sexta-feira, agosto 02, 2019

Pacto dos Poderes é um acordo sinistro para destruir a Lava Jato e garantir impunidade geral


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Pacto dos Poderes é um acordo sinistro que violenta a cidadania
Carlos Newton
Em novembro de 2018, quando o presidente do Supremo Tribunal Federal, Dias Toffoli, escreveu um artigo no jornal El País, em que propôs “um grande pacto entre os três Poderes da República”, ninguém realmente o objetivo. O ministro deu uma justificativa escalafobética, afirmando que “esse pacto envolve, com absoluta prioridade, que deliberemos sobre as reformas previdenciária e tributária/fiscal e enfrentemos os problemas da segurança pública”. Como uma coisa nada tem a ver com as outras, ficou tudo no ar, igual aos aviões de carreira do Barão de Itararé.
Houve protestos veementes. O ministro Marco Aurélio Mello, ex-presidente do Supremo, disse que jamais faria pacto entre poderes, porque a Justiça não pode fazer acordos que envolvam sua atuação. Realmente, essa negociação entre poderes jamais pode ocorrer em democracia, embora seja comum e rotineira em ditaduras de qualquer ideologia.
MESADA DE TOFFOLI – Quando levantou essa estória do tal pacto, Toffoli estava incomodado. Quatro meses antes, em julho de 2018, o ministro tinha encarado uma grave denúncia, publicada pela revista digital “Crusoé”, a propósito da mesada de R$ 100 mil que ele recebia de sua mulher, a advogada Roberta Maria Rangel. O dinheiro, segundo a reportagem de Eduardo Barretto e Filipe Coutinho, saía de uma conta de Roberta no Itaú com destino a outra mantida em nome do casal no Banco Mercantil do Brasil.
Os repasses, de acordo com a publicação, foram realizados ao menos desde 2015 e somavam R$ 4,5 milhões. Dos R$ 100 mil mensais depositados, disse a revista Crusoé, metade (R$ 50 mil) era transferida para a ex-mulher do ministro, Mônica Ortega, e o restante utilizado para custear despesas pessoais do ministro, nessa conta operada por um funcionário do gabinete dele no STF.
LAVAGEM DE DINHEIRO – Todos os bancos são obrigados a comunicar ao Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) as transações suspeitas de lavagem de dinheiro. A revista Crusoé revelou que, em 2015, a área técnica do Mercantil encontrou indícios de lavagem de dinheiro na conta do ministro, mas a diretoria do banco ordenou que as informações não fossem encaminhadas para o Coaf.
Toffoli não respondeu à denúncia, mas tomou providências para sepultar o assunto. Tudo ia bem, até que o Estadão publicou em fevereiro de 2019 uma reportagem dizendo que as mulheres de Toffoli e Gilmar Mendes, as advogadas Roberta Maria Rangel e Guiomar Feitosa, estavam entre as 133 personalidades apanhadas na malha fina do Coaf, por movimentação bancária atípica.
Toffoli e Gilmar Mendes, que são amigos íntimos e inseparáveis, foram à loucura com a matéria do Estadão, republicada por toda a mídia e que incluía a ministra Isabel Galotti, do Superior Tribunal de Justiça, o ex-senador Blairo Maggie o desembargador Luiz Zveiter, do Rio de Janeiro, sua mulher, além do irmão Sérgio e da mulher dele.
INQUÉRITO INTERNO – Três semanas depois, a 14 de março Toffoli criou uma nuvem de fumaça, “adaptou” uma disposição regimental e abriu um inquérito interno no Supremo para investigar fake news e ofensas a ministros e seus familiares. Dispensou o sorteio eletrônico e nomeou o amigo Alexandre Moraes como relator.
Cada um a seu lado, os dois então tomaram as providências que julgaram de direito. Como Pelé e Coutinho fazendo tabelinhas, a dupla Toffoli e Moraes simplesmente resolveu destruir as investigações do Coaf.
A 16 de julho, Toffoli usou o plantão no recesso para aproveitar um recurso de Flávio Bolsonaro e dar uma estranhíssima decisão “erga omnes” (contra todos), suspendendo os inquéritos e processos baseados em relatórios do Coaf, salvando com isso não somente o filho do presidente, como também seu assessor Fabrício Queiroz e criminosos de toda sorte, inclusive os chefes das grandes facções criminosas, tipo Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV), que só se consegue prender através das investigações do Coaf.
MORAES EM AÇÃO – O relator e amigo Alexandre Moraes também se dedicou ao Coaf nas férias. Nesta quinta-feira (dia 1º), logo no primeiro dia de volta ao trabalho, o diligente ministro suspendeu a investigação aberta pela Receita contra 133 contribuintes, e com isso limpou a barra das mulheres de Toffoli e Gilmar, além de Blairo Maggi, os irmãos Zveiter e mais e mais.
A fiscalização era realizada pela Equipe Especial de Fraudes (EEF), dedicada à investigação de autoridades e pessoas politicamente expostas – entre elas, ministros da STF. Na matriz USA há 22 órgãos como o Coaf, que funcionam para valer e colocam celebridades na cadeia, como o ator Wesley Snipes. Aqui na filial Brazil, só tínhamos o Coaf, mas agora é como se não existisse mais controle.
Por coincidência, é claro, no mesmo dia o The Intercept divulgpu mensagens indicando que o procurador Deltan Dallagnol pretendia incriminar Toffoli, que realmente tem currículo e bagagem para ser denunciado, mas agora não há mais Coaf, os ministros e respectivas esposas estão blindados até que a morte os separe.
TRADUÇÃO SIMULTÂNEA – Cai o pano e a verdade se revela, em toda a sua amplitude. O tal Pacto dos Três Poderes nada mais é do que uma abjeta armação para destruir a Lava Jato, soltar Lula, Dirceu, Cunha etc. e evitar que sejam presos Temer, Aécio, Padilha e tutti quanti. Não importa que, para garantir a impunidade dessa gente, seja necessário deixar em liberdade os criminosos de maior periculosidade do país, que mandam decapitar o rivais nas penitenciárias e fica tudo por isso mesmo.
É um acordo sinistro que só funcionará com a adesão do Supremo. Sei que há ministros que estão fora desse esquema, têm conhecimento de toda essa podridão que está ocorrendo, mas não demonstram coragem de seguir o exemplo do jurista Adaucto Lúcio Cardoso. Em 1971, na ditadura, quando o Supremo julgou constitucional a censura prévia à imprensa, o ministro não teve dúvidas – despiu a toga, atirou-a sobre a mesa, foi embora e nunca mais voltou.
Mas naquela época ainda havia juízes em Berlim, digo, em Brasília. Hoje, é o deserto de homens e ideias identificado por Oswaldo Aranha, um brasileiro de verdade. Mas isso já é outro assunto.

Governo quer reativar a economia, mas reduziu os próprios investimentos nas estatais


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Charge do Kap (arquivo Google)
Pedro do Coutto
Reportagem de Martha Beck e Manoel Ventura, O Globo de quinta-feira, revela que enquanto o governo Bolsonaro sustenta ser de máxima importância o avanço dos investimentos no país, inclusive como fator de reduzir o desemprego, ele próprio diminui suas aplicações principalmente nas estatais de primeira linha, como é o caso da Petrobras e Eletrobrás.
Martha Beck e Manoel Ventura voltam sua atenção para o fato comparativo do primeiro trimestre de 2016 com igual periodo de 2019. Bem, janeiro, fevereiro e março de 2016 registraram os aportes de capital ao nível de 19,7%. No mesmo período deste ano, os desembolsos ficaram contidos na escala de 6,7%.
JUSTIFICATIVA – A matéia acentua que houve redução no número de servidores regidos pela CLT e isso tornou mais fácil a privatização. Claro. A redução do chamado passivo trabalhista facilita as transações na medida em que diminui os pagamentos a serem feitos pelas empresas que adquirirem percentuais acionários nas estatais privatizadas.
O governo brasileiro, no plano do ministro Paulo Guedes, assume o passivo antecipando-se às decisões dos futuros controladores.  Nesse panorama visto da ponte, título da peça de Arthur Miller, observam-se duas contradições. Se a solução é recuperar a economia brasileira, de acordo com novos investimentos, por qual motivo o Planalto diminuiu a escala de investimentos, reduzindo-os a menos da metade do que o valor que vinha sendo adotado? Isso de um lado. De outro, as estatais sairam de um rombo de 32 bilhões no período em confronto, para um lucro de 71 bilhões de reais. Alguma coisa está errada.
MENOS DESEMPREGO – Inclusive porque o ritmo dos investimentos, reportagem de Daiane Costa e Poliana Bretas, publicada na mesma edição, destaca que o processo econômico, apesar de ser lento, funcionou para a queda do desemprego de 13 para 12,8% da mão de obra ativa. Pode se considerar pequeno esse avanço, mas pode ser também que signifique a retomada de um ritmo capaz de enfrentar um fantasma social que está rondando os assalariados brasileiros.
A nova taxa Selic que entrou em vigor, descendo de 6,5 para 6%, afeta muito pouco a escala de juros bancários, levando-se em conta que os bancos não são devedores mas credores do Tesouro Nacional. Ou seja, 6,5% incidiam sobre 5,4 trilhões de reais, dívida interna brasileira. Agora, ao invés de 6,5%, a rentabilidade dos que aplicaram em notas do tesouro nacional que lastreiam a rolagem do endividamento diminuiu muito pouco. Mas diminuiu concretamente. Basta fazer as contas.
QUEDA DOS JUROS – A taxa Selic, reportagem de Renato Jakias, O Estado de São Paulo, traça uma ótima análise dos reflexos da queda do indicador. Vai influir nas aplicações abertas de capital ,como são os fundos de mercado, no Imposto de Renda e na rentabilidade das cadernetas de poupança. Nada disso entretanto será mais importante do que a queda do desemprego como começou a acontecer no final do mês de julho.
Vamos esperar que o processo de retomada do emprego se firme no horizonte da esplanada de Brasília. Porque nada pior pode acontecer aos trabalhadores do que perder seu posto de trabalho. O mercado de trabalho é que produz reflexos positivos no quadro brasileiro.

Bolsonaro e governadores estimulam infrações e instalam anarquia ambiental no país


Cameli, governador acriano, cancelou todas as multas ambientais
Bruno BoghossianFolha
Do alto de um palanque, o governador do Acre baixou uma nova lei ambiental no estado. “Não pague nenhuma multa, porque quem está mandando agora sou eu”, afirmou Gladson Cameli (PP), batendo orgulhosamente no peito. O ex-senador sempre condenou as punições aplicadas a produtores rurais por desmatamento, mas parece ter se embriagado com o poder depois que assumiu o novo cargo.
Num evento realizado no fim de maio, Cameli criticou o órgão estadual de fiscalização e repetiu três vezes que as multas ambientais já não valem mais nada. “Não pague, não. Eu que estou mandando”, declarou.
RUMO À ANARQUIA – Sob o pretexto de evitar abusos e proteger a atividade econômica, alguns governantes decidiram partir para a anarquia. As regras de preservação continuam valendo, mas agora vêm acompanhadas de um estímulo à prática de crimes.
O governador do Acre pode até estar incomodado com punições que considera injustas, mas a Constituição estabelece que os estados têm o dever de fiscalizar qualquer ação que prejudique o meio ambiente.
O desmatamento quadruplicou no Acre nos últimos seis meses, segundo dados do Imazon. O repórter Fabiano Maisonnave perguntou a Cameli quantas multas foram aplicadas por seu governo nesse período. O governador não quis responder.
SALVO-CONDUTO – O presidente Jair Bolsonaro também já emitiu um salvo-conduto do tipo. Em abril, ele gravou um vídeo para avisar às madeireiras que os agentes do Ibama estavam proibidos de queimar caminhões e tratores usados no desmatamento ilegal.
O decreto 6.515, editado em 2008, autoriza a destruição desses equipamentos no local da ocorrência, mas o presidente virou o jogo e anunciou que o governo abriria um processo administrativo contra os fiscais.
Enquanto incentiva o descumprimento da lei, o governo fecha os olhos para as transgressões. Ao jogar dúvidas constantes sobre os dados que apontam um avanço do desmatamento na Amazônia, Bolsonaro deixa os infratores mais tranquilos.

Juiz mantém prisão dos hackers e diz que tudo indica que se trata de uma quadrilha


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Walter Delgatti já foi levado para prestar um novo depoimento
Breno Pires e Patrik CamporezEstadão
A Justiça Federal do Distrito Federal (DF) decidiu que os suspeitos de hackear autoridades devem permanecer presos por tempo indefinido. A prisão preventiva foi determinada pelo juiz Ricardo Leite na noite desta quinta-feira, dia 1º, no limite do prazo para a prisão temporária. A decisão foi tomada a pedido da Polícia Federal. O Ministério Público Federal deu parecer favorável ao requerimento da PF.
O grupo formado por Walter Delgatti Neto, Gustavo Henrique Santos, Suelen Priscila Oliveira e Danilo Marques está preso desde o dia 23 de julho, sob suspeita de hackear os celulares do ministro Sérgio Moro (Justiça e Segurança Pública), do procurador Deltan Dallagnol, coordenador da força-tarefa do Ministério Público Federal na Operação Lava Jato no Paraná, e de até mil autoridades dos três Poderes.
REPRODUÇÃO –  Ricardo Leite, responsável pela Operação Spoofing, voltou de férias nesta quinta-feira, dia 1º. As decisões até a véspera haviam sido tomadas pelo juiz Vallisney Oliveira, em substituição. Na sexta, 27, Vallisney havia prorrogado por mais cinco dias a temporária dos quatro investigados.
Na sequência da investigação, a PF busca identificar pagamentos ao grupo, supostamente liderado por ‘Vermelho’. Na residência do ‘DJ Guga’, os federais apreenderam R$ 99 mil em dinheiro vivo. Os federais rastreiam movimentações bancárias e em criptomoedas dos investigados.
RÉU CONFESSO – ‘Vermelho’ confessou à Polícia Federal que hackeou Moro e Deltan e centenas de procuradores, juízes e delegados federais, além de jornalistas. Ele acumula processos por estelionato, falsificação de documentos e furto. Apesar da confissão, o magistrado considerou que há ‘incongruências’ a serem esclarecidas.
O juiz anota a necessidade de apurar a ‘motivação de Walter Delgatti Neto ao repassar informações sigilosas ao sítio eletrônico Intercept, e se recebeu alguma quantia em pagamento’
“O investigado afirma ter agido sozinho e não ter recebido nenhuma vantagem em troca das mensagens capturadas das contas do Telegram de suas vítimas. Ocorre que, dos novos elementos probatórios trazidos pela autoridade policial, da análise dos computadores e discos rígidos arrecadados na residência de Walter Delgatti Neto, laudo pericial atestou a realização de de 5.812 ligações suspeitas no sistema da BRVOZ que tiveram como alvo 1162 números distintos, o que revela a possível atuação de outras pessoas juntamente com Walter”, afirma o juiz.
FRAUDES BANCÁRIAS – Para manter presos os demais nomes, além de ‘Vermelho’, o juiz fundamentou principalmente nas suspeitas de que cometeram crimes como fraudes bancárias. “Foram encontradas mensagens nos aparelhos celulares apreendidos na residência de Suelen Priscila de Oliveira e Gustavo Henrique Elias Santos, evidenciando que Suelen tinha conhecimento e praticava fraudes bancarias”.
O juiz Ricardo Leite frisou que não se comprovou a origem lícita da quantia de R$ 99 mil em espécie apreendida com o casal. “Há diversas lacunas que não foram esclarecidas com a origem do montante de R$ 99 mil encontrados na residência de Gustavo e de Suelen”.
O magistrado ainda quer saber  em ‘que constituiu a participação de Danilo já que surgiram fortes indícios de que tinha total conhecimento da prática delitiva, desconstituindo as suas declarações perante a polícia de que agiu em razão de amizade que tinha com Walter’. “Além disso, o próprio Walter Delgatti declarou sua habilidade em informática, sendo que solto poderá destruir provas”.
QUADRILHA – “Dessa forma, demonstrada a gravidade do delito e a periculosidade dos investigados que possivelmente formam uma organização criminosa para a prática de crimes, é indiscutível que a prisão preventiva deve ser decretada”, escreveu.
Desde junho, Moro é alvo de divulgação de diálogos a ele atribuídos com o procurador, pelo site The Intercept. O site afirmou que recebeu de fonte anônima o material, mas não revelou a origem.
A periculosidade evidenciada pelos custodiados na invasão de aparelhos de diversas autoridades públicas; a utilização de transações em bitcoins, conduta que dificulta o rastreamento de valores movimentados; a impossibilidade de monitoramento real das atividades dos investigados, se colocados em liberdade, além da falta de detalhamento da extensão desta possível organização criminosa, indicam o encarceramento como única forma de estancar qualquer continuidade delitiva ulterior dos investigados.
O hacker disse que chegou ao site via Manuela D’Ávila, ex-deputada (PCdoB/RS), que foi candidata a vice do petista Fernando Haddad na campanha presidencial em 2018.

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