terça-feira, junho 03, 2025

Portugal vai notificar mais de 5.000 brasileiros para deixarem país, voluntariamente ou à força

 Foto: Pedro Nunes/Reuters

Lisboa, capital de Portugal02 de junho de 2025 | 20:45

Portugal vai notificar mais de 5.000 brasileiros para deixarem país, voluntariamente ou à força

mundo

Em pouco mais de um mês, o número de imigrantes que tiveram os pedidos de residência rejeitados em Portugal quase dobrou. Segundo informou o ministro da Presidência do Conselho de Ministros, António Leitão Amaro, são 33.983 pessoas que receberão as notificações para deixar o país voluntariamente ou à força, se necessário.

Até então, sabia-se que 18 mil estrangeiros estavam nessa situação. Do total, 5.386 são brasileiros. “Nós tínhamos 18 mil indeferimentos, agora, são quase 34 mil”, afirmou o ministro. Ele destacou que a Agência para a Integração, Migrações e Asilo (Aima) está notificando cerca de 2.000 imigrantes por dia para que saiam de Portugal.

Esses números foram repassados por Leitão Amaro durante entrevista coletiva para detalhar o que foi feito no primeiro ano de vigência do Plano de Ação para as Migrações. Na avaliação do ministro, que falou por quase uma hora e meia, as notificações dos imigrantes que devem sair de Portugal começaram a acelerar na semana passada. “O processo de emissão está [em modo] semiautomático”, destacou.

Imigrantes do subcontinente indiano são maioria, pelos cálculos do ministro. A lista dos quase 34 mil imigrantes que devem deixar voluntariamente Portugal é encabeçada por indianos: eles são 13.466 do total, seguidos pelos brasileiros (5.386), por cidadãos de Bangladesh (3.750), nepaleses (3.279), paquistaneses (3.005), argelinos (1.054), marroquinos (603), colombianos (236), venezuelanos (234) e argentinos (180). Outras nacionalidades somam 2.790 pessoas.

“Essa notificação, no regime português, permite a retirada voluntária e só leva à retirada coerciva depois de um novo procedimento”, explicou Leitão Amaro. Todo o processo de notificação realizado pela Aima é acompanhado pelas forças de segurança, que podem ser acionadas a qualquer momento para a expulsão dos notificados.

Dos 440 mil processos relativos a pedidos de residência em Portugal vinculados à extinta manifestação de interesse, 184.059 já tiveram decisão pela agência, dos quais 150.076 foram deferidos, ou seja, aprovados. Com os quase 34 mil notificados para sair do país, a taxa de rejeição chegou a 18,5%. Isso quer dizer que quase dois em cada 10 pedidos de residência com decisão final foram recusados.

Folhapress

Citada por Janja ao defender regulação, a TikTok monitora e censura usuários

Publicado em 2 de junho de 2025 por Tribuna da Internet

Por que a campanha pró-Janja virou um "ploblema"

Janja tem boa educação e fala palavrões em várias línguas

Nelson de Sá
Folha

A crítica inesperada da primeira-dama Rosângela da Silva, a Janja, ao TikTok, no jantar oferecido pelo líder Xi Jinping ao presidente Lula (PT) há três semanas, colocou o Brasil ao lado dos Estados Unidos no cerco à rede social chinesa, daí o mal-estar em Pequim.

Na China, a aprovação da proibição do TikTok nos EUA é creditada às imagens na plataforma da ofensiva de Israel, aliado do país de Donald Trump, em Gaza.

DEFENDENDO CENSURA? – Janja declarou depois, em podcast da Folha, que Xi Jinping teria citado a regulação chinesa em sua resposta no jantar. “Por que é tão difícil falar disso aqui [no Brasil]?”, questionou a primeira-dama na entrevista, referindo-se à “regulação muito forte” chinesa.

O deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) então a acusou de estar defendendo “censura”.

A regulação chinesa é, de fato, muito forte. Seu arcabouço começa na Constituição, que determina que os cidadãos exerçam seus direitos sem prejudicar os interesses do país, da sociedade e de outros.

LEI DE SEGURANÇA – A Lei de Segurança Cibernética, de 2017, regula a segurança da rede, a proteção de dados e o controle de conteúdo, estipulando a obrigação, por parte das plataformas, como WeChat, Weibo e Douyin, o TikTok chinês, do gerenciamento de segurança. São elas as principais responsáveis pela revisão e administração de conteúdo.

Outras leis, como a de Segurança de Dados e a de Proteção de Informações Pessoais, ambas de 2021, ordenam o manuseio de dados, inclusive transferências internacionais, e a privacidade do usuário, restringindo a coleta não autorizada de informações.

Regulamentações, por exemplo, sobre a Gestão de Serviços de Informação da Internet ou sobre a Governança do Ecossistema de Conteúdo Informacional Online, detalham como as plataformas devem monitorar e censurar conteúdo considerado ilegal.

CONTEÚDO NOCIVO – ‘Isso se aplica também ao que é considerado conteúdo nocivo, como notícias falsas, rumores e, em categoria mais marcadamente contemporânea, “niilismo histórico”, ou seja, as revisões da história do país pelas consideradas “forças hostis”.

Entre os órgãos que supervisionam as plataformas de mídia social estão a Administração do Ciberespaço da China, o principal regulador, respondendo pelo controle, licenciamento e fiscalização de conteúdo, e o Ministério de Segurança Pública, que monitora atividades consideradas ilegais online, inclusive crimes cibernéticos e conteúdo considerado subversivo.

Eles podem fornecer suporte técnico para a ação das plataformas. Moderação e censura são realizados usando três sistemas. Um deles é a filtragem de palavras-chave, com bloqueio ou remoção automática de postagens com termos sensíveis, que indiquem, por exemplo, discussões sobre Xinjiang ou Taiwan.

MODERADORES – O segundo sistema são os moderadores humanos, equipes das plataformas para revisão de conteúdo. Por fim, o monitoramento de inteligência artificial usa algoritmos para, em tempo real, detectar e suprimir conteúdo considerado ilegal. Entre os meios técnicos usados estão reconhecimento facial e análise emocional.

Segundo a regulação chinesa, todos os usuários de mídia social no país devem se registrar com seus nomes verdadeiros, para evitar o anonimato e aumentar a responsabilização. Mas o uso de nomes fictícios e avatares é disseminado.

Em seu relato da conversa sobre o TikTok, durante entrevista coletiva ao final da visita a Pequim, Lula afirmou que Xi teria dito que o Brasil tem o direito de fazer a sua regulamentação da rede, a exemplo da China.

CRÍTICAS A JANJA – A intervenção da primeira-dama no jantar desencadeou uma série de críticas da oposição no Brasil. Bolsonaristas associaram a fala dela a uma defesa de “censura” nas redes sociais, nos moldes do que é praticado pelo governo do Partido Comunista chinês.

O funcionamento do TikTok nos EUA está ameaçado por uma lei americana aprovada no ano passado que exige que o aplicativo se separe de seu proprietário chinês ByteDance ou feche as operações no país.

O governo de Trump suspendeu a aplicação da lei e estabeleceu o prazo de 19 de junho para que haja um acordo pelo qual investidores americanos comprem o aplicativo.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Dona Janja da Silva se acha o máximo, é capaz de dar peruada em qualquer tipo de conversa, por isso é um perigo ambulante, e com educação primorosa, pois já mostrou que sabe falar palavrões em várias línguas. (C.N.)

Bolsonaro jamais sinalizou que faria ruptura ou golpe, diz Marinho

Publicado em 2 de junho de 2025 por Tribuna da Internet

De forma nenhuma' Bolsonaro sinalizou por ruptura, diz Rogério Marinho

Bolsonaro evitou bloqueio de rodovias, disse o ex-ministro

Gabriela Boechat e Manoela Carlucci
da CNN

Em depoimento ao Supremo Tribunal Federal (STF) nesta segunda-feira (2), o senador Rogério Marinho (PL-RN), ministro do Desenvolvimento Regional no governo de Jair Bolsonaro (PL), afirmou que houve, por parte do ex-presidente “grande preocupação para que não houvesse excessos” na transição para o governo de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Marinho testemunhou a favor de Bolsonaro e do ex-ministro general Walter Braga Netto no âmbito das investigações que apuram uma tentativa de golpe de Estado em 2022.

“De maneira nenhuma Bolsonaro sinalizou a intenção de uma ruptura, golpe” — afirmou Marinho.

“CIVILIDADE” – Questionado pelo advogado do ex-presidente se Marinho tinha conhecimento sobre qualquer relação de Bolsonaro com os atos do 8 de janeiro, o senador respondeu que não, que Bolsonaro se preocupou para que houvesse “civilidade” na transição de poder.

“Todos estávamos chateados, não esperávamos a derrota. […] Eu via o presidente preocupado para não haver bloqueio de rodovias ou algo que prejudicasse a vida das pessoas, algo que atrapalhasse a economia ou a mudança do comando do país”, disse.

Citando uma reunião da qual participou no Palácio do Alvorada, logo após o segundo turno, Marinho afirmou que Bolsonaro estava chateado, mas focado na transição de governo e contente com o resultado da eleição de seu partido, o PL, para o Congresso Nacional.

FIM DAS TESTEMUNHAS – A Primeira Turma do Supremo terminou nesta segunda os depoimentos de testemunha de defesa do chamado “núcleo 1” do inquérito do golpe. Ao longo desta fase da ação penal que apura suposta tentativa de golpe de Estado, foram ouvidas 52 testemunhas.

A maioria negou que os réus tivessem discutido ou arquitetado um plano para impedir a posse de Luiz Inácio Lula da Silva (PT). Dois ex-comandantes das Forças Armadas, porém, disseram que Bolsonaro e aliados lhe apresentaram estudos sobre estado de exceção e Garantia da Lei e da Ordem (GLO) como medidas para manter o ex-presidente no poder.

O ministro relator do caso, Alexandre de Moraes, marcou para a próxima segunda-feira (9), o início dos interrogatórios dos réus.

Governo e Supremo preparam a nova censura e o Congresso tem de resistir


Charge sobre censura - Donny Silva

Charge do Nani (nanihumor.com)

Luiz Ernesto Lacombe Heilborn
Postagens

Não é à toa que Lula ama o Partido Comunista Chinês. Tudo o que ele quer é ter no Brasil uma ditadura semelhante à de Xi Jinping. Partido único, sem eleições livres… Opositores do regime extirpados sumariamente, perseguição implacável contra eles, censura em nível máximo.

Não é à toa que Lula e Janja querem a ajuda dos comunistas chineses para “regulamentar” as mídias digitais no Brasil. “Se não seguir a regra, tem prisão”, deslumbrou-se a mulher que não é de “segunda classe”, já que não tem classe…

PRIORIDADE MÁXIMA – É assim: censurar é prioridade máxima para a turma do PT, é pauta de governo. Equilíbrio fiscal, controle da inflação, redução de juros, melhor ambiente de negócios, crescimento, isso tudo parece secundário.

Só a censura oficializada pode salvar o Brasil, e salvar o país de tudo o que há de ruim, tudo – “fascistas” e “nazistas” incluídos, obviamente.

Se o Projeto de Lei 2630 – chamado por seus defensores de “PL das Fake News”, mas que sempre foi o “PL da Censura” – não avançou no Congresso, a turma do Lula prepara novo ataque.

NOVA INVESTIDA – A minuta do novo texto da proposta foi finalizada pelo Ministério da Justiça e enviada para análise do Palácio do Planalto. A meta é levar o projeto ao Congresso logo depois da aprovação da tal PEC da Segurança.

E a ideia fajuta, criminosa é vender o novo projeto como a solução para todos os problemas… A gangue jura que só a censura das mídias digitais poderá salvar as crianças e os adolescentes – expostos a desafios insanos nas redes sociais –, e os mais idosos – vítimas preferenciais de golpes, como o do INSS…

Só a censura poderá combater a propaganda enganosa, a venda de produtos ilegais ou de baixa qualidade e os golpes financeiros na internet… Não, claro que não, o governo, sempre bem intencionado, jamais desejou interferir na liberdade de expressão de quem usa a rede…

NOVA AUTORIDADE – O Brasil do PT vai inventar uma “autoridade” para determinar o que pode e o que não pode ser publicado na rede. Esperar uma ordem judicial para a retirada de conteúdos será sempre perigoso… As crianças, os adolescentes e os velhinhos não podem ser expostos a isso, ninguém pode.

Enfim, dizem que só o Estado é capaz de nos salvar e proteger. Que entreguem, então, o poder de censura também ao Executivo federal, e ele possa agir o mais rápido possível. Claro que a bênção do STF é necessária…

Hoje, o Supremo é o grande censor do país, mas ele não deve se opor, não neste momento, a um conluio institucional. Há algumas vantagens em dividir a tarefa com o subordinado, o cúmplice igualmente asqueroso. Mesmo que a censura seja, como dizem, totalmente do bem, há sempre um desgaste possível…

AGU ENTRA EM CAMPO – A Advocacia-Geral da União, que só deveria agir em caso de ameaça ao erário, já solicitou ao Supremo Tribunal Federal que aplique de forma imediata medidas judiciais para “fazer cessar episódios de desinformação, casos de violência digital e danos provocados pela omissão de redes sociais”.

O que isso quer dizer? Nada… e tudo. A AGU argumenta ainda que o pedido não se caracteriza como censura prévia, mas uma “imposição de deveres de diligência, cautela e responsabilidade”.

O pedido foi feito pelo órgão no âmbito de um julgamento no qual o STF analisa a constitucionalidade do artigo 19 do Marco Civil da Internet.

RESPONSABILIZAR AS REDES – Segundo a lei, a responsabilização das plataformas pelo conteúdo ilícito produzido por usuários só se dá quando elas se omitem diante de ordem judicial. Para a AGU, “as redes sociais que impulsionam, moderam ou recomendam conteúdo ilícito devem ser responsabilizadas independentemente de notificação judicial”.

Claro que a liminar pedida pela AGU – empilhada sobre expressões vagas, “risco sistêmico”, “desinformação grave”, “dever de cuidado”, “responsabilidade por omissão algorítmica” – não tem nada a ver com a proteção do cidadão, não há zelo legítimo. A liberdade jamais será um luxo ultrapassado.

O projeto é uma nova ação do mal, mais uma vez contra a Constituição, que garante a liberdade de expressão, a livre manifestação e proíbe a censura. Não há nada que se possa combater com desrespeito à Lei Máxima do país, com violação de garantias fundamentais.

ARTIGO 19 – E o artigo 19 do Marco Civil da Internet está em debate. Sua constitucionalidade está sendo examinada. O julgamento sequer terminou. Há voto pendente, há divergência estabelecida, mas a AGU quer que o texto já não tenha valor, que a lei ceda à exceção… Para que esperar que o Judiciário seja provocado? O modelo que se deseja não é jurídico, é militante.

E é óbvio que quem monta um esquema assim não imagina que vai sair do poder. O novo PL da Censura, com a permissão do STF, será o maior cabo eleitoral da turma do Lula. O debate público será controlado, desequilibrado, ou nem haverá. E nenhum adversário terá autorização para assumir o controle de ferramenta tão cruel, tão ardilosa…

O Brasil está muito perto da censura legalizada, quase no modelo comunista chinês sonhado por Lula há tanto tempo. É preciso que a sociedade não esmoreça, que rebata eternamente as pressões transgressoras. Já resistimos antes, e vencemos, mas é uma guerra sem fim, uma guerra que só perde quem desiste dela, quem se rende. E ninguém, ninguém pode se entregar.

(artigo enviado por Mário Assis Causanilhas)


O universo onde a verdade e a mentira têm o mesmo valor


 O universo onde a verdade e a mentira têm o mesmo valor 


A ERA DA ESTUPIDEZ


Opiniões descabidas viralizam, moldam eleições, destroem reputações e corroem a autoridade do saber


Vivemos um tempo paradoxal. Nunca tivemos tanto acesso ao conhecimento e, ao mesmo tempo, nunca estivemos tão expostos à desinformação, ao ruído e à superficialidade. Em plena era da inteligência artificial, assistimos ao colapso do pensamento crítico. O psicólogo social Jonathan Haidt, da Universidade de Nova York, alertou: “A humanidade está ficando mais estúpida exatamente no momento em que nossas máquinas estão ficando mais inteligentes que nós”. Essa constatação resume o espírito de uma era marcada pela derrocada do ecossistema do pensamento, agravada pela onipresença de smartphones e redes sociais. O que deveria ser ferramenta de ampliação da inteligência humana tornou-se, para uma imensa maioria, instrumento de sua atrofia. Umberto Eco alertou que as redes deram voz a uma legião de imbecis. A democratização da palavra sem educação e responsabilidade produziu uma avalanche de ignorância orgulhosa. Opiniões descabidas, antes perdidas num balcão de bar, hoje viralizam, moldam eleições, destroem reputações e corroem a autoridade do saber.


A crise da mediação atingiu em cheio a autoridade epistêmica: cientistas, professores e jornalistas passaram a disputar espaço, em condições de igualdade ilusória, com influencers, conspiracionistas e perfis anônimos. A verdade passou a valer tanto quanto a mentira — desde que ambas tenham os mesmos likes. No Brasil, o cenário é ainda mais grave. Segundo o Indicador de Alfabetismo Funcional, mais de 30% da população é incapaz de compreender conceitos e argumentos complexos. Esse povo é bombardeado por conteúdos enganosos, contraditórios ou falsos, sem dispor de preparo para distinguir o real da manipulação. Educar nossos filhos será cada vez mais desafiador em um ambiente de inundação de informações inverídicas e manipuladoras.


A desigualdade hoje é também cognitiva. Uma elite capacitada interpreta, filtra e se protege. Já a maioria é arrastada pelo fluxo caótico da desinformação. A economia da atenção se converteu em indústria bilionária que transforma dados das massas em lucro para poucos, criando um ecossistema predatório onde somos simultaneamente consumidores e produto. Vivemos a era do colonialismo digital, em que gigantes tecnológicos extraem nossa atenção, comportamentos e desejos como novo recurso primário. Nessa estrutura de poder assimétrica, quem controla os algoritmos e a tecnologia determina não apenas o que consumimos, mas como pensamos, sentimos e interagimos, perpetuando dependências sistêmicas sob o disfarce da conectividade gratuita e da conveniência.


“A era da estupidez” não é somente um título provocativo: é um diagnóstico preocupante. Sintomas não faltam — das fake news à rejeição da ciência, do imediatismo na vida pública ao descrédito das instituições. E não será a tecnologia, por si só, que nos salvará. Sem base humanista, ela apenas amplifica nossas falhas. Enfrentar o desafio exige educação crítica, letramento digital, ética na comunicação, valorização do pensamento elaborado e, sobretudo, recuperar o tempo longo do argumento bem construído, da escuta verdadeira, da responsabilidade cívica. Pensar, hoje, é — mais do que nunca — um ato político necessário. Porque, se não pensarmos e agirmos, seremos pensados — por máquinas, algoritmos ou oportunistas produzidos pela estupidez.


Por Murillo de Aragão

segunda-feira, junho 02, 2025

Entidade investigada por descontos no INSS é ligada a frente parlamentar no Congresso

 Foto: Rafa Neddermeyer/Agência Brasil

No lançamento da frente, em abril de 2024, o presidente da Conafer, Carlos Lopes, era o único agente privado no palco02 de junho de 2025 | 10:44

Entidade investigada por descontos no INSS é ligada a frente parlamentar no Congresso

brasil

A Conafer (Confederação Nacional dos Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais), investigada pela Polícia Federal no esquema de fraudes em descontos associativos pagos pelo INSS (Instituto Nacional do Seguro Social), é ligada à Frente Parlamentar em Defesa do Empreendedorismo Rural, que conta com o apoio de 212 deputados e senadores.

No lançamento da frente, em abril de 2024, o presidente da Conafer, Carlos Lopes, era o único agente privado no palco.

Com ele estavam o presidente da frente, deputado Fausto Pinato (PP-SP), o vice-presidente, senador Chico Rodrigues (PSB-RR), e o secretário-adjunto da Secretaria de Inovação, Desenvolvimento Sustentável, Irrigação e Cooperativismo do Ministério da Agricultura, Pedro Neto.

No evento, Lopes afirmou que era muito importante “ter esse apoio do Congresso Nacional” e agradeceu aos parlamentares pela criação da frente. Ele se referiu a Rodrigues como “amigo e orientador”.

O senador discursou antes de Lopes e disse que a iniciativa do presidente da Conafer é reconhecida por todos. Afirmou também que haveria uma conexão grande entre os trabalhos da frente parlamentar e a entidade.

Pinato, o último a falar, afirmou que conheceu o presidente da Conafer havia “pouco tempo” e que conhecê-lo levou ao deputado “um pouco de esperança”.

Procurado, Pinato afirmou que a frente “nunca foi bancada pela Conafer”. “Ela sempre ouviu ideias da comunidade rural brasileira, inclusive da Conafer. Contudo, jamais a frente parlamentar se curvou ou beneficiou de qualquer entidade, a que título for”, disse.

O deputado acrescentou que “assim como ocorre com outras frentes parlamentares temáticas, ela conta com o apoio de diversos setores da sociedade civil, inclusive da iniciativa privada. Entre os apoiadores, está a Conafer”.

“O que nos liga são ideias e projetos que vão ao encontro dos anseios dos pequenos e médios produtores: projetos de lei, indicações ao Executivo”, concluiu.

O senador Chico Rodrigues não respondeu aos questionamentos da reportagem.

Além desses dois parlamentares, também participaram da criação da frente os deputados Vander Loubet (PT-MS) e Euclydes Pettersen (Republicanos-MG) e o senador Rogerio Carvalho (PT-SE).

Pettersen já atuou como porta-voz político da Conafer em reuniões com o INSS, de acordo com relatos feitos à Folha. Os parlamentares não responderam aos questionamentos da reportagem.

A Conafer é a segunda entidade com o maior volume de descontos associativos em benefícios pagos pelo INSS. A maior é a Contag (Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura).

As duas associações estão entre as 11 investigadas pela PF por fraudes nesses pagamentos. As entidades afirmam que apoiam a fiscalização das irregularidades.

O setor tem um lobby influente no Congresso Nacional. Como mostrou a Folha, 31 parlamentares de 11 partidos defenderam o enfraquecimento de medidas de controle do mecanismo de descontos associativos desde 2019.

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), abrigou em seu gabinete um diretor da Conafer, Jeronimo Arlindo da Silva Junior, conhecido como Junior do Peixe, entre outubro de 2020 e fevereiro de 2021. Na época, ele também era diretor de Assuntos Institucionais da entidade. Motta não comentou o caso.

A operação Sem Desconto foi deflagrada pela PF em abril. De acordo com as investigações, a soma dos valores descontados chega a R$ 6,3 bilhões, entre 2019 e 2024, mas ainda será apurado qual a porcentagem foi feita de forma ilegal.

Lucas Marchesini / FolhapresspOLITICAlIVRE

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