segunda-feira, abril 04, 2022

Welcome back, América!



A guerra continuará para lá do fim da guerra na Ucrânia. Será uma guerra de maiores proporções onde as democracias combaterão as autocracias e o estado de direito terá de se defender da força bruta.

Por Teresa Roque 

Durante a administração do presidente Trump, pode dizer-se que os EUA estiveram “de férias” da sua posição de liderança da ordem internacional, estabelecida após a Segunda Guerra Mundial. Ficou, além disso, indiscutivelmente claro, que não só tiraram férias, como também sabotaram os mecanismos dessa mesma ordem.

Os Estados Unidos estão finalmente de volta, graças, em grande medida, às incursões do senhor Putin na Ucrânia. Contudo, uma China em ascensão constitui uma ameaça muito maior do que uma Rússia em declínio. A guerra que neste momento decorre na Ucrânia representa para os EUA um desvio indesejável de recursos e de mão-de-obra que poderia ter sido evitado. Mas, nem tudo são más notícias. A 24 de Fevereiro, os europeus acordaram finalmente da sua dormência pós-Segunda Guerra Mundial e estão, por fim, empenhados em aumentar o seu investimento na defesa, exactamente o que os EUA têm vindo a pedir desde a presidência de Obama e desde a sua viragem para a Ásia.

Não é possível solucionar rapidamente o que Trump desfez e o presidente Biden irá decerto enfrentar alguma oposição interna face a uma política externa mais agressiva dos EUA. No entanto, a proposta de orçamento que recentemente anunciou e que solicita 813.3 biliões de US dólares para despesas com segurança nacional – um aumento de 4% em relação a 2021 – reflecte claramente as crescentes preocupações da administração com a sua segurança externa. Biden pretendeu enviar uma mensagem clara ao apresentar este orçamento, pois, nas suas palavras: “Os orçamentos são declarações de valores”.

A opinião pública global ficou capturada pelos apelos do presidente Zelensky ao mundo livre, chocada com os acontecimentos e a fascinada com coragem demonstradas pela população ucraniana, que da noite para o dia viu as suas vidas viradas do avesso e o seu país ser paulatinamente saqueado pelo desejo de Putin de voltar atrás no tempo. Todavia, e como a história tem provado repetidas vezes, a identificação popular para com o povo ucraniano não será infinita, especialmente quando os custos económicos de uma guerra prolongada sentir-se-ão cada vez mais no Ocidente. A generosidade tende a esgotar-se quando afecta o bolso das pessoas.

Washington também está ciente de que o seu maior rival não é uma Rússia enfraquecida, mas uma China em ascensão. A América não pode dar-se ao luxo de desviar os olhos do jogo. A próxima década poderá ser decisiva para a definição de qual a potência que dominará o futuro. O mundo pode estar a encaminhar-se para uma batalha épica entre os EUA e a China, uma batalha que fará com que os anos da Guerra Fria pareçam brincadeiras de criança.

Logo após a tomada de posse de Biden, Chen Yixin, secretário-geral da Comissão Central de Assuntos Políticos e Jurídicos do Partido Comunista Chinês, e conselheiro próximo do presidente Xi Jinping, afirmou que “a ascensão do Oriente e o declínio do Ocidente tornaram-se tendência (global) e as mudanças do cenário internacional estão a nosso favor.” Ora, isto ecoa a visão da maioria do establishment da política externa da China. O tempo está do lado deles e a China é bem conhecida pela sua paciência.

Olhando para a América dos dias de hoje, podemos dizer objetivamente que as coisas não parecem estar a correr-lhe muito bem. A apressada retirada do Afeganistão e a efetiva entrega do país aos Talibans foi, no mínimo, desastrosa e não constituiu de forma alguma um bom presságio para o compromisso dos Estados Unidos para com os seus aliados. Internamente, a recusa de Trump em aceitar os resultados das eleições, a polarização do sistema político e as guerras culturais que têm vindo a ser travadas por questões raciais e de género têm vindo a fazer com que algumas potências acreditem que a América está em decadência. Por outro lado, desigualdades económicas gritantes e falta de oportunidades têm vindo a deixar muitos americanos descontentes. No mínimo, era com isto que Putin contava.

E os problemas não acabam por aqui. O governo de Biden enfrenta intensas restrições de orçamento, bem como grande pressão interna de algumas facções do seu próprio partido para que proceda a uma redução da despesa com a defesa e para que, ao invés, invista no desenvolvimento de programas de assistência social. Para que a estratégia de Biden seja encarada como um contrabalanço credível para Pequim, será necessário que ele mantenha o curso dos gastos cumulativos com a defesa e até, se possível, que redireccione alguns dos recursos militares da Europa para o Indo-Pacífico. Neste aspeto o Putin foi uma ajuda valiosa: contribuiu para algo que nem mesmo os presidentes Obama e Trump conseguiram alcançar – a união dos países europeus e o reforço dos seus orçamentos para a defesa.

O discurso do presidente Biden na semana passada na Polónia deixou bem claro que o mundo mudou e Biden não se referia apenas à guerra russo-ucraniana. Para o presidente americano, o mundo mudou no dia 24 de Fevereiro e continuará diferente por muito tempo, mesmo depois das últimas armas serem disparadas na Ucrânia. A guerra travada na Ucrânia, de acordo com Biden, é um sintoma de uma guerra muito mais global, uma guerra que opõe as nações que priorizam a liberdade às que são regidas por regimes autocráticos – “a escuridão que ilumina a autocracia não se compara à chama que incendeia a liberdade e as pessoas que, em toda a parte, vivem para respirar em liberdade”.

A guerra continuará para além do fim da guerra na Ucrânia. Trata-se de uma guerra de maiores proporções, uma guerra em que as democracias são chamadas a combater as autocracias, onde o estado de direito tem a obrigação de se defender da força bruta. A América vê-se, de novo e sempre se posicionou, pelo menos em teoria, na vanguarda dos defensores da democracia e da liberdade. Voltou a ser a proverbial “cidade brilhante sobre a colina” actuando como o “farol da esperança” para o mundo, aquele que poderá e deverá guiar as outras nações na direcção moral certa.

Poder-se-ia pensar que, depois dos desastres do Iraque e do Afeganistão, esses dias tinham acabado. Mas não. A Rússia trouxe-os de volta e bem, e ainda ajudou a passar a mensagem de que, no sistema internacional anárquico, onde não existe uma singular autoridade superior, “might often makes right”. Exactamente aquilo de que os americanos precisavam para galvanizar as democracias em todo o mundo.

E tudo isto aconteceu em boa hora. A democracia estava a ficar fora de moda. O que foi em tempos aclamado como “O Fim da História”, quando a União Soviética entrou em colapso e deixou os EUA como única superpotência do mundo, veio a provar-se errado nas últimas duas décadas, denotando que a história tem mais tendência para a continuidade do que se imaginava. Segundo a Economist Intelligence Unit (EIU), apenas 6,5% da população mundial vive em “democracias plenas”. A maioria das pessoas, quase 55%, vive em regimes híbridos ou autoritários.

As grandes potências criaram sempre grandes narrativas. Nos EUA temos tido a narrativa do “Sonho Americano”, agora a China apresenta o “Sonho Chinês”. Mas, por detrás destas grandes narrativas esconde-se a competição feroz pelo poder e pelo domínio. A política internacional é um negócio desagradável e perigoso, e não há boa vontade suficiente para amortecer a intensa competição pela segurança que se instala quando surge em cena uma potência com aspirações hegemónicas.

A China pretende ser o poder dominante na Ásia, assim como os EUA sempre procuraram ter, e mantiveram, o domínio no hemisfério ocidental. Os EUA entraram na Primeira Guerra Mundial em Abril de 1917, quando parecia que a Alemanha Imperial iria vencer a guerra e governar a Europa. No início da década de 1940, o presidente Franklin Roosevelt fez um grande esforço para afastar os EUA do seu esplendoroso isolacionismo e arrastá-lo para a Segunda Guerra Mundial e assim frustrar as ambições do Japão na Ásia e as ambições da Alemanha Nazi na Europa. Depois de 1945, os políticos norte-americanos garantiram que ambos os países permaneceriam militarmente fracos. Por fim, durante a Guerra Fria, era a OTAN, liderada pelos americanos, que tinha em mãos o dever de frustrar as ambições soviéticas de dominar a Europa.

As grandes potências não gostam de concorrentes. Isto coloca a sua segurança em risco e, num mundo de anarquia, as preocupações de segurança superam todas as outras. Alguns analistas argumentam que tudo isto é pura paranóia. Os gastos militares dos EUA são ainda quase quatro vezes maiores que os da China, e a China possui apenas um base militar no exterior, em Djibuti (se ignorarmos as bases que tem vindo a construir no Mar da China Meridional). No entanto, esta discrepância nos gastos militares não significa que os militares americanos sejam quatro vezes mais poderosos. A China parece estar mais avançada em certas áreas. Já possui a maior marinha do mundo e tem a fama de ter as maiores forças cibernéticas do globo. Como a guerra na Ucrânia veio mostrar, a era da guerra de tanques tradicional acabou. As forças cibernéticas terão um papel cada vez maior, e a cibernética está intimamente ligada à inteligência artificial, cujo papel nas forças armadas permanece completamente desregulado. Aliás, o próprio Putin disse, há algum tempo, uma frase que ficou famosa: “quem vencer essa competição (inteligência artificial) governa o mundo”. Para nossa sorte e dos ucranianos, ele decidiu não enfrentar este repto.

Alguns analistas das relações internacionais mais optimistas defendem uma coexistência entre as duas grandes potências. Para evitar um conflito, a América poderia e deveria adaptar-se a uma China em ascensão. Por um lado, ambas precisam uma da outra para enfrentar questões como a das mudanças climáticas, da proliferação nuclear, da regulamentação da utilização de inteligência artificial em aplicações militares, da estabilidade financeira e pandemias globais.

Esta adaptação não significa o fim duma forte competição. Muito pelo contrário, significa que os poderes aprendem a coexistir uns com os outros, cooperando quando necessário e competindo noutras ocasiões. Para evitar uma guerra, as duas potências deveriam estabelecer limites rígidos para as suas preocupações e condutas de segurança nacional – linhas vermelhas que não poderiam ser atravessadas em momento algum – fomentando, ao mesmo tempo, uma plena competição nas áreas diplomática, económica e ideológica.

Washington deverá aceitar que a sua supremacia militar na Ásia já não é exequível; Pequim deverá aceitar que os EUA continuarão a ser uma potência residente no seu próprio quintal e que continuarão a assegurar a livre circulação marítima e manter uma rede de alianças com as outras potências da região que também temem a ascensão da China. Taiwan e o Mar da China Meridional serão, provavelmente, os desafios mais significativos. A China nunca escondeu as suas intenções em relação a Taiwan. Nesta visão mais optimista do futuro, as duas grandes potências poderiam teoricamente fazer um acordo tácito para não alterar, unilateralmente, o status quo e depois da guerra na Ucrânia, a China poderá estar menos inclinada para o fazer. Pequim também não tem grande pressa para o fazer. Com a crescente interligação económica e cultural entre Taiwan e a China, a reunificação pode até acontecer duma forma natural daqui a umas décadas. Pequim vai ter que parar de “reivindicar” e militarizar mais ilhas no Mar da China Meridional e respeitar a liberdade de circulação marítima e aérea sem levantar objecções.

Quer os EUA, quer a China, estão neste momento a tentar encontrar a fórmula perfeita para a gestão do seu relacionamento. Aconteça o que acontecer, enveredem por conflito ou por adaptação, a questão é que, para manter a paz e garantir a sua própria segurança, os EUA precisam de estar activamente envolvidos nos assuntos mundiais. Ser activo globalmente é o novo nacionalismo. Biden já percebeu isto e já começou lentamente a orientar o seu partido nessa direcção.

As previsões para o futuro estão sempre pejadas de imprecisões. Esperemos que os Estados Unidos encontrem uma forma de acolher este poder em ascensão e de evitar um conflito. Isso seria desastroso para todos nós. No entanto, uma coisa é certa: a América está de volta e todos devemos dar graças por isso. De todos os impérios que temos assistido na história, América tem sido o menos maligno.

Observador (PT)

Advogado com cargo na Assembleia pode atuar como dativo?Isso é legal?

 em 4 abr, 2022 4:04

        Blog Cláudio Nunes: a serviço da verdade e da justiça
               “O jornalismo é o exercício diário da inteligência e a prática cotidiana do caráter.” Cláudio Abramo.

O blog recebeu informação documentada, que comprova que um advogado, natural de município do Agreste sergipano, está, desde fevereiro de 2019, nomeado para cargo em comissão na Assembleia Legislativa de Sergipe, símbolo CCL-01, com remuneração de R$2.353,36. Até aí, normal. Sucede que esse mesmo advogado trabalha como dativo, em municípios do interior, embolsando significativo valor a título de honorários, pagos pelo Estado de Sergipe.

Investigar e questionar é direito constitucional da imprensa. Assim, o blog gostaria que algumas perguntas fossem respondidas.

Primeiro, qual a carga horária de um comissionado, que ocupa o cargo CCL-01 na ALESE?

Segundo, como esse comissionado consegue cumprir sua jornada de trabalho no Poder Legislativo, se atua oficialmente como advogado dativo no interior, inclusive defendendo clientes em sessões do Tribunal do Júri, que quase sempre duram um dia inteiro e, às vezes, atravessam a madrugada?

A propósito, na semana passada esse advogado defendeu réu num júri, em cidade da Microrregião do Cotinguiba, após o que divulgou o alvará de soltura do cliente no Instagram. Terceiro, se, hipoteticamente, esse advogado estiver descumprindo sua carga horária na ALESE, isso não configuraria improbidade administrativa?

Quarto, o deputado, em cujo gabinete esse advogado está lotado, não estaria quebrando o decoro parlamentar?

Quinto, pode um advogado remunerado pelos cofres do Estado atuar como dativo se, nessa condição, ele também será pago pelo próprio Estado, que já o remunera?

Sexto, se tudo isso estiver errado, por que a OAB ainda não agiu?

Por último, mas não menos importante, quais os trabalhos jurídicos desse advogado, comprovadamente realizados, no gabinete em que está lotado na ALESE?

O blog tem alguns documentos que estão sendo encaminhados à OAB por servidores do Judiciário para que ela, em compreendendo que a coisa aqui não é legal, chame o feito à ordem.

Perguntas para o deputado João Daniel “…não podemos votar em senador que fez o impeachment de Dilma, não podemos votar em senador que aprovou um tal de orçamento secreto…” Lula em Salvador. E aí deputado João Daniel? Ficará com Lula ou Rogério Carvalho o padrinho do orçamento secreto? Será coerente ou conveniente?

Lula não vem mais a Sergipe esta semana E a agenda do presidenciável Lula mudou. Ele não vem mais a Sergipe esta semana, porém alguns fatos novos nos bastidores estão deixando uma “liderança” mais kamikaze do que nunca. Gosta de correr risco demais: é muita adrenalina para uma pessoa só…


Especial! Hoje, 04/04, às 17h: O Centenário do PCB (2022) e a Questão Democrática no Brasil Mesa Redonda com Prof. Osvaldo Maciel, Prof. Ivan Alves Filho e Marcélio Bomfim Coordenação: Prof. Fernando de Araújo Sá. A organização de mesa redonda sobre o centenário do Partido Comunista Brasileiro (PCB) e a questão democrática, pelo Grupo de Pesquisa História Popular do Nordeste e pelo Observatório da Democracia (UFS), dentro do Ciclo de Debates (2022), serve de ponto de partida para se pensar as batalhas memoriais e políticas no Brasil contemporâneo, especialmente após as transformações advindas da crise do socialismo real e do paradigma comunista, no final da década de 1980. Assista aqui.

Debate historiográfico Foram convidados professores e militantes com perfis diferenciados para discutir as comemorações do Partido comunista brasileiro nesse ano de 2022: Osvaldo Maciel, professor/pesquisador na Universidade Federal de Alagoas, Ivan Alves Filho, historiador, e o militante político Marcélio Bomfim, destacando a contribuição para o debate historiográfico por parte de intelectuais vinculados ao partido, bem como na edição de periódicos, livros e jornais, além da presença no cinema, teatro, literatura e artes visuais.




Marcélio Bomfim: Emoção ao tomar a 4ª dose da vacina em posto de saúde com o nome do filho falecido precocemente E viralizou nas redes sociais: “Aos meus quase 78 anos, com um misto de emoção, gratidão e esperança, tomei minha 4.° dose da vacina contra COVID-19, no Posto de Saúde que leva o nome do meu filho primogênito, Dr. Marx de Carvalho Rocha, um jovem médico, especialista em ginecologia e obstetrícia, que prestou relevante serviço militar na Base do 28°BC de Aracaju/SE, na condição de 1.° Tenente Médico, e abraçou sua profissão com uma dedicação ímpar. Marx nos deixou, em 1999, no auge dos seus 29 anos, e hoje me senti carinhosamente acolhido quando fui recebido pelos funcionários do posto de saúde que leva seu nome.”

Não é piada! Turma de Geddel está dirigindo a Secretaria de Administração Penitenciária

Publicado em 3 de abril de 2022 por Tribuna da Internet

TRIBUNA DA INTERNET

Charge do Son Salvador (Estado de Minas)

José Carlos Werneck

O jornalista Lauro Jardim informa, neste domingo, em sua coluna de O Globo, que o MDB, partido político comandado na Bahia pelos irmãos Lúcio e Geddel Vieira Lima, indicou a Secretaria de Administração Penitenciária dentro do acordo pelo qual o partido aderiu à candidatura do petista Jerônimo Rodrigues ao governo baiano e indicou o emedebista Geraldo Jr., presidente da Câmara Municipal de Salvador, para seu vice.

Assinadas pelo governador Rui Costa, as portarias com as referidas nomeações solicitadas pelo MDB de Lúcio e Geddel foram publicadas no Diário Oficial da Bahia.

MOTIVO DE PIADAS – Responsável pelo controle dos presídios estaduais e de todo o contingente de presos no Estado, a Secretaria de Administração Penitenciária será ocupada por José Antonio Maia Gonçalves, advogado do ex-deputado federal Luiz Argolo, único baiano preso pela Operação Lava Jato, que cumpriu quatro anos e seis dias.

O fato de o governo ter entregue ao MDB a Secretaria de Administração Penitenciária, que custodiou Geddel enquanto ele esteve preso na Bahia no caso do bunker de R$ 53 milhões, virou motivo de piada até entre petistas. Ainda mais porque o novo secretário é advogado do outro ex-parlamentar que também foi preso na mesma época que Geddel.

E as nomeações, feitas pelo governador petista Rui Costa, teriam sido publicadas neste sábado, porque é o dia em que tradicionalmente o Diário Oficial do Estado é menos lido. Aliás, no evento em que o MDB anunciou o apoio ao PT, na terça-feira passada, Geddel circulou entre os participantes, mas evitou discursar e falar com a imprensa.

 


Por que a queda de Landim do conselho da Petrobras vai respingar em Adriano Pires?


Como blindar a Petrobras do populismo com o preço dos combustíveis? Para Adriano  Pires, a solução está na venda das refinarias - Seu Dinheiro

Adriano Pires na Petrobras é como uma raposa no galinheiro

Malu Gaspar
O Globo

Os motivos que fizeram Rodolfo Landim desistir de ocupar a presidência do conselho da Petrobras nada têm a ver com a presidência do Flamengo e suas recentes derrotas. A razão pela qual ele sairá do posto é a mesma pela qual o executivo indicado para presidir a empresa, Adriano Pires, já cogita desistir também: os conflitos de interesse provocados pela ligação de décadas com o empresário Carlos Suarez, sócio de oito distribuidoras de gás no Brasil.

Landim é amigo de décadas de Suarez e chegou a ser inclusive investigado pelo Ministério Público Federal brasileiro em razão de repasses de recursos feitos a contas de Suarez na Suíça, descobertos pelo Ministério Público local na época da Lava Jato.

CONFLITO DE INTERESSES – Já o consultor Adriano Pires, que nos últimos dias tem sido pressionado a revelar os clientes para quem presta serviço em sua empresa, trabalha não apenas para a associação do setor, a Abegás, mas também para os negócios de Suarez e para a Compass, distribuidora do empresário Rubens Ometto.

Embora Pires argumente não dar declarações à imprensa por estar em período de silêncio, todo o mercado sabe (e ele mesmo não esconde) para quem ele trabalhou nos últimos anos.

Como cliente, Suarez tem uma série de interesses na Petrobras. O mais imediato tem a ver com a negociação de um acordo bilionário entre a distribuidora no Amazonas, da qual ele é sócio, a Cigas, e a petroleira.

 

ACORDO À VISTA – Os setores jurídicos das duas companhias estão negociando há meses um acordo para encerrar todos os litígios entre as duas empresas.

Embora não haja estimativa formal dos valores envolvidos, fontes familiarizadas com as questões em discussão estimam que não serão menores do que R$ 1 bilhão e podem chegar a até R$ 8 bilhões.

Depois que Pires foi indicado, acionistas minoritários passaram a se articular para indicar mais conselheiros e o Ministério Público no  Tribunal de Contas da União entrou com uma representação propondo que Pires não assumisse o comando da companhia antes de uma investigação sobre os conflitos de interesses.

MAIS A PERDER – Com a pressão interna e externa se intensificando, Landim e Pires certamente consideram que têm mais a perder do que a ganhar insistindo em ocupar seus postos na Petrobras (presidente do Conselho Administrativo e presidente da Petrobras, respectivamente).

Na empresa, aliás, os dois, mais o executivo Eduardo Karrer, executivo incluído na mesma lista de conselheiros publicada por Jair Bolsonaro, ganharam um apelido que arriscava pegar: trio Suarez.

Karrer não tem ligação conhecida com Suarez, mas é amigo de Landim, com quem trabalhou no grupo X, de Eike Batista.

Moro e Ciro perderam um tempo enorme até passarem a defender a política da terceira via


terceiravia - Twitter Search / Twitter

Charge de Mor (Arquivo Google)

Carlos Newton

Conforme temos afirmado aqui na Tribuna da Internet, os pré-candidatos Sérgio Moro e Ciro Gomes estavam agindo de forma totalmente errada e seu comportamento inevitavelmente acarretaria a vitória da polarização entre o ex-presidente Lula da Silva e o atual presidente Jair Bolsonaro, dois políticos que já demonstraram não merecer a confiança dos brasileiros.

Como se sabe, Lula comandou o maior esquema de corrupção já implantando no mundo e criou um elevado cargo para sustentar a amante – duas gravíssimas ilegalidades que o impediriam de ocupar função pública, caso a Justiça brasileira tivesse um mínimo de respeito. E Bolsonaro não fica atrás, com a família envolvida em enriquecimento ilícito por rachadinhas e negócios imobiliários em dinheiro vivo, além de seus procedimentos inadequados com chefe de Estado.

TERCEIRA VIA – Os maus antecedentes dos candidatos da polarização demonstram a necessidade de haver uma terceira via, que possa canalizar os votos dos brasileiros que não aceitam eleger novamente Lula ou Bolsonaro.

Ciro Gomes e Sérgio Moro são os principais presidenciáveis com possibilidades de personalizar essa terceira via, mas estavam atrapalhando. Insistiam em não participar das negociações visando a uma candidatura comum, única saída para livrar o país dessa polarização verdadeiramente nefasta.

Os dois demoraram até se conscientizar de que estavam fazendo o jogo dos adversários, ajudando a tornar ainda mais inevitável a polarização e atirando no lixo da História a esperança dos brasileiros que ainda acreditam num futuro melhor.

NOVA POSTURA – Após manterem encontros separados com Luciano Bivar, presidente do União Brasileiro e principal negociador da candidatura única, Moro e Ciro passaram a adotar uma nova postura. Sem abandonar suas pretensões de disputar a Presidência, eles demonstram que há possibilidade de uma aliança futura, sem a qual a terceira via estará alijada do segundo turno, porque a divisão de seus votos favorece a polarização.

Moro agora se compromete a trabalhar pela “união do centro”, como “um soldado da democracia”. Nada mal. Se tivesse agido assim desde o princípio, estaríamos em outra realidade eleitoral.

E Ciro Gomes também mudou. Ao ser informado de que Sérgio Moro e João Doria haviam “desistido”, não fez nenhum comentário agressivo. Pelo contrário, demonstrou respeito pelo dois e apenas afirmou: “Eu não cederei jamais”. Parecia um novo Ciro.

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P.S.
 – O fato concreto é que a eleição deu uma guinada de 180 graus e a terceira via passou a ter enorme viabilidade e visibilidade. Era justamente o que a chamada maioria silenciosa estava esperando. Ao invés de tampar o nariz para votar em Lula ou Bolsonaro, os indecisos poderão votar no candidato da terceira via, que será escolhido entre Ciro Gomes, Sérgio Moro, Simone Tebet, João Doria etc., dependendo das condições de temperatura e pressão no final de junho ou início de julho, quando a campanha começa a esquentar. Até lá, ficaremos na expectativa. Depois a gente volta ao assunto. (C.N.)

domingo, abril 03, 2022

Moro não entendeu: ACM Neto e Caiado precisam de Lula e de Bolsonaro, e não dele

 

Moro não entendeu: ACM Neto e Caiado precisam de Lula e de Bolsonaro, e não dele

Delações da OAS podem atingir ACM Neto. Mas podem atingir Ronaldo Caiado -  Jornal Opção

Filiação de Moro no União Brasil atrapalha Caiado e ACM Neto

Leonardo Sakamoto
UOL Notícias

Uma crítica feita regularmente a Sergio Moro (ontem, Podemos, hoje, União Brasil, amanhã, sei lá) é que ele não compreende ou não aceita que política é esporte de equipe, em que decisões devem ser construídas e costuradas coletivamente, e não tomadas individualmente.

Talvez o ex-juiz aprenda mais sobre isso com a nova patacoada em que se meteu, nesta sexta-feira (1), ao provocar a ira de nomes fortes do União Brasil, seu novo partido, que ameaçam, agora, impugnar sua filiação.

ERA BEM-VINDO – Caciques do antigo Democratas (que se fundiu ao PSL para formar o União Brasil) tinham avisado a Moro que ele seria bem-vindo ao novo partido desde que fosse candidato a deputado ou senador. O ex-juiz, então, afirmou que abria mão, neste momento, da disputa à Presidência da República e assinou sua filiação nesta quinta-feira (31).

Um dia depois, contudo, talvez se sentindo empoderado por outra ala do partido (o antigo chefão do PSL e presidente da nova sigla, Luciano Bivar, adoraria fazer dobradinha presidencial com Moro), e com o ego ferido diante das piadas sobre mais uma promessa quebrada, afirmou que “não desistiu de nada”. E que não sairá para deputado.

Candidatos à Presidência precisam de palanques estaduais, mas também serem úteis aos candidatos a governo, caso contrário, viram peso morto. A pré-candidatura de Moro, que patina entre 6% e 9%, a depender do instituto de pesquisa, anima pouca gente fora da imprensa e do eixo Rio-São Paulo.

ACM NETO E CAIADO -O secretário-geral do União Brasil e ex-prefeito de Salvador, ACM Neto, é pré-candidato ao governo da Bahia e está bem colocado nas pesquisas. Sabe que sua caminhada será mais fácil se não bater de frente com Lula – que tem, em boa parte do Nordeste, uma fortaleza de votos.

“Eu não sou adversário de Lula. Lula é candidato à Presidência, eu sou candidato ao governo do estado. O eleitor não quer ver seu candidato a governador em rixa com o candidato a presidente”, disse ele em março, apesar de ser opositor histórico do PT.

Outro da ala demista do União Brasil que também pediu a desfiliação de Moro diante das últimas declarações é Ronaldo Caiado – governador de Goiás, um Estado em que Bolsonaro é politicamente forte. Sua reeleição é, portanto, mais fácil sendo aliado e não inimigo do atual presidente.

SERÁ UM ESTORNO – Como os dois, outros políticos do antigo DEM, candidatos a cargos majoritários ou proporcionais, sabem que Moro candidato ao Planalto será um estorvo e Moro não entendeu: ACM Neto e Caiado precisam de Lula e Bolsonaro, não dele

Aceitariam sua permanência se fosse puxador de votos por São Paulo ou talvez disputar a vaga ao Senado, com a transferência de Datena para o PSC. Não aceitam compartilhar o Fundo Eleitoral com o “sonho” presidencial do ex-juiz. Isso sem contar que a cruzada lavajatista de Moro, que acabou por criminalizar a política, não desce na garganta de muitos no partido, que sentiram-se perseguidos pela operação.

Moro poderia ter ficado em silêncio e esperado as coisas irem se desenrolando ao longo do tempo no partido? Poderia. Mas o ego saiu pela boca.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG
 – O artigo chama atenção para uma coisa importante: os políticos corruptos têm horror a Sergio Moro, uma circunstância que é bastante compreensível. Assim, Moro só poderá contar com o apoio de quem é contrário à corrupção. Aliás, isso é o óbvio. Ninguém jamais poderia esperar que os corruptos aplaudissem Moro(C.N.)


Marta destaca lançamento do programa de governo participativo em Feira: "Continuidade do processo democrático que resultou em gestões bem avaliadas na Bahia”

                                             (Foto/ Crédito André Fofano)


A vereadora Marta Rodrigues, pré-candidata a deputada federal pelo PT, destacou neste domingo (3) a importância do Lançamento do Programa de Governo Participativo(PGP), em Feira de Santana,  com os pré-candidatos do PT e aliados,  movimentos sociais da Bahia e setores da sociedade civil, que serve como ferramenta para  construção de um projeto para o avanço social da Bahia com a escuta e participação da população. 

 “Muito importante para a Bahia e para Feira também.  O PGP é um processo democrático fundamental, que está enraizado em nosso Partido das Trabalhadoras e Trabalhadores, faz parte do que somos, que é estar ao lado das pessoas para ouvi-las e trabalhar para melhorar a vida delas, levar qualidade, justiça social e combater as desigualdades”, frisou. 

Marta lembra que a realização de PGPs já ocorreu em todos os governos do PT na Bahia, sendo os últimos dois coordenados pelo pré-candidato a governador do Estado, Jerônimo. 

“O resultado desse trabalho, que é mais uma ferramenta de gestão,  é referendado com o avanço social e com o alto índice de aprovação das gestões de Wagner e Rui. Estamos dando continuidade a esse ciclo, pois a gente entende que para cuidar da vida das pessoas é preciso ter conhecimento da realidade delas, daí a importância não só de ouvir para construir, mas também percorrer os 417 municípios baianos para ver de perto, pisar no chão para conhecer as pessoas. Essa é nossa forma de fazer política”, destacou Marta. 

Para a petista, a participação popular no programa de uma gestão governamental é fundamental para diversas campos de luta, com a efetivação das políticas públicas eficientes e inclusão de orçamento para execução. 

 “A Bahia é outra hoje,  vive um processo de governo democrático, com t escuta, respeito aos movimentos sociais, de mulheres, dos conselhos estaduais  É um trabalho coletivo”,  disse. 

Marta lembra o compromisso com a Educação como direito universal e gratuito, área que teve investimentos importantes, quando a Bahia sai de uma universidade para seis, inaugura 20 campis universitários e 40 escolas técnicas, tendo  atualmente mais de cem escolas  sendo construídas noa interiores e mais de 1.5 milhões de pessoas foram alfabetizadas pelo TOPA. 

 Na Saúde, acrescenta Marta, as gestões do executivo estadual do PT, mesmo com o contingenciamento do SUS, continuou investindo e são 20 novos hospitais e 21 políclinicas, atuando também em Salvador, que sofre o descaso da gestão municipal na área.

 “O governo da Bahia fez em Salvador  o Hospital Ortopédico da Bahia e do Centro de Educação, Inovação e Formação da Bahia (CEINFOR), ampliou o Hospital Geral do Estado (HGE 2) e do Roberto Santos,  Hospital do Subúrbio, fez o novo Instituto Couto Maia  o  Hospital Metropolitano, o Hospital da Mulher, policlínicas, além de Unidades Básicas de Saúde e dos Centros de Atenção Psicossocial (Caps)".

Segundo Marta, o PGP  compõe a forma de fazer política do PT e lembrou a declaração do senador Jaques Wsgner, de que não se trata de uma gentileza, e sim de uma obrigação.   “E vimos resultado positivo na vida das pessoas, pois juntos solucionamos problemas e combatemos desigualdades. É assim que nascem os programas sociais, como Luz para Todos, Bolsa Família,  levando dignidade, cidadania e tirando milhares da miséria. E a população inteira pode participar, com sugestões, ideias, projetos também pela internet e pelo site pgpbahia.com.br" . 

Ainda de acordo com a petista, o povo baiano não deseja o retorno do autoritarismo, do descaso e da falta de investimento vividos durante as gestões do DEM. “Seja a nível estadual, municipal e nacional, há o reconhecimento da população desse processo democrático, participativo, de garantia de direitos humanos ao lado  dos movimentos sociais, dos sindicatos, das organizações da sociedade civil. A Bahia avançou socialmente e o alto índice de aprovação de Rui e Wagner mostra isso. Nossa luta é paara que a Bahia não retroceda”, declarou.

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