sexta-feira, dezembro 04, 2020

Políticos brasileiros viram na epidemia uma belíssima oportunidade para tirar proveito pessoal


Estadão

A covid-19 foi sem dúvida a descoberta do ano para os políticos brasileiros. Desde o primeiro caso de infecção, boa parte dos nossos homens públicos viram na epidemia uma belíssima oportunidade para tirar proveito pessoal e “assumir posições” – calculadas para dar mais gás (ou o que eles acham que é mais gás) para as suas carreiras. Vivem falando que agem de acordo com a “ciência”. Mentira.

Eles não sabem rigorosamente nada de ciência, mas acreditam saber tudo sobre os truques mais eficazes para utilizar em seu benefício uma tragédia – e o pânico trazido por ela

DORIA EM AÇÃO – O governador João Dória foi um dos primeiros a ver o potencial desta mina. Dez meses depois, continua achando que ainda há muita coisa a tirar daí.

No dia 13 de novembro, duas semanas antes do segundo turno das eleições municipais, o governador disse o seguinte, em praça pública: “Vim aqui para desmentir mais uma fake news”, disse Doria, àquela altura convencido de que manter em grau mais moderado seu sistema de repressão ao vírus, como vem ocorrendo nos últimos meses, era a postura mais rentável para dar votos ao seu candidato Bruno Covas.

“Depois das eleições nós não vamos endurecer as medidas de combate à pandemia. A pandemia está sob controle.” Afirmou, também, que as previsões de endurecimento eram “um golpezinho” de campanha eleitoral.

TUDO AO CONTRÁRIO – As urnas mal tinham sido fechadas quando o governador, que então já não precisava mais dos votos, mandou fazer exatamente o contrário do que havia acabado de prometer: depois de uma campanha eleitoral vivida dentro da “fase verde” das restrições, Doria votou a impor as exigências da “fase amarela”, mais extensas e rigorosas. Qual foi, nessa história, a notícia falsa: o anúncio do endurecimento que viria depois da eleição, ou o desmentido formal do governador?

A covid-19, ao ser utilizada como ferramenta política, transformou-se no triunfo da mentira. Essa malversação dos fatos, feita de forma sistemática e maciça, leva aos disparates que se repetem diariamente à vista de todos.

VACINA BOA E RUIM – Há a vacina “boa” (a estadual) e a vacina ruim (a federal), com o pormenor de que nenhuma das duas existe. Há a aglomeração “ruim”, quando é feita pelos adversários políticos, e a aglomeração “boa”, quando é feita nas sedes de partidos para comemorar as vitórias do segundo turno.

Há os chiliques constantes das autoridades diante de “ameaças ao distanciamento social”, e a sua mais absoluta indiferença com os ônibus, trens e metrô que viajam lotados todos os dias.

A Prefeitura de São Paulo é patentemente inepta para cuidar de tarefas elementares e essenciais, que o homem sabe executar há 5.000 anos, como manter os bueiros da cidade razoavelmente limpos – a causa direta das enchentes a qualquer chuva mais forte.

INAPTIDÕES – A Prefeitura é inepta para cortar árvores que ameaçam cair sobre a rua e matar gente, como acaba de acontecer na Vila Mariana – apesar de todos os pedidos de providências por parte dos moradores. É inepta para consertar os buracos de rua.

Mas o prefeito e o governador são craques em usar máscaras pretas fashion, brincar de “cientista” e propor a “igualdade social”. É onde São Paulo veio parar.

Governo persegue a TV Globo de forma ridícula, enquanto favorece suas concorrentes


Bolsonaro faz inimiga Globo deixar de ganhar R$ 400 milhões

Fotocharge reproduzida do Portal Terra

Pedro do Coutto

São duas matérias importantes, uma publicada na edição desta quinta-feira, pela Folha de São Paulo, reportagem de Julio Wiziack, e outra em O Globo edição de quarta-feira. Pensava em escrever a respeito do compromisso do Facebook de pagar a jornais e emissoras de TV do Reino Unido pelo aproveitamento de conteúdos na sua plataforma diária.

Foi um acordo estabelecido pelo fato, penso eu, do uso de reportagens, artigos e notícias que se incorporam às páginas do Facebook  acessadas online por milhões de pessoas. Para se ter ideia da importância do acordo ele abrange The Economist  e The Guardian.

TAMBÉM NOS EUA – Acordo semelhante foi formalizado no primeiro semestre deste ano entre o Google e o New York Times. O contrato do Facebook abrange também o Washington Post. Um aspecto essencial da questão reside no fato de os jornais e emissoras de TV possuírem reportagens em ação enquanto o Google e o Facebook não usam repórteres para colherem fatos e opiniões. Essa diferença é fundamental e com ela ganham milhões de leitores em todo o mundo.

Deve se notar que enquanto o acesso a internet realiza através de um clique por matéria, os jornais circulam com suas edições completas. Vamos ver agora o que acontece aqui no Brasil entre o governo e a rede Globo.

Reportagem de Julio Wiziack, Folha de São Paulo de quinta-feira,  revela que o governo Bolsonaro resolveu investigar a TV Globo pelos descontos que oferece na publicidade que recebe e veicula. Confesso que fiquei surpreso na medida em que um governo na área econômica se afirma liberal, como já definiu Paulo Guedes, pressiona a Globo por reduzir seus preços e não aumentá-los, como geralmente ocorre nas emissoras de televisão.

HÁ DIFERENÇAS – Mas o fato não é só esse. O fato é que a questão dos descontos decorre em muitos casos do volume da própria publicidade comercial. Evidente que anúncios diários sistematicamente veiculados não têm o mesmo preço do que anúncios singulares. Por exemplo, supermercados, veículos e bancos têm um valor mensal menor do que o preço unitário de um dia só.

Entretanto, a maior contradição do governo está na distribuição das cotas de publicidade institucional. Quer dizer, tendo maior audiência, a Globo recebe menos do que as cotas para a Record e SBT. Enquanto isso, ela é acusada de violar o mercado diminuindo seus preços. Algo absolutamente incrível que um governo possa agir assim.

FMI E BRASIL – Matéria de Eduardo Cucolo, Folha de São Paulo, revela que o FMI, apesar de seu conservadorismo, publicou ontem matéria defendendo que o Brasil estenda seus auxílios emergenciais para populações pobres cuja renda é mínima.

Vejo assim um contraste entre o FMI keynesiano e o ministro Paulo Guedes, que segundo disse leu as obras do ministro inglês da Economia, pensamento absolutamente oposto ao seu.

Centrão considera reeleição de Maia e Alcolumbre como “coronelismo parlamentar”


As reações no Congresso à possibilidade de o STF autorizar a reeleição de Maia e Alcolumbre | Jovem Pan

Maia e Alcolumbre são “dois perdidos numa política suja”

Rafael Moraes Moura e Camila Turtelli
Portal Terra

Aumenta a pressão sobre o Supremo, depois que líderes do Centrão lançaram nesta terça-feira, dia 1º, uma ofensiva para barrar a possibilidade de o Supremo Tribunal Federal (STF) abrir caminho para a reeleição de Rodrigo Maia (DEM-RJ) à presidência da Câmara e Davi Alcolumbre (DEM-AP) ao comando do Senado. Intitulado “Carta à Nação Brasileira e ao Supremo Tribunal Federal”, documento preparado pelo Progressistas de Arthur Lira (AL), um dos pré-candidatos à eleição na Câmara, já tem o aval de onze partidos e esquenta a disputa.

A carta não apenas é contra a recondução de Maia e Alcolumbre como chama qualquer iniciativa nesse sentido de “coronelismo parlamentar” e “casuísmo tacanho”.

CHEFE DO CENTRÃO – Principal adversário do grupo comandado por Maia, Lira é o chefe do Centrão e tem hoje o apoio do presidente Jair Bolsonaro para a sucessão na Câmara. O Supremo Tribunal Federal começará a julgar, na próxima sexta-feira, 4, ação impetrada pelo PTB pedindo que a Corte impeça a reeleição de Maia e de Alcolumbre.

Além disso, a sigla presidida por Roberto Jefferson e o Progressistas querem que o julgamento seja retirado do plenário virtual, já que ali os ministros ficam longe dos holofotes e não sofrem pressão da opinião pública. A eleição na Câmara e no Senado está marcada para 1.º de fevereiro de 2021.

“O sistema democrático e representativo brasileiro não comporta a ditadura ou o coronelismo parlamentar”, diz um trecho da carta, assinada por Progressistas, PL, PSD, Avante, Patriota, Solidariedade, PSC, PSB, Rede, Cidadania e Podemos.

INCONSTITUCIONAL – Ao destacar que a recondução para o comando da Câmara e do Senado, na eleição imediatamente subsequente, é proibida pela Constituição, o texto diz que esta é “a solução (…) mais adequada para se evitar a perenização e engessamento das posições de liderança no Congresso Nacional”.

Maia foi eleito três vezes presidente da Câmara e nega ser candidato, mas acredita ter o direito de concorrer, caso queira. Ele tenta construir um bloco de partidos, com cerca de 300 deputados – incluindo a esquerda – para apoiar um nome à sua sucessão.

Seis parlamentares desse grupo integram a lista dos “cotados”: Aguinaldo Ribeiro (Progressistas-PB), Baleia Rossi (MDB-SP), Elmar Nascimento (DEM-BA), Luciano Bivar (PSL-PE), Marcelo Ramos (PP-AM) e Marcos Pereira (Republicanos-SP). No Senado, Alcolumbre trabalha abertamente por um novo mandato à frente da Casa, com respaldo do Palácio do Planalto.

Na noite de terça-feira, 14 senadores também divulgaram uma nota para criticar a estratégia em curso com o objetivo de reeleger Maia e Alcolumbre. Na lista dos signatários do documento estão senadores que apoiaram a candidatura de Alcolumbre em fevereiro do ano passado, no duelo contra Renan Calheiros (MDB-AL), como Tasso Jereissati (PSDB-CE), Álvaro Dias (Podemos-PR) e Major Olímpio (PSL-SP).

REGIMENTO INTERNO – Na eleição passada, Alvaro Dias e Major Olímpio chegaram até mesmo a retirar seus nomes da disputa para ajudar Alcolumbre. Agora a situação se inverteu.

No texto, os antigos aliados observam que não apenas a Constituição, mas também o regimento interno do Senado vedam a recondução para o mesmo cargo na mesma legislatura.

“Tentar alterar por via judicial essa escolha política representa evidente subversão à separação dos poderes, verdadeiro atentado contra o estado democrático de direito”, diz o comunicado.

Gilmar e Toffoli rasgam a Constituição e votam para permitir reeleição de Maia e Alcolumbre


Charge 06/10/2020

Charge do Marco Jacobsen (Jornal de Londrina)

Deu no Jornal de Brasíli
(Agência Estado)

Em um julgamento histórico, com previsão de durar uma semana, os ministros Gilmar Mendes e Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), votaram na madrugada desta sexta-feira (4) para permitir uma eventual reeleição dos atuais presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP). Na prática, o voto dos dois ministros abre caminho para que Maia e Alcolumbre concorram à reeleição em fevereiro de 2021, quando está marcada a eleição da cúpula do Congresso. Maia nega ser candidato a disputar mais dois anos à frente da Casa.

Relator da ação do PTB que discute a controvérsia, Gilmar Mendes escreveu um longo voto de 64 páginas, em que entende que os membros do Congresso podem até discutir o tema e deliberar sobre o assunto internamente, desde que observado em qualquer caso, o limite de uma única reeleição ou recondução sucessiva ao mesmo cargo.

DISSE GILMAR – No entanto, para Gilmar Mendes a regra de permitir apenas uma reeleição deve valer apenas a partir de agora, por conta do princípio da “anualidade”, que impede a mudança das regras do jogo faltando menos de um ano para o pleito. Dessa forma, o voto do relator permite que Maia (que já está no terceiro mandato consecutivo à frente da Câmara) dispute mais dois anos no comando da Casa.

“O tema foi posto, e cabe ao Tribunal decidir. Decidiremos, entretanto, acerca da constitucionalidade de dispositivos regimentais que tratam sobre a composição da mesa das Casas do Congresso Nacional. Não decidiremos acerca de quem vai compor a próxima mesa: para tanto é preciso de votos no Parlamento, e não no plenário deste Supremo Tribunal Federal. Na eleição de Mesa do Poder Legislativo, é a maioria parlamentar que define quem ‘fala pela Casa’, não um acórdão”, escreveu Gilmar Mendes.

PLENÁRIO VIRTUAL – O julgamento ocorre no plenário virtual da Corte, uma ferramenta que permite a análise de casos pelos magistrados longe dos holofotes da TV Justiça – e dos olhos da opinião pública. Na plataforma, os ministros apenas depositam seus votos no sistema eletrônico, sem discussões ou troca de ideias entre si.

Terceiro ministro a votar em plena madrugada, Nunes Marques votou contra uma eventual candidatura de Maia à reeleição. Indicado pelo presidente Jair Bolsonaro ao Supremo, o ministro novato concordou com Toffoli e Gilmar Mendes no sentido de que só pode ser permitida uma única recondução, mas concluiu que esse entendimento deve valer já agora. Ou seja, o voto de Nunes Marques proíbe que Maia comande a Câmara por mais dois anos – mas autoriza a campanha à reeleição de Alcolumbre, já que o senador ainda está no primeiro mandato.

“Se o presidente da República pode ser reeleito uma única vez – corolário do princípio democrático e republicano – por simetria e dever de integridade, este mesmo limite deve ser aplicado aos presidentes da Câmara dos Deputados e do Senado Federal”, escreveu Nunes Marques em seu voto.

TRANSPARÊNCIA – O julgamento está previsto para durar uma semana, mas pode ser interrompida a qualquer momento caso algum integrante da Corte peça vista (mais tempo para análise) ou destaque. Ainda faltam ser computados oito votos.

No caso de pedido de destaque, o julgamento não apenas seria interrompido, como acabaria retirado do plenário virtual – e teria de retornar no plenário “físico”, nas tradicionais sessões plenárias do STF, agora realizadas por videoconferência. Foi isso o que pediram o PTB (autor da ação) e outros três partidos: PP, Podemos e Rede Sustentabilidade.

PP, Podemos e Rede querem que a ação seja julgada no plenário “físico”, “com a maior transparência, publicidade, participação social e escrutínio público possíveis”. Na avaliação de integrantes da Corte ouvidos pela reportagem, as maiores chances de o Supremo abrir caminho para uma eventual candidatura à reeleição de Maia e Alcolumbre estão no plenário virtual, e não no plenário físico. Isso porque, nas sessões transmitidas ao vivo, os magistrados poderiam mudar o voto sob pressão da opinião pública.

OFENSIVA DO CENTRÃO – Na última terça-feira, líderes do Centrão lançaram numa ofensiva para barrar a possibilidade de o Supremo abrir caminho para uma eventual reeleição de Maia e Alcolumbre. Intitulado “Carta à Nação Brasileira e ao Supremo Tribunal Federal”, o documento foi preparado pelo Progressistas do deputado federal Arthur Lira (AL), um dos pré-candidatos à eleição na Câmara.

Principal adversário do grupo comandado por Maia, Lira é o chefe do Centrão e tem hoje o apoio do presidente Jair Bolsonaro para a sucessão na Câmara.

Conforme informou o Estadão nesta quinta-feira, Lira esteve à frente de um esquema milionário de “rachadinha” quando integrou a Assembleia Legislativa de Alagoas, segundo acusação do Ministério Público Federal. Documentos até então sigilosos obtidos pela reportagem indicam desvio, entre 2001 e 2007, de R$ 254 milhões dos cofres públicos. Somente o líder do Centrão movimentou R$ 9,5 milhões em sua conta. As informações estão em uma ação penal que Lira ainda responde na Justiça estadual. Ele já foi condenado pelo caso na esfera cível.

ALERTA POLÍTICO – Um dos temores dentro do STF com a sucessão na Câmara e no Senado é o de que nomes mais imprevisíveis e automaticamente alinhados a Jair Bolsonaro assumam o comando das duas Casas, o que poderia resultar em retaliações contra o Poder Judiciário, como a abertura da CPI da Lava Toga e até mesmo a votação de pedidos de impeachment de ministros do tribunal. Até agora, Alcolumbre tem resistido à pressão de senadores da ala “lavajatista”.

Integrantes do Supremo também avaliam que deixar com os próprios parlamentares a palavra final sobre a reeleição na Câmara e no Senado pouparia a Corte do desgaste político de interferir numa questão interna, com potencial de criar novo desgaste na já tumultuada relação entre Judiciário e Legislativo.

O próprio discurso do presidente do STF, ministro Luiz Fux, ao assumir o comando do tribunal, no dia 10 de setembro, deixou nas entrelinhas sua disposição de não intervir no assunto.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG 
– A coisa está feia. Em tradução simultânea, Bolsonaro fracassou na tentativa de dar um golpe militar, mas está avançando velozmente na articulação de um golpe branco, como se dizia antigamente, com o domínio dos três Poderes da República, que ele garantirá em julho, quando Marco Aurélio Mello se aposentar e o Supremo ganhar mais um ministro de notório saber negocial e de reputação ilibada nos moldes do Centrão, tipo Nunes Marques. Aí será o caso de nos mudarmos para o Paraguai, onde a democracia é mais avançada. (C.N.)

quinta-feira, dezembro 03, 2020

Tribunal de Ética da OAB-SP proíbe Moro de advogar para Alvarez & Marsal

 2 de dezembro de 2020, 18h20


Por 


Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil

O Tribunal de Ética e Disciplina da seccional paulista da Ordem dos Advogados do Brasil notificou o ex-juiz e ex-ministro da Justiça Sergio Moro para reiterar que é vedada a prática de atividade privativa da advocacia aos clientes da consultoria Alvarez & Marsal, da qual Moro se tornou sócio-diretor.

documento, obtido pela ConJur, é assinado pelo presidente do TED, o advogado Carlos Kauffmann.

O texto alerta que Moro não pode praticar atividade privativa da advocacia para clientes da A&M, sob pena de adoção de medidas administrativas e judiciais pertinentes.

A notificação também lembra que as empresas de consultoria são expressamente proibidas de "prestar serviços jurídicos a seus clientes, incluindo assessoria e consultoria jurídica, nem mesmo por advogados internos, independentemente do cargo ou função exercidos".

No último domingo (29/11), Moro anunciou que havia sido contratado pela consultoria norte-americana Alvarez and Marsal. A empresa é responsável pela administração judicial da Odebrecht, uma das companhias mais afetadas por decisões do ex-juiz da "lava jato".

A consultoria também faz assessoria financeira na recuperação da Sete Brasil, além de ter sido contratada pela Queiroz Galvão para reestruturação do grupo. Todas essas empresas estão em situação econômica delicada desde que foram devassadas pela "lava jato". A contratação levantou um debate ético entre a comunidade jurídica.

Recentemente, o OAB rejeitou uma requisição feita pelo Ministério das Relações Exteriores para que a entidade flexibilizasse as regras de atuação dos advogados estrangeiros no país. O posicionamento foi votado na sessão do pleno do Conselho Federal em 5 de novembro.

https://www.conjur.com.br/2020-dez-02/tribunal-etica-oab-sp-proibe-moro-advogar-am

Pouco depois do anúncio de sua contratação para A&M, Moro destacou que a natureza de suas funções na empresa não se relaciona a atividades privativas da advocacia. De todo modo, a vedação agora está oficializada.

Clique aqui para ler a notificação

Toma lá, dá cá: Planalto manobra para vetar Maia na sucessão na Câmara e negocia cargos


Charge do Reginaldo Soares (Arquivo do Google)

Andréia Sadi
G1

O Palácio do Planalto entrou de cabeça na articulação para derrotar o presidente da Câmara, Rodrigo Maia, na disputa pela sucessão do comando da Casa, em fevereiro do ano que vem. Integrantes do governo têm conversado com ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), além de negociar com parlamentares para garantir apoio a um projeto que vete Maia do comando da Casa por mais dois anos.

Na negociação, parlamentares já cobram cargos, como ministérios — e governistas admitem que entrarão na roda ministérios importantes a depender do tamanho do adversário do candidato do governo. Nas palavras de um interlocutor do presidente: “O governo vai entrar com uma mão, com uma força se for Maia e, com outra, se for um candidato do grupo dele”.

RACHA –  O candidato do governo é Arthur Lira, do PP de Alagoas, mas a Câmara está rachada a respeito do seu candidato adversário — além de estar na expectativa da decisão do STF sobre a liberação ou não da reeleição na Casa —, o que hoje é vedado pela Constituição.

Maia reuniu parlamentares aliados nesta semana para dizer que não é candidato à reeleição, mas trabalha para fazer seu sucessor. O Planalto não acredita que Maia não será candidato, tampouco parlamentares do próprio grupo político do presidente da Casa. Segundo o blog apurou junto a ministros do STF, há uma tendência da Corte de avaliar como questão interna do Congresso a reeleição, o que abriria caminho para a recondução de Maia.

RÉU POR CORRUPÇÃO – Nos bastidores do STF, o nome de Arthur Lira é visto com ressalvas. Ministros da Corte lembram a integrantes do governo que Lira é réu por corrupção passiva por decisão da primeira turma do STF. E, reservadamente, temem seu perfil político por ter sido aliado e defensor de Eduardo Cunha, cassado e preso pela Lava Jato. A defesa do deputado nega as acusações.

Diante desse cenário, a expectativa na Câmara é a de que a Corte libere a reeleição propondo ser um tema interno dos congressistas. Ocorre que, dentro da Casa, deputados estão rachados sobre apoiar Maia, e defendem um nome apoiado pelo presidente da Câmara para derrotar o governo.

Entre as apostas do grupo de Maia, estão Aguinaldo Ribeiro (PP-PB) e Baleia Rossi (MDB-SP). No caso de Aguinaldo, aliados de Bolsonaro afirmam que se ele for escolhido, Maia perde o argumento de que Lira tem problemas na justiça, já que Ribeiro também virou réu no STF por supostos desvios na Petrobras. A defesa do deputado também nega as acusações.

SUCESSÃO – O presidente da Câmara tem feito conversas com a oposição para discutir a sucessão. Na avaliação do Planalto, apesar de PT e PSB sinalizarem que não apoiarão uma candidatura à reeleição, poderão, sim, apoiar um candidato do presidente da Casa.

Já para o grupo de Maia, PSB e PDT vão marchar juntos — repetindo a dobradinha vitoriosa na eleição municipal — e querem derrotar o candidato do governo. O grupo conta também com PT, além de DEM, PSDB e MDB.

Nas contas desse grupo, estão com Lira o “núcleo duro” do chamado Centrão: PP, PL e PSD. A aposta de Maia é que a diferença será feita pelo apoio da esquerda, que não apoiará um candidato do governo Bolsonaro.

EM CAMPO – Durante a campanha municipal, Maia fez acenos e gestos que, para o Planalto, foram movimentos em busca de apoio pela Câmara. Ele foi a Fortaleza e gravou apoio ao candidato de Ciro Gomes, Sarto, eleito para comandar a prefeitura. Em São Paulo, também foi encontrar João Doria (PSDB) na reta final da campanha, para reforçar o apoio a Bruno Covas.

Nesta semana, entrou em campo o presidente do DEM, ACM Neto, que, em conversas em Brasília, soube que, se o STF liberar também a reeleição, o MDB já avisou que quer ter candidato ao Senado. Hoje, o DEM tem as duas cadeiras — Câmara e Senado.

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