segunda-feira, novembro 09, 2020

Brasil precisa perder o complexo de vira-latas porque não existe nenhum paraíso aqui na Terra


Unsere Autoren: Philipp Lichterbeck

Há 12 anos no Brasil, Lichterbeck diz como é a Alemanha

José Vidal

Há pouco li um artigo sobre a Alemanha, onde o autor fala sobre os mitos daquele país e como nos desqualificamos com nosso eterno vira-latismo, personificado pela bajulação a outros países. O nosso patriotismo se resumindo à adoração aos símbolos e palavras ao vento.

Sim, a Alemanha é um grande país, mas tem as suas falhas. Esse país onde tudo funciona e é planejado com perfeição, no qual não há corrupção nem desonestidade, obviamente só existe na imaginação de muitos brasileiros, diz o colunista

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OS EQUIVOCADOS E PERSISTENTES MITOS SOBRE A ALEMANHA

Philipp Lichterbeck
Agência DW

Uma coisa precisa ser dita: todo alemão no Brasil tem que aguentar de tempos em tempos uma conversa esquisita. É bizarro, mas algumas pessoas acreditavam estar sendo simpáticas ao elogiar Hitler para um alemão.  Mas esses brasileiros estão muito enganados. Hitler não foi um líder genial, que queria tornar a Alemanha grande. Foi um paranoico e histérico homem cheio de complexos que destruiu a Alemanha.

Por sorte, nos últimos anos a conversa sobre Hitler deu lugar ao papo sobre “na Alemanha tudo funciona”. Por trás disso está, claro, essa estranha disposição, bastante atual, dos brasileiros para a autoflagelação, o complexo de vira-lata, que leva à crença de que na Europa tudo é melhor.

TUDO FUNCIONA? – Posso tranquilizar os brasileiros: também na Alemanha nem tudo funciona direito. E há muitos mitos que não têm nada a ver com a realidade. A seguir, uma pequena amostra.

Para começar, o mito de que os alemães planejam tudo perfeitamente. Eis alguns exemplos que dizem o contrário. Este ano foi inaugurado o novo aeroporto de Berlim – com nove anos de atraso, pois deveria ter começado a funcionar em 2011.

Quando a obra começou, os custos estimados eram de 1,9 bilhão de euros. Acabou saindo por cerca de 7 bilhões. A obra durou 14 anos. Em comparação, Brasília inteira precisou só de quatro anos para ser construída.

ESCADA-ROLANTE – A construção do aeroporto foi marcada por inúmeras panes de planejamento, o que não se poderia mesmo esperar de um país tão orgulhoso de seus arquitetos e engenheiros. A minha favorita é a escada-rolante para lugar algum: na hora de encomendar as escadas-rolantes, os planejadores informaram as medidas erradas, e algumas vieram muito curtas. Corrigiram o problema colocando três degraus de mármore no começo da escada.

A corrupção também desempenhou um papel na construção do aeroporto de Berlim, o que nos traz ao segundo mito: o de que na Alemanha não há corrupção. Um diretor-técnico foi desmascarado como corrupto, e um administrador recebeu propina na beira de uma rodovia.

É verdade que a corrupção na Alemanha é mais discreta do que no Brasil. Isso ocorre também porque a nota mais alta de euro é de 500. Ninguém precisa de malas grandes, caixas ou cuecas para esconder o dinheiro.

CAIXA 2 ELEITORAL – Assim como no Brasil, a corrupção também existe nos meios políticos da Alemanha. Muitos brasileiros não sabem, mas a CDU, o partido da chanceler federal Angela Merkel, foi várias vezes culpada de receber doações ilegais milionárias. O partido manteve até mesmo contas secretas. Entre os principais envolvidos no último escândalo estava o antigo chanceler federal Helmut Kohl. Ele levou para o túmulo o nome dos doadores ilegais, ao estilo de um chefão da máfia.

Outro mito é o da honestidade alemã. Este ano, a empresa de pagamentos Wirecard entrou em insolvência porque no seu balanço constavam 1,9 bilhão de euros que não existiam. Eles haviam sido simplesmente inventados pelos chefes da Wirecard. O escândalo foi um duro golpe para a credibilidade do mercado financeiro alemão pois a Wirecard estava cotada na bolsa de valores.

Um escândalo que ainda pesa é o das montadoras alemãs, que veio à tona em 2015. Elas usaram softwares para ocultar que seus carros não respeitavam as regras de emissões de gases de vários países.

ALEMÃES POLUIDORES – Outro mito persistente é o da proteção ambiental exemplar da Alemanha. É verdade que a maioria dos alemães não joga lixo em qualquer terreno, como muitos brasileiros fazem, e que as ruas não são tão sujas. Porém, todos os anos a Alemanha subsidia com 46 bilhões de euros a exploração de carvão e a queima de petróleo e gás, muito prejudiciais ao clima. Em média, cada alemão é responsável pela emissão de quase nove toneladas de CO2. A média brasileira é de apenas duas toneladas.

A dita pontualidade alemã é outra que volta e meia vem à tona. Em 2018, de cada quatro trens da Deutsche Bahn, nem três conseguiram ser pontuais. Juntos, eles acumularam entre 3 milhões e 4 milhões de minutos de atraso – ou 2.570 dias que passageiros na Alemanha tiveram de esperar.

Outra ideia equivocada dos brasileiros é a dos alemães trabalhadores e dedicados. O “índice de dedicação” da empresa de consultoria Kienbaum, que questiona empregados de 20 países, concluiu que a dedicação dos trabalhadores alemães fica pouco abaixo da média mundial e bem abaixo do índice alcançado por indianos e chineses.

MENOS CERVEJA – Dois mitos que me irritam em especial são os de que alemães estão o tempo todo bebendo cerveja e comendo carne. Para mim, eles se explicam pelo predomínio da cultura da Baviera na imagem que os brasileiros têm da Alemanha.

Na verdade, há, na Alemanha, muitas regiões produtoras de vinhos excelentes, e em especial o vinho branco alcança uma categoria de ponta. Há milhões de alemães que nunca estiveram numa Oktoberfest de Munique, não veem motivo para um dia estar e preferem passar seu tempo livre num dos inúmeros belos restaurantes das regiões vinícolas alemãs.

E cada vez mais alemães são vegetarianos ou veganos. Pesquisas dizem que 10% dos alemães não consomem carne, e a tendência ao vegetarianismo está em forte alta. Mais da metade dos alemães diz que consome cada vez menos carne ou apenas carne de melhor qualidade, ou seja, da produção orgânica.

COMIDA VARIADA – Ao mesmo tempo há nas cidades alemãs hoje mais restaurantes com comida árabe, turca, grega, italiana, tailandesa, vietnamita ou peruana em vez da tradicional culinária alemã. O meu prato favorito, aliás, é arenque frito com batatas, típico do norte da Alemanha e do qual a maioria dos brasileiros provavelmente nunca ouviu falar.

Portanto, queridos brasileiros: nem tudo é ruim no Brasil, como às vezes parece. E nem tudo é tão perfeito na Alemanha, como muitos pensam.

Congresso se compromete com Paulo Guedes a avançar nos projetos da área econômica


Charge do Duke (domtotal.com)

Wesley Oliveira
Correio Braziliense

Um dia depois de o Congresso derrubar o veto do presidente Jair Bolsonaro à desoneração da folha de pagamentos, o ministro da Economia, Paulo Guedes, se reuniu com líderes do governo para tratar de pautas prioritárias para o Executivo. Entre os acordos para que o veto fosse derrubado, os congressistas se comprometeram a avançar nos projetos da área econômica.

A estratégia é retornar à agenda pré-pandemia e acelerar projetos de corte de gastos, como as Propostas de Emenda Constitucional (PEC) Emergencial e do Pacto Federativo. Além de Guedes, participaram da reunião o líder do governo no Senado, Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE), o líder no Congresso, Eduardo Gomes (MDB-TO) e o líder na Câmara, Ricardo Barros (PP-PR).

RETOMADA DAS VOTAÇÕES – De acordo com os líderes, haverá um esforço concentrado para a retomada das votações a partir de 16 de novembro, um dia depois do primeiro turno das eleições municipais. Fazem parte da lista de projetos prioritários, a autonomia do Banco Central (BC), já aprovada no Senado, o marco regulatório do gás, a lei de falências e de cabotagem.

“Pode escrever, será a agenda de volta para o futuro. Será uma resposta do Executivo e do Congresso para estimular a retomada da economia. Faremos esse esforço a partir de 16 de novembro”, garantiu Eduardo Gomes. Segundo o emedebista, existe uma possibilidade de o Congresso suspender o recesso de janeiro para conseguir deliberar todas as pautas.

REFORMAS –  No encontro, que ocorreu por videoconferência, os líderes abordaram com o chefe da pasta econômica a possibilidade de adiantar a tramitação das reformas administrativas e tributárias dentro do Legislativo. Contudo, com o calendário apertado, as duas propostas devem ficar para 2021.

Protocolada no início de setembro pelo governo, a reforma administrativa sequer teve uma comissão especial instalada na Câmara, por onde começará a tramitar. Já a tributária teve os trabalhos da comissão mista prorrogados até 10 de dezembro.

“A pandemia, as convenções partidárias e, depois, as eleições acabaram atrasando os trabalhos. Vou tentar finalizar a tramitação dentro do colegiado, ainda em dezembro, para que, ao menos, a tributária possa abrir o calendário de votações de 2021”, sinalizou o presidente da comissão mista da reforma tributária, senador Roberto Rocha (PSDB-MA).

Receosos com isolamento diplomático, militares defendem que Bolsonaro reconheça a vitória de Biden imediatamente

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Bolsonaro aguarda reconhecimento do próprio Trump da derrota

Andréia Sadi
G1

Assessores políticos e também militares do governo defendem, nos bastidores, que o presidente Jair Bolsonaro reconheça a vitória de Joe Biden o quanto antes. A preocupação, cada vez mais, é que o Brasil fique isolado na diplomacia internacional.

Vários líderes internacionais, como Angela Merkel, da Alemanha, e Benjamin Netanyahu, de Israel, já parabenizaram Biden pela vitória. Bolsonaro, no entanto, ainda não tomou a decisão de admitir a derrota de Donald Trump, por quem estava torcendo.

PLANEJAMENTO – Havia, inclusive, um planejamento de divulgação de uma comunicação para caso de vitória de Biden esboçado por um integrante do governo – mas, até agora, não houve sinal verde do presidente para ser usado.

Bolsonaro tem se aconselhado com o ministro Ernesto Araújo (Relações Exteriores) e com o assessor internacional Filipe Martins, além de ter o apoio de Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), que preside a Comissão de Relações Exteriores e Defesa Nacional da Câmara dos Deputados. O presidente brasileiro aguarda um anúncio oficial ou o reconhecimento do próprio Trump da derrota, o que ainda não ocorreu.

Apesar do silêncio, assessores do presidente ouvidos pelo blog defendem que Bolsonaro não lamente publicamente a vitória de Joe Biden – assim como fez com a de Alberto Fernández, na Argentina. Bolsonaro torcia para Mauricio Macri, derrotado no pleito. Assessores políticos de Bolsonaro defendem também uma guinada na política ambiental do Brasil, além de troca nas Relações Exteriores para sinalizar diálogo ao futuro presidente americano.

“IMBRÓGLIO” – O vice-presidente da República, Hamilton Mourão, disse nesta segunda-feira, dia 9,  que o presidente Jair Bolsonaro aguarda definição sobre “imbróglio” nas eleições dos Estados Unidos para se posicionar sobre a vitória de Joe Biden.

“Então, eu julgo que o presidente está aguardando terminar esse imbróglio, aí de discussão, se tem voto falso, se não tem voto falso, para dar o posicionamento dele. Eu acho que… É óbvio que o presidente na hora certa vai transmitir os cumprimentos do Brasil a quem for eleito”, afirmou Mourão a jornalistas ao chegar ao Palácio do Planalto.

Sérgio Moro nega candidatura, mas defende que haja “alternativas não polarizadas” em 2022


“Polarização obscurece os debates reais que temos que realizar”, diz Moro

Bela Megale
O Globo

Ao O Globo, Sergio Moro critica o ambiente de polarização entre esquerda e direita e admite que tem conversado com nomes que buscam construir uma alternativa. Reconhece que esteve, em outubro, com o apresentador Luciano Huck, como informou o jornal ‘Folha de S.Paulo’, para “conversar sobre o Brasil”, mas nega que, neste momento, seja candidato ao lado de Huck. “A construção disso é importante, e não necessariamente passa por mim. Não existe nada pré-determinado”. A seguir, os principais trechos da entrevista.

Estamos a dois anos das eleições presidenciais. O senhor está se articulando com lideranças para construir uma terceira via de candidatura?
Eu ficaria bastante desapontado se chegássemos em 2022 e tivéssemos apenas, como perspectivas eleitorais, dois extremos polarizados, a esquerda e a direita. O brasileiro tem um perfil mais moderado, e essa moderação favorece comportamentos de tolerância, que é o que nós precisamos, e o fim desse ciclo de ódio, que envolve principalmente as figuras do presidente (Bolsonaro) e igualmente do PT, especialmente o ex-presidente Lula. A construção disso é uma coisa importante, e não necessariamente passa por mim. Existem várias pessoas.

O senhor teve uma conversa com o apresentador Luciano Huck sobre as eleições. Trabalha na construção de uma chapa com ele?
Existe muita especulação sobre 2022. O que posso dizer é que há uma movimentação de pessoas com perfil de centro que têm conversado. Várias pessoas podem ser bons candidatos de centro, como o próprio Luciano Huck, o (governador) João Doria, o ex-ministro Mandetta, o João Amoêdo ou mesmo o vice Hamilton Mourão. São conversas, mas isso não quer dizer que exista algo preestabelecido.

Mas saiu algum compromisso dessa conversa com Huck?
Foi só uma conversa. Eu já conhecia o Luciano faz um tempo. Nós nos encontramos e conversamos apenas sobre o Brasil, o cenário, mas não existe nada pré-determinado.

O senhor tem falado com outros nomes?
Todo mundo está conversando, mas isso não significa que vou ser candidato. Minha preocupação é com o momento atual. Essas questões eleitorais sobre o que irei fazer no futuro são meramente especulativas. O que penso é que essa polarização de hoje obscurece os debates reais que temos que realizar. É meu desejo, como o de muita gente, que, em 2022, tenhamos alternativas não polarizadas. Qualquer candidato que apele para o discurso de ódio não é um bom candidato.

O senhor e o ex-ministro Mandetta mantêm conversas desde que deixaram o governo. Essa é mais uma alternativa para 2022?
Mandetta teve um papel relevante no início da pandemia, porque precisava manter as convicções dele baseadas em evidências, em contrariedade ao próprio presidente. Ele se destacou bastante.

O senhor diz que está preocupado com 2020, e não com 2022. O que isso significa?
Eu saí da vida pública, da magistratura, e depois do cargo de ministro. Hoje, meu plano é continuar sendo uma voz ativa em prol dos princípios e bandeiras nas quais acredito. Temos um Brasil cada vez mais isolado na perspectiva internacional. Isso tem consequências para o desenvolvimento. Temos questões na área ambiental, urgências na economia. Há muita coisa para acontecer até 2022 e o foco não pode ser esse (a eleição).

O que significa a vitória de Joe Biden nos EUA?
O resultado nos Estados Unidos mostra que o país continua uma democracia forte. Um dos significados da democracia é permitir essa alternância de poder. O presidente eleito acenou para a união de todos americanos, esse é o espírito que deve prevalecer. Biden tem o histórico de ser um político moderado. As relações entre Brasil e Estados Unidos, que são boas, devem ser trabalhadas para ficarem melhores ainda.

O presidente Bolsonaro já disse que não tem corrupção no seu governo. Dias depois, um aliado do governo apareceu com dinheiro na cueca. O que pensa disso?
Não temos ouvido notícias a respeito de escândalos de corrupção como tínhamos no passado, mas têm surgido casos pontuais que precisariam ter uma resposta dos órgão de controle. Temos tido retrocessos sim, infelizmente. E isso acontece desde o ano passado, não só por decisões de outros poderes, mas também por uma certa inação do Poder Executivo.

Quais retrocessos?
Vejo a omissão do governo em apoiar a retomada do restabelecimento da prisão após a condenação na segunda instância. Isso é injustificável e contraria, inclusive, as promessas de campanha feitas em 2018. Da mesma forma, havia uma expectativa de que poderíamos caminhar para a redução do foro privilegiado. O governo tem se mantido inerte em relação a esses temas. Então, a afirmação de que não existe corrupção, em primeiro lugar, não é absolutamente consistente com os fatos. Segundo, se não trabalharmos em um sistema de controle e prevenção, a corrupção vai voltar e, talvez, mais intensa do que foi no passado.

O senhor vê uma mudança de postura do governo sobre esse tema?
O governo tinha uma posição bastante rígida no início, em relação ao não loteamento político-partidário dos cargos públicos, por exemplo. Parece que essa política mudou sensivelmente no decorrer deste ano. Isso também acaba sendo uma possível fonte de oportunidades de práticas de corrupção. Se diminui o risco para o criminoso e aumenta a oportunidade, a prática é previsível.

O envolvimento do senador Flávio Bolsonaro em investigação criminal tem contribuído para esses retrocessos?
O governo federal tem falhado, principalmente por sua postura omissa em relação ao restabelecimento da prisão em segunda instância, por PEC ou por projeto de lei. Também senti isso na falta de apoio a várias medidas do projeto de lei anticrime. Os motivos dessa omissão devem ser indagados ao próprio governo. Não tenho condições de responder por ele.

Algumas leis de combate à corrupção são alvos de propostas que enfraquecem, por exemplo, ações contra lavagem de dinheiro? Como vê esse movimento?
Ainda não existe um texto final desse projeto de lei que está no Congresso, mas a minha impressão é que estamos brincando com fogo. Ao mudarmos a nossa legislação sem tomar cuidado com nossos parâmetros internacionais de combate à corrupção e lavagem, corremos o risco de sermos expulsos do Gafi/FATF (Grupo de Ação Financeira contra Lavagem de Dinheiro e Financiamento do Terrorismo, entidade intergovernamental que trata do tema). Além do risco de nos tornarmos paraíso para lavagem de dinheiro de crimes como tráfico de drogas, ainda podemos prejudicar nossa economia. É preciso ficar muito atento para verificar se esse projeto, no final, não vai afetar nossa posição na comunidade internacional.

Que tipo de medida, na prática, pode ser prejudicial?
Se a nova lei proibir, por exemplo, o compartilhamento de relatórios de inteligência do Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) com órgãos de investigação, estaremos na direção errada. Corremos um sério risco de o Brasil se tornar um párea internacional no âmbito da lavagem de dinheiro, embora tenha gente que não veja problema nisso. Não faço juízo definitivo sobre esse projeto e o que trata da lei geral de proteção de dados, porque ambos estão em andamento, mas temos que olhar para frente, não para trás.

O governo alimenta o plano internacional de entrar na OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico). Essas eventuais mudanças ameaçam esse projeto?
Elas não só comprometem nosso ingresso na OCDE, como podem afetar nossa reputação, com risco de sermos expulsos de certos órgãos internacionais. Fazer parte desses órgãos não é só uma questão de prestígio internacional, mas algo que tem reflexos reais na economia. Temos um exemplo que aconteceu em julho do ano passado. Na época, foi concedida uma liminar pelo ministro Dias Toffoli, que suspendeu um processo de investigação por lavagem de dinheiro (Moro se refere ao caso sobre o pagamento de rachadinhas que envolve Flávio Bolsonaro, quando foi deputado estadual no Rio). Como esse processo tinha uma repercussão geral, afetou todas as investigações em curso no país baseadas em dados sigilosos compartilhados pela Coaf sem prévia autorização judicial.

E qual foi a consequência dessa liminar?
Aquilo gerou um risco de suspensão do Brasil no Gafi/FATF. Foi enviada uma comissão antissuborno da OCDE para o Brasil, com observadores. Visitaram várias autoridades, houve envio de cartas do presidente do Gafi, externando essa preocupação. Posteriormente, o próprio STF, inclusive o ministro Toffoli, acabou revendo a liminar. Se não tivesse havido essa revisão, seríamos expulsos do Gafi, e isso teria consequências terríveis para a economia. Tanto é assim que quem capitaneou o convencimento com os ministros do Supremo para evitar essa expulsão foi o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto. Eu vi as propostas de mudança na lei de lavagem. É cedo para avaliações, mas uma crítica que já pode ser feita à Comissão que debate o assunto é a pouca participação de órgãos do Poder Executivo.

Quais órgãos?
Não constam representantes da PF, do Conselho de Atividades Financeiras, da CGU. Há uma predominância de advogados. Isso não tem nada de negativo, em princípio, mas seria interessante que houvesse representantes desses órgãos para ter uma visão especifica, já que eles estão encarregados, muitas vezes, do combate à lavagem.

O senhor mencionou que o governo também enfrenta questões na área ambiental.
Nessa área, o governo peca, essencialmente, pelo discurso. Tem feito operações importantes, como a Verde Brasil, capitaneada pelo vice Hamilton Mourão. Esses esforços, porém, ficam prejudicados, quando há um discurso equivocado da parte da nossa liderança maior, porque isso acaba comprometendo o próprio efeito preventivo dessas ações contra o desmatamento. O discurso dessa liderança nega qualquer problema e invoca, a meu ver, com cálculo eleitoral, a questão da Amazônia com perspectiva ufanista, de que é nossa e que, por isso, podemos fazer o que quisermos.

O senhor se refere ao presidente Jair Bolsonaro.
É… o presidente da República tem um grande poder. Ele ensina as pessoas, ao dar exemplo. As palavras são muito fortes. Quando uma ação é prejudicada pelo discurso equivocado da liderança maior, seu efeito diminui, até porque a comunidade internacional ouve muito a palavra dessa liderança.

Sobre o STF, o senhor avalia que o perfil garantista de Kassio Marques foi essencial para que ele fosse indicado pelo presidente?
Não conheço pessoalmente o ministro Kassio e espero que ele tenha sorte e sucesso na carreira. Ele se autoafirmou como garantista. Acho que esses rótulos não se justificam, porque todo magistrado tem preocupação com os direitos do investigado. Isso não significa defender um sistema judicial que não seja efetivo contra os culpados. Estamos vendo vários episódios nos últimos meses em que lamentamos não ter um sistema mais efetivo. Tivemos recentemente a soltura de um grande traficante (André do Rap, líder do PCC). Vamos ver a atuação dele no STF e não julgar o ministro antes mesmo dele exercer o cargo.

Bolsonaro mudou o perfil da escolha que previa para o Supremo?
De certa forma, o presidente, quando foi eleito, tinha o discurso um pouco diferente em relação ao perfil dos magistrados que iria indicar ao Supremo. Isso não é uma crítica ao indicado, mas uma ponderação em relação à posição do presidente. No cenário atual, parece difícil que ele indique pessoas com um perfil mais linha dura no trato da questão criminal, haja visto o discurso que ele vem adotando em relação a essa temática. Assim como o governo deixou de lado a execução da prisão após a segunda instancia, parece que hoje essa não é mais uma preocupação.

Acredita que o STF vai se posicionar pela depoimento presencial do presidente Bolsonaro e dar o mesmo tratamento que o senhor teve no inquérito que os envolve? Que desfecho espera dessa investigação?
Esse inquérito foi aberto e isso até me surpreende. A minha intenção não era essa, mas sim esclarecer por que eu estava saindo do governo, além de buscar alguma proteção para a PF. Houve uma iniciativa do procurador-geral (Augusto Aras) de instaurar o inquérito, inclusive, me colocando como um dos investigados. Eu não tenho interesse pessoal nesse inquérito. O que o STF decidir sobre o depoimento do presidente e o que for concluído, não dou muita importância. Para mim, é irrelevante.

O senhor se posiciona com frequência nas redes sociais sobre diversos temas. Como lida com o ambiente de ódio?
Tenho tido muito cuidado nas minhas postagens, para evitar qualquer tipo de fomento a esse discurso de ódio. Até me penitencio por uma ou outra postagem em que posso ter sido mais veemente, mas hoje tenho esse compromisso comigo de evitar qualquer espécie de agressão em rede social. Não podemos combater fogo com fogo.

O que achou da atuação da Justiça no caso do estupro de Mariana Ferrer?
Vi o vídeo que circulou na internet. Fica claro que o advogado errou ao tratar, na audiência, a pessoa que denunciou um estupro com aquela agressividade. Sinceramente, penso que o advogado deveria, pelo menos, pedir desculpas públicas e, quem sabe, até mesmo indenizar a ofendida. Digo isso independentemente da questão do estupro, já que cabe aos tribunais julgar a acusação. Pelo menos o vídeo teve o efeito positivo de chamar a atenção de todos, para que ajam com maior cuidado e respeito às vítimas em processos por crimes sexuais. Não raramente, a prática é de tentar desconstruir a vítima, o que é reprovável e significa submetê-la a novo padecimento moral.
 
A sua quarentena de ministro acabou em outubro. Quais os planos agora?
Acredito muito no potencial do setor privado para implementar políticas anticorrupção. Minha pretensão, no momento, além de participar do debate público, é fomentar, no setor privado, esse processo para que as próprias empresas tomem iniciativas para adotarem políticas de conformidade com a lei. Vou fazer o que eu acredito no âmbito do setor privado, sem prejudicar outras atuações.

Como enxerga o presidente Bolsonaro hoje?
Não tenho nenhum sentimento de animosidade. O que eu vejo, a distância, e ainda quando estava no governo, é que falta um ímpeto mais reformista.

O que o senhor quer dizer com isso?
Tivemos uma reforma importante, que foi a da previdência, no ano passado, mas existem várias reformas na agenda, mais ambiciosas ou microrreformas, que podem fazer diferença. A própria agenda anticorrupção aparenta ter sido abandonada. Não podemos esperar um eventual segundo mandato, um próximo presidente. Temos que trabalhar nas reformas desde já.

Neste mês, faz dois anos que o senhor aceitou integrar o governo Bolsonaro. Está arrependido?
Eu aceitei ir para o governo diante de circunstâncias muito específicas. Tinha a ambição, não no sentido pessoal, de que poderia implementar políticas públicas consistentes com o que acredito. Em certa parte, isso foi bem-sucedido, especialmente no combate ao crime organizado. Agora, em relação à agenda anticorrupção, não pude avançar, em parte, pela falta de um apoio maior do Planalto. Senti que era o momento de sair. Agora, olhando para 2018, vejo que a minha decisão de entrar no governo foi racional e apoiada, até por pesquisas da época, por grande parte da população. Não me arrependo por ter tentado fazer o que acredito.

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NOTA DA REDAÇÃO DO BLOG – Atenção, Moro negou que seja candidato ao lado de Huck, e isso é rigorosamente verdadeiro, porque o apresentador continuará fora da política. Huck já se acertou com a Globo, que recolocou Angélica no ar após um gelo de três anos e meio, e vai participar do movimento apenas dando força e apoio a Moro. (C.N.)

“Conselho e água benta só se dá a quem pede”, porém, tomo a liberdade de dá um conselho ao povo trabalhador humilde e de boa fé de Jeremoabo.




Vocês trabalhadores que ganham o pão de cada dia dando duro, dando sangue para conseguir  sustentar sua família com honestidade e dignidade, não vão em onda de pesquisas fraudulentas, nem tão pouco em resultados mentirosos, porque com certeza o que é perdido em apostas irá fazer falta e até trazer complicações.

A pergunta que faço é: porque os candidatos a prefeitos não apostam?

Está aí o desafio do empresário Adalberto Vilas Boas ao candidato a prefeito Deri do Paloma, porque o mesmo não aceita o desafio?

Hajam com inteligência e com a razão.


Cristinápolis: nota oficial

Coligação "Trabalhando Para Nossa Gente"

Presidente da ONG-TransparênciaJeremoabo denuncia que candidato a reeleição em Jeremoabo contratou milicianos para sua segurança,


Entrevista completa a respeito do ATENTADO SOFRIDO PELO PRESIDENTE DA ONG-TRANSPARENCIAJEREMOABO NESTE AÚDIO .
O Presidente da ONG-TransparênciaJeremoabo que sábado dia (07.11)sofreu um atentado na cidade de Jeremoabo, onde seu veículo foi alvejado  em entrevista a rádio local, fez graves denúncias contra o atual prefeito e candidato a reeleição acusando que a segurança pessoal do mesmo são milicianos, coisa nunca vista em nosso município; a que ponto chegou os desmandos e a insegurança.

Coincidência ou não, há dias atrás, rodou nas redes sociais e em grupos de WhatsApp, um Print que dizem ser de autoria do  candidato a vereador  inelegível Guilherme Enfermeiro, onde afirma  " que o grupo vai contratar uns capangas..).

Não estou afirmando que o PRINT seja  de autoria do candidato inelegível ficha suja, porém, rolou por semanas nas redes semanas  e até apresente data não foi desmentido, sei apenas que coincidência ou não, o atentado já aconteceu e está sendo apurado pela Polícia. 

A conclusão é que a  "PEDRA FOI CANTADA" HÁ QUASE UM MÊS ATRÁS MAIS OU MENOS, E O POVO DE JEREMOABO IRÁ SABER REAGIR NÃO COM VIOLÊNCIA, MAS DE FORMA CIVILIZADA, PACÍFICA E DEMOCRATICA, USANDO A SUA PODEROSA ARMA QUE O TÍTULO DE ELEITOR E O VOTO..


Em destaque

TCM aponta má gestão em Jeremoabo

Matéria completa: portaldafeira.com.br https://www.portaldafeira.com.br/noticia/153979/tcm-aponta-ma-gestao-em-jeremoabo                  ht...

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