domingo, janeiro 03, 2021

Crise sanitária e confrontos políticos imobilizaram comissões do Congresso em 2020


Charge do Duke (otempo.com.br)

Natália Portinari e Bruno Góes
O Globo

O ano de 2020 está terminando de forma atípica no Congresso: as comissões, responsáveis por debater e aprovar projetos, ficaram paralisadas devido à pandemia de Covid-19 e a disputas políticas. Como consequência, projetos prioritários para os parlamentares, como a reforma tributária, não andaram. E o cenário para o próximo ano é complexo, especialmente na Câmara, onde a regra da divisão dos colegiados entre os partidos é seguir blocos formados em 2019, que reúnem legendas hoje adversárias.

Na Câmara, as comissões são montadas a cada ano e, como no início da pandemia, em março, não havia ocorrido a instalação, nenhuma funcionou. Em 2019, 517 propostas foram votadas nestes colegiados. Já no Senado, onde o funcionamento é de dois anos, houve trabalho no início de 2020, além de convocações para votar a indicação de autoridades no segundo semestre.

SEM FUNCIONAMENTO – Assim, os senadores deliberaram sobre 46 propostas nestes colegiados, 62% a menos em relação a 2019. A maioria das comissões mistas — compostas por deputados e senadores — também está sem funcionar.

A Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que permite prisão em segunda instância seria analisada em uma comissão especial da Câmara e não avançou. Deputados tentaram votar um projeto para retomar o trabalho de forma remota, mas não tiveram sucesso.

A produtividade em plenário cresceu um pouco. Na Câmara, o número de projetos apreciados aumentou 9,6% em relação a 2019; no Senado, 22%. Mais propostas passaram a ir direto para a votação em plenário, pulando as comissões.

IMPASSE POLÍTICO – A inoperância das comissões não pode ser justificada apenas pela adoção da votação remota. Desentendimentos políticos e preferência por um modelo mais centralizado de decisão pesaram para que a situação perdurasse o ano inteiro.

No segundo semestre, o Senado conseguiu reunir parlamentares em comissão para aprovar indicações de embaixadores e autoridades de agências reguladoras. Já a Câmara esteve tomada pela disputa antecipada pela presidência da Casa, que ocorrerá em fevereiro.

Os desentendimentos impossibilitaram a formação de um consenso para alocar os partidos no comando de diferentes colegiados, além de resistências da oposição, por exemplo, em permitir o avanço da reforma administrativa, parada na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ).

EMPODERAMENTO – Parlamentares reclamam que, sem as comissões, o poder ficou mais concentrado nos líderes partidários. “Nesse ano, se tirou todo o prestígio, o trabalho dos deputados que trabalham nas comissões e se empoderou os líderes. E ninguém sabe nem o que votou, porque não foi discutido”, diz Fábio Ramalho (MDB-MG).

Na Câmara, o presidente Rodrigo Maia (DEM-RJ) prometeu mais de uma vez instalar o Conselho de Ética, mas não o fez. O colegiado tem na fila casos como o de Flordelis (PSD-RJ), acusada de mandar matar o marido, e de Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), que citou a possibilidade de um novo “AI-5” para evitar a “radicalização” da esquerda.

No Senado, onde também não funcionou, aguardam análise representações contra Flávio Bolsonaro (PSL-RJ), pelas denúncias de “rachadinha” quando era deputado estadual, e Chico Rodrigues (DEM-RR), que se licenciou após ter sido flagrado com dinheiro na cueca em operação da Polícia Federal.

DE LADO – A senadora Simone Tebet (MDB-MS), presidente da CCJ do Senado, aponta que algumas matérias não relacionadas à pandemia, como a pauta de segurança pública e a PEC Emergencial (de ajustes de despesas públicas) foram deixadas de lado. E outras propostas, como a PEC do Fundeb (fundo da educação básica), aprovadas no plenário sem passar por comissões, não tiveram o mesmo nível de debate.

“O Fundeb foi um exemplo de sucesso, acabou dando certo, mas porque nós sabíamos da necessidade de aprovar sem alteração para não voltar pra Câmara. Mas teve muitos projetos que não estão relacionados à Covid que foram para plenário direto. Eles provavelmente serão alterados na Câmara”, avalia Tebet.

PERSPECTIVAS – E a disputa política na Câmara pode dificultar o retorno em 2021. A regra prevê a distribuição dos colegiados de acordo com os blocos formados no início do mandato. Mas fazem parte do maior grupo legendas que hoje estão divididas no apoio a Baleia Rossi (MDB-SP) e Arthur Lira (PP-AL).

Maia afirma que deve ser mantido o acordo firmado no passado que previa, no caso da CCJ, um rodízio. Já os aliados de Lira entendem que não há possibilidade de que seja respeitado um acordo “que foi feito para não ser cumprido”. No caso da CCJ, o problema já tinha ocorrido no início de 2020, quando Republicanos e MDB argumentavam ter o direito à presidência neste ano. Agora, para piorar, as legendas estão em lados opostos.

Governo Bolsonaro abandonará a fantasia da Nova Política antes do Carnaval chegar


Blog de Geografia: Charge do Benett - A Velha Nova Política

Charge do Benett (Folha de S. Paulo)

Gustavo Maia
O Globo

A bandeira da Nova Política, presente desde a campanha eleitoral de Jair Bolsonaro em 2018, deu lugar a uma aliança pragmática com o Centrão, bloco chamado de fisiológico pelo presidente e seus aliados antes do acordo com os partidos. Para o professor André Borges de Carvalho, do Instituto de Ciência Política da Universidade de Brasília (UnB), o movimento demonstra que Bolsonaro percebeu que não tem como sobreviver politicamente se não tiver apoio no Congresso e mira a reeleição.

“Ele se elegeu com esse discurso da antipolítica, dizendo que não faria barganha, mas foi vencido pelos fatos. E me parece que agora, com a eleição da Câmara, o governo chegou num momento decisivo, porque se o candidato do governo perder, ele fica numa posição complicada, já que o presidente da Câmara controla a pauta. E os dois próximos anos são cruciais, vão determinar o que será a eleição de 2022” — avalia Carvalho.

BASE ALIADA — “Então, uma negociação para aumentar o espaço dos partidos da base aliada seria uma forma de solidificar essa base para o governo conseguir sobreviver, evitar impeachment, CPIs, esse tipo de coisa.

A necessidade de alinhamento com a política tradicional se deu após um primeiro semestre de embates. Na primeira metade do anos, o presidente elevou o tom contra o Supremo Tribunal Federal e o Legislativo, argumentando que eles atrapalhavam o andamento das suas agendas. Ainda apostando na beligerância, participou de atos antidemocráticos e duelou com o presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ).

O ápice do péssimo relacionamento foi quando Bolsonaro aventou a iminência de uma “crise institucional”, em abril. Ele se referia à decisão do ministro Alexandre de Moraes, do STF, de suspender a nomeação de Alexandre Ramagem para comandar a Polícia Federal. Disse que não “engoliu” a “canetada” do magistrado. Na época, o ex-ministro da Justiça Sergio Moro havia pedido demissão acusando o presidente de interferência na PF.

PRESENÇA DE FÁBIO – Um ponto de inflexão notório ocorreu quando Bolsonaro criou o Ministério das Comunicações e escolheu o deputado federal Fábio Faria (PSD-RN) para comandá-lo. Desde então, o presidente deixou de falar com jornalistas no “cercadinho” do Alvorada. O diagnóstico foi de que suas declarações provocavam focos de incêndio desnecessários.

Em junho, o presidente foi surpreendido pela prisão de Fabrício Queiroz, amigo e ex-assessor do seu filho Flávio. E então deu-se a conversão de vez do “novo Bolsonaro”.

A primeira decisão pensada sob medida para agradar o Judiciário foi no dia seguinte. Demitiu o ministro da Educação, Abraham Weintraub, que em uma reunião ministerial gravada externou a vontade de botar “esses vagabundos todos na cadeia, começando no STF”. Sinalizou então um afastamento da ala mais radical.

AGRADANDO O CENTRÃO – Até na relação com o STF Bolsonaro agradou o Centrão, ao indicar, em outubro, o desembargador Kassio Nunes Marques, indispondo-se com bolsonaristas que esperavam um nome evangélico.

Expoente da ala ideológica, o assessor para assuntos internacionais da Presidência, Filipe Martins, apontou o afastamento do presidente de suas origens em rede social: “Com o enfraquecimento desse discurso (político-ideológico), o governo se vê obrigado a aceitar apenas propostas e políticas consideradas aceitáveis pelo establishment. Quando não aceita, acaba sendo rotulado de tudo, até de genocida, e o custo político de defendê-lo vai se elevando”, dizia Felipe Martins.

A metamorfose foi reconhecida pelo próprio presidente, em transmissão a vivo no último dia 10. Respondendo ao “pessoal (que) fala em Centrão”, ele lembrou que já integrou PP, PTB, PFL (hoje DEM) e PSC. “Esse negócio de ficar aí cada vez mais satanizando partidos não existe”.

ENTROSAMENTO – O presidente ainda rebateu críticas pela nova forma com que lida com congressistas e disse que tem que conversar com o Parlamento, com o qual nunca esteve tão bem.

Ele também reclamou que, quando não conversava, era acusado de ser truculento; e agora que conversa é criticado pela imprensa.

PREFEITO DE JACOBINA CHEGA PARA TOMAR POSSE MONTADO EM BOI; CONFIRA VÍDEO.

 

FOTO: REPRODUÇÃO

Da Redação

Atualizada às 12h55 de 02/01/21

O prefeito eleito de Jacobina, Tiago Dias (PCdoB), 37 anos, inovou ao tomar posse nesta sexta-feira (1º). Vestido de vaqueiro, ele fez uma “cavalgada” montado em um boi para comemorar o cargo. A vice-prefeita Kátia Alves (Podemos) também foi empossada.

Além da posse do Executivo, os 17 vereadores eleitos também foram empossados, em cerimônia que aconteceu na Câmara Municipal de Jacobina. O acesso às dependências do Poder Legislativo de Jacobina foi controlado, inclusive para a imprensa, por conta dos protocolos de segurança contra o novo coronavírus.

Confira vídeo:

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Nota da redação deste Blog - O prefeito de Jeremoabo perdeu uma grande oportunidade de compartilhar com seu colega prefeito de Jacobina; só que em vez de tomar posse montado num boi, poderia ser montado num JERICO, já que durante sua campanha por diversas vezes desfilhou montado no Jerico em vários povoados da Zona Rural.

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01 de janeiro de 2021, 22:31                



                                                                                                                                                             

Bolsonaro precisa renunciar, para livrar o país dessa política mentirosa e insana na Saúde

Publicado em 3 de janeiro de 2021 por Tribuna da Internet

Revolta da Vacina

Charge do Duke (dukechargista.com.br)

José Carlos Werneck

Até quando este Governo abusará da paciência do povo brasileiro? Até onde pretende substituir, por meio de medidas equivocadas, o papel de zelar pela Saúde da população? Até que ponto contribuirá para a intranquilidade e insegurança que tomaram conta da Nação? Até quando pretende, por meio de providências risíveis, levar ao desespero a população que sofre calada, sem receber nada em troca?

É inaceitável permanecer nesta inércia que está pondo em risco a vida e a saúde de toda a população brasileira. Chega de subterfúgios. Chega de deslavadas mentiras com o intuito de confundir os brasileiros.

DEMAGOGIA BARATA – Basta de casuísmos e demagogia barata, para que, realmente, se faça o que todos os governos responsáveis do resto do mundo estão fazendo.

A maioria das medidas tomadas pelo Governo brasileiro, em relação ao combate à pandemia que assola o mundo, são totalmente inócuas, sem outro intuito a não ser enganar a boa-fé dos brasileiros, que estão fartos de tanta ineficiência.

Não é aceitável este caos provocado pela Administração, que implantou a desordem generalizada em relação à Saúde Pública e penaliza toda a Nação.

NEGACIONISMO – A intranquilidade gerada por esta política de saúde pública confusa e totalmente ineficiente, com ações inócuas do Ministério da Saúde, prejudica gravemente todo o País.

A opinião pública responsável repudia veementemente esta política sanitária de origem duvidosa e negacionista, contrária às recomendações da Ciência, que está vitimando pessoas de todas as idades e classes sociais.

A Nação anseia pelo início da vacinação contra a Covid 19. Precisamos de uma ação séria e responsável sem quaisquer conotações de ordem política ou ideológica.

EXEMPLO PARA O MUNDO – Desejamos a preservação das conquistas que o país já conseguiu anteriormente, no que diz respeito à vacinação em massa, que já foi exemplo para todo o mundo. O povo quer uma política de Saúde Pública limpa, transparente e confiável.

Se o presidente Jair Bolsonaro não pode cumprir o papel que lhe é destinado constitucionalmente, não lhe cabe outra saída senão entregar o Governo ao seu legítimo sucessor.

É consenso que a presidente termine o seu mandato como prevê a Constituição. Tudo isso é salutar para a Democracia. Mas, para isso, a presidente da República terá de desistir desta sua política nociva, que está prejudicando o Brasil e os brasileiros.

NADA DE GOLPES – Os brasileiros não desejam golpes nem contragolpes. Querem preservar e cada vez mais aperfeiçoar o processo democrático, duramente construído, e manter a estabilidade econômica obtida pelo Plano Real, que está sendo jogada no lixo. Mas, igualmente, não admitem que seja o Poder Executivo, por interesses espúrios, quem promova o caos social e tente cercear a Imprensa e todos os meios da livre manifestação do pensamento, levando a Nação ao abismo.

Os Poderes Legislativo e Judiciário, as Forças Armadas e todos os segmentos democráticos devem estar vigilantes para combater todos aqueles que pretendem ameaçar a Saúde de todos os brasileiros. O País já sofreu além dos limites com este pandemônio. Agora, chega de tanta incompetência e de tanta mentira!

Vacinas já!

Anvisa aprova importação de 2 milhões de doses da vacina de Oxford

 Domingo, 03 de Janeiro de 2021 - 09:20


Anvisa aprova importação de 2 milhões de doses da vacina de Oxford
Foto: Reprodução / FioCruz

A Anvisa aprovou um pedido feito pela Fiocruz para importação excepcional de 2 milhões de doses da vacina produzida pela Universidade de Oxford em parceria com o laboratório AstraZeneca.

 

No dia 23 de outubro, a Anvisa já tinha autorizado a importação de 6 milhões de doses da CoronaVac, vacina contra a Covid-19 desenvolvida pelo laboratório chinês Sinovac e testada no Brasil em parceria com o Instituto Butantan.

 

No pedido feito pela Fiocruz, a indicação é que as vacinas cheguem ao país ainda em janeiro. A importação é considerada excepcional porque o imunizante ainda não foi submetido à autorização de uso emergencial ou registro sanitário, de acordo com o G1.

 

Segundo a agência, a aprovação ocorreu no dia 31 de dezembro de 2020, mesmo dia que o pedido de importação foi protocolado pela Fiocruz — que é a responsável pela produção da vacina.

 

Ainda de acordo com a Anvisa, por se tratar da importação de vacina que ainda não foi aprovada no país, a entrada do material no país deve seguir algumas condições. O principal deles, diz a agência, que as vacinas importadas fiquem sob a guarda específica da Fiocruz até que a Anvisa autorize o uso do produto no país.

 

Na sexta-feira (1), a Anvisa afirmou que terminou a análise dos documentos já apresentados pela AstraZeneca sobre a vacina. Na prática, isso quer dizer que a agência "está em dia" com o que foi apresentado até agora.

Bahia Notícias

Já passou da hora de a mídia desmontar o circo em torno de Trump e se desintoxicar


Trump veta lei de defesa nacional e arrisca paralisação do Governo central  – O Jornal Económico

Até os republicanos já temiam as maluquices de Trump

Lúcia Guimarães
Folha

Imagine o alcoólatra que, na estrada a caminho da clínica de reabilitação em que vai se internar, decide parar num bar e passar uma semana tomando os últimos porres. É sinal preocupante, ninguém duvida.

Acompanhando parte da cobertura desta assustadora transição de poder, pergunto se a imprensa política americana não é o dependente químico que parou no bar. Jornalistas experientes continuam a cobrir ou destacar na rede social qualquer mentira ou fantasia escatológica de Donald Trump.

NADA IMPORTA – E não importa se o entorno de lunáticos e sicofantas que reforçam os delírios de poder do presidente não vai convencer militares americanos a apoiar um golpe para anular o resultado da eleição. Ou se o vice Mike Pence não é suicida para tentar virar a mesa em 6 de janeiro, quando preside a sessão no Congresso para confirmar o resultado dos votos no Colégio Eleitoral, tornando oficial a eleição de Joe Biden.

Na tradição do jornalismo que quer se qualificar como objetivo, é dever da imprensa manter plantão permanente junto ao chefe do Executivo. Mesmo no imediatismo e na democratização trazidos pelas mídias digitais, toda informação publicada por jornalistas é resultado de deliberação e edição.

Neste final nefasto da pior Presidência da história moderna americana, é sinal preocupante notar como Trump foi e continua sendo tratado por parte da mídia como um presidente semelhante a seus antecessores, como se cada tuíte absurdo tivesse consequência histórica.

CAMPANHA DE MARKETING – Trump fez da sabotagem da apuração eleitoral uma campanha de marketing para cimentar o que espera ser uma pós-Presidência sob holofotes permanentes.

Trouxe alta de audiência e novos assinantes para a imprensa americana, embriagada por sua onipresença, hipnotizada pela geração permanente de escândalos e violações de decoro no cargo.

Como resumiu cinicamente o ex-presidente da rede CBS, Les Moonves, antes da eleição de 2016, “Trump pode não ser bom para o país, mas ele é diabolicamente bom para a CBS”. Ou, como disparou a uma plateia de correspondentes políticos, em 2018, a comediante Michelle Woolf: “Vocês ajudaram a criar este monstro, agora lucram com ele”.

TUDO DOS BASTIDORES – Nos últimos quatro anos, um número recorde de repórteres políticos assinou contrato com editoras de livros para revelar bastidores da era Trump. O exemplo mais infame é o de Bob Woodward, que gravou Trump admitindo a gravidade da pandemia no dia 7 de fevereiro e escondeu a informação que poderia salvar vidas até publicar seu best-seller “Raiva”, em setembro.

Se todo jornalismo é um serviço público, a cobertura política é especialmente associada à proteção da democracia. É também uma área mais contaminada pela proteção de fontes anônimas. Até que ponto a oferta de proteção é legítima se há crimes ou uma aberrante ruptura institucional em curso e a fonte é também cúmplice?

DISSIDÊNCIA PARTIDÁRIA -Woodward protegeu os assessores que lhe sopraram anos de malfeitos na Casa Branca. Já seu colega de fama na cobertura do escândalo Watergate, Carl Bernstein, divulgou, em novembro, a lista de 21 senadores republicanos que continuaram apoiando Trump, mas, anonimamente, admitiram que sua reeleição seria um perigo para o país.

Se eles tivessem sido honestos com os eleitores, teriam aprovado o impeachment no dia 5 de fevereiro —e quantas das 340 mil mortes nos EUA durante a pandemia teriam sido evitadas? Já passou da hora de desmontar o circo em torno do poder moribundo e aderir a um programa de desintoxicação.

Bolsonaro – não se sabe por quê – decide que a verba para vacinação poderá ser bloqueada


: boa notícia para quem? | NSC Total

Charge do Zé Dassilva (Arquivo Google)

Pedro do Coutto

O presidente Jair Bolsonaro vetou artigo da Lei de Diretrizes Orçamentária que impedia que o governo pudesse bloquear os recursos previstos para vacinação contra a Covid-19. Com isso, deixou no ar o receio de que o programa de vacinação corre risco de contingenciamento. O Congresso havia colocado no texto legal exatamente o contrário: o Executivo não poderia congelar essas verbas.

O presidente da República vetou também as emendas parlamentares que tornavam impositivos os destaques para que fossem realizadas obras direcionadas pelos deputados e senadores.

RISCO E CONTRADIÇÃO – Na minha opinião a etapa de vacinar em massa a população passa a correr risco. Quanto às verbas parlamentares, o veto significa uma contradição. No momento em que o Palácio do Planalto se empenha a favor de Arthur Lira, líder do Centrão, para presidir a Câmara, o veto só poderá causar reação negativa por parte dos deputados.

Relativamente à vacina, tenho receio de que Bolsonaro esteja tramando algo destinado a impedir o início da vacinação pelo governador de São Paulo, João Doria. Alguma coisa enlouquecida assim.

ALGO INCOMPREENSÍVEL – Os vetos poderão ser derrubados pelo Congresso Nacional, e se isso acontecer o chefe do Executivo ficará em situação ruim junto à opinião pública e também entre os senadores que se articulam para indicar o presidente daquela casa do Congresso no lugar de Davi Alcolumbre.

O que está sucedendo no governo é algo para mim incompreensível. O presidente da República parece estar contra as vacinas, sejam elas a de Oxford, Pfizer ou vindas da China ou da Rússia Politizar um tema do porte do coronavíirus revela uma inabilidade total.

OUTRO ASSUNTO – Reportagem de André Coelho e Luiz Ernesto Magalhães, O Globo de sábado, destaca providências anunciadas pelo prefeito Eduardo Paes logo ao início de sua administração recém-iniciada.

Ele anunciou que vai propor o aumento de 11 para 14% sobre os salários do funcionalismo municipal para a Previdência da cidade. A elevação é de 3 pontos, mas em relação ao desconto em vigor significa um aumento de 22%. O prefeito diz também que vai rever os incentivos fiscais que atingem 1 bilhão de reais.

Não adianta reclamar. Em nosso país os candidatos dizem uma coisa e na prática fazem outra.

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