domingo, dezembro 04, 2022

Comissão da Verdade seguiu lei, e Forças Armadas defendem o indefensável, diz ex-coordenador


Por Joelmir Tavares | Folhapress

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Foto: Cecília Bastos / USP

O professor e advogado Pedro Dallari, que foi o relator e último coordenador da Comissão Nacional da Verdade (CNV), refuta o argumento de que a investigação de violações na ditadura militar justifique a resistência de setores das Forças Armadas ao presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT).
 

O trabalho da comissão é apontado como um dos obstáculos na relação entre militares e o futuro governo, sob a justificativa de que as apurações se concentraram em crimes de agentes do Estado e ignoraram os cometidos pela luta armada. A CNV atuou durante a gestão da petista Dilma Rousseff.
 

Dallari diz que a comissão "cumpriu rigorosamente" a lei de sua criação, aprovada pelo Congresso, e que falar em perseguição a um dos lados "é um absurdo". Segundo ele, o escopo era restrito a atos do Estado porque os praticados por grupos de resistência já tinham sido processados na Justiça Militar.
 

O docente de direito e relações internacionais da USP atribui o ressentimento com a CNV a vozes isoladas, sobretudo da reserva, e afirma que as Forças Armadas "defendem o que é indefensável" ao se recusarem a admitir casos de tortura e morte. O relatório final se ateve a fatos, "não é uma narrativa interpretativa da história", segundo Dallari.
 

O professor, que votou em Lula e é crítico ao presidente Jair Bolsonaro (PL) —um notório saudosista do regime de exceção, considera necessário manter vigilância sobre a democracia brasileira, mas descarta risco de golpe ou ruptura institucional.
 

*
 

Folha - O sr. vê razões para a CNV ser apontada como empecilho à relação de Lula com as Forças Armadas, com a alegação de que as investigações olharam só para um dos lados?
 

Pedro Dallari - A lei aprovada pelo Congresso Nacional determinava que a comissão deveria apurar as graves violações de direitos humanos praticadas pelo Estado naquele período por meio de seus agentes. Do ponto de vista teórico e conceitual, quem viola direitos humanos é sempre o Estado.
 

O Congresso não mandou apurar eventuais atos criminosos praticados por organizações particulares, revolucionárias, sei lá. E há uma uma razão para isso: atos que teriam sido cometidos contra o regime por forças insurgentes foram investigados pelo Estado, por meios dos órgãos da Justiça Militar. O problema é que muitas vezes não houve nem julgamento, o que é o caso dos desaparecidos políticos e mortos.
 

Então, falar em outro lado tendo em vista essa realidade é um absurdo. Nós cumprimos rigorosamente o mandato que o Congresso Nacional nos deu.
 

Folha - Falar que a comissão foi parcial é, portanto, um argumento frágil?
 

Pedro Dallari - É ignorar um mandato legal. Não podemos ser acusados de ter agido de maneira adversa. Os fatos estão no relatório, são inequívocos. Tanto é que o próprio Estado reconheceu isso, ao pagar indenizações às vítimas e às famílias.
 

Folha - A lei afirmava que um dos objetivos da comissão era promover a reconciliação nacional. O fato de ainda suscitar atritos, oito anos após sua conclusão, indica que ela falhou?
 

Pedro Dallari - A comissão foi constituída com essa ideia, mas a finalidade dela era promover a memória histórica e a verdade. E foi o que ela fez. Produziu um relatório com um volume de informações que, ao descortinar a verdade factual, pudesse ser usado pela sociedade nessa perspectiva da reconciliação. Mas a comissão não teria como fazer mais do que fez.
 

Folha - Que elementos o sr. acha que embasam o ressentimento de setores militares com a CNV?
 

Pedro Dallari - Procuro evitar generalizações. Provavelmente, [existe] um desconforto de setores das Forças Armadas que não gostam do que foi apurado. Houve um cuidado muito grande da comissão de produzir um relatório centrado nos fatos. Ali não é uma narrativa interpretativa da história, é a verdade factual.
 

Houve inúmeras tentativas, judiciais inclusive, de bloquear a publicação do relatório ou mandar extirpar parte dele, e o Judiciário nunca acolheu. É indicativo de que o relatório é sólido. O fato de que haja militares e parte da sociedade talvez descontentes não o invalida. Não tenho como obrigar as pessoas a gostarem dele.
 

Folha - Por que o sr. diz que evita generalizar as críticas a militares?
 

Pedro Dallari - A comissão visitou instalações militares que foram locais de graves violações de direitos humanos. Levávamos antigos presos políticos para reconstituições e éramos acompanhados por militares, principalmente jovens oficiais, muitas mulheres.
 

Os ex-presos descreviam: "Aqui foi preso fulano, ali nós ouvimos os gritos de sicrano que foi assassinado". Era visível, e eu percebia, o constrangimento dos jovens e das jovens oficiais. Aquilo não era algo que eles achavam correto. Há toda uma nova geração de oficiais que não participou daquele período histórico e certamente não faria o que foi feito. É outro tipo de mentalidade.
 

Hoje, por conta desse ressentimento que existe de parte principalmente de militares da reserva, essas novas gerações ficam obrigadas a levar consigo uma carga muito pesada por um passado que não diz respeito a elas.
 

Folha - Concorda com o diagnóstico feito por pesquisadores e ativistas de que os frutos da CNV ficaram aquém do esperado?
 

Pedro Dallari - Tenho dificuldade de responder porque isso não guarda relação com o relatório da comissão, mas com o cenário político de implementação ou não das recomendações.
 

É evidente que, tendo em vista que nos últimos anos prevaleceu no Brasil uma posição política consubstanciada num governo contrário ao próprio espírito que presidiu a Comissão Nacional da Verdade, evidentemente a efetivação daquelas sugestões ficou num grau muito reduzido.
 

É uma constatação meio que evidente pela própria posição do presidente Bolsonaro. Quando do funcionamento da comissão, ele era deputado federal e fez muitos pronunciamentos na tribuna da Câmara contra o grupo. Certamente, ele levou esse sentimento para o seu governo.
 

Folha - O que o sr. considera necessário para se avançar rumo a alguma pacificação?
 

Pedro Dallari - Repito o que falei na época do relatório, usando uma analogia com a conduta do papa Francisco em relação à pedofilia. Ele tirou a Igreja Católica da postura defensiva e assumiu o seguinte discurso: os casos ocorreram, não deveriam ter ocorrido, não estão de acordo com a doutrina da igreja, vamos apoiar as apurações e pedimos desculpas. Isso, de certa maneira, exorcizou aquele demônio.
 

As Forças Armadas deveriam fazer a mesma coisa: reconhecer os fatos, em vez de ficar procurando justificar o que ocorreu, e dizer que aquilo não deveria acontecer. Não conheço nenhum documento oficial das Forças Armadas que diga que elas devem torturar e executar presos. Assumir a responsabilidade institucional, como recomendou o relatório, representaria uma virada de página.
 

Enquanto as Forças Armadas não derem esse passo, isso vai ficar indo e voltando. Elas ficam tendo que defender e obrigam as novas gerações de oficiais a defenderem, o que é indefensável do ponto de vista de direitos fundamentais, ou seja, que o Estado pode torturar e matar as pessoas. Isso é errado.
 

Folha - O sr. mantém a defesa de reabertura do debate sobre a Lei da Anistia? Seria um caminho no atual momento?
 

Pedro Dallari - Veja, é inevitável, né? Se não há nenhum gesto no sentido da superação desse cenário e as Forças Armadas continuam defendendo o que aconteceu, é quase uma decorrência natural o debate em torno da revisão da lei. Agora, se é factível ou não, isso eu não sei, não tenho elementos para avaliar.
 

Folha - Teriam brotado na sociedade brasileira manifestações favoráveis à ditadura mesmo sem a ascensão de um líder como Bolsonaro?
 

Pedro Dallari - Tomo cuidado nessa análise e acho temerário fazer uma correlação automática. O fato de o presidente Bolsonaro ter tido, tanto em 2018 quanto agora, votações expressivas não significa que a maioria do seu eleitorado comungue com essa parte da agenda dele, essa posição de nostalgia da ditadura. Esse traço existe em uma parcela, que não é majoritária. É claro que não quero minimizar essas manifestações. São coisas preocupantes.
 

Folha - Depois de uma fase de ataques e abalos, a democracia brasileira sobreviveu? Corre riscos?
 

Pedro Dallari - Não tenho dúvida de que estamos numa democracia. Embora com risco, né? Ela foi muito tensionada. O quadro institucional se revelou aquém da necessidade quando se deparou com um governo que, eleito democraticamente, agiu de maneira frontal contra a democracia.
 

Folha - Com a ambiguidade de Bolsonaro e de setores militares às vésperas da diplomação e da posse de Lula, o sr. considera necessária alguma vigilância em relação à ordem democrática?
 

Pedro Dallari - Sem dúvida. Avalio que ainda vamos ter manifestações que podem ter caráter até violento, como já vem ocorrendo. Pode haver, sim, um quadro de risco. Não diria risco de ditadura, de golpe militar, isso eu não creio; mas de instabilidade institucional, de ataques terroristas. Temos que ter rigor no acompanhamento disso. É muito importante que haja um um fortalecimento das redes de proteção da Constituição e do Estado democrático de Direito.
 

A democracia sobreviveu porque, em parte, há um conjunto de instituições consolidado que funcionou, mas eu diria que, majoritariamente, porque há um sentimento na sociedade a favor da democracia como forma de governo [79% da população, segundo o Datafolha].
 

Esse período recente da história brasileira obriga as elites política, econômica, social e intelectual, na qual incluo a universidade, a procurarem entender a perda de conexão com parcelas significativas da sociedade que passaram a ver a possibilidade de buscar a solução para os problemas do Brasil na figura de um governante completamente avesso à democracia.
 


 

RAIO-X
 

Pedro Bohomoletz de Abreu Dallari, 63
 

Formado em direito e administração de empresas, é mestre e doutor em direito internacional e dirige o Instituto de Relações Internacionais da USP, onde também leciona. Foi nomeado em 2013 pela então presidente Dilma Rousseff (PT) para a CNV (Comissão Nacional da Verdade). Atuou como relator e foi o último coordenador do grupo, até 2014. Teve também carreira política, como vereador, deputado estadual e secretário municipal, sempre no PT. Trabalhou em órgãos internacionais como BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento) e OEA (Organização dos Estados Americanos), além de ser autor de livros e artigos nas áreas de direito internacional e relações internacionais.
 


 


 

O QUE FOI A COMISSÃO NACIONAL DA VERDADE
 

- Criada em 2011 e instalada em 2012, após lei de autoria do Executivo, então liderado pela presidente Dilma Rousseff (PT), a Comissão Nacional da Verdade foi aprovada pelo Congresso Nacional, com prazo de funcionamento até 2014. A iniciativa, inspirada em experiências de outros países, gerou queixas de setores militares
 

- O grupo analisou violações de direitos humanos ocorridas no regime militar que comandou o país entre os anos de 1964 e 1985. O trabalho foi conduzido por sete conselheiros, designados pela Presidência, e contou com a colaboração de dezenas de pesquisadores e assessores
 

- O colegiado promoveu audiências públicas, recebeu documentos e fotos e colheu depoimentos de vítimas e acusados. Houve protestos de nomes ligados às Forças Armadas, que apontaram revanchismo e direcionamento ideológico nas apurações, feitas sob um governo de esquerda
 

- O relatório final, com 3.500 páginas, expôs prisões, torturas e assassinatos. Foram identificadas 434 mortes e desaparecimentos de vítimas e responsabilizadas 377 pessoas. O documento também fez recomendações, como a de que as Forças Armadas reconhecessem seu papel nas violações

Bahia Notícias

Sob o signo da liberdade, é preciso achar um caminho para o Brasil, sem fanatismos

Publicado em 4 de dezembro de 2022 por Tribuna da Internet

Manifestação contra o governo - Esplanada dos Ministérios | Flickr

Bem ou mal, com Lula ou Bolsonaro, a democracia é a salvação

Carlos Newton

Tenho esperança de que a Copa do Mundo possa valorizar no coração dos brasileiros o sentimento de que existe um caminho para este país, sem fanatismos políticos. Desde o impeachment de Dilma Rousseff, em 2016, e a condenação e prisão de Lula da Silva, em 2018, o país mergulhou numa polarização política totalmente anacrônica e fora de época, desculpem a redundância.

A situação chegou a tal ponto que os militares decidiram apoiar a candidatura de um capitão rebelde e destrambelhado, que o ex-presidente Ernesto Geisel classificara de “um mau militar”, e Bolsonaro acabou ganhando a eleição de 2018 em cima dessa odienta polarização.

REGIME PARAMILITAR – Pela primeira vez na História, a partir de 2018 o Brasil viveu sob um regime paramilitar, com mais de sete mil integrantes das Forças Armadas desempenhando funções civis, algo jamais visto, nem mesmo no regime militar iniciado em 1964.

Mas não deu certo. Ficou patente que esse governo paramilitar foi muito inferior às gestões da ditadura, que não eram nada democráticas, mas procuravam se apoiar em civis de talento e sabia respeitar os interesses nacionais. 

Certamente os militares esperavam mais de Bolsonaro. Não podiam prever que ele nomeasse ministros de baixa qualificação, como Damares Alves, Ricardo Salles ou Milton Ribeiro. Justamente por isso, é  surpreendente que continuem a apoiá-lo, pois o comportamento de Bolsonaro nada tem a ver com a tradição das Forças Armadas brasileiras.

A VOLTA DE LULA – Foi a equivocada eleição de Bolsonaro, em 2018, que provocou essa volta de Lula da Silva, um político totalmente “fake”, que serviu ao regime militar como sindicalista, tornou-se uma espécie exitosa do famoso Cabo Anselmo (José Anselmo dos Santos), que também atuou como agente duplo na revolução de 1964, mas acabou morrendo no ostracismo.

O fato concreto é que o corrupto e amoral Lula volta ao poder por obra e graça do fracasso de Bolsonaro, e ainda há militares de ativa e da reserva que sonham com um golpe de estado, sem fazerem um “mea culpa” e reconhecerem o erro cometido.

A maioria dos brasileiros só elegeu Lula porque Bolsonaro fracassou e agora quer se transformar numa ameaça à democracia. Para quem vive sob o signo da liberdade, como nós aqui na Tribuna da Internet, é inaceitável esse movimento para perpetuar Bolsonaro no poder. Especialmente porque conta com apoio de militares da reserva e da ativa, que deveriam lutar pelos interesses nacionais – repita-se “ad nauseam”, como dizem os juristas.

BALANÇO DE NOVEMBRO – Como sempre fazemos todo início de mês, vamos publicar agora o balanço das contribuições recebidas para manter esse blog suprapartidário, que tem a pretensão e a ousadia de buscar o que é melhor para o país e o mundo. Não somos melhores nem piores dos que os outros países, somos apenas diferentes. E agradecemos muitíssimo a todos os amigos e amigas que contribuem para manter este espaço livre na internet.

Silêncio de Bolsonaro causa irritação em militares de dentro e de fora do governo


O presidente Jair Bolsonaro participa da formatura de cadetes na AMAN, em Resende

Bolsonaro comparece aos eventos, porem não discursa

Bela Megale
O Globo

Militares de dentro e de fora do governo Bolsonaro classificam como um “erro” a postura do presidente em manter seu silêncio, em especial nos eventos das Forças Armadas que participou nos últimos dias. A avaliação é que Bolsonaro deveria, ao menos, ter feito um cumprimento aos formandos na cerimônia da Academia Militar das Agulhas Negras (Aman), onde compareceu no último sábado (26).

Na quinta-feira, Bolsonaro participou de uma cerimônia de promoção de oficiais do Exército em Brasília, mas não discursou.

OUTROS EVENTOS – Há ainda cerimônias de formatura da Aeronáutica e Marinha, marcadas para os dias 8 e 10 de dezembro, respectivamente. Bolsonaro compareceu em ambas nos anos anteriores de seu governo.

A avaliação de militares do Planalto é que, se for para permanecer quieto e não cumprimentar os militares pela formatura, ele não deveria ir.

Dois integrantes da ala militar do governo relataram à coluna que defendem que Bolsonaro vá às cerimônias, para que destaque o legado de seu governo para as Forças Armadas e sinalize que seguirá ativo politicamente, mas sem citar eleição e nem contestar seu resultado. A leitura deles é que, com o silêncio, o futuro político do presidente fica cada vez mais fragilizado.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – O silêncio é estratégico, Bolsonaro ainda acredita na possibilidade de um golpe militar para deixá-lo no poder, e fica se fazendo de vítima. Mas isso “non ecziste”, diria Padre Quevedo. O comandante do Exército não pedirá demissão em protesto contra a posse de Lula, e o Alto-Comando do Exército deixou a Aeronáutica sozinha na conspiração. A Marinha ainda não se pronunciou, mas nem adianta nada, porque quem manda é o Exército, que fechou com a legalidade. (C.N.)

Desastre da seleção acende sinal de alerta na rota do hexa


Charge do J.Bosco (oliberal.com)

Pedro do Coutto

Foi um verdadeiro desastre a derrota da seleção brasileira para a de Camarões na tarde de sexta-feira. A equipe não se encontrou e não teve um plano tático traçado pelo técnico Tite. Saída de bola muito lenta, passes muito curtos e desentrosamento entre o meio-campo e a linha de frente. Aliás, a linha de frente estava enfraquecida. O treinador só corrigiu quando substituiu Gabriel Jesus pelo atacante Pedro. O time melhorou, mas perdeu o jogo.

Embora a equipe tenha sido formada por reservas, o estilo de jogo contra Camarões, uma equipe fraca, repetiu o desempenho dos titulares contra a Suíça poucos dias antes. Contra a Sérvia,a atuação foi melhor. Mesmo assim, a derrota inesperada acende um sinal de alerta na seleção de ouro. É preciso melhorar a atuação consideravelmente.

ZEBRAS –  É verdade que várias zebras surgiram no deserto do Qatar. A França, por exemplo, foi derrotada, a Alemanha ficou fora da Copa e o Uruguai retornou para Montevideo fora das oitavas de final. Mas o desempenho de outras seleções não deve interessar ao Brasil e à seleção brasileira.

Uma equipe para ser campeã não pode escolher adversário e  nem contar com o sucesso ou a derrota de outras equipes. Tem que depender só de si. É o que se espera na segunda-feira contra a Coreia. Mas, além da Coreia, ultrapassando esse obstáculo, a seleção terá outros pela frente.

Não tivemos poder de ataque contra Camarões e os lances de maior perigo contra o adversário foram desfechados por Martinelli, jogador de meio-campo, mas que chegou mais à área adversária e do gol. Atuamos mal e precisamos corrigir. Inclusive, atuando mais à frente, sem temor de sermos superados.

CORTES – Os cortes de verbas do MEC para as universidades parecem, a meu ver, propositais e buscam a realização de manifestações públicas contrárias ao governo, capazes de gerar tumultos nas ruas, por coincidência pouco antes da diplomação de Lula da Silva pelo TSE.

A intencionalidade das medidas administrativas ganhou ainda maior percepção política quando, na sexta-feira, o ministro chefe da Casa Civil, Ciro Nogueira, dirigiu-se ao Tribunal de Contas da União consultando – o que não tem cabimento – sobre o uso de crédito extraordinário para pagar as aposentadorias do INSS, já que o governo está sem recursos. Absolutamente incrível.

Cabe perguntar ao ministro Paulo Guedes por que ele diz que sobraram apenas R$ 2,4 bilhões dos recursos disponíveis pelo governo, o que o torna responsável, pelo menos, pela falta de previsão financeira e orçamentária quanto às obrigações inadiáveis do governo. A folha do INSS destina-se ao pagamento de 32 milhões de aposentados e pensionistas. É claro que com R$ 2,4 bilhões o INSS não tem condições de efetuar os pagamentos.

MANIFESTAÇÕES – Temos a impressão de que a escassez de recursos está sendo usada para provocar uma sequência de manifestações de rua, criando uma situação de insegurança. Não acredito que o plano dê certo, mas a intenção está indiretamente caracterizada. Não pode haver outra explicação.

Caso contrário, o governo, principalmente na área de Paulo Guedes, terá cometido crime de responsabilidade: “não prever as despesas obrigatórias da administração pública”. A reportagem na Folha de S. Paulo deste sábado é de Idiana Tomazelli. A do O Globo, de Manuel Ventura.

FAIXA CRÍTICA – Sessenta e dois milhões de brasileiros e brasileiras vivem na pobreza, revela o próprio IBGE, acentuando que essa faixa crítica na qual a alimentação do dia seguinte é sempre uma dúvida, representa 29,4% da população brasileira. A situação piorou em 2021 em relação a 2020. A percentagem extremamente crítica elevou-se de 27,3% para 29,4%. A reportagem na Folha de S. Paulo é de Leonardo Vieceli, edição deste sábado.

Na minha opinião, a tendência da pobreza é, mantida a política de Paulo Guedes e de Bolsonaro, portanto, seria, não fosse a derrota nas urnas, de aumentar ininterruptamente. A população cresce na velocidade de 1% ao ano. O Produto Interno Bruto, sobretudo em 2022, fica abaixo desse índice.

O desemprego melhorou, mas os salários pioraram. E, ainda por cima, há o congelamento que abrange milhões de trabalhadores e trabalhadoras em diversos segmentos da produção. Os funcionários encontram-se há quatro anos sem uma reposição inflacionária sequer.  

APOSENTADORIA –  O presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira, anunciou que vai conceder uma aposentadoria ao presidente Jair Bolsonaro em face de sua contribuição previdenciária durante quase 30 anos de atividade parlamentar. Some-se a esse valor a pensão de ex-presidente da República e o pagamento por ser reformado do exército no posto de capitão.

Pode-se argumentar que se trata de direitos legais. Mas o limite usado para todos não é o mesmo limite a ser aplicado a Bolsonaro. No serviço público, o teto de remuneração abrange os pagamentos de mais de uma aposentadoria e também o seu acúmulo com pensões. Fica aí um precedente a ser resolvido pela Justiça quando funcionários sofrem cortes nas suas aposentadorias e pensões quando elas ultrapassam o limite de R$ 33 mil.      


sábado, dezembro 03, 2022

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Para espantar o golpismo, Lula se reúne com Biden antes mesmo de tomar posse

Publicado em 3 de dezembro de 2022 por Tribuna da Internet

 (crédito: Anna Moneymaker/Getty Images/AFP)

Jack Sullivan, conselheiro de Biden, vem se entender com Lula

Rosana Hessel
Correio Braziliense

A Casa Branca confirmou oficialmente, nesta sexta-feira (2/12), a viagem ao Brasil do conselheiro de Segurança Nacional dos Estados Unidos, Jake Sullivan, e de funcionários do Departamento de Estado na próxima segunda-feira (5/12), para encontros com o presidente eleito Luiz Inácio Lula da Silva (PT). O comunicado, no entanto, não cita o presidente Jair Bolsonaro (PL).

Os representantes do governo do democrata Joe Biden virão à Brasília para se reunirem com representantes do governo Bolsonaro e com membros do novo governo.

SULLIVAN EM BRASÍLIA – “O conselheiro Sullivan se reunirá com o secretário de Assuntos Estratégicos do Brasil, almirante Flávio Rocha, o presidente eleito Lula da Silva e o senador Jaques Wagner”, disse porta-voz do Conselho Nacional de Segurança dos EUA, Adrienne Watson, no comunicado.

Segundo a porta-voz, durante as reuniões, “o conselheiro discutirá como os Estados Unidos e o Brasil podem continuar trabalhando juntos para enfrentar desafios comuns, incluindo o combate à mudança climática, salvaguardando a segurança alimentar, promovendo a inclusão e a democracia e gerenciando a migração regional”.

Na reunião com Lula, Sullivan ainda pretende formalizar o convite de Biden para que o presidente eleito se encontre com o chefe de Estado da maior potência do planeta antes mesmo da posse, de acordo com fontes do governo dos EUA.

APÓS A DIPLOMAÇÃO – O presidente eleito disse que pretende viajar a Washington para se encontrar com Biden ainda neste mês, após a diplomação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), antecipada para o próximo dia 12. A posse do novo presidente será no dia 1º de janeiro de 2023.

“Os encontros seguem o acertado na ligação do presidente Biden com o presidente eleito Lula em outubro de 2022, quando o presidente se comprometeu a manter canais de comunicação abertos entre os dois países durante a transição”, acrescentou a funcionária da Casa Branca.

Admirador do ex-presidente dos Estados Unidos Donald Trump, Bolsonaro demorou mais 30 dias para reconhecer a vitória de Biden nas urnas, em 2020, um dos maiores erros diplomáticos cometidos por ele e que afastou o Brasil do segundo maior parceiro comercial.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – Enquanto Bolsonaro queima os últimos cartuchos para forçar um golpe de estado, Lula opera em sentido contrário. A ida a Washington antes da posse é uma manobra extremamente estratégica. Como salientou Augusto Tomazini em recente artigo aqui na Tribuna, “não se pratica golpe militar no Brasil sem as bênçãos do Comando Sul dos Estados Unidos (USSouthCom) e da Otan”, acrescentando que “os recados enviados pela Casa Branca foram vários e bem claros contra esta hipótese”. De fato, o encontro com Biden é uma jogada de mestre de Lula(C.N.)

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