segunda-feira, junho 02, 2025

Elon Musk disse “adeus” ou apenas um “Até breve” ao governo Trump?

Publicado em 1 de junho de 2025 por Tribuna da Internet

Musk participa de ligação de Trump com Zelenskiy, da Ucrânia, em sinal de prestígio

Musk deixa o cargo, mas a política de cortes continuará

Wálter Maierovitch
do UOL

Para os inimigos, o bilionário Elon Musk não voltará ao governo Donald Trump nunca mais. Dentre os seus mais poderosos inimigos destacam-se Marco Rubio, secretário de Estado, e Scott Bessent, do Tesouro. Nos escalões mais baixos, centenas de burocratas foram resistentes às transformações impostas por Musk, que nunca havia operado ou conhecido o serviço público.

Sem atingir a meta prometida de cortes e postos, Musk deixou sexta-feira o Departamento para Eficiência Governamental (Doge, na sigla em inglês). Em seu discurso de agradecimento, o presidente Donald Trump ressaltou que o departamento continuará atuante, mas sem Musk

FESTA NO SALÃO OVAL – Musk teve direito a despedida calorosa de Trump, no Salão Oval. Ganhou uma simbólica e dourada chave de ingresso à Casa Branca.

Para os despeitados, foi um ” enterro de luxo”. Os desafetos preferiram o termo ” divórcio”, como quebra definitiva de vínculo.

Os inimigos de dentro da administração Trump lembraram que os cortes de US$ 2 trilhões prometidos não chegaram à metade dessa meta. Musk culpou a burocracia enraizada na administração e nos órgãos públicos pela dificuldade em atingir reduções mais altas.

USO DE DROGAS – O espetáculo da despedida na Sala Oval teve um ingrediente amargo. É que o jornal The New York Times voltou ao tema das drogas proibidas usadas pelo bilionário.

Para fugir da depressão, Musk utilizou, em especial na campanha presidencial, a cetamina (potente droga psicoativa empregada ilegalmente na dopagem de cavalos de corrida) e outras, igualmente proibidas e também estimuladoras do sistema nervoso central.

Uso de droga é uma questão pessoal, mas, no mundo conservador e da direita extremada, não é aceito. Principalmente se esse uso for feito por ocupantes de função pública. E isso tudo em um momento em que Trump usa o tráfico e o uso de drogas ilícitas para promover deportações.

TRIO MÁGICO – Com tantas confusões na guerra comercial de tarifações, nas vacilações a respeito da guerra da Ucrânia, para muitos analistas é impossível o governo americano deixar de contar hoje com o chamado trio mágico, três empresários considerados prodígios da era da tecnologia digital: Musk, Peter Thiel, confundador do PayPal, e Marc Andeessen, da Andreessen Horowitz.

Musk fornece mísseis, astronaves, satélites, comunicações para CIA, Pentágono e NASA. Andrerssen, por sua vez, é fundamental a Trump na tentativa de mostrar musculatura à China, no campo da Inteligência artificial. Quanto a Thiel, tornou-se chave nos serviços secretos de defesa dos EUA.

Em síntese, Trump conquistou, para surpresa de muitos, os talentos do Vale do Silício, E a tecnologia disponibilizada por Musk fez Trump ganhar a eleição até mesmo em zonas dominadas por democratas.

Apesar do desgaste na relação, tudo leva a crer que o bilionário deu apenas um ‘até breve’ a Trump.


Quais são os dois generais que, na opinião do Alto Comando, precisam ser absolvidos?

Publicado em 2 de junho de 2025 por Tribuna da Internet

Ex-comandantes defendem general acusado de golpismo | BASTIDORES CNN

Para Moraes, as palavras dos ex-comandantes não têm valor

Eliane Cantanhêde
Estadão

Ao não tornar réus o general Nilton Diniz Rodrigues e o coronel Cleverson Ney Magalhães, a primeira turma do Supremo abriu uma porta – ou lançou uma esperança – para que outros militares sejam absolvidos ao longo do julgamento pela tentativa de golpe de Estado. Os dois mais citados por chefes e colegas no Exército são os generais da reserva Augusto Heleno e Estevam Theóphilo Gaspar de Oliveira.

Há uma percepção de que o relator do golpe no STF, Alexandre de Moraes, teve dúvidas sobre as acusações contra o general Nilton e o coronel Cleverson, que são “kid pretos”, mas foram citados apenas superficialmente numa reunião do grupo, e, antes de votar por torná-los réus ou absolvê-los, teve o cuidado de se informar com a cúpula do Exército, inclusive com o comandante Tomás Paiva, com quem tem boas relações. Não é impossível que a consulta se repita durante o julgamento.

PENAS DURAS – Militares de alta patente na ativa e na reserva preveem condenações duras, por exemplo, para oficiais generais como Mário Fernandes e Walter Braga Netto (preso preventivamente desde dezembro de 2024), do Exército, e Almir Garnier, ex-comandante da Marinha, que teria colocado a Força à disposição do golpe.

Porém, seja por convicção, seja por puro companheirismo, argumentam que Heleno é “apenas um falastrão metido valente” e que Theóphilo “não atuou em nada para o golpe, entrou de gaiato”.

Não é tão simples. Ex-chefe do Comando de Operações Terrestres do Exército (Coter), o general Theóphilo foi acusado pela PF e denunciado pela PGR por integrar o núcleo de suporte e execução de ações como o sequestro de Alexandre de Moraes.

SUPOSIÇÃO – Em mensagens apreendidas no celular do tenente-coronel Mauro Cid, peça chave no inquérito, ele relata que teria sabido que Theophilo colocara tropas à disposição do golpe numa reunião, em 9 de dezembro de 2022, com o então presidente Jair Bolsonaro, já derrotado na reeleição. O Coter não tem tropas próprias, mas aciona tropas para operações especiais.

Já Augusto Heleno, tríplice coroado no Exército (primeiro de turma nos principais cursos de acesso do oficialato) é não apenas respeitado como muito querido no Exército. Ele completa 78 anos em outubro, é do tipo falastrão, engraçado, que diz tudo que vem à cabeça, e, para os colegas, não era levado a sério por Bolsonaro, nem participava das reuniões havia tempo. Porém, há provas contra ele do início ao fim da era Bolsonaro.

Esquecendo tudo o que ele e os militares diziam contra Bolsonaro a vida toda, Heleno foi o primeiro oficial de peso a endossar e a atrair o Exército para a candidatura dele em 2018. Já no governo, foi chefe do Gabinete de Segurança Institucional (GSI), com sala no Planalto, e surge no vídeo de uma reunião com Bolsonaro, em junho de 2022, dizendo que, se tiver de dar “soco na mesa” e “virar a mesa”, tem de ser antes das eleições. E conclama: “Nós vamos ter de agir contra determinadas instituições e contra determinadas pessoas. Isso pra mim é muito claro”.

PROVAS MATERIAIS – Já no fim, produziu provas contra ele próprio, ao guardar em casa uma caderneta manuscrita, com sua letra, detalhando o organograma e a cronologia do golpe, no qual seria o interventor militar.

É difícil escapar dessa, assim como Braga Netto, que está na alma da trama, e Mário Fernandes, que também era do Planalto e é acusado de integrar o grupo que planejou e executaria o Plano Punhal Verde e Amarelo, para o assassinato de Moraes, Lula e Alckmin.

“Quatro linhas da Constituição é o caceta”, pregou Fernandes em mensagem gravada. E, como o Brasil e essas quatro linhas sobreviveram à ameaça, ele e os golpistas estão diante das grades.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Eliane Cantanhêde transmitiu a preocupação do Exército, mas faltou o detalhe importante. A reunião entre Bolsonaro e Estevam não teve testemunhas. Portanto, Mauro Cid pode ter deduzido isso apenas pela presença do general no Palácio. O general era membro do Alto Comando do Exército, que já decidira que não iria haver golpe nenhum. Sua inclusão como réu é um delírio, um tremendo erro judiciário. Moraes é um irresponsável. Mas quem se interessa? (C.N.)


domingo, junho 01, 2025

“Pensamento ficou mais imbecil”, diz Pondé sobre o papel das redes sociais


Escrito por Pondé, com o jornalista Carlos Taquari, e publicado pela Editora nVersos, livro ‘O Agente Provocador’ será lançado em 9 de junho.

Pondé lança mais um livro: “O Agente Provocador”

“O pens

Alice Ferraz
Folha

Escrito por pelo filósofo Luiz Felipe Pondé e pelo

A busca humana por verdades absolutas é o tema de O Agente Provocador, novo livro de Luiz Felipe Pondé e do jornalista Carlos Taquari. Publicado pela Editora nVersos, o livro “O Agente Provocador” será lançado em 9 de junho, em São Paulo.

Por que queremos ser donos da verdade?
Tomar o que se pensa como verdade é uma vocação antiga, uma espécie de instinto de sobrevivência, sem o qual o ser humano se desespera.

Qual a influência das redes sociais nessa busca?
Na superficialidade da linguagem das redes sociais, esse instinto de tomar o que pensamos como verdade se tornou banal, disperso e compartilhado em uma coletividade de palavras sem significado em repetição. O resultado disso é uma pluralidade de verdades banais que mudam ao sabor do vento, dependendo de quem está engajando com mais força e a qual crença infantil mais gente está aderindo.

A consequência?
O pensamento público que seria praticado por poucos com fórmulas mais sofisticadas foi se tornando mais imbecil. As redes sociais ao mesmo tempo que democratizaram a emissão de conteúdo tornaram a nossa espécie mais claramente boba na produção de um conteúdo miserável.

Motta e Alcolumbre, traídos por Lula, fazem pressão contra o decreto do IOF

Publicado em 1 de junho de 2025 por Tribuna da Internet

A imagem mostra três homens em um evento. O homem à esquerda está vestido com um terno escuro e uma gravata clara, enquanto o homem à direita usa um terno escuro com uma gravata amarela. O homem no centro, com cabelo grisalho e barba, está usando um terno escuro e uma gravata rosa. Eles parecem estar conversando e o homem do centro está segurando um papel.

Lula até pensou (?) que tinha iludido Motta e Alcolumbre…

Dora Kramer
Folha

Por incrível que pareça, o governo ainda subestima o Congresso mesmo depois de os fatos terem dado repetidas mostras de que essa desatenção resulta em derrotas certas.

O presidente da República e o ministro da Fazenda pelo visto acreditaram que a mudança de comando no Parlamento alteraria a correlação de forças, devolvendo ao Palácio do Planalto o poder da iniciativa, da influência e da condução do processo decisório. Mas não é isso que acontece.

DRIBLE FALHOU – Só essa crença explica que Fernando Haddad (PT) tenha achado que poderia dar um drible no Legislativo e Luiz Inácio da Silva (PT) tenha assinado decreto de aumento do IOF fiando-se na amizade de Hugo Motta (Republicanos) e Davi Alcolumbre (União Brasil) firmada nas asas do avião presidencial mundo afora.

Se Lula e Haddad ainda não entenderam, desenhemos: os presidentes da Câmara e do Senado só estão onde estão devido à escolha de seus pares, aos quais darão prioridade sempre que o governo lhes fornecer uma chance de ouro como essa agora de dar um jeito nas contas via aumento de arrecadação.

A propagada lua de mel não foi extinta, mas recebeu uma pitada significativa de fel nas palavras duras de Alcolumbre sobre “usurpação de prerrogativas” e nos recados veementes de Motta: deu prazo para o governo recuar sob pena de ver o decreto derrubado, instou Lula a “tomar pé da situação” e avisou que, se houver recurso ao Supremo Tribunal Federal, as coisas vão piorar.

SITUAÇÃO DELICADA – Nenhum dos dois se convenceu com a alegação do ministro sobre “a situação delicada” em que ficaria a máquina pública sem o dinheiro extra do IOF.

Nem poderiam, pois ouviram isso do mesmo Haddad que vinha afirmando que estava tudo correndo bem em termos do equilíbrio fiscal e que os alertas em contrário eram fruto de avaliações equivocadas.

Por mais que o ministro tenha reafirmado que não há alternativa no horizonte, ficou sem saída. Terá de recuar porque o limite das boas relações com Motta e Alcolumbre é dado pela capacidade de reconhecer a força do Congresso na tomada de decisões do governo.


Maior PIB em 14 anos não é voo de galinha, mas de um pato fraquinho

Publicado em 1 de junho de 2025 por Tribuna da Internet

PIB é tema das charges desta sexta-feira; confira - Fonte 83Vinicius Torres Freire
Folha

A economia brasileira cresceu 3,5% nos últimos quatro trimestres. Isto é, foi o que cresceu no ano terminado no primeiro trimestre deste 2025. Um tico mais do que os 3,4% de 2024. Deve crescer 2,2% neste 2025, considerado o que se passou no primeiro trimestre, afora desastres e trumpices.

Se a baixa do ciclo de crescimento parasse por aí, até que estaria bom. O Ministério da Fazenda espera crescimento de 2,4% neste ano.

EM BOM RITMO – Olhando assim, por cima, a economia anda em um ritmo que não se via desde 2011 — desconsiderada a recuperação da epidemia, considerando o crescimento do PIB per capita.

Em resumo, é um crescimento anual do PIB per capita de 2,5% desde 2022, ante 0,6% ao ano do período de 2017 a 2019 (depois da Grande Recessão de 2014-2016 e antes do início da epidemia, em 2020).

Por que falar de tempos algo distantes quando temos nesta sexta-feira (30) a notícia fresca do também bom resultado do primeiro trimestre? Bem, porque convém pensar em quanto pode durar essa série de resultados bons, embora ainda insuficientes para fazer com que a renda do país saia do degrau de renda média. Pelo critério de renda per capita, estamos ali em torno do 85º lugar no mundo.

ABAIXO DA PREVISÃO – O PIB cresceu 1,4% no primeiro trimestre ante o trimestre final de 2024, que foi de quase estagnação. Ficou “abaixo da mediana da previsão dos economistas”, perto de 1,5%, diferença irrelevante. O agro foi muito bem, como esperado.

No entanto, a indústria de transformação (“fábricas”) e a de construção tiveram resultados decepcionantes, mesmo levando em conta que padecem mais com a alta das taxas de juros. Aliás, os setores que penam mais com juros mais altos (“cíclicos”) estão desacelerando, em termos anuais. Deve ser assim no restante do ano.

O consumo privado “das famílias” recuperou-se do tombo esquisito do final de 2024 e cresce bem, a 4,2% ao ano, alimentado ainda por altas fortes de rendimento do trabalho e do crédito.

DADO FAVORÁVEL – O investimento em instalações produtivas, residências, máquinas, equipamentos, softwares, etc. cresceu 3,1% no trimestre (ante o trimestre anterior). Bom, embora inflado por uma importação de plataforma de petróleo.

Em quatro trimestres, a alta acumulada do investimento foi de 8,8%, ritmo que também não se via desde 2011 (desconsiderado também o período da epidemia). A economia obviamente saiu da depressão de quase uma década em ritmo muito melhor do que o esperado.

O motivo dos erros enormes de previsão de 2022 a 2024 ainda está mal explicado.

INVESTIMENTO BAIXO – A taxa de investimento, porém, ainda é de 17,8% do PIB. É esse tanto da renda, do PIB, que foi destinado a ampliar a capacidade produtiva, no trimestre. O investimento andou pela casa de 20% do PIB no início da década de 2010. Uma condição para que o país cresça mais e de modo duradouro é ter uma taxa de investimento lá pelos 22% do PIB, pelo menos.

Além disso, vê-se lá nos números do PIB que a taxa de poupança está em 16,3%. Muito baixa. Grosso modo, precisamos financiar no exterior essa insuficiência. Até certo ponto, não é problema —pode ser solução. Até certo ponto.

Para surpresa de ninguém, o déficit externo cresce. Pela medida do PIB, as importações de bens e serviços cresceram ao ritmo de 15,6% nos últimos quatro trimestres, ritmo inédito desde 2011 (as exportações cresceram 1,8% no trimestre).

COMPRANDO MAIS – O setor externo “tirou” 0,6 ponto percentual do crescimento do primeiro trimestre. A aceleração da importação ficou evidente no terceiro trimestre de 2024. A inflação cresce desde meados de 2024.

Estamos comprando mais do que exportando, em bens e serviços, em um ritmo que indica uma economia estressada (consumindo mais do que produz em ritmo que preocupa), o que aparece também nos números da inflação. As taxas de juros sobem. A economia deve perder ritmo, desacelerar, nos próximos trimestres.

Não chega a ser o que se chama de “voo de galinha” (sobe, logo cai), mas o de um pato fraquinho. Crescemos um tanto, temos de pisar no freio por excesso de déficits ou damos com a cara na parede, como Dilma 2.

VENDO OS LIMITES – Ainda assim, notou-se que poderíamos voar um pouco mais alto e por mais tempo do que imaginava a larga maioria dos economistas entre 2022 e 2024, pelo menos. Mas estamos vendo agora os limites, de novo.

O aumento da despesa do governo estimulou a retomada do crescimento. O gasto público estava baixo entre 2017-2019, parece evidente agora. Está alto demais, está claro agora.

Gasto do governo ajuda a dar um empurrão, em especial em períodos deprimidos. Mas não cria crescimento, que é aumento de produtividade, que depende de um monte de coisas, inclusive do Imponderável de Almeida. Depende especialmente de capacitação da mão de obra, despesa eficiente em capital e de um sistema social que favoreça a inovação, a concorrência, novos empreendimentos e não cause instabilidade excessiva ou temor de desapropriação de ganhos. Falta muito para chegarmos lá.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Como dizíamos no Pasquim, “bota muito nisso…” (C.N.)

Jeremoabo: Tradição e Alegria Dão o Pontapé Inicial para o São João e a Maior Alvorada!

 

Jeremoabo: Tradição e Alegria Dão o Pontapé Inicial para o São João e a Maior Alvorada!

O mês de junho chegou, e com ele, a cidade de Jeremoabo já respira o clima junino! A capital da cultura nordestina se prepara para celebrar o São João e a tradicional Alvorada com uma combinação de tradição, alegria e grandes atrações.

A abertura oficial dos festejos ocorreu logo no alvorecer do dia 1º de junho, com o hasteamento do mastro, um ato que simboliza a união da fé religiosa com a celebração popular. As ruas da cidade começam a ganhar as cores e o charme das tradicionais bandeirolas, criando um ambiente acolhedor e festivo para moradores e visitantes.

A Prefeitura de Jeremoabo está empenhada em garantir que a festa seja um sucesso. Os serviços de infraestrutura  estão a todo vapor, visando proporcionar um evento seguro, organizado e repleto de encanto. O objetivo é valorizar as raízes culturais um grande baque (na gestão passada) que tornam o São João uma das celebrações mais significativas para a população de Jeremoabo e para todo o Nordeste.

O prefeito Tista de Deda expressou sua satisfação com o início da ornamentação e dos preparativos. "É com muita alegria que damos início a esse clima junino na nossa cidade. O São João e a festa da Alvorada são tradições que aquecem o coração do nosso povo e fortalecem a nossa cultura e economia. Vamos fazer uma festa bonita, segura e cheia de orgulho para todos os moradores e visitantes", destacou o prefeito.

Com uma programação diversificada e pensada para agradar a todos os públicos, Jeremoabo promete momentos de confraternização, resgate cultural e celebração das conquistas de seu povo. Tudo isso embalado pelo autêntico forró, que é a alma das festas juninas.

Então, é hora de preparar o milho e aquele licor especial, porque a festa em Jeremoabo promete ser inesquecível! 

Brasil – um país sem políticas públicas para pessoas com Epilepsia

 Alessandra Nascimento – jornalista, ativista e presidente da Associação Baiana de Pessoas com Epilepsia, Familiares e Amigos 

https://abpefa.org.br/

 O que é viver em um país com uma doença sem cura, mas tratável, que à medida que você vai envelhecendo uma série de comorbidades vão se surgindo? Algo que surge em sua infância, afeta a sua personalidade e forma de socializar-se com o mundo. Interfere em seu jeito de ver e perceber as coisas, em sua instabilidade e saúde emocional. Mas você não entende o porquê e, ao longo de sua trajetória você cresce, conclui seus estudos, segue para a vida profissional, mas sempre percebe que algo em você ressoa diferente dos demais. E que, infelizmente, você não consegue explicar e por vezes sente como se "tivesse prazo de validade". Algumas situações, mesmo que rotineiras, terão efeito desencadeador de crises epilépticas às quais você não vai ter o controle, mas sabe que se não tiver o socorro adequado pode ficar gravemente lesionado em seu cérebro ou mesmo falecer.

 Essa é a vida de uma pessoa diagnosticada com Epilepsia. Uma doença neurológica que impacta na vida não apenas da pessoa que tem a doença, mas de seus familiares. Segundo a Organização Mundial da Saúde ela atinge 2% das pessoas no mundo e eu sou uma delas. Desde os 8 anos quando recebi o diagnóstico até hoje vivencio uma constância de incertezas, inseguranças e questionamentos do porquê nesses mais de 42 anos, ter que passar e experimentar situações que vão desde a hipocrisia ao descrédito. A humilhação ao despreparo e preconceito. A incerteza começa com as comorbidades que a própria epilepsia conseguiu incorporar em minha vida ao longo dos anos. Desde as mais sutis até às mais delicadas no campo psiquiátrico e até as mais sérias como as cardiovasculares e riscos iminentes de trombose, AVC, infarto, dentre outros.

 Se os desafios parassem por aí seria a gloria, mas para nossa infelicidade não é bem assim. Vivemos num país que há falta de medicamentos para pessoas com epilepsia, tanto na rede privada quanto na pública.

 Convivemos com negativas constantes por parte do INSS no que diz respeito à autorização de benefícios BPC LOAS, aposentadoria por invalidez e até mesmo a aposentadoria por pessoa com deficiência. Se a Epilepsia é de fato uma deficiência oculta como inclui a lei no. 14.624/2023 o porquê de tanto empecilho e uso da burocracia como premissa de impedimento de Direitos é uma constante. E isso vindo da parte de quem deveria ‘proteger’. Sem esquecer que, como assegura a Constituição Federal Brasileira, no artigo 196: “A saúde é direito de todos e dever do Estado, garantido mediante políticas sociais e econômicas que visem à redução do risco de doença e de outros agravos e ao acesso universal e igualitário às ações e serviços para sua promoção, proteção e recuperação”. 

Já ouvi da boca de um médico clínico que “epilepsia se curava com um comprimidinho”. Eu tomo cinco e a cada ano que passa aumento um e a situação ganha tons mais delicados sob a perspectiva do avançar da idade e dos anos de medicamentos de uso contínuo interferindo na saúde de outros órgãos do corpo. Além do anticonvulsivante - e esse eu não posso nunca abrir mão - com o tempo tive de agregar outros medicamentos para minimizar os efeitos colaterais que se apresentam direta ou indiretamente associados ao uso de medicamentos prolongados ou a própria doença. Desde as intolerâncias alimentares às questões do trato ginecológico do aparelho reprodutor, fora fibromialgia e como já disse uma dezena de comorbidades adquiridas com o passar dos anos ampliando minhas dores físicas, mentais e emocionais.

 Sou da geração que na infância foi prescrita com controle anticonvulsivo o ácido valproico. O mesmo que mais tarde estudos de renomadas universidades brasileiras comprovaram ser um dos medicamentos que, quando usados em idade fértil, causam má formação fetal. Ou seja, nossos filhos e filhas não ficaram imunes ao nosso sofrimento. Infelizmente o atraso na discussão de políticas públicas interferiu no bem-estar e na qualidade de vida da geração vindoura. A triste constatação é saber que na Europa, a prescrição para uma pessoa com epilepsia para uso do ácido valproico só é permitida ao paciente com autorização de dois neurologistas especializados em epilepsia em razão dos riscos de má formação fetal em idade fértil, dentre outros a ele associados. No Brasil há algum documento informando ao paciente dos riscos de uma gravidez durante o uso do medicamento? Aparece apenas em letras miúdas na bula do medicamento e nada mais.

 O Brasil carece de um estudo dos impactos dos medicamentos anticonvulsivos a longo prazo na população e mais ainda, o monitoramento dessa população. Acompanhá-la em seu dia a dia, sua saúde mental e a de seus familiares. Estamos falando de políticas públicas específicas para essa população, com legislação que garanta cumprimento de direitos. 

Há medicamentos cujos efeitos colaterais estão associados à queda de cabelo, alopecia em mulheres, endometriose, obesidade, gordura no fígado, osteoporose, pedras nos rins, intolerâncias alimentares, perda da coordenação, pensamentos suicidas, desenvolvimento do mal de Parkinson, irritabilidade, alterações de humor, depressão, ansiedade. E já parou para pensar que esses efeitos colaterais impactam em pessoas de diferentes faixas etárias desde crianças e adolescentes a adultos e idosos? Nosso país está atrasado em discutir a epilepsia como a dedicação que o tema merece.

 Ser pessoa com Epilepsia no Brasil é ser antes de tudo ser um sobrevivente. Sobreviver a cada crise, ao descaso, a omissão, a negligência, ao preconceito. Aprender desde cedo a conviver com a humilhação e a solidão. A epilepsia é uma deficiência é oculta, mas nós, pessoas com epilepsia existimos! Espero que isso fique claro daqui para a frente. Precisamos nos empoderar e exigir mais se quisermos que nossos direitos sejam de fato reconhecidos.

Pauta enviada pelo Jornalista Fábio Costa Pinto




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