terça-feira, novembro 05, 2024

Academia de Jiu Jitsu Felipe Dantas, Representa a Equipe em Campeonato, e Recebe Troféu da Confederação Brasileira de Jiu Jitsu

05/11/2024

Fonte: JV PORTAL / JEREMOABO TV

RP: 9291/BA

Texto: Évila Fernandes / Felipe Dantas

O Jiu Jitsu em nossa cidade não para de crescer! No último final de semana, a Academia de Jiu-Jitsu Felipe Dantas, foi a escolhida, entre todas as academias presentes, para levar para casa, o troféu da Confederação Brasileira de Jiu-Jitsu, a CBJJ, após participação no Campeonato Internacional Open Salvador. Esse prêmio é um reconhecimento ao compromisso e à dedicação de toda a equipe da Nova União, e neste momento, a oportunidade de homenagear os talentos da nossa cidade!
Na ocasião, Felipe Dantas, representante da equipe premiada, em Jeremoabo, aproveita o espaço para expressar a sua gratidão a cada aluno que faz parte dessa trajetória, e agradecer também ao líder da Nova União da Bahia, Leandro Carvalho, não só pela entrega do troféu, mas por toda parceria, reconhecimento e confiança, assim como ao seu professor Flávio Rodrigues.

“Seguimos firmes na missão de levar o nome da nossa cidade e da nossa equipe ao topo do Jiu Jitsu, onde estivermos. Esse troféu é de todos nós”, diz Felipe Dantas.

Parabéns a todos!







NOTA REDAÇÃO JEREMOABO TV
JEREMOABO TV parabeniza Felipe Dantas e sua academia pela conquista do Troféu da Confederação Brasileira de Jiu-Jitsu! Esse reconhecimento é fruto de dedicação, talento e trabalho árduo, e enche de orgulho a nossa cidade. Que esse seja apenas mais um passo em uma trajetória de muitas vitórias e conquistas! Tamo junto, conte sempre conosco!!!

Nota da Redação deste Blog Falta de incentivo do governo Deri do Paloma para Cultura, Educação e Esporte em Jeremoabo

Em Jeremoabo, a comunidade tem provado que, com esforço e união, grandes conquistas são possíveis, apesar de um governo que negligenciou áreas essenciais como educação e esporte. Nos últimos seis anos, a gestão que está por se encerrar demonstrou desinteresse em incentivar essas áreas, limitando o desenvolvimento e as oportunidades para a população. A prioridade parecia ser outra: práticas de corrupção e improbidade administrativa substituíram qualquer compromisso com o bem-estar público.

Mesmo sem apoio da Secretaria de Educação, algumas academias têm superado as adversidades e se destacado, como é o caso da Academia de Jiu-Jitsu Felipe Dantas. Recentemente, a equipe foi premiada com o troféu da Confederação Brasileira de Jiu-Jitsu (CBJJ) durante o Campeonato Internacional Open Salvador, uma conquista que reflete o comprometimento e o talento dos atletas e de toda a equipe da Nova União.

O discurso de Felipe Dantas, representante da academia, ressaltou a gratidão e o senso de comunidade que movem o time. Ele fez questão de agradecer a cada membro, mostrando como o trabalho coletivo é essencial para alcançar objetivos maiores, especialmente em um ambiente de pouca estrutura e incentivo público.

Interpretações e Desdobramentos

  1. Impacto social do esporte: O esporte oferece uma alternativa positiva para crianças e adolescentes, reforçando valores como disciplina, responsabilidade e respeito. Essas conquistas refletem a força do esporte para transformar a vida de pessoas e fortalecer laços comunitários, compensando a falta de apoio governamental.

  2. Importância do reconhecimento: Conquistas como o troféu CBJJ mostram que, com incentivo, o potencial local poderia ser amplamente explorado. Premiações de prestígio, como essa, são fundamentais para dar visibilidade e reconhecimento aos talentos de Jeremoabo.

  3. Potencial de desenvolvimento: Com o incentivo certo, o esporte e a cultura local poderiam crescer exponencialmente, gerando oportunidades para a juventude e colaborando com o desenvolvimento econômico e social da cidade.

  4. União e comunidade: A vitória da equipe de Jiu-Jitsu é um exemplo de como a comunidade, quando unida, consegue superar desafios.

Camaçari: Caetano pede ajuda ao MP-Bahia para manter serviços essenciais,

 Tribuna da Bahia, Salvador

05/11/2024 06:00
1 hora e 31 minutos
Foto: Reprodução


Na última sexta-feira (1º), o prefeito Antônio Elinaldo (União Brasil) exonerou todos os servidores comissionados da gestão municipal, suspendeu o transporte universitário e fechou equipamentos públicos considerados essenciais.

Por Henrique Brinco

O prefeito eleito de Camaçari, Luiz Caetano (PT), se reuniu com o procurador-geral do Ministério Público da Bahia, Pedro Maia, para pedir apoio após as exonerações em massa do município. Na última sexta-feira (1º), o prefeito Antônio Elinaldo (União Brasil) exonerou todos os servidores comissionados da gestão municipal, suspendeu o transporte universitário e fechou equipamentos públicos considerados essenciais.

Caetano pediu providências para que o MP-BA ajude na fiscalização e garantia de funcionamento dos serviços essenciais para a população. O prefeito eleito mostrou preocupação com a suspensão de serviços de atendimento médico, do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência), auxílio funeral, salva-vidas na orla do município e guarda patrimonial dos prédios públicos.

Caetano ainda pediu pelo centro comercial da cidade, que enfrenta dificuldades após cortes de custeio pela atual gestão, e pelo transporte universitário.

Pelo decreto de Elinaldo, ficam mantidos em seus cargos, exclusivamente, os agentes políticos nomeados como Secretários Municipais e, ainda, os Diretores das autarquias e empresas públicas municipais.
Também foram exonerados das funções de gerenciamento e assessoramento, a partir desta data, todos os servidores nomeados para tanto por ato do Chefe do Poder Executivo no âmbito da administração pública direta municipal.

A Prefeitura de Camaçari ainda não se pronunciou sobre as exonerações. Nos bastidores, a especulação é que a decisão de Elinaldo se dá por receio da Lei de Responsabilidade Fiscal. "Ele tem que fechar as contas da prefeitura. Não pode deixar Restos a Pagar porque é o último ano dele. Se ele não fechar as contas neste ano, vai ser pego na lei de responsabilidade fiscal e fica inelegível", informa uma fonte local.

LOA - Começou a tramitar na Câmara de Camaçari o Projeto de Lei Nº 1169/2024, de autoria do Poder Executivo, que estima a receita e fixa a despesa do município de Camaçari para o exercício financeiro de 2025. O PL, popularmente conhecido como Lei Orçamentária Anual (LOA), foi lido na 10ª Sessão Ordinária da Casa Legislativa, realizada na semana passada. A matéria foi encaminhada para análise das comissões permanentes da Câmara.

Ainda em se tratando de estratégias para garantir mais segurança e infraestrutura, a Câmara também aprovou por unanimidade a Indicação Nº 278/2024, de autoria do vereador Jair Costa (Republicanos), solicitando a substituição das lâmpadas amarelas nos postes por lâmpadas LED no bairro Catu de Abrantes, também no distrito de Abrantes.

Nota da redação deste Blog - Luiz Caetano pede ajuda ao MP-BA para manter serviços essenciais em Camaçari: Um exemplo para Jeremoabo.

Em Camaçari, a situação administrativa do município sofreu uma virada inesperada com as exonerações em massa promovidas pelo atual prefeito Antônio Elinaldo (União Brasil), poucos meses antes da posse de seu sucessor, Luiz Caetano (PT). As demissões de servidores comissionados, a suspensão do transporte universitário e o fechamento de diversos serviços públicos essenciais têm deixado a população preocupada com o possível colapso no atendimento público.

Diante dessa crise, Caetano se reuniu com o procurador-geral do Ministério Público da Bahia, Pedro Maia, para solicitar apoio na fiscalização do município e garantir que serviços essenciais, como o atendimento de saúde, o SAMU, o auxílio funeral, salva-vidas na orla e a guarda patrimonial, não sejam interrompidos. Ele teme que a paralisia no funcionamento da máquina pública prejudique diretamente os cidadãos, especialmente os mais vulneráveis, que dependem desses serviços no seu dia a dia.

Essa iniciativa de Caetano é uma tentativa de evitar que as transições de gestão sejam marcadas por descontinuidade e impactos negativos à população. Em casos como esse, o Ministério Público desempenha um papel importante na mediação e fiscalização das ações municipais, especialmente em momentos de mudanças de liderança e quando há indícios de irregularidades ou atitudes que penalizam a população.

Essa postura proativa do prefeito eleito em Camaçari pode servir de exemplo a outras cidades, como Jeremoabo, que enfrenta desafios semelhantes. No município, o atual prefeito Deri do Paloma, derrotado nas eleições, vem tomando decisões que, segundo observadores locais, impactam negativamente os serviços públicos. Em Jeremoabo, cortes de contratos, especialmente na área da saúde, além da suspensão do transporte universitário, afetam diretamente os estudantes e moradores que dependem desses recursos.

Deri do Paloma em maus lençóis pratica essas   ações com a necessidade de reduzir despesas e equilibrar as contas, mas a população aponta que a medida, além de afetar áreas essenciais, foi seletiva ao poupar salários e benefícios de cargos de alto escalão. Há quem defenda que uma abordagem semelhante à de Caetano em Camaçari, com a intervenção do Ministério Público, poderia auxiliar Jeremoabo a manter o funcionamento dos serviços essenciais para os moradores.

Assim, exemplos de compromisso com a transparência e a responsabilidade na gestão pública são fundamentais, especialmente em tempos de transição.

Enquanto isso em Aracaju "O prefeito de Aracaju, Edvaldo Nogueira, PDT, recebeu, nesta segunda-feira, 4, em seu gabinete, a prefeita eleita Emília Corrêa, PL. A futura gestora entregou ao prefeito o documento que formaliza a sua equipe de transição. 

Para o prefeito Edvaldo, o primeiro encontro entre as duas equipes “foi positivo e proveitoso”. Ainda de acordo com ele, a gestão municipal apresentará todos os dados necessários para que a prefeita eleita “possa iniciar os trabalhos administrativos em janeiro, sem encontrar problemas ou obstáculos”." (Jozailto Lima)

segunda-feira, novembro 04, 2024

Desaceleração da China é inevitável e o Brasil precisa se situar melhor


China: o que problemas da segunda maior economia global significam para o  mundo - BBC News Brasil

Queda da população está enfraquecendo a economia da China

José Roberto Mendonça de Barros
Estadão

Retomo meu último artigo: a desaceleração da China é inevitável e terá grandes consequências na arena global e em nosso País. Vejam os leitores que há várias semanas o governo chinês vem soltando medidas para reativar os mercados, sem grande sucesso.

Outro indicador do ceticismo dos analistas, com o qual concordo e que reputo importante, é a fraqueza do mercado de petróleo. Mesmo com todo o pacote chinês, a cotação do Brent não descola dos US$ 70 por barril. A demanda por óleo vem sendo revisada para baixo e parece claro que, ante o mínimo sinal da possibilidade de um cessar-fogo no Oriente Médio, veremos os preços irem para a faixa dos US$ 65 – vale lembrar que a Arábia Saudita começará a bombar mais produto a partir de setembro. Não será a demanda chinesa que vai sustentar o mercado.

POPULAÇÃO – Mas, a meu ver, a acelerada queda da população e seu envelhecimento são o centro do problema. Os jovens não querem ou postergam os filhos porque têm idosos para sustentar e têm receio de não poder pagar os custos de uma boa educação, especialmente em um momento de alto desemprego dos recém-formados.

A projetada queda de 200 milhões de pessoas até 2054 é sem precedentes num país onde a renda per capita ainda é baixa. O temor de ficar velho antes de ficar rico parece ter fundamento.

Com isso, o consumo interno tende a crescer mais lentamente, ao contrário do que acontece em outros países da Ásia, até porque parte dos investimentos estrangeiros antes canalizados à China agora busca Índia e outros destinos na região.

BLOQUEIO DE COMERCIO – Ao mesmo tempo, a preocupação com segurança tem limitado a expansão de empresas inovadoras. As exportações também terão mais dificuldades de crescer porque, especialmente nos países ricos, uma ativa política de bloqueio de comércio está se desenvolvendo. Isso é particularmente visível no segmento de carros elétricos e de matérias-primas básicas.

Somando tudo, a economia chinesa irá desacelerar lentamente para a faixa de 4% ao ano. Por outro lado, a população americana seguirá crescendo: a ONU estima que, entre 2023 e 2050, passará de 343 milhões para 380 milhões de habitantes. O consumo e o PIB vêm se expandindo de forma robusta e o progresso técnico tem sido impressionante.

Apostar que a China será a ganhadora na arena global, sobrepujando um “império decadente”, parece um lance excessivamente ousado. Melhor faria o Brasil cultivar relações amistosas e construtivas com todos os líderes globais.


Lula e Jair Bolsonaro demonstram que foram feitos um para o outro

Publicado em 4 de novembro de 2024 por Tribuna da Internet

Debate na Globo: Lula e Bolsonaro não poderão tocar um no outro

Lula e Bolsonaro têm pavor de enfrentar Tarcísio em 2026

Mario Sabino
Metrópoles

Arthur Lira tirou o projeto de lei que anistia os implicados no 8 de janeiro da Comissão de Constituição e Justiça da Câmara, que o votaria nesta semana, e criou uma Comissão Especial para discutir o troço. Com isso, adiou a votação sobre o assunto para as calendas de 2025 ou até o início de 2026. Jair Bolsonaro e PT apoiaram a decisão por motivos aparentemente opostos.

O pretexto de Lira é que o projeto de lei estava sendo usado irresponsavelmente como moeda de troca por apoios aos nomes que disputam a sua sucessão na presidência da Câmara. É uma verdade parcial. A verdade inteira é que o cenário político em data mais próxima à eleição presidencial determinará o caminho a ser seguido pelos deputados.

BOLSONARO NA LISTA – Jair Bolsonaro, que está para ser indiciado pela PF no inquérito que investiga a “tentativa de golpe”, acredita que haverá condição para o seu nome ser incluído entre os anistiados e limpar a sua ficha de uma vez. Com isso, ele se livrará da inelegibilidade e será candidato a presidente, em 2026.

 Ele se preocupa muito mais com si próprio do que com os presos do 8 de janeiro, apesar do apelo cínico ao coração de Lula..

O PT, por sua vez, trabalhará à luz do sol para que o sonho de Jair Bolsonaro não se concretize. Sob a lua, contudo, pode deixar o barco do ex-presidente correr, porque ele é o oponente ideal para concorrer com Lula, como este sexagenário aqui não se cansa de repetir, embora tomado por certa sonolência…

DISPUTA DE REJEIÇÃO – A campanha com Jair Bolsonaro se tornaria, assim, apenas um campeonato de rejeição, como ocorreu em 2022: quem tiver a mais baixa, será eleito.

Lula acha que será menos rejeitado pelo eleitorado do que Jair Bolsonaro, ao contrário do que ocorreria em relação a outro candidato da direita, como Tarcísio de Freitas ou Ronaldo Caiado.

Jair Bolsonaro pensa diferente, claro, mas na mesma linha de raciocínio. Aposta que a rejeição a Lula, depois de um terceiro mandato decepcionante, será maior do que a dele.

ÚLTIMA PALAVRA – Se o projeto de lei passar na Câmara, restará saber qual será a posição do STF, que irremediavelmente dará a última palavra, em julgamento ou não. Se os senhores ministros concluírem que Jair Bolsonaro elegível é bom para Lula, eles vão liberar o cavalo bolsonarista para a corrida.

Lula e Jair Bolsonaro são os candidatos perfeitos tanto para um quanto para outro, não para o Brasil. Para o país, o melhor seria Lula pendurar as chuteiras gastas e Jair Bolsonaro enfiar a sua viola desafinada no saco.

No mínimo, o nível das metáforas seria outro. Como sempre, porém, o Brasil não importa quase nada no jogo brasiliense.

“Atual presidente da OAB-BA usa o cargo para se promover em uma escala maior”, diz ex-ministra

 Foto: Mateus Pereira/Arquivo/GOVBA

A ex-ministra Eliana Calmon04 de novembro de 2024 | 11:24

“Atual presidente da OAB-BA usa o cargo para se promover em uma escala maior”, diz ex-ministra

bahia

Voltou a circular nas redes sociais, entre advogadas e advogados de todo o estado, uma entrevista com a ex-ministra do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Eliana Calmon, realizada no início deste ano, criticando a atual presidente da OAB Bahia, Daniela Borges. Segundo a ex-ministra, Daniela quis utilizar-se do cargo de presidente da OAB-BA para se promover. Calmon disse também que os presidentes têm se beneficiado com o “palanque” que o cargo dá. “De uns anos para cá, o que é que aconteceu? A ordem foi invadida por presidentes que foram para o cargo para serem beneficiados com este palanque que o cargo dá e negociar dentro da instituição aquilo que pode ser negociado”, afirmou.

“A presidente seguiu este caminho que estão seguindo quase todos os presidentes. Ela não se tornou uma mulher grande, ela se amesquinhou na medida em que ela quis seguir o estouro da boiada, porque a OAB hoje tem um desprestígio no sentido de política séria, em razão dessa politização pessoal dos seus membros. É isso que aconteceu. Ela não fez nada demais se nós formos olhar o contexto atual da ordem dos advogados, mas ela deixou de ser uma política grande. Ela tentou usar o cargo para se promover em uma, vamos dizer assim, em uma escala maior”, concluiu Eliana Calmon.

No lançamento da chapa Muda OAB, a advogada familiarista Ana Patrícia, candidata à presidência da Ordem dos Advogados do Brasil –Seção Bahia (OAB-BA) divulgou um documento assumindo o compromisso de se dedicar exclusivamente à advocacia baiana caso seja eleita no próximo dia 19 de novembro. “Tenho o firme propósito de fortalecer a independência da OAB, focando nas necessidades de advogadas e advogados e trazendo de volta a credibilidade da entidade perante todos os órgãos e sociedade civil”, prometeu a advogada, dizendo publicamente que não pretende se candidatar a nenhum cargo eletivo no Judiciário, como fez por três vezes consecutivas a atual presidente da OAB-BA, Daniela Borges, quando tentou ser ministra do TSE.

Segundo Ana Patrícia, “é preciso resgatar a dignidade das advogadas e advogados, tirando a classe da condição de miserabilidade, criando condições de trabalho justas, com apoio ao jovem em início de carreira, e oferecendo cursos e capacitação a preços acessíveis, de modo que possam proporcionar uma vida digna para suas famílias”.

PoliticaLivre

Não há salvação para o artigo 19 na revisão do Marco da Internet


Marco Civil da Internet e Lei Geral de Proteção de Dados Pessoais: entenda  as leis que regulamentam o mundo digital - Blog do Escavador

Atual Marco Civil da Internet fatalmente será modificado

Gustavo Binenbojm
O Globo

O STF marcou para novembro o julgamento sobre a constitucionalidade do art. 19 do Marco Civil da Internet (MCI). Trata-se da norma que prevê que os provedores de serviços digitais, como o YouTube e o Facebook, só poderão ser responsabilizados pelas postagens feitas em suas redes quando e se vierem a receber uma decisão judicial que lhes imponha a remoção daquele conteúdo específico e, ainda assim, decidam não retirá-lo.

Antes disso, as plataformas estão livres para distribuir mensagens com crimes de ódio, terrorismo, racismo ou qualquer outro atentado à vida, à saúde ou às instituições democráticas, sem responder pelos danos resultantes dessas postagens, ainda que tenham tomado ciência prévia da natureza ilícita daqueles conteúdos.

IMUNIDADE – O art. 19 apresenta uma curiosa autojustificativa: a liberdade de expressão. Foi um argumento comum em alguns círculos, quando a internet ainda era idealizada como a nova Ágora: se as plataformas respondessem pelos danos que causam à sociedade, acabariam por adotar uma postura de indesejável censura privada, passando a derrubar qualquer conteúdo controvertido postado em suas redes.

Necessitariam por isso do privilégio da imunidade conferido pelo art. 19 para manter um espaço livre às diversas formas de expressão. Nenhuma pessoa minimamente informada acredita mais nisso.

As plataformas digitais se tornaram o escoadouro de terríveis características humanas: desinformam, disseminam ódio e promovem divisão social. É como se a lei tivesse permitido que, em ambientes específicos, diversas atividades ilícitas pudessem ser praticadas livremente e sem qualquer consequência legal.

EXCEÇÕES – Existem duas exceções a essa benesse: para a divulgação sem consentimento de cenas de nudez e pornografia ou de conteúdos protegidos pelo direito autoral (como filmes, músicas e espetáculos esportivos), a notificação da vítima gera a responsabilidade da plataforma.

Ciente da ilegalidade, ela pode tomar as providências para a retirada do conteúdo ou, caso entenda de modo diferente, arcar com os danos que causar. Não custa lembrar, a regra para todos os demais mortais é a de responsabilizarem-se pelas consequências de seus atos, independentemente de qualquer notificação.

A Constituição contém extensa lista de direitos individuais e coletivos e prevê a responsabilidade de reparação dos danos decorrentes da sua violação. Entre eles estão os direitos à honra e à privacidade, que a exceção da pornografia protege, e o direitos dos autores sobre suas obras.

SOMENTE DOIS – Mas o que justifica que apenas esses dois direitos recebam a proteção da lei, e não os demais? Por que uma vítima de racismo ou homofobia tem que recorrer ao Judiciário para que seja retirada de uma plataforma digital a mensagem em que é humilhada, ofendida ou discriminada, enquanto ao titular de direitos autorais basta notificar o provedor?

Existe na Constituição alguma previsão que justifique esse tratamento assimétrico dos direitos fundamentais?

Só quem sente na pele o horror de uma mensagem difamante ou preconceituosa sabe o quanto é inútil buscar proteção em um processo judicial, que levará meses, às vezes anos, para fazer cessar a ofensa postada.

INCITAÇÃO AO ÓDIO – Ainda piores são os casos de ofensa a direitos coletivos, como em discursos de incitação ao ódio e à violência contra minorias, o abuso de crianças e adolescentes, terrorismo, além de ações coordenadas de desinformação em campos sensíveis como saúde pública, eleições e funcionamento da democracia.

Em todos esses casos, a retirada dos conteúdos ofensivos depende de decisão judicial — e até que seja intimada da decisão, a plataforma digital, que dissemina e lucra com o conteúdo ilícito, não pode ser responsabilizada — ou seja, nada tem a temer.

As plataformas detêm a tecnologia e os meios para monitorar e retirar de circulação os conteúdos ilícitos postados em suas redes (a ausência de conteúdo pornográfico nas grandes plataformas é um exemplo cabal).

CONTROLE AMENO – O regime de notice and take down (sistema de aviso e retirada) permite que esse processo se dê de forma ainda mais confortável para as plataformas, uma vez que a responsabilidade só nasce a partir da notificação do conteúdo ilícito.

Não é razoável que elas pretendam continuar a se eximir de qualquer responsabilidade, enquanto lucram de forma astronômica com mensagens que ofendem pessoas indefesas e corroem o tecido social.

A isenção de responsabilidade prevista no art. 19 é inconstitucional. O STF acertará se resistir à tentação de criar soluções heterodoxas para o problema, como o acréscimo de algumas exceções ao malfadado dispositivo. A sua concepção está caduca e deve ruir, sendo substituída pela solução do notice and take down, já adotada para a divulgação de mensagens pornográficas, tal como previsto no art. 21 do Marco Civil da Internet.

EXEMPLO CONCRETO – Em episódio recente, o próprio STF teve dificuldades para fazer uma big tech cumprir simples ordens judiciais de bloqueio de contas. Não é difícil imaginar o que passa um cidadão comum que tem seu nome injustamente enxovalhado em uma rede social.

A União Europeia, por exemplo, adotou no Digital Services Act o modelo do notice and take down, para sinalizar o conteúdo ilícito e deflagrar a responsabilidade das plataformas. Não cabe ao Brasil inventar novamente a roda, mas seguir o bom exemplo que vem de democracias avançadas, adotando também como regra geral o sistema de notificação.

Para situações mais graves, das quais possam advir riscos sistêmicos para a sociedade (como terrorismo, ódio contra minorias e ataques ao regime democrático), o STF também deve levar em conta a experiência estrangeira, com destaque para o Online Safety Act, do Reino Unido, e reconhecer a existência de um dever de cuidado das plataformas, o que inclui obrigação de moderação e sua responsabilidade desde a circulação inicial do conteúdo, o que, afinal, é a regra para todos os veículos de comunicação.

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