedir anistia e pacificação’, diz Tarcísio

Bela Megale
O Globo

O discurso de Tarcísio de Freitas no ato pró-Jair Bolsonaro na Avenida Paulista, no domingo (29), desagradou aliados próximos e até integrantes da família do ex-presidente.

A fala do governador de São Paulo, centrada nos ataques ao PT e ao governo Lula, foi vista como um discurso de candidato à Presidência, mas sem encampar as bandeiras do bolsonarismo.

POSICIONAMENTO – O fato de Tarcísio, mais uma vez, ter poupado o ministro Alexandre de Moraes e o Supremo Tribunal Federal (STF) foi o principal ponto de queixa entre bolsonaristas, já que havia a expectativa de que alguma crítica fosse dirigida ao Judiciário.

Eles avaliam que, com sua fala, o governador atrai a base do ex-presidente e evita carregar o ônus de se indispor com o Supremo.

— O Brasil não aguenta mais a desfaçatez, o gasto desenfreado, a corrupção. O Brasil não aguenta mais o governo gastador. Quem paga essa conta dos juros altos são vocês. O Brasil não aguenta mais aumento de imposto, não aguenta mais o PT — disse o governador.

“VOLTA, BOLSONARO” – As manifestações de Tarcísio para exaltar o capitão reformado e o coro “volta, Bolsonaro”, puxado pelo governador em São Paulo, são vistos nesse grupo de aliados do ex-presidente como uma estratégia de se mostrar fiel. Para eles, porém, Tarcísio já está focado em ser o sucessor de Bolsonaro em 2026, o que ele nega.

Na verdade, o governador de São Paulo ganha cada ganha vez mais apoio no campo da direita como nome para concorrer à Presidência contra Lula, mas ainda enfrenta resistência forte dos filhos de Jair Bolsonaro e de aliados muito próximos do ex-presidente.

A irritação de Eduardo Bolsonaro com Tarcísio seria por causa do crescimento do apoio do Centrão à candidatura de Tarcisio, em detrimento dos nomes do próprio Eduardo e da mulher Michelle.  


 

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